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	<title>Arquivo de suicídios na PSP - Duas Linhas</title>
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		<title>PSP e GNR, as condições de trabalho dão cabo de homens e mulheres</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Manuel Bancaleiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Nov 2021 00:02:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Polícias & Ladrões]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Não existindo um padrão comum sobre o que leva ao suicídio, os Comandos e o Ministério da Administração Interna sempre fugiram às suas responsabilidades. Lembro-me de na GNR um Comandante Geral atribuir o suicídio ao baixo grau de instrução académica de quem o fazia. Uns dias depois suicidou-se uma mulher militar com mestrado em sociologia [&#8230;]</p>
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<p>Não existindo um padrão comum sobre o que leva ao suicídio, os Comandos e o Ministério da Administração Interna sempre fugiram às suas responsabilidades. Lembro-me de na GNR um Comandante Geral atribuir o suicídio ao baixo grau de instrução académica de quem o fazia. Uns dias depois suicidou-se uma mulher militar com mestrado em sociologia e caiu por terra aquela teoria.</p>



<p>O que é que leva jovens (<strong><a href="https://duaslinhas.pt/2021/11/psp-mais-um-suicidio/">por norma são jovens</a></strong>) a suicidarem-se e a forma como o fazem? A grande maioria nunca o faz durante o serviço, é no período de folga. Fardam-se e mesmo tendo outra arma, usam a arma de serviço. Porque o fazem dessa forma, que mensagem querem deixar? Talvez este ritual seja o padrão dos suicídios nas forças de segurança. E deixa algumas pistas, para quem as quiser ver.</p>



<p>Existem diferenças entre a vida na GNR e a PSP. A Guarda pratica a política de caserna. Isto é, agarra nos jovens GNR&#8217;s com residência no norte do país e coloca-os no Alentejo e Algarve, os do Sul colocam-nos no Norte do país. A GNR fornece alojamento e camaratas aos seus homens e mulheres nos Comandos e Destacamentos e, assim, rentabiliza a força de trabalho. A GNR consegue fazer muito, com muito pouco, porque tem os militares sempre disponíveis 24 sobre 24 horas. Na prática não há horários de trabalho porque mediante as ocorrências e mesmo que tenham acabado de sair de serviço, como estão a pernoitar nas instalações não se podem negar. A isto chamamos política de caserna. Mas resulta numa infindável sobrecarga de trabalho não pago sobre os militares da instituição. <strong>E o cansaço acumula-se</strong>. &nbsp;&nbsp;</p>



<p>A PSP é diferente, são colocados inicialmente nas grandes cidades, longe do agregado familiar e não lhes é dado rigorosamente nada, nem instalações para dormir, nem messes onde possam fazer as suas refeições. Com salários muito baixos, os jovens polícias são obrigados a alugar quartos nas zonas mais degradadas e degradantes das cidades. Os 750€ não esticam e, por norma, há encargos familiares com os que ficaram na terra de origem. E por isso é frequente um agente da polícia ter um quarto ao lado do da prostituta, do proxeneta, do traficante. O salário mal chegaria para as despesas do dia-a-dia. Por isso é frequente, também, um agente da PSP ter outros empregos ou ser levado a aceitar os chamados “gratificados”. <strong>E o cansaço acumula-se</strong>. Como se isso não chegasse, ainda sofre diariamente <em>bullying</em> criminoso por parte da maioria das suas chefias… e isto ninguém quer ver, apesar de saberem que existe.</p>
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		<title>PSP, mais um suicídio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Nov 2021 00:06:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Polícias & Ladrões]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Élio Quinteiro era agente da PSP e suicidou-se com a arma de serviço. Estava colocado em Viseu. A notícia circula pelas redes sociais, todos lamentam mas ninguém conta o que se passou. Não se percebe o que terá levado um homem ainda jovem a por termo à sua vida. A verdade é que os suicídios [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2021/11/psp-mais-um-suicidio/">PSP, mais um suicídio</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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<p>Élio Quinteiro era agente da PSP e suicidou-se com a arma de serviço. Estava colocado em Viseu. A notícia circula pelas redes sociais, todos lamentam mas ninguém conta o que se passou. Não se percebe o que terá levado um homem ainda jovem a por termo à sua vida.</p>



<p>A verdade é que os suicídios nas forças de segurança deviam <a href="https://duaslinhas.pt/2021/11/psp-e-gnr-as-condicoes-de-trabalho-dao-cabo-de-homens-e-mulheres/"><strong>fazer soar todos os alarmes</strong></a> que possam existir, tanto nas instituições como no Governo. A taxa de suicídio entre os elementos das forças de segurança portuguesas é das mais elevadas da Europa, segundo um estudo divulgado em 2020. Desde o ano 2000 até 2020, 149 polícias tinham posto termo à vida.</p>



<p>Parece haver um padrão, nestes casos, tanto na PSP como na GNR. A maioria das vítimas são do sexo masculino, com idades entre os 38 e 40 anos, e utilizam a arma de serviço para se matarem.</p>



<p>São conhecidas as múltiplas queixas pela falta de condições de trabalho dos agentes da PSP e dos militares da GNR. Além dos salários baixos (que é um problema comum em todas as áreas laborais em Portugal), há o stress próprio do exercício de uma profissão onde se corre perigo diariamente, há a solidão, a sobrecarga de trabalho, o sentimento de frustração. Enfim, tudo boas razões para se ficar zangado com muita gente, mas nenhuma delas explica de forma cabal o suicídio. Alguma coisa mais pode estar a provocar esta hecatombe nas fileiras das forças de segurança. Convinha que o Governo passasse a ter olhos e ouvidos para perceber o que está a acontecer.</p>



<p>A verdade é que a recorrência destas situações propicia o aproveitamento político. Já haverá, certamente, manifestações de condolência provenientes de partidos políticos e já circula a mensagem do Movimento Zero (próximo da extrema-direita) que diz “ POLÍCIAS: Não podemos permitir que o desrespeito, a desconsideração e desvalorização por parte de quem nos tutela, nos continue a matar! Temos de agir!”. Certamente não estarão a falar apenas de manifestações à porta da residência oficial do primeiro-ministro.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="738" height="212" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2021/11/elio-quinteiro-2.jpg" alt="" class="wp-image-13744"/></figure></div>



<p></p>
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