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	<title>Augusto Semedo, autor em Duas Linhas</title>
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	<title>Augusto Semedo, autor em Duas Linhas</title>
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		<title>LEITURA DE CAMPO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Augusto Semedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Jun 2025 19:54:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desporto]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O futebol português é uma montra de luxo com uma cave imunda. O mundo compra a montra; nós vivemos na cave. Vendemos talento mas alimentamo-nos de polémica.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O futebol português é, paradoxalmente, um dos nossos produtos de maior excelência e uma das faces mais feias do país. Exportamos talento, treinadores, jogadores, diretores desportivos, médicos e fisioterapeutas, observadores e analistas, modelos táticos… As seleções nacionais – da principal às camadas jovens – estão presentes, com regularidade impressionante, nos grandes palcos desde o Euro 2000. Dantes, era quase deserto. Hoje, é quase garantido. Lá fora, respeitam-nos. Cá dentro, destruímo-nos.</p>



<p>A mais recente amostra desse veneno chegou pela voz dos dirigentes máximos dos três grandes. Em vez de elevarem a fasquia e protegerem o negócio de que todos vivem — e que dá vida a tantos —, preferem mergulhar o futebol no pântano do insulto, da suspeição e da intriga. Neste jogo de bastidores, pouco interessa a verdade desportiva e muito importa o ruído que desvia atenções.</p>



<p>Mas o impacto vai além das estruturas. Está no público, nos adeptos, que muitas vezes se comportam como parte do problema. Vê-se em quem desculpa tudo ao clube “do coração” — mesmo que esteja a centenas de quilómetros — e é implacável com o clube da terra. É um contra-senso gritante: o clube local é o que dá oportunidades de prática desportiva aos próprios, aos filhos, aos familiares chegados. É o que forma, educa, socializa. Mas é também o primeiro a ser abandonado na bancada, trocado por camisolas de outros.</p>



<p>Esta inversão de valores tem custos. Enfraquece o ecossistema do futebol de base. Alimenta monstros e apaga raízes. É mais fácil encher a boca com o nome de um grande do que apoiar quem trabalha ao lado, com meios reduzidos e amor ao jogo.</p>



<p>O futebol português é uma montra de luxo com uma cave imunda. O mundo compra a montra; nós vivemos na cave. Vendemos talento mas alimentamo-nos de polémica. Exportamos génio e ficamos com a guerra. E há quem viva bem assim. Há quem “mame” desse veneno e ainda engane multidões, como se este espetáculo de lama, em que participam meios de comunicação, fosse inevitável. Não é. O futebol pode ser melhor. O país também.</p>



<p>NOTA: A atitude de Matheus Reis devia merecer ação da justiça desportiva — sem rodeios nem clubismos. Se foi propositada, como tudo indica, mesmo no calor do jogo, não tem qualificação possível. E se todos têm direito a errar, também têm o dever de reconhecer o erro. Seria um ato de elevação de caráter! Um pedido de desculpas teria atenuado; a arrogância e os cânticos que se seguiram só confirmam a gravidade do gesto. Internamente, os organismos devem funcionar para todos, sem exceção, e funcionar depressa. Só assim se quebra o ruído e se protege o jogo.</p>



<p><sup>(crónica também publicada em <strong><a href="https://www.soberaniadopovo.pt/">Soberania do Povo</a></strong>)</sup></p>



<p></p>
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		<title>Democracia que trata cidadãos como néscios</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Augusto Semedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Apr 2025 13:59:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
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		<category><![CDATA[eleições legislativas antecipadas]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade de informação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>questões sobre a liberdade de informação, a autonomia dos cidadãos e o fortalecimento da nossa democracia. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><br>O atual quadro de restrições que limita a divulgação pública das atividades das autarquias, durante o período que antecede as eleições legislativas, levanta uma série de questões sobre a liberdade de informação, a autonomia dos cidadãos e o fortalecimento da nossa democracia. <br><br>Embora o objetivo seja evitar abusos e garantir a equidade do processo eleitoral, esta medida contribui para o já empobrecido debate público e para a limitação da capacidade crítica dos cidadãos. Subestima a inteligência e a autonomia dos indivíduos, tratando-os como incapazes de tomar decisões ou compreender questões importantes.<br><br>Nem toda a comunicação feita pelas autarquias locais se resume a uma forma de marketing ou a uma tentativa de influência do eleitorado. Muitas das atividades realizadas são legítimas e de interesse público, envolvendo ações que ajudam a resolver problemas locais. Ao restringir a divulgação dessas atividades, corremos o risco de confundir cidadãos com simples participantes. Em vez de encorajar a participação ativa e informada, esta limitação pode contribuir para a desmotivação do interesse público e tornar os cidadãos passivos, sem os meios para questionar ou avaliar o que está em causa.<br><br>No entanto, o aspecto mais problemático é a transformação das questões políticas no jogo de &#8220;caça às bruxas&#8221;, onde qualquer pequeno deslize ou falha nas práticas de comunicação das autarquias locais é alvo de denúncias e queixinhas sem fundamento. Em vez de promover um debate construtivo sobre questões que realmente importam, como a melhoria das políticas públicas e o bem-estar da população, está-se a alimentar um clima de desconfiança e negativismo, onde o foco é procurar falhas em ações que, muitas vezes, não têm impacto real. Isso contribui para um ambiente político tóxico: as energias são gastas em disputas pequenas e insignificantes, em vez de se buscar soluções para problemas estruturais.<br><br>Por fim, a proteção da democracia não deve passar pela subestimação dos cidadãos mas pelo fortalecimento da sua capacidade crítica e reflexiva. Quando se quer uma sociedade pujante e uma democracia forte e saudável, deve-se apostar no crescimento cívico dos cidadãos, dotando-os de ferramentas que lhes permitam refletir sobre a comunicação que recebe, avaliando-a de forma ponderada e responsável. <br><br>O foco deve ser em educar, em criar uma cidadania ativa e consciente, que saiba distinguir entre informação, propaganda e marketing. Só assim será possível alcançar uma verdadeira democracia participativa, onde os cidadãos se sintam capacitados para tomar decisões informadas, sem a necessidade de tutela ou restrições desnecessárias.<br><br>Em vez de tentar proteger os cidadãos de uma realidade que eles deveriam ser capazes de compreender e avaliar, recomendar-se-ia que fossem criados os meios para que possam servir cidadãos mais críticos, atentos e responsáveis. A democracia não deve ser vista como algo a ser protegido de forma excessiva, mas como algo a ser vívido e desenvolvido, com confiança na maturidade do eleitorado.</p>



<p><sup>(crónica publicada também no<strong><a href="https://www.soberaniadopovo.pt/artigo/democracia_eleicoes_cidadaos"> jornal Soberania do Povo</a></strong>)</sup></p>



<p></p>
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		<title>JORNAL COM HISTÓRIA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Augusto Semedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jan 2025 00:05:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Águeda]]></category>
		<category><![CDATA[Jornal Soberania do Povo]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A coleção de quase 150 anos do Soberania do Povo é um tesouro único que se confunde com a própria história de Águeda. Através das suas páginas, é possível reconstruir a memória coletiva da comunidade, identificar as mudanças na vida quotidiana, entender as aspirações das gerações passadas e valorizar a herança cultural do concelho. A [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A coleção de quase 150 anos do Soberania do Povo é um tesouro único que se confunde com a própria história de Águeda. Através das suas páginas, é possível reconstruir a memória coletiva da comunidade, identificar as mudanças na vida quotidiana, entender as aspirações das gerações passadas e valorizar a herança cultural do concelho. A perda ou deterioração deste espólio significaria não apenas um prejuízo para o jornalismo regional, mas também para o património cultural de Águeda e de Portugal.</p>



<p>Para garantir a salvaguarda deste acervo valioso, agentes públicos e privados devem assumir um papel proativo, implementando políticas e ações específicas:</p>



<p>1- Digitalização do espólio &#8211; Criar um projeto de digitalização de toda a coleção do jornal, garantindo que esteja preservada em formato acessível e seguro para futuras gerações. Tornar os arquivos digitais disponíveis ao público por meio de uma plataforma online, promovendo a investigação e o acesso ao património cultural.</p>



<p>2- Conservação física &#8211; Investir em condições adequadas de armazenamento, como controlo de temperatura, humidade e proteção contra pragas, para preservar os exemplares físicos do jornal. O Município tem essas condições.</p>



<p>3- Apoio financeiro e logístico &#8211; Criar-se um fundo para o apoio à preservação do espólio do jornal e disponibilizar recursos humanos e técnicos, como restauradores de documentos e equipamentos especializados.</p>



<p>4- Valorização cultural e educacional &#8211; Agentes públicos e privados, com os recursos materiais e humanos que possuem, devem promover exposições temáticas com base no acervo do jornal, destacando momentos históricos relevantes da região. Integrar o espólio de Soberania do Povo em atividades pedagógicas e culturais (envolvendo escolas, associações e a população na valorização do património), seria um contributo para a valorização da imprensa livre e para a preservação da identidade de Águeda.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="118" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/soberania-do-povo-2-1024x118.png" alt="" class="wp-image-38810" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/soberania-do-povo-2-1024x118.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/soberania-do-povo-2-300x35.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/soberania-do-povo-2-768x89.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/soberania-do-povo-2-696x81.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/soberania-do-povo-2-1068x124.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/soberania-do-povo-2.png 1366w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>É necessário sensibilizar a opinião pública para a importância histórica e identitária do jornal, apelando à colaboração de todos para garantir que este legado seja mantido.&nbsp;</p>



<p>Preservar o espólio de Soberania do Povo é preservar a alma de Águeda. É uma oportunidade de assegurar que as futuras gerações tenham acesso à riqueza da história local, promovendo o orgulho e a consciência cultural.&nbsp;</p>



<p>A ação é urgente, pois o tempo, inimigo dos arquivos físicos, não perdoa.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="838" height="245" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/soberania-do-povo-3.png" alt="" class="wp-image-38812" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/soberania-do-povo-3.png 838w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/soberania-do-povo-3-300x88.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/soberania-do-povo-3-768x225.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/soberania-do-povo-3-696x203.png 696w" sizes="(max-width: 838px) 100vw, 838px" /></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/01/jornal-com-historia/">JORNAL COM HISTÓRIA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>AMARRADOS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Augusto Semedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Jan 2025 17:22:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[geopolítica]]></category>
		<category><![CDATA[guerra na Palestina]]></category>
		<category><![CDATA[guerra na Ucrânia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Se acaso fosse cineasta, gostaria que os filmes abordassem sagazmente o espírito que norteia as relações humanas, da família à sociedade, e a sua influência política e económica. Não possuo essa ambição, nunca pensei verdadeiramente nela, mas se porventura a tivesse esbarraria nas mesmas amarras de outras apostas. Mais do que eventual capacitação, subsistem muros [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Se acaso fosse cineasta, gostaria que os filmes abordassem sagazmente o espírito que norteia as relações humanas, da família à sociedade, e a sua influência política e económica.</p>



<p>Não possuo essa ambição, nunca pensei verdadeiramente nela, mas se porventura a tivesse esbarraria nas mesmas amarras de outras apostas. Mais do que eventual capacitação, subsistem muros (próprios e alheios) e teias que ditam o amarramento.</p>



<p>Se o Mundo está em suspenso com o que pode resultar da eleição de Trump, e se a Europa receia o que possa surgir das eleições em 2025 na Alemanha &#8211; e depois na França -, ao povo se deve; e, no futuro, se irá dever.&nbsp;</p>



<p>Ao contrário dos países onde o poder é legitimado na sequência de eleições fantoches, aqueles que ainda elegem democraticamente os seus líderes acentuam a polarização e fraturam-se enquanto sociedade, sem disso a maioria dar conta devida. A Democracia não soma, antagoniza-se em objetivos que deviam ser comuns para bem do coletivo. E a Liberdade, que as gerações mais recentes têm como garantida, estará progressivamente ameaçada.</p>



<p>Na verdade, já hoje a Liberdade está amarrada a teias que a intolerância e o egoísmo tecem &#8211; e que os poderes, consequentemente, refletem em toda a sua plenitude. Seja o poder político &#8211; elementos eleitos em Democracia e responsáveis partidários que não promovem a convivência saudável e o diálogo construtivo -, seja o económico (que ética no sucesso?) ou qualquer outro dos poderes subsidiários e dos micro poderes de faca e alguidar.</p>



<p>Em década e meia, as redes sociais fizeram mais pela degradação dos valores que sustentam a Democracia e a Liberdade que os movimentos extremistas que se sentem hoje legitimados popularmente para incitar uma visão nacionalista do mundo.&nbsp;</p>



<p>Redes essas amarradas a uma globalização desequilibrada e desproporcional, que tem potencializado uma crescente desigualdade social e económica.&nbsp;</p>



<p>Globalização que quebrou vínculos naturais de economia circular, criando monstros que amarram com ganhos de escala &#8211; verdadeiras ditaduras de mercado que assim determinam, impõem e sugam. Ditam regras convenientes para si e usufruem de legislação feita à medida.&nbsp;</p>



<p>Em Portugal, 50 anos depois do 25 de Abril &#8211; que tão bem se assinalou pelo país &#8211; persistem muitas amarras à liberdade de ter opinião fundamentada, reconhecendo outras perspectivas a quem adota uma postura crítica responsável, sempre com a intenção de contribuir positivamente. Não se teme a ditadura, mas tem-se pavor (medo patológico) da sombra e afundam-se pensamentos, métodos e méritos alheios.</p>



<p>Faz-se marketing e confunde-se com informação. Aposta-se na perceção de uma maioria menos atenta mas não se é objetivo &#8211; tantas vezes como seria necessário &#8211; na definição de uma ação pública que prepare a comunidade para o futuro. Olha-se o imediato, enche-se a barriga com o acessório, mas esquece-se que esse futuro pode esconder dificuldades que as gerações que protestam hoje ainda desconhecem!</p>



<p>O aumento da intolerância em sociedades democráticas pode ser explicado por uma combinação de fatores: as redes sociais, a polarização política, a desconfiança nas instituições, a ansiedade social, a tendência para a simplificação do debate&#8230; No fundo, uma sociedade verdadeiramente democrática precisa da formação pessoal e da cidadania ativa dos seus principais agentes: as Pessoas que fazem o Povo!&nbsp;</p>



<p>Estamos amarrados! Nós, imprensa, também… Amarrados à indiferença dos muitos que não sabem o seu significado, do que ela representa, porque são também indiferentes às multiplas ações que (ainda…) populam à sua volta e que (ainda&#8230;) ocupam a sociedade de hoje. Sobram alguns dessa postura funesta,  percentagem que não dá força plena ao exercício.</p>



<p>A indiferença em relação ao jornalismo é um dos maiores desafios para a saúde democrática. Para evitar o condicionamento do jornalismo e proteger o seu papel, a sociedade precisaria apoiar o fortalecimento de profissionais e dos veículos sérios, exigindo uma atuação comprometida com a diversidade e a responsabilidade social.</p>



<p>A indiferença social é o cancro que amarra a Democracia! As pessoas, intencionalmente ou não, demonstram desinteresse, apatia ou até insensibilidade. Representa um afastamento da solidariedade e da empatia, valores fundamentais para a coesão e o desenvolvimento social. Reflete uma falha no compromisso coletivo de agir para o bem comum e pode ser motivada por sobrecarga de informação e incapacidade de a filtrar, pelo individualismo e competição desenfreada, pela informação direcionada e descontextualizada.</p>



<p>Comprometendo o tecido social, pode abrir caminho para uma sociedade ainda menos justa e menos equitativa que a atual &#8211; e para o aumento exponencial do custo de vida. A Democracia, afinal, não é apenas um regime político baseado na escolha dos governantes; ela é também um modelo social que pressupõe o envolvimento ativo dos cidadãos no debate público e na defesa dos valores coletivos.</p>



<p>Se acaso fosse cineasta, o título do filme seria “Amarrados”; com um colossal ponto de exclamação (!) a agigantar-se na tela. De espanto por chegarmos a este estado civilizacional, de raiva por não o entendermos hoje, de susto por o que resultará desta acomodação do potencial cerebral dos humanos comuns ao artifício da inteligência. Porém, sempre com a esperança de que o Homem possa reinventar um futuro coletivo mais saudável.</p>
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		<title>O &#8216;baile nas trombas&#8217; e os &#8216;jogadores do outro mundo&#8217;</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2024/10/o-baile-nas-trombas-e-os-jogadores-do-outro-mundo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Augusto Semedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Oct 2024 23:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Desporto]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Mário Wilson]]></category>
		<category><![CDATA[Recreio Desportivo de Águeda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“É isso&#8230; um baile nas trombas! Um baile nas trombas! É isso!”. Jogávamos no campo do Torreense (de Manuel Cajuda), um dos três clubes que viriam a ser promovidos à primeira divisão nacional nessa segunda liga de 1990/91, juntamente com o campeão Paços de Ferreira (de Vítor Oliveira) e o vice-campeão Estoril (de Fernando Santos). [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2024/10/o-baile-nas-trombas-e-os-jogadores-do-outro-mundo/">O &#8216;baile nas trombas&#8217; e os &#8216;jogadores do outro mundo&#8217;</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>“É isso&#8230; um baile nas trombas! Um baile nas trombas! É isso!”. Jogávamos no campo do Torreense (de Manuel Cajuda), um dos três clubes que viriam a ser promovidos à primeira divisão nacional nessa segunda liga de 1990/91, juntamente com o campeão Paços de Ferreira (de Vítor Oliveira) e o vice-campeão Estoril (de Fernando Santos).</p>



<p>Fazíamos um enorme jogo; e essa era uma das enérgicas expressões que Mário Wilson utilizava durante os treinos, quando uma equipa dava um &#8216;banho de bola&#8217; à outra.</p>



<p>Em Torres Vedras, era isso que o Recreio Desportivo de Águeda fazia. E Mário Wilson, 61 anos à época, entusiasmava-se no banco, que ficava contíguo ao cordão de ferro do Estádio Manuel Marques onde se apoiavam, para se debruçar em direção ao terreno de jogo, muitos dos espetadores locais.<br>“É isso o quê, seu velho de m…!!!”. A uns vinte metros, alguns idosos sócios do clube local reagiam rudemente ao vozeiro de Mário Wilson, que entoava como um tenor, e ao &#8216;banho de bola&#8217; que a sua equipa inesperadamente levava em campo.</p>



<p>Mário Wilson, permanecendo sentado, rodou então o tronco com o vagar que o seu corpanzil ordenava; professoralmente, num tom moderado, questionou quem o invectivava: “Não posso dizer à minha equipa que está a jogar bem?”.<br>Os idosos, surpresos, entreolharam-se e nada disseram. Mário Wilson voltou a questionar melodicamente:<br>&#8211; “Eu quero que a minha equipa jogue bem, vocês vêm aqui para ver bom futebol, não é?” <br>&#8211; “Bem… é!” &#8211; responderam, hesitantemente…<br>&#8211; “Eu, quando estava no Torreense, também queria que jogassem bem e dessem um baile nas trombas!”<br>&#8211; “Pois era, pois era!…” &#8211; responderam, entusiasticamente.<br>&#8211; “Então… posso continuar a incentivar a minha equipa?”<br>&#8211; “Pode! Pode!” &#8211; responderam, convictamente!</p>


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<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/UABZjkw.jpeg" alt="" class="wp-image-37360"/><figcaption class="wp-element-caption">Recreio de Águeda &#8211; 1990/91 &#8211; Segunda Liga/Liga de Honra, Mário Wilson como treinador</figcaption></figure></div>


<h4 class="wp-block-heading"><strong>&#8220;À RASCA!&#8221;</strong></h4>



<p>Em Águeda, com o Estoril, empatámos a zero &#8211; inoperância nossa&#8230; &#8211; mas o líder de então viu-se aflito; defendeu muito atrás, chegando até a aliviar uma bola para além da bancada do lado do rio, que só parou nos campos de cultivo.<br>&#8211; “À rasca!”.<br>Atraído pela costumada expreesão em treino, olho o meu vizinho no ‘banco’ e vejo-o a saltar como uma mola, entusiasmado com a pressão que a equipa fazia a tão distinto e favorito adversário. E, ao intervalo, eram bem audíveis os berros de Fernando Santos &#8211; futuro treinador do FC Porto e da seleção &#8211; para com os seus jogadores, no modesto casebre que acolhia os balneários no nosso estádio, para expressivo encantamento de Mário Wilson.<br>Em Coimbra, quando defrontámos a Académica, a deslocação desde o túnel de acesso aos balneários até ao banco de suplentes destinado à equipa visitante foi momento arrepiante: a &#8216;bancada&#8217; coimbrã prestou tribuno com estrondosa ovação, de pé, ao seu ex-jogador e treinador, até que Wilson se sentasse.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>&#8220;DEPOIS DISTO NÃO HÁ MAIS NADA! JOGADORES DO OUTRO MUNDO!&#8221;</strong></h4>



<p>O falecimento do Borras &#8211; meu guarda-redes dos juvenis e juniores que se estreara, para meu orgulho, na baliza do Recreio quatro dias antes daquele fatídico acidente &#8211; foi dia de comoção. Tomámos conhecimento quando chegávamos ao estádio para treinar à tarde. Dirigimo-nos para o hospital, ainda com a ténue esperança de que as notícias fossem mentira. Confirmado o óbito, regressámos. Não sabia o que fazer… Mário Wilson deixou-me completamente à vontade. Decidi que o melhor seria ir para o campo e outros jogadores de Águeda &#8211; seus colegas no crescimento &#8211; seguiram-me. Só chorava! O Zé Maria passava por mim e só dizia “força, Semedo!”. No final, já no balneário, Mário Wilson disse-me: “Mostraste enorme carácter!”.</p>



<p>Foi um ano chuvoso, impróprio para manter o único relvado em boas condições. Exigiu que muitos treinos fossem transferidos para os campos ainda ‘pelados’ do Mourisquense e da Laac.</p>



<p>Os treinos de conjunto, como eram chamados, terminavam invariavelmente após duas ou três jogadas bem delineadas pelo ‘onze’ base, com a complacência da equipa da ‘coca-cola’ nos derradeiros 10 minutos do apronto. Mário Wilson apitava vigorosamente, levantava-se do ‘banco’ e exclamava com clamor: “Depois disto não há mais nada! Jogadores do outro mundo!!!”. E os jogadores dirigiam-se para o autocarro, regressando encharcados e enlameados até ao Municipal de Águeda.</p>


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<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/9YuPCoY.jpeg" alt="" class="wp-image-37362"/><figcaption class="wp-element-caption">crónica do jornal o Jogo em 13 de março de 1991</figcaption></figure></div>


<h4 class="wp-block-heading"><strong>MEMÓRIA</strong></h4>



<p>Nasceu em Lourenço Marques (atual Maputo) em 17 de outubro de 1929, faleceu em 3 de outubro de 2016. A 13 de julho de 1990 foi feito Comendador da Ordem do Mérito. Treinou o RD Águeda em 1990/91 na atual 2.ª Liga. Depois disso, Mário Wilson &#8211; campeão nacional e selecionador na década de 70 &#8211; viria ainda a vencer uma Taça de Portugal pelo &#8216;seu&#8217; Benfica.</p>



<p><sup>Publicado também na edição de 16 de outubro de 2024 do jornal semanário Soberania do Povo (fundado em 1879)</sup></p>
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