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	<title>Arquivo de acusar o toque - Duas Linhas</title>
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	<title>Arquivo de acusar o toque - Duas Linhas</title>
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		<title>Ensaio sobre o toque</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Aug 2024 23:14:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Tanto o meu labrador como o gato ambos vemos que se sentem contentes ao sentir o toque de uma carícia dos donos. E, nos nossos dias, tornou-se já habitual terminar uma mensagem com a palavra «abraço(s)», que sentimos mais ternurenta que a pressa de um beijinho quase a despachar; o verdadeiro abraço jamais pode ser [&#8230;]</p>
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<p>Tanto o meu labrador como o gato ambos vemos que se sentem contentes ao sentir o toque de uma carícia dos donos. E, nos nossos dias, tornou-se já habitual terminar uma mensagem com a palavra «abraço(s)», que sentimos mais ternurenta que a pressa de um beijinho quase a despachar; o verdadeiro abraço jamais pode ser dado a fugir!</p>



<p>E fixei-me, por isso, na importância do toque e nas várias acepções desta palavra, riquíssima, afinal, de significados. Objectivos e subjectivos.</p>



<p>Lembro-me que, no momento da primeira vaga de refugiados ucranianos, se chegou a alvitrar o silêncio do toque da sirene dos bombeiros ao meio-dia, porque as crianças, recordadas do que tal lhes significara em cenário de guerra, ficavam de novo espavoridas.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/S7AxAHS.jpeg" alt="" class="wp-image-35530" style="width:1068px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">detalhe de A Criação de Adão, de Miguel Ângelo, no teto da Capela Sistina, Vaticano</figcaption></figure></div>


<p>Mas quantos toques não temos nós? Nem sempre portadores de alegrias, diga-se desde já.</p>



<p>– O toque da campainha da porta, da escola para começarem ou acabarem as aulas, o toque da buzina da fábrica…</p>



<p>– O toque como acto médico. Também não nos agrada lá muito.</p>



<p>– O toque rodoviário e as declarações e o seguro e a comunicação à polícia e o engarrafamento… bolas para o toque!</p>



<p>– O toque como sinal: «Dá-me um toque!», um beliscãozinho se estou a falar de mais e o melhor é calar-me já, ou para continuar a falar e deitar ainda mais lenha na fogueira; ou uma telefonadela a avisar que é tempo de sair da cama (qual toque de alvorada).</p>



<p>– O toque do telefone. Dantes, era sempre o mesmo e para toda a gente, o de casa, que outro não havia.; agora, não só o do telemóvel se escolhe como o de casa também, ao gosto de cada um e de acordo com as respectivas capacidades auditivas.</p>



<p>– O toque na tauromaquia refere-se, de ordinário, a algo não desejado. Ou é &nbsp;cornada no cavalo ou num dos humanos intervenientes, sobretudo nos moços de forcado e aí o melhor é acautelar-se mesmo.</p>



<p>– Importante é igualmente o toque na esgrima. «Touché!», grita o árbitro, atento, mesmo quando as espadas estão ligadas a um circuito que logo acusa o toque.</p>



<p>– «Acusar o toque!»: cá está uma expressão deliciosa. Significa, por exemplo, que o indivíduo não ficou indiferente diante de uma insinuação malévola, um reparo… e reagiu ou se pensa que irá reagir. «Touché», o vocábulo francês também aqui pode aplicar-se tanto no sentido negativo (de amuo) como no positivo (de contentamento &#8211; «Quanto me tocaram essas tuas palavras, Amor!»)</p>



<p>– O toque na fruta: «Amigo, esta maçã está tocada!». Há na casca o sinal de que o bicho a quis saborear primeiro que nós, o esperto.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/XrwBAPX.jpeg" alt="" class="wp-image-35533"/><figcaption class="wp-element-caption">detalhe de A Criação de Adão, de Miguel Ângelo, no teto da Capela Sistina, Vaticano</figcaption></figure></div>


<p>Tanto na tropa como nas corporações de bombeiros, por exemplo, há toques distintos: o toque de silêncio (uma maravilha!), o toque de sentido (solenidade!), o toque para descansar (que bom!). Recordo que, na semana de campo, um dos exercícios obrigatórios era ter de acordar a meio da noite, ao toque de «Inimigo!». Era desarredar à pressa a manta, agarrar na G3 e sair para a formatura já. Curiosamente, numa das minhas semanas de campo, o corneteiro não fora treinado para o toque de «Inimigo!», só sabia o toque de «Fogo!». Ficou, pois, assente: «Soldados, não é incêndio, é inimigo, entenderam?». E lá íamos nós em demanda do inimigo, fictício ou real, nunca se sabia como era. O toque é que era uma chatice, não nos deixava em sossego duas horas seguidas, estávamos em treino de guerra.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/MmWrhV3.jpeg" alt="" class="wp-image-35531"/><figcaption class="wp-element-caption">detalhe de A Criação de Adão, de Miguel Ângelo, no teto da Capela Sistina, Vaticano</figcaption></figure></div>


<p>E já que falamos em treino de guerra, há um outro toque, nem sempre pacífico, a que, amiúde, se tem de recorrer:</p>



<p>«Ouve lá, tu tens uns conhecimentos na Câmara, não é verdade? Poderias, se calhar, dá lá um toquezinho a alguém, a ver se aquele processo se despacha, que está encalacrado aí nalguma gaveta e não vejo meio de sair de lá. Um toquezinho era capaz de… que é que tu achas?».</p>



<p>Bem, o melhor é mesmo não tocar agora nessoutros toques e voltar ao do início, ao toque maior que nos encanta os dias e as noites: o abraço. Até já inventaram o «Dia Mundial do Abraço». Fui à Internet ver quando é: a 22 de Maio! Acho que devia ser todos os dias. Pelo menos, de vez em quando e várias vezes por ano, me aparece a mensagem «Hoje é o Dia do Abraço! Já abraçaste alguém?». E creio que nem sempre é a 22 de Maio.</p>



<p>Abracemo-nos. O conforto que traz o contacto quente dos nossos corpos, mais ou menos prolongado, sobretudo se prolongado, vale mais que aquela milagrosa &nbsp;mezinha caseira que outro alguém nos quis receitar para nos sentirmos melhor. Não aceitámos. Preferimos o abraço. Ou à nossa maneira bem portuguesa: o abracinho terno! Um dos casos em que o diminutivo (‘abracinho’) substitui, com esclarecido proveito, o aumentativo, o «abração», que lembra logo fortes palmadas nas costas. E isso de palmadas (ou mesmo palmadinhas…) nas costas a gente não gosta lá muito, porque são susceptíveis de trazer água no bico – e bicada, por mais ligeira que seja, nunca é toque que deveras se aprecie!</p>


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<figure class="aligncenter size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="478" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/o-toque-6-1024x478.png" alt="" class="wp-image-35529" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/o-toque-6-1024x478.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/o-toque-6-300x140.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/o-toque-6-768x359.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/o-toque-6-696x325.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/o-toque-6-1392x650.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/o-toque-6-1068x499.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/o-toque-6.png 1523w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">A Criação de Adão, de Miguel Ângelo, no teto da Capela Sistina, Vaticano</figcaption></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2024/08/ensaio-sobre-o-toque/">Ensaio sobre o toque</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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