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	<title>Arquivo de garrafão de vinho com 3 mil anos - Duas Linhas</title>
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		<title>GARRAFÃO DE VINHO COM 3 MIL ANOS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jan 2025 19:39:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Quem inventou o vinho é difícil de dizer. A História não dá certezas e a arqueologia tem dificuldade em perceber onde e quem começou primeiro a produzir vinhos. Não havendo registos escritos na pedra, sobram os chamados livros sagrados para consultar com a devida distância. Por exemplo, os cristãos que conhecem as escrituras acreditam que [&#8230;]</p>
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<p>Quem inventou o vinho é difícil de dizer. A História não dá certezas e a arqueologia tem dificuldade em perceber onde e quem começou primeiro a produzir vinhos. Não havendo registos escritos na pedra, sobram os chamados livros sagrados para consultar com a devida distância.</p>



<p>Por exemplo, os cristãos que conhecem as escrituras acreditam que o primeiro vitivinicultor foi Noé. E também o primeiro bêbado. De acordo com várias fontes consultadas, a passagem bíblica de Génesis 9:20-25 refere que quando Noé chegou ao Monte Ararat tornou-se lavrador e cultivou uma vinha. Com as uvas produziu uma bebida de que gostou tanto que se embriagava e era frequentemente encontrado caído no chão nu. </p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/h38a5Tl.png" alt="" class="wp-image-39106" style="width:670px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Génesis 9:20-25</figcaption></figure></div>


<p>Pelos vistos, Noé não tinha boas ressacas. Lendas, exageros, claro está.</p>



<p>A cada nova descoberta, os pesquisadores refazem a História e as vinhas encontradas na região do Cáucaso, na Geórgia, com cerca de 2 mil anos, já foram ultrapassadas pelos fósseis de videiras, com cerca de 20.000 anos, encontrados num sítio arqueológico em Israel.</p>



<p>Mas o vinho não resiste tanto tempo, até porque as condições de armazenamento não eram pensadas para que o líquido perdurasse milénios. Os vinhos bebíveis mais antigos não têm mais de 200 anos, são raros e atingem preços astronómicos. Ou seja, não se sabe quase nada sobre o vinho que se fazia antes do século XIX, até porque a filoxera arrasou com as vinhas na Europa. Os pés de vinha que sobreviveram foram os enxertados com uma variedade americana que era imune à doença. Ou seja, o vinho que hoje bebemos não deve ter nada a ver com o vinho que os nossos decavós beberricavam.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O GARRAFÃO ENTERRADO</strong></h3>



<p>Há agora uma possibilidade de ficarmos a saber como era esse vinho. Arqueólogos chineses descobriram um túmulo com cerca de 3 mil anos onde estavam vários objetos que pertenceram ao falecido e um garrafão de vinho. O que é espantoso é que o garrafão estava cheio. São três litros de vinho ancestral.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/mFuVow0.jpeg" alt="" class="wp-image-39112"/><figcaption class="wp-element-caption">fotograma tirado da emissão do canal CCTV</figcaption></figure></div>


<p>O achado arqueológico foi detetado em 2010, mas o garrafão só agora foi aberto. Descoberto nas ruínas de Daxinzhuang, na cidade de Jinan, no leste da China, o túmulo remonta ao final da dinastia Shang – um período da história chinesa que se estendeu de aproximadamente 1600 a 1046 a.C.</p>



<p>Analisado o líquido no laboratório de pesquisa científica da Universidade de Shandong, os resultados mostraram que o líquido continha etanol, mas não açúcar nem proteína. Ou seja, este líquido não derivou de uma fermentação de arroz e foi destilado.</p>



<p>Os arqueólogos acreditam que este líquido alcoólico seja semelhante a um licor medicinal descrito em antigos livros de medicina, do tempo da Dinastia Han.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/vsVp74n.jpeg" alt="" class="wp-image-39114" style="width:478px;height:auto"/></figure></div>


<p>O segredo para estar tão bem preservado ao fim de 3 mil anos está no formato curvo do gargalo do garrafão, que terá evitado a evaporação. Além disso, este túmulo estava enterrado a 4 metros de profundidade, o que lhe garantiu não ser perturbado pelas atividades humanas à superfície durante todo este tempo.</p>



<p>Segundo os antigos livros de medicina chineses, esta espécie de aguardente de vinho não seria apenas para degustar pelo prazer, mas serviria principalmente como anti-inflamatório, entre outras finalidades medicinais.  </p>



<p>Pena que ninguém o tivesse provado. É através do palato que o vinho fala connosco.</p>
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