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	<title>Arquivo de Qeimadela - Duas Linhas</title>
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	<title>Arquivo de Qeimadela - Duas Linhas</title>
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		<title>Ainda &#8220;A habitação mais antiga de Portugal&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Mar 2023 15:00:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em subtítulo do texto publicado no dia 7, perguntávamos «Do século XI? Como é possível?». O título «A habitação mais antiga de Portugal» chamou de imediato a atenção e tivemos um número ímpar de visualizações: já mais de 10400 pessoas leram esse artigo, escassos cinco dias após a publicação, o que constitui prova do interesse [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2023/03/ainda-a-habitacao-mais-antiga-de-portugal/">Ainda &#8220;A habitação mais antiga de Portugal&#8221;</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em subtítulo do texto publicado no dia 7, perguntávamos «Do século XI? Como é possível?».</p>



<p>O título «<strong><a href="https://duaslinhas.pt/2023/03/a-habitacao-mais-antiga-de-portugal/">A habitação mais antiga de Portugal</a></strong>» chamou de imediato a atenção e tivemos um número ímpar de visualizações: já mais de 10400 pessoas leram esse artigo, escassos cinco dias após a publicação, o que constitui prova do interesse que os temas de história local sempre despertam.</p>



<p>E houve comentários, não apenas de aplauso, mas também – e estes particularmente nos agradaram – de reflexão, em jeito de resposta à pergunta que se fizera: será possível atribuir a esta casa uma data tão recuada?</p>



<p>De caminho, falámos da cerâmica e o Doutor Alberto Tapada, em comentário no <em>Facebook,</em> confirmou: na tese de doutoramento que fizera sobre os barros negros (mormente os de Bisalhães) referiu-se aos oleiros da Queimadela, os chamados «tigeleiros».</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Também veio à baila um documento do tempo do Sr. D. Afonso Henriques, o que provocou amável comentário da Dra. Maria Helena Ventura, autora do livro <em>Afonso, o Conquistador, </em>«romance épico sobre o homem que sonhou e fundou o Reino de Portugal», publicado em 2020, e que confirmou a existência das pessoas constantes no documento citado:</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="433" height="619" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/03/afonso-o-conquistador.jpg" alt="" class="wp-image-24906"/></figure></div>


<p>«No meu <em>Afonso</em> apresento Soeiro, no índice onomástico, como terceiro filho do “Aio”… mas tanto ele como os irmãos exerceram altos cargos na corte… […] Sem dúvida também que casou com uma Sancha Bermudes de Trava, filha de Bermudo Peres de Trava e de Urraca Henriques, irmã de Afonso Henriques».</p>



<p>E concluiu:</p>



<p>«Reparar num texto destes que descobre uma casa tão antiga e recorda estes nomes, foi para mim emocionante».</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Quanto ao topónimo Queimadela, o amigo José Pombo não hesitou em adiantar o que a lenda conta:</p>



<p>«O nome de Queimadela, que bem conheço, fez-me lembrar uma história que terá ocorrido no reinado do imperador romano Trajano (sevilhano, ao que parece, que reinou entre 98-117!&#8230;). Para debelar uns &#8220;insurretos&#8221; de Lamego que se terão insurgido contra os duros impostos romanos, teriam sido enviadas 14 legiões (!&#8230;) para arrasar a cidade! Alguns mais avisados terão fugido para localidades dos arredores de Armamar, que foram incendiadas (daí os nomes de Queimada e Queimadela!&#8230;). Isto será lenda, História, ou as duas coisas!».</p>
</div></div>



<p>E se Alberto Júlio Silva confessou, ao ver as imagens, «Isto faz-me cá uma tristeza que só&#8230; sentida!», Ana Nunes declarou conhecer o lugar, até porque tem entre mãos um trabalho «para executar vai para um ano» sobre este «local incrível!».</p>
</div></div>



<h2 class="wp-block-heading"><em><strong>E agora a resposta!</strong></em></h2>



<p>Esclarecer-se-á, em primeiro lugar, um pormenor que se omitiu: é que, a ser verdadeira, a data não equivalia a 1086, mas sim a 1083-38 = 1045, porque a era de Cristo só viria a substituir a era de César no reinado de el-rei D. João I, a 22 de Agosto de 1422.</p>



<p>Outro esclarecimento respeita às fotografias apresentadas: numa vê-se a guarnição em madeira, noutra não; mas foi tudo uma questão de ângulos, sem qualquer intenção de induzir em erro. Numa, a madeira ficou à sombra. Aproveitamos o ensejo para agradecer ao proprietário, o Sr. João Carreira (já nonagenário), a permissão das fotos e da publicação.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="660" height="992" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/03/queimadas-1.jpg" alt="" class="wp-image-24907"/></figure>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Aliás, uma das primeiras observações feitas por peritos em história da arquitectura foi a tipologia do ‘arco’ em que a inscrição foi feita:</p>



<p>«A tipologia construtiva e a forma da verga também não é consentânea com a arquitetura medieval» (Sérgio Gorjão).</p>



<p>«Uma verga assim, neste arco abatido, ligeirinho, parece dissonante neste contexto» (José Teixeira).</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="1484" height="974" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/03/queimadas-a-janela.jpg" alt="" class="wp-image-24908"/></figure>
</div></div>



<p>Depois, foi a questão dos caracteres.</p>



<p>A Doutora Maria Helena da Cruz Coelho, notável medievalista, alertou: «Eu desconfio muito destas antiguidades. A datação nesta época era em algarismos romanos, portanto&#8230; há que ter cautelas»..</p>



<p>Paulo sublinhou:</p>



<p>«Nunca se colocaria uma data em algarismos tal como os conhecemos hoje. A datação até tarde foi em numeração romana. Esse registo pode ser antigo e até pode ter uma razão de ser, mas não prova nada».</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Manuel Abrunhosa queria saber mais:</p>



<p>«Há outros exemplos dessa caligrafia na suposta época de construção ? Em outras casas de idade subsequente próxima? Em edifícios religiosos, tumulária, estatuária, pontes, castelos&#8230;?</p>



<p>O óbvio nem sempre se revela representar uma realidade&#8230;»</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Foi, porém, o comentário de Sérgio Gorjão, director do Palácio Nacional de Mafra – bem haja! – que nos chamou a atenção para um pormenor:</p>



<p>«Parece-me um equívoco&#8230; A forma de grafar os dígitos no século XI não era nada semelhante&#8230; A numeração árabe não era usada&#8230; Aquele &#8220;0&#8221; deve ser um erro epigráfico e o mais certo é querer representar um &#8220;6&#8221;. A tipologia de escrita é muito mais consentânea com a do século XVII».</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>De facto, se compararmos com a outra inscrição que apresentámos para justificar a leitura do 8, nada nos custa concordar: o pretenso O tem, na verdade, embora quase indistinta a perninha para cima, como o 6 da outra data. Portanto: 1683! </p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/03/queimadela-duas-inscricoes.jpg" alt="" class="wp-image-24909"/></figure>
</div></div>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Em conclusão:</strong></h2>



<p>Bem razão tínhamos ao perguntar «<strong><a href="https://duaslinhas.pt/2023/03/a-habitacao-mais-antiga-de-portugal/">Do século XI? Será possível?</a></strong>». Não era. Não era, portanto, a «mais antiga habitação de Portugal»; é, porém, a mais antiga, datada, de Queimadela.</p>



<p>Consola-nos, porém, ter dado a conhecer essa povoação, Queimadela de seu nome, freguesia do concelho de Armamar, de muitos ignorada e que ora – mesmo sem termos razão na hipótese levantada – acabou por andar nas bocas do mundo! O nosso modesto contributo para valorizar o interior. Não é habitação do século XI, mas é da 2ª metade do século XVII. Em 1683, curiosamente, morrera D. Afonso VI e D. Pedro IV assumia o título de Rei de Portugal e dos Algarves. A outra casa com data é de quatro anos depois (1687); será que el-rei D. Pedro trouxe novo alento ao País e tal se repercutiu nestas interiores terras beirãs?</p>



<p><sub>Artigo em co-autoria com <em>José Carlos Santos</em></sub></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2023/03/ainda-a-habitacao-mais-antiga-de-portugal/">Ainda &#8220;A habitação mais antiga de Portugal&#8221;</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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