<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivo de slogan da acampada - Duas Linhas</title>
	<atom:link href="https://duaslinhas.pt/tag/slogan-da-acampada/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://duaslinhas.pt/tag/slogan-da-acampada/</link>
	<description>Informação online</description>
	<lastBuildDate>Mon, 26 Oct 2026 17:19:30 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-PT</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.7.10</generator>

<image>
	<url>https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2022/08/cropped-KESQ1955-png-32x32.png</url>
	<title>Arquivo de slogan da acampada - Duas Linhas</title>
	<link>https://duaslinhas.pt/tag/slogan-da-acampada/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">214551867</site>	<item>
		<title>&#8220;NÃO CHEIRA A LISBOA&#8230; CHEIRA A DITADURA&#8221;</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/10/nao-cheira-a-lisboa-cheira-a-ditadura/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2026/10/nao-cheira-a-lisboa-cheira-a-ditadura/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leonor Freitas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Oct 2026 17:19:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Polícias & Ladrões]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[acampada de Lisboa]]></category>
		<category><![CDATA[slogan da acampada]]></category>
		<category><![CDATA[violência policial em Portugal]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=52052</guid>

					<description><![CDATA[<p>”Não cheira a Lisboa... cheira a ditadura!” - uma frase que nasceu espontaneamente no Rossio, no contexto de um protesto pelo direito à habitação, e que encontrou na comunidade a força para se transformar numa voz colectiva.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/10/nao-cheira-a-lisboa-cheira-a-ditadura/">&#8220;NÃO CHEIRA A LISBOA&#8230; CHEIRA A DITADURA&#8221;</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Escrevo este testemunho porque a memória colectiva também se faz dos relatos de quem vive os acontecimentos. Nos últimos dias, tenho visto o cântico «Cheira a ditadura» circular em vídeos, notícias e publicações, ser entoado nas ruas e chegar a pessoas que não estavam presentes no momento em que nasceu. Gostaria de deixar registada a história desse primeiro grito.</p>



<p>Estou na Acampada do Rossio desde o início. A dormir quando posso. Na madrugada de terça-feira, 20 de outubro de 2026, estava na praça com os restantes camaradas, embora sem o meu grupo habitual de amigos. Acordei sobressaltada com os avisos sonoros e a movimentação das autoridades. Ainda era de noite. Às seis da manhã, quando a polícia iniciou a primeira intervenção para desmantelar as tendas, juntámo-nos e formámos um cordão humano para proteger o acampamento e defender o nosso direito a ocupar aquele espaço público.</p>



<p>A tensão instalou-se de imediato. Estávamos ali a protestar pelo direito à habitação, perante uma intervenção policial que sentíamos como desproporcionada face à natureza pacífica da nossa presença. O avanço das forças policiais, a proximidade física, o equipamento e a barreira de fardas diante de nós tornavam difícil separar a indignação do que estávamos a viver naquele preciso momento.</p>



<p>Foi nessa linha da frente, perante o avanço da polícia, que me veio à cabeça a melodia de «Cheira a Lisboa», a canção tão ligada à identidade da cidade. A letra original já não correspondia ao que sentia. A melodia, porém, permaneceu, e a frase surgiu como uma reacção imediata ao que estava a acontecer. Gritei:</p>



<p>”Não cheira a Lisboa&#8230; cheira a ditadura!”</p>



<p>No início, foi um grito isolado. Uma pessoa que estava ao meu lado juntou-se a mim, depois outra, e depois outras mais. Em poucos instantes, a frase começou a ser repetida por quem estava ali. Encontrou um ritmo próprio e tornou-se uma resposta colectiva à intervenção policial. Não houve preparação nem uma decisão prévia de criar um cântico. Houve uma situação concreta, uma reacção espontânea e pessoas que reconheceram naquelas palavras algo que também sentiam.</p>



<p>A escolha não foi indiferente. «Cheira a Lisboa» evoca uma cidade, as suas ruas e uma identidade partilhada. Naquela madrugada, a adaptação da frase transformou essa referência familiar numa denúncia política. A Lisboa que cantávamos não correspondia à experiência que estávamos a viver. O contraste entre a cidade evocada pela canção e a realidade diante de nós deu à expressão a sua força imediata.</p>



<p>Nos dias seguintes, o cântico continuou a circular entre as pessoas da Acampada. Na madrugada de domingo, 25 de outubro, quando a polícia voltou a intervir, por volta das duas da manhã, ganhou uma nova dimensão. A frase passou a ouvir-se com ainda mais força, condensando a indignação perante a actuação policial e a determinação de quem se recusava a abandonar o protesto ou a deixar de se fazer ouvir.</p>



<p>Desde então, tenho acompanhado a sua circulação à distância e reconhecido as palavras que gritei naquela primeira madrugada nas vozes de pessoas que não conheço. É uma experiência singular assistir à transformação de uma reacção individual numa expressão colectiva. O que nasceu num momento delimitado, perante uma situação concreta, passou a ser repetido em circunstâncias diferentes e por pessoas que lhe atribuem um significado próprio.</p>



<p>A repetição transforma o grito em presença colectiva, e a presença colectiva torna-se, por sua vez, uma forma de resistência.</p>



<p>Há uma dimensão particularmente significativa neste processo: a linguagem da contestação nem sempre nasce em reuniões, documentos ou palavras de ordem preparadas com antecedência. Pode surgir no meio de uma madrugada, sob pressão, quando alguém encontra as palavras para nomear aquilo que está a viver. Depois, essas palavras deixam de pertencer apenas ao instante em que foram ditas. São reconhecidas, repetidas e transformadas por quem as acolhe.</p>



<p>Foi isso que aconteceu no Rossio. A frase nasceu da experiência de quem estava na praça naquela madrugada e ganhou força através das pessoas que se juntaram ao grito. O seu percurso é inseparável da história da Acampada, da mobilização pelo direito à habitação e da comunidade que se foi construindo naquele espaço.</p>



<p>Acompanhar esse percurso tem sido motivo de orgulho e alegria. Há beleza em perceber como uma expressão espontânea pode criar reconhecimento entre pessoas que partilham uma experiência, mesmo quando não se conhecem. Há também uma dimensão política nessa passagem de uma voz individual para muitas vozes: a possibilidade de transformar a indignação em linguagem comum e de encontrar, na acção colectiva, uma forma de enfrentar o isolamento e o silenciamento.</p>



<p>Naquela madrugada, às seis da manhã, gritei «Não cheira a Lisboa&#8230; cheira a ditadura!» porque aquelas palavras correspondiam ao que estava a viver. Outras pessoas juntaram-se, e o grito tornou-se um cântico. Nos dias seguintes, continuou a ecoar pelas ruas, muito para além daquele primeiro momento.</p>



<p>É essa a história que gostaria de deixar registada: a de uma frase que nasceu espontaneamente no Rossio, no contexto de um protesto pelo direito à habitação, e que encontrou na comunidade a força para se transformar numa voz colectiva.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/acampada-3x-1024x576.png" alt="" class="wp-image-52057" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/acampada-3x-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/acampada-3x-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/acampada-3x-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/acampada-3x-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/acampada-3x-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/acampada-3x-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/acampada-3x-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/acampada-3x-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/acampada-3x.png 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/10/nao-cheira-a-lisboa-cheira-a-ditadura/">&#8220;NÃO CHEIRA A LISBOA&#8230; CHEIRA A DITADURA&#8221;</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2026/10/nao-cheira-a-lisboa-cheira-a-ditadura/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">52052</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
