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	<title>Arquivo de Ordem Terceira de S. Francisco - Duas Linhas</title>
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		<title>O SANTO MALTRATADO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José Carlos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Oct 2025 15:09:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>fracturada em três partes, falta-lhe metade da cabeça e o resto do corpo, até aos pés, a partir dos quadris</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/10/o-santo-maltratado/">O SANTO MALTRATADO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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<p>No âmbito dos trabalhos de restauro efectuados recentemente no interior da Capela do Divino Espírito Santo, em Vide, na freguesia de Vila da Rua (concelho de Moimenta da Beira), foi encontrada, atrás do retábulo-mor – bem maltratada, a pobrezinha!&#8230; – a imagem de um santinho.</p>



<p>Com cerca de 46 cm de altura, fracturada em três partes, falta-lhe metade da cabeça e o resto do corpo, até aos pés, a partir dos quadris – como pode ver-se pelas fotografias que houve oportunidade de fazer. </p>



<p>Pressupomos que se trata de uma imagem de São Francisco de Assis, pois lhe descortinamos numa das mãos a Bíblia (representando o seu profundo amor pela palavra de Deus) e o que poderá ser a representação de uma pomba (pelo conhecido amor aos animais) ou de um cordeiro (simbolizando Jesus e remetendo para o sacrifício de Cristo, o &#8220;Cordeiro de Deus&#8221;, que São Francisco se esforçou para imitar através da pobreza e humildade), que são os elementos distintivos do santo, assim como o cíngulo com que apertava o hábito na cintura.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/EHlwog2.jpeg" alt="" class="wp-image-44604"/></figure>



<p>Será obra datável de inícios do século XV, quando os Franciscanos se estabeleceram em Vide, vindos de Lisboa, e acabaram por influenciar aquele que viria a ser o fundador do Convento de São Francisco de Caria, Gil Vasques, conforme nos relata Frei Vicente Salgado no manuscrito 220 (série vermelha) que está na Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa, <em>Memórias dos Conventos da Congregação da Terceira Ordem,</em> onde dá conta, a fls. 19v.-20, do Convento de S. Francisco, de Caria. Aí se declara expressamente (actualizamos a grafia):</p>



<p>«Feita a deixação do convento de Santa Sita, da Diocese Lisbonense, pelo Provincial Fr. João da Ribeira, se recolheram alguns de nossos primitivos em uma ermida, junto ao pequeno lugar de Vide, da freguesia da Rua, distante pouco menos de um quarto de légua do sítio onde se acha fundado o convento. A modéstia, pobreza, humildade e austera vida daqueles virtuosos e penitentes Terceiros fizeram sensível estimulo no coração de Gil Vasques, que, desenganado do mundo, abraçou o Instituto da Terceira Regra de S. Francisco, fazendo doação da sua Quinta do Paço a estes religiosos, por escritura celebrada em Caria, nas Casas do Tabelião Rodrigo Afonso, aos 28 dias do mês de Junho de 1443».</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/AWJwQeQ.png" alt="" class="wp-image-44608"/><figcaption class="wp-element-caption"><em>Fachada da Ruína da Igreja do Convento de S. Francisco</em>, freguesia de Rua, Moimenta da Beira</figcaption></figure>



<p>Quanto à estátua agora descoberta, tratos de polé ou descuidos acabaram por reduzir a imagem ao que hoje dela resta, não sendo fácil a sua reconstituição nem mesmo em desenho; constitui, no entanto, um testemunho, passível de ser preservado, dessa era, de importância maior para Vide. </p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/I9jr9K7.png" alt="" class="wp-image-44605"/></figure>



<p>Importa também referir que, na fachada principal desta capela, está embutida uma inscrição romana e na fachada lateral esquerda também se observa um silhar almofadado, sintomas claros da prístina ocupação humana do sítio.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/FwsB4nt.jpeg" alt="" class="wp-image-44603"/></figure></div>


<p>Quanto aos fragmentos da escultura, caso não se consigam ‘estruturar’, poderão guardar-se mesmo assim, singela memória de uma das primeiras imagens a receber a devoção por parte dos habitantes.</p>



<p>(artigo em co-autoria com  Gustavo Monteiro de Almeida e José d’Encarnação)</p>
</div></div>
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