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	<title>Arquivo de ópera Aida - Duas Linhas</title>
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		<title>SENSAÇÕES ESTRANHAS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 May 2026 10:00:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A história de Aïda, serva, a morrer de paixão por Radamés, o filho do faraó.</p>
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<p>Em tempos, passei junto da Ópera de Milão, no momento em que chegavam – de lamborghini, ferrari, porsches… – damas de longos vestidos, cavalheiros de fato escuro e papillon. Saíam os motoristas numa pressa, para escancararem as portas de trás. Uma suave atmosfera de outro mundo, ou melhor, deste nosso, prosaico, a penetrar noutro universo, dignando-se a descer ao comum dos mortais…</p>



<p>Na noite do passado dia 5, mui diferente foi a entrada para o hall do Casino Estoril, agora longo tapete estendido a sedutoras máquinas de jogo… Bem acolhedor se quis mostrar o glorioso Salão Preto e Prata, sem milanesas pretensões – que tal não era o objectivo.</p>



<p>Esperava-nos Verdi. Ia mostrar-nos uma Aïda, serva, a morrer de paixão por Radamés, o filho do faraó. Mútua era essa paixão. Sim, tudo se passava noutro tempo, em que havia hieróglifos sem Pedra de Roseta capaz de os decifrar.</p>



<p>Encenação de Ignacio García e Aurora Cano; discreta também a cenografia, de Alejandro Contreras, mais a sugerir do que a mostrar. Em pano de fundo, enorme painel de hieróglifos, de enigmática mensagem. Figurinos de Ana Ramos, igualmente sem escusadas ostentações, ligeiro apontamento egípcio antigo. A Hesperian Symphony Orchestra, dirigida por Antonio Ariza Momblant, a não ocupar o papel preponderante, mas apenas a sublinhar a acção, ora em lírica suavidade ora, qual sonora trombeta, forte dramaticidade.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Invocaram-se Ísis e Osíris, porque aos humanos nem tudo corre bem – ou nada mesmo – &nbsp;sem o conluio dos deuses,&nbsp; num lima de guerra entre povos vizinhos: Etíopes dum lado (o povo de Aïda), Egípcios do outro. Agora invadidos, daqui a pouco invasores…</p>



<p>E o Amor acaba por vencer. Acaba – embora trágico – por falar mais alto do que o fragor metálico das espadas e punhais.</p>


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<p>Mais uma louvável iniciativa do Grupo Chiado para trazer a ópera ao quotidiano. Bem hajam! Gratos estamos, também, pela gentil cedência de imagens. Gratos a: María Ruiz  e Lucía Tavira, no difícil e muito bem desempenhado papel de Aïda; a Eduardo Sandoval e Enrique Ferrer, elegantes figuras de Radamés. María Luisa Corbacho incarnou bem Amneris, a princesa despeitada; Manuel Mas foi o vingativo Monasro, rei da Etiópia, pai da protagonista; Jordi Serrano, o faraó, soberano; Ramfis,·Antonio Alonso, por seu turno, altivo no papel de Sumo Sacerdote, a autoridade religiosa e política, a voz do poder dos deuses e da segurança do Estado.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>E não faltou o coro, aquela anónima «voz do Povo», a tudo comentar, como se fora de cena estivesse e jamais pudesse calar-se. Feminino e masculino – porque, em tragédias assim, há sempre as duas perspectivas a ter em conta.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="363" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/AIDA-coro-1024x363.png" alt="" class="wp-image-49010" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/AIDA-coro-1024x363.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/AIDA-coro-300x106.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/AIDA-coro-768x272.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/AIDA-coro-1536x545.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/AIDA-coro-696x247.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/AIDA-coro-1392x494.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/AIDA-coro-1068x379.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/AIDA-coro-1320x468.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/AIDA-coro.png 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Acrescente-se que foi na véspera de Natal de 1871 que o espectáculo subiu à cena, pela primeira vez, na Ópera do Cairo, capital do Egipto. No palco do Salão Preto e Prata, os quatro actos seguiram o libreto que António Ghislanzoni (1824–1893) escreveu para Giuseppe Verdi (este, o trabalho que&nbsp; tornou Ghislanzoni mais famoso como libretista), preparado com a colaboração do francês Camille du Locle (1832–1903) e do egiptólogo e arqueólogo Auguste Mariette (1821–1881). Bem diversificada equipa, portanto.</p>



<p>A apresentação no Estoril foi a primeira das quatro previstas para esta digressão em Portugal, que vai terminar em Lisboa, depois de passar por Braga e Águeda.</p>
</div></div>



<p></p>
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