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	<title>Arquivo de pobreza em Portugal - Duas Linhas</title>
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	<description>Informação online</description>
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	<title>Arquivo de pobreza em Portugal - Duas Linhas</title>
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		<title>A ESTRANHA HISTÓRIA DO REI MAGO BALTASAR</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Jan 2026 11:07:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[UM CRONISTA DE PROVÍNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[Baltasar]]></category>
		<category><![CDATA[combater a pobreza]]></category>
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		<category><![CDATA[pobreza em Portugal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Se o rei Baltasar de nosso tempo e os seus ministros e os seus conselheiros e os seus guardas e demais criados tivessem um coração humilde…</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/01/a-estranha-historia-do-rei-mago-baltasar/">A ESTRANHA HISTÓRIA DO REI MAGO BALTASAR</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="654" height="107" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/baltasar.png" alt="" class="wp-image-46390" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/baltasar.png 654w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/baltasar-300x49.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/baltasar-648x107.png 648w" sizes="(max-width: 654px) 100vw, 654px" /></figure></div>


<p>Singular, de intensidade, a história de Baltasar, um dos três reis do Oriente, &nbsp;que, numa inquieta noite, &nbsp;sente, mais veemente, o vazio dos dias que a fortuna do palácio não lhe preenchia. E eis que descobre, ao amanhecer dessa noite de insónia e devaneio, ao assomar ao terraço do jardim, um homem ainda jovem que, recolhido na sua miséria, o olhava da rua sem rancor.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="523" height="73" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/baltasar2.png" alt="" class="wp-image-46391" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/baltasar2.png 523w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/baltasar2-300x42.png 300w" sizes="(max-width: 523px) 100vw, 523px" /></figure></div>


<p>Fê-lo o rei entrar no palácio e. quando se prontificava a serví-lo, eis que o pobre homem se escapara, assustado.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Manda o rei procurá-lo, dando aos guardas os sinais do ”homem jovem e magro vestido de farrapos”. Mas os guardas voltaram dizendo ao rei que eram sem conto os homens como aquele que o rei descrevia. E só então aquele rei desceu ao chão onde vivia o seu povo e viu a multidão de esfomeados.</p>



<p>Entrou no templo e olhou devagar os seus altares. Um deles era dedicado ao deus dos poderosos, outro à deusa da terra fértil, outro ainda ao deus da sabedoria.</p>



<p>E perguntou o rei aos sacerdotes que ali serviam:</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="614" height="112" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/baltasar-3.png" alt="" class="wp-image-46392" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/baltasar-3.png 614w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/baltasar-3-300x55.png 300w" sizes="(max-width: 614px) 100vw, 614px" /></figure></div>


<p>Na angustiada noite que se seguiu, Baltasar subiu ao terraço alto do palácio e fez do seu grito uma oração:</p>



<p><em>– Como poderei, ó deus dos pobres e humilhados, suportar o que vi se não te vir?</em></p>



<p>E foi então que uma estrela se ergueu e o guiou.</p>
</div></div>



<p>Escrevo evocando uma velha noite de um Natal antigo sempre lembrado com saudade. Era menino na aldeia. O Rei Baltasar era apenas uma poética figurinha no presépio da igreja. Nesse tempo, como acontecera a Baltasar, não me tinha dado ainda conta dos pés descalços, das roupas remendadas, do rosto magro de tanta gente que vivia ao pé de mim.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Meio século se passou desde então.</p>



<p>O “Rei Baltasar” que governa o meu país, os príncipes que ele chamou para conselheiros, os chefes dos guardas, os ministros todos que ele tem e os representantes que levou das províncias ou nelas deixou, não têm descido à rua, parece, e se descem os seus carros passam de cortinas corridas e nenhum deles vê as desgraças que Baltasar viu quando desceu e peregrinou entre o seu povo.</p>



<p>Ah! Se aquela estranha e antiga estrela pudesse ter sido avistada, de novo, no céu!&#8230; Se o rei Baltasar de nosso tempo e os seus ministros e os seus conselheiros e os seus guardas e demais criados tivessem um coração humilde…</p>
</div></div>



<p></p>
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		<title>VIVER E MORRER POBRE, LINEARMENTE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Nov 2025 00:00:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[combater a pobreza]]></category>
		<category><![CDATA[pobreza em Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[trabalhadores pobres]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>1,8 milhões de pessoas vivem em risco de pobreza</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Começo a perder a capacidade de seguir a linha orientadora protagonizada em 25 de Abril de 1974. Fui ao meu bloco de notas, abri-o, folheei, e na página do “25Abr”, começo por ler:</p>



<p>&#8220;<em>Os objectivos sociais definidos no manifesto apresentado pelos capitães de Abril incluem a criação de um regime democrático, o fim da guerra colonial e promover a&nbsp;descolonização. Desenvolver a economia, o sector social e garantir decial e a garantir colonial, a manifesto apresentado pelos &nbsp;direitos e liberdades. Estes objectivos&nbsp;têm por orientação democratizar&nbsp;o país e&nbsp;modernizar&nbsp;a sociedade através de políticas, que melhorem as condições de vida de todos, indiscriminadamente, e garantam o acesso à cultura por todos os cidadãos.</em>&#8220;</p>



<p>No desenvolvimento socioeconómico, anotei que se falava no&nbsp;implemento de um modelo económico moderno e dinâmico, ao serviço do país, que promovesse reformas sociais para combate à pobreza e às desigualdades e assim garantir uma melhoria constante das condições de vida dos cidadãos.</p>



<p>Resumidamente, a Revolução de Abril quis criar uma sociedade mais justa, mais livre e igualitária. Criou o Serviço Nacional de Saúde, a Segurança Social e um Sistema de Ensino Público Universal, tudo o que não era prática no regime anterior, que foi, sim, de opressão e com desigualdades acentuadas, como sabemos.</p>



<p>Passados 50 anos… leio num relatório, recente, que em Portugal:&nbsp;<em>“Cerca de 1,8 milhões de pessoas vivem em risco de pobreza, o que corresponde a aproximadamente 18% da população. Existem também desigualdades regionais significativas, com a taxa de pobreza mais elevada nas regiões autónomas e mais baixa na Grande Lisboa.&nbsp;A &#8220;intensidade da pobreza&#8221; aumentou em 2022, indicando que os mais pobres estão a ficar ainda mais pobres.&nbsp;</em></p>



<p>Sabemos que a pobreza é uma tendência transmitida de pais para filhos. Um jovem de 14 anos que cresce em pobreza, lemos nas estatísticas, este jovem tem três vezes mais probabilidades de continuar a viver em pobreza, isto em comparação com um jovem de 14 anos com uma situação financeira favorável. Não é conversa de “oposicionista da esquerda” ou “populismo da direita”. São estudos credíveis… contrários às conversas de políticos…</p>



<p>O que é verdade: 1,8 milhões de portugueses vivem em famílias com rendimento mensal inferior a 632 euros, onde mais de um quarto da população, em risco de pobreza, se encontra “afogada” nas despesas da habitação, seja, a ganância do valor do aluguer de habitação, por valores iguais à incultura de quem pede esses montantes. Até os bancos vão aumentando o empréstimo, subindo o que disponibilizam por metro quadrado, ao cidadão comprador de casa. Afinal, quantos, ou quais são os especuladores no mercado, oficializados, ou não?</p>



<p>Vamos analisar os porquês deste desaire dos sucessivos governos, que nos traçaram “um caminho destes”, para o “sucesso financeiro” de ”muitos” alguns? Os políticos deram a ideia de que tudo fizeram para minorar, e até anular, este problema sério que assola o nosso povo, e dizem que até estamos melhor do que estávamos… anteriormente. O <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2021/10/olhar-para-a-pobreza-e-nao-olhar-para-os-pobres/">problema</a></strong> tem a duração de 5 décadas e está a agravar-se. Teremos que contratar técnicos estrangeiros, especialistas em Economia, para os nossos governos? Fazer-lhes um contrato (por 2 épocas?), para o caso de não conseguirem motivar os portugueses a trabalhar e a necessitarem de mais tempo para “compor” as contas e <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/05/o-pais-real/">reduzir a pobreza</a></strong>?</p>



<p>Não podemos, é claro, entrar por esta vertente de contratos com estrangeiros. Mas era um ponto a pensar. Entretanto, ainda aparecia um mercado com “pontas de lança” a preços milionários, “treinados” em Yalle ou Harvard. Não podíamos pagar. Quem nos acode? A Nova de Lisboa? O ISCTE? O ISCAL? A UA? A UM? A UC? Afinal, temos muitas faculdades de Economia ou que a leccionam. E?&#8230;</p>



<p>Todos os ministros das Finanças e Economia deram o melhor que sabiam… e? Resultados? Estive a ver se o <em>numerus clausus</em> de entrada nas faculdades tem alguma implicação com os cursos… <strong>Medicina: 18, 19</strong>… <strong>Finanças: 16, 15. Economia: 18</strong>… Qual é o resultado, no final dos cursos? Só posso pensar, aqui somos livres para pensar, será que o curso de Direito é que anda a estragar isto tudo?</p>



<p>A verdade é: “A Economia, as Finanças, são complexas quando se trata de um país.” Já nos falaram assim, do alto das cátedras de muitos e “competentíssimos” ministros. Será que é assim tão complexo, que nem os ministros dão conta do recado? Será que a riqueza produzida, no país, está só disponível para salários? De quem? Dos políticos? Dos médicos? Dos técnicos dos serviços de Meteorologia?</p>



<p>É linear e pouco ortodoxa esta forma de referir o problema. Pois é… Já nos disseram que a Economia é complexa, que as Finanças são complexas. Tudo bem, ao fim de 50 anos, quando é que teremos, então, um “nível de vida complexo e um salário também complexo”? Parece que… não. Afinal, o nível de vida que têm competência para nos dar, bem como os salários, que são conseguidos de forma magistral, dizem-nos, são magnificamente lineares. Ah, queria anunciar, não é mau gosto, é para informar os “técnicos do complexo” que os pobres já diminuíram. Sim, dois foram atropelados, mortalmente, numa linear passadeira… Será que andamos, nós, os votantes, a fazer o trabalho de casa? Todos passam, como querem, no nosso “crivo”?</p>
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		<title>A DEMOLIÇÃO DE CASAS É A DEMOLIÇÃO DE VIDAS</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2025/07/a-demolicao-de-casas-e-a-demolicao-de-vidas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Jul 2025 21:52:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[bairro do Talude]]></category>
		<category><![CDATA[descredibilização da política]]></category>
		<category><![CDATA[pobreza em Loures]]></category>
		<category><![CDATA[pobreza em Portugal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Copiar os modos da extrema-direita é uma traição aos princípios da esquerda democrática.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/07/a-demolicao-de-casas-e-a-demolicao-de-vidas/">A DEMOLIÇÃO DE CASAS É A DEMOLIÇÃO DE VIDAS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>É impossível não pensar noutras geografias mais distantes. Guardadas as proporções, a imagem da retroescavadora faz lembrar as demolições de casas palestinianas na Cisjordânia. De um momento para o outro, famílias atiradas para a rua, sem alternativa, sem dignidade.</p>



<p>O bairro do Talude é de génese ilegal, sim. Foi construído nos anos 80 por imigrantes, em maioria vindos de países africanos de língua portuguesa. Pessoas que vivem há décadas em Portugal, que trabalham, que pagam impostos, que criaram os filhos naquele lugar. Que contribuíram, e continuam a contribuir, para esta sociedade. Mas que nunca conseguiram sair da pobreza, condenadas a ser sempre os últimos na fila.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A decisão da autarquia em demolir todo o bairro, sem garantir alternativas dignas, é mais do que uma medida administrativa. É um ato de abandono social. Um despejo coletivo. Uma espécie de limpeza social que empurra estas pessoas para outro canto qualquer, até voltarem a ser incómodas outra vez.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="801" height="452" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/talude-2.png" alt="" class="wp-image-43028" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/talude-2.png 801w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/talude-2-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/talude-2-768x433.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/talude-2-696x393.png 696w" sizes="auto, (max-width: 801px) 100vw, 801px" /></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="800" height="451" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/talude-4.png" alt="" class="wp-image-43029" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/talude-4.png 800w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/talude-4-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/talude-4-768x433.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/talude-4-696x392.png 696w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /></figure></div></div>
</div>



<p>Porque é isso que vai acontecer: novas barracas noutro lado, novo bairro “ilegal”, novo ciclo de marginalização. Nada se resolve com esta política de demolição sem inclusão. O que está a ser feito no Talude não é combater um problema, é varrer o lixo para debaixo do tapete.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>CINISMO ELEITORAL</strong></h4>



<p>Não se combate a pobreza com retroescavadoras, deixando centenas de famílias sem teto. Combate-se com políticas públicas sérias de habitação, integração, dignidade. Estamos a falar de cidadãos de pleno direito. Não são um estorvo urbanístico.</p>



<p>O mais perturbador é que esta decisão é tomada por um autarca do Partido Socialista, um partido que, em teoria, deveria proteger os mais vulneráveis. Mas estamos a poucos meses das eleições autárquicas, e tudo indica que este gesto não é apenas administrativo. É também um trunfo político. Uma forma de mostrar “mão firme”, de agradar a certos setores do eleitorado, mesmo que à custa da dignidade alheia.</p>



<p>É ainda mais triste que isto aconteça em Loures, município onde nasceu para a política o atual líder da extrema-direita, André Ventura. Foi aqui que, ainda eleito pelo PSD, começou a construir o discurso populista com que mais tarde fundaria o Chega. Agora, parece que os métodos e as prioridades desse discurso estão a contaminar o PS local.</p>



<p>Despejar pessoas pobres para ganhar votos é vergonhoso. Copiar os modos da extrema-direita é uma traição aos princípios da esquerda democrática. O que está a ser feito no Talude não é política pública, é puro cinismo eleitoral.</p>



<p></p>



<p></p>
</div></div>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/07/a-demolicao-de-casas-e-a-demolicao-de-vidas/">A DEMOLIÇÃO DE CASAS É A DEMOLIÇÃO DE VIDAS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>UM TIPO ABRE O JORNAL E SÓ LÊ DESGRAÇAS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Apr 2025 13:03:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[Jornal de Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[pobreza em Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[salário mínimo nacional]]></category>
		<category><![CDATA[trabalhadores pobres]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>um país onde mais de metade dos trabalhadores recebe o SMN, não pode dizer que tem uma economia saudável</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/04/um-tipo-abre-o-jornal-e-so-le-desgracas/">UM TIPO ABRE O JORNAL E SÓ LÊ DESGRAÇAS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A propósito de um estudo do Banco de Portugal, a <strong><a href="https://www.jn.pt/774614664/mais-de-metade-ganha-o-salario-minimo-em-16-concelhos/">notícia</a></strong> diz que mais de metade dos trabalhadores portugueses ganha o salário mínimo nacional (SMN). Ora, um país onde mais de metade dos trabalhadores recebe o SMN, não pode dizer que tem uma economia saudável, mesmo se os níveis de desemprego não são elevados. Estamos a falar de um salário mínimo bastante baixo para os padrões europeus: 870 euros.</p>



<p>Sempre que o Governo anuncia um aumento do salário mínimo, o patronato ergue a voz em uníssono e ameaça com falências, clama por competitividade perdida, e profetiza uma vaga de desemprego que, curiosamente, nunca chega.</p>



<p>É quase uma tradição: o país avança um pouco na justiça salarial, e o discurso do medo é imediatamente ativado. Mas a verdade é outra. O que se confirma ano após ano é que as empresas não fecham em catadupa, a economia não colapsa, e o emprego não desaparece.</p>



<p>É a ganância dos patrões que mantém o trabalhador no limiar da pobreza, sem conseguir pagar uma casa, um cabaz de compras ou uma consulta médica. Se uma empresa só sobrevive à custa de pagar salários de miséria, então não é viável, é parasitária.</p>



<p>O problema está na ganância de quem se recusa a partilhar de forma justa os frutos do crescimento económico. O problema está na ‘cultura empresarial’ que prefere pressionar o Estado a valorizar o trabalho.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/Zhssape.jpeg" alt="" class="wp-image-40815"/><figcaption class="wp-element-caption">                                          recorte do artigo do JN em 6 de abril de 2025</figcaption></figure>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O EXEMPLO DE CAMPO MAIOR</strong></h4>



<p>Há um único exemplo de bom comportamento patronal. Fica no município alentejano de Campo Maior. Ali, ninguém ganha pela tabela mínima. Nem a Delta nem a MHI Cultivo Medicinal e nem a Hutchinson Borrachas pagam pelo mínimo como, ainda, os que não têm emprego nestas principais empresas da região, acabam por ir ali ao lado trabalhar para um patrão espanhol e, em Espanha, o salário mínimo é de 1184 euros. </p>



<p>Em Campo Maior não há desempregados, o que prova que não são os salários minimamente decentes que prejudicam a economia. </p>



<p></p>
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		<title>A MALGA DE CALDO COMO “PÃO DE CADA DIA”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jan 2025 00:00:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[UM CRONISTA DE PROVÍNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[a vida tal como ela é]]></category>
		<category><![CDATA[caldo]]></category>
		<category><![CDATA[pobreza em Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[sopa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No contar de hoje trago o brevíssimo episódio da chegada à velha casa da aldeia do brasileiro Manuel Louvadeus, que, há uns anos, partira para o Brasil, deixando os filhos ainda criança, história contada por Aquilino Ribeiro ao abrir do seu romance Quando os Lobos Uivam, essoutro vivo retrato das Terras do Demo. Era lua-cheia, [&#8230;]</p>
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<p>No contar de hoje trago o brevíssimo episódio da chegada à velha casa da aldeia do brasileiro Manuel Louvadeus, que, há uns anos, partira para o Brasil, deixando os filhos ainda criança, história contada por Aquilino Ribeiro ao abrir do seu romance <em>Quando os Lobos Uivam,</em> essoutro vivo retrato das <em>Terras do Demo.</em></p>



<p><em>Era lua-cheia, pelos fins de Março marçagão, na altura do ano em que os dias são iguais às noites, e pelo tinir dos garfos e pausas intermitentes assentou para consigo que estavam a cear. Miga bem a tigela, dizia a voz materna, amorável no seu sotaque ralhado. Miga bem, Jaime, que só tens caldo!</em></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/caldo-x4-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-39000" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/caldo-x4-1024x576.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/caldo-x4-300x169.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/caldo-x4-768x432.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/caldo-x4-696x392.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/caldo-x4-1068x601.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/caldo-x4.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>O prato de “sopa”, que se oferece agora sobre a branca toalha de uma mesa familiar, ainda à antiga, ou sobre a mesa de um moderno estabelecimento de restauração, traz à memória dos mais velhos esse identitário cerimonial, ritual quase se lhe pode chamar, da preparação e do sequente acto de uma das mais costumeiras e populares práticas de manducação que atravessou gerações – o fazer e o comer o <em>caldo</em>, como antes se dizia.</p>



<p>Caldo, lhe chamávamos. De <em>calidum, </em>palavra que lhe fica de raiz, quente da lareira na hora de servir, quente que ficava quem chegava, às vezes de caminho de neve ou de geada, quente do amor, que isso era o que ele mais simbolizava.</p>



<p>Servia-se ao lavrador sobre o chão da arada, da cava ou da vessada, servia-se na cozinha, sentados no escano, ao calor da lareira, entre mãos a malga às vezes <em>esboicelada,</em> e sobre mesa de festa, na sala mais honrada, com uma oração de permeio.</p>



<p>O caldo era componente primeiro da ceia de pastor, que uma criança levava, e a tigela, a malga de louceiro, que chegava no verão, ganhava quase o ser de um vaso sagrado em que o oficiante do mistério era sempre uma mulher, que antes se cumpria ao estendê-la a um pobre de pedir, a bufarinheiro de longe ou à vendedeira de louça vinda de Molelos ou essa outra que também chegava de Barcelos, que requeressem um canto de cabanal onde dormir.</p>



<p>De exemplaridade primeira, associação completa dos produtos da terra, a sopa de lavrador, agora por nós assim chamada, água da fonte e sal e batata, feijão, abóbora e grão, couve troncha e mais tarde em flor, nabo e o pé de porco a temperar ou o naco de toucinho ou o osso da assuã, chouriça também pode ser, e a manteiga caseira da feitura dos torresmos logo após a <em>matança</em> – este caldo, matricial, era a representação da terra inteira e era sinal de que o homem se fizera o seu senhor.</p>



<p>E o caldo de galinha que também havia, caldo de antes dar às mulheres em puerpério, e o caldinho de ovo com uns grãos de arroz ou de estrelinhas ou letras que davam para brincar, o caldo quase doce de castanhas, as <em>berças</em> de couve e farinha, e a <em>água de unto</em>, pobrezinha, que também às vezes vi servir.</p>



<p>A partir de Março, nas cavas da vinha, nas lavras da terra, nas regas, nas mondas, nas ceifas de Verão, nas malhas de Agosto, as lavradeiras preparavam os suculentos caldos de castanha, que alimentavam os homens no duro trabalho de sol a sol.</p>



<p>As castanhas piladas, <em>martaínha</em> ou <em>longa</em>, secas no <em>caniço</em>, eram o ingrediente primeiro.</p>



<p>Carne de porco, da <em>salgadeira</em>, era o conduto de temperar. Às vezes, feijão, para acrescentar e a cebola, que depois quebrava a doçura. E o sal. E a água da terra. E o pote de ferro e o lume do lar. E esse sábio fazer das mãos da mulher. E a tolha de linho estendida no chão, na sombra leve de um castanheiro.</p>



<p>E o caldo que ainda falta, em nossos dias, na mesa do almoço de dois milhões de portugueses!&#8230;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/sopa-x4-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-39006" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/sopa-x4-1024x576.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/sopa-x4-300x169.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/sopa-x4-768x432.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/sopa-x4-696x392.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/sopa-x4-1068x601.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/sopa-x4.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
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		<title>POBREZA DESDE SEMPRE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Sep 2023 23:00:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
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		<category><![CDATA[PEDRAS ANTIGAS]]></category>
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		<category><![CDATA[pedras antigas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>«Aberta aos pobres». Estranha, a inscrição em latim que jaz, solitária, no corredor do claustro do Fórum Cultural de Almodôvar: APERTAM PAVPERIBVS. Que se esconderá, afinal, por detrás de tão singular letreiro? Chama a atenção. Foi, decerto, verga de porta. De grauvaque local, tem 158 cm de comprimento, 32 de largura e 22 de espessura. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>«Aberta aos pobres». Estranha, a inscrição em latim que jaz, solitária, no corredor do claustro do Fórum Cultural de Almodôvar: APERTAM PAVPERIBVS. Que se esconderá, afinal, por detrás de tão singular letreiro?</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1712" height="972" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/09/casa-dos-pobres-inscricao.jpg" alt="" class="wp-image-28570"/><figcaption class="wp-element-caption">Pedra com a inscrição <em>APERTAM PAVPERIBVS</em></figcaption></figure>



<p>Chama a atenção. Foi, decerto, verga de porta. De grauvaque local, tem 158 cm de comprimento, 32 de largura e 22 de espessura. O campo epigráfico – de 124 cm de comprimento e 21 de largura – foi aberto na superfície grauváquica, alisado, delimitado superiormente por ranhura que o separa da superfície do bloco deixada por alisar, o que denota se ter destinado esta parte a ficar escondida sob o reboco, deixando apenas o letreiro à vista. Não existe a correspondente ranhura inferior, por coincidir com a superfície inferior do lintel, que ficava à vista sobre a porta.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1867" height="485" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/09/casa-dos-pobres-inscricao-2.jpg" alt="" class="wp-image-28572"/></figure>



<p>Enquadra o letreiro um rectângulo limitado, também ele, por ranhura singela e que deixa espaço de cada lado para a gravação da data : I7 e II, respectivamente.</p>



<p>O letreiro não oferece dúvida de leitura, apesar dos múltiplos nexos a que se recorreu para melhor aproveitamento do espaço disponível: AP, AMP e AVP são os nexos aqui presentes, chamando-se ‘nexo’ à utilização comum, por parte de duas ou mais letras, dos traços respectivos. Assim, a 2ª perna do A serviu de haste para o P; o A ficou metido na 1ª metade do M e, deste, o P aproveitou o último traço, assim como, de seguida, as letras AVP lograram ‘organizar-se’ com os traços que lhes serviam.</p>



<p>Assim lê-se:</p>



<p>I7 | APERTAM PAVPERIBVS | II</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1039" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/09/casa-dos-pobres-inscricao-3.jpg" alt="" class="wp-image-28574"/></figure>



<p>Data-se, pois, de 1711 e significa: «Aberta aos pobres». Também poderia traduzir-se «para os pobres». Na verdade, ambas as preposições – <strong>a</strong> e <strong>para </strong>– são aceitáveis, embora possam dar à frase duas conotações diferentes: a casa ‘foi aberta para os pobres’ ou a casa ‘está aberta aos pobres’. O uso do latim permite que ambas as interpretações sejam válidas e foi porventura essa ambiguidade que se procurou manter, ambiguidade acrescida, como está, pelo uso do acusativo <em>apertam,</em> a pressupor, para esse complemento directo, o subentendimento de um verbo transitivo.</p>
</div></div>



<p>Não vamos, porém, massacrar os nossos leitores com tais minudências gramaticais, porque – quer tenha sido aberta expressamente para os pobres ou manifeste apenas a intenção de dar guarida a quantos como tal se apresentassem – o certo é que o letreiro anunciava que os pobres eram bem-vindos. Casa paroquial seria, por estar escrita em latim, ou parte de convento de ordens mendicantes que a essa obra de caridade se dedicassem?</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>De acordo com os dados que lográmos apurar, a pedra estava inscrita na verga da porta de uma casa&nbsp;que foi demolida na&nbsp;aldeia do Rosário, freguesia do mesmo nome e concelho de Almodôvar, situada na Rua das Eirinhas,.</p>



<p>Segundo nos disseram Jaime Murta, neto de Manuel Joaquim, antigo proprietário, e Francisco António Deodato, pai da actual proprietária, Elisabete Deodato,  foi-lhes transmitido pelos mais velhos que a casa terá sido residência de padres,  em época recuada. Lembram-se de haver na casa &#8220;pilheiras&#8221;, ou seja, cantareiras abertas nas paredes, do tipo de altares, e pias, que se supõe reportarem à vivência dos antigos habitantes. </p>



<p>Em 1999, os responsáveis pelos serviços camarários ligados à Cultura e ao Património, houveram por bem recolher a inscrição e outro fragmento pétreo com uma cruz, tipo flor de lis em relevo, mui provavelmente pertencente ao mesmo edificado e que estavam &#8220;abandonados&#8221; no terreno. Ciente do seu valor histórico, o Sr. Francisco António Deodato, que tinha adquirido o imóvel, não hesitou em os ceder para a Câmara os ter em bom recato.</p>



<p>A pedra foi, na altura, depositada num armazém e daí trazida para o claustro do Convento de Nossa Senhora da Conceição (Fórum Cultural de Almodôvar), onde se encontra, a desafiar os investigadores locais para dela obterem mais adequado enquadramento histórico.</p>



<p>Datada dos primórdios do século XVIII, porventura testemunhos idênticos haverá dessa época. Certo é, porém, que manifesta uma preocupação assistencial digna de apreço. Em 1711, estava-se no reinado de D. João V, «O Magnânimo».</p>



<p>O letreiro faz-nos lembrar de imediato a designação Casa dos Pobres, por que virão a ser conhecidas institucionais criadas já nos primórdios do século XX.</p>
</div></div>



<p>Estamos a recordar uma das mais conhecidas e activas, a Casa dos Pobres de Coimbra. Fundada em 1935, no Pátio da Inquisição, mudou-se provisoriamente para a Praça do Comércio em 2001, donde saiu, em 2007, para um novo edifício em São Martinho do Bispo.</p>



<p>Também na Pampilhosa, foi criada, em 1938, uma Comissão de Assistência aos Pobres da Freguesia da Pampilhosa para – lê-se em documentação da altura – «acabar, dentro do possível, com esta miséria, facultando aos pobres desta freguesia o pão que até agora têm andado esmolando pelas portas.» Esta comissão iniciou o seu trabalho a 1 de Janeiro de 1939, ano em que construiu o edifício da “Casa dos Pobres”, que se manteve com essa finalidade enquanto preciso foi.</p>



<p>Lemos que, a 23 de Abril de 1932, foram aprovados pelo Governo Civil do Porto os primeiros estatutos da “Casa dos Pobres” (Albergues de Sant’Ana), em Matosinhos. Nessa mesma altura se criou a Associação de Assistência aos Pobres do Concelho de Matosinhos, com o objectivo de contribuir para a «extinção da mendicidade».</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Houve também em Guimarães a Casa dos Pobres (Lar de Sto. António), criada em 1934, que a si anexou a chamada «Cozinha Económica» para fornecer alimentação, a preços módicos, “às classes proletárias”.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="586" height="798" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/09/casa-dos-pobres-guimaraes.jpg" alt="" class="wp-image-28568"/><figcaption class="wp-element-caption">Casa dos Pobres de Guimarães</figcaption></figure></div>


<p>Sabemos que, em Cascais, uma das figuras relevantes de médico, o Dr. António Pereira Coutinho, falecido a 13 de Fevereiro de 1964, foi grande amigo dos pobres e bons serviços lhes prestou na Casa dos Pobres. Esta, que estava dotada de capela própria, como se documenta num postal ilustrado de 1950, e se encontrava precariamente instalada no edifício duma antiga fábrica de conservas, na Av. de Sintra, viria a ser dotada de novas instalações, cuja primeira pedra se lançou a 23 de Setembro de 1964, passando a chamar-se Casa de Repouso de Cascais.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="559" height="860" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/09/casa-dos-pobres-cascais.jpg" alt="" class="wp-image-28566"/><figcaption class="wp-element-caption">Capela da Casa dos Pobres de Cascais, num postal de 1950</figcaption></figure></div>


<p>Merecerá, pois, investigação – e porventura já mereceu – a criação destas Casas dos Pobres, de que esta, de 1711, terá sido, em Almodôvar, 200 anos antes, a pioneira! Na verdade, os poucos exemplos aduzidos apontam só para os anos 30 do século XX essa atenção generalizada.</p>



<p><sub>Artigo em co-autoria com Rui Cortes</sub></p>
</div></div>
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		<title>A Pobreza e a ‘pobreza’</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Margarida Maria]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Oct 2022 21:02:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[LIFESTYLE]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[TINTA PERMANENTE]]></category>
		<category><![CDATA[pobreza em Portugal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No tempo da troika, algures em 2014, um casal de professores e dois filhos viveram debaixo de uma ponte durante uns meses. As prestações elevadas impediram-nos de manter a habitação. Quando por lá passei, até os móveis estavam ali. E viviam como se ali houvesse um tecto. Mantenho a minha imensa admiração por aqueles pais [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>No tempo da troika, algures em 2014, um casal de professores e dois filhos viveram debaixo de uma ponte durante uns meses. As prestações elevadas impediram-nos de manter a habitação. Quando por lá passei, até os móveis estavam ali. E viviam como se ali houvesse um tecto. Mantenho a minha imensa admiração por aqueles pais que conseguiam dar um ar de alguma normalidade a uma situação absolutamente anormal.</p>



<p>Também nessa altura, os ricos ficaram mais ricos e os pobres mais pobres. Uma classe média que se foi desvanecendo e à qual foi muito difícil recuperar algum poder de compra.</p>



<p>Leio um relatório da Pordata, divulgado no dia 17, Dia Internacional Para a Erradicação da Pobreza, que refere que em 2020, e pela primeira vez em seis anos, Portugal registou um aumento no número de pessoas em risco de pobreza, apesar dos apoios sociais. Muitas destas pessoas, como o casal de professores que referi, tem filhos.</p>



<p>Claro que se fala na pandemia e nos dois anos passados em confinamentos: o número de pessoas em risco de pobreza ou de exclusão social aumentou 12,5% em 2020 comparativamente a 2019. E acrescenta-se que o Covid-19 teve um forte impacto no rendimento dos portugueses, com mais famílias no escalão mínimo de IRS.</p>



<p>Agora veio a guerra e a consequente crise económica que obrigam muitas instituições a recorrerem mais ao Banco Alimentar para ajudar mais famílias carenciadas. Acresce a isto que muitas destas instituições, que recebiam donativos directos de grandes empresas, viram-nos cortados porque os gastos destas aumentaram exponencialmente. Um gestor de topo de uma grande multinacional dizia-me recentemente que os gastos só em transportes aumentaram mais de seis milhões de euros.</p>



<p>Os donativos particulares também diminuíram acentuadamente. Tradicionalmente eram feitos por uma classe média alta, que já desceu para média e que, a continuar tudo como está, em breve enfrentará o limiar da pobreza.</p>



<p>Mas basta olhar para as revistas cor-de-rosa ou alguns programas de televisão para se perceber o quão mais ricos estão os ricos e que o fosso já é de uma classe no limiar da pobreza, ou mesmo pobre, para uma classe alta à qual nada faltará.</p>



<p>De entre estes há, todavia, o que sofrem de uma outra ‘pobreza’. Prevista para hoje e felizmente cancelada, por indigna, foi uma ideia da vereadora independente, eleita pela Coligação Novos Tempos (PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança), Laurinda Alves – a tal que não queria levar pessoas sem-abrigo ao festival Rock In Rio, para não sofrerem tentações (!). Pois queria a vereadora fazer uma marcha e um piquenique destinados às ‘pessoas de maior vulnerabilidade social’.</p>



<p>Claro que todos lhe caíram em cima e o coro de críticas foi de tal ordem que o ‘evento’ foi cancelado. A maioria dos presidentes das juntas defendeu que ‘essas pessoas devem ser protegidas e não expostas’.</p>



<p>E, no âmbito desta ‘pobreza’, surge a notícia mais pobre: A organização da marcha anunciou que Marcelo Rebelo de Sousa também iria marchar ‘pelas 15h00, depois do almoço, para dar o ponto de partida’. Só não entendi se, se a marcha se tivesse realizado, o Presidente almoçaria em Belém com a vereadora ou iam almoçar com os pobrezinhos.</p>
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		<title>Sintra, um dia Marcelo vai visitar Ildefonso</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Oct 2021 00:05:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
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		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Marcelo Rebelo de Sousa]]></category>
		<category><![CDATA[pobreza em Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[sem abrigo em Sintra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Marcelo Rebelo de Sousa visitou um antigo sem abrigo que viveu durante muito tempo literalmente debaixo de uma ponte na cidade do Porto. O homem chama-se Manuel Fernandes e, hoje, vive numa casa social na freguesia da Campanhã. O caso de Manuel Fernandes foi resolvido pela visibilidade que Marcelo lhe deu quando o visitou debaixo [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2021/10/sintra-um-dia-marcelo-vai-visitar-ildefonso/">Sintra, um dia Marcelo vai visitar Ildefonso</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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<p>Marcelo Rebelo de Sousa visitou um antigo sem abrigo que viveu durante muito tempo literalmente debaixo de uma ponte na cidade do Porto. O homem chama-se Manuel Fernandes e, hoje, vive numa casa social na freguesia da Campanhã.</p>



<p>O caso de Manuel Fernandes foi resolvido pela visibilidade que Marcelo lhe deu quando o visitou debaixo da ponte. Valeu a pena o esforço, pela selfie e pela solução que se encontrou para o caso deste homem.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/rm5ZbGM.jpg" alt="" class="wp-image-13114"/></figure>



<p>Agora, Marcelo aproveitou a ocasião para lamentar que a situação dos sem abrigo tenha piorado bastante, principalmente desde que a pandemia surgiu. O Presidente da República lembrou que tinha a esperança de ver a situação dos sem abrigo resolvida até 2023, objetivo que não será alcançado.</p>



<p>Para Marcelo Rebelo de Sousa, o caso de Manuel Fernandes é &#8220;um bom exemplo&#8221; do papel da comunicação social para alertar para casos semelhantes, e importante porque &#8220;dá esperança&#8221;. Este Presidente é uma pessoa simpática e, quando lhe dá jeito, gosta de passar a mão pelo lombo de quem lhe pode ser útil.</p>



<p>O que nós gostaríamos era que ele viesse até Sintra. O senhor Manuel Ildefonso não vive debaixo de uma ponte, vive debaixo das estrelas. Vive à porta da Câmara Municipal que se recusa a tentar resolver um problema tão fácil quanto urgente, que é entregar uma casa de habitação social ao senhor Manuel Ildefonso. Ah, Marcelo. Que bela história que está aqui!</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/wcTJzXl.jpg" alt="" class="wp-image-13112"/><figcaption>na imagem, o sr. Manuel Ildefonso</figcaption></figure>
</div></div>



<p>Lá no Porto, na casa onde vive Manuel Fernandes, Marcelo explicou aos jornalistas que o problema da habitação social “ passa pelo plano nacional, passa pelo papel das câmaras e das freguesias, mas as Câmaras é que têm de ter, conjuntamente com o Estado, políticas de habitação&#8221;, disse Marcelo. Será que se fez ouvir em Sintra?</p>



<p>Marcelo Rebelou de Sousa disse, ainda, que sem uma casa é quase impossível alguém conseguir refazer a vida. &nbsp;Marcelo sabe. Basílio quer lá saber.</p>



<p>Sobre o senhor Manuel Ildefonso, as últimas notícias dizem respeito a <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2021/10/ildefonso-dorme-ao-relento-em-frente-a-camara-municipal-de-sintra/?swcfpc=1">mais uma expedição punitiva da Polícia Municipal</a></strong> que, por volta das 22h30 o acordou e lhe retirou o colchão de espuma onde dormia, levou-lhe o saco cama onde se recolhia do frio e o chapéu de praia que tanto lhe dava sombra de dia como o protegia da chuva e da humidade da noite e levaram, ainda, os cartazes onde o homem expressa o seu protesto. <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2021/10/sintra-policia-municipal-ataca-cidadao-sem-abrigo/?swcfpc=1">A Polícia Municipal não tem o direito legal de despojar o senhor Manuel Ildefonso dos seus parcos bens</a></strong>.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/xjeie6f.jpg" alt="" data-id="13109" data-link="https://duaslinhas.pt/?attachment_id=13109" class="wp-image-13109"/><figcaption class="blocks-gallery-item__caption">antes da &#8220;visita&#8221; da Polícia Municipal</figcaption></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/LI4Ifpf.png" alt="" data-id="13110" data-link="https://duaslinhas.pt/?attachment_id=13110" class="wp-image-13110"/><figcaption class="blocks-gallery-item__caption">depois da &#8220;visita&#8221;</figcaption></figure></li></ul></figure>
</div></div>



<p>Isto, depois de lhe terem já levado dois carros (primeiro um, depois outro que recentemente lhe foi dado), que eram propriedade do senhor Ildefonso e onde ele dormia desde que ficou sem casa. <em>Subtraíram</em> as viaturas com tudo o que lá estava dentro (roupa, utensílios de cozinha, comida, etc.). Uma prepotência.</p>



<p>Um dia destes, pode ser que quem vá visitar o senhor Manuel Ildefonso seja o Presidente da República.</p>
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		<title>Olhar para a pobreza e não olhar para os pobres</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Oct 2021 00:06:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O modo como os dados sobre a pobreza estão a ser tratados pelos media talvez mereça uma reflexão. Começa logo pela fotografia adotada para ilustrar a situação. Hoje, todos os órgãos de comunicação social não dispensam site e redes sociais e, assim, a imagem é tão fundamental como o texto, às vezes até mais. Por [&#8230;]</p>
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<p>O modo como os dados sobre a pobreza estão a ser tratados pelos media talvez mereça uma reflexão. Começa logo pela fotografia adotada para ilustrar a situação. Hoje, todos os órgãos de comunicação social não dispensam site e redes sociais e, assim, a imagem é tão fundamental como o texto, às vezes até mais.</p>



<p>Por exemplo, a TSF escolhe uma foto de uma mão com unhas sujas. A agência Lusa escolheu a imagem de um velhote. No site do Expresso, o Banco Alimentar Contra a Fome. No noticiário da RTP, ao lado da apresentadora bem vestida um pobre embrulhado numa manta encostado a uma parede. Ou seja, os media dizem-nos que pobre é um velho, sem abrigo, não toma banho e come na sopa do Sidónio (nome popular e antigo, atribuído às organizações que fornecem alimentação cozinhada aos pobres).</p>



<figure class="wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/3HAzzNQ.jpg" alt="" data-id="13058" data-link="https://duaslinhas.pt/?attachment_id=13058" class="wp-image-13058"/><figcaption class="blocks-gallery-item__caption">TSF</figcaption></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/MCzfFdF.jpg" alt="" data-id="13057" data-link="https://duaslinhas.pt/?attachment_id=13057" class="wp-image-13057"/><figcaption class="blocks-gallery-item__caption">Lusa</figcaption></figure></li></ul></figure>



<figure class="wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/SFme4lZ.jpg" alt="" data-id="13059" data-link="https://duaslinhas.pt/?attachment_id=13059" class="wp-image-13059"/><figcaption class="blocks-gallery-item__caption">Expresso</figcaption></figure></li><li class="blocks-gallery-item"><figure><img loading="lazy" decoding="async" width="2560" height="1920" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2021/10/pobreza-rtp-scaled.jpg" alt="" data-id="13060" data-link="https://duaslinhas.pt/?attachment_id=13060" class="wp-image-13060"/><figcaption class="blocks-gallery-item__caption">RTP</figcaption></figure></li></ul></figure>



<p>Nos diferentes textos dos vários media, a mensagem também é uniforme porque os dados não são trabalhados, apenas repetidos. Assim como a Lusa escreveu, assim se lê por todo o lado. E a Lusa muitas vezes apenas retransmite o que a fonte falou.</p>



<p>É assim que as incongruências não são despistadas. Por exemplo, dizem-nos que nunca houve tão poucos pobres, como hoje. São “apenas” 1 milhão e 600 mil pessoas a viver com menos de 540 € por mês. Ou seja, 18 € por dia. Mas, ao mesmo tempo, lemos que aumentou o número de alunos que têm apoios socioeconómicos. Outro exemplo, a pobreza aparece ligada à falta de escolaridade. A maioria dos pobres não têm mais do que o 9ºano de escolaridade, o que é estranho numa economia baseada em salários baixos e mão-de-obra não qualificada. Isto, enquanto nos dizem que o desemprego não aumentou. E ninguém fala do desemprego de longa duração que afeta maioritariamente, suponho, pessoas com mais de 55 anos e escolaridade acima da média. Quantos licenciados, mestres ou doutorados não têm emprego? para os mais jovens, o IEFP tem um bom número de formações e de planos, inclusivamente para projetos de criação do próprio emprego. Mas que respostas existem para desempregados com mais de 55 ou 60 anos de idade e com qualificações académicas de nível universitário?   Se alguém souber as respostas, digam-me.</p>



<p>Ou seja, pobreza não tem um estereótipo. A pobreza tem múltiplas facetas, muitas delas escondidas ou dissimuladas. Não só pela vergonha, mas também pela resiliência. A estatística é uma mentira, em termos concretos. Para desmontar isso, o que as pessoas esperam dos jornalistas são histórias com gente viva. Dispensamos &#8220;chouriços&#8221; informativos. </p>



<p></p>
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