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	<title>Arquivo de Marquês de Pombal - Duas Linhas</title>
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	<title>Arquivo de Marquês de Pombal - Duas Linhas</title>
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		<title>A casa onde nasceu o Marquês de Pombal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Jun 2021 11:26:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[História de Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[Marquês de Pombal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Onde nasceu o Marquês de Pombal, afinal de contas? O município de Sernancelhe diz que foi lá, em 13 de maio de 1669, mas em Lisboa há um velho palácio abandonado que tem uma placa onde se lê que &#8220;Nesta casa nasceu aos 13 de Maio de 1699 Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquez [&#8230;]</p>
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<p>Onde nasceu o Marquês de Pombal, afinal de contas? O <a href="https://www.cm-sernancelhe.pt/index.php/arquivo-de-noticias/item/2935-marques-de-pombal-nasceu-em-sernancelhe.html">município de Sernancelhe diz que foi lá</a>, em 13 de maio de 1669,<strong> </strong>mas em Lisboa há um velho palácio abandonado que tem uma placa onde se lê que &#8220;Nesta casa nasceu aos 13 de Maio de 1699 Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquez de Pombal, a quem a cidade de Lisboa deveu a sua reedificação depois do terramoto de 1755, consagrando por este facto a sua memória. A Vereação de 1923&#8221;.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/TS4J2J1.jpg" alt="" class="wp-image-10452"/></figure>



<p>Para resolver o dilema, Sernancelhe (vila portuguesa no distrito de Viseu, com cerca de 1 100 habitantes, sede do município de Sernancelhe) integrou um consórcio que está a financiar investigações e estudos sobre o homem que verdadeiramente mandou no país no reinado de D.José I &nbsp;(1750-1777). O Marquês foi baptizado com o nome Sebastião José Carvalho e Melo e foi um dos mais controversos políticos dessa época. Além do papel que desempenhou na liderança do Governo após o terramoto de 1755 que devastou Lisboa, foi ele quem mandou executar a família dos Távora e a expulsão dos jesuítas de Portugal.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i.imgur.com/v7ZqgWi.jpg" alt="" class="wp-image-10453" width="288" height="359"/></figure></div>


<p>O processo contra os Távora foi uma intriga sangrenta, Francisco Távora e dois filhos foram espancados em público e queimados, em Belém. A mulher de Francisco, Leonor, Marquesa de Távora, foi decapitada.</p>



<p>Enfim, é este homem que muitos admiram e até disputam a naturalidade. Lisboa, Oeiras e, agora, Sernancelhe, querem ligar-se intimamente à memória deixada por Sebastião. A verdade é que o malvado funciona como chamariz turístico. Um dia, ainda vamos ver a recriação das execuções públicas e dos açoites nos padres.</p>



<p>Em Lisboa, o velho palácio bem precisa que olhem por ele. A placa comemorativa, por si só, não sustenta paredes decrépitas, telhados apodrecidos, não repõe vidraças partidas nem azulejos roubados. &nbsp;</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" data-id="10455" src="https://i.imgur.com/5rdEWpc.jpg" alt="" class="wp-image-10455"/></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" data-id="10456" src="https://i.imgur.com/NvQegdi.jpg" alt="" class="wp-image-10456"/></figure>
</figure>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" data-id="10457" src="https://i.imgur.com/Fc6KsJ3.jpg" alt="" class="wp-image-10457"/></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" data-id="10458" src="https://i.imgur.com/JTKnHtw.jpg" alt="" class="wp-image-10458"/></figure>
<figcaption class="blocks-gallery-caption wp-element-caption"><em>fotos de Carlos Narciso</em></figcaption></figure>



<p></p>
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		<title>Os padres é que sabiam!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Aug 2020 05:12:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
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		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[História de Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[Marquês de Pombal]]></category>
		<category><![CDATA[terramoto de 1755 em Lisboa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Já não se nota tanto, mas sempre houve a tendência, nos estudos históricos, de seguir o que o filósofo Hegel (1770-1831) defendera: a um período de análise segue-se o de síntese, o qual, por seu turno, gera novas e mais fecundas análises. Recorde-se, por exemplo, que, no caso da história de Portugal, Oliveira Marques ousou [&#8230;]</p>
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<p>Já não se nota tanto, mas sempre houve a tendência, nos estudos históricos, de seguir o que o filósofo Hegel (1770-1831) defendera: a um período de análise segue-se o de síntese, o qual, por seu turno, gera novas e mais fecundas análises.</p>



<p>Recorde-se, por exemplo, que, no caso da história de Portugal, Oliveira Marques ousou fazer essa síntese: <em>História de Portugal desde os tempos mais antigos até ao governo do Sr. Marcelo Caetano</em> – <em>Manual para uso de estudantes e outros curiosos por assuntos do passado pátrio, </em>2 volumes,Edições Agora, Lisboa, 1972. Foi o sucesso que se conhece, inclusive devido à inexistência, então, de manuais de síntese e de manifesta intenção didáctico-pedagógica. Na verdade, possuo também a 12ª edição, que teve (pasme-se!) uma tiragem de 10&nbsp;000 exemplares, de Palas Editores, uma versão já «até à presidência do Sr. General Eanes».</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/EIFhkCr.jpg" alt="" class="wp-image-3407" width="360" height="288" /></figure></div>



<p>Seguiu-se-lhe o monumental <em>Dicionário da História de Portugal</em>, dirigido por Joel Serrão, publicado entre 1963 e 1971, aqui já com a intervenção de especialistas nos vários períodos e temas. Esse esquema voltaria a ser usado, na década de 90, na <em>Nova História de Portugal,</em> da Editorial Presença, também dirigido por Joel Serrão; nos 8 volumes da Editorial Estampa (a partir de 1993), sob direcção de José Mattoso; e nos 15 volumes da <em>História de Portugal: dos tempos pré-históricos aos nossos dias</em>, do Ediclube (1998), dirigidos por João Medina. Ou seja, nestes escassos vinte anos, cinco largas sínteses, o que constitui prova de quanto se investigou logo a seguir aos primeiros anos da liberdade no nosso País!</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/mPK51mA.jpg" alt="" class="wp-image-3408" width="238" height="329" /></figure></div>



<p>O testemunho mais representativo, a nível ocidental, dessa alternância análise / síntese foi, todavia, a <em>Enciclopédia ou Dicionário Racional das Ciências, Artes e Profissões,</em> obra publicada em França no século XVIII, por iniciativa de d’Alembert e Diderot, vasto empreendimento em 35 volumes, a que não foi alheio o terramoto de 1755. E compreende-se porquê: num período em que se preconizava o uso da Razão, de preferência às interpretações de teor religioso herdadas da Idade Média, o facto de – de um momento para o outro – quase no coração do Ocidente, inesperado e gigantesco cataclismo ter destruído uma cidade e, com ela, todo um manancial de memórias acumuladas ao longo de séculos, levou os intelectuais e os governos a porem a mão na consciência: há que salvaguardar a nossa memória!</p>



<p>Bem apoiado pelos seus conselheiros e eivado, também ele, das ideias iluministas («devemos ser guiados pela luz da Razão»!&#8230;), o Marquês de Pombal enviou a todos os bispos, em 1758, um questionário sobre três questões principais a nível local: as povoações (27 perguntas), as serras (13 perguntas) e os rios (20). Subjaz, portanto, a este inquérito uma preocupação de índole histórica (centrada nas povoações) e outra de teor geográfico: as serras e os rios. Em suma, um retrato total do País! De resto, para que nada faltasse, havia, em todos os pontos, a recomendação final de que era importante acrescentar «qualquer outra coisa notável que não vá neste interrogatório». As respostas deveriam ser enviadas à Secretaria de Estado dos Negócios do Reino e caberia ao Padre Luís Cardoso a compilação dos resultados obtidos.</p>



<p>Questionário enviado aos bispos porquê? – perguntar-se-á. Primeiro, por continuarem a ser autoridade respeitada; depois, porque eles o remeteriam aos seus párocos. E, na verdade, os padres é que sabiam! Eles é que estavam mais em contacto directo com a população, conheciam a palmo o território que lhes fora entregue, haviam estudado e até teriam documentação complementar no seu cartório paroquial.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i.imgur.com/8Ays2np.jpg" alt="" class="wp-image-3409" width="487" height="373" /></figure></div>



<p>E foi assim que surgiram as chamadas <em>Memórias Paroquiais,</em> recolha ímpar do que se sabia até então acerca de cada uma das 4073 freguesias existentes!</p>



<p>E logo o nome é significativo: <em>memórias! </em>Não se privilegiavam os documentos, que não muitos existiriam sobre o que se pretendia saber: que conventos, hospitais, templos, tradições religiosas, feiras, coisas antigas, personalidades notáveis, que estragos o terramoto provocara… Preferia-se o contacto com testemunhos vivos (Ai, os anciãos, aquela ‘biblioteca’ que tem de ser sempre bem aproveitada!&#8230;). E os párocos constituíam, não há dúvida, o veículo mais adequado, fiel e de confiança, para se chegar à fala com todos e se atingirem, assim, esses conhecimentos.</p>



<p>Em relação ao território cascalense, temos as mui circunstanciadas respostas dadas pelo reitor da igreja matriz de Cascais, Padre Manuel Marçal da Silveira, datadas de 6 de Abril de 1758, depois de se haver informado, como explicita logo no início, «com as pessoas mais nobres, cientes e peritas desta minha freguesia de Nossa Senhora da Assunção, matriz desta antiga vila de Cascais».</p>



<p>Já o cura da igreja da Ressurreição – a outra paróquia da vila – é muito menos explícito e sucinto que Marçal da Silveira e explica porquê:</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; «Estas são as notícias que pude alcançar, conforme as informações que me deram, porque não sou desta terra e há poucos anos assisto nela».</p>



<p>Transcreve Ferreira de Andrade, no seu <em>Cascais Vila da Corte</em> (p. XXVII-XXX), uma outra «sugestão» de resposta ao questionário por parte da freguesia da Ressurreição, subscrita pelo pároco Leandro dos Santos e Gusmão, que declara, no final, ter recorrido a «pessoas antigas» e a «notícias e individuações que me deram e eu tenho visto». Curioso, o termo ‘individuações’, que significa narrativas minuciosas.</p>



<p>A freguesia da Ressurreição abrangia também o Estoril e, por isso, temos apenas mais três respostas ao questionário do Marquês:</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; – A do cura António Coelho de Avelar, da freguesia de Nª Srª dos Remédios, Carcavelos, verdadeiramente sucinta, como que para despachar, tantos são os itens em que declara «não tenho que dizer». Veja-se, para exemplificar, a resposta à questão dos danos: «Padeceu bastante ruína no terramoto de 1755; porém, vão-se reparando»!</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2020/08/A-assinatura-do-cura-Avellar-scaled.jpg" alt="" class="wp-image-3410" width="560" height="250" /></figure></div>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; – A do cura Joaquim Coelho da Silva, de S. Domingos de Rana, datada de 8 de Abril de 1758, que também dá a impressão de ter sido feita só por fazer, sem parágrafos. Em três penadas, a resposta ao quesito 15: «Os frutos desta terra e desta freguesia são vinhos e pão de pragana, os maiores lucros deste povo procedem da abundância de pedra de cantaria».</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; – O cura de Alcabideche, Fortunato Lopes de Oliveira, também deixou itens por responder e estendeu-se mais na enumeração dos lugares e seus fogos.</p>



<p>Afinal, nem tudo eles sabiam – ou preferiram não dizer!</p>



<p>Contudo, quiçá não seja inoportuna uma pergunta, que tem a ver com aquele provérbio «casa roubada, trancas à porta»: o terramoto trouxe destruição em grande, muita gente morreu e o Marquês decidiu pôr trancas, para salvaguardar as memórias ainda vivas; o covid está a fazer os estragos que se conhecem – a que trancas vamos lançar mão?</p>
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