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	<title>Arquivo de LER LIVROS - Duas Linhas</title>
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	<description>Informação online</description>
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	<title>Arquivo de LER LIVROS - Duas Linhas</title>
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		<title>TIREM-ME DESTE FILME&#8230;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Apr 2026 11:39:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[ilegalidades no Chega]]></category>
		<category><![CDATA[livro Por Dentro do Chega]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Não acabei de ler Por Dentro do Chega</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A contradição é apenas aparente. O problema não está na extensão (um calhamaço com mais de 700 páginas), está na saturação. A sucessão de esquemas manhosos, dissimulações e episódios criminosos que envolvem militantes e dirigentes do Chega, acabou por produzir um efeito estranho: não me chocou, cansou-me. Não me surpreendeu, enjoou-me.</p>



<p>O livro expõe com clareza um padrão de comportamento. Uma repetição insistente de práticas que atravessa a história do Chega desde a sua fundação até à sua consolidação política. O líder do Chega tem a habilidade de ignorar as críticas, contornar as questões, virar os problemas a seu favor, é um habilidoso contra-atacante. O livro consolida essa perceção que temos dele.</p>



<p>E talvez seja aqui que começa o problema sério. Não no que o livro revela, mas no que acontece fora dele. Perante este tipo de retrato, o partido não só não perde relevância como cresce, instala-se, normaliza-se.</p>



<p>A mim, não me surpreende que esse partido seja uma associação de oportunistas e malfeitores. Enoja-me. Mas o mais inquietante é que, para muitos, isso parece não ser motivo suficiente para recusar o voto. Verdadeiramente perturbador, por isso, não é o conteúdo do livro. É o facto de, perante este tipo de retrato, uma parte relevante do eleitorado continuar a ver ali uma alternativa credível. </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="730" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/livro-por-dentro-do-chega-2-1024x730.png" alt="" class="wp-image-48652" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/livro-por-dentro-do-chega-2-1024x730.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/livro-por-dentro-do-chega-2-300x214.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/livro-por-dentro-do-chega-2-768x548.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/livro-por-dentro-do-chega-2-696x496.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/livro-por-dentro-do-chega-2-1392x993.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/livro-por-dentro-do-chega-2-1068x761.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/livro-por-dentro-do-chega-2-1320x941.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/livro-por-dentro-do-chega-2.png 1460w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p></p>
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		<title>EM BUSCA DO AMULETO PERDIDO…</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/03/em-busca-do-amuleto-perdido/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 Mar 2026 13:29:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[LER LIVROS]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[A Sagrada Família]]></category>
		<category><![CDATA[escritora Maria Helena Ventura]]></category>
		<category><![CDATA[Gaudi]]></category>
		<category><![CDATA[ler livros]]></category>
		<category><![CDATA[livro O Amuleto de Gaudi]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Segredos guardados, sociedades secretas, A Sagrada Família, a herança de Gaudi.  </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A autora, radicada em Cascais há mais de 40 anos, tem no seu palmarés livros de poesia e romances históricos de assinalável êxito; a este último, porém, ainda que susceptível de ser considerado ‘romance histórico’, porque evoca ambientes e situações próprias da História, será, de preferência, um romance só, porque não faltam as paixões, os amores incompreendidos, as traições e, até, conjunturas próprias de… romance policial!</p>



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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="414" height="590" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/A-autora.jpg" alt="" class="wp-image-48199" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/A-autora.jpg 414w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/A-autora-211x300.jpg 211w" sizes="(max-width: 414px) 100vw, 414px" /></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:33.33%"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="768" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/660728545_1700439957996973_1764250135937824052_n-768x1024.jpg" alt="" class="wp-image-48200" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/660728545_1700439957996973_1764250135937824052_n-768x1024.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/660728545_1700439957996973_1764250135937824052_n-225x300.jpg 225w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/660728545_1700439957996973_1764250135937824052_n-1152x1536.jpg 1152w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/660728545_1700439957996973_1764250135937824052_n-696x928.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/660728545_1700439957996973_1764250135937824052_n-1068x1424.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/660728545_1700439957996973_1764250135937824052_n.jpg 1200w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption class="wp-element-caption">Maria Helena Ventura e o seu mais recente livro &#8216;O Amuleto de Gaudi&#8217;, no Centro Cultural de Cascais</figcaption></figure></div></div>
</div>



<p>Aliás, porventura aí reside o entusiasmo que desperta, na medida em que se verifica, de facto, intrincada caça ao que se designa «amuleto» e que será o documento em que Gaudì, quiçá em linguagem cifrada, consignou preciosas ilustrações e desenhos acerca do modo como, após a sua morte, se deveria completar o templo da Sagrada Família, ícone maior da cidade de Barcelona.</p>



<p>E, nesse âmbito, dado haver suspeitas de quem o terá comprado, sem ter bem a noção do que era, num antiquário de Lisboa, o entrecho do romance situa-se, primordialmente, nas diligências – em que vale tudo, até matar! – para que o documento venha ficar, alfim, a bom recato, no âmago do próprio templo, a guardo de uma sociedade secreta, propositadamente criada para o efeito.</p>



<p>Prende-nos, pois, do princípio até ao fim, tendo de permeio os inevitáveis enleios amorosos a emoldurar o relato e o recurso a aviões particulares para, num ápice, se vir de Barcelona ao aeródromo de Tires ou daqui partir para Paris… Descrição de ambientes que a autora bem conhece, não se eximindo, aqui e além, a mostrar a sua notável experiência em preparar uma ementa de fazer crescer água na boca!</p>



<p>Prosa bem burilada, a de Maria Helena Ventura, a preciosamente servir esses intentos. Permita-se-me, por conseguinte, que, em jeito de aperitivo, destaque algumas passagens:</p>



<p>– a beleza inequivocamente patente na exacta pintura a revelar súbita mudança de estado de espírito: «Como, num instante, uma espécie de vento brando se converte em vendaval e agita os momentos de prazer em novelos emaranhados» (página 157);</p>



<p>– «O que é a loucura senão o colorido de um sonho?» (página 175);</p>



<p>– a crítica certeira e lapidar: «O mundo está em desespero, por darmos demasiadas oportunidades a quem não presta e subjuga os que podiam construir e amar» (p. 190);</p>



<p>– os toques de mui suave sensualidade: «A seguir a um banho curto e cheiroso, os nossos corpos encaixaram na perfeição, as bocas molhadas pediram repetição da intimidade, as mãos carentes de afagos pelo corpo divagaram»; «Depois voltou a beijar-me docemente, como se uma chuva miúda inundasse a minha boca» (páginas 63-64);</p>



<p>– as descrições inesperadas: «A tarde a escorregar para o horizonte sôfrega pela noite» (p. 66); «Já uma toalha dourada caía sobre a verdura dos campos, incrustava-se em finos trechos do rio, serpenteando entre caniçais, e as aves saíam em bandos direitas a um baptizado» (p. 81-82); «Nunca mais seriam arrastados como bola de poeira ao sabor de ventos ruins» (p. 121);</p>



<p>– a análise: «Até um cavalheiro tem vielas secretas na alma» (p. 102);</p>



<p>– a cozinheira: «Picou cebola, espargos verdes, colocou um fio de azeite na frigideira e deixou amolecer, ao mesmo tempo que eu batia dois ovos com sal e pimenta» (p. 16); </p>



<p>&#8211; «As mulheres vigiavam o cabrito, o arroz de forno, o leite-creme para cerca de 50 pessoas» (p. 81); </p>



<p>&#8211; «Colocar os bifes num prato fundo com o molho e, depois de limpar a frigideira com papel absorvente, estrelar dois ovos como ele nunca comera: sal na clara, pimenta no centro da gema (p. 119-120»; </p>



<p>&#8211; «Eu cozinho batatas de todas as maneiras e ficam deliciosas» (p. 150).</p>



<p>Esta, a minha maldosa conclusão em acepipes – para despertar o apetite à leitura!&#8230;</p>



<p>                                                           </p>
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		<title>ASSIM ESCREVEU LAURA PULQUÉRIA</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/03/assim-escreveu-laura-pulqueria/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Cristina Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 00:00:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[LER LIVROS]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[aldeia de Pintéus]]></category>
		<category><![CDATA[Laura Pulquéria]]></category>
		<category><![CDATA[Loures]]></category>
		<category><![CDATA[saloios]]></category>
		<category><![CDATA[Santo Antão do Tojal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um caderno de imagens e memórias sobre o território saloio.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Assim se apresenta Laura Pulquéria Militão Santos, a autora. &nbsp;Como saber se foi a seu pedido, ou se por indicação do fotógrafo, que este retrato saltou para a capa…</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="329" height="480" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/istorias.png" alt="" class="wp-image-48090" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/istorias.png 329w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/istorias-206x300.png 206w" sizes="auto, (max-width: 329px) 100vw, 329px" /></figure></div>


<p>A abrir o livro, lida a Ficha Técnica no verso da primeira folha, no fundo da página uma nota cuja pertinência vamos descobrir à distância de um folhear, “Esta obra é uma reprodução do original manuscrito com o acordo da autora”. A partir da terceira folha entende-se o porquê da referência, surge-nos o <em>fac-símile</em> do caderno de Laura Pulquéria.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="563" height="756" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-calceteiros.jpg" alt="" class="wp-image-48096" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-calceteiros.jpg 563w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-calceteiros-223x300.jpg 223w" sizes="auto, (max-width: 563px) 100vw, 563px" /></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="501" height="743" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-cardeal.jpg" alt="" class="wp-image-48095" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-cardeal.jpg 501w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-cardeal-202x300.jpg 202w" sizes="auto, (max-width: 501px) 100vw, 501px" /></figure></div></div>
</div>



<p>A surpresa estimula a leitura entusiasmada das páginas preenchidas pela poesia popular da autora, que é clara ao descrever-se, “Tenho álma de puéta/alguém em mim encarnou,/sêi a quilo que sinto/mas não sei a quilo que çôu.” Embora explique porque escreve, “D[e]us para me destrair/deume esta vucação, (…)”. E como surge a inspiração, “De noite ao deitar/custame adermeçêr,/dai nasçe a pôizia/para de dia escrever.”</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="521" height="741" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-escola.jpg" alt="" class="wp-image-48094" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-escola.jpg 521w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-escola-211x300.jpg 211w" sizes="auto, (max-width: 521px) 100vw, 521px" /></figure></div>


<p>Laura Pulquéria escreve sobre Pintéus, a terra onde nasceu a 23 de março de 1931, cresceu, casou, formou uma família e criou os filhos, viveu e morreu. A sua escrita traduz o empenho e prazer de alguém que frequentou a escola e guardou &nbsp;a elementar aprendizagem como um tesouro. Usou esse tesouro ao jeito de preciosa ferramenta, fixando no papel &nbsp;a tradução do que via e pensava. A leitura da sua escrita exige (quase) o mesmo empenho que se coloca aos paleógrafos, perante alguns desafios de escrita mais impenetrável. Mas, acredito!, do lado da autora a escrita terá sido leve e fluida, em cascata. Escreveu sobre o que conheceu e estimou, sobre as mudanças que viu acontecer na sua terra e que lhe provocaram sentimentos, lembra o que foi e já não é, mas também lembra a vida tão difícil da sua meninice e a de seus pais. Uma escrita que é um legado.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1007" height="745" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-1994.jpg" alt="" class="wp-image-48093" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-1994.jpg 1007w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-1994-300x222.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-1994-768x568.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-1994-696x515.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 1007px) 100vw, 1007px" /></figure></div>


<p>O local e a data, o espaço e o tempo, abrem &nbsp;o caderno de memórias, “Pintéus Lôures 1991”. Ficamos situados. E para que não restem dúvidas, continua, “Istôrias da minha térra / é minha rrecurdação / ficão iscritas purmim”, assinando “Laura Militão”, sobre desenho de linha ondulada. Logo abaixo, obliquamente e numa escrita ascendente, surge o seu nome completo “Laura Púlquéria Militão Santos”, um arrojo gráfico que termina em sublinhado parcial, pleno de atitude. Fico a pensar se esta linha não marcará a conclusão do seu caderno…</p>



<p>Os 31 títulos atribuídos pela autora surgem no topo da folha do caderno, acima da mancha pautada. Quando a escreve, o que é raro, é também nesse espaço que coloca a data. No dia 23.9.1995, escreveu, e esta é a data mais recente que deixa.</p>



<p>Com exceção de um que ocupa 3 linhas, por norma os títulos são curtos. Na grande maioria refletem o respetivo conteúdo, mas também acontece surgirem breves, como é o caso de “1994”, com a particularidade de esta data ter sido usado duas vezes como título. Curiosos e enigmáticos são igualmente os dois títulos alfanuméricos, ou seja, &nbsp;“Antigo Pádeiro 49” e “U soldado da minha terra/70 Faleceu em Moçambique em defêza/da Pátria. | Faleçeu em 23-1-1971”. A leitura não dá pistas para o entendimento quer do “49”, quer do “70”…</p>



<p>Eis a sequência dos títulos: “U mistério da Naturêza”; “Istória do Paláçio de Pintéus”; “Estória da Noça Senhora da Aprezentação.”; “Us grandes Artistas”; “Patriacha 1863”; “as maiores cheias”; “Lavandeiras em Lisbôa”; “o que meu coração sente.”; “A vida antiga”; “Os Carrosêiros”; &nbsp;“A vélha suçiadáde”; “O carnabál á antiga”; “Mais tarde”; “Inaguracão da nó(-va) Capelinha 6.9.1992”; “No meu tempo de Escóla”; “Antigo Pádeiro 49”; “Pinteus 5.9.1993 a nóva imagem do nosso Pôuvo.”; “Obras na Capelinha 1994”; “1994”; “Sábado 9.9.1995 ináguraçao do Altoistráda”; “23.9.1995”; “19. Novembro. 1955”; “U soldádo da minha terra/ 70 Faleceu em Moçambique em defêza/da Pátria. | Faleçeu em 23-1-1971”; “A rozeira Murcha/Um dia enraizôu.”; “A minha maneira de sêr”; “O siclónio”; “A Lua”; “As régas na hórta”; “O carrosêiro a caminho de Lisbôa”; “Os rapazes e os pátos”.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1015" height="758" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-cavaco-silva.jpg" alt="" class="wp-image-48097" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-cavaco-silva.jpg 1015w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-cavaco-silva-300x224.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-cavaco-silva-768x574.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-cavaco-silva-696x520.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-cavaco-silva-265x198.jpg 265w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-cavaco-silva-530x396.jpg 530w" sizes="auto, (max-width: 1015px) 100vw, 1015px" /></figure></div>


<p>O livro foi-me disponibilizado pelo Centro de Documentação Anselmo Braamcamp Freire (CDABF), do Museu Municipal de Loures, em 2024. Procurava, então, informação sobre Pintéus, povoação hoje na esfera da União de Freguesias de Santo Antão e São Julião do Tojal. Laura Pulquéria foi a “parceira de trabalho” que não esperava, uma ajuda na leitura da muito alterada paisagem local. Paisagem no sentido de território com o seu conteúdo, sua ocupação e utilização, e não as suas imagens óticas,&nbsp; como aprendi lendo Ilídio Alves de Araújo. Precioso auxílio, os testemunhos sobre a construção da autoestrada, sobre o desaparecimento das azenhas. Acompanhou-me na localização de troços, até agora não sinalizados, do aqueduto de Santo Antão do Tojal. Na compreensão do caminho percorrido pela estrutura que em tempos conduziu a água das nascentes de Pintéus para a povoação de Santo Antão do Tojal e para o palácio e quinta que D. Tomaz de Almeida, 1º Patriarca de Lisboa, estabeleceu, com magnificência, nas primeiras décadas do séc. XVIII, neste território, então, exclusivamente rural.</p>



<p>Um caderno de imagens e memórias sobre um território que guarda marcas materiais e imateriais, que se procuram. Esteve muito bem a autarquia local de maior proximidade.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="557" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/pinteus-1024x557.jpg" alt="" class="wp-image-48101" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/pinteus-1024x557.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/pinteus-300x163.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/pinteus-768x418.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/pinteus-696x379.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/pinteus-1068x581.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/pinteus.jpg 1176w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Pintéus</figcaption></figure></div>


<p></p>
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		<title>ESCREVE COMO QUEM SEMEIA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vanda Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 21 Mar 2026 10:00:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[LER LIVROS]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[poesia de Ana Paula tavares]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Paula Tavares</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ana Paula Tavares é um dos nomes mais marcantes da literatura angolana, diria mesmo da literatura contemporânea em língua portuguesa, como confirma o reconhecimento maior que lhe foi atribuído com o Prémio Camões em 2025. A sua escrita faz pontes entre passados e futuros, entre vozes femininas e ancestrais , vozes que ela convoca de forma delicada e impactante.<br>Nascida no Lubango, em 1952, a sua infância foi desenhada pelo silêncio e pelas histórias sussurradas no interior de Angola, onde a tradição oral e a terra se inscrevem profundamente na memória de quem cresce embalada pelo sopro da História. Essa vivência ecoa nos seus versos, onde a paisagem não é apenas cenário, mas corpo vivo e simbólico:</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="433" height="112" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/desossaste-me.jpg" alt="" class="wp-image-47961" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/desossaste-me.jpg 433w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/desossaste-me-300x78.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 433px) 100vw, 433px" /><figcaption class="wp-element-caption">(Poema “Desossaste-me”, em Ritos de Passagem, 1985)</figcaption></figure></div>


<p>O seu percurso académico conduziu-a à universidade no Lubango onde estudou História, e posteriormente a Lisboa, onde acabou o curso – e fez mestrado e doutoramento- aprofundou saberes e consolidou um olhar crítico sobre o legado colonial e o papel das mulheres africanas. A sua obra poética, marcada por uma linguagem sensível e pela resiliência, resgata vozes silenciadas e reivindica o espaço da mulher enquanto guardiã e transmissora da memória coletiva.<br>Na sua escrita, o corpo feminino, a natureza e os rituais ancestrais surgem frequentemente como elementos centrais. No poema “A Anona”, por exemplo, a descrição aparentemente simples de um fruto carrega uma enorme densidade simbólica e cultural.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="397" height="87" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/anona.jpg" alt="" class="wp-image-47963" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/anona.jpg 397w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/anona-300x66.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 397px) 100vw, 397px" /><figcaption class="wp-element-caption">(poema “A Anona”, em Ritos de Passagem, 1985)</figcaption></figure></div>


<p>Para Ana Paula Tavares, a poesia é um ato de resistência e de feminismo, onde o quotidiano se cruza com a força espiritual das suas ancestrais. Os seus versos evocam a ligação profunda à terra, ao feminino e às narrativas orais que sobreviveram ao tempo, celebrando a herança das mães e avós, mulheres que, mesmo diante do silêncio e da opressão, mantiveram viva a identidade:</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="486" height="82" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/canto.jpg" alt="" class="wp-image-47964" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/canto.jpg 486w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/canto-300x51.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 486px) 100vw, 486px" /><figcaption class="wp-element-caption">(Poema “Canto de nascimento”, em O Lago da Lua, 1999)</figcaption></figure></div>


<p>Ler, aqui em Angola, Ana Paula Tavares é embarcar por entre rios e savanas, onde o passado sussurra e a esperança se reinventa. Na sua obra, o tempo ampara o esquecimento e as mulheres são fios invisíveis que seguram o mundo. Cada verso é um convite para escutar o murmúrio antigo das vozes que tecem a identidade de um povo. </p>



<p>Termino, com um verso de que muito gosto:</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-3 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="491" height="31" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/cercado.jpg" alt="" class="wp-image-47965" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/cercado.jpg 491w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/cercado-300x19.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 491px) 100vw, 491px" /></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="309" height="480" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/ritos-1.jpg" alt="" class="wp-image-47970" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/ritos-1.jpg 309w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/ritos-1-193x300.jpg 193w" sizes="auto, (max-width: 309px) 100vw, 309px" /></figure></div></div>
</div>
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		<title>UMA CENA DIFERENTE NAS REDES SOCIAIS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Mar 2026 11:50:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[LER LIVROS]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[dizer poesia]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[poesia de Alba Muñoz Carbonell]]></category>
		<category><![CDATA[poesia de Pedro Freitas]]></category>
		<category><![CDATA[poesia nas redes sociais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os exemplos de Pedro Freitas e Alba Muñoz Carbonell</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Aquilo que vejo, aquilo que o algoritmo decidiu que eu devo ver, não é mais do que um reflexo imperfeito de mim próprio. Um gesto mínimo, distraído, uma espécie de bater de asas de um &#8220;like&#8221; e o sistema devolve-me um mundo onde a poesia parece estar por toda a parte. Não sei se é uma tendência ou apenas uma ilusão bem calibrada.</p>



<p>Mas vamos aos casos concretos. Vídeos curtos, enquadramento íntimo, voz baixa. Pedro Freitas começa quase sempre com uma promessa de tradição &#8211; por exemplo, Eugénio de Andrade podia ter dito isto ou aquilo &#8211; e, a partir daí, constrói uma espécie de ponte entre tradição e o scroll no telemóvel. A poesia deixa de ser página e passa a ser presença: um rosto, uma respiração, um ritmo que se mede em segundos.</p>



<p>Do outro lado, Alba Muñoz Carbonell sussurra. Há qualquer coisa de deliberadamente íntimo na forma como fala, uma proximidade que não existe nos livros, nem sequer na leitura em voz alta tradicional. A poesia aqui não se lê: insinua-se. Quase como se cada verso tivesse sido escrito para um ouvido específico, ainda que, na verdade, seja lançado para milhares.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="PEDRO y ALBA" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/7SXx5oUwaTI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption"><sup>vídeo</sup></figcaption></figure>



<p>Talvez seja isto que mudou. Não a poesia, mas o seu modo de circulação. Já não é o texto que procura o leitor, é o corpo que interpela o espectador. A emoção deixou de ser apenas linguagem e passou a ser também performance, expressão, olhar. E, claro, algoritmo.</p>



<p>E no meio disto tudo, há uma evidência: isto resulta. Há seguidores, há alcance, há dinheiro a circular. A poesia, essa velha arte discreta, aprendeu finalmente a comportar-se como conteúdo. Não sei se ganhou leitores ou apenas audiência.</p>



<p></p>
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		<title>OS LUSÍADAS E O ESPELHO PARTIDO DO MUNDO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[António da Cunha Justo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Mar 2026 21:27:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[LER LIVROS]]></category>
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		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[EUA atacam Irão]]></category>
		<category><![CDATA[geopolítica]]></category>
		<category><![CDATA[guerra Israel contra Irão]]></category>
		<category><![CDATA[guerra na Ucrânia]]></category>
		<category><![CDATA[guerra no Médio Oriente]]></category>
		<category><![CDATA[Imperialismo]]></category>
		<category><![CDATA[Os Lusíadas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>sopram quatrocentos e cinquenta velas sobre a primeira edição de Os Lusíadas</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/03/os-lusiadas-e-o-espelho-partido-do-mundo/">OS LUSÍADAS E O ESPELHO PARTIDO DO MUNDO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em 12 de março, sopram quatrocentos e cinquenta velas sobre a primeira edição de Os Lusíadas. Em 1572, quando Camões ofereceu ao prelo o seu canto imortal, Portugal e Espanha desenhavam o mapa do mundo entre si, como dois gigantes a repartir um manto que julgavam infinito. A língua portuguesa, nesse parto de versos, deixava de gatinhar nas trovas medievais para se erguer no esplendor renascentista que é um monumento de palavras que que a partir de entao fala aos ventos. Mas que mundo é este que agora habita o mesmo poema?</p>



<p>Olhamos para a Ucrânia e para o Médio Oriente e já não vemos o confronto épico entre portugueses e deuses, entre mortais e forças telúricas que povoavam a imaginação de Camões. O que vemos é uma guerra do Diabo contra o Diabo, dois abismos a fitarem-se mutuamente. O Ocidente e o Oriente já não se defrontam em campo aberto, com bandeiras desfraldadas e códigos de honra. Agora, os poderosos disputam não apenas territórios, a geografia caduca de fronteiras, mas algo mais sinistro. Hoje os poderosos disputam também o tempo e as mentes dos humanos. Querem roubar o futuro aos povos e a lucidez às consciências.</p>



<p>E na Europa, jardim supostamente iluminado, o confronto multiplica-se em espelhos partidos. Os opiniosos dividem-se em trincheiras verbais, uns a abraçar um demónio, outros a invocar o seu contrário, como se a escolha possível fosse apenas entre dois lados da mesma moeda gasta. O debate público tornou-se uma câmara de ecos onde já não se ouve a voz de Adamastor, esse gigante que ainda hoje espreita no Cabo das Tormentas, guardião de um medo mais antigo que todas as ideologias.</p>



<p>Talvez por isso Os Lusíadas, apesar de inimizado por alguns, resistam. Não porque nos ensinem a navegar porque os mares de hoje são outros, mais turvos, mais traiçoeiros. Mas porque nos recordam que a língua pode ser nau, que a palavra pode ser bússola, que o verso pode ser ancora num tempo à deriva.</p>



<p>E enquanto houver quem leia Camões, haverá quem lembre que os monstros não estão apenas nos mapas antigos, nem os deuses apenas no Olimpo. Estão também no silêncio que escolhemos perante a barbárie (seja ela islâmica ou NATO), na indiferença que vestimos como armadura, na rendição de pensarmos que todos os diabos são iguais.</p>



<p>450 anos depois, a epopeia continua. Mas agora o poema somos nós, escrevendo-o a cada escolha, a cada palavra que ainda ousa dizer não ao abismo e que ouse colocar-se do lado dos que pretendem uma cultura da paz e não continuar com a cultura da guerra, oficialmente cuidada e proclamada.</p>



<p>Passou-se do confronto com as forças telúricas do Adamastor à guerra do Diabo contra o Diabo porque hoje os monstros já não estão só nos mapas, mas sobretudo nas mentes.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="640" height="438" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/461868701_3762899200624221_2987330827683123337_n.jpg" alt="" class="wp-image-47817" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/461868701_3762899200624221_2987330827683123337_n.jpg 640w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/461868701_3762899200624221_2987330827683123337_n-300x205.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/461868701_3762899200624221_2987330827683123337_n-218x150.jpg 218w" sizes="auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px" /></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/03/os-lusiadas-e-o-espelho-partido-do-mundo/">OS LUSÍADAS E O ESPELHO PARTIDO DO MUNDO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<item>
		<title>LOBO ANTUNES MORREU, NOS SEUS LIVROS DEIXOU-NOS UM LÍMPIDO ESPELHO DE PORTUGAL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[António da Cunha Justo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Mar 2026 00:10:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[LER LIVROS]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[António Lobo Antunes]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>... como ele dizia, "os maus romances contam histórias; os bons romances mostram-nos a nós mesmos"</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/03/lobo-antunes-morreu-nos-seus-livros-deixou-nos-um-limpido-espelho-de-portugal/">LOBO ANTUNES MORREU, NOS SEUS LIVROS DEIXOU-NOS UM LÍMPIDO ESPELHO DE PORTUGAL</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h4 class="wp-block-heading"><strong>A Morte de Lobo Antunes e a Sombra no Fado</strong><strong></strong></h4>



<p>&#8230;. Ficou a obra, essa &#8220;casa dos móveis que estalam à noite&#8221;, como ele próprio descreveria a solidão. Dele ficou, sobretudo, o retrato de um país que ele anatomizou como poucos: Portugal, esse paciente eterno deitado no divã da psiquiatria, com as suas memórias mal resolvidas a pulsarem sob a pele do presente&#8230;</p>



<p>Foi em Angola que o jovem psiquiatra começou a acumular o material clínico para a longa análise a que submeteria a nação.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O Cirurgião das Almas e a Ferida da Guerra</strong></h4>



<p>Em “Os Cus de Judas” (1979), o seu segundo romance, o alferes-médico que regressa a Lisboa não encontra uma pátria acolhedora, mas sim um país de paredes caiadas que finge que a guerra não existiu&#8230; É o desabafo de quem percebe que &#8220;viver é como escrever sem corrigir “e que o que lá está, de dor e de sangue, não pode ser apagado&#8230;</p>



<p>Os soldados voltaram, mas vieram de boca calada. Os retornados chegaram, mas foram recebidos com a vergonha alheia de quem vê um espelho partido e por isso foram tão maltratados. O país preferiu o esquecimento à purificação, e essa memória recalcada, como nos ensina Lobo Antunes, é a matéria de que são feitos os fantasmas.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>As Naus e o Regresso dos Mortos como Desconstrução do Mito</strong></h4>



<p>Se há livro que funcione como chave para entender esta tese, é “As Naus” (1988). Neste romance desassossegado, Lobo Antunes faz o que melhor sabia na qualidade de psiquiatra: pega nos heróis canonizados de “Os Lusíadas” e devolve-os a um Portugal pós-colonial, pequenino e irrelevante. Vasco da Gama, Camões, os navegadores, regressam a Lisboa como retornados pobres, perdidos, bêbados e deslocados. O passado glorioso desembarca no cais, mas já não cabe no novo cenário, empenhado em fabricar novos fantasmas e heróis de craveira histórica, os tais &#8216;históricos&#8217; do novo regime, que tomem o lugar dos velhos espectros e garantam a continuidade dessa epopeia político-cultural que mantém Portugal em permanente sessão no divã da psicanálise.</p>



<p>Aqui Lobo Antunes faz a crítica mais feroz ao Sebastianismo que se resume na esperança irracional de que algo de exterior nos venha resgatar da mediocridade, essa crença de que o passado pode funcionar como salvação para o presente&#8230;</p>



<p>O viver nessa melancolia, sombra enraiada já na alma portuguesa, continua a viver no espírito do Encoberto que se encontra agora em Bruxelas.</p>



<p>&#8220;Portugal é um país que vive mais do que foi do que do que é&#8221;</p>



<p>Hoje como ontem, continua-se o hábito do medo de falar, da hipocrisia social, de uma vida interior que se esconde atrás da fachada da ordem&#8230;</p>



<p>Quando perguntado sobre o Nobel, a resposta clara como seca foi &#8220;Quero que o Nobel se f*da&#8221;; esta reação não era apenas desdém; era a defesa da soberania do escritor contra as glorificações oficiais, a recusa em deixar que a literatura fosse engolida pelo mesmo sistema que ele denunciava, tal como o foi Saramago ao ser usado como arma de um polo contra o outro.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O Fantasma do Império e a Decomposição na Europa</strong></h4>



<p>Na última fase do seu pensamento, que as suas notas tão bem captam, Lobo Antunes antecipou o debate contemporâneo sobre o pós-colonialismo e a identidade europeia. No meu entender, se o 25 de Abril matou o império, a entrada na União Europeia, nos anos 80, funcionou como uma espécie de segunda morte.</p>



<p>Desta vez, não perdíamos colónias; perdíamos a ilusão de sermos o centro do mundo e nação intacta. Passámos a ser a periferia da Europa, um país encostado à boleia de Berlim e Bruxelas&#8230;</p>



<p>Deste modo o fantasma do império permanece, já não como projeto político, mas como assombração&#8230;</p>



<p>Vive, sobretudo, na dificuldade que Portugal tem em se definir a si mesmo fora da matriz imperial e por isso se encosta à nova forma de imperialismo que é o imperialismo mental de Bruxelas.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>A Técnica Literária como Espelho da Alma Coletiva</strong></h4>



<p>A sua técnica narrativa, essa prosa que parece um rio de vozes, onde passado e presente se misturam, onde várias personagens falam ao mesmo tempo sem aviso prévio, é a expressão formal da sua visão do mundo e em especial de Portugal e da Europa.</p>



<p>Não há enredo linear porque não há identidade linear&#8230;&nbsp;Tudo se encontra misturado e fraturado&#8230;</p>



<p>Ao dar voz aos ‘vencidos da vida’, aos retornados do seu livro “O Esplendor de Portugal”, aos soldados de “Os Cus de Judas”, aos loucos e marginais que povoam os seus livros, Lobo Antunes fez uma operação de justiça poética ao dar expressão e corpo àqueles que a história oficial preferiu esquecer&#8230;</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O Fim de uma Era</strong></h4>



<p>&#8230; E nós, portugueses, continuaremos confrontados com essa pergunta incómoda que ele deixou a ecoar na consciência: quem somos nós, agora que o império se dissipou e a Europa já não é a miragem que fomos um dia?&#8230;</p>



<p>Fica a obra e com ela a insónia. Fica a certeza de que, como ele dizia, &#8220;os maus romances contam histórias; os bons romances mostram-nos a nós mesmos&#8221;. Mas o fado, esse canto tão belo e inebriante que tolda a alma lusa, não é senão a carpideira velada de um Portugal que chora e carpe, sem o saber, o desencanto de si próprio e de todos os outros&#8230;</p>



<p></p>



<p>(crónica publicada também em <strong><a href="https://antonio-justo.eu/?p=10824" type="link" id="https://antonio-justo.eu/?p=10824">Pegadas do Tempo</a></strong>)</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/03/lobo-antunes-morreu-nos-seus-livros-deixou-nos-um-limpido-espelho-de-portugal/">LOBO ANTUNES MORREU, NOS SEUS LIVROS DEIXOU-NOS UM LÍMPIDO ESPELHO DE PORTUGAL</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>PEGADAS DE AQUILINO POR VISEU</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Mar 2026 15:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[LER LIVROS]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[UM CRONISTA DE PROVÍNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[Aquilino Ribeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Aquilino Ribeiro em Viseu]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Viseu]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Aquilino celebrou a terra, e o seu rasto ficou no eterno chão de Viseu,</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Ninguém, ninguém mais do que Aquilino Ribeiro celebrou em páginas de livro esta cidade. Viseu. Ninguém. Nem escritor nem poeta. De historiadores e cronistas não falo, que aí é vasto o trajecto, memoráveis os nomes, extenso o discurso.</p>



<p>Aquilino Ribeiro conheceu Viseu era jovem ainda e estudante encartado, já havia peregrinado com alguma demora por Lamego, <em>dormente </em>a cidade, lhe chamou enquanto Viseu a vai sentir <em>prazenteira, amável, buliçosa, jucunda. </em>Jucunda, escreveu ele. Agradável, queria ele dizer. “A melhor cidade para viver”, talvez quisesse dizer, premonitório.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Que viver aqui não viveu. Para além da pouca demora, em 1902, quando vem ao Liceu fazer exame de Filosofia, apenas tem uma curta pausa em 1928, mas aí vive entre as grades do Fontelo e da janela do calabouço pouco mais podia ver do que o longínquo horizonte da sua pátria, as Terras do Demo, para onde em breve irá romper caminho.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="284" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/um-escritor-2-1024x284.png" alt="" class="wp-image-47701" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/um-escritor-2-1024x284.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/um-escritor-2-300x83.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/um-escritor-2-768x213.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/um-escritor-2-1536x426.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/um-escritor-2-696x193.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/um-escritor-2-1392x386.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/um-escritor-2-1068x296.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/um-escritor-2-1320x366.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/um-escritor-2.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="390" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/andam-faunos-1-1024x390.png" alt="" class="wp-image-47696" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/andam-faunos-1-1024x390.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/andam-faunos-1-300x114.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/andam-faunos-1-768x292.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/andam-faunos-1-1536x584.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/andam-faunos-1-696x265.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/andam-faunos-1-1392x530.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/andam-faunos-1-1068x406.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/andam-faunos-1-1320x502.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/andam-faunos-1.png 1777w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="312" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/o-homem-que-matou-1024x312.png" alt="" class="wp-image-47704" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/o-homem-que-matou-1024x312.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/o-homem-que-matou-300x91.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/o-homem-que-matou-768x234.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/o-homem-que-matou-1536x468.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/o-homem-que-matou-696x212.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/o-homem-que-matou-1392x424.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/o-homem-que-matou-1068x326.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/o-homem-que-matou-1320x402.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/o-homem-que-matou.png 1863w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="308" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/a-mina-1024x308.png" alt="" class="wp-image-47706" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/a-mina-1024x308.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/a-mina-300x90.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/a-mina-768x231.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/a-mina-1536x462.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/a-mina-696x209.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/a-mina-1392x418.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/a-mina-1068x321.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/a-mina-1320x397.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/a-mina.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="354" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/terras-do-demo-1024x354.png" alt="" class="wp-image-47709" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/terras-do-demo-1024x354.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/terras-do-demo-300x104.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/terras-do-demo-768x266.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/terras-do-demo-1536x531.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/terras-do-demo-696x241.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/terras-do-demo-1392x481.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/terras-do-demo-1068x369.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/terras-do-demo-1320x457.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/terras-do-demo.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="315" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arca-de-noe-3-1024x315.png" alt="" class="wp-image-47712" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arca-de-noe-3-1024x315.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arca-de-noe-3-300x92.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arca-de-noe-3-768x236.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arca-de-noe-3-1536x472.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arca-de-noe-3-696x214.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arca-de-noe-3-1392x428.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arca-de-noe-3-1068x328.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arca-de-noe-3-1320x406.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arca-de-noe-3.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="317" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/geografia-1024x317.png" alt="" class="wp-image-47714" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/geografia-1024x317.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/geografia-300x93.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/geografia-768x238.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/geografia-1536x476.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/geografia-696x216.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/geografia-1392x431.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/geografia-1068x331.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/geografia-1320x409.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/geografia.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="313" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arcas-1024x313.png" alt="" class="wp-image-47717" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arcas-1024x313.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arcas-300x92.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arcas-768x234.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arcas-1536x469.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arcas-696x212.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arcas-1392x425.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arcas-1068x326.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arcas-1320x403.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arcas.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>Aquilino foi aedo, celebrou a terra, o chão de lavra, marginal, o chão de pedra levantada, a paisagem, gratuitamente estendida para gozo dos homens como a primavera em flor para deleite de insectos; e lembrou os homens, humanista de seu génio, que da humanidade transviada apenas queria arredar o mal.</p>
</div></div>



<p>E o seu rasto ficou no eterno chão de Viseu, no nome de um Parque, de uma Rua, de uma estátua. Mais fundo ficou nas letras de ouro do seu lavrar; mais ainda no coração dos homens que cultivam o humanismo de que se fez paladino e defensor; retrato seu de vaidade não deixou; e o bronze de um retrato que eu ajudei a construir e se implantou no chão da Rua Formosa, onde ele tantas vezes sedeou, ficou como vero documento de um homem inteiro, que algum tempo entre nós viveu e trabalhou.</p>



<p></p>
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		<title>O MAIOR CAROÇO DO MUNDO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Feb 2026 10:00:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Afrodisíaco, também lhe chamam coco d’amour... </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Jorge Paiva realça, mui sabiamente, a narrativa de viagem de Vasco da Gama à Índia, explicando, por exemplo, o significado das palavras aí consignadas relativas a plantas.</p>



<p>Que os deuses gostavam de determinadas plantas e flores já nós tínhamos uma ideia, porque as narrativas mitológicas gregas e romanas no-lo haviam contado. Agora que, estando no Oriente, um se tenha querido ‘vestir’ de uma planta que é da Europa… isso, se calhar, ainda se não havia pensado.</p>



<p>Esse foi o enorme e deveras cativante trabalho a que Jorge Paiva lançou mãos: miudamente anotar esses dados, para que nos consciencializemos, de vez, da enorme capacidade que o poeta tinha de mostrar o seu saber “de experiências feito”.</p>



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<p>De alguns animais se diz, por vezes, que tudo se aproveita: a carne, a pele, os ossos, os chifres, a bexiga, as tripas… Agora, idêntico aproveitamento total em relação a uma planta quiçá não seja tão comum. Por isso me seduziu particularmente o que Jorge Paiva conta, em pormenor, acerca do coco-do-mar ou coco-das-maldivas, “pomo” lhe chama Camões no canto X d’<em>Os</em> <em>Lusíadas,</em> quando trata da Ilha dos Amores, porque se lhe dão atributos afrodisíacos.</p>



<p>«Fruto de uma palmeira endémica do Arquipélago das Seychelles e não das Maldivas», &nbsp;tem um caroço que lembra a zona púbica da mulher, sendo, por isso, também designado coco-das-nádegas e coco-indecente.</p>



<p>Acrescenta Jorge Paiva: «É o maior caroço (30-50 por 25-28 cm) e mais pesado (15-20 kg) que se conhece. Tem uma só semente que também é a maior e mais pesada semente conhecida».</p>



<p>Quando seco e perde a semente, pode flutuar e facilmente as correntes marítimas o levam mar afora até às Maldivas e ao Oriente; por esse motivo, os navegadores europeus, quando por essas paragens o viram, lhe chamaram também coco-das-maldivas e chegou mesmo a pensar-se que, devido ao seu invulgar tamanho, era de uma palmeira que vegetava no oceano profundo.</p>



<p>Ora acontece que esse coco assumiu tal importância que, nas Maldivas, «o direito de propriedade de todos os cocos-do-mar que apareciam nas praias eram pertença dos soberanos das mesmas e qualquer pessoa que não entregasse algum desses achados era condenada à morte ou era-lhe decretada a ablação das mãos».</p>



<p>Sabe-se que «a Rainha Catarina da Áustria tinha vários desses cocos, alguns deles encastoados em peças de metais preciosos; em museus europeus existem alguns cobertos a ouro ou prata e ornamentados exteriormente com figuras decorativas, que serviam, geralmente, de vasilhas ou copos».</p>



<p>E porque é que se começou a falar dos animais de que tudo se aproveita? É que isso mesmo acontece com esta verdadeiramente extraordinária planta!</p>



<p>De facto, conta Jorge Paiva, que, para além da sua fama afrodisíaca e virtudes medicinais e místicas, «o grande limbo flabeliforme das folhas é utilizado para cobertura de habitações, para fabrico de esteiras, leques, cestos, caixas, estojos, chapéus, ramos de noiva e outros artigos de artesanato; a madeira e pecíolos foliares, para tabiques, paliçadas e bebedouros para o gado; os caroços para pratos, vasilhas, copos, caixas, artigos de adorno e produção de marfim vegetal; os pêlos da parte inferior dos pecíolos das folhas jovens para encher almofadas e travesseiros».</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Dir-se-á, ainda, que a amêndoa (a semente) é normalmente congelada, para depois ser servida «aos turistas como guloseima e, até, para produzirem uma bebida alcoólica, licorosa, que, como não podia deixar de ser, tem a designação de licor de <em>coco d’amour, </em>vendida em garrafas com a forma sugestiva do caroço».</p>



<p>Quem diria?</p>
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		<title>A ESPERANÇA SEM FIM</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Feb 2026 20:12:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[LER LIVROS]]></category>
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		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[literatura de Pedro Chagas Freitas]]></category>
		<category><![CDATA[livro O Hospital de Alfaces]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A ideia de que o drama terá raízes na experiência pessoal do autor, reforça a carga afetiva.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>O Hospital de Alfaces</em> é um drama familiar construído em sucessão de cenas curtas, quase esboços cénicos, como se estivéssemos perante um guião de teatro ou cinema. Essa fragmentação imprime ritmo, cria tensão, empurra o leitor para a frente. Cada cena contém frases de impacto, uma sentença moral, uma verdade condensada, um aforismo pronto a ser sublinhado. É uma técnica eficaz: transforma a leitura numa sequência de pequenos clímax emocionais.</p>



<p>O eventual carácter autobiográfico da narrativa, a ideia de que o drama terá raízes na experiência pessoal do autor, reforça a carga afetiva. O leitor sente que pisa território íntimo, que participa numa dor real. E isso aproxima.</p>



<p>Mas há também uma dimensão simbólica que desloca a história do realismo para uma espécie de alegoria surreal: a alface imortal que se reproduz infinitamente, resistente a tudo, convertida em metáfora da persistência contra a dor, a doença, o ódio e o desamor. O símbolo é didático. A fantasia serve a mensagem.</p>



<p>É aqui que surge a ambivalência. O livro pode ser lido como um longo &#8220;poema escrito na horizontal”, prosa poética construída com paralelismos, enumerações, repetições rítmicas. Frases como: “A vida é uma frase mal escrita, mal pensada, mal planeada…” assentam numa cadência quase litúrgica. A repetição sincopada, quase como se fosse música, “há dor, há perdas, há sofrimento…” cria intensidade. O texto pede para ser citado, partilhado, recortado. Funciona.</p>



<p>Mas esse mesmo mecanismo, repetido ao longo de centenas de páginas, cansou-me um pouco. Cansaço mais psicológico, talvez. A frase lapidar, quando é permanente, deixa de surpreender. O impacto transforma-se em padrão. O que inicialmente seduz &#8211; a contundência emocional &#8211; acaba por soar a fórmula. Tenho medo de estar a ser injusto, confesso. E se tudo aquilo lhe saiu mesmo das entranhas?</p>



<p>É um relato de intensidade contínua. Não há zonas neutras, não há silêncios longos, não há espaços de respiração narrativa. Tudo é sentimento sublinhado. Tudo é significado declarado. Tudo é afirmativo.</p>



<p>No final, digo que o livro cumpre aquilo que o autor pretende: emocionar, confortar, oferecer frases que parecem verdades definitivas. Gostei. Mas também me cansei. E talvez essa tensão, entre adesão e saturação, seja a leitura mais honesta que posso fazer dele.</p>



<p>&#8220;Há dor, há perdas, há sofrimento, há medo, há angústias, há uma quantidade interminável de merdas que só servem para dar cabo de nós. Raramente as coisas boas cobrem as outras. O que cobre as outras, o que nos faz superar as outras, é o que construímos com elas”.</p>



<p>Talvez tenhas razão, Pedro. Mas onde se aprende a fazer essa construção, não nos dizes tu neste livro que termina com um enigma&#8230;</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/enigma-3.png" alt="" class="wp-image-47260" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/enigma-3.png 1920w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/enigma-3-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/enigma-3-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/enigma-3-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/enigma-3-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/enigma-3-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/enigma-3-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/enigma-3-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/enigma-3-1320x743.png 1320w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></figure>



<p></p>
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