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	<title>Arquivo de Vildemoinhos - Duas Linhas</title>
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		<title>O virtuosismo de uma lenda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Jul 2024 23:05:48 +0000</pubDate>
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<p>As Cavalhadas, no seu mais genuíno significado, constituem-se como uma lúdica reinvenção das guerras entre Mouros e Cristãos transferida desde inícios de uma Idade Moderna para as arenas festivas onde cavaleiros, envergando trajes alusivos às tropas cristãs e da mourama terçam armas para gáudio de festivaleiros. São residuais em Portugal continental e nos Açores e mantêm-se como poderoso atractivo no Brasil. Em Vildemoinhos (Viseu), escapam a essa original marcação.</p>



<p>Ao certo, ao certo, nós não sabemos quando aconteceu a primeira Cavalhada de Vildemoinhos, essa devota e festiva romagem que começou por ser de homens a cavalo, à distanciada capela de S. João da Carreira, lugar de privilégio, nas abas da cidade, para a solicitação, ao céu, de um graça mediada pelo santo protector. Até que houve um dia em que o curioso Padre Henrique Cid, pároco de Santos Evos quando faleceu, em 1916, se lembra de escrever a história da primeira Cavalhada de Vildemoinhos a S. João da Carreira (margem da cidade onde pousa a antiga Capela dedicada a S. João Baptista) com o mesmo sem rigor histórico com que inventara a história do João Torto (o primeiro homem a tentar voar, em Portugal, com asas por si construídas), da Maria Mentes, das Feiticeiras de Ranhados e outras mais, produto singular, todas elas, da sua desvairada imaginação.</p>


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<figure class="aligncenter size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/07/cavalhadas-5-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-35396" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/07/cavalhadas-5-1024x576.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/07/cavalhadas-5-300x169.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/07/cavalhadas-5-768x432.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/07/cavalhadas-5-1536x864.jpg 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/07/cavalhadas-5-696x392.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/07/cavalhadas-5-1392x783.jpg 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/07/cavalhadas-5-1068x601.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/07/cavalhadas-5.jpg 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Romagem dos Cavaleiros à Capela de S. João Baptista</figcaption></figure></div>


<p>Das primeiras Cavalhadas conhecidas falam-nos os jornais da cidade a partir de 1850 apenas. Descrevem sempre uma romagem de mascarados, seguindo a cavalo, nos burricos do tempo, os verdadeiros cavaleiros que a guiavam, quatro mordomos então e o Alferes da Bandeira, esses montados em belos corcéis, sem máscara, travestidos com trajes de fidalguia.</p>



<p>Afirmavam os jornais que era costume antiquíssimo. E assim mantêm o testemunho até que por meados dos anos quarenta do século XX se estabelece, sem crítica histórica, a data de 1652 como a data fundadora do evento, apenas porque o Dr. João Cid, sobrinho do Padre Henrique Cid havia publicado em 1937, num jornal de Viseu, alguns dos “Velhos Papéis” deixados por seu tio. E onde essa data aparecia.</p>



<p>Claro que o que lá se contava tinha foros de lenda que foi tomado por verdade. Sem que daí mal algum viesse ao mundo!&#8230; Até porque todas as lendas assentam em fundos de verdade.</p>



<p>Questões de águas sempre houve onde rio passasse e hortas se cultivassem ou houvesse azenhas ou moinhos para moer. Na ribeira do Pavia foi assim.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="655" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/07/viola-1024x655.jpg" alt="" class="wp-image-35400" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/07/viola-1024x655.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/07/viola-300x192.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/07/viola-768x491.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/07/viola-1536x982.jpg 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/07/viola-696x445.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/07/viola-1392x890.jpg 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/07/viola-1068x683.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/07/viola.jpg 1689w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Carro alegórico. Homenagem a Augusto Hilário (natural de Viseu) e ao Fado</figcaption></figure></div>


<p>As Actas da Câmara de Viseu referem esses episódios. Que o Juiz da terra resolvia a seu modo. Que o Rei, esse não cuidava, em seu Tribunal, de questões tão comezinhas.</p>



<p>Mas a lenda ficou inventada. Com seu delicioso desenho, essas desvairadas voltas pela cidade entre os moinhos, a capela, a Câmara da cidade quando em Vildemoinhos havia também casa de Câmara e pelourinho, as hortas dos campónios com as represas esbarrondadas.</p>



<p>De tudo resta, feliz, esta festa centenar, este brio dos “trambelos” (apelativo da gente de Vildemoinhos), alguns ainda de sangue, outros de adopção, que teimam, ano sobre ano, em lembrar o “milagre” antigo, devotos de S. João, o Santo que sempre chamaram de Precursor.<strong> </strong></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="674" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/07/baco-1024x674.jpg" alt="" class="wp-image-35403" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/07/baco-1024x674.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/07/baco-300x198.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/07/baco-768x506.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/07/baco-1536x1012.jpg 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/07/baco-696x458.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/07/baco-1392x917.jpg 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/07/baco-1068x703.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/07/baco.jpg 1640w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Carro alegórico (Pormenor). Baco. Homenagem ao vinho do Dão</figcaption></figure></div>


<p>E mágica se torna a jornada na clara manhã de 24 de Junho quando os foguetes anunciam a caminhada devota, quando os Cavaleiros (Alferes da Bandeira e Mordomos) se postam à frente do Cortejo que deambulará pelas ruas de Viseu animado por Bandas e Fanfarras e as mágicas construções dos Carros alegóricos animosamente construídos aos serões.</p>



<p>Fiéis, mesmo nestes estranhos tempos, ao seu patrono, reinventando a festa, reinventando a esperança e a alegria. Cumprindo uma promessa!&#8230;</p>



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