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	<title>Arquivo de terramoto de 1755 - Duas Linhas</title>
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		<title>A igreja lascada</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Jul 2021 10:52:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Durante centenas de anos foi simplesmente uma igreja, a abadia do convento. Os árabes dizem abad quando querem dizer casa. Abadia é uma casa, portanto. E esta é uma das mais velhas igrejas de Lisboa. A primeira pedra foi lançada há 780 anos, quase oito séculos. Igreja mais antiga, em Lisboa, talvez só a Sé [&#8230;]</p>
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<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="A igreja lascada" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/sBhchqN4UjU?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
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<p>Durante centenas de anos foi simplesmente uma igreja, a abadia do convento. Os árabes dizem <em>abad</em> quando querem dizer casa. Abadia é uma casa, portanto. E esta é uma das mais velhas igrejas de Lisboa. A primeira pedra foi lançada há 780 anos, quase oito séculos. Igreja mais antiga, em Lisboa, talvez só a Sé Catedral que antes de ser igreja católica era mesquita muçulmana e já lá estava quando a cidade foi conquistada pela força das armas.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p>Em 1241 seria uma igreja pequena. Mas foi crescendo à medida das ambições e das vaidades e do poder de reis e cardeais. A igreja cresceu em dimensão e em importância. Tornou-se centro da política e da intriga. E à medida que a cidade foi crescendo, ficou cada vez mais no coração da cidade.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/422Ffup.jpg" alt="" class="wp-image-10820"/></figure>
</div></div>



<p>No século XVI Lisboa era uma espécie de capital do Mundo e esta igreja estava no centro da cidade, palco da intriga e dos jogos de poder.</p>



<p>Em 1506 foi nesta igreja que começou a matança de judeus recém-convertidos ao cristianismo. Sob estas abóbodas espetaram-se as primeiras facadas e jorrou o primeiro sangue de milhares de pessoas perseguidas por toda a cidade e mortas por ódio estúpido, por inveja, por maldade e pelo poder.</p>



<p>O castigo não veio dos céus, mas do centro da Terra. 25 anos depois, um terramoto destruiu o edifício e com a destruição perdeu-se o tesouro em oiro, prata e tecidos caros que ornamentavam a igreja.</p>



<p>Foi tudo reconstruído e novo tesouro reunido, para tudo voltar a cair e a desaparecer no terramoto de 1755. As pinturas dos altares, os paramentos, os tesouros, tudo desapareceu.</p>



<p>Reconstruída de novo, com mais e maiores colunas de mármore negro, com maior ostentação e riqueza que antes, tudo voltou a perder-se num grande incêndio em 1959… e durante 40 anos ninguém aqui voltou a entrar.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p>Hoje, a igreja mostra as suas chagas, as cicatrizes de tantas feridas, o mármore lascado, as paredes enegrecidas, as paredes fendidas, o chão rachado… uma igreja destruída, mas ainda de pé, obrigada a viver, como quem expia tantos pecados…</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/bUyFo4M.jpg" alt="" data-id="10821" data-link="https://duaslinhas.pt/?attachment_id=10821" class="wp-image-10821"/></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/ShBxfa7.jpg" alt="" data-id="10822" data-link="https://duaslinhas.pt/?attachment_id=10822" class="wp-image-10822"/></figure></li></ul></figure>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/prAfAlv.jpg" alt="" data-id="10823" data-link="https://duaslinhas.pt/?attachment_id=10823" class="wp-image-10823"/></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/IjiHvKN.jpg" alt="" data-id="10824" data-link="https://duaslinhas.pt/?attachment_id=10824" class="wp-image-10824"/></figure></li></ul></figure>
</div></div>



<p>Tiveram de passar 5 séculos para um Cardeal pedir perdão e, finalmente, se ajoelhar e rezar pelas vítimas do massacre.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p>Em frente à Igreja de São Domingos, gravado na pedra, está escrito que a Igreja católica reconhece profundamente manchada a sua memória por esses gestos e palavras, tantas vezes praticados em seu nome, indignos da pessoa humana e do Evangelho que ela anuncia… assinado por José, Patriarca de Lisboa.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p>Basta saber ler para compreender.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/XUnjQKG.jpg" alt="" class="wp-image-10825"/></figure>
</div></div>



<p></p>
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		<title>Antiga Ópera-Tejo escondida na Rua do Arsenal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[J B]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Jan 2021 23:38:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[LIFESTYLE]]></category>
		<category><![CDATA[museu da ópera]]></category>
		<category><![CDATA[Palácio da Ópera de Lisboa]]></category>
		<category><![CDATA[terramoto de 1755]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O fabuloso Palácio da Ópera-Tejo está escondido na ala poente do Terreiro do Paço. Foi mandado construir por D. José l, no tempo das “vacas gordas”. Inaugurado em 31 de Março de 1755. Durou apenas 8 meses, por causa do terramoto de 1 de Novembro do mesmo ano.&#160;&#160;Tinha capacidade para 600 pessoas, 38 camarotes e [&#8230;]</p>
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<p>O fabuloso Palácio da Ópera-Tejo está escondido na ala poente do Terreiro do Paço. Foi mandado construir por D. José l, no tempo das “vacas gordas”. Inaugurado em 31 de Março de 1755. Durou apenas 8 meses, por causa do <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Sismo_de_Lisboa_de_1755">terramoto de 1 de Novembro</a> do mesmo ano.&nbsp;&nbsp;Tinha capacidade para 600 pessoas, 38 camarotes e tribuna real. E deslumbrava pelo &#8220;<em>muito ouro em ornatos</em>&#8220;.</p>



<p>Depois do terramoto, as ruínas da Ópera-Tejo foram incorporadas num novo edifício no extremo da ala poente do Terreiro. Prolonga-se pelo actual edifício da Rua do Arsenal em direcção ao Cais do Sodré, ocupado pela Marinha.</p>



<p>Basta entrar no Pátio da Galé e olhar os arcos e meios-arcos. Os&nbsp;arquitectos da Baixa Pombalina ainda sonharam em reconstruir a fabulosa opera. A fama tinha corrido pela Europa fora, após a estreia de &#8220;Alessandro nell&#8217;Indie&#8221;&nbsp;de&nbsp;<a rel="noreferrer noopener" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/David_Perez" target="_blank">David Perez</a> (que teve em cena 400 pessoas entre cantores e figurantes, o que mostra a grandiosidade do teatro), com libreto de&nbsp;<a rel="noreferrer noopener" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Pietro_Metastasio" target="_blank">Pietro Metastasio</a>.&nbsp;O Marquês de Pombal achou não serem tempos para luxos. E fez mal.</p>



<p>Aline Hall, uma mulher inteligente e teimosa, teimou em fazer do edifício da Marinha um museu da ópera. Ficaria ali o luxuoso guarda-roupa do Teatro S. Carlos, que um dia poderá arder com tantos cenários e adereços. É a nossa sina. O fogo levou-nos a Igreja de S. Domingos, A Escola Politécnica, o Teatro D. Maria II. E fiquemos por aqui. Que tal fazer restaurar o que resta da Ópera-Tejo? Tirando de lá a Marinha.</p>



<p>Há cerca de 7 anos, a Universidade de Évora desenvolveu um projeto de arqueologia virtual, com a &#8220;reconstrução&#8221; de edifícios e locais destruídos pela terramoto de 1755. Se quer ter uma visão do que foi a Ópera de Lisboa do século XVIII, veja este vídeo:</p>



<figure class="wp-block-embed-vimeo wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Real &amp;Oacute;pera do Tejo (ancient Lisbon Royal Opera House)" src="https://player.vimeo.com/video/80363860?dnt=1&amp;app_id=122963" width="696" height="392" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption>vídeo</figcaption></figure>
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		<title>As histórias do Palácio dos Estaus e da igreja de São Domingos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Jan 2021 00:11:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 1506 a população de Lisboa estava a ser dizimada pela Peste Negra. Não havia conhecimento científico capaz de parar com aquele contágio mortal. O desespero levava as pessoas para as igrejas, onde rezavam por ajuda divina. Numa dessas missas, alguma coisa aconteceu que despoletou um ação de grande violência contra a minoria judia que [&#8230;]</p>
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<p>Em 1506 a população de Lisboa estava a ser dizimada pela Peste Negra. Não havia conhecimento científico capaz de parar com aquele contágio mortal. O desespero levava as pessoas para as igrejas, onde rezavam por ajuda divina. Numa dessas missas, alguma coisa aconteceu que despoletou um ação de grande violência contra a minoria judia que vivia na cidade. Relatos da época falam em mais de 4 mil mortos. Queimados vivos. Uma espécie de holocausto à escala da época e do reino. A velha igreja de São Domingos ficou, assim, para sempre, marcada por esse horror que durante dias queimou gente viva ali mesmo. </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/bChIhlH.jpg" alt="" class="wp-image-6566"/><figcaption>pintura representativa do massacre de Lisboa</figcaption></figure>



<p>Dizem que foi um sítio amaldiçoado a partir de então. Vinte cinco anos mais tarde, um prenúncio do cataclismo que iria acontecer, a igreja de São Domingos ficou parcialmente destruída por um sismo.  Em 1755 voltou tudo a ser deitado abaixo, no grande terramoto que destruiu a cidade.</p>



<p>A 50 metros de distância da porta da igreja estava o Palácio dos Estaus. Pois foi ali mesmo que se instalou a Casa do Despacho da Santa Inquisição. Durante 300 anos, a Inquisição Portuguesa perseguiu, julgou e puniu pessoas acusadas de cometer crimes considerados heréticos. As vítimas eram, quase sempre, judeus. Ou mulheres, as bruxas. Morreu muita gente, Lisboa guarda essas memórias e um dia há de ser dia de pedir perdão por tantos pecados.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/NRtfC8g.jpg" alt="" class="wp-image-6567"/></figure>



<p>Por isso, foram muitas as pragas rogadas e o edifício pagou esse preço. O então chamado Palácio dos Estaus caiu com o terramoto de 1755. Demoraram 50 anos a reconstrui-lo e lá se instalaram gabinetes do governo monárquico da época durante muitos anos. Era Ministério das Finanças quando foi de novo destruído. Dizem que foi um súbdito arruinado pelos impostos que lhe pegou fogo. A verdade é que o edifício ardeu em poucas horas, com as chamas alimentadas por toneladas de papeis processuais de cobranças de impostos. Se não foi vingança, não se sabe o que mais poderia ter sido.</p>



<p>Reconstruído de novo, foi ali instalado o Teatro Nacional D. Maria II, lugar de cultura e de criatividade, de arte e redenção, mas que voltou a ser destruído pelas chamas na noite de 1 de Dezembro de 1964. A tarefa de reconstrução demorou 14 anos, reabrindo, finalmente, as portas ao público na noite de 11 de Maio de 1978. </p>



<figure class="wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/Was8B1p.jpg" alt="" data-id="6569" data-link="https://duaslinhas.pt/?attachment_id=6569" class="wp-image-6569"/></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/Z384Byp.jpg" alt="" data-id="6568" data-link="https://duaslinhas.pt/?attachment_id=6568" class="wp-image-6568"/></figure></li></ul><figcaption class="blocks-gallery-caption"><em>incêndio no teatro Nacional Dona Maria II em dezembro de 1964</em></figcaption></figure>



<p>Já antes a igreja de São Domingos haveria de passar também pela purificação das chamas, num grande incêndio que ali deflagrou em 13 de agosto de 1959. Ardeu tudo, toda a talha dourada e valiosas pinturas e imagens religiosas. A igreja só voltou a reabrir ao público em 1994. Agora, pode ser que os espíritos dos que morreram injustamente estejam apaziguados e este pedaço de Lisboa possa, finalmente, viver em paz. Ou talvez não.</p>
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