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	<title>Arquivo de UM CRONISTA DE PROVÍNCIA - Duas Linhas</title>
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	<title>Arquivo de UM CRONISTA DE PROVÍNCIA - Duas Linhas</title>
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		<title>MONOGRAMAS  BORDADOS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Oct 2026 09:00:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Letras bordadas</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Monogramas bordados. Hoje só os há em arcas de avós, só elas os sabem olhar em tardes de saudade, elas e uma criada antiga, dessas que têm quase a sua idade e que ficaram partilhando, com elas, a solidão e a ternura.</p>



<p>Letras bordadas, gestos demorados de mãos de mulher segurando o linho, as tardes sentadas à janela ou no balcão, o sol apagando-se no poente, dentro do coração o calor do sol em crescendo, um pano apertado com as duas mãos, sobre o peito, as letras bordadas falando de amor.</p>



<p>Lençóis dobrados com esmero caindo em arca de enxoval, uma rapariguinha de tranças, mas já sonhando, toalha de mesa, de baptizado, um lenço, a arca cheia, ramos secos de alfazema colocados com jeito, a rapariguinha já feita mulher espreitando ao espelho, sobre a cabeça, a coroa de flores de laranjeira.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="211" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/monograma-bordado-em-linho-1024x211.png" alt="" class="wp-image-52023" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/monograma-bordado-em-linho-1024x211.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/monograma-bordado-em-linho-300x62.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/monograma-bordado-em-linho-768x158.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/monograma-bordado-em-linho-1536x317.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/monograma-bordado-em-linho-696x144.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/monograma-bordado-em-linho-1392x287.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/monograma-bordado-em-linho-1068x220.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/monograma-bordado-em-linho-1320x272.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/monograma-bordado-em-linho.png 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Monogramas bordados, uns feitos de linha branca, mansos relevos de letras cercadas de flores, fitas de seda, laços desfeitos, aves do paraíso voando no tempo efémero de uma madrugada; outros feitos com linhas cor-de-vinho, sangue ou rubor, nunca se sabe, à volta as silvas debruam a barra do lenço que mais tarde guardará as lágrimas de todas as despedidas.</p>



<p>Monogramas bordados, roupas antigas espalhadas sobre a cama, fios quebrados dos nomes, a criada velha ajoelhada para apanhar hastes partidas de um ramo de alfazema que já não cheira, uma mulher com jeito de avó pensando como arrumar as peças daquele mundo desfeito, uma récega de sol entrando, sorrateiro, pela janela, ao meio da manhã, a última neta correndo no quintal de mãos dadas, ela e o namorado.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img decoding="async" width="1024" height="809" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/monograma-1024x809.png" alt="" class="wp-image-52025" style="width:495px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/monograma-1024x809.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/monograma-300x237.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/monograma-768x606.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/monograma-696x550.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/monograma-1068x843.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/monograma.png 1165w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/10/monogramas-bordados/">MONOGRAMAS  BORDADOS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>O LOUREIRO DA QUINTA DO VALBOM DAS MINHAS MEMÓRIAS DE INFÂNCIA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Oct 2026 09:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
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		<category><![CDATA[agricultura]]></category>
		<category><![CDATA[memórias da juventude]]></category>
		<category><![CDATA[memórias de infância]]></category>
		<category><![CDATA[viver na aldeia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>um loureiro que meus braços de menino nunca foram capazes de abraçar.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ali nascia, como no Éden que os antigos Livros de Horas pintavam, um riozinho, na mina de água que, de tão fresca e tão límpida, se aproveitava para beber e logo se dividia, como o rio do Éden, em quatro braços que, de tão modestos ficaram sem nome, estes riozinhos, que iam regar pelo estio fora quartéis de feijões, hortas de morangos, milhos de hastes já arvoradas e os renques de macieiras e pessegueiros que bordejavam os caminhos dessa Quinta de memória e de sonho.</p>



<p>Também era terra de vinha e meloal, de figueiras, de castanheiros sem conto, de mato e pinhal, mais de pão, fartos centeais ondulando em Maio com o pendão, rolheiros grandes, na eira, no começo de Agosto, palheiros fartos por todo o ano e o pão na masseira levedando devagar.</p>



<p>No casario da Quinta morava a Tia Piedade. Ela e outros herdeiros partilhavam aquela herança de família.</p>



<p>Sobre um cômoro, perto da mina e dos cortiços das abelhas, crescia, nem a tia sabia desde quando, um loureiro que meus braços de menino nunca foram capazes de abraçar. Tinha uma copa redonda, de verde-escuro e era assim todo o ano, como as oliveiras.</p>



<p>No tempo certo, ao findar da Primavera, a mãe e a tia cortavam raminhos compridos de loureiro e punham-nos a secar, à sombra, na janela, sobre um largo tabuleiro e guardavam depois as folhas secas em saquinhos de linho e utilizavam-nas nessa delícia de cozinhados que elas inventaram e mais ninguém fez igual ainda. E, no Domingo de Ramos, também levavam para a igreja raminhos de loureiro que, depois, guardavam pendurados no frontal de madeira a espaldas da cozinha.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Mais tarde, quando fui estudar para a cidade, aprendi a história, que era ao mesmo tempo linda e triste, dessa árvore estranha que é o loureiro, de que se não colhiam frutos, só flores.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="1920" height="520" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/folha-de-louro-1.png" alt="" class="wp-image-51904" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/folha-de-louro-1.png 1920w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/folha-de-louro-1-300x81.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/folha-de-louro-1-1024x277.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/folha-de-louro-1-768x208.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/folha-de-louro-1-1536x416.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/folha-de-louro-1-696x189.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/folha-de-louro-1-1392x377.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/folha-de-louro-1-1068x289.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/folha-de-louro-1-1320x358.png 1320w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /><figcaption class="wp-element-caption">folha de louro</figcaption></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Era assim, como vinha nos livros:</p>



<p>Um dia, Cupido, o pequeno deus travesso que carregava ao ombro uma aljava cheia de flechas, resolve vingar qualquer antiga afronta de Apolo, filho de Zeus, Senhor dos Céus antigos. E despede, então, uma flecha de ouro ao coração de Apolo, que se enamorara perdidamente de Dafne, a belíssima filha de um rei que descuidadamente se banhava no rio.</p>



<p>Outra flecha, esta de chumbo, atinge o coração da ninfa, que se torna indiferente ao amor e a quem só apraz a liberdade da floresta.</p>



<p>Apolo, desesperado, bem persegue a ninfa por todos os caminhos. Mas ela se esquiva sempre. E quando já não pode, com seus recursos, escapar aos braços de Apolo, nem lhe chega a ajuda de seu pai nem de um qualquer deus protector, metamorfoseia-se em loureiro; e Apolo apenas pôde abraçar o tronco do loureiro, a árvore que se tornará a sua árvore, que se tornará o símbolo da eterna juventude, da força e da braveza e da frescura dos dias.</p>



<p>Dos seus ramos os reis antigos mandavam tecer as coroas com que coroavam, depois, as altivas frontes dos poetas e dos heróis. Os seus místicos ramos coroam ainda hoje as frontes de todos os vencedores.</p>



<p>Mas quem se lembra ainda desta história antiga?!&#8230;</p>
</div></div>
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		<title>UMA ARTE DE MULHER</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 03 Oct 2026 09:00:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Antigamente bordavam, com a poesia toda, as vestes alvas da intimidade da mulher.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Tibaldinho é um pequeno povoado da freguesia de Alcafache, conhecida ao longe pelas suas águas termais que rebentam, quentes, sulfurosas, penhor de saúde, à beira do rio Dão.</p>



<p>Tibaldinho tem jeito de aldeia implantada na meia encosta soalheira, na margem esquerda do rio e a sua fama advém-lhe dos especiosos bordados que ali tiveram berço, parece, e onde permanecem, activos, graças ao fervor e amor das bordadeiras.</p>



<p>Mulheres com filhos criados, raparigas na idade núbil, crianças de idade tenrinha cultivam esta arte do bordado desde há um tempo longo, que terá séculos, mas é nos finais do século XIX que se encontra, com suficiência, o rasto deste lavor de arte, que hoje ainda se mantém operoso, ora classificado, o bordado, como produção certificada, tendo a Câmara Municipal de Mangualde, como entidade promotora, e uma região abrangente que inclui os municípios de Mangualde, Nelas e Viseu.</p>



<p>É esta arte secular que eu evoco, com alguma poesia, no meu texto.</p>



<p>Quando a mulher é rapariga nova, borda e sonha ao mesmo tempo, recorta corações no linho cru ou no pano de algodão, alvoroçada, porque o seu desenho é como um poema numa carta de amor.</p>



<p>Quando a mulher é já mulher, casada e cansada das lides da vida borda e recorda, ela é firme no amor maduro e a beleza que absorve da paisagem coloca-a toda em seu bordado.</p>



<p>As bordadeiras são artesãs. Mulheres da aldeia, sentam-se na varanda ou nos balcões soalheiros e aproveitam toda a luz da tarde. Estendem no regaço panos de linho ou de algodão, riscam desenhos, bordados são os pontos miudinhos dados com saber, dedos ligeiros conduzindo a agulha que deixa sempre o rasto de obra-prima.</p>



<p>E bordam, bordam enxovais de noivas com lençóis floridos e almofadas com monogramas festivos e panos redondos para o centro das mesas e toalhas de chá para mesas de ricos e toalhas de altar, de Páscoa, de baptizado, que antigamente se guardavam em baús de lata com raminhos de alfazema.</p>



<p>Bordam lenços, panos de tabuleiro, camisinhas de criança. Antigamente bordavam, com a poesia toda, as vestes alvas da intimidade da mulher.</p>



<p>A riqueza dos motivos que elas bordam tem só o gosto popular. Os símbolos foram inventados há mil anos e perduram, o significado é denso e linear ao mesmo tempo e a alma da gente compreende-os tão bem como as primeiras coisas.</p>



<p>São rosas, corações, estrelas. Hastes florais com pétalas que se desfolham, às vezes. Enleios que se dobram como gestos envergonhados, crivos que lembram os velhos filtros de amor, óculos que deixam passar a magia da luz.</p>



<p>Os desenhos das bordadeiras ficam sempre a brincar sob o nosso olhar.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="774" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/bordados-2-1024x774.png" alt="" class="wp-image-51651" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/bordados-2-1024x774.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/bordados-2-300x227.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/bordados-2-768x580.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/bordados-2-696x526.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/bordados-2-1392x1052.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/bordados-2-1068x807.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/bordados-2-1320x998.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/bordados-2.png 1429w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">bordado de Tibaldinho</figcaption></figure></div>


<p></p>
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		<title>OS CAMINHOS EM CRUZ</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Oct 2026 08:30:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[UM CRONISTA DE PROVÍNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[História de Viseu]]></category>
		<category><![CDATA[Viseu]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>territórios que desde o Neolítico se povoaram de cultivadores</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ergue-se do planalto, referência absoluta para os homens que viviam para aquém das grandes montanhas, a Estrela e o Caramulo, o Buçaco, a Nave e a Lapa, ou para quem atravessava estes territórios que desde o Neolítico se povoaram de cultivadores que adoraram a Terra-Mãe e sepultaram seus mortos nos dólmens que hoje nos espantam pela frequência e grandeza.</p>



<p>Os metalúrgicos do bronze e do ferro ocuparam com as suas armas da guerra e do trabalho quase todas as colinas em redor e Viseu nasceu porventura do esforço de um punhado desta gente. E deixaram testemunhos, hoje visíveis, na colina que foi geratriz da cidade, lá onde assenta a Catedral. Só os romanos marcaram com uma força singular os termos da cidade desde o século II antes de Cristo. Viriato é uma figura histórica desse tempo, emblema de uma resistência entre o passado e presente, de estrangeiros e de autóctones. Mas em Viseu ele é antes o herói de um quase mito de origem.</p>



<p>As sete vias que saíam da cidade eram caminhos de ir e de vir, as que entraram na cidade foram o <em>cardo</em> e o <em>decumanus</em> de uma cidade reordenada no seu urbanismo, revigorada por tecnologias agrícolas e artesãs, por uma paz que desencadeou um comércio fecundo que se tornou, para sempre, o melhor signo da urbe.</p>



<p>Viseu foi terreno fértil para as lutas entre mouros e cristãos interessados na sua posse. História lembrada por velhas fontes árabes diz que Almançor, no século X, acampou nas defesas da Cava, nas margens da cidade e daqui conduziu, em raivosa arrancada, os seus homens e os soldados que os condes cristãos seus aliados lhe forneceram, sobre Santiago de Compostela. Atingiu duramente o baluarte de uma fé e de uma cultura que se reforçavam mutuamente, mas esta vitória apenas retardou o triunfo cristão que em meados do século seguinte definitivamente atingiu Viseu.</p>



<p>Os primeiros reis portugueses lembram a cidade no quadro de uma acção política mais longínqua. Dão-lhe foral, estabeleceram certamente uma feira, favoreceram os bispos que levantaram a Catedral românica. A dinastia de Avis sanciona com força de lei a grande feira, um dos seus príncipes tornou-se o primeiro duque, os seus homens do campo ou dos ofícios foram os primeiros lutadores em África.</p>



<p>A cidade manuelina representa o triunfo de uma nação. Bispos cultos como Ortiz de Vilhegas ou D. Miguel da Silva deixaram marcas culturais que hoje simbolicamente se reconhecem na Abóbada dos nós da Catedral e no seu Claustro renascentista. Mas há fabulosas obras de ourives e a mais singular escola de pintura de uma nação pequena à volta de Vasco Fernandes, na primeira metade de século XVI, pouco antes de se ter construído o Colégio, o Paço-Seminário que quatrocentos anos depois se tornou no Museu que recebeu tão prestimosa herança.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="827" height="552" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/viseu-catedral.jpg" alt="" class="wp-image-51628" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/viseu-catedral.jpg 827w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/viseu-catedral-300x200.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/viseu-catedral-768x513.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/viseu-catedral-696x465.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 827px) 100vw, 827px" /><figcaption class="wp-element-caption">Viseu. Catedral. Abóbada dos nós (Séc. XVI)</figcaption></figure></div>


<p>Viseu vive depois o triunfo do barroco com palácios e igrejas cobertas de ouro, vai de par com caminhos sempre novos, até hoje que volta a ser cruz de grandes vias, território em franco crescimento.</p>



<p>Nos velhos caminhos romanos que resistiram quase até hoje, passaram mil romeiros de Santiago. Juntavam-se aqui, vindos do Centro, para fazer o caminho na direcção do Norte tendo por rumo o túmulo sagrado do apóstolo. Os peregrinos dormiam em pousadas pobres da cidade ou batiam às portas dos mosteiros que eram albergue por uma noite. Muitos procuravam a Catedral e o Paço onde um bispo esmoler e um cabido generoso distribuía esmolas de pão e de vinho ou parcas moedas.</p>



<p>Velhos papéis de Arquivo são eloquentes testemunhos desta caridade efectiva, destes passos que a fé guiava. Há ainda uma história para fazer, a desta gente que passava, os olhos fitos em Santiago, os olhos fitos nas torres das catedrais do caminho que reproduziam a outra como madre, o testemunho passado a outros romeiros, das curvas dos caminhos, dos sítios de agasalho. Um dia os peregrinos deixaram quase de tomar estes rumos.</p>



<p>Voltam agora a animar-se os caminhos. Mas já nem sempre é a mesma fé que guia todos. Só os fundamentos da memória são iguais, o património, a herança dos avós. Mas em Viseu é sempre hora de parar, de colocar de lado o bordão de viajante, de sentir a história à sombra de um monumento, de saborear pão e vinho, de conversar com um homem feito amigo.</p>



<p>Para sempre em Viseu.</p>



<p></p>
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		<title>MANTEIGAS, A ESTRELA QUE SE PERDE NO CÉU</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Sep 2026 15:54:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[UM CRONISTA DE PROVÍNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[Manteigas]]></category>
		<category><![CDATA[Serra da Estrela]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O que mais surpreende é esse vale soberbo por onde desce o rio Zêzere</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há recantos ainda na serra vizinha onde pastores criam gados deixando perceber a inocência de um tempo quase bíblico que um dia haverão de tornar-se sítios de visita como se de verdadeiro Museu se tratasse.</p>



<p>Não. Não foi terra de Viriato. Por mais que a grande serra lhe tivesse dado abrigo, lá longe. O que surpreende em Manteigas nem é, de todo, o seu casario, embora se goste de o ver, o mais antigo, aninhado à volta das duas igrejas, como se fossem mães-galinha abrigando filhos pequenos. O que mais surpreende é esse vale soberbo por onde desce o rio Zêzere, que o povo chama de Ribeira, mais no alto, por onde se despenham águas de trovoadas, por onde correm águas de degelo, que fertilizam os campos da encosta cheios de socalcos até onde o homem conseguiu subir rompendo matagais que sobem depois em agradáveis manchas o resto da serra, até onde podem.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/manteigas-glaciar-1024x576.png" alt="" class="wp-image-51417" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/manteigas-glaciar-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/manteigas-glaciar-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/manteigas-glaciar-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/manteigas-glaciar-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/manteigas-glaciar-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/manteigas-glaciar-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/manteigas-glaciar-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/manteigas-glaciar-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/manteigas-glaciar.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Serra da Estrela. Vale glaciar do rio Zêzere</figcaption></figure></div>


<p>Da história antiga de Manteigas pouco se sabe. O imaginário popular remete para o tempo dos Mouros e conta ainda uma &#8220;história&#8221; de uma formosa mourinha encantada no lugar de Alfátema.</p>



<p>D. Sancho I deu-lhe foral em 1188 e D. Manuel renovou-o em 1514. E entre a agricultura e a pastorícia cresceu aquele povo que se desenvolve particularmente com a indústria dos lanifícios a partir do séc. XVIII beneficiando da energia das águas do Zêzere e da matéria-prima abundante vinda dos rebanhos da serra.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="693" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/pastor-da-serra-da-estrela-1024x693.jpg" alt="" class="wp-image-51423" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/pastor-da-serra-da-estrela-1024x693.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/pastor-da-serra-da-estrela-300x203.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/pastor-da-serra-da-estrela-768x520.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/pastor-da-serra-da-estrela-696x471.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/pastor-da-serra-da-estrela-1068x722.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/pastor-da-serra-da-estrela.jpg 1085w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">pastor na Serra da Estrela</figcaption></figure></div>


<p>Gosta-se de ver o casario de Manteigas, o mais antigo que se aninha como pintos à beira da mãe-galinha de uma igreja, enterrado neste covão fundo e belo.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="539" height="692" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/manteigas-ruas.jpg" alt="" class="wp-image-51421" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/manteigas-ruas.jpg 539w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/manteigas-ruas-234x300.jpg 234w" sizes="auto, (max-width: 539px) 100vw, 539px" /><figcaption class="wp-element-caption">ruas de Manteigas</figcaption></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="456" height="680" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/manteigas-ruas-2.jpg" alt="" class="wp-image-51422" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/manteigas-ruas-2.jpg 456w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/manteigas-ruas-2-201x300.jpg 201w" sizes="auto, (max-width: 456px) 100vw, 456px" /><figcaption class="wp-element-caption">ruas de Manteigas</figcaption></figure></div></div>
</div>



<p>Lá dentro vale a pena visitar as suas igrejas. A igreja de S. Pedro, matriz de uma das freguesias, com festa de Nossa Senhora da Graça e a igreja de Santa Maria, matriz de outra freguesia, com a festa do Senhor do Calvário.</p>



<p>E há uma capelinha dedicada a Nossa Senhora dos Verdes e a de Santo António e a de S. Lourenço, esta longe, na serra. Monumento civil notável é o solar dito a &#8220;Casa das Obras&#8221;, do 3°. quartel do séc. XVIII.</p>



<p>Há ainda o mistério das suas caldas, onde rebentam águas quentes debaixo desta terra que se cobre tanta vez de neve. Depois são as surpreendentes belezas naturais que a partir de Manteigas e nos seus termos se apresentam, apetecíveis, universo turístico de tal valia que não defraudará qualquer visitante. Pode ser até um mero Viveiro de Trutas. Ou é, a poucos quilómetros o Poço do Inferno, cujo caminho é território de Parque Natural. Maravilha da natureza esse despejar da Ribeira de Leandros, numa fragorosa cascata de luz coada por ramagem forte e onde o inverno gelado constrói, como adornos de cristal, os riozinhos de água que se despejam de tão alto.</p>



<p>Isto bastaria para visitar Manteigas, que, depois, convida a olhar dentro dos seus termos tão amplos essas outras naturais maravilhas que são as impressionantes construções da serra – o Cântaro Magro, o Cântaro Gordo e o Cântaro Raso, belas na sua nudez primitiva tanto quanto são belos cobertos de mantos de neve, assim reinando sobre território imenso, espécie de reis fantasmagóricos que souberam criar, como jardim para o seu inverno, o frondoso parque de bétulas do Covão da Ametade.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="794" height="463" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/serra-da-estrela-3-cantaros.jpg" alt="" class="wp-image-51426" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/serra-da-estrela-3-cantaros.jpg 794w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/serra-da-estrela-3-cantaros-300x175.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/serra-da-estrela-3-cantaros-768x448.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/serra-da-estrela-3-cantaros-696x406.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 794px) 100vw, 794px" /><figcaption class="wp-element-caption">Cântaro Magro, Cântaro Gordo e o Cântaro Raso na mesma fotografia. Os &#8220;cântaros&#8221; são relevos situados no vale glaciar do Zêzere</figcaption></figure></div>


<p>O resto da terra onde Manteigas domina ainda fica para descoberta do visitante curioso, indagador.</p>
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		<title>FEIRA DE S. MATEUS, MAIS DE 1 MILHÃO DE VISITANTES</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Sep 2026 09:00:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A feira de S. Mateu tem o feitiço inerente a um longo passado, o de uma das mais antigas feiras da Península.</p>
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<p>A velha Feira Franca de Viseu que o povo assim designou até recente data e que amortecera nos derradeiros anos do séc. XIX, renascerá ao abrir do segundo quartel do séc. XX graças ao relevante impulso desse empenhado agente cívico e cultural que foi Francisco de Almeida Moreira (1873-1939) que foi empenhado Vereador da Cultura da Câmara Municipal, responsável pela Comissão de Iniciativa e Turismo e Director do Museu de Grão Vasco o qual fez da mesma uma exemplar feira popular singularmente atractiva para os visitantes que a ela acorriam do Norte e Centro do país.</p>



<p>Renovando-se a espaços que alargaram a sua geografia física onde ponteiam hoje, como esteios, o grande Pavilhão Multiusos, o Palco dos grandes Concertos, uma atractiva e moderníssima área de Restauração que se complementa com os emblemáticos pavilhões das Farturas e das Enguias, de gosto popular, a gigantesca superfície associada a áreas de diversão para adultos e crianças, a abonada área de mercado com suas tendas onde ganham terreno as populares olarias, uma área de bares e de animação nocturna, a Feira de S. Mateus, “símbolo identitário de Viseu”, motor de uma economia mais sólida, icónico espaço de encontro de gente que ali acorre de todo o país, é bem o espelho desta cidade de Viriato e de Grão Vasco.</p>



<p>Entidades responsáveis pela realização do certame são, desde 2016, a Câmara Municipal de Viseu e a Associação Viseu Marca cabendo a esta a anual gestão a que vai imprimindo padrões de modernidade sem que se perca esse feitiço que traz de um longo passado, o de <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/09/600-anos-de-historia/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/09/600-anos-de-historia/">uma das mais antigas feiras da Península.</a></strong></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="636" height="509" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/s.-mateus-600-anos.jpg" alt="" class="wp-image-51376" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/s.-mateus-600-anos.jpg 636w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/s.-mateus-600-anos-300x240.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 636px) 100vw, 636px" /><figcaption class="wp-element-caption">publicado em <a href="https://duaslinhas.pt/2026/09/600-anos-de-historia/">600 ANOS DE HISTÓRIA</a></figcaption></figure></div>


<p>E o público responde e testemunho de tal foi o número de visitantes que deram entrada no recinto durante os 30 dias da feira, com mais de 1 milhão de registos.</p>



<p></p>
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		<title>600 ANOS DE HISTÓRIA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Sep 2026 10:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[UM CRONISTA DE PROVÍNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[feira de S. Mateus]]></category>
		<category><![CDATA[Viseu]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;As feiras constituem uma das mais singulares instituições medievais e cumprem essencialmente uma função económica reunindo, sempre em lugar de comunicação fácil, dentro de um calendário convencionado, produtores, consumidores e distribuidores, aproveitando-se, no geral, as ocasiões de festa de igreja que havia criado pela Europa fora a dita “paz da feira” que proibia disputas e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>&#8220;As feiras constituem uma das mais singulares instituições medievais e cumprem essencialmente uma função económica reunindo, sempre em lugar de comunicação fácil, dentro de um calendário convencionado, produtores, consumidores e distribuidores, aproveitando-se, no geral, as ocasiões de festa de igreja que havia criado pela Europa fora a dita “paz da feira” que proibia disputas e vindictas enquanto elas durassem e durante o tempo em que os mercadores andavam no caminho. </p>



<p>À semelhança das romagens, as feiras desempenhavam um importante papel social e cultural mercê da sociabilidade activa que promoviam entre a gente que, na sua maior parte, vivia pelo ano fora dobrada sobre a terra ou sobre a banca dos ofícios. Era nelas que mais corriam as notícias sobre o mundo, vozes de guerras, de estranhas descobertas, de boas ou más colheitas pelas terras ao redor. As feiras promoviam ainda a melhoria dos meios de comunicação e de específicas obras públicas com a exigência da reparação dos caminhos e o levantamento de abrigos, de alpendres ou pousadas para homens e bestas, de fontanários com seus tanques em que todos se dessedentassem. </p>



<p>Sob o ponto de vista jurídico as feiras foram geradoras de normas que muito contribuíram para o apaziguamento dos conflitos e uma maior justiça social que se revelava, ainda que de forma incipiente, num certo nivelamento das classes.&#8221; (CORREIA, Alberto in <em>Feira de S. Mateus. Os cartazes</em>, Câmara Municipal de Viseu, 2009)</p>



<p>A Feira de S. Mateus, bastos anos conhecida como Feira Franca, tem sua origem na <em>Carta de Feira</em> outorgada a 10 de Janeiro de 1392 por D. João I ao Senado Municipal por ocasião de uma demorada estadia em Viseu onde se deslocara para reunir Cortes ao tempo em que ali lhe nasce o primeiro filho e sucessor, El-Rei D. Duarte.</p>



<p>Outorga-lhe as regalias da mais antiga Feira de S. Bartolomeu, de Trancoso e estabelece-lhe uma periodização anual a iniciar-se a 3 de Maio e com a duração de um mês, não ficando definido no diploma o lugar de realização da mesma.</p>



<p>Circunstâncias várias, pestes ou razias de Castela, não auguram destino feliz a esta feira que o Infante D. Henrique, Duque de Viseu (1415) e Alcaide-mor de Viseu (1416) intenta restaurar solicitando ao rei, seu sobrinho, D. Afonso V, através do Infante D. Pedro, seu irmão e Regente do Reino, um novo diploma. Acede o Infante D. Pedro, restaura a feira por diploma de 22 de Fevereiro de 1444, estabelece-lhe como lugar a Cava (mais tarde dita de Viriato), marca-lhe a duração de quase um mês, em Outubro e outorga-lhe os amplos privilégios que ao tempo tinha a Feira de Tomar. Dentre as regalias o diploma permitia ao Infante aplicar o rendimento das <em>boticas</em> (espaços de comércio) à Capela que o Infante levanta no Mosteiro da Batalha.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="571" height="626" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/infante-d-henrique.jpg" alt="" class="wp-image-51334" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/infante-d-henrique.jpg 571w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/infante-d-henrique-274x300.jpg 274w" sizes="auto, (max-width: 571px) 100vw, 571px" /></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="393" height="612" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/carta-infnate-d-henrique.jpg" alt="" class="wp-image-51335" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/carta-infnate-d-henrique.jpg 393w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/carta-infnate-d-henrique-193x300.jpg 193w" sizes="auto, (max-width: 393px) 100vw, 393px" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Carta do Infante D. Henrique fazendo doação das rendas da Feira (hoje S. Mateus) ao Cabido e Sé de Viseu. 1460 – Setembro, 22. Vila do Infante.</strong></figcaption></figure></div></div>
</div>



<p>É um tempo de prosperidade o que se segue, logo travado após a morte do Infante, em 1460, que antes, em testamento, legara a sua realização ao Cabido da Sé de Viseu que não soube manter-lhe a relevância, mesmo quando lhe estabelece novo pouso no Rossio da Ribeira onde hoje, alargado o espaço, ainda tem lugar.</p>



<p>O Senado Municipal tomará conta da feira em data incerta e a feira ganhará por muito tempo a dimensão das grandes feiras da Península até que, pelos finais do século XIX, entra em franco declínio devido a causas diversas de que se libertará anos mais tarde, <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/09/feira-de-s-mateus-mais-de-1-milhao-de-visitantes/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/09/feira-de-s-mateus-mais-de-1-milhao-de-visitantes/">voltando a florescer.</a></strong></p>



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		<title>A ROMARIA DE NOSSA SENHORA DE ASSEDACE, SERRA DA ESTRELA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Aug 2026 11:15:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ali acorre gente com alma de místico ou de poeta, pastores, romeiros ... </p>
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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Modesto é o templo &nbsp;que a voz popular recua a um imemorial tempo e que a ingenuidade de Frei Agostinho de Santa Maria, no seu estimável <em>Santuário Mariano</em> (publicado em diversos tomos nos inícios do séc. XVIII), confessa ali estar desde esse remoto tempo, escapando, por milagre, a uma devastadora praga de formigas, que atacou o vizinho povoado, de onde a gente escapou, indo fundar, mais longe, a povoação de Folgosinho.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/zbUVlHn.jpeg" alt="" class="wp-image-51027"/><figcaption class="wp-element-caption">Capela de Nossa Senhora de Assedace</figcaption></figure></div>


<p>Vale a poética da lenda como a dessa outra, que aponta morada de alguma nobreza no corpo da vila onde Viriato, esse aureolado pastor dos Montes Hermínios, demorou.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A Senhora de Assedace tem ali a sua festa, em 7 e 8 de Setembro.</p>



<p>Ali acorre gente com alma de místico ou de poeta, pastores da Serra que ali levam seus gados, romeiros também, que ali fazem desfilar à volta da Capela, nos inícios da manhã, em homenagem à Senhora.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-3 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/Z1wrVOj.jpeg" alt="" class="wp-image-51029"/></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/u9G6DTF.jpeg" alt="" class="wp-image-51030" style="width:479px;height:auto"/></figure></div></div>
</div>



<p>No dia 8 de Setembro, o povo vem, desde o adro da igreja de Folgosinho até ao largo chão da Capela. Cerca de 9 quilómetros andados, mimetizando agora os velhos Caminhos da Transumância. À meia manhã, ali se celebra a missa, com sermão e procissão. O andor da Senhora percorre o adro, de onde a Virgem pode olhar a Serra e estender sua bênção sobre pastores e rebanhos.</p>



<p>Ao início da tarde, o habitual ágape festivo, tantas vezes partilhado. E o Leilão de Oferendas, sob o signo da Irmandade das Almas. Sempre a testemunhada fé de um povo a que ali se oferece um rasgo de Céu em que crê.</p>
</div></div>
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		<title>O MEU SAUDOSO MÊS DE AGOSTO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Aug 2026 09:00:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
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		<category><![CDATA[UM CRONISTA DE PROVÍNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[a vida tal como ela é]]></category>
		<category><![CDATA[memórias de infância]]></category>
		<category><![CDATA[viver na aldeia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lembro-me dos brinquedos de brincar que aprendíamos a fazer ou nos compravam numa feira</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Lembro as frescas madrugadas dos homens e mulheres a caminho das hortas, dos quintais, dos campos cultivados, lembro os regos de água a correr vigiados pelo Louvado, as águas soltas das represas que iam regar milhos e batatais, o estranho ruído de um motor de rega já inventado, o eco das malhadeiras nas eiras vicinais onde pouco antes batia o pírtigo dos manguais malhando o centeio. Dos homens, cansados, carrejando a palha do palheiro. Da cruzinha lá fincada lembrando suas dores. Dos alqueires de pão que depois se entregavam ao moleiro.</p>



<p>Lembro-me do pintar das uvas nas videiras, das peras maduras, das ameixas, das melancias, dos pêssegos a começar a amadurar, dos figos lampos, dos cortiços das abelhas ao lado da vinha de onde meu pai tirara o mel pelo S. João, do cão preso ao tronco da tileira (leia-se tília) vigiando, atento, os matreiros passos da raposa que descia dos pinhais. Lembro-me dos gados dormindo num curral, do António, um bom pastor a quem eu levava a ceia e me talhava flautas num pau de sabugueiro.</p>



<p>Lembro-me do cantar das rolas nos pinhais onde eu ao tempo adormecia, da música dos grilos que não paravam de cantar na margem do ribeiro, das rãs e do seu eterno coaxar, dos ralos, das libelinhas, dos peixinhos cabeçudos, a nadar, que mais não eram que umas rãs em crescimento.</p>



<p>Lembro-me do tocador da concertina que nos dias da semana era serrador. Das rusgas dele, aos domingos, pelas ruas da aldeia. Do bailarico no Adro. Das lengas-lengas. Dos jogos Infantis. Dos brinquedos de brincar que aprendíamos a fazer ou nos compravam numa feira.</p>



<p>Também me lembro de pobres de pedir. E dos caldeireiros sentados numa banca onde as mulheres levavam cântaros para soldar a asa ou tapar o furo que elas taparam antes com palhinha para não vazar. E dos alvitanos que compravam peles de coelho, farrapos, cornelho e cera de abelha.</p>



<p>Lembro-me da Feira de S. Bartolomeu, em Trancoso, onde meu pai levava os bois. E onde me comprava as botas novas e de onde nos trazia pão de trigo e as melancias divinais. E das feiras da vila onde, pela vez primeira, comprei a um vendedor um folheto de cordel com uma história de chorar.</p>



<p>E lembro-me do sino, à noite, dando o toque de rezar. Da modorra do gato à lareira, a ronronar. Do silêncio imperturbável pelo justo tempo das nove badaladas. Das orações balbuciadas. Da bênção pedida a nossos pais. E da brancura fresca do lençol que minha mãe aconchegava.</p>
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		<title>UM BERÇO DE AMORES</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Aug 2026 09:35:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[UM CRONISTA DE PROVÍNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[Camilo Castelo Branco]]></category>
		<category><![CDATA[fonte de S. Francisco]]></category>
		<category><![CDATA[Viseu]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Joia de pedra lavrada</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>… o qual chafariz e seu espaçoso terreiro fica em frente&nbsp; da frontaria das casas dos fidalgos Albuquerques cujas vistas servem de recreação a quem espaçosamente está nas janelas vendo as moças que vão à fonte.</em></p>



<p><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </em>In<em> Memórias Paroquiais</em>, 1758.</p>



<p>Por muito tempo se chamou Terreiro das Freiras à actual praça que se declara, em moderno mapa, Largo Mouzinho de Albuquerque. Às suas espaldas encontra términus a Rua Direita, verdadeiro <em>cardo maximus</em> da urbe romana, que desembocava, a jusante, na porta que se chamou Porta do Arco. Mimética designação, esta, forçada pelo impositivo arco da muralha afonsina, que se desprende do topo de uma face da histórica moradia dos Albuquerques, ora designada Porta dos Cavaleiros.</p>



<p>A deslado se levanta – ora desprendida de velhos usos que tanto poderiam ser o encher dos cântaros como o escutar das falas dos namorados – a Fonte que tomou o nome do tutelar patrono entronizado no elevado nicho do frontão: S. Francisco, o <em>Poverello</em>.</p>



<p>Deve ter sido construída nos começos do século XVIII a graciosa fonte que hoje lá se encontra. Joia de pedra lavrada que, por tão funda, não deixa que o sol revele toda a formosura daquele granito jogando em sombra e luz. Substitui, como consta em documento, fonte mais antiga, estendendo para montante uma mais possante mina, tão alta que por ela um homem de pé caminharia, se dizia. Mina que ali pudesse despejar água bastante da avantajada mãe-de-água cavada no cerne da colina.</p>



<p>Um pouco mais tarde, em 1745, a Câmara decide mandar construir um chafariz de duas bicas num ainda visível recôncavo da muralha, pelo seu lado exterior, o qual antes serviria para dessedentar bestas de almocreves e montadas de cavaleiros.</p>



<p>Uma generosa fantasia liga esta fonte a uma popular história de amor impossível – <em>Amor de Perdição</em> – história inventada por Camilo de Castelo Branco ao longo dos quinze dias que passou na Cadeia da Relação, no Porto, entrecho romanesco que narra os apaixonados amores da fidalguinha Teresa Albuquerque, dezasseis tenros anos, com o enamorado Simão Botelho, dois anos mais velho, que o faz preterir ao primo Baltazar.</p>



<p>Junto à fonte terçarão armas Simão e Baltazar. Este quer vingar afronta, mas cairá inanimado aos pés de Simão, que ficará, petrificado, olhando a janela da amada. Acorre gente do povo e do palácio. Teresa dará entrada no mosteiro, onde irá morrer de amor; Simão, desterrado para as Índias, morrerá no alto mar. Teresa, da janela do convento, terá visto ainda umas mãos a acenar. Simão terá visto ainda um lenço branco a esvoaçar.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="792" height="530" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/solar.jpg" alt="" class="wp-image-50672" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/solar.jpg 792w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/solar-300x201.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/solar-768x514.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/solar-696x466.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 792px) 100vw, 792px" /><figcaption class="wp-element-caption">Viseu. Solar dos Albuquerques, séc. XVIII</figcaption></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/08/um-berco-de-amores/">UM BERÇO DE AMORES</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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