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	<title>Arquivo de Viseu - Duas Linhas</title>
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	<title>Arquivo de Viseu - Duas Linhas</title>
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		<title>UMA MENINA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Apr 2026 08:30:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[UM CRONISTA DE PROVÍNCIA]]></category>
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		<category><![CDATA[pintura de Madrazo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>100 anos depois, foi descoberta a história da Menina de Madrazo.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/04/uma-menina/">UMA MENINA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há no Museu Nacional Grão Vasco uma pintura cuja oficial designação é <em>Retrato de Menina</em>, mais vezes apelidado, o quadro, de <em>A Menina de Madrazo,</em> como se ela, a Menina do retrato, da qual se não conhecia, até há pouco, nome nem família, tivesse sido adoptada pelo pintor.</p>



<p>É assim desde há muitos anos, desde que Francisco de Almeida Moreira, o emérito primeiro director do Museu, trouxe para Viseu a preciosa pintura, que adquirira em Lisboa, em 1931, lá onde chegara pelas mãos de um antiquário que, em 1927, a adquirira em Paris.</p>



<p>Quem via no Museu o tal <em>Retrato de Menina</em>, toda a gente, suspendia-se a olhá-lo, que era um retrato vivo e ternurento e ela, a Menina, ali estava, fada ou moura encantada, à espera de alguém, talvez príncipe enamorado, que rompesse o encanto e a trouxesse, de mão dada, ao nosso mundo, onde faltava.</p>



<p>Demorou quase 100 anos, mas agora aconteceu. Como nas lendas.</p>



<p>Não perdeu o encanto, que ela não era nem moura nem fada, mas tão simplesmente criança, oito anos contados quando pousou para o retrato. Aconteceu em Madrid o desvelar da sua história, que essa tem o seu encanto. Aconteceu no âmbito da investigação para a realização da exposição retrospectiva do pintor Raimundo Madrazo y Garreta (1841-1920), caucionada pela Fundación MAPFRE, que ficou presente na Sala Recoletos, de 19 de Setembro de 2025 a 28 de Janeiro de 2026, nela se integrando a pintura do Museu de Viseu.</p>



<p>E aconteceu sair do limbo a bonita história da Menina com jeito de princesa, que vem habitar a verdadeira terra dos homens, entre eles cumprindo sua sina.</p>



<p>Tem o nome de Maria, esta menina, Maria Freiin von Stumm, filha segunda, na geração, de Ferdinand Freiherr von Stumm (1843 &#8211; 1925), embaixador da Alemanha do seu tempo, em Madrid, entre 1887 e 1892 e da Baronesa Pauline Freiin von Hoffmann (1858 -1950).</p>



<p>O casal, cuja vida decorre entre a diplomacia e o familiar empenho na grande indústria, teve quatro filhos: Ferdinand, Maria, Herbert e Friedrich Wilhelm.</p>



<p>Maria, a menina do retrato que se guarda no Museu, casou a 18 de Maio de 1911 com o Príncipe Hermann Furst von Hatzfeldt-Wildenburg, que levou uma intensa vida como militar graduado e diplomata encartado. Deles houve quatro filhos, três raparigas e um rapaz. </p>



<p>Raimundo Madrazo, estanciando em Madrid, fará o retrato de Maria, o nosso <em>Retrato de Menina</em> cerca de 1890, quando Maria andava pelos oito anos; o retrato do irmão Ferdinand Carl, em 1890, ao fazer os dez anos; e o retrato de Friedrich Wilhelm em 1893, ao fazer os cinco anos.</p>



<p>Desfeito o suave mistério que, por tantos anos, envolveu a Menina do Retrato ou o “Retrato de Menina” com jeitos de princesa, que, na vida real, casou efectivamente com um verdadeiro Príncipe e teve por morada um Palácio verdadeiro, não se perdeu o encanto do retrato, que, com tanta verdade, Raimundo Madrazo pintou, obediente aos cânones de uma Escola e onde permanecerá, para sempre, essa magia que nos cativa – como se a Menina continuasse como mourinha ou fada de uma bonita história encantada.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="694" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/a-menina-2x-694x1024.png" alt="" class="wp-image-48495" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/a-menina-2x-694x1024.png 694w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/a-menina-2x-203x300.png 203w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/a-menina-2x-696x1027.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/a-menina-2x.png 732w" sizes="(max-width: 694px) 100vw, 694px" /><figcaption class="wp-element-caption">composição fotográfica Duas Linhas</figcaption></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/04/uma-menina/">UMA MENINA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>CRISTO EM CASA DE MARTA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Apr 2026 09:00:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[Museu Nacional de Grão Vasco]]></category>
		<category><![CDATA[pintura de Gaspar Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[pintura portuguesa do século XVI]]></category>
		<category><![CDATA[Viseu]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tábua pintada, cerca de 1535, por Gaspar Vaz</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Escrevemos, num dos últimos dias, a propósito da materialidade de uma <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/04/cristo-em-casa-de-marta/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/04/cristo-em-casa-de-marta/">tábua pintada</a></strong>, cerca de 1535, por Gaspar Vaz, colaborador que foi de Vasco Fernandes, o Grão Vasco, documento que, no solene espaço do Museu Nacional Grão Vasco, se afirma como repositório de múltiplas lições que nela se cumprem. Hoje completamos a tarefa de interpretar o quadro.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="987" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/jesus-em-casa-1024x987.png" alt="" class="wp-image-48406" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/jesus-em-casa-1024x987.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/jesus-em-casa-300x289.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/jesus-em-casa-768x741.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/jesus-em-casa-696x671.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/jesus-em-casa-1068x1030.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/jesus-em-casa.png 1120w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>Nessa imaginal <em>Sala Grande</em> de uma residência da Renascença, que habitualmente se situava no 1.º piso dos palácios, o <em>piano nobile</em> onde se recebiam os convidados, à volta dessa mesa montada sobre cavaletes recobertos pela preciosa tapeçaria dos mercados do Oriente e a toalha de linho adquirida na Flandres sentaram-se para tranquila refeição, quem sabe, o senhor dos nobres aposentos, Lázaro, figura interpretada como sendo a do encomendante, o Bispo D. Miguel da Silva, sentado à mão direita do Mestre. À mão esquerda de Cristo, o convidado principal, ao qual se destinou o lugar de honra, sentam-se os amigos que trouxera consigo: Pedro, a quem haveria de prometer as chaves da sua igreja, e João, que conhecemos como o “discípulo amado”.</p>



<p>A refeição estaria pronta a servir, que tal afirma a presença de uma serviçal que se suspendeu a caminho da mesa, nas mãos a iguaria, bem como o mordomo ou serviçal que sobe do jardim, com um cestinho das deliciosas peras, que colheu, ao tempo em que Marta parece ter entrado de rompante, ao ver que a irmã, Maria, que até a teria ajudado a preparar a refeição, a tinha deixado agora, ao chegar dos convidados e ali estava, sentada sobre uma esteira, deduzo, escutando, simplesmente escutando, atenta, a conversação do irmão e dos convidados, deles colhendo, certamente, informação acerca da nova doutrina que o Mestre trouxera. Apoia o rosto sobre o braço, que não lhe importam os ruídos exteriores, abandona a outra mão sobre o colo, onde tem pousado um livro, talvez da antiga Lei e escuta. Simplesmente escuta. Não era ainda o tempo em que uma mulher tivesse voz.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Marta surge da cozinha, não diz nada à irmã, mas estende, numa rispidez mal contida, estende o braço na direcção de Maria e é ao amigo da casa, Cristo, que ela havia decerto acompanhado tantas vezes, que parece censurar:</p>



<p><em>&#8211; Senhor, não se te dá que minha irmã me deixe só a servir? Diz-lhe, pois, que me venha ajudar”.</em></p>



<p>Lázaro, ao lado, suspende-se, estranhando, decerto, a atitude da irmã que compreende, mas não diz nada. Cristo, o amigo, não se perturba. Estende mansamente a mão direita para Marta e com a outra mão faz um manso sinal para que Pedro e João suspendam a conversa que entre os dois acontece.</p>



<p>E tranquiliza Marta, advertindo-a com bonomia:</p>



<p>&#8211; <em>Marta, Marta, andas inquieta e perturbada com muitas coisas; mas uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte que lhe não será tirada.</em></p>



<p>Cristo põe, deste modo, em correlação, duas atitudes na prática religiosa discutidas ao tempo, a prática da <em>vida contemplativa</em> a que Maria parece aspirar versus a <em>vida activa</em> que Marta escolheu, as duas, de qualquer modo, vias salvíficas.</p>
</div></div>



<p>Para terminar uma gostosa visita ao quadro, vale um atento olhar sobre a paisagem do janelão iluminado por um cenário urbano, que interpreta o desenho de uma gravura de Albrecht Dürer de título o <em>Regresso do</em> <em>Filho Pródigo</em>. E ainda, sobre a direita alta do quadro, nesse <em>quadro dentro do quadro</em>, vale a pena ler um episódio da vida de Santa Marta que, desembarcando em Marselha com Maria e Lázaro, intenta a pregação de uma doutrina nova. Confrontada com a terrível história da Tarrasca, que afligia as gentes de Tarrascon, conduz o dragão, aspergindo-o com água-benta, até Arles onde é morto. Facilitada ficava a sua missão apostólica na região. Imagem que interpreta uma outra gravura de Albrecht Dürer, <em>Melancolia I</em>.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="853" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/quadro-dentro-do-quadro-2-1024x853.png" alt="" class="wp-image-48409" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/quadro-dentro-do-quadro-2-1024x853.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/quadro-dentro-do-quadro-2-300x250.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/quadro-dentro-do-quadro-2-768x640.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/quadro-dentro-do-quadro-2-696x580.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/quadro-dentro-do-quadro-2-1068x889.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/quadro-dentro-do-quadro-2.png 1196w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>Um <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/04/cristo-em-casa-de-marta/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/04/cristo-em-casa-de-marta/">quadro</a></strong> para ver num Museu que, como este, integra diversos “Tesouros Nacionais”.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/04/cristo-em-casa-de-marta-2/">CRISTO EM CASA DE MARTA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>CRISTO EM CASA DE MARTA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Apr 2026 23:00:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quadro “CRISTO EM CASA DE MARTA E MARIA”, de Gaspar Vaz</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/04/cristo-em-casa-de-marta/">CRISTO EM CASA DE MARTA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>De uma demorada passagem pelo Museu Nacional Grão Vasco, essa emblemática casa de cultura de Viseu onde a pintura de Grão Vasco pontifica como “Tesouro Nacional”, uma pintura me cativa ainda, como sempre aconteceu, esse virtuoso quadro, de título “CRISTO EM CASA DE MARTA E MARIA”, que Gaspar Vaz, colaborador que foi de Grão Vasco, terá executado para a áulica Capela de Santa Marta, que D. Miguel da Silva mandara construir no Paço de Fontelo, onde Santa Marta figura como patrona.</p>



<p>Ficaremos, hoje, pelo sumário descritivo desta obra-prima, cuja materialidade é a de uma extensa tábua de castanho pintada a óleo onde se representa, num cenário intimista, quase familiar, uma refeição servida, ao findar de uma tarde, me parece, a ajuizar pela luz morna do janelão mainelado que descobre a paisagem.<br>Talvez tenha sido Lázaro, com o assentimento de suas irmãs que com ele coabitam nesse espaço de agradável mansão, a convidar o Mestre. que veio, nesse dia, trazendo apenas Pedro e João.<br>O serviço da refeição cumpre-se no amplo espaço de uma sala de aparato, espaço construído e decorado de acordo com padrões renascentistas que o Bispo D. Miguel da Silva trouxera da sua estada em Roma e cultivara.<br>Chamam-nos a atenção as poderosas colunas de jónica feição, que, sobre plintos volumosos, suportam um tecto apainelado, havendo a notar, como insólito, a cartela inscrita na face dos plintos, com a reprodução da heráldica do Bispo, sem dúvida, o encomendante: o “Leão entre silvas”.<br>Sobre um chão pavimentado com mosaicos de expressão hispano-árabe, levantou-se a mesa cerimonial da refeição, logo recoberta por uma rica tapeçaria oriental, cujo padrão testifica uma concreta origem. Sobre esta pousa uma branca toalha que, se pudéssemos tocar-lhe, distinguiríamos o tecido de linho relevado importado das oficinas da Flandres.<br>Sobre a mesa, algo despojada, ainda se encontram três pães. Nota-se, vazio, frente a João, um prato de estanho e uma pequena taça, mais longe. Pedro desdobrou já o individual guardanapo, que Cristo mantém ainda dobrado e nele repousa a faca de estanho para ulterior serventia.</p>



<p>Um pesado dossel, pano de honra, <em>drap d´honneur</em>, de nobre tecido de damasco talvez, desce do tecto, recobre a espaldas o espaço da mesa, descendo sobre esse espaço, frente ao qual se senta o nobre convidado.<br>À esquerda de quem olha, abre-se um aposento intimista onde, sobre as libertas prateleiras de um armário recobertas de linho pousam, resguardadas, peças de estanho, para serviço de aparato, que se acompanham de pequenos cântaros de fino barro vermelho, que pousam a deslado, talvez sobre um estrado.<br>Os convidados virão, sentar-se-ão nos lugares que o seu estatuto lhes consigna e a mesa depressa se tornará lugar de vivo conciliábulo, discurso breve que, todavia, expressa profundos conceitos de doutrina, a verdadeira mensagem do quadro.<br>Para <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/04/cristo-em-casa-de-marta-2/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/04/cristo-em-casa-de-marta-2/">ler num outro dia</a></strong>!…<br></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/04/cristo-em-casa-de-marta/">CRISTO EM CASA DE MARTA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>PEGADAS DE AQUILINO POR VISEU</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/03/pegadas-de-aquilino-por-viseu/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Mar 2026 15:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[LER LIVROS]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[UM CRONISTA DE PROVÍNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[Aquilino Ribeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Aquilino Ribeiro em Viseu]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Viseu]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Aquilino celebrou a terra, e o seu rasto ficou no eterno chão de Viseu,</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/03/pegadas-de-aquilino-por-viseu/">PEGADAS DE AQUILINO POR VISEU</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Ninguém, ninguém mais do que Aquilino Ribeiro celebrou em páginas de livro esta cidade. Viseu. Ninguém. Nem escritor nem poeta. De historiadores e cronistas não falo, que aí é vasto o trajecto, memoráveis os nomes, extenso o discurso.</p>



<p>Aquilino Ribeiro conheceu Viseu era jovem ainda e estudante encartado, já havia peregrinado com alguma demora por Lamego, <em>dormente </em>a cidade, lhe chamou enquanto Viseu a vai sentir <em>prazenteira, amável, buliçosa, jucunda. </em>Jucunda, escreveu ele. Agradável, queria ele dizer. “A melhor cidade para viver”, talvez quisesse dizer, premonitório.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Que viver aqui não viveu. Para além da pouca demora, em 1902, quando vem ao Liceu fazer exame de Filosofia, apenas tem uma curta pausa em 1928, mas aí vive entre as grades do Fontelo e da janela do calabouço pouco mais podia ver do que o longínquo horizonte da sua pátria, as Terras do Demo, para onde em breve irá romper caminho.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="284" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/um-escritor-2-1024x284.png" alt="" class="wp-image-47701" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/um-escritor-2-1024x284.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/um-escritor-2-300x83.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/um-escritor-2-768x213.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/um-escritor-2-1536x426.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/um-escritor-2-696x193.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/um-escritor-2-1392x386.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/um-escritor-2-1068x296.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/um-escritor-2-1320x366.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/um-escritor-2.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>


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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="354" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/terras-do-demo-1024x354.png" alt="" class="wp-image-47709" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/terras-do-demo-1024x354.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/terras-do-demo-300x104.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/terras-do-demo-768x266.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/terras-do-demo-1536x531.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/terras-do-demo-696x241.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/terras-do-demo-1392x481.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/terras-do-demo-1068x369.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/terras-do-demo-1320x457.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/terras-do-demo.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="317" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/geografia-1024x317.png" alt="" class="wp-image-47714" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/geografia-1024x317.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/geografia-300x93.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/geografia-768x238.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/geografia-1536x476.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/geografia-696x216.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/geografia-1392x431.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/geografia-1068x331.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/geografia-1320x409.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/geografia.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="313" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arcas-1024x313.png" alt="" class="wp-image-47717" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arcas-1024x313.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arcas-300x92.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arcas-768x234.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arcas-1536x469.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arcas-696x212.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arcas-1392x425.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arcas-1068x326.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arcas-1320x403.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arcas.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>Aquilino foi aedo, celebrou a terra, o chão de lavra, marginal, o chão de pedra levantada, a paisagem, gratuitamente estendida para gozo dos homens como a primavera em flor para deleite de insectos; e lembrou os homens, humanista de seu génio, que da humanidade transviada apenas queria arredar o mal.</p>
</div></div>



<p>E o seu rasto ficou no eterno chão de Viseu, no nome de um Parque, de uma Rua, de uma estátua. Mais fundo ficou nas letras de ouro do seu lavrar; mais ainda no coração dos homens que cultivam o humanismo de que se fez paladino e defensor; retrato seu de vaidade não deixou; e o bronze de um retrato que eu ajudei a construir e se implantou no chão da Rua Formosa, onde ele tantas vezes sedeou, ficou como vero documento de um homem inteiro, que algum tempo entre nós viveu e trabalhou.</p>



<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/03/pegadas-de-aquilino-por-viseu/">PEGADAS DE AQUILINO POR VISEU</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>PEDRAS QUE GUARDAM SEGREDOS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José Carlos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Feb 2026 09:00:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[PEDRAS ANTIGAS]]></category>
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		<category><![CDATA[os romanos em Tabuaço]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vestígios arqueológicos romanos ainda por estudar</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Assim, afigurou-se-nos digno de reparo o bloco de granito, paralelepipédico, que serve de lintel da janela de um edifício rústico na Rua do Polameiro, em Sendim, concelho de Tabuaço, por apresentar a face almofadada, que é uma característica da época romana, pormenor mostrado, em 6 de julho de 2025, por José Manuel Correia Alves na sua página do <em>Facebook</em>. </p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="518" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-1-e-2-1024x518.png" alt="" class="wp-image-47161" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-1-e-2-1024x518.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-1-e-2-300x152.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-1-e-2-768x389.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-1-e-2-1536x778.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-1-e-2-696x352.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-1-e-2-1392x705.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-1-e-2-1068x541.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-1-e-2-1320x668.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-1-e-2.png 1896w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Também na fachada voltada a noroeste da Antiga Casa da Colegiada, em Barcos, do mesmo concelho, descortinámos, embutida na parede, uma outra pedra, de granito, que apresenta faces almofadadas, conforme Fernando Moreira nos mostrou. Mede, na face dianteira, 26 cm de comprimento na parte superior, 31,5 cm na inferior e tem 39 cm de largura.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="518" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-3-e-4-1024x518.png" alt="" class="wp-image-47163" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-3-e-4-1024x518.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-3-e-4-300x152.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-3-e-4-768x388.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-3-e-4-1536x777.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-3-e-4-696x352.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-3-e-4-1392x704.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-3-e-4-1068x540.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-3-e-4-1320x668.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-3-e-4.png 1882w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Seguramente, porém, o achado mais significativo será o bloco de granito, identificado igualmente na freguesia de Sendim, à beira da Estrada Nacional nº 323, por nos mostrar restos de uma inscrição. Mede cerca de 43 cm de largura e 76 cm de comprimento.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="421" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-5-e-6-1024x421.png" alt="" class="wp-image-47165" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-5-e-6-1024x421.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-5-e-6-300x123.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-5-e-6-768x316.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-5-e-6-1536x631.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-5-e-6-696x286.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-5-e-6-1392x572.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-5-e-6-1068x439.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-5-e-6-1320x542.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-5-e-6.png 1901w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>De forma retangular, a pedra teve um sulco chato (não em bisel) a rodear o que pensamos ter sido o seu campo epigráfico, na medida em que cerca de 1/3 da sua superfície poderia ostentar uma inscrição, de que as primeiras duas linhas desapareceram totalmente por acção do ponteiro.</p>



<p>Há claros vestígios de três linhas depois, sem que seja possível, devido à irregularidade quase total dos traços, adiantar a identificação de qualquer letra que forme sentido. A nossa ‘vontade’ de aí ver antigo epitáfio romano destruído levou-nos, inclusive, a imaginar HSE no fim de penúltima linha, o que, a ser real, seria a habitual fórmula funerária romana H(<em>ic</em>) S(<em>itus</em>) E(<em>st</em>), «aqui jaz». Há letras soltas porventura identificáveis, aqui e além, como sendo do alfabeto latino: <strong>O</strong> na segunda metade da suposta linha 3; AVI na penúltima com o A e o V em nexo…</p>



<p>Que mistério ali se esconderá?</p>



<p>Curioso, o facto de se haver aproveitado o espaço entre o bloco e a pedra de baixo, ao nível do canto inferior direito, para aí se inserir uma ferradura, decerto para servir de argola de prisão para rédea de muar. Isso nos leva a pensar que as <em>garatujas</em> na pedra não terão, seguramente, passado despercebidas.</p>



<p>Será que, a seu respeito, alguma lenda se inventou? Haverá na tradição oral local algo que nos permita saber mais?</p>



<p>Para já, aqui fica a informação, no desejo de que, embora esteja praticamente ilegível, a inscrição não venha a sofrer danos, até porque, hoje, com novos métodos de leitura, se conseguem verdadeiros milagres! Oxalá!</p>



<p>Recorde-se, aliás, que, como se viu durante a elaboração da Carta Arqueológica, apresentada no dia 29 de outubro de 2025, Sendim, a mais extensa freguesia do concelho tabuacense, é, de longe e até ao momento, a que revela mais vestígios arqueológicos do período romano, mormente em Fontelo, em Vale de Vila, em Eira do Monte, nas imediações da Capela da Senhora do Bom Despacho, em Estercada Velha, em Vale de Igreja e na Pala. E… ainda não há notícia de monumentos epigráficos!</p>



<p>(em co-autoria com <strong><a href="https://duaslinhas.pt/category/sections/cronicas-de-opiniao/pedras-antigas-cronicas-de-opiniao/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/category/sections/cronicas-de-opiniao/pedras-antigas-cronicas-de-opiniao/">José d&#8217;Encarnação</a></strong>)</p>



<p></p>
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		<title>O CASTELO DE PENEDONO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Feb 2026 00:38:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[UM CRONISTA DE PROVÍNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[castelo de Penedono]]></category>
		<category><![CDATA[História de Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[Penedono]]></category>
		<category><![CDATA[Viseu]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A primeira notícia sólida colhe-se no Testamento da poderosa D. Chamôa  Rodrigues</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/02/o-castelo-de-penedono-2/">O CASTELO DE PENEDONO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Do Castelo de Penedono ancorado nesse promontório rochoso de onde se vigia, como se mar fosse, a interminável paisagem de vale e serra, ninguém sabe dos começos, do desenho, dos panos de muros inicialmente levantados, das pelejas acontecidas nos ermos territórios ao redor.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A primeira notícia sólida colhe-se no Testamento da poderosa D. Chamôa (ou Flâmula) Rodrigues que, recolhendo-se no ano de 960 ao Mosteiro de Guimarães, confia o castelo de Pena de Dono, actual Penedono, com outros vizinhos castelos – Trancoso, Sernancelhe, outros ainda – a sua tia, a Condessa Mumadona, que legará mais tarde todos os seus bens ao Mosteiro que fundara.</p>



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</div>
</div>



<p>Situado numa Extremadura de continuadas arremetidas de cristãos e mouros, vem a cair sob domínio muçulmano, por ocasião da passagem de Almançor para Compostela, em 997, voltando novamente à posse de cristãos, aquando da “Campanha da Beira” empreendida por Fernando I de Leão, entre 1055 e 1064.</p>
</div></div>



<p>Arruinado numa antiga feição que desconhecemos, sofrerá reparo, quando D. Sancho I outorga foral ao concelho em 1195, empreendendo, então, o repovoamento de um ermo território.</p>



<p>Mas será a partir de finais do século XIV, quando a nobilitada família dos Coutinhos recebe, por mercê d’ El-Rei D. Fernando, estes domínios, que o castelo ganhará a feição que hoje apresenta, adquirindo, já em fins do século XV, inícios do XVI, a qualidade acrescentada de residência senhorial dos membros desta importante família terratenente, possuidora de numerosas terras, onde se incluía Lamego, com largas casas de morada, Sernancelhe, Penedono, Trancoso e algumas mais.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Não repugna que Álvaro Gonçalves Coutinho, o célebre “Magriço” que a lenda aureolou, tenha nascido no Castelo de Penedono, dado que seu pai, Gonçalo Vasques Coutinho, Marechal e Fronteiro da Beira, bastas vezes teria de estanciar por terras do seu domínio.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/T5MlrdV.png" alt="" class="wp-image-46933"/></figure></div>


<p>Será, todavia, seu irmão, o primogénito Vasco Fernandes, 1.º Conde de Marialva, quem herdará o título de alcaide, que passará a outros membros da família, cuja linhagem estranhamente se extingue antes dos meados do século XVI, após a morte de D. Guiomar Coutinho, que não deixa geração.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex">
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</div>
</div>



<p>Pacificadas as fronteiras, alteradas as técnicas de guerra, o altaneiro castelo depressa sofre ruína: estremecem as pedras de seus muros de pedra miúda; o telhado desaba sobre o tabuado do chão de castanho do piso residencial onde só as janelas permanecem escancaradas; vazias de gente as pedras que a gente chama de namoradeiras; fendas abertas despejam a água da cisterna; desaparecem as traves que o gentio terá levado para habitação; e desolador se torna o retrato do castelo feito pelo cura que escreveu as “Memórias Paroquiais” em 1758.</p>



<p>Declarado Monumento Nacional em 1910, restaurado entre os anos 40 e 53 do século XX, pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais – ei-lo, sublime, eterna pátria do mítico Magriço, trágico e sedutor, dourado dos líquenes, dourado de nossas poéticas memórias.</p>
</div></div>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/02/o-castelo-de-penedono-2/">O CASTELO DE PENEDONO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>O CASTELO DE PENEDONO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Jan 2026 00:00:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[UM CRONISTA DE PROVÍNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[castelo de Penedono]]></category>
		<category><![CDATA[História de Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[magriço]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A primeira notícia sólida colhe-se no Testamento da poderosa D. Chamôa (ou Flâmula) Rodrigues</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Do Castelo de Penedono ancorado nesse promontório rochoso de onde se vigia, como se mar fosse, a interminável paisagem de vale e serra, ninguém sabe dos começos, do desenho, dos panos de muros inicialmente levantados, das pelejas acontecidas nos ermos territórios ao redor.</p>



<p>A primeira notícia sólida colhe-se no Testamento da poderosa D. Chamôa (ou Flâmula) Rodrigues que, recolhendo-se no ano de 960 ao Mosteiro de Guimarães, confia o castelo de Pena de Dono, actual Penedono, com outros vizinhos castelos – Trancoso, Sernancelhe, outros ainda – a sua tia, a Condessa Mumadona, que legará mais tarde todos os seus bens ao Mosteiro que fundara.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Situado numa Extremadura de continuadas arremetidas de cristãos e mouros, vem a cair sob domínio muçulmano, por ocasião da passagem de Almançor para Compostela, em 997, voltando novamente à posse de cristãos, aquando da “Campanha da Beira” empreendida por Fernando I de Leão, entre 1055 e 1064.</p>



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<p>Arruinado numa antiga feição que desconhecemos, sofrerá reparo, quando D. Sancho I outorga foral ao concelho em 1195, empreendendo, então, o repovoamento de um ermo território.</p>
</div></div>



<p>Mas será a partir de finais do século XIV, quando a nobilitada família dos Coutinhos recebe, por mercê d’ El-Rei D. Fernando, estes domínios, que o castelo ganhará a feição que hoje apresenta, adquirindo, já em fins do século XV, inícios do XVI, a qualidade acrescentada de residência senhorial dos membros desta importante família terratenente, possuidora de numerosas terras, onde se incluía Lamego, com largas casas de morada, Sernancelhe, Penedono, Trancoso e algumas mais.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Não repugna que Álvaro Gonçalves Coutinho, o célebre “Magriço” que a lenda aureolou, tenha nascido no Castelo de Penedono, dado que seu pai, Gonçalo Vasques Coutinho, Marechal e Fronteiro da Beira, bastas vezes teria de estanciar por terras do seu domínio.</p>


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<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/T5MlrdV.png" alt="" class="wp-image-46933"/></figure></div>


<p>Será, todavia, seu irmão, o primogénito Vasco Fernandes, 1.º Conde de Marialva, quem herdará o título de alcaide, que passará a outros membros da família, cuja linhagem estranhamente se extingue antes dos meados do século XVI, após a morte de D. Guiomar Coutinho, que não deixa geração.</p>



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<p>Pacificadas as fronteiras, alteradas as técnicas de guerra, o altaneiro castelo depressa sofre ruína: estremecem as pedras de seus muros de pedra miúda; o telhado desaba sobre o tabuado do chão de castanho do piso residencial onde só as janelas permanecem escancaradas; vazias de gente as pedras que a gente chama de namoradeiras; fendas abertas despejam a água da cisterna; desaparecem as traves que o gentio terá levado para habitação; e desolador se torna o retrato do castelo feito pelo cura que escreveu as “Memórias Paroquiais” em 1758.</p>



<p>Declarado Monumento Nacional em 1910, restaurado entre os anos 40 e 53 do século XX, pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais – ei-lo, sublime, eterna pátria do mítico Magriço, trágico e sedutor, dourado dos líquenes, dourado de nossas poéticas memórias.</p>
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		<title>AS ENGUIAS DA MURTOSA NA FEIRA DE S. MATEUS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Nov 2025 12:00:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
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		<category><![CDATA[feira de S. Mateus]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Manjar sempre apetecido na Feira de S. Mateus são as enguias da Murtosa em molho de escabeche.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/11/as-enguias-da-murtosa-na-feira-de-s-mateus/">AS ENGUIAS DA MURTOSA NA FEIRA DE S. MATEUS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Manjar sempre apetecido na Feira de S. Mateus são as enguias da Murtosa em molho de escabeche. A receita mantém-se inalterada, desde 1942, ano da fundação da “Fábrica de Conservas da Murtosa, L.da”, singular implantação de uma indústria caseira de preparação de peixe em molho de escabeche que hoje permanece, a COMUR – Fábrica de Conservas da Murtosa – adaptada aos novos tempos, fiel, todavia, aos antigos saberes-fazer.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="283" height="391" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/fabrica-de-conservas-da-murtosa.png" alt="" class="wp-image-45307" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/fabrica-de-conservas-da-murtosa.png 283w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/fabrica-de-conservas-da-murtosa-217x300.png 217w" sizes="auto, (max-width: 283px) 100vw, 283px" /><figcaption class="wp-element-caption">Imagem de calendário de 1948</figcaption></figure></div>


<p>Receita que traz à memória as tradicionais barricas de madeira com as espetadas de enguias, que depois se desprendiam dos pauzinhos de loureiro para o prato de faiança dos velhos modelos da louça de Sacavém sobre as mesas das bancas da Rua das Enguias, onde uma toalhinha de tecido azul e branco, aos quadrados, ficou na memória de tantos apreciadores do saboroso petisco.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="544" height="568" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/enguias-de-barrica.png" alt="" class="wp-image-45304" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/enguias-de-barrica.png 544w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/enguias-de-barrica-287x300.png 287w" sizes="auto, (max-width: 544px) 100vw, 544px" /><figcaption class="wp-element-caption">Espetada de enguias</figcaption></figure></div>


<p>De um anterior tempo, o peixe do mar do porto de Aveiro e de outros portos de mar chegava a Viseu, chegava à feira. Mais a sardinha. Enguias não as nomeia o<em> Foral manuelino</em> de Viseu, de 1514, nem Botelho Pereira nos idos de trinta do século XVII, nem as <em>Memórias Paroquiais</em> em 1758.</p>



<p>Registo escrito apenas se encontra nos finais do século XIX quando as “fritadeiras”, essas heroicas mulheres das bandas do mar visitavam certames, feiras e festas, onde assentavam por todo o tempo em que aqueles e estas demorassem.</p>



<p>Bancas improvisadas, lume de lareira, sertãs de frigir, tabuados de madeira e o cheiro acidulado das enguias saboreadas com batatas cozidas rachadas ao meio, pão e vinho, pelos apreciadores costumados, gente das aldeias que acorria aos recantos sombreados do pouso das vendedeiras, urbanitas que não desdenhavam do manjar.</p>



<p>Foi assim em Viseu, antes que a Rua das Enguias tivesse ganhado fama maior após 1942, quando as enguias se despejavam já dos pipinhos de pau, que, mais tarde, se fizeram de Folha-de-Flandres, de mais asseio, de manutenção mais segura, de idêntico apelo, talvez de diferente sabor.</p>



<p>Na Feira de S. Mateus, passam os anos, mantém-se a Rua das Enguias, uma efémera arquitectura diversamente traçada conforme modas e anos. As enguias sabem bem, como antes, com a companhia que associamos na mesa de madeira, mais cuidada, toalhinhas de plástico aos quadrados, toalha sobreposta de papel e guardanapos, mesmo encanto, pedaço de carcaça, o pão de trigo partido à mão, batatas cozidas com a casca, salada de alface, cebola e tomate, vinho do Dão que poderia servir-se numa pichorra de Molelos ou Barcelos, um caldo verde talvez, os velhos sabores recordados, apelos de vendedeiras, quase pregão, a banca cheia quando as luzes se acendem, quando um vozear de Babel dá pleno sentido a essa festa da gente que chamamos Feira de S. Mateus.</p>
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		<title>CASTANHAS DE OUTONO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Nov 2025 13:00:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[UM CRONISTA DE PROVÍNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[castanhas]]></category>
		<category><![CDATA[gastronomia medieval]]></category>
		<category><![CDATA[gastronomia portuguesa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As castanhas saboreavam-se frescas, cozidas, assadas, feitas pão, as falachas que eram cozidas na quentura do lar.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/11/castanhas-de-outono/">CASTANHAS DE OUTONO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Antes ainda da invenção dos cereais como fornecedores do pão, o pão quotidiano de que em nenhum dia prescindimos, esse matricial alimento dos homens pelos séculos fora, a castanha, que alguém já designou de “fruta-pão”, cumpriu esse singular requisito de dar-se em alimento através de uma lonjura de anos de cuja memória já nos desprendemos.</p>



<p>Quem, agora, habita a cidade ou mesmo quem reside na largueza das freguesias rurais do município viseense, não tem ideia do que seja um souto, não guarda qualquer impressiva memória de um velho castanheiro centenar como esses que, mais longe, ainda resistem nas ventosas encostas da Beira e que na sua solene mansidão e humilde postura nos espantam.</p>



<p>Todavia, os castanheiros cobriram o chão de Viseu, a margem da cidade e os alargados termos. Disso nos dá notícia o <em>Foral</em> de Viseu de 1514 que refere a presença das <em>castanhas verdes e secas </em>como susceptíveis de portagem. Da abundância de castanha dá franco testemunho o bem informado cronista Manuel Botelho Ribeiro Pereira nos <em>Diálogos Morais e Políticos.</em> que escreveu entre 1630 e 1636 e nos deixou. E os curas que, em 1758, obedientes ao seu bispo e ao rei, responderam ao Inquérito que o ministro deste lhes enviou, as agora ditas <em>Memórias Paroquiais</em>, registaram a castanha como um dos dominantes produtos da terra.</p>



<p>Cavernães, Cota, Lordosa, com <em>bastante castanha</em>, diz o pároco, Mundão, Silgueiros, Torredeita, com <em>muita castanha</em>, e o Padre Manuel Lopes de Almeida, um dos quatro curas da cidade afirma, assertivo, que <em>tem este lugar muitos e grandes soutos</em>, referindo-se ao território onde exercia o seu múnus e que se estendia das margens do Pavia até ao Monte de Santa Luzia, o velho castro habitado nos longínquos idos do “Bronze”.</p>



<p>Almeida e Silva, falecido em 1945, evoca a última vergôntea do assombroso <em>Castanheiro dos Amores,</em> que lhe terá servido de inspiração para pintar, agora na escrita e não com tintas, o trágico desfecho dos amores de Branca e de Fernão, um dos enamorados de Aljubarrota que da batalha prometera regressar e só o pôde fazer como dorido fantasma.</p>



<p>Nesse tempo, as castanhas eram substancial alimento que se acrescentava com os produtos das hortas, os cereais de pão, particularmente o milho, tardiamente chegado, as batatas só no tarde afectadas à cozinha, impostas à medida que as doenças e a cobiça dos homens faziam desaparecer os castanheiros.</p>



<p>As castanhas saboreavam-se frescas, cozidas, assadas, feitas pão, as <em>falachas</em> que eram cozidas na quentura do lar.</p>



<p>Secavam-se às rasas nos caniços de miúdo varedo da ampla cozinha dos lavradores e as castanhas secas, piladas, como se dizia, retirada a casca com a sábia maceração dos tamancos, eram moeda para pagamento de rendas a senhorios laicos e de dízimas aos mosteiros, eram mercadoria transacionada em mercados e feiras, saíam em cargas a fronteira do concelho, eram alimento de trabalhadores pelo verão fora. E eram caldo ritual no Domingo de Ramos, já uma vez contámos.</p>



<p>De tempo mais recente guardamos a doce memória dos pregões dos velhos assadores de castanha na Rua Direita, agora com novo pouso. Guardamos memória da convivialidade festiva dos “magustos”.</p>



<p>Hoje temo-las, as castanhas, no quotidiano, à nossa mesa, jeitos de cozinha “gourmet”, nos doces e saborosos caldos, como antigamente se dizia ou dando sabor e claro encanto a todo o género de “pratos” que nos servem, da carne ao peixe, aos enchidos, às sobremesas, que as transfiguram guardando-lhes o toque, essa memória que, demorada, permanece, esse gostoso paladar.</p>
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		<title>MULHERES E MÃES. HEROÍNAS DO QUOTIDIANO</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2025/08/mulheres-e-maes-heroinas-do-quotidiano/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Aug 2025 09:00:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[UM CRONISTA DE PROVÍNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[escultura de José de Oliveira Ferreira]]></category>
		<category><![CDATA[jardim das mães]]></category>
		<category><![CDATA[mãe]]></category>
		<category><![CDATA[Viseu]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>José de Oliveira Ferreira esculpiu a representação de uma jovem mãe velando o sonho de um filho, que dorme em seu aconchego.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/08/mulheres-e-maes-heroinas-do-quotidiano/">MULHERES E MÃES. HEROÍNAS DO QUOTIDIANO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="508" height="105" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mae.png" alt="" class="wp-image-43425" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mae.png 508w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mae-300x62.png 300w" sizes="auto, (max-width: 508px) 100vw, 508px" /></figure></div>


<p>A imagem que capta a imensa ternura de um gesto constitui-se como celebração de todas as mulheres e mães que ficaram sem nome nas tabelas da História, sem nome de Rua, sem busto na Praça, quando não chão de túmulo já esquecido.</p>



<p>Mães de aldeia e de cidade, esmoleres pela natureza de ser do coração atento e compassivo, bússola que guia o barco do navegar de seus filhos, astro se quisermos, estrela que se levanta com a alba e se apaga, ao entardecer, devagarinho. Fada do lar, porque não?</p>



<p>Os melhores sonos de nossas vidas em seu colo se dormiram. As mais inquietas noites por ela foram veladas. Mesmo na distância, aconchego sentido, mãos a acenar quando para longe se partia, olhos molhados, a mesa posta no regresso, braços estendidos, outra vez as lágrimas, mas de riso, riso aberto, feridas curadas, tantas vezes, quem sabe, na envolvência de um gesto.</p>



<p>De infinita graça a singeleza do monumento que ali se pousa em lugar tranquilo, onde o mistério reside e a poesia, jardim silencioso que só as abelhas habitam e as borboletas e as raparigas quando estão enamoradas e lhes apetece colher uma rosa em manhã fresca para prender no cabelo ou um ramo de violetas ou a coroa de um malmequer – <em>mal-me-quer-bem-me-quer</em> – e as pétalas caindo, uma-a-uma, no regaço, ou a pétala de rosa que guardam marcando as páginas de um livro.</p>



<p>José de Oliveira Ferreira (1883-1947), o inspirado autor, compõe esse ternurento quadro que representa uma jovem mãe, qualquer mãe, velando o sonho de um filho, qualquer filho, que dorme em seu aconchego, enquanto ela suspende o lavor das agulhas de bordar, cujo fio se desliga do novelo abandonado no regaço e, de mãos postas, eleva ao Céu uma prece.</p>



<p>A estátua, galardoada com o segundo lugar na XXVII Exposição da Sociedade Nacional de Belas Artes, foi oferecida pelo autor à cidade de onde era natural sua mãe e foi implantada no Jardim das Mães, em 15 de Novembro de 1946. Na sua base, a inspirada inscrição de onde se solta a habitual titulação: “O melhor sono de nossa vida, em que / na nossa alma, docemente penetra Deus”.</p>



<p></p>



<p><sup>*Maria Heloísa Fragoso de Matos Cid. Natural de Oliveira do Hospital (1908-1968)</sup></p>



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