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	<title>Arquivo de as primeiras fakenews - Duas Linhas</title>
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	<description>Informação online</description>
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		<title>Os letreiros mentirosos!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Apr 2023 19:19:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Num mundo em que são diárias as notícias propositadamente forjadas para influenciar mentes e corações, certamente se pensaria que, em pedra, só a verdade ficaria definitivamente consignada. Boatos e falsidades só poderiam alimentar panfletos e pasquins, as pedras jamais! Que esculpir dá muito trabalho e não é fácil seguir as regras que a Epigrafia impõe. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Num mundo em que são diárias as notícias propositadamente forjadas para influenciar mentes e corações, certamente se pensaria que, em pedra, só a verdade ficaria definitivamente consignada. Boatos e falsidades só poderiam alimentar panfletos e pasquins, as pedras jamais! Que esculpir dá muito trabalho e não é fácil seguir as regras que a Epigrafia impõe.</p>



<p>Pois não é assim. Há mentiras gravadas na pedra, resultantes, boa parte das vezes, de contratempos que não houve meio de evitar!</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Em Cascais</strong></h2>



<p>Deliberou a Câmara Municipal de Cascais vedar ao trânsito duas das mais significativas artérias da vila.</p>



<p>Decisão acertada, que o Povo acabou por cabalmente compreender, ainda que fosse ideia quase revolucionária na altura, posteriormente adoptada por toda a parte e em todo o mundo.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Encantados com a novidade e até para se concretizar no chão esse carácter pedonal, de imediato se mandaram esculpir marcos com o brasão da vila e a data de 1980. Só dois anos depois (se não erro) é que, no entanto, os marcos se implantaram e a decisão se tornou efectiva.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/04/rua-direita-cascais.jpg" alt="" class="wp-image-25910"/><figcaption class="wp-element-caption">montagem fotográfica</figcaption></figure>



<p>A data de 1980 veicula, pois, uma formosa mentira!</p>
</div></div>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Em Sintra</strong></h2>



<p>Outro acontecimento maior da Grande Lisboa foi, a 11 de Setembro de 1999, a inauguração do Museu Arqueológico de S. Miguel de Odrinhas, freguesia de S. João das Lampas, Sintra.</p>



<p>Sonho longamente acalentado, projecto meticulosamente pensado, uma alegria imensa, com a presença de epigrafistas vindos de distintas universidades europeias, porque, no fundo, essa primeira fase do museu era principalmente destinada a mostrar os muitos e importantes monumentos epigráficos romanos da região.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Ocorreu, porém, um imprevisto: complicou-se a situação em Timor, na sequência de graves incidentes com os grupos pró-indonésios, que não aceitaram o resultado do referendo de 30 de Agosto de 1999, que votara a autodeterminação do território e, por isso, o primeiro-ministro, António Guterres, teve de ficar no seu gabinete, para tomar as decisões que, na oportunidade, poderiam ser necessárias e urgentes.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A placa, no entanto, estava feita. Não foi ele quem a descerrou nem ninguém, nesse dia, a ousou descerrar! Mas na pedra o seu nome ficou – para sempre!</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/04/odrinhas-placa.jpg" alt="" class="wp-image-25908"/></figure>
</div></div>
</div></div>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Em Évora</strong></h2>



<p>O Convento do Bom Jesus de Valverde, também conhecido por Conventinho de Valverde da Mitra de Évora, foi mandado edificar no século XVI pelo Cardeal Infante Dom Henrique, primeiro arcebispo de Évora e futuro rei de Portugal, nos terrenos da Quinta do Paço de Valverde, para albergar uma comunidade de frades capuchos.</p>



<p>Encerrou as suas portas em 1834, como os demais, na sequência do decreto liberal que determinou a extinção das ordens religiosas, e, tal-qual outros edifícios, andou em bolandas, sem se saber que dele fazer, até que, a partir de 1924, o governo de Lisboa, mau grado a oposição de algumas cidades – como Santarém – que desejavam manter a exclusividade do ensino agrícola, decidiu reabilitar esta jóia da arquitectura quinhentista para nela instalar a Escola Agrícola de Évora.</p>



<p>Com as obras praticamente acabadas, não podia o regime da Ditadura Nacional deixar os seus créditos por mãos alheias e, de imediato, se encomendou a uma das oficinas do bom mármore de Estremoz/Vila Viçosa elegante placa comemorativa digna de ser descerrada com  a requerida pompa e circunstância.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Só que tudo apontava para 1933 e, entrementes, com a entrada em vigor da Constituição Portuguesa de 1933, que institucionalizou o Estado Novo, a Ditadura Nacional deixou de existir! A placa perdeu validade e não chegou a ser afixada!</p>



<p>Em 1980, o convento foi incorporado na Universidade de Évora, que ora o tem de renda para alojamento local. A placa andou, pois, por aqui e por ali e mostra-se hoje no Laboratório de Arqueologia do Palácio Vimioso, no gabinete do Doutor Jorge Oliveira, professor catedrático de Arqueologia, a quem mui penhoradamente agradeço, a gentileza de me haver posto ao corrente de mais este letreiro… mentiroso!</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/04/placa-evora.jpg" alt="" class="wp-image-25909"/></figure>
</div></div>
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