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	<title>Arquivo de Oliveira Martins - Duas Linhas</title>
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		<title>MUDAR O SÉCULO SEM ACORDAR O PAÍS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alfredo Quintas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Aug 2026 23:00:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CRÍTICAS E PROSAS]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>"o nosso mal não é a paixão que erra, é a fraqueza que se resigna"</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/08/mudar-o-seculo-sem-acordar-o-pais/">MUDAR O SÉCULO SEM ACORDAR O PAÍS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O diagnóstico de 1902 <em>(uma póstuma homenagem a Oliveira Martins)</em> bate à porta do Portugal contemporâneo com uma precisão cirúrgica. No século XXI, o sentimento português vive uma esquizofrenia identitária: por um lado, exportamos uma imagem de país moderno, tecnológico, turístico e acolhedor; por outro, partilhamos secretamente a mesma melancolia e o mesmo sufoco descritos na <em>Revista &#8211; A Comédia Portuguesa – Ano I, Lisboa 1 de Setembro de 1902</em>. A &#8220;fortaleza de misérias&#8221; mudou de aspeto, mas o labirinto interior permanece idêntico.</p>



<pre class="wp-block-verse has-text-align-right">"Para as nações como para os homens, o pior estado é o torpor; e o nosso mal não é a paixão que erra, é a fraqueza que se resigna."<br>"O nosso parlamentarismo é uma farsa ruidosa, onde se discutem vaidades e se esquecem as realidades da nação."<br><strong>Oliveira Martins</strong></pre>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="614" height="864" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/image.png" alt="" class="wp-image-50872" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/image.png 614w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/image-213x300.png 213w" sizes="(max-width: 614px) 100vw, 614px" /></figure></div>


<p>Hoje, o &#8220;rataplan do charlatão&#8221; já não ecoa nos tambores da praça pública, mas sim no ruído estéril das redes sociais e no mediatismo vazio. Continuamos a sofrer de um complexo de inferioridade crónico que se disfarça de sobranceria sempre que um sucesso individual — seja na ciência, no desporto ou na cultura — é celebrado como uma vitória da pátria. É o mesmo mecanismo de há cento e vinte anos: usamos o brilho do momento para anestesiar a &#8220;indiferença fatal&#8221; que nos impede de resolver os problemas estruturais de sempre, como a perda de jovens talentos para o estrangeiro ou os salários sufocantes.</p>



<p>O maior perigo do sentimento português atual é a normalização do cinismo como única forma de defesa. Olhamos para as instituições com a profunda &#8220;desconfiança do caminhante no meio duma floresta&#8221;, resvalando para um fatalismo cómodo que aceita a degradação pública como um destino inevitável. Continuamos a ser o povo que canta a sua própria dor, orgulhoso do passado que herdou, mas estranhamente resignado perante o futuro que tarda em construir.</p>
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