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	<title>Arquivo de Matosinhos - Duas Linhas</title>
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		<title>POBREZA DESDE SEMPRE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Sep 2023 23:00:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>«Aberta aos pobres». Estranha, a inscrição em latim que jaz, solitária, no corredor do claustro do Fórum Cultural de Almodôvar: APERTAM PAVPERIBVS. Que se esconderá, afinal, por detrás de tão singular letreiro? Chama a atenção. Foi, decerto, verga de porta. De grauvaque local, tem 158 cm de comprimento, 32 de largura e 22 de espessura. [&#8230;]</p>
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<p>«Aberta aos pobres». Estranha, a inscrição em latim que jaz, solitária, no corredor do claustro do Fórum Cultural de Almodôvar: APERTAM PAVPERIBVS. Que se esconderá, afinal, por detrás de tão singular letreiro?</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1712" height="972" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/09/casa-dos-pobres-inscricao.jpg" alt="" class="wp-image-28570"/><figcaption class="wp-element-caption">Pedra com a inscrição <em>APERTAM PAVPERIBVS</em></figcaption></figure>



<p>Chama a atenção. Foi, decerto, verga de porta. De grauvaque local, tem 158 cm de comprimento, 32 de largura e 22 de espessura. O campo epigráfico – de 124 cm de comprimento e 21 de largura – foi aberto na superfície grauváquica, alisado, delimitado superiormente por ranhura que o separa da superfície do bloco deixada por alisar, o que denota se ter destinado esta parte a ficar escondida sob o reboco, deixando apenas o letreiro à vista. Não existe a correspondente ranhura inferior, por coincidir com a superfície inferior do lintel, que ficava à vista sobre a porta.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="1867" height="485" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/09/casa-dos-pobres-inscricao-2.jpg" alt="" class="wp-image-28572"/></figure>



<p>Enquadra o letreiro um rectângulo limitado, também ele, por ranhura singela e que deixa espaço de cada lado para a gravação da data : I7 e II, respectivamente.</p>



<p>O letreiro não oferece dúvida de leitura, apesar dos múltiplos nexos a que se recorreu para melhor aproveitamento do espaço disponível: AP, AMP e AVP são os nexos aqui presentes, chamando-se ‘nexo’ à utilização comum, por parte de duas ou mais letras, dos traços respectivos. Assim, a 2ª perna do A serviu de haste para o P; o A ficou metido na 1ª metade do M e, deste, o P aproveitou o último traço, assim como, de seguida, as letras AVP lograram ‘organizar-se’ com os traços que lhes serviam.</p>



<p>Assim lê-se:</p>



<p>I7 | APERTAM PAVPERIBVS | II</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="1920" height="1039" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/09/casa-dos-pobres-inscricao-3.jpg" alt="" class="wp-image-28574"/></figure>



<p>Data-se, pois, de 1711 e significa: «Aberta aos pobres». Também poderia traduzir-se «para os pobres». Na verdade, ambas as preposições – <strong>a</strong> e <strong>para </strong>– são aceitáveis, embora possam dar à frase duas conotações diferentes: a casa ‘foi aberta para os pobres’ ou a casa ‘está aberta aos pobres’. O uso do latim permite que ambas as interpretações sejam válidas e foi porventura essa ambiguidade que se procurou manter, ambiguidade acrescida, como está, pelo uso do acusativo <em>apertam,</em> a pressupor, para esse complemento directo, o subentendimento de um verbo transitivo.</p>
</div></div>



<p>Não vamos, porém, massacrar os nossos leitores com tais minudências gramaticais, porque – quer tenha sido aberta expressamente para os pobres ou manifeste apenas a intenção de dar guarida a quantos como tal se apresentassem – o certo é que o letreiro anunciava que os pobres eram bem-vindos. Casa paroquial seria, por estar escrita em latim, ou parte de convento de ordens mendicantes que a essa obra de caridade se dedicassem?</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>De acordo com os dados que lográmos apurar, a pedra estava inscrita na verga da porta de uma casa&nbsp;que foi demolida na&nbsp;aldeia do Rosário, freguesia do mesmo nome e concelho de Almodôvar, situada na Rua das Eirinhas,.</p>



<p>Segundo nos disseram Jaime Murta, neto de Manuel Joaquim, antigo proprietário, e Francisco António Deodato, pai da actual proprietária, Elisabete Deodato,  foi-lhes transmitido pelos mais velhos que a casa terá sido residência de padres,  em época recuada. Lembram-se de haver na casa &#8220;pilheiras&#8221;, ou seja, cantareiras abertas nas paredes, do tipo de altares, e pias, que se supõe reportarem à vivência dos antigos habitantes. </p>



<p>Em 1999, os responsáveis pelos serviços camarários ligados à Cultura e ao Património, houveram por bem recolher a inscrição e outro fragmento pétreo com uma cruz, tipo flor de lis em relevo, mui provavelmente pertencente ao mesmo edificado e que estavam &#8220;abandonados&#8221; no terreno. Ciente do seu valor histórico, o Sr. Francisco António Deodato, que tinha adquirido o imóvel, não hesitou em os ceder para a Câmara os ter em bom recato.</p>



<p>A pedra foi, na altura, depositada num armazém e daí trazida para o claustro do Convento de Nossa Senhora da Conceição (Fórum Cultural de Almodôvar), onde se encontra, a desafiar os investigadores locais para dela obterem mais adequado enquadramento histórico.</p>



<p>Datada dos primórdios do século XVIII, porventura testemunhos idênticos haverá dessa época. Certo é, porém, que manifesta uma preocupação assistencial digna de apreço. Em 1711, estava-se no reinado de D. João V, «O Magnânimo».</p>



<p>O letreiro faz-nos lembrar de imediato a designação Casa dos Pobres, por que virão a ser conhecidas institucionais criadas já nos primórdios do século XX.</p>
</div></div>



<p>Estamos a recordar uma das mais conhecidas e activas, a Casa dos Pobres de Coimbra. Fundada em 1935, no Pátio da Inquisição, mudou-se provisoriamente para a Praça do Comércio em 2001, donde saiu, em 2007, para um novo edifício em São Martinho do Bispo.</p>



<p>Também na Pampilhosa, foi criada, em 1938, uma Comissão de Assistência aos Pobres da Freguesia da Pampilhosa para – lê-se em documentação da altura – «acabar, dentro do possível, com esta miséria, facultando aos pobres desta freguesia o pão que até agora têm andado esmolando pelas portas.» Esta comissão iniciou o seu trabalho a 1 de Janeiro de 1939, ano em que construiu o edifício da “Casa dos Pobres”, que se manteve com essa finalidade enquanto preciso foi.</p>



<p>Lemos que, a 23 de Abril de 1932, foram aprovados pelo Governo Civil do Porto os primeiros estatutos da “Casa dos Pobres” (Albergues de Sant’Ana), em Matosinhos. Nessa mesma altura se criou a Associação de Assistência aos Pobres do Concelho de Matosinhos, com o objectivo de contribuir para a «extinção da mendicidade».</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Houve também em Guimarães a Casa dos Pobres (Lar de Sto. António), criada em 1934, que a si anexou a chamada «Cozinha Económica» para fornecer alimentação, a preços módicos, “às classes proletárias”.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="586" height="798" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/09/casa-dos-pobres-guimaraes.jpg" alt="" class="wp-image-28568"/><figcaption class="wp-element-caption">Casa dos Pobres de Guimarães</figcaption></figure></div>


<p>Sabemos que, em Cascais, uma das figuras relevantes de médico, o Dr. António Pereira Coutinho, falecido a 13 de Fevereiro de 1964, foi grande amigo dos pobres e bons serviços lhes prestou na Casa dos Pobres. Esta, que estava dotada de capela própria, como se documenta num postal ilustrado de 1950, e se encontrava precariamente instalada no edifício duma antiga fábrica de conservas, na Av. de Sintra, viria a ser dotada de novas instalações, cuja primeira pedra se lançou a 23 de Setembro de 1964, passando a chamar-se Casa de Repouso de Cascais.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="559" height="860" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/09/casa-dos-pobres-cascais.jpg" alt="" class="wp-image-28566"/><figcaption class="wp-element-caption">Capela da Casa dos Pobres de Cascais, num postal de 1950</figcaption></figure></div>


<p>Merecerá, pois, investigação – e porventura já mereceu – a criação destas Casas dos Pobres, de que esta, de 1711, terá sido, em Almodôvar, 200 anos antes, a pioneira! Na verdade, os poucos exemplos aduzidos apontam só para os anos 30 do século XX essa atenção generalizada.</p>



<p><sub>Artigo em co-autoria com Rui Cortes</sub></p>
</div></div>
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