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	<title>Arquivo de solidariedade - Duas Linhas</title>
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	<description>Informação online</description>
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	<title>Arquivo de solidariedade - Duas Linhas</title>
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		<title>RENATO KIZITO, 80 ANOS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Aug 2023 23:40:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O avião era um Antonov russo. A bordo iam algumas toneladas de cereal e roupa velha, o contributo amealhado ao longo de meses de esforços do missionário Renato Kizito.Estávamos no final de 1999, Kizito fazia a sua enésima incursão às Montanhas Nuba, no coração do Sudão.Aquela era uma viagem proibida pelo governo em Kartum. Havia [&#8230;]</p>
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<p>O avião era um Antonov russo. A bordo iam algumas toneladas de cereal e roupa velha, o contributo amealhado ao longo de meses de esforços do missionário Renato Kizito.<br>Estávamos no final de 1999, Kizito fazia a sua enésima incursão às Montanhas Nuba, no coração do Sudão.<br>Aquela era uma viagem proibida pelo governo em Kartum. Havia anos que todas as ONG de ajuda humanitária tinham sido expulsas das Montanhas Nuba. O governo não queria testemunhas dos métodos que usava para tentar vencer aquela guerra civil deflagrada 25 anos antes. Quase só o Comboniano Kizito teimava em desafiar a ordem estabelecida. Voámos 5 horas sobre o Sudão, desde Lokichokio, no Norte do Quénia, até ao interior das Montanhas Nuba, em território controlado pela rebelião do Exército de Libertação do Povo do Sudão, o SPLA.<br>O esforço de Kizito era notável, assim como era notável a sua capacidade de organização. Centenas de mulheres esperavam o avião e a preciosa carga que transportava. Os sacos de sorgo e a roupa velha foram carregados na cabeça dessas mulheres, numa longa fila indiana, durante um dia inteiro de caminhada até à aldeia mais próxima. Kizito era o único branco que visitava aquele povo cercado no alto das montanhas pelo exército governamental. Ele ouvia as histórias da guerra e contava as suas histórias de esperança. E dizia àquelas pessoas que o futuro seria mais justo e pacífico. E embora condenasse a guerra, dizia-lhes que tinham direito a lutar pela liberdade.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Lembro-me de assistir às missas de domingo que Kizito celebrava num altar de pedra esculpido pela Natureza. Ele gostava de dizer a missa de noite, ao ar livre, iluminado por archotes e sob uma magnífica abóbada de estrelas. Mesmo para quem anda longe deste tipo de fé, eram momentos mágicos.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1092" height="1092" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/08/renato-kizito.jpg" alt="" class="wp-image-28225"/></figure>
</div></div>



<p>Mas o velho missionário tem uma obra vasta. Basta referir o Kivuli Center, um abrigo para crianças de rua. É lá onde Kizito mora, num quarto com vista sobre o pátio onde os miúdos brincam no intervalo das aulas. Dezenas de crianças encontram ali uma casa. Não encontram uma família… embora Kizito seja pai e mãe daquela malta.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Os miúdos têm roupa decente para vestir, têm escola, alguns ainda têm a sorte de aprender uma profissão às custas de patrocínios que Kizito procura obter incessantemente. A falta de dinheiro é a maior aflição do missionário. Dar de comer a dezenas de rapazes, vesti-los e calçá-los, manter o edifício de pé e com um mínimo de goteiras possível, custa uma fortuna.<br>Um dia, Kizito teve uma ideia brilhante. Engatou um amigo de infância, padeiro de profissão, a ir passar uns meses a Nairobi. Já reformado, tempo não faltava ao velho padeiro. Kizito teve o cuidado de o prevenir sobre as condições em Riruta, o bairro degradado onde vive. Mas o amigo foi.<br>O padeiro italiano ensinou os miúdos mais velhos a fazer pão. Belos cacetes de pão italiano que passaram a ser vendidos à porta do Centro, na rua enlameada. O negócio foi um sucesso. O problema, então, passou a ser como garantir os fornecimentos de farinha e fermento, de modo a não falhar na produção.<br>Agora, já sabem. Se forem a Nairobi e se vos apetecer pão quentinho e estaladiço, têm de ir a Riruta, um dos imensos bairros de lata de Nairobi. Os carros dificilmente entram nas ruelas do bairro, mas não há que enganar. Terão de caminhar e… seguir o cheiro a pão fresco. Garanto-vos que será uma experiência e tanto.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="1000" height="770" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/08/IMG_8144.jpg" alt="" class="wp-image-28231"/></figure></div>


<p>Vale muito a pena visitar a página de Renato Kizito no Facebook. É uma viagem de emoções. Para mim, é recordar as circunstâncias em que me relacionei com ele. Uma das reportagens que fiz no Sudão, foi &#8220;co-produzida&#8221; com Renato Kizito, em 1999. Chamei-lhe &#8220;Dignidade&#8221;.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Dignidade" width="696" height="522" src="https://www.youtube.com/embed/12-37caPIak?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption">vídeo</figcaption></figure>
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		<title>JUDITE DE SOUSA, o segredo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[J B]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jun 2022 14:59:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Judite de Sousa, a extraordinária “senhora TV”, criou uma bolsa para apoiar jovens estudantes em dificuldades económicas. Notável! A verba é canalizada para a SBE &#8211; Escola de Economia e Gestão da Universidade Nova, e é um tributo ao seu filho André que morreu em circunstâncias trágicas. Todos os anos há um estudante sem recursos [&#8230;]</p>
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<p>Judite de Sousa, a extraordinária “senhora TV”, criou uma bolsa para apoiar jovens estudantes em dificuldades económicas. Notável!</p>



<p>A verba é canalizada para a SBE &#8211; Escola de Economia e Gestão da Universidade Nova, e é um tributo ao seu filho André que morreu em circunstâncias trágicas. Todos os anos há um estudante sem recursos económicos que pode estudar o mestrado de Economia da Nova graças à bolsa criada pela jornalista.</p>



<p>A jornalista Judite Sousa é uma mulher difícil no trato entre camaradas trabalho. E por isso tem sido muito criticada. Mas foi sempre combativa e corajosa. Recordo grato a sua ação destemida como membro do Conselho de Redação da RTP, ao lado de José Rodrigues dos Santos. </p>



<p>Judite de Sousa sempre foi, infelizmente, acossada pelos invejosos e maldizentes. Quem não se lembra da Judite colada às paredes dos corredores da RTP, cabisbaixa, de olhos marejados e voz embargada, como se fosse um trapo abandonado pela vida e pelo amor?</p>



<p>E depois, a surpresa era brutal quando subia e sobe ao palco das notícias. Assertiva, sem dó nem piedade. A não ser com Marcelo Rebelo de Sousa. Mas pronto!</p>



<p>É uma mulher singular, filha de um militante comunista. A sua grandeza mede-se no nobre gesto ao criar a bolsa de estudo. Um segredo bem guardado durante oito anos. Até agora.</p>



<p>Um exemplo para todos, num país de egoístas.</p>
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		<title>SOLIDARIEDADE É BOA, SE FOR PARA TODOS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Jun 2022 23:01:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Itália, Espanha, Grécia, Chipre e Malta pediram à União Europeia que demonstre para com o problema migratório no sul da Europa a mesma solidariedade dada ao acolhimento dos refugiados da Ucrânia. Os ministros do Interior destes&#160;cinco países mais expostos aos fluxos migratórios do Mediterrâneo&#160;fizeram este pedido a Bruxelas no final de uma reunião de dois [&#8230;]</p>
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<p>Itália, Espanha, Grécia, Chipre e Malta pediram à União Europeia que demonstre para com o problema migratório no sul da Europa a mesma solidariedade dada ao acolhimento dos refugiados da Ucrânia.</p>



<p>Os ministros do Interior destes&nbsp;cinco países mais expostos aos fluxos migratórios do Mediterrâneo&nbsp;fizeram este pedido a Bruxelas no final de uma reunião de dois dias, em Veneza, que terminou hoje. O encontro serviu para delinear uma visão estratégica sobre a gestão migratória.</p>



<p>A ministra italiana, Luciana Lamorgese, numa conferência de imprensa, disse que os países mediterrânicos querem um mecanismo de distribuição de migrantes amplo e equilibrado.</p>



<p>“A crise da Ucrânia mostrou a capacidade de a Europa se unir e mostrar solidariedade para com as pessoas que fogem do conflito e precisam de acolhimento”, afirmou a ministra, acrescentando que o encontro entre os cinco países constituiu “um importante ponto de referência para o próximo Conselho Europeu do Interior”.</p>



<p>O bloqueio às exportações de cereais e outras matérias-primas da Ucrânia e da Rússia vai provocar um aumento da chegada de migrantes do Norte de África a Itália.&nbsp;Chipre já registou mais 286% de desembarques e a Itália mais 30%, desde o início do conflito que está a provocar agravamento das condições de vida em muitos países africanos e do Médio Oriente.</p>
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		<title>A EUROPA NÃO É PARA VELHOS!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Ilharco]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Feb 2022 15:10:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[BAZUKA]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>René Robert tinha 84 anos de idade quando caiu numa rua de Paris e ali morreu de frio</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>René Robert, um respeitado fotógrafo francês, com 85 anos de idade, caiu numa rua de Paris no último dia de Janeiro deste ano de 2022. Ali morreu de frio sem que alguém o tivesse socorrido.</p>



<p>Uma notícia de duas linhas pode dizer mais sobre o mundo em que vivemos do que horas a fio de debates e análises da grande política.</p>



<p>Cidadãos de uma cidade no coração da Europa civilizada passam por um ser humano, um velho, estendido no chão, e não param para saber se precisa de ajuda. Sequer abrandam o passo. Alguns resmungarão por terem de se desviar daquele empecilho espojado no chão.</p>



<p>Gente que se dirige, apressadamente, para o seu trabalho, ou procura um local de diversão, ou segue em direcção a um local de culto para rezar a um Deus da sua crença, não tem tempo, ou disposição, para tentar perceber o que de estranho acontece para que um homem esteja estendido, sem dar de si, na rua.</p>



<p>Muitos destes irão, nas horas seguintes, escrever sobre os mais diversos temas da sociedade apontando defeitos, indicando soluções, exibindo uma superioridade intelectual e moral sobre quem os leia.</p>



<p><strong><a href="https://duaslinhas.pt/2022/01/assassinado-pela-indiferenca/">René Robert</a></strong>, um respeitado fotógrafo francês, com 85 anos de idade, será recolhido mais tarde, muito mais tarde, finalmente, por uma qualquer entidade responsável pela limpeza das ruas de <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2022/02/pombos-mortos/">Paris</a></strong> e levado para a morgue deixando, finalmente, a rua limpa e desimpedida para os cidadãos activos.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p>A Europa quer-se pujante.</p>
</div></div>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p>A Europa não pode abrandar na corrida ao lucro e ao poder.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p>A Europa não é para velhos.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p>A Europa nem sequer é para gente.</p>
</div></div>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p>A Europa vai ficar no chão sem ninguém parar para a ajudar ou saber o porquê da sua queda.</p>
</div></div>



<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2022/02/a-europa-nao-e-para-velhos/">A EUROPA NÃO É PARA VELHOS!</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>A vida por um fio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Feb 2022 01:15:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Carmen Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[Isabel Bapalpeme]]></category>
		<category><![CDATA[solidariedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Isabel Bapalpeme foi evacuada para Portugal de urgência, ao abrigo do programa de cooperação internacional para a saúde. Estava a morrer. Tinha 15 anos quando uma tuberculose a apanhou numa aldeia, algures na Guiné-Bissau. Nunca foi tratada durante oito anos em que o corpo definhava cada vez mais. Até que chegou ao Hospital Pulido Valente, [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2022/02/a-vida-por-um-fio/">A vida por um fio</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Isabel Bapalpeme foi evacuada para Portugal de urgência, ao abrigo do programa de cooperação internacional para a saúde. Estava a morrer. Tinha 15 anos quando uma tuberculose a apanhou numa aldeia, algures na Guiné-Bissau. Nunca foi tratada durante oito anos em que o corpo definhava cada vez mais. Até que chegou ao Hospital Pulido Valente, em Lisboa. Curaram a tuberculose, mas precisa de um transplante dos pulmões. Dos dois pulmões.</p>



<p>Na espera pela oportunidade do transplante, passaram mais seis anos. Sozinha, num apartamento minúsculo quase sem mobília. Ali vive amarrada a um reservatório de ar por um tubo comprido. Consegue dar meia dúzia de passos sem ter de carregar com a botija de ar.</p>



<p>A família tentou anos a fio obter visto para se juntar à Isabel, para a ajudar a carregar o pesado fardo da vida. A embaixada de Portugal recusou sistematicamente esse visto. Até que o jornal Expresso publicou esta história e o ministro dos Negócios Estrangeiros mandou acabar com entraves e burocracias. &nbsp;Mas faltava dinheiro para as viagens. Isabel sobrevive graças ao Rendimento Social de Inserção (RSI) e ao apoio possível e imprescindível do primo Silvânio.</p>



<p>A enfermeira Carmen Garcia leu a reportagem publicada no Expresso. Respirou fundo, criou um crowdfunding e em poucas horas reuniu um pouco mais de 3 mil euros, o suficiente para a família de Isabel apanhar um avião para Lisboa.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1475" height="781" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2022/02/a-mae-imperfeita-2.jpg" alt="" class="wp-image-17154"/></figure></div>



<p>A enfermeira Carmen tem um blog, A Mãe Imperfeita, e faz dele instrumento para motivar outras pessoas a apoiar causas de solidariedade. O caso desta jovem guineense é apenas um entre muitos outros que Carmen Garcia já ajudou a resolver.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="758" height="590" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2022/02/a-mae-imperfeita.jpg" alt="" class="wp-image-17153"/></figure></div>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p>Os anos de solidão de Isabel Bapalpeme estão a chegar ao fim.</p>



<p><sub>(Carmen Garcia é a pessoa que está na 1º fotografia, à direita, Isabel Bapalpeme é a pessoa que está nas outras imagens)</sub></p>
</div></div>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2022/02/a-vida-por-um-fio/">A vida por um fio</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>Santo Amaro de Oeiras, praia da solidariedade</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2021/07/santo-amaro-de-oeiras-praia-da-solidariedade/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Jul 2021 00:03:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pessoas com paralisia cerebral dependem bastante de alguém que os ajude. A paralisia cerebral é uma perturbação do controlo da postura e movimento que resulta de uma lesão ou anomalia cerebral que atinge o cérebro em período de desenvolvimento.Não há dois casos semelhantes e não é uma doença progressiva. O programa Praia Acessível, uma parceria [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2021/07/santo-amaro-de-oeiras-praia-da-solidariedade/">Santo Amaro de Oeiras, praia da solidariedade</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="praia" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/Gj7oIsgH3Ww?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Pessoas com paralisia cerebral dependem bastante de alguém que os ajude. A paralisia cerebral é uma perturbação do controlo da postura e movimento que resulta de uma lesão ou anomalia cerebral que atinge o cérebro em período de desenvolvimento.<br>Não há dois casos semelhantes e não é uma doença progressiva.</p>



<p>O programa Praia Acessível, uma parceria da autarquia com os bombeiros voluntários de Oeiras e a Associação Juvenil ProAtlântico visa possibilitar o acesso à praia a todos aqueles que, por questões de saúde ou de idade, não o possam fazer de forma autónoma. Uma ideia simples que transforma os dias das pessoas, sejam elas beneficiárias ou executantes do projeto.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p>A praia de Santo Amaro tem boas condições para este tipo de atividades. Na foz do Tejo, Santo Amaro é uma praia calma, segura e limpa. E solidária.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/Ryo2QaO.jpg" alt="" data-id="10739" data-link="https://duaslinhas.pt/?attachment_id=10739" class="wp-image-10739"/></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/XxakTsx.jpg" alt="" data-id="10740" data-link="https://duaslinhas.pt/?attachment_id=10740" class="wp-image-10740"/></figure></li></ul></figure>
</div></div>



<p></p>
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		<title>Gente de bem é isto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Feb 2021 12:25:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[LIFESTYLE]]></category>
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		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[Amadora]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O coletivo de cidadãos chama-se “Campanha Alimentar e de Apoio Imediato”, agrega já sete associações comunitárias da região de Lisboa e Vale do Tejo, principalmente da linha de Sintra. São pessoas que lutam por minorar as dificuldades dos vizinhos mais necessitados. Na carta de apresentação que publicaram no Facebook, dizem ter como “objetivo obter apoios [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O coletivo de cidadãos chama-se “Campanha Alimentar e de Apoio Imediato”, agrega já sete associações comunitárias da região de Lisboa e Vale do Tejo, principalmente da linha de Sintra. São pessoas que lutam por minorar as dificuldades dos vizinhos mais necessitados. Na carta de apresentação que publicaram no Facebook, dizem ter como “objetivo obter apoios e donativos para serem distribuídos pelas populações, famílias e pessoas em situação de carência.”</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/ei5Pi3z.jpg" alt="" class="wp-image-7495"/></figure>



<p>José Baessa de Pina é um dos ativistas desta campanha e explicou-nos, em entrevista telefónica, que “os pedidos de ajuda chegam de todo o lado, até de pessoas da classe média que viram a vida desmoronar por causa da crise que se instalou com a pandemia”.</p>



<p>Os ativistas organizaram-se, apoiaram-se nas frágeis estruturas erguidas ao longo dos anos por associações locais, criaram vasos comunicantes entre eles e dirigem a ajuda conseguida para onde está a ser mais necessária.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/fbLWtdw.jpg" alt="" class="wp-image-7497"/></figure>



<p>José Baessa de Pina é vice-presidente da Associação Cavaleiros de S. Braz, no Casal da Boba, na Amadora, e conta que no ano passado, na primeira vaga da pandemia, distribuíram um pouco mais de mil cabazes alimentares, entre abril e agosto. Agora, as necessidades são maiores, a crise é mais profunda, há muito mais gente necessitada. “Pobres já somos todos”, diz José Baessa, e o problema agrava-se porque “há vergonha social, as pessoas não confessam estar a passar fome”, e muitos casos só são sinalizados quando atingem situações extremas.</p>



<figure class="wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/ibsjAEV.jpg" alt="" data-id="7498" data-link="https://duaslinhas.pt/?attachment_id=7498" class="wp-image-7498"/></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/q9BACdS.jpg" alt="" data-id="7499" data-link="https://duaslinhas.pt/?attachment_id=7499" class="wp-image-7499"/></figure></li></ul></figure>



<figure class="wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/zhyzFGV.jpg" alt="" data-id="7500" data-link="https://duaslinhas.pt/?attachment_id=7500" class="wp-image-7500"/></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/WR6vedK.jpg" alt="" data-id="7501" data-link="https://duaslinhas.pt/?attachment_id=7501" class="wp-image-7501"/></figure></li></ul></figure>



<p>Por isso eles ajudam as pessoas “sem alarido”. Gostavam, no entanto, de ter apoios que lhes facilitassem a vida. Por exemplo, o Banco Alimentar Contra a Fome não chega até eles porque só funciona em parceria com outras instituições como, por exemplo, as Misericórdias.</p>



<p>“A burocracia para chegar ao Banco Alimentar é desencorajante”, desabafa este ativista comunitário, lamentando que a Junta de Freguesia local lhes tenha fechado o espaço onde funcionavam porque “o protocolo acabou”. Infelizmente, “querem é documentos, documentos, documentos”, diz José Baessa que dá um exemplo curioso que funciona ao contrário da Junta de Freguesia de Arroios que, apesar de não ser daquela área, lhes tem prestado apoio solidário inestimável. “Muitos de nós nascemos na maternidade do Hospital Dona Estefânia, estamos registados na Freguesia de Arroios” e isso criou um laço de solidariedade que se reflete na doação de máscaras e de alimentos, por exemplo.</p>



<p>Nenhuma igreja se aproximou deles, nem católica, nem adventista, nenhuma, garante José Baessa, ao contrário do Centro Cultural de Cabo Verde que presta algum apoio e fez algumas doações de máscaras de proteção individual.</p>



<p>Neste mar de sinais contrários navegam estas pessoas associadas pela vontade de ajudar. Agradecem doações monetárias e produtos como, por exemplo, fraldas, produtos de higiene, comida, leite.</p>



<p>Além da fome, há também apoio para atividades escolares para crianças que fiquem sozinhas em casa e precisem de orientação para as aulas online. Na Associação Cavaleiros de S. Braz, por exemplo, o projeto BOBAEDUCA tem 17 crianças inscritas que precisam de ser acompanhadas no estudo. </p>



<p>Estamos a falar de gente boa que não está ali à espera de votos ou outras benesses.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/l1HHuEo.jpg" alt="" class="wp-image-7502"/></figure>



<p></p>
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		<title>Náufragos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tânia Ganho]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Sep 2020 14:08:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[mito da Europa]]></category>
		<category><![CDATA[refugiados]]></category>
		<category><![CDATA[solidariedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um Muro no Meio do Caminho, de Julieta Monginho (Porto Editora, 2017) Náufragos – I «O mal começa na rejeição do outro.» Dormem na estrada, com a cabeça no alcatrão, a face contra o lancil da berma. São crianças. Centenas de crianças sem abrigo, estendidas no meio de sacos, sapatos, trouxas. A União Europeia chama-lhes [&#8230;]</p>
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<p><em>Um Muro no Meio do Caminho</em>, de Julieta Monginho (Porto Editora, 2017)</p>



<p><strong>Náufragos – I</strong></p>



<p><em>«O mal começa na rejeição do outro.»</em></p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2020/09/fotos-JMonginho-2-scaled.jpg" alt="" class="wp-image-3747" width="449" height="538"/></figure></div>



<p>Dormem na estrada, com a cabeça no alcatrão, a face contra o lancil da berma. São crianças. Centenas de crianças sem abrigo, estendidas no meio de sacos, sapatos, trouxas. A União Europeia chama-lhes <em>menores não acompanhados</em> e eu, sentada na beira do meu sofá, corrijo as notícias em voz alta: «São crianças, crianças órfãs.» Enfurece-me a asseptização do discurso, o branqueamento da realidade, a maneira como os poderes políticos se servem da linguagem para criar distância entre nós e os outros, escolhendo palavras desprovidas de carga afectiva, palavras que não fazem parte do nosso léxico sentimental. <em>Menores não acompanhados</em>: imagino um balcão da TAP com uma hospedeira sorridente acolhendo uma criança que vai viajar sozinha de avião pela primeira vez. Ouço <em>menores não acompanhados</em>, mas o que vejo na televisão são crianças que a Europa abandonou a meio de uma estrada. As noites sucedem-se e ninguém lhes dá abrigo. Dormem ao relento. Moria, a panela de pressão, explodiu. Os refugiados revoltaram-se, as chamas devoraram o campo. Ao inferno de Moria, infecto, contaminado, sucede um inferno ainda pior, sem tendas, sem refeições, sem água corrente, sem assistência.</p>



<p>Tiro da estante o meu exemplar de <em>Um Muro no Meio do Caminho</em> de Julieta Monginho e, guiando-me pelos cantos dobrados, releio parágrafos inteiros. A história repete-se, feita de impotência e desespero: «É preciso que ponham fogo a um campo para provar que ali existem pessoas encalhadas no pesado tempo que lhes coube? [&#8230;] O fogo foi posto, mais do que uma vez, e nada aconteceu». As palavras <em>fogo posto</em> são repetidas nos noticiários, como se a possibilidade de ter sido um grupo de refugiados a atear as chamas ilibasse a Europa da criação destes campos que se assemelham ao Purgatório, campos onde, aos poucos e discretamente, os refugiados são votados ao esquecimento. <em>Refugiados</em> encerra a ideia de refúgio, mas não é um porto de abrigo que espera estas levas de sírios e afegãos que encalham nas ilhas gregas. «Fugir da morte certa e encontrar o quê?», pergunta Monginho. «Muros, insultos, fronteiras», «os passos em volta de uma jaula».</p>



<p>Neste romance que ganhou o Grande Prémio da APE, a autora dá voz aos refugiados e corpo às mulheres. «É no corpo delas que começa a dor. São elas a parir e a ver partir os seus meninos – os soldados, os mortos. São elas que escondem a vergonha, limpam e ordenam, calam e renunciam. Seguindo os homens, a sua fúria, a sua loucura, a sua ousadia. [&#8230;] São elas quem sofre sem poder levantar a voz contra a fome de poder. Elas, que conhecem a fome primordial, o sangue primordial, nada podem contra a voracidade que avassala os machos, e os leva a prolongar o corpo nas armas de matar e de morrer.»</p>



<p>Vítimas da violência dos adultos, as crianças de Moria dormem na estrada, à espera que alguém as recolha, acolha, lhes dê um futuro. O livro de Julieta Monginho abala-me e, como um náufrago, agarro-me a duas linhas de esperança: «São duras, as fronteiras», diz a autora. «Mas as palavras são mais fortes, as mãos dadas, os pés prontos para dançar e caminhar.»</p>



<p><em>Appunti per un naufragio</em>, de Davide Enia (Sellerio Editore, 2017)</p>



<p><strong>Náufragos – II</strong></p>



<p><em>«E eu? Existe um porto para mim?»</em></p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i.imgur.com/ubSrVLq.jpg" alt="" class="wp-image-3750" width="277" height="431"/></figure></div>



<p>«Sabes o que se obtém fechando demasiadas pessoas num espaço tão reduzido?», pergunta uma das vozes de <em>Appunti per un naufragio</em>, referindo-se a um centro sobrelotado que acolhe migrantes em Lampedusa.«Raiva. É assim que se criam bestas. E, de facto, rebentou uma revolta, com colchões a arder e uma ala incendiada.» A literatura não tem de ser militante, <em>engagée</em>, mas gosto cada vez mais de livros que me falem de temas incómodos e me desassosseguem. Uns dias depois de eu ter recomendado <em>Um Muro no Meio do Caminho</em> a uma amiga italiana, ela enviou-me o livro de Davide Enia, que ainda não foi publicado em Portugal. «Quando cheguei ao fim, chorei», confessou-me ela. Eu também.</p>



<p>Durante três anos, o dramaturgo e encenador italiano viajou para Lampedusa, a ilha mais ao sul da Europa, para recolher as histórias dos vários naufrágios e salvamentos, dos muitos socorristas e inúmeros migrantes, histórias de vida e morte no mar. O resultado é um texto profundamente poético e comovente. Lampedusa pertence às Pelágias, arquipélago simbólico que «representa o ponto de encontro entre dois continentes, África e Europa». Ao contrário das suas irmãs, Linosa e Lampione, «não tem origem vulcânica, porque faz parte da placa tectónica africana». E são africanos os migrantes que diariamente as autoridades italianas resgatam ao largo de Lampedusa. «O que está a acontecer agora no Mediterrâneo pode ser visto como uma antecipação do futuro», explica uma das personagens, «aquilo que se separou [as placas tectónicas] está a unir-se. O movimento, o deslocamento, a migração fazem parte da própria vida do planeta. Migram os pássaros e migram os peixes, movem-se os mares e deslocam-se as manadas e os continentes. Acontecerá. Já está a acontecer. África aproximar-se-á e instalar-se-á em cima da Europa e do que resta dela.»</p>



<p>Enia dá voz aos homens que todos os dias respondem a pedidos de socorro e desafiam a morte para resgatar desconhecidos que, no mar, não têm cor, etnia ou religião. Com invulgar empatia, conta-nos fragmentos de vidas, ciente, porém, de que «as nossas palavras não conseguem captar plenamente a verdade» dos migrantes. «A história da migração serão eles próprios a contá-la, os que partiram e que, pagando um preço inimaginável, chegaram a estas praias. [&#8230;] Eles empregarão as palavras exactas para descrever o que significa alcançar terra firme, depois de escapar da guerra e da miséria [&#8230;]. E serão eles que nos explicarão em que se transformou a Europa e nos mostrarão, como um espelho, no que nos transformámos nós próprios.»</p>



<p>O texto de Davide Enia relembra-nos quem somos, remete-nos para a nossa humanidade. «Das zonas de guerra não se foge de avião», escreve. «Foge-se a pé e sem visto, pela simples razão de que não se emitem vistos. Quando a terra acaba, é preciso subir para dentro de um barco. Começo, assim, pela origem, já que é só uma, a fonte da qual emana a água que nos mata a sede. No fundo, é sempre a mesma história que se repete. Uma jovem fenícia foge da cidade de Tiro, atravessando o deserto até ao fim, até os pés não poderem seguir em frente, porque em frente está o mar. Encontra, então, um touro branco, que se agacha e a acolhe no seu dorso, transformando-se em barco e sulcando o mar, até chegar a Creta. A rapariga chama-se Europa. Esta é a nossa origem. Somos filhos de uma travessia de barco.»</p>
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		<title>No coração da revolução</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fátima Laouini]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Aug 2020 08:32:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[civismo]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[empatia]]></category>
		<category><![CDATA[solidariedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Perguntaram-me se, 46 anos depois, ainda há alguma revolução a fazer em Portugal. Não tenho dúvidas que, em termos de liberdade, Portugal é um país &#160;livre. Não é à toa que aparece nos índices de países mais livres do mundo, tendo em conta a legislação social e de costumes, assim como o exercício da democracia [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Perguntaram-me se, 46 anos depois, ainda há alguma revolução a fazer em Portugal. Não tenho dúvidas que, em termos de liberdade, Portugal é um país &nbsp;livre. Não é à toa que aparece nos índices de países mais livres do mundo, tendo em conta a legislação social e de costumes, assim como o exercício da democracia enquanto escolha rotativa através das urnas.</p>



<p>Não direi o mesmo da nossa situação económica, sempre refém de abordagens políticas duvidosas, embora estejamos longe de subdesenvolvimento da época salazarista. E também não digo o mesmo em termos de mentalidade coletiva, apesar de haver liberdade de expressão consagrada na lei e sendo permitida descontraidamente na arena política.</p>



<p>A nível pessoal, então, gostaria de ver uma revolução a nível do nosso esquema mental enquanto cidadãos do século XXI. Desta forma, escolho três áreas que precisam de uma atualização massiva aos tempos que correm.</p>



<p>1- Menos cultura do favor e mais meritocracia</p>



<p>A começar de baixo, da base da pirâmide. Se continuarmos a querer ser beneficiados porque somos amigos, primos, filhos, cônjuges, e desempenharmos, à custa disso, trabalhos e cargos para os quais não temos competência vamos contribuir para que&nbsp; se chegue dessa forma ao topo. Não adianta criticar o compadrio governativo, qualquer que seja, quando nós mesmos o fomentamos a partir de casa.</p>



<p>2- Mais conhecimento e empatia na questão das doenças ditas mentais</p>



<p>Somos um país onde ainda se julga a personalidade das pessoas conforme o especialista a que se vai, ou seja, continua-se a fazer tabu dos nossos problemas da mente e escondemos as nossas idas ao psiquiatra ou ao psicólogo com vergonha de nos considerarem doidos ou fracos. Não falamos abertamente dos nossos medos e dos nossos fantasmas, quando sabemos que somos um país de gente triste e ansiosa, tendo em conta as informações oficiais de venda de fármacos. Era altura de descontrairmos em relação a isso no sentido de se encarar este tipo de situações como uma questão de saúde como outra qualquer, com soluções e sem julgamentos ou pressão.</p>



<p>3- Maior civismo e uso de palavras boas</p>



<p>Na estrada, nas lojas, nos serviços, na rua, no local de trabalho, era bom incrementarmos o uso de bom dia, obrigado, desculpe, elogiarmos os outros e reconhecermos o seu valor, não termos medo da sombra sempre que alguém brilhe a mais num dia em particular. A nossa má educação quotidiana e a nossa inveja não são imans de boa fortuna, longe disso, e não podemos estar a ver reconhecidos talentos a partir de fora. Por vezes, somos mesmo uma má família, que não deixa voar os anseios individuais e que teme ser ofuscada ou esquecida pelo triunfo dos seus elementos. A crítica e o negativismo são muito notórios, aliados a piadinhas que magoam, palavras que deitam abaixo, vibrações que paralisam. As palavras e as emoções boas estão em total desuso e isso reflete-se no cansaço generalizado da população face ao seu trabalho e às suas relações, levando ao isolamento pré-covid e à solidão.</p>



<p>A revolução que falta fazer é a do coração. Parece romântico e pateta mas a aposta na transparência e no mérito, na bondade e na compreensão, assim como na tolerância e no civismo, é dos maiores investimentos humanos que se podem fazer. Requer vontade e muita coragem, mudança e adaptação, empatia e energia, educação transversal, uma panóplia de skills sociais que manifestamente em falta só contribui para o empobrecimento de uma sociedade enquanto conjunto de pessoas que, e havendo honestidade, deviam ser mais estimuladas e apreciadas nos tempos áridos que vamos vivendo.</p>



<p></p>



<p>.</p>
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		<title>O amor não mede esforços nem distâncias</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2020/06/o-amor-nao-mede-esforcos-nem-distancias/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jun 2020 19:52:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desporto]]></category>
		<category><![CDATA[LIFESTYLE]]></category>
		<category><![CDATA[atletismo]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[Hélio Fumo]]></category>
		<category><![CDATA[solidariedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O texto, escrito pelo próprio, diz assim: “A Bola não é só Bola! O mundo da corrida uniu esforços e conseguiu 18 toneladas de alimentos. Quero agradecer ao Jornal A BOLA pela divulgação do nosso movimento. Quero agradecer a todos os que participaram, na criação de eventos pelo país, os que fizeram uma doação, os [&#8230;]</p>
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<p>O texto, escrito pelo próprio, diz assim: “A Bola não é só Bola! O mundo da corrida uniu esforços e conseguiu 18 toneladas de alimentos. Quero agradecer ao <a href="https://www.abola.pt/">Jornal A BOLA</a> pela divulgação do nosso movimento. Quero agradecer a todos os que participaram, na criação de eventos pelo país, os que fizeram uma doação, os que fizeram quilómetros e acima de tudo, a todas as instituições e famílias que permitiram que pudéssemos pedir por eles. Obrigado.”</p>



<p>Quem falou assim foi o atleta Hélio Fumo e, depois de agradecer a todos, “esqueceu-se” de agradecer a si mesmo. Sim, porque foi ele o autor da ideia de correr no Campo Grande, em Lisboa, durante 12 horas para angariar alimentos para pessoas afetadas pela pandemia covid-19.</p>



<p>Doze horas a correr não é para todos. <a href="https://www.facebook.com/heliofumoatleta/">Hélio Fumo</a> correu todas essas horas e fez 100 quilómetros nesse tempo. Esteve quase a desistir, mas aguentou. No final, ainda teve de “carregar” 18 toneladas de bens alimentares que foram distribuídos por 79 instituições e 89 famílias.</p>



<p>O atleta Hélio Fumo chamou à iniciativa &#8220;Alimenta esta Corrida&#8221;, o evento aconteceu já há uns dias, mas como não deu nas televisões a maioria não sabe que aconteceu. Quem sabe são os seus companheiros, às vezes adversários, de corridas, sabem os que se solidarizaram com ele, sabem os que receberam a ajuda angariada e sabem alguns leitores do<a href="https://www.abola.pt/nnh/noticias/ver/849255?fbclid=IwAR2a8hlLrRGU8fgn2ZaVcjYLoyWOwBP5ex2UVTZkFuYQUxT8psMZNKS-1-Y"> jornal A Bola que leram a prosa</a> que cita o atleta quando ele diz “Não consigo explicar o sucesso do &#8216;Alimenta esta Corrida&#8217;, mas adorava poder repetir, até porque o próprio Banco Alimentar já disse que os casos de necessidade triplicaram.”</p>



<p>Os que acabaram de ler este texto no <a href="https://www.facebook.com/duas.linhas.50">Duas Linhas</a> também já sabem.</p>



<p>Obrigado Hélio.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2020/06/o-amor-nao-mede-esforcos-nem-distancias/">O amor não mede esforços nem distâncias</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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