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	<title>Arquivo de Cultura - Duas Linhas</title>
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	<title>Arquivo de Cultura - Duas Linhas</title>
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		<title>O PINTAINHO, O LEÃOZINHO E AS TRÊS GRAÇAS MUDAS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sílvia Quinteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jun 2026 08:00:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Toda a gente parecia partilhar um mesmo código de alegria colorida, descontraída, exuberante.</p>
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<p>O problema é que o concerto vinha embrulhado num festival e eu não sou pessoa de festivais. Nunca tive paciência para multidões, filas intermináveis para tudo, casas de banho que põem à prova a elasticidade e a fé humana, já para não falar nas &nbsp;horas de espera a aguardar o momento desejado. Mas o cantor que eu queria ver encerrava a noite. Era a grande atração, o nome que fazia aquele cartaz inteiro valer a pena e que me levou a fazer muitas centenas de quilómetros.</p>



<p>Assim sendo, restava esperar. Em pé, porque os supostos bilhetes VIP, eram VIP nos assentos mas não na vista (lateral e distante). Seis horas e meia. Ditas assim parecem um suplício medieval. Mas o que são seis horas e meia para quem esperou quase cinquenta anos? As pernas discordavam. Os pés também. Venceu a vontade, que era muita.</p>



<p>Resignei-me à imobilidade forçada e comecei a fazer aquilo que mais gosto quando estou no meio de muita gente: observar. A fauna humana de um festival é uma coisa extraordinária.</p>



<p>Neste caso, note-se, a ave rara era claramente eu. Toda a gente parecia partilhar um mesmo código de alegria colorida, descontraída, exuberante. Havia brilhos, roupas improváveis, botas gigantes com saias minúsculas, cabelos de todas as cores, brincos em todos as protuberâncias possíveis e imaginárias, e uma felicidade coletiva que, devo admitir, me estava a agradar bastante.</p>



<p>Foi então que o vi. Um rapazito louro pintainho. Olhos lindos sublinhados pela maquilhagem, blazer e calções, botas de cowboy. Uma fusão improvável de clássico e excesso. Acreditem ou não, a coisa funcionava.  Mas o que me prendia o olhar a este rapaz não era o visual que, ali, era apenas mais um. O que me encantou foi a dança. Enquanto toda a gente dançava ao ritmo da música, ele movia-se a um ritmo só seu.</p>



<p>Lembrei-me daquela velha anedota do homem que conduz em contramão e acha que todos os outros é que estão errados. Só que, este rapaz, nem sequer parecia notar a presença dos outros. Na verdade, parecia de tal modo estar a ouvir uma música própria dentro da cabeça, que tentei perceber se teria auriculares a rivalizar com o som das colunas que quase me ensurdeciam. Mas nada. Os braços moviam-se num compasso impossível. Os passos não coincidiam com a batida. O corpo obedecia à tal melodia secreta que só ele escutava e que, por esta altura, queria muito que partilhasse comigo.</p>



<p>Com a noite a cair, entrou em palco uma banda que levou o público ao delírio. Só conhecia de nome. Fiquei curiosa. O ritmo convidava a um pezinho de dança. O pintainho continuava no seu ritmo desalinhado. A miudagem entoava as letras. Até aqui, tudo normal. Pelo menos para eles, porque para mim, rapidamente ficou estranhíssimo.</p>



<p>Acontece que não consegui perceber se as  três vozes femininas anunciadas com pompa e circunstância eram as das pequenas que estavam em palco ou as que saiam das colunas. Sim, porque se, no início, as bocas abriam e fechavam sincronizadas com a música, passados poucos minutos nem isso. O público a delirar com o enorme talento. E eu ali, perplexa. Já tinha ouvido a expressão “cantas bem, mas não me alegras”. Mas era a primeira vez que via alguém alegrar uma multidão sem cantar rigorosamente nada. Nem bem, nem mal. Nada!</p>



<p>É provavelmente do meu ADN (que me explicaram recentemente significar Afastamento da Data de Nascimento), mas confesso ter ficado muito aliviada quando entrou em palco o cantor que eu esperava e percebi que cantava e tocava mesmo. Melhor do que isso, tocou só para mim. Cantou comigo. Implorou-me que não o deixasse tão só. O planeta podia explodir, a aparelhagem incendiar-se.</p>



<p>A multidão sumiu-se. O pintainho desapareceu, ofuscado pelo leãozinho. Hoje estou com menos voz que as Três Graças Mudas da banda e ainda a dançar a um ritmo que só eu ouço.</p>
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		<title>A Cadeira Musical de 1910: Um Guia Prático para Mudar de Regime sem Mudar de Costumes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alfredo Quintas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jun 2026 23:00:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CRÍTICAS E PROSAS]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
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		<category><![CDATA[fim da monarquia]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças de regime em Portugal]]></category>
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		<category><![CDATA[regime republicano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>o grande erro da transição foi a pressa em mudar a carcaça sem mexer no motor do país</p>
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<p>A transição da Monarquia para a República em Portugal foi, sem dúvida, o maior exercício de cosmética institucional da nossa história. O erro crónico de 1910 não esteve na ideologia, mas na romântica ilusão de que a incompetência nacional era uma simples questão de guarda-roupa. Achámos genuinamente que, ao trocar as fardas azuis e brancas por fatos verdes e vermelhos, as finanças públicas aprenderiam subitamente a fazer contas.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O Tédio Hereditário vs. O Caos Democrático</strong></h4>



<p>O grande problema da Monarquia era o tédio existencial e a falta de suspense. O país sabia perfeitamente quem ia governar dali a vinte anos: o filho do rei. Não importava se o rapaz era péssimo a matemática, se preferia passar o dia a caçar em Vila Viçosa ou se gastava o tesouro público em carruagens importadas de França. O cargo era dele por direito de nascença e o povo limitava-se a suspirar na taberna.</p>



<p>Cansados desta pasmaceira dinástica, os republicanos decidiram injetar adrenalina no sistema. O erro? Levaram o conceito de &#8220;dinamismo político&#8221; longe demais. A Primeira República transformou o Terreiro do Paço numa autêntica versão estatal do jogo da cadeira musical. Os governos mudavam com tanta rapidez — foram mais de 40 em menos de duas décadas — que os funcionários públicos abdicaram de decorar as caras dos ministros. Limitavam-se a saudar qualquer senhor de bigode farfalhudo e cartola que entrasse pelo ministério adentro, assumindo que seria o chefe daquela<strong> </strong>semana. Se tivessem o WhatsApp na altura, as demissões seriam resolvidas por mensagem rápida antes do almoço.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O Milagre da Conversão dos Títulos</strong></h4>



<p>O erro mais hilariante da nossa transição foi acreditar que uma mudança de regime alterava o ADN da burocracia ibérica. No dia 5 de outubro, retiraram-se as coroas dos papéis timbrados, pintaram-se os elétricos de Lisboa e apagou-se a palavra &#8220;Real&#8221; de todas as tabuletas.</p>



<p>Contudo, as pessoas eram exatamente as mesmas. Os mesmíssimos Cavalheiros da Ordem de Cristo, que na véspera faziam vénias profundas a Sua Majestade, acordaram no dia 6 assinando orgulhosamente como &#8220;Cidadãos Deputados&#8221;. O sotaque queque continuou igual, o gosto pelo clientelismo permaneceu intacto, mas agora tudo era feito em nome do &#8220;Povo Livre&#8221;. A burocracia, longe de diminuir, duplicou: para provar que éramos uma República moderna, passámos a exigir três carimbos democráticos onde antes bastava uma assinatura real. É uma linha direta que nos liga ao presente, onde o carimbo foi substituído pelo &#8220;erro no sistema informático&#8221;, mas a espera na fila continua a ser uma experiência monárquica.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>A Dieta do Barrete Frígio</strong></h4>



<p>O erro de palmatória dos novos governantes foi confundir símbolos com calorias. A propaganda republicana prometera que a queda do trono traria o fim da fome e o início da iluminação cultural. Na prática, o analfabetismo continuou confortavelmente acima dos 70% e o pão continuou caro. A única diferença real é que o Zé Povinho passou a poder ver o país caminhar para a bancarrota de forma totalmente constitucional e votada em urna.</p>



<p>A República tentou ainda proibir os feriados religiosos e apagar a Igreja Católica por decreto, esquecendo-se de que o português médio tolera perder o rei, tolera perder o almoço,<strong> </strong>mas não prescinde da sua procissão de Santo António. O resultado foi um braço de ferro absurdo onde o Estado tentava prender padres enquanto o<strong> </strong>povo continuava a orientar a sua vida espiritual pelo calendário dos santos, ignorando por completo os novos heróis civis que ninguém sabia bem quem eram.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O Cordão Umbilical com o Presente</strong></h4>



<p>Olhando para trás, percebemos que o grande erro da transição foi a pressa em mudar a carcaça sem mexer no motor do país. Ficámos sem o rei, ficámos sem a corte, mas guardámos religiosamente os vícios, as clientelas e a velha e maravilhosa mania de que a culpa de tudo o que corre mal é sempre do governo anterior.</p>



<p>A Primeira República inventou a arte de governar em sobressalto, inaugurando uma tradição que sobreviveu ao Estado Novo e que se refina a cada comissão parlamentar de inquérito nos dias de hoje. A obsessão por criar comissões de estudo para adiar problemas, as remodelações governamentais de emergência a meio da noite e as guerras de alecrim e manjerona entre Belém e São Bento não nasceram ontem. São heranças diretas daquele laboratório de confusão fundado em 1910. Mudar as moscas sem limpar o prato é, desde o início do século passado, a nossa maior e mais estável tradição republicana.</p>
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		<title>O Eterno e a Moldura: Ensaio sobre o Homem (In)Livre</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alfredo Quintas]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Jun 2026 09:56:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>"não ter nada é sempre a possibilidade de ter tudo"</p>
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<h4 class="wp-block-heading"><strong>O Vazio e a Transcendência: Do Nada ao Tudo</strong></h4>



<p>A perspetiva oriental de que o essencial do mundo é o &#8220;Nada&#8221; não deve ser entendida como um niilismo destrutivo, mas sim como pura potencialidade. No Ocidente, a divindade foi personificada numa força criadora e omnipresente; no Oriente, manifesta-se no espaço que precede a própria criação. Como defendia Agostinho da Silva, &#8220;não ter nada é sempre a possibilidade de ter tudo&#8221;. É no desapego absoluto do Tempo e do Espaço, e das próprias amarras conceituais, que o Homem se aproxima do Eterno. O Nada não é a ausência de ser, mas o útero onde todas as formas de ser ainda são possíveis.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>A Ilusão Democrática e o Enclausuramento do Homem</strong></h4>



<p>Quando transferimos esta premissa metafísica para a realidade social e política, a contradição humana torna-se evidente. A democracia moderna apresenta-se como o garante da liberdade, mas fá-lo através de uma densa teia de regras,dogmas e burocracias. Paradoxalmente, o oposto da democracia &#8211; o autoritarismo &#8211; é de mais fácil explicação, pois baseia-se no condicionamento visível e direto. A dor dos &#8220;longos 40 anos&#8221; de ditadura na história portuguesa gravou na memória coletiva o peso desse condicionamento físico e intelectual.</p>



<p>Contudo, a transição para a modernidade democrática trouxe consigo uma rasteira subtil. Prometeu-se uma lista extensa de direitos: autonomia, regalias, privilégios e livre-arbítrio. Mas quando a liberdade individual passa a estar estritamente balizada por concessões legais e convenções sociais, ela deixa de ser um estado natural e passa a ser uma concessão do sistema. Daí nasce o grito reflexivo: como usufruir de Liberdade, não sendo um Homem Livre? A sociedade moderna transformou a liberdade num produto de consumo conceptual, numa &#8220;grande mentira&#8221; onde simulamos a autonomia enquanto permanecemos acorrentados às engrenagens do quotidiano.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Mas o que será ser efectivamente livre?</strong></h4>



<p>Ser efetivamente livre não é acumular direitos, garantias ou privilégios outorgados por terceiros. Isso é apenas uma moldura dourada numa cela invisível. A verdadeira liberdade assemelha-se ao &#8220;Nada&#8221; budista e agostiniano: é um estado de despojamento interior.</p>



<p>Ser livre é a capacidade de agir a partir da própria essência, sem o peso do medo, da herança dogmática ou da necessidade de validação social. É imitar a beleza orgânica da natureza, que flui e existe sem pedir permissão. Enquanto o Homem moderno procurar a liberdade no &#8220;Tudo&#8221; das leis, do consumo e dos alinhamentos políticos, continuará prisioneiro. A libertação começa quando ele abraça o &#8220;Nada&#8221; — isto é, quando se esvazia das ilusões do mundo para, finalmente, se tornar dono de si próprio.</p>



<p><strong><em>Nota do autor:</em></strong> <em>O presente texto reflete o impacto da leitura de textos do Professor Agostinho da Silva, cuja profunda riqueza conceptual serviu de base e inspiração indispensável para a elaboração deste pequeno ensaio.</em><em></em></p>
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		<title>A SOCIEDADE QUE ARQUIVA OS VIVOS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Manuel Tomaz]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 23:10:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A experiência acumulada não deveria ser descartada. Deveria ser integrada.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Vivemos mais anos. Temos hoje milhões de pessoas com mais de 65, 70 ou 80 anos plenamente lúcidas, intelectualmente activas, criativas e capazes de continuar a contribuir para a sociedade.<br>Mas os sistemas continuam organizados segundo modelos antigos, concebidos numa época em que envelhecer significava incapacidade.<br>Hoje já não é assim. Existe uma diferença profunda entre idade biológica, mental e administrativa.<br>A primeira pertence ao corpo. A segunda pertence à curiosidade, criatividade, inteligência e vontade de continuar a participar no mundo. A terceira pertence aos formulários e mecanismos burocráticos que classificam seres humanos através de números. E é precisamente aí que nasce uma das grandes injustiças silenciosas do nosso tempo.<br>A sociedade continua a investir fortemente na preparação dos jovens para entrarem no sistema, mas investe muito pouco na continuidade criativa, intelectual e humana daqueles que chegam às fases maduras da vida. Muitas reformas transformaram-se numa espécie de corredor de espera social. Como se a vida criativa tivesse terminado apenas porque terminou um vínculo profissional.</p>



<p>Mas o ser humano não é apenas função laboral. Há pessoas que atingem precisamente nas fases mais maduras da vida a sua maior profundidade humana, capacidade crítica e visão do mundo. A experiência acumulada não deveria ser descartada. Deveria ser integrada.<br>No entanto, continuamos a viver numa cultura obcecada pela velocidade, juventude, estética e novidade permanente, confundindo frequentemente juventude com valor e envelhecimento com irrelevância. É um erro civilizacional.</p>



<p>Nunca precisámos tanto de memória, pensamento crítico, experiência e capacidade de interpretação humana. E, paradoxalmente, afastamos precisamente aqueles que poderiam ajudar a compreender melhor o tempo em que vivemos.<br>O mais curioso é que aquilo que hoje acontece às gerações mais velhas acontecerá inevitavelmente aos jovens actuais. Também eles descobrirão um dia a distância dolorosa entre aquilo que continuam capazes de fazer e aquilo que os sistemas lhes permitirão continuar a fazer.</p>



<p>Esta não é apenas uma reflexão sobre envelhecimento. É uma reflexão sobre o modelo de sociedade que estamos a construir. Uma sociedade saudável não pode desperdiçar inteligência, experiência e criatividade apenas porque passaram determinados anos sobre um documento de identificação.<br>Talvez esteja na altura de reinventar o lugar da maturidade nas democracias contemporâneas. Porque envelhecer não deveria significar desaparecimento. Poderia significar exactamente o contrário: mais profundidade, mais consciência, mais humanidade e uma nova forma de contribuição social.</p>
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		<title>INTERROGAR O VÁCUO: “O SILÊNCIO TAMBÉM É UMA FORMA DE PREVENÇÃO”, DIZ O DIRETOR-GERAL DO SILÊNCIO INSTITUCIONAL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alfredo Quintas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 23:00:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CRÍTICAS E PROSAS]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O país agradece o vosso esforço coordenado para não fazer absolutamente nada</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/06/interrogar-o-vacuo-o-silencio-tambem-e-uma-forma-de-prevencao-diz-o-diretor-geral-do-silencio-institucional/">INTERROGAR O VÁCUO: “O SILÊNCIO TAMBÉM É UMA FORMA DE PREVENÇÃO”, DIZ O DIRETOR-GERAL DO SILÊNCIO INSTITUCIONAL</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="949" height="169" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/absurdo.jpg" alt="" class="wp-image-49874" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/absurdo.jpg 949w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/absurdo-300x53.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/absurdo-768x137.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/absurdo-696x124.jpg 696w" sizes="(max-width: 949px) 100vw, 949px" /></figure></div>


<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p><em>Por José de Alfinete<br>Lisboa, 16 de Junho de 2026</em></p>



<p>Conseguimos o impossível. Após semanas a enviar e-mails que caíram no esquecimento e telefonemas que morreram no tom de chamada, fomos recebidos pelo Dr. Anacleto Mudez, Diretor-Geral do Silêncio Institucional (DGSI), o organismo transversal que coordena a ausência de respostas na Administração Pública. O Dr. Mudez aceitou falar connosco sob a condição de não respondermos a nada do que ele não dissesse.</p>



<p><strong>Diário do Absurdo (DA): Senhor Diretor-Geral, muito obrigado por nos receber. Gostaria de começar pelo caso do cidadão, que enviou alertas sobre toneladas de madeira seca na encosta da Peninha, em Sintra, e não obteve qualquer resposta da Proteção Civil, dos Parques de Sintra, do Parlamento ou de Belém. O que falhou aqui?</strong></p>



<p><strong>Dr. Anacleto Mudez (AM):&nbsp;</strong><em>(Sorri com bonomia)</em>&nbsp;Olhe, desde já repúdio essa palavra: &#8220;falhou&#8221;. Não falhou nada. O silêncio que o cidadão encontrou foi um silêncio planeado, rigoroso e de elevada competência técnica. Nós recebemos o e-mail dele a 22 de Maio. E aplicámos imediatamente a estratégia da &#8220;Ignorância Preventiva&#8221;.</p>



<p><strong>DA: Ignorância Preventiva? O que é isso?</strong></p>



<p><strong>AM:</strong>&nbsp;É muito simples. Se nós respondermos ao cidadão a dizer qual é a entidade responsável pela limpeza — se é a autarquia, o ICNF ou os Parques de Sintra —, criamos um precedente perigoso. As pessoas começam a saber a quem exigir responsabilidades. Ao nãorespondermos, mantemos o mistério. E o mistério, meu caro jornalista, é a alma da burocracia. Se ninguém sabe de quem é a competência, ninguém pode ser culpado se aquilo arder. É uma salvaguarda jurídica genial.</p>



<p><strong>DA: Mas o referido cidadão enviou o e-mail para todos os partidos do Parlamento e para o Presidente da República. Nem uma palavra de volta? Como se consegue que dez partidos partilhem o mesmo silêncio?</strong></p>



<p><strong>AM</strong>:&nbsp;<em>(Orgulhoso)</em>&nbsp;Ah, aí foi o nosso momento dourado de 2026. Conseguir a concertação estratégica do vácuo. O Parlamento debate muito, polariza muito, mas quando o assunto é caruma seca num e-mail de um cidadão, a união nacional acontece. Do PCP ao Chega, da Iniciativa Liberal ao PAN, todos aplicaram a nossa circular técnica n.º 4: &#8220;Não digas nada, que o Verão passa&#8221;. O cidadão conseguiu o milagre de pacificar a política portuguesa. Devia estar agradecido.</p>



<p><strong>DA: Mas há um risco real de incêndio. A madeira está seca, o Verão começou hoje e os termómetros estão a subir. Ignorar o risco não queima a floresta?</strong></p>



<p><strong>AM</strong>: Essa é uma visão muito literal do fogo. Nós temos uma abordagem mais filosófica. Veja bem: o cidadão citou o Decreto-Lei n.º 135/99 para provar que o e-mail dele tem o mesmo valor que o papel. Sabe o que nós fizemos? Imprimimos o e-mail e o decreto.</p>
</div></div>



<p><strong>DA: E foram limpar a encosta?</strong></p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p><strong>AM:&nbsp;</strong>Não. Arquivámos o papel numa pasta de cartão que guardamos no subsolo do Ministério. Sabe quanto oxigénio há naquela arrecadação? Zero. Sabe qual é o risco de combustão lá dentro? Nenhum. Portanto, tecnicamente, nós mitigámos o risco de incêndio do e-mail do cidadão. O papel está seguro. Se a encosta arder, o processo está intacto.</p>



<p><strong>DA: O cidadão ainda aguarda uma resposta do Chefe de Gabinete do Presidente da República. Há alguma esperança?</strong></p>



<p><strong>AM:&nbsp;</strong>Há sempre esperança de que o cidadão se canse. Belém está a processar o silêncio com a dignidade que o cargo exige. Responder com pressa a um alerta de segurança seria ceder à ditadura do imediatismo. Nós funcionamos ao ritmo do Estado, que é o ritmo do século passado.</p>



<p><strong>DA: Uma última pergunta: se o cidadão voltar a insistir e ligar para o número que deixou nos e-mails?</strong></p>



<p><strong>AM</strong>: Atendemos, claro. E pomos a música de espera. Temos uma versão em flauta de bisel do hino nacional que dura quatro horas. Se ele passar da terceira hora, transferimos para um departamento que foi extinto em 2011. O sistema funciona, só precisa de tempo.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="683" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/banda-desenhada-683x1024.png" alt="" class="wp-image-49871" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/banda-desenhada-683x1024.png 683w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/banda-desenhada-200x300.png 200w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/banda-desenhada-768x1152.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/banda-desenhada-696x1044.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/banda-desenhada.png 1024w" sizes="(max-width: 683px) 100vw, 683px" /><figcaption class="wp-element-caption">banda desenhada com recurso ao Chatgpt</figcaption></figure></div></div></div>



<p>Nota final: parabéns pelo milagre de unirem Belém, o Parlamento e as forças locais de Sintra no mais perfeito e harmonioso silêncio institucional de 2026. O país agradece o vosso esforço coordenado para não fazer absolutamente nada.Subscrevo-me, com o respeito que a vossa ausência de pressa exige,</p>
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		<title>SER OU NÃO SER, EIS A QUESTÃO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 12:41:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Cascais]]></category>
		<category><![CDATA[Palco 13]]></category>
		<category><![CDATA[peça Hamlet]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Espectáculo a não<br />
perder!</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>É conhecida a história que superiormente William Shakespeare põe em cena na universalmente conhecida tragédia Hamlet.<br>O fantasma do antigo rei diz a Hamlet que Cláudio o envenenou durante o sono e exige que o filho vingue a sua morte. Para despistar a corte, Hamlet começa a fingir-se de louco. Há, por isso, tensão no palácio real e a sua amada, Ofélia, acaba por dele se afastar. Recorre Hamlet a um estratagema, para testar a verdade: encena uma peça com uma morte semelhante à do pai. Cláudio, ao assistir, entra em pânico, o que o denuncia.</p>



<p>Durante uma discussão com a mãe, Hamlet mata Polónio, que estava escondido atrás de uma cortina. Esse acto leva Ofélia à loucura e, posteriormente, ao suicídio. Cláudio manipula Laertes, irmão de Ofélia, para matar Hamlet em duelo. O rei prepara uma espada envenenada e uma taça com vinho envenenado. Gertrudes bebe acidentalmente o vinho envenenado. No duelo, Hamlet e Laertes ferem-se de morte; mas, antes de morrer, Hamlet consegue matar Cláudio. Horácio, o melhor amigo de Hamlet, fica vivo para contar a verdadeira história.</p>



<p>Ora, na rodagem – magistralmente! – encenada por Marcos Medeiros, que a companhia de teatro Palco 13 apresenta no Auditório Fernando Lopes Graça (no Parque Palmela, em Cascais), a peça acontece na íntegra e serve de fio condutor para toda a acção. O pano de fundo é, todavia, a rodagem mesmo e, por isso, a movimentação dos actores implica que vivam e incarnem em simultâneo o drama shakespeariano, as preocupações da sua actuação como actores de cinema e, também, <em>last but not the least</em>, as suas ansiedades e vidas reais, num enleado entrechocar das maiores emoções, a despertar no espectador, sem dúvida, as mais díspares sensações.</p>



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</div>
</div>



<p>Confesse-se que o projecto não é fácil. Exige de todos os intervenientes uma elasticidade grande, quer do ponto de vista físico, quer no domínio o mais perfeito possível das suas reacções e falas. Destaco, por isso, o enorme à-vontade como tudo – aparentemente – se passa, a envolver, de facto, o espectador.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/palco-4-1024x576.png" alt="" class="wp-image-49905" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/palco-4-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/palco-4-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/palco-4-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/palco-4-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/palco-4-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/palco-4-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/palco-4-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/palco-4-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/palco-4.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>E se aplaudo todas as interpretações, sem distinção (quiçá, aqui e além, a dicção possa vir a ser melhorada…), e a brilhante ideia de Marco Medeiros, permita-se-me um aplauso especial: à magnífica misteriosa figura do homem do acordeão (um achado técnico, cenográfico, artístico), que, no decurso de todo o espectáculo se desdobra em mil e um ingredientes sonoros, ali, à nossa vista, ao vivo, a um canto, como quem não quer a coisa, mas sabendo exactamente a que melodia ou ruído ou estranho som há-de lançar mão para realçar o que diante de nós se está a desenrolar. Parabéns!</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="823" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/palco-cartaz-823x1024.png" alt="" class="wp-image-49906" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/palco-cartaz-823x1024.png 823w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/palco-cartaz-241x300.png 241w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/palco-cartaz-768x956.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/palco-cartaz-696x866.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/palco-cartaz.png 868w" sizes="auto, (max-width: 823px) 100vw, 823px" /></figure></div>


<p><br></p>
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		<title>Diário de Classe: A &#8220;Escola-Município&#8221; no Reino do Wi-Fi</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/06/diario-de-classe-a-escola-municipio-no-reino-do-wi-fi/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2026/06/diario-de-classe-a-escola-municipio-no-reino-do-wi-fi/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alfredo Quintas]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jun 2026 23:00:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CRÍTICAS E PROSAS]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[ensinar]]></category>
		<category><![CDATA[escola]]></category>
		<category><![CDATA[modelo de ensino]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tento aplicar a máxima de António Sérgio: "A democracia é a educação do povo"</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/06/diario-de-classe-a-escola-municipio-no-reino-do-wi-fi/">Diário de Classe: A &#8220;Escola-Município&#8221; no Reino do Wi-Fi</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p><strong>09:00</strong> – Tento aplicar a máxima de António Sérgio: <em>&#8220;A democracia é a educação do povo&#8221;</em>. Proponho à turma do 11.º ano que se autogoverne nesta aula, gerindo o tempo de debate sobre a cidadania e o esforço intelectual.</p>



<p>O Francisco levanta o braço: <em>&#8220;Stôr, gerir o tempo dá muito trabalho. Não dá para fazer um quiz no Kahoot e o stôr dar-nos &#8216;Excelente&#8217; a todos por participação inclusiva?&#8221;</em></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="640" height="422" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/class-enemy-7.jpg" alt="" class="wp-image-49864" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/class-enemy-7.jpg 640w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/class-enemy-7-300x198.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px" /></figure></div>


<p><strong>09:20</strong> – Explico, munido do espírito da <em>Seara Nova</em>, que o facilitismo é o novo caciquismo. Antigamente, o cacique comprava o voto com um saco de batatas; hoje, o facilitismo compra a paz social trocando o esforço real por &#8220;grelhas de avaliação flexíveis&#8221; e &#8220;projetos de competências sócio emocionais&#8221;.<br>A Mariana, que não larga o telemóvel, reage: <em>&#8220;Stôr, o Sérgio está desatualizado. No TikTok, o meu influencer favorito diz que o esforço manual e intelectual é tóxico. O segredo é o manifesting e o empreendedorismo digital. Para quê ler ensaios se o ChatGPT resume isto em três tópicos com emojis?&#8221;</em></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="640" height="427" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/class-enemy-5.jpg" alt="" class="wp-image-49866" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/class-enemy-5.jpg 640w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/class-enemy-5-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px" /></figure></div>


<p><strong>09:45</strong> – Insisto no conceito de &#8220;Trabalho Produtivo&#8221; de Sérgio: aprender fazendo, errando, assumindo a responsabilidade cívica. Proponho que escrevam um manifesto crítico, à mão, sem ecrãs.<br>Gerou-se o pânico coletivo. A associação de estudantes (os novos caciques em formação partidária) entram pela sala dentro: <em>&#8220;Stôr, recebemos queixas de que esta aula está a violar o bem-estar psicológico dos alunos. Exigir que eles pensem criticamente sem uma linha de orientação já mastigada causa ansiedade. O novo decreto-lei diz que o aluno deve ser o centro do processo, e o centro não quer fazer redações.&#8221;</em></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="640" height="433" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/class-enemy-6.jpg" alt="" class="wp-image-49867" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/class-enemy-6.jpg 640w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/class-enemy-6-300x203.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px" /></figure></div>


<p><strong>10:15</strong> – Toca o toque de saída. O Diretor da Escola chama-me. Diz-me, com a mesma bonomia do velho Conselheiro do século passado: <em>&#8220;Ó colega, para quê esse rigor sérgiano? Se lhes ensina o self-government e a autonomia, eles começam a questionar as nossas estatísticas de sucesso escolar! Nós precisamos de 100% de transições para o Ministério ver que somos modernos. Facilite-lhes a vida, dê-lhes um portefólio colorido, avalie a &#8216;atitude&#8217; e todos ficamos felizes.&#8221;</em></p>



<p>António Sérgio, onde quer que esteja, deve estar a pedir para chumbar o século XXI por falta de aproveitamento.</p>
</div></div>
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		<title>O CLAUSTRO DA CATEDRAL – HARMONIA DE UM MUNDO NOVO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jun 2026 09:00:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[UM CRONISTA DE PROVÍNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[claustros da Sé Catedral de Viseu]]></category>
		<category><![CDATA[Sé Catedral de Viseu]]></category>
		<category><![CDATA[Viseu]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O claustro da Sé Catedral de Viseu</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O claustro da catedral, esse multifuncional corpo que se ergue a sul, entre o braço do transepto e os pés da nave correspondente desta peculiar igreja-salão, dimensionado à extensão da nave lateral, deve compreender-se como um corpo orgânico que responde a usuais práticas de culto, funcional espaço que medeia a intimidade da relação do homem com o divino, que se cumprirá por inteiro na atmosfera silenciosa do templo recoberto pela Abóbada dos Nós.</p>



<p>Acresce que a sua materialidade carreia um profundo simbolismo, explicado pela circularidade de um percurso sobre esse chão empedrado, que se torna metáfora da humana presença, num tempo concreto de vida, que haverá de soltar-se, como as colunatas que se elevam para esse espaço aberto sobre o azul que metáfora é da cúpula ampla do Céu, que destino pode tornar-se.</p>



<p>A edificação que, ao presente, se nos oferece, ambicioso projecto de um bispo iluminado por uma ampla cultura bebida em Paris e nos círculos humanísticos de Roma – quando, ao tempo, se elevava a portentosa edificação da Basílica de S. Pedro, protótipo, em Portugal, de um Renascimento embrionário – deve-se ao inspirado génio do bispo D. Miguel da Silva, que governa a Diocese de 1526 a 1540, fâmulo da Corte de D. João III e da Corte Papal de Paulo III, que fará dele Cardeal.</p>



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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="750" height="423" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/se-catedral-de-viseu.jpg" alt="" class="wp-image-49885" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/se-catedral-de-viseu.jpg 750w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/se-catedral-de-viseu-300x169.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/se-catedral-de-viseu-696x393.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption class="wp-element-caption">Sé Catedral de Viseu, exterior</figcaption></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="552" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/1920px-Se_de_Viseu_IMG_20141226_162610-Pano_36601308080-1024x552.jpg" alt="" class="wp-image-49886" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/1920px-Se_de_Viseu_IMG_20141226_162610-Pano_36601308080-1024x552.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/1920px-Se_de_Viseu_IMG_20141226_162610-Pano_36601308080-300x162.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/1920px-Se_de_Viseu_IMG_20141226_162610-Pano_36601308080-768x414.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/1920px-Se_de_Viseu_IMG_20141226_162610-Pano_36601308080-1536x828.jpg 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/1920px-Se_de_Viseu_IMG_20141226_162610-Pano_36601308080-696x375.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/1920px-Se_de_Viseu_IMG_20141226_162610-Pano_36601308080-1392x750.jpg 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/1920px-Se_de_Viseu_IMG_20141226_162610-Pano_36601308080-1068x576.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/1920px-Se_de_Viseu_IMG_20141226_162610-Pano_36601308080-1320x712.jpg 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/1920px-Se_de_Viseu_IMG_20141226_162610-Pano_36601308080.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Interior</figcaption></figure>
</div>
</div>



<p>D. Miguel da Silva deixará, em Viseu, inapagável rasto, que perdura materializado nas Tábuas de Grão Vasco, no Cadeiral do Coro Alto encomendado a partir de Roma, na transfiguração dos Paços, ao Fontelo, para cuja áulica Capela de Santa Marta Gaspar Vaz terá encomenda do especioso painel que rememora a visita de Cristo a Casa de Lázaro, Marta e de Maria, lá onde lhe deixará retrato e na figuração dos intimistas jardins e do arvoredo, que povoou de gaiolas, onde as aves cantavam e onde havia o rumorejar das fontes.</p>



<p>De Roma arrastará consigo o arquitecto Francisco de Cremona (c. 1480-1550?), treinado nos estaleiros do Vaticano, e será este – obreiro que terá sido, em Viseu, do risco da Casa do Miradoiro, encomenda do Deão Fernão Ortiz de Vilhegas – quem irá traçar o inspirado desenho do Claustro da Catedral (1528-1534), obra primeira do Renascimento português, onde salta à vista o harmonioso perfil das colunas jónicas, suportadas por um desusado murete, e a complexidade dos capitéis, onde se encontra referência às clássicas ordens coríntia e compósita e de onde se levanta a arquitectura das abóbadas, que irão suportar, no século XVIII, a construção do amplo espaço que hoje se abre para o Museu de Arte Sacra, lá onde se evoca a velha morada do Prior S. Teotónio.</p>
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		<title>O MEU AMIGO JACK &#8211; O TECELÃO DO TAPETE INVISÍVEL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alfredo Quintas]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jun 2026 23:08:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CRÍTICAS E PROSAS]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[Allen Ginsberg]]></category>
		<category><![CDATA[geração Beat]]></category>
		<category><![CDATA[Jack Kerouac]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[William S. Burroughs]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Jack Kerouac alterou a lei da gravidade literária. Anos mais tarde, quando os hippies procuraram um teto, encontraram a lona de Jack.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>No centro de uma América feita de betão e linhas retas, <strong>Jack Kerouac</strong> sentou-se diante de um tear invisível. Nascido sob o signo da névoa em Lowell, ele não usava fios de lã ou seda para tecer a sua obra; ele usava o próprio tempo, a velocidade dos automóveis e o ritmo sincopado do jazz que ouvia nas esquinas da noite. A sua missão era criar um manto que cobrisse a nudez espiritual de uma geração que crescia depressa demais.</p>



<p>A primeira linha que Jack lançou no tear foi uma palavra sussurrada: <em>Beat</em>. Era um fio elétrico, que vibrava com a pulsação dos corações desalinhados. Ao ver a beleza daquela trama inicial, o vento trouxe-lhe companheiros. <strong>Ginsberg</strong> aproximou-se e atou ao tear fios de fogo e profecia, que ardiam sem queimar. <strong>Burroughs</strong>, vindo das sombras, acrescentou fios de uma liga metálica e escura, pesada como os segredos do mundo.</p>



<p>Os homens dos jornais, que vigiavam as alfaiatarias oficiais da cultura, tentaram colocar uma etiqueta no tecido antes mesmo de ele estar pronto. Chamaram-lhe &#8220;Geração Beat&#8221;. Tentaram dizer que Jack era o mestre-alfaiate e Ginsberg o seu primeiro oficial. Mas Jack sorria em silêncio; ele sabia que o tapete não pertencia a ninguém. O tecido ora se fechava num lenço apertado entre cinco amigos íntimos, ora se expandia como uma lona gigante que cruzava o céu de São Francisco a Nova Iorque.</p>



<p>À medida que Jack corria com a lançadeira pelo tear, novos fios eram puxados de todas as direções. Poetas da costa oeste traziam cores de terra e floresta; vozes femininas, antes silenciadas nas caixas de costura, entravam na trama com nós de pura audácia. Até os velhos guardiões da tradição viam no padrão de Jack o eco dos seus próprios ensinamentos antigos.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>O desenho final parecia caótico aos olhos dos críticos de trazer por casa. Havia nós soltos, linhas que mudavam de direção sem aviso e texturas sobrepostas. Mas aquele caos era o mapa da emoção humana. Quando Ginsberg gritou o seu <em>Uivo</em>, o tapete ganhou asas. Quando Jack estendeu o rolo de <em>Na Estrada</em>, o tecido transformou-se numa autoestrada de pergaminho que rasgou o continente.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="769" height="786" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/on-the-road.png" alt="" class="wp-image-49788" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/on-the-road.png 769w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/on-the-road-294x300.png 294w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/on-the-road-696x711.png 696w" sizes="auto, (max-width: 769px) 100vw, 769px" /></figure></div>


<p>O tapete de Jack acabou por cobrir o país inteiro, alterando a própria lei da gravidade literária. Anos mais tarde, quando os <em>hippies</em> procuraram um teto, encontraram a lona de Jack. Quando os músicos de <em>rock</em> e os poetas da rua procuraram um ritmo para os seus passos, foi no padrão daquele tecido eterno que encontraram o seu Norte. Jack Kerouac não escreveu apenas livros; ele teceu a própria pele da modernidade.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="844" height="473" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/Jack-Kerouac.jpg" alt="" class="wp-image-49785" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/Jack-Kerouac.jpg 844w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/Jack-Kerouac-300x168.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/Jack-Kerouac-768x430.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/Jack-Kerouac-696x390.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 844px) 100vw, 844px" /></figure></div></div></div>
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		<title>O ESCRAVO DE MAGALHÃES QUE A HISTÓRIA ESQUECEU</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vera Nobre]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Jun 2026 09:00:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Fernão de Magalhães]]></category>
		<category><![CDATA[Henrique d Malaca]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[viagem de circumnavegação marítima]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A história de Henrique começa muito antes da partida da armada espanhola em 1519. Em 1511, durante a conquista portuguesa de Malaca, Fernão de Magalhães participou na campanha militar que levou à tomada daquele importante entreposto comercial do Sudeste Asiático. Foi nesse contexto que adquiriu um jovem de cerca de doze anos, que passou a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A história de Henrique começa muito antes da partida da armada espanhola em 1519. Em 1511, durante a conquista portuguesa de Malaca, Fernão de Magalhães participou na campanha militar que levou à tomada daquele importante entreposto comercial do Sudeste Asiático. Foi nesse contexto que adquiriu um jovem de cerca de doze anos, que passou a acompanhá-lo como escravo e intérprete.</p>



<p>Durante quase uma década, Henrique viveu entre mundos. Acompanhou Magalhães a Portugal, tornando-se provavelmente o primeiro malaio a pisar solo europeu. Aprendeu línguas, costumes e formas de navegação que o transformariam numa figura singular da expansão marítima. Quando Magalhães rompeu com a Coroa portuguesa e se colocou ao serviço de Carlos I de Espanha para procurar uma rota ocidental para as Ilhas das Especiarias, levou consigo Henrique.</p>



<p>A presença do jovem revelou-se fundamental. Mais do que simples servo, Henrique desempenhou um papel decisivo como mediador linguístico e cultural. O cronista italiano Antonio Pigafetta refere-o diversas vezes ao longo da viagem, destacando a sua capacidade de comunicação com diversos povos encontrados no percurso.</p>



<p>Foi precisamente quando a expedição alcançou Cebu, nas Filipinas, em março de 1521, que Henrique se tornou uma figura central. Pigafetta relata que os habitantes locais compreendiam a língua por ele falada, um facto que continua a alimentar debates historiográficos sobre a sua origem. Seria natural das Filipinas? De Sumatra? De Malaca? Ou de alguma outra região do vasto mundo malaio?</p>



<p>A resposta permanece incerta. Alguns investigadores defendem uma origem filipina; outros apontam para Sumatra, apoiando-se em referências documentais contemporâneas. O próprio Henrique surge designado em algumas fontes como &#8220;Henrique de Taprobana&#8221;, um termo cuja interpretação varia entre Sumatra, Ceilão ou outras regiões asiáticas.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A morte de Magalhães, em Mactan, alterou radicalmente a situação do seu escravo. Apesar de o capitão ter determinado no seu testamento, datado de 24 de agosto de 1519, que Henrique fosse libertado após a sua morte, os novos comandantes continuaram a exigir os seus serviços. Segundo Pigafetta, Henrique recusou obedecer e foi ameaçado com castigos. Poucos dias depois, ocorreu o chamado massacre de Cebu, durante o qual morreram vinte e quatro europeus.</p>



<p>O cronista italiano insinuou que Henrique teria participado numa conspiração contra os espanhóis. Contudo, essa acusação nunca pôde ser comprovada. Muitos historiadores contemporâneos consideram-na uma interpretação enviesada dos acontecimentos, influenciada pelo ressentimento dos sobreviventes.</p>



<p>Depois desse episódio, Henrique desaparece completamente dos registos históricos.</p>



<p>É precisamente este desaparecimento que transformou a sua figura numa das mais intrigantes da história da navegação. No último momento em que é mencionado pelas fontes, Henrique encontrava-se vivo em Cebu, a cerca de dois mil quilómetros de Malaca. A expedição, por sua vez, ainda teria de percorrer mais de quinze mil quilómetros para regressar a Espanha.</p>
</div></div>



<p>Teria Henrique regressado à sua terra natal? Teria completado, antes de Juan Sebastián Elcano, a primeira circum-navegação do globo? Não sabemos.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>O historiador John Sailors considera essa hipótese plausível, embora impossível de comprovar. O que se pode afirmar com segurança é que Henrique realizou aquilo que Sailors designa como uma &#8220;circum-navegação linguística&#8221;: regressou a um espaço onde a sua língua materna era compreendida e falada.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="676" height="124" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-by-john-sailors.jpg" alt="" class="wp-image-49803" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-by-john-sailors.jpg 676w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-by-john-sailors-300x55.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 676px) 100vw, 676px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="http://www.enriqueofmalacca.com/p/enrique-of-malaccas-voyage-profiles.html?m=0">Enrique of Malacca&#8217;s Circumnavigation: Enrique of Malacca&#8217;s Voyage: Profiles</a></figcaption></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Ao longo dos séculos, a sua história foi apropriada por diferentes tradições culturais. Na Malásia, o romance histórico <em>Panglima Awang</em>, de Harun Aminurrashid, transformou-o num herói nacional e num símbolo da resistência ao colonialismo europeu. Nas Filipinas, vários autores reivindicaram a sua origem filipina. Na Indonésia, a sua figura também integra debates sobre identidade e memória regional.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="613" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-de-malaca-recortes-1024x613.png" alt="" class="wp-image-49798" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-de-malaca-recortes-1024x613.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-de-malaca-recortes-300x180.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-de-malaca-recortes-768x460.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-de-malaca-recortes-1536x920.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-de-malaca-recortes-696x417.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-de-malaca-recortes-1392x833.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-de-malaca-recortes-1068x639.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-de-malaca-recortes-1320x790.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-de-malaca-recortes.png 1804w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Mais recentemente, o artista malaio Ahmad Fuad Osman recuperou Henrique através do projeto <em>Enrique de Malacca Memorial Project</em>, apresentado na Bienal de Singapura e posteriormente na Galeria Nacional de Arte da Malásia. Misturando documentos históricos, artefactos, escultura e vídeo, Osman criou um espaço de reflexão sobre aquilo que os arquivos silenciam.</p>



<p>Talvez nunca saibamos se foi efetivamente o primeiro homem a circum-navegar o mundo. Mas sabemos que foi uma testemunha privilegiada do nascimento da globalização moderna, um mediador entre civilizações e um dos protagonistas invisíveis da grande aventura marítima do século XVI.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A sua história recorda-nos que o passado não pertence apenas aos vencedores. Pertence também aos esquecidos, aos silenciados e àqueles cuja voz nunca chegou aos arquivos.</p>



<p>Foi precisamente nesse espaço de silêncio deixado pela História que nasceu <em>A História de Panglima, o Escravo de Magalhães</em>. Foi a ausência de Henrique &#8211; da sua voz, dos seus pensamentos e do seu destino &#8211; que despertou a minha imaginação de escritora.</p>


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<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="330" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/livro-a-historia-de-panglima-1024x330.jpg" alt="" class="wp-image-49801" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/livro-a-historia-de-panglima-1024x330.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/livro-a-historia-de-panglima-300x97.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/livro-a-historia-de-panglima-768x247.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/livro-a-historia-de-panglima-696x224.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/livro-a-historia-de-panglima-1068x345.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/livro-a-historia-de-panglima.jpg 1072w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://www.bertrand.pt/livro/a-historia-de-panglima-o-escravo-de-fernao-de-magalhaes-vera-nobre/29734237">A História de Panglima, o Escravo de Fernão de Magalhães, de Vera Nobre &#8211; Livro</a></figcaption></figure></div>


<p>Este pequeno livro é, acima de tudo, uma homenagem a Henrique de Malaca e uma tentativa de lhe devolver humanidade. É também uma forma de recordar que, por detrás das grandes epopeias, existem vidas que a memória oficial escolheu não preservar.</p>
</div></div>
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