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	<title>Arquivo de Umaro Sissoco Embaló - Duas Linhas</title>
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	<title>Arquivo de Umaro Sissoco Embaló - Duas Linhas</title>
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		<title>CRISE NA GUINÉ-BISSAU, MERCENÁRIOS DIGITAIS, DEGRADAÇÃO DO DEBATE DEMOCRÁTICO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João de Deus]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Feb 2026 00:00:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Pode um ex-Presidente da República ser privado do direito elementar de regressar à sua pátria?</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Numa democracia autêntica, a pluralidade de opiniões e de posicionamentos políticos não é apenas tolerada: é condição essencial da liberdade. Todavia, essa pluralidade só subsiste quando assente no respeito mútuo, na dignidade da pessoa humana e na aceitação do contraditório. Fora desses limites, a liberdade de expressão degenera em insulto, intimidação e violência simbólica.</p>



<p>Infelizmente, a vida política guineense conheceu, nos últimos anos, uma degradação profunda do debate público. Essa degradação não surgiu de forma espontânea nem acidental. Ela acompanha a ascensão de uma lógica política marcada pelo personalismo extremo, pela intolerância interna e pelo uso sistemático da agressão verbal como método de ação política.</p>



<p>Com a centralidade assumida por Domingos Simões Pereira na arena política nacional, instaurou-se uma cultura de confronto permanente que banalizou o insulto, legitimou a provocação e normalizou campanhas de ódio, sobretudo através das redes sociais. A política deixou de ser espaço de ideias para se transformar, demasiadas vezes, em arena de linchamento moral.</p>



<p>Desse ambiente emergiram os chamados mercenários digitais: grupos organizados, disciplinados e frequentemente telecomandados, cuja missão não é debater propostas ou projetos para o país, mas vigiar, intimidar, insultar e silenciar cidadãos guineenses que ousam pensar diferente. O que começou como agressividade verbal evoluiu para práticas ainda mais graves: perseguições pessoais, tentativas de agressão física e a construção de uma perigosa lógica de classificação dos cidadãos segundo a sua fidelidade política.</p>



<p>Muitos desses agentes operam a partir de capitais europeias, vivendo uma relação ambígua com a Guiné-Bissau: afastados fisicamente do país, mas profundamente envolvidos numa militância tóxica. Incapazes — ou indispostos — a regressar, optam por transformar a frustração pessoal em hostilidade política, colocando-se ao serviço de campanhas de intimidação contra compatriotas que, por razões profissionais, institucionais ou pessoais, circulam entre a Guiné-Bissau e a Europa.</p>



<p>Os factos são públicos e preocupantes. Personalidades guineenses com percurso conhecido e contributo efetivo para o país tornaram-se alvos de insultos, ameaças e tentativas de agressão. O seu único “pecado” foi nunca terem abdicado de pensar com autonomia nem de servir a pátria fora das lógicas de submissão política.</p>



<p>Este comportamento não é um fenómeno isolado. Ele reflete uma cultura política mais profunda, cuja origem está na crise interna do PAIGC e na forma como este foi progressivamente capturado por uma liderança que passou a confundir partido histórico com projeto pessoal.</p>



<p>Pela lógica estratégica adotada pelos correligionários de Domingos Simões Pereira, a Guiné-Bissau deveria aceitar a existência de cidadãos de primeira, de segunda e até de terceira categoria. Na sua ótica, tudo começa e termina nele: depois dele, é o dilúvio. Esta visão excludente traduziu-se na apropriação do PAIGC, na expulsão sistemática de opositores internos e na eliminação de qualquer espaço real de debate democrático dentro do partido.</p>



<p>Mais grave ainda, Domingos Simões Pereira nunca prestou contas de forma clara, regular e transparente aos órgãos estatutários do partido. A ausência de prestação de contas — princípio elementar de qualquer organização política séria — tornou-se regra. A isso somam-se denúncias recorrentes, nunca devidamente esclarecidas, sobre a alienação de bens do partido, incluindo viaturas alegadamente vendidas por familiares próximos. Independentemente da conclusão factual, o silêncio e a opacidade constituem, por si só, uma falha ética e política grave.</p>



<p>É essa mesma lógica — autoritária no interior do partido e agressiva no espaço público — que explica a intolerância face a qualquer iniciativa cívica que escape ao controlo do seu círculo político. Recentemente, um grupo de cidadãos guineenses solicitou audiência ao Presidente da República de Transição com o objetivo de discutir um plano que viabilize o regresso ao país do ex-Presidente Umaro Sissoco Embaló. O simples exercício desse direito constitucional desencadeou uma avalanche de insultos e ataques pessoais promovidos pelos mesmos circuitos digitais organizados.</p>



<p>Colocam-se, por isso, questões fundamentais para qualquer Estado de Direito: é ilegítimo que cidadãos defendam publicamente a libertação de Domingos Simões Pereira? Pode um ex-Presidente da República ser privado do direito elementar de regressar à sua pátria? É crime lutar politicamente pelo regresso ao país de um cidadão que exerceu legitimamente o cargo de Presidente da República?</p>



<p>Numa democracia, a resposta só pode ser negativa. O que é ilegítimo não é defender posições políticas, mesmo divergentes ou controversas, mas sim recorrer ao insulto, à intimidação e à perseguição como método de ação política.</p>



<p>A Guiné-Bissau enfrenta hoje um desafio central: restaurar a ética do debate público. Sem respeito pelo pluralismo, sem aceitação do contraditório e sem rejeição clara da violência verbal e simbólica, não haverá reconciliação nacional nem futuro institucional estável. Partidos históricos não podem ser transformados em propriedades privadas, e a política não pode continuar refém de projetos pessoais travestidos de causas nacionais.</p>



<p>Sem ruptura com estas práticas, não haverá democracia plena, apenas conflito permanente e degradação institucional.</p>
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		<title>GUINÉ-BISSAU: QUEM PARTIU O PAIGC</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Óscar Barbosa "Cancan"]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Oct 2025 15:29:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O recente e inesperado reencontro entre José Mário Vaz (JOMAV) e Domingos Simões Pereira (DSP) surpreendeu o país e reabriu feridas ainda não cicatrizadas</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/10/guine-bissau-quem-partiu-o-paigc/">GUINÉ-BISSAU: QUEM PARTIU O PAIGC</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O recente e inesperado reencontro entre José Mário Vaz (JOMAV) e Domingos Simões Pereira (DSP) surpreendeu o país e reabriu feridas ainda não cicatrizadas. Para muitos guineenses, esses dois nomes evocam um dos períodos mais turbulentos e penosos da história política recente da Guiné-Bissau: a crise institucional que começou em 2015 e cujos efeitos ainda hoje se fazem sentir.</p>



<p>Ambos saíram das fileiras do PAIGC e chegaram ao poder em 2014 sob promessas de reconciliação e progresso. Mas, em pouco tempo, transformaram a vitória em tragédia. O Presidente JOMAV demitiu o Governo de DSP em agosto de 2015, alegando “perda de confiança política”. A partir daí, a máquina do Estado entrou em colapso. A Guiné-Bissau viveu anos de incerteza, sucessivas nomeações de primeiros-ministros, bloqueios parlamentares, greves, e um retrocesso económico e social devastador.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Um partido dividido, um Estado paralisado</strong></h4>



<p>O PAIGC, partido histórico da libertação nacional, saiu mutilado dessa crise. Internamente dividido, perdeu o prestígio e a coesão que sempre o distinguiram. A criação do MADEM-G15 foi o reflexo desse desmoronamento.</p>



<p>A rivalidade entre JOMAV e DSP não apenas destruiu a estabilidade política, como abriu caminho para a fragmentação das elites e o regresso da desconfiança generalizada nas instituições.</p>



<p>As intervenções da CEDEAO e das potências regionais mostraram-se ineficazes. O país, novamente, ficou à deriva — sem autoridade, sem credibilidade e sem um rumo claro. O termo “narco-Estado” reapareceu nos relatórios internacionais, e a esperança de mudança parecia perdida.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>A emergência de um novo ciclo político</strong></h4>



<p>Foi neste vazio político e moral que surgiu Úmaro Sissoco Embaló, com um discurso de força, disciplina e reforma. Ao assumir o poder em 2020, o então Presidente apostou na estabilização do Estado, no combate ao narcotráfico e na reafirmação da soberania nacional.</p>



<p>Os resultados, embora sujeitos a debate, são visíveis:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>A Guiné-Bissau voltou a ter um governo funcional e previsível;</li>



<li>O país registou melhorias na gestão das finanças públicas;</li>



<li>As Forças Armadas foram modernizadas e afastadas da política;</li>



<li>A diplomacia guineense ganhou respeito e visibilidade em fóruns regionais e internacionais.</li>
</ul>



<p>A liderança de Sissoco Embaló rompeu com a cultura da hesitação e trouxe uma nova centralidade à Presidência da República. Sob a sua direção, o país recuperou autoridade, estabilidade e projeção internacional, três dimensões essenciais para a reconstrução do Estado.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O reencontro das sombras: pacto de conveniência ou sinal dos tempos?</strong></h4>



<p>O encontro entre JOMAV e DSP, embora apresentado como gesto de reconciliação, suscita dúvidas profundas. Será uma tentativa de reabilitação política de duas figuras desacreditadas? Será um movimento estratégico para reabrir espaço no jogo eleitoral e fragilizar as forças da coligação PAI–Terra Ranka? Ou será apenas o reflexo de um sistema político que, incapaz de se renovar, insiste em girar sobre as mesmas figuras e contradições?</p>



<p>O país mudou. O poder já não se constrói em reuniões secretas, mas no desempenho institucional e na estabilidade que o povo sente no dia-a-dia. O tempo dos improvisos e das intrigas passou.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Lições de um passado recente</strong></h4>



<p>A crise gerada por JOMAV e DSP foi, paradoxalmente, o ponto de partida para a consolidação do atual ciclo político. Dela nasceu a consciência nacional de que sem autoridade e estabilidade não há desenvolvimento possível.</p>



<p>Úmaro Sissoco Embaló encarna, neste contexto, o resultado e a resposta a essa aprendizagem coletiva: o líder que transformou o cansaço nacional em impulso de reconstrução. A Guiné-Bissau precisa de continuar esse caminho — não para servir homens, mas para consolidar instituições, proteger o Estado e garantir ao povo guineense o direito de viver em paz, com dignidade e progresso.</p>
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		<title>Guiné-Bissau: entre a Lei, o Poder e a Moral</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Óscar Barbosa "Cancan"]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Oct 2025 19:56:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A exclusão das coligações políticas PAI TERRA-RANKA e API CABÁS GARANDI do processo eleitoral.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Tudo começou com as dúvidas lançadas pela exclusão de algumas coligações políticas, nomeadamente a PAI TERRA-RANKA e a API CABÁS GARANDI, do processo eleitoral. Essa decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) levantou suspeitas, acusações e discursos inflamados. Muitos perguntaram-se: será o regime do Presidente Úmaro Sissoco Embaló o responsável por tais deliberações? Terá o Governo manipulado a Justiça para favorecer o poder? E por que motivo o Presidente do PAIGC, Domingos Simões Pereira, insiste em refugiar-se atrás da imunidade parlamentar, evitando responder às acusações judiciais que pendem sobre si?</p>



<p>As perguntas multiplicaram-se, e com elas as teorias, as paixões e as desconfianças. Falou-se até, com dramatismo político, de planos para “assassinar” o líder oposicionista. Mas a verdade, como sempre, é mais complexa do que as narrativas convenientes.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O Funcionamento das Instituições</strong></h4>



<p>O Presidente Úmaro Sissoco Embaló, longe de ser o ditador que alguns querem pintar, tem reiterado a sua fidelidade à separação de poderes e à autonomia do poder judicial. Nenhum decreto presidencial influenciou a decisão do STJ; nenhum ministro interferiu nas deliberações judiciais. A Guiné-Bissau, sob este regime, vive a consolidação de um princípio essencial: as instituições funcionam.</p>



<p>A decisão do Supremo, concorde-se ou não com ela, baseou-se em fundamentos jurídicos concretos &#8211; talvez excessivamente formais, talvez demasiado rígidos, mas não ilegais. O parecer jurídico elaborado após a deliberação identificou falhas técnicas e procedimentais, questionando se o tribunal não teria sido severo demais ao invocar “impossibilidade objetiva” de apreciação. No entanto, tais imperfeições não transformam uma decisão judicial em golpe político. São, antes, sintomas de um sistema que ainda aprende a equilibrar celeridade, rigor e justiça.</p>



<p>O Estado de Direito não é um palco para paixões partidárias. É uma construção diária que exige paciência, disciplina e respeito pelos ritos. O Executivo fornece as condições logísticas e financeiras; o STJ decide; a Comissão Nacional de Eleições executa. É este o equilíbrio que mantém a paz institucional e evita que o país mergulhe novamente no caos.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O Desafio Moral e Político</strong></h4>



<p>Mas se a legalidade é clara, a moralidade é outro campo de batalha. Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC &#8211; o partido fundado por Amílcar Cabral, símbolo da libertação e da ética revolucionária -, deveria ser o primeiro a honrar esse legado. A recusa em enfrentar a Justiça e esclarecer as acusações de corrupção (casos Resgate 1 e 2) mina a credibilidade do partido e fere a memória de Cabral.</p>



<p>Como pode um partido nascido da luta pela dignidade nacional esconder-se atrás de imunidades? Como pode um líder que invoca o patriotismo esquivar-se ao escrutínio da lei? O exemplo deve vir de cima, e o silêncio, neste caso, é uma forma de confissão moral.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>A Crise da Liderança Política</strong></h4>



<p>Num contexto mais amplo, a crise do PAIGC é também o espelho de uma realidade amarga que contamina toda a classe política guineense: a liderança baseada no dinheiro. Como escreveu o jovem analista Onésimo Lony Cinho, “liderança conquistada por dinheiro perde-se por falta de dinheiro”.<br>A frase, além de provocadora, é profundamente verdadeira. </p>



<p>O poder em Bissau tem-se tornado, demasiadas vezes, um negócio. As alianças fazem-se com promessas e desfazem-se por falta de pagamento. Partidos nascem da ambição, e não da visão; coligações formam-se por conveniência, e não por convicção. O MADEM-G15, outrora símbolo de renovação, também conheceu as tentações da política monetizada &#8211; e viu como rapidamente a coesão se evapora quando o dinheiro escasseia. Quem se junta por interesse, separa-se por conveniência.</p>



<p>A consequência é trágica: a política deixa de ser um espaço de serviço público e transforma-se num mercado de favores. A corrupção instala-se, o povo desconfia, e os verdadeiros patriotas afastam-se. A democracia torna-se cínica, e o Estado, refém de quem tem o bolso mais fundo.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O Caminho para a Maturidade Democrática</strong></h4>



<p>O desafio da Guiné-Bissau, portanto, é duplo: institucional e ético. Institucional, porque o país precisa consolidar a confiança nas suas instituições &#8211; tribunais, governo, parlamento e forças de segurança. Ético, porque precisa reencontrar o sentido de liderança como missão, e não como negócio.</p>



<p>As eleições de 23 de novembro serão um teste à maturidade nacional. Serão também um espelho: refletirão o tipo de país que os guineenses desejam ser. Se um país onde as leis são respeitadas, mesmo quando contrariam interesses partidários; ou um país onde a gritaria política tenta substituir a justiça pelos boatos.</p>



<p>O regime do General Úmaro Sissoco Embaló, com todos os seus defeitos e desafios, tem pelo menos um mérito incontestável: tem mantido a estabilidade institucional e a soberania do Estado. Num continente onde o poder muda ao som das armas, a Guiné-Bissau começa finalmente a provar que pode mudar pelo voto &#8211; e dentro da lei.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O Futuro que se Decide Hoje</strong></h4>



<p>A história guineense ensina que nenhum poder é eterno e que toda liderança é julgada não apenas pelos seus atos, mas também pela forma como respeita a lei e a moral. A legalidade sem ética é tirania; a ética sem legalidade é caos. O equilíbrio entre ambas é a essência do Estado de Direito.</p>



<p>Por isso, a verdadeira batalha da Guiné-Bissau não se trava entre partidos ou candidatos, mas entre o velho vício do oportunismo e a nova esperança da institucionalidade.</p>



<p>Aqueles que hoje acusam o regime devem antes olhar para dentro e perguntar-se: Que exemplo damos às novas gerações? Que país queremos deixar? E, sobretudo se temos coragem de ser julgados pela mesma lei que invocamos?</p>



<p>Se a resposta for “sim”, então a Guiné-Bissau já começou&nbsp;a&nbsp;vencer.</p>
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		<title>A PRESIDÊNCIA DA GUINÉ-BISSAU</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João de Deus]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Oct 2025 08:38:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Guiné-Bissau não pode, mais uma vez, regressar ao passado de golpes, crises e paralisia.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Com a aproximação das próximas eleições presidenciais e legislativas, a Guiné-Bissau enfrenta a hora da verdade. É o momento em que os guineenses devem olhar para o retrovisor da sua história política e tirar lições claras: compreender os erros, reconhecer as fraquezas e identificar, finalmente, os sinais de mudança.</p>



<p>Este exame radiográfico da Presidência guineense não é mero exercício académico; é uma reflexão política com valor estratégico. Porque, em política, não basta recordar: é preciso aprender para não repetir.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>A Presidência e os seus fantasmas</strong></h4>



<p>Desde a independência, a nossa história presidencial tem sido marcada por ciclos de repressão, improviso e instabilidade.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-full"><img decoding="async" width="156" height="234" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Luis_Cabral-edited.jpg" alt="" class="wp-image-44625"/><figcaption class="wp-element-caption">Luís Cabral</figcaption></figure></div>


<p>Luís Cabral (1973–1980) representou a continuidade do PAIGC revolucionário, mas o seu regime foi rapidamente marcado pela repressão, prisões arbitrárias e perseguições. O golpe de 1980 foi a consequência inevitável.</p>



<p>João Bernardo “Nino” Vieira (1980–1999; 2005–2009) surgiu como herói do 14 de Novembro, mas governou com mão de ferro. O trágico 17 de Outubro de 1985 simboliza o autoritarismo da época. O seu longo ciclo foi marcado por corrupção, narcotráfico e instabilidade, culminando na guerra civil de 1998 e, mais tarde, na sua morte violenta em 2009.</p>



<p>Kumba Ialá (2000–2003) encarnou a alternância democrática, vindo da oposição. Carismático e populista, criou grandes expectativas. Mas a improvisação, perseguições e decisões arbitrárias transformaram o seu mandato em sinónimo de instabilidade, até ser derrubado por mais um golpe militar.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="263" height="395" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Guinea-Bissau_Nino_Vieira-edited.jpg" alt="" class="wp-image-44627" style="width:150px" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Guinea-Bissau_Nino_Vieira-edited.jpg 263w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Guinea-Bissau_Nino_Vieira-edited-200x300.jpg 200w" sizes="(max-width: 263px) 100vw, 263px" /><figcaption class="wp-element-caption">Nino Vieira</figcaption></figure></div>


<p>Malam Bacai Sanhá (2009–2012) foi visto como figura de diálogo e consenso. Porém, a sua saúde debilitada e a persistente ingerência dos militares impediram avanços estruturais.</p>



<p>Presidentes interinos – Henrique Rosa, Raimundo Pereira e Serifo Nhamadjo – simbolizaram períodos de transição, sempre sob pressão militar, sem capacidade de reforma.</p>



<p>José Mário Vaz (2014–2019) chegou com legitimidade democrática, mas o seu mandato ficou refém de crises políticas intermináveis. Cinco anos de bloqueio institucional e orçamentos paralisados deixaram o país mergulhado na estagnação.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>A viragem com Úmaro Sissoco Embaló</strong></h4>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-full is-resized"><img decoding="async" width="400" height="533" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Jose_Mario_Vaz_2014-edited.jpg" alt="" class="wp-image-44629" style="width:150px" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Jose_Mario_Vaz_2014-edited.jpg 400w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Jose_Mario_Vaz_2014-edited-225x300.jpg 225w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" /><figcaption class="wp-element-caption">José Mário Vaz</figcaption></figure></div>


<p>Foi neste contexto de fracassos sucessivos que surgiu Úmaro Sissoco Embaló (2019–presente), cuja Presidência marca, sem dúvida, um ponto de viragem na história política da Guiné-Bissau.</p>



<p>Diferente dos seus antecessores, Umaro Sissoco Embaló:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Impôs estabilidade política ao controlar de forma firme as Forças Armadas, afastando a ingerência militar que durante décadas condicionou a vida nacional.</li>



<li>Projetou o país no exterior, conquistando novas alianças na CEDEAO, União Africana, CPLP, União Europeia, países árabes e Rússia, aumentando a visibilidade e o respeito internacional da Guiné-Bissau.</li>



<li>Apostou em obras visíveis, com investimentos em infraestruturas e reabilitações que estão a transformar o rosto das cidades e vilas.</li>



<li>Combateu a paralisia institucional, exercendo o poder com firmeza e evitando os bloqueios que paralisaram governos anteriores.</li>



<li>Disciplinou as finanças públicas, introduzindo reformas e maior rigor na gestão do Estado.</li>
</ul>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="882" height="1176" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Umaro_Sissoco_Embalo_en_2021-edited.jpg" alt="" class="wp-image-44631" style="width:150px" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Umaro_Sissoco_Embalo_en_2021-edited.jpg 882w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Umaro_Sissoco_Embalo_en_2021-edited-225x300.jpg 225w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Umaro_Sissoco_Embalo_en_2021-edited-768x1024.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Umaro_Sissoco_Embalo_en_2021-edited-696x928.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 882px) 100vw, 882px" /><figcaption class="wp-element-caption">Úmaro Sissoco Embaló</figcaption></figure></div>


<p>Em conclusão, Úmaro Sissoco Embaló foi o primeiro Presidente da República que implantou um verdadeiro &#8220;Projeto de Estado&#8221;.</p>



<p>Se olharmos para trás, vemos um padrão de instabilidade, autoritarismo, improviso e paralisia. Nenhum dos Presidentes anteriores conseguiu consolidar o Estado nem projetar a Guiné-Bissau no plano internacional.</p>



<p>É neste contraste que se revela a força política do presente: Úmaro Sissoco Embaló representa o primeiro verdadeiro projeto de Estado desde Amílcar Cabral. Ele quebrou o ciclo da instabilidade, disciplinou os militares, projetou a imagem do país e iniciou uma modernização visível.</p>



<p>O desafio agora não é apenas reconhecer esta viragem, mas consolidá-la. Porque a Guiné-Bissau não pode, mais uma vez, regressar ao passado de golpes, crises e paralisia.</p>



<p>A história mostrou o que falhou. O presente mostra o que funciona. O futuro dependerá da capacidade de <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/10/as-razoes-que-levarao-umaro-sissoco-a-vitoria/">manter a estabilidade</a></strong> e aprofundar a modernização. E isso é, hoje, a grande responsabilidade política da nação.</p>



<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/10/a-presidencia-da-guine-bissau/">A PRESIDÊNCIA DA GUINÉ-BISSAU</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>A HIPÓTESE DE APARECER UM OUTRO &#8220;IBRAHIM TRAORÉ&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Miguel Castro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Aug 2025 18:32:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[crise política na Guiné-Bissau]]></category>
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		<category><![CDATA[Umaro Sissoco Embaló]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O exemplo de Ibrahim Traoré, no Burkina Faso, pode ter influência decisiva numa mudança profunda na Guiné-Bissau?</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ao fim de cinco anos do Mandato de Úmaro Sissoco Embaló haverá eleições, legislativas e presidenciais, na Guiné-Bissau, no próximo mês de Novembro.</p>



<p>As especulações são inúmeras, as surpresas são diárias, as coligações mudam ao sabor dos ventos, os amigos transformam-se em adversários e novamente amigos, em semanas. Na realidade ninguém sabe quem é quem na vida política guineense.</p>



<p>Nos últimos cinco anos o País foi governado pela mão de ferro de Sissoco Embaló. Foi Presidente da República, presidiu a todos os Conselhos de Ministros e, garante quem conhece a Guiné-Bissau, foi ele quem nomeou, sempre, os Presidentes do Supremo Tribunal de Justiça e os Procuradores-Gerais da República. Nenhuma decisão, com o mínimo de importância a nível nacional, se concretizou sem o seu aval.</p>



<p>Destituiu a Assembleia Nacional, nomeando posteriormente uma nova Presidente, e conseguiu mudar os líderes de dois dos três maiores partidos do País só não logrando (ainda?) fazer ao mesmo ao PAIGC. O que, no momento actual, dada a cada vez mais contestada liderança de Domingos Simões Pereira, já não lhe merece a mesma preocupação embora seja, indubitavelmente, o seu maior problema,</p>



<p>Para compensar, tem as Forças Armadas ao seu lado.</p>



<p>Com base nestes pressupostos fácil será calcular que as eleições presidenciais serão um passeio para Úmaro Sissoco Embaló que, tudo indica será vencedor logo à primeira volta.</p>



<p>Resta o problema das legislativas.</p>



<p>A maioria dos observadores acredita que o PAIGC será o vencedor e a esse partido caberá a iniciativa de indicar o Primeiro-Ministro e constituir o Governo.</p>



<p>Isto porque o Madem15 e o PRS, perderam força devido à única jogada mal calculada do Presidente da República que criou guerras internas, num momento em que tal lhe era útil para aumentar o seu poder, mas que, hoje, o prejudica por estarem em conflito diminuindo o seu potencial eleitoral. A confirmar-se este cenário nada de muito bom se prevê.</p>



<p>Um Governo do PAIGC que Poder terá com um Presidente que pretenderá continuar a presidir, também, a todos os Conselhos de Ministros e, mesmo, à escolha dos seus membros? E se se recusarem a tal continuará o País a poder ser gerido por Governos de Iniciativa Presidencial ao arrepio da vontade popular? Torna-se, agora, muito mais difícil a continuação dessa prática absurda.</p>



<p>Não bastará ao Presidente mostrar obra feita (que a tem, e muita). A Guiné-Bissau progrediu imenso com mais obras feitas nestes cinco anos do que nos quarenta e cinco da gestão do PAIGC.</p>



<p>É hoje um País conhecido em todo o Mundo, graças às constantes viagens de trabalho do Presidente que conseguiu, no seu Mandato, presidir à CEDEAO e à CPLP, por exemplo. Foi recebido pelos líderes mais importantes de todo o mundo incluindo Trump, Putin, Xi Jinping, Friedrich Merz, Macron, e mais cem Chefes de Estado. Realidades que não se podem esconder.</p>



<p>Acresce, depois, um outro enorme problema: a dificuldade de Úmaro Sissoco Embaló criar equipas nas quais confie, ao ponto de lhes dar algum poder, pese embora ser indiscutível que a Guiné-Bissau tem quadros competentíssimos. E isso cria problemas e até inimizades mais ou menos camufladas. Terreno fértil para jovens ambiciosos, preparados e corajosos avançarem e, contrariamente ao que se possa pensar, há quem reúna esses atributos e, vários deles, nas Forças Armadas. A Guiné-Bissau tem Oficiais, com cursos tirados no estrangeiro, nas melhores escolas militares, muitos deles bem preparados também politicamente e com poder de liderança. O exemplo de Ibrahim Traoré, no Burkina Faso, pode ter influência decisiva numa mudança profunda na Guiné-Bissau? Os riscos são enormes.</p>



<p>A tendência é os jovens acreditarem cada vez menos nos actuais protagonistas. As redes sociais dão a conhecer outras realidades e os governantes, na sua maioria, só percebem isso quando já é demasiado tarde. Os comícios, as passeatas, as festas com milhares de seguidores gritando com fervor o nome dos candidatos, conseguem dar a ideia, por vezes errada, de um apoio incondicional que embriaga e distrai alguns políticos.</p>



<p>Daí a hipótese de aparecer um outro Ibrahim Traoré, agora na Guiné-Bissau. Eu, no lugar de Úmaro Sissoco Embaló, começaria a pensar, seriamente, nessa hipótese.</p>



<p></p>
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		<title>A POLÍTICA É FEITA DE INTERESSES, DINÂMICAS E MUTAÇÕES CONSTANTES</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João de Deus]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Aug 2025 23:00:36 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[instabilidade política na Guiné-Bissau]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Úmaro Sissoco Embaló dá sinais de querer corrigir o seu rumo político, promovendo uma reaproximação com os seus aliados de origem</p>
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<p>Na vida política, alianças mudam, apoios transformam-se, e os posicionamentos adaptam-se aos contextos. Nada disso é anormal, desde que os princípios e a ética sejam preservados. É assim em todas as democracias maduras, e a Guiné-Bissau não pode ser exceção.</p>



<p>Ontem, Braima Camará (MADEM-G15), Fernando Dias (PRS) e Nuno Gomes Nabiam (APU-PDGB) foram determinantes no apoio a Úmaro Sissoco Embaló (USE) até este alcançar a Presidência da República. Mas como é próprio da política, divergências surgiram com o tempo. O Presidente e os seus antigos aliados afastaram-se, e em vários momentos, as novas posições desses líderes até coincidiram com os interesses do PAIGC e do seu líder, Domingos Simões Pereira (DSP) — partido de onde, aliás, todos eles saíram, com destaque para Braima Camará.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="401" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/gb-3x-1024x401.png" alt="" class="wp-image-43367" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/gb-3x-1024x401.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/gb-3x-300x117.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/gb-3x-768x301.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/gb-3x-1536x601.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/gb-3x-696x272.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/gb-3x-1392x545.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/gb-3x-1068x418.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/gb-3x-1320x516.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/gb-3x.png 1835w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"> Braima Camará (MADEM-G15)                                               Fernando Dias (PRS)                                                         Nuno Gomes Nabiam (APU-PDGB)</figcaption></figure></div>


<p>Hoje, USE dá sinais de querer corrigir o seu rumo político, promovendo uma reaproximação com os seus aliados de origem. Estes, por sua vez, mostram abertura para o diálogo e a reconstrução da confiança, talvez também porque já perderam qualquer ilusão em relação a DSP. É neste quadro que se percebe melhor a lógica da política: nela, não há amigos ou inimigos permanentes, mas sim interesses, objetivos e projetos.</p>



<p>As declarações do passado, feitas num determinado contexto, estão agora a ser instrumentalizadas de forma oportunista &#8211; não para esclarecer, mas para confundir, difamar e insultar. Essa tentativa de reescrever a história recente visa apenas criar divisões artificiais, mas os guineenses conhecem bem os protagonistas e os seus percursos.</p>



<p>Uma coisa é certa: os líderes que hoje buscam uma reconciliação com Úmaro Sissoco Embaló não têm, nem terão, qualquer confiança política em Domingos Simões Pereira. E o povo guineense sabe exatamente.</p>



<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/08/a-politica-e-feita-de-interesses-dinamicas-e-mutacoes-constantes/">A POLÍTICA É FEITA DE INTERESSES, DINÂMICAS E MUTAÇÕES CONSTANTES</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>GUINÉ-BISSAU, A GUERRILHA CONTRA O REGIME</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2025/07/guine-bissau-a-guerrilha-contra-o-regime/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Jul 2025 21:47:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[CPLP]]></category>
		<category><![CDATA[crise política na Guiné-Bissau]]></category>
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		<category><![CDATA[Umaro Sissoco Embaló]]></category>
		<category><![CDATA[XV Cimeira da CPLP]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Domingos Simões Pereira (DSP) perdeu mais uma batalha na guerra que trava contra o atual Presidente da República da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló (USE)</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/07/guine-bissau-a-guerrilha-contra-o-regime/">GUINÉ-BISSAU, A GUERRILHA CONTRA O REGIME</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Domingos Simões Pereira (DSP) perdeu mais uma batalha na guerra que trava contra o atual Presidente da República da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló (USE).</p>



<p>DSP é secretário-geral do PAIGC, o maior partido da Guiné-Bissau, Presidente do Parlamento que foi dissolvido por USE na sequência de uma tentativa de <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2023/12/guine-bissau-presidente-dissolve-parlamento/">golpe de estado</a></strong> alegadamente liderada por DSP, no início de dezembro de 2023.</p>



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</div>
</div>



<p>O parlamento guineense nunca mais funcionou e a normalidade só será reposta depois de realizadas eleições legislativas,marcadas para 24 de novembro deste ano.</p>



<p>Desde então, DSP tem tentado congregar apoios, internos e externos, para remover USE da Presidência. Internamente, as Forças Armadas já reagiram às tentativas de alteração do regime, rejeitando <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2024/04/bissau-tropa-poe-paigc-em-sentido/">militâncias</a></strong> político-partidárias. Externamente, tem sido muito difícil combater a influência de um Presidente extremamente ativo na cena internacional, que tanto está no <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/03/putin-e-sissoco/">Kremlin</a></strong> como na <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/07/trump-quer-vender-armamento/">Casa Branca</a></strong>.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex">
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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="631" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/sissoco-com-putin-1024x631.jpg" alt="" class="wp-image-39885" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/sissoco-com-putin-1024x631.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/sissoco-com-putin-300x185.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/sissoco-com-putin-768x473.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/sissoco-com-putin-696x429.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/sissoco-com-putin-1068x658.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/sissoco-com-putin.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
</div>
</div>



<p>Agora, nas vésperas de se realizar a XV Cimeira da CPLP, DSP usou a condição de ser, formalmente, Presidente do Parlamento para tentar impedir que o evento se realizasse em Bissau, como previsto.</p>



<p>Foi assim que chegou uma carta à Assembleia Parlamentar da CPLP pedindo que se &#8220;recuse a dar cobertura institucional a eventos que contradigam os princípios democráticos e os fundamentos legais da nossa comunidade&#8221;, referindo-se ao evento.</p>



<p>O pedido foi indeferido. A resposta da CPLP foi lembrar que &#8220;foram marcadas as eleições para este ano, vamos fazer o devido acompanhamento, vamos criar condições para que possamos participar efetivamente como observadores”.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/07/guine-bissau-a-guerrilha-contra-o-regime/">GUINÉ-BISSAU, A GUERRILHA CONTRA O REGIME</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>TRUMP QUER VENDER ARMAMENTO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Jul 2025 22:43:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[geopolítica]]></category>
		<category><![CDATA[geopolítica americana]]></category>
		<category><![CDATA[Trump quer vender armas para África]]></category>
		<category><![CDATA[Umaro Sissoco Embaló]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os EUA querem os minérios de África e, em troca, propõem vender armamento. </p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/07/trump-quer-vender-armamento/">TRUMP QUER VENDER ARMAMENTO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Donald Trump recebeu cinco presidentes africanos na Casa Branca. Um encontro com pompa, sorrisos e declarações formais de amizade e parceria. Mas o conteúdo da conversa não foi tão diplomático. A proposta americana foi direta: os Estados Unidos querem explorar os minérios existentes nos territórios destes países e, em troca, propõem vender… armamento. Balas, drones, blindados, sistemas de vigilância. Um cardápio bélico, apresentado sem rodeios. A Casa Branca parece uma feira de material de guerra. Quando serão os saldos?</p>



<p>Nada de promessas de apoio ao ensino, à saúde ou à agricultura. Nada de referências à cooperação técnica, à luta contra a pobreza, às alterações climáticas ou à juventude africana. Para Trump, o continente africano é apenas um gigantesco depósito de recursos estratégicos &#8211;   lítio, coltão, ouro, urânio, petróleo, gás, diamantes, ouro &#8211; alguns deles muito úteis para a indústria americana e para o seu complexo militar-industrial. </p>



<p>É um regresso brutal à lógica colonial mais crua, mas com o léxico do século XXI. Não se fala em “civilizar”, mas em “negociar”. Não se promete evangelização, mas contratos. O espírito é o mesmo: explorar, extrair e controlar. Só que agora, em vez de espelhos e missangas, oferecem-se balas e helicópteros.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="945" height="631" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/trump-africa-2.jpg" alt="" class="wp-image-42910" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/trump-africa-2.jpg 945w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/trump-africa-2-300x200.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/trump-africa-2-768x513.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/trump-africa-2-696x465.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 945px) 100vw, 945px" /></figure></div>


<p>Os <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/07/trump-africa-negocios-e-geopolitica/">líderes africanos</a></strong> presentes mostraram-se cordatos, agradecidos, sorridentes. Compreende-se. Estavam em Washington, foram convidados, são pessoas educadas, já Trump é conhecido por reagir mal a qualquer forma de contrariedade. Mas o silêncio diplomático nem sempre é cumplicidade. À porta fechada, é possível &#8211; e desejável &#8211; que muitos destes líderes estejam a ponderar os custos reais de vender recursos estratégicos em troca de instrumentos de repressão. Nenhum povo africano se alimenta de munições.</p>



<p>Este “modelo de negócio” é também um espelho daquilo em que Trump acredita: o mundo como um mercado bruto, onde tudo se pode comprar e tudo se pode vender. A democracia, os direitos humanos, a estabilidade, não entram na equação. O que interessa é saber quem extrai, quem fatura, quem vende.</p>



<p>África não é ingénua. A história ensinou-nos, a ferro e fogo, que quem entra apenas para tirar, cedo ou tarde, é expulso, com ou sem cortesia. A questão agora é saber que visão têm os líderes africanos para os seus países? Continuarão a aceitar negócios que reforçam a dependência, a desigualdade e o autoritarismo? Ou encontrarão voz e coragem para recusar ser cúmplices de uma nova era de pilhagem mascarada de “parceria”?</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="853" height="569" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/trump-africa-4.jpg" alt="" class="wp-image-42911" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/trump-africa-4.jpg 853w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/trump-africa-4-300x200.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/trump-africa-4-768x512.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/trump-africa-4-696x464.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 853px) 100vw, 853px" /><figcaption class="wp-element-caption">Trump com os presidentes do Senegal, Mauritânia, <em>Libéria, Gabão e Guiné-Bissau</em></figcaption></figure></div>


<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/07/trump-quer-vender-armamento/">TRUMP QUER VENDER ARMAMENTO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>SISSOCO REUNIU COM ERDOGAN</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2025/03/sissoco-reuniu-com-erdogan/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Mar 2025 01:07:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[diplomacia da Guiné-Bissau]]></category>
		<category><![CDATA[Erdogan]]></category>
		<category><![CDATA[Turquia]]></category>
		<category><![CDATA[Umaro Sissoco Embaló]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sissoco Embaló tem mantido uma agenda internacional intensa, algo incomum para um líder da Guiné-Bissau</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/03/sissoco-reuniu-com-erdogan/">SISSOCO REUNIU COM ERDOGAN</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O presidente da Guiné Bissau visitou agora a Turquia, reuniu com Erdogan, numa altura delicada para o governo turco devido às manifestações de protesto pela detenção judicial de vários líderes da oposição.</p>



<p>A visita de Sissoco Embaló é um risco para o Presidente guineense. Os seus opositores políticos não deverão hesitar na tentativa de colar a imagem de Sissoco à repressão das manifestações turcas, tentando criar algum paralelismo com situações passadas em Bissau.</p>



<p>A interpretação desta visita pode variar conforme a perspetiva adotada, podendo ser vista tanto como uma demonstração de apoio ao governo turco, como uma continuidade das relações diplomáticas entre os dois países, sem necessariamente implicar uma posição sobre a situação política interna da Turquia.​</p>



<p>A Guiné-Bissau tem relações próximas com a Turquia. Empresas turcas têm em curso investimentos em infraestruturas, na agricultura e na segurança da Guiné-Bissau. Além disso, as visitas de Estado não costumam ser adiadas excepto em situações de grande sobressalto, o que não é o que se passa na Turquia, apesar de tudo.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="882" height="643" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-21-at-22.24.04-1.jpeg" alt="" class="wp-image-40451" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-21-at-22.24.04-1.jpeg 882w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-21-at-22.24.04-1-300x219.jpeg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-21-at-22.24.04-1-768x560.jpeg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-21-at-22.24.04-1-696x507.jpeg 696w" sizes="auto, (max-width: 882px) 100vw, 882px" /></figure></div>


<p>A solidariedade islâmica também pode ser um fator relevante, já que tanto a Guiné-Bissau como a Turquia são países de maioria muçulmana ou com forte influência islâmica. A Turquia tem procurado fortalecer laços com países da África Ocidental, especialmente aqueles com populações muçulmanas significativas, como parte da sua estratégia de influência global. Erdogan tem usado essa aproximação com nações africanas de maioria muçulmana para expandir a presença turca no continente, rivalizando com países como a França e a China.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O PRESIDENTE VOADOR</strong></h4>



<p>Umaro Sissoco Embaló tem mantido uma agenda internacional intensa, algo incomum para um líder da Guiné-Bissau e até para muitos chefes de Estado africanos.</p>



<p>Sissoco Embaló tem um estilo carismático e gosta de ser visto como um líder influente. Apresenta-se frequentemente como um mediador em crises africanas e um interlocutor entre África e potências globais. Esse protagonismo pode ser um fator importante na sua agenda de viagens.</p>



<p>Ao projetar uma imagem de estadista internacional, Embaló também consolida a sua posição entre os guineenses, ao mostrar que tem reconhecimento e apoios externos. É facto que tem sido um ator relevante na política africana, intervindo em crises regionais e mediando conflitos (como no Mali e na Guiné-Conacri).</p>



<p>O que é interessante é percebermos que <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/02/guine-bissau-e-russia/">Sissoco trata Putin por irmão</a></strong> e Macron manda o seu avião a Bissau para Sissoco almoçar com ele em Paris. Pode ser um elo interessante entre partes em conflito, ele transita entre diferentes blocos de poder, o que é raro para um líder de um país pequeno como a Guiné-Bissau. E consegue manter boas relações tanto com potências ocidentais (França, União Europeia, <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2024/09/eua-agradecem-ajuda-de-sissoco-embalo/">EUA</a></strong>) quanto com atores que desafiam a ordem global tradicional, como Rússia, Turquia e países do Golfo.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/03/sissoco-reuniu-com-erdogan/">SISSOCO REUNIU COM ERDOGAN</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>GUINÉ-BISSAU E RÚSSIA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Feb 2025 08:53:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[diplomacia da Guiné-Bissau]]></category>
		<category><![CDATA[Guiné-Bissau e a Rússia]]></category>
		<category><![CDATA[Umaro Sissoco Embaló]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Presidente da Guiné-Bissau, de todos os líderes de países de expressão portuguesa, deve ser aquele que mantém melhores relações com a Rússia. Foi um dos convidados presentes nas cerimónias do Dia da Vitória, em maio passado, em agosto de 2023 representou a Guiné-Bissau na Cimeira Rússia-África e agora lá está ele, novamente, no Kremlin.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/02/guine-bissau-e-russia/">GUINÉ-BISSAU E RÚSSIA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Presidente da Guiné-Bissau, de todos os líderes de países de expressão portuguesa, deve ser aquele que mantém melhores relações com a Rússia.</p>



<p>Foi um dos convidados presentes nas cerimónias do <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2024/05/russia-africa-gratidao/">Dia da Vitória</a></strong>, em maio passado, em agosto de 2023 representou a Guiné-Bissau na <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2023/08/russia-lembra-apoio-as-lutas-de-libertacao-africanas/">Cimeira Rússia-África</a></strong> e agora lá está ele, <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/03/putin-e-sissoco/">novamente, no Kremlin.</a></strong></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/02/guine-bissau-e-russia/">GUINÉ-BISSAU E RÚSSIA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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