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	<title>Arquivo de Nossa Senhora do Ó - Duas Linhas</title>
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		<title>TESOUROS DA HISTÓRIA DE PORTUGAL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rainer Daehnhardt]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jan 2024 00:00:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Quando a Rainha Santa Isabel fez a sua peregrinação de Lisboa a Santiago de Compostela, no ano de 1325, recebeu do Arcebispo de Compostela um bordão de peregrina! Ainda existe, e em estado impecável, guardado no Tesouro da Rainha Santa, em Coimbra. Visto ser uma peça única e de grande peso histórico dei-me ao trabalho [&#8230;]</p>
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<p>Quando a Rainha Santa Isabel fez a sua peregrinação de Lisboa a Santiago de Compostela, no ano de 1325, recebeu do Arcebispo de Compostela um bordão de peregrina! Ainda existe, e em estado impecável, guardado no Tesouro da Rainha Santa, em Coimbra. Visto ser uma peça única e de grande peso histórico dei-me ao trabalho de o estudar.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="426" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/bordao-deitado-1024x426.jpg" alt="" class="wp-image-31323" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/bordao-deitado-1024x426.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/bordao-deitado-300x125.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/bordao-deitado-768x320.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/bordao-deitado-1536x639.jpg 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/bordao-deitado-696x290.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/bordao-deitado-1392x579.jpg 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/bordao-deitado-1068x444.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/bordao-deitado.jpg 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>A barra octogonal horizontal é esculpida de uma pedra muito invulgar, que não se encontra, em grandes dimensões. Normalmente, apenas existe como pequenas pedras polidas, incluídas em joias da Ásia, nas quais é frequente terem-se também usado pedras lápis lazuli. Como estas costumam ser do Afeganistão, negociavam-se na rota da seda, aparecendo em uso desde a China até ao Império Romano.</p>



<p>Analisando a qualidade do bordão, cheguei à conclusão de que a vara, em tubo de prata que mostra a Vieira de Peregrino, é a componente mais recente. Tanto pode ser do século XIV como uma substituição do século XVII, aquando da abertura do seu sarcófago.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img decoding="async" width="1024" height="509" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/vieira-do-bordao-1024x509.jpg" alt="" class="wp-image-31324" style="width:1068px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/vieira-do-bordao-1024x509.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/vieira-do-bordao-300x149.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/vieira-do-bordao-768x382.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/vieira-do-bordao-696x346.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/vieira-do-bordao-1068x531.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/vieira-do-bordao-324x160.jpg 324w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/vieira-do-bordao.jpg 1383w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Parece-me que o bordão apenas teve prata e pedra na parte superior. A vara original pode perfeitamente ter sido toda em madeira e por se ter desfeito desde o enterro até ao momento da reabertura do sarcófago, terá sido substituída por uma vara em prata.</p>



<p>As cabeças de leão nos terminais da pedra são extraordinárias e nitidamente do período românico. A sua origem ainda não me foi possível determinar por ausência de peças idênticas com as quais as possa comparar. Assim sendo, coloco a hipótese de se tratar originalmente de um bordão que terá pertencido a uma personalidade destacada, do mais alto nível social, que a recebeu no Oriente e que se fez a caminho de Santiago de Compostela, onde a ofereceu ao tesouro da catedral.</p>



<p>Sei que quando o Papa João Paulo II foi a Santiago de Compostela, fizeram uma réplica toda em marfim (sem metais), que lhe ofereceram e que se encontra no Museu do Vaticano.</p>



<p>Da Rainha Santa Isabel tenho um relicário&nbsp;em prata de alta qualidade.&nbsp;Na frente mostra a Rainha Santa com as suas rosas na mão. No verso tem uma tampa com o seu brasão.&nbsp;Foi um de seis feitos no século XVII para as seis rosas supostamente “encontradas incorruptas” quando se abriu o sarcófago. É uma peça linda, mas apenas de interesse secundário, por ser do século XVII.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/relicario-rainha-sta-isabel-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-31326" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/relicario-rainha-sta-isabel-1024x576.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/relicario-rainha-sta-isabel-300x169.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/relicario-rainha-sta-isabel-768x432.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/relicario-rainha-sta-isabel-1536x864.jpg 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/relicario-rainha-sta-isabel-696x392.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/relicario-rainha-sta-isabel-1392x783.jpg 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/relicario-rainha-sta-isabel-1068x601.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/relicario-rainha-sta-isabel.jpg 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>Chamo a atenção de um pormenor francamente invulgar na configuração deste relicário. Debaixo do medalhão central, representa, na frente, a Rainha Santa com as suas rosas nas mãos e, no verso, a caixa que guardava a flor. Esta caixa tem uma tampa que mostra o brasão da Rainha Santa dividido ao meio. De um lado, as barras de Aragão, do outro as Armas Reais Portuguesas, que recebeu pelo casamento com nosso Rei Dom Dinis.</p>



<p>Na configuração da decoração da parte de frente, optou-se por juntar decoração seiscentista na sobreposição de duas cruzes. Uma com barra horizontal e vertical e a outra em posição da Cruz de Santo André. Esta mesma configuração já foi usada séculos antes pela mãe de D. Afonso Henriques, quando se intitulava “ Tarasia Regina” no seu selo rodado.</p>



<p>Um dia encontrei, perto de Lamego, um vale com uma capela de grande importância histórica nacional, infelizmente muito pouco conhecida. Penso chamar-se “Capela de São Pedro de Balsemão”. Possui (esculpido em pedra de Coimbra) a melhor de todas as representações de Nossa Senhora grávida (Nossa Senhora do Ó), com perto de um metro de altura.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="824" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/nossa-senhora-do-o-824x1024.jpg" alt="" class="wp-image-31328" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/nossa-senhora-do-o-824x1024.jpg 824w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/nossa-senhora-do-o-241x300.jpg 241w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/nossa-senhora-do-o-768x955.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/nossa-senhora-do-o-696x865.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/nossa-senhora-do-o.jpg 842w" sizes="auto, (max-width: 824px) 100vw, 824px" /><figcaption class="wp-element-caption">imagem de Nossa Senhora do Ó, capela de S.Pedro de Balsemão</figcaption></figure></div>


<p>Na rocha da parede da entrada, tem esculpida a tomada de posse da capela pela mãe de Dom Afonso Henriques, com a mesma sobreposição da cruz cristã e da Cruz de Santo André, formando folhas de rosa imaginárias. Isto tem o significado da afirmação da pureza do sangue, algo muito precioso para Dona Teresa, visto ter sido filha do Rei de Leão, mas fora do casamento. Assim, compreendemos por que razão a mãe do nosso primeiro monarca fez tanta questão nisso, a ponto de o mandar colocar como sua assinatura numa capela importante, onde todos os anos imensos peregrinos se juntavam. Da sua meia irmã, nascida do casamento do seu pai, o Rei de Leão, apenas sabemos que casou com o Duque da Galiza, mas a história pouco mais nos conta. Nunca vi algo assinado por ela, nem tomadas de posse de fortalezas ou capelas de romaria.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="472" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/capela-s-pedro-balsemao-2x-1024x472.jpg" alt="" class="wp-image-31330" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/capela-s-pedro-balsemao-2x-1024x472.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/capela-s-pedro-balsemao-2x-300x138.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/capela-s-pedro-balsemao-2x-768x354.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/capela-s-pedro-balsemao-2x-1536x708.jpg 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/capela-s-pedro-balsemao-2x-696x321.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/capela-s-pedro-balsemao-2x-1392x642.jpg 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/capela-s-pedro-balsemao-2x-1068x492.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/capela-s-pedro-balsemao-2x.jpg 1774w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>Devo mencionar que os nossos soberanos desta época não sabiam ler nem escrever, deste modo, qualquer atitude que tomassem, tinha de estar rubricada pelo selo rodado e apenas quando este estava devidamente colocado em pergaminho ou pedra, se sabia que o conteúdo da mensagem era a vontade expressa do mesmo.</p>



<p>Tenho uma outra peça ligada a Santiago de Compostela. Data da 1ª metade do século XVIII. É um joelho de uma armadura em ferro repuxado em alto relevo, com uma grande vieira peregrina, indicando que o portador foi peregrino a Santiago de Compostela.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="863" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/joalheira-de-metal-863x1024.jpg" alt="" class="wp-image-31331" style="width:526px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/joalheira-de-metal-863x1024.jpg 863w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/joalheira-de-metal-253x300.jpg 253w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/joalheira-de-metal-768x911.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/joalheira-de-metal-696x825.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/joalheira-de-metal.jpg 898w" sizes="auto, (max-width: 863px) 100vw, 863px" /></figure></div>


<p>O nosso Dom João V (1706-1750), ficou radiante quando teve conhecimento que a sua mulher, Dona Maria Ana de Áustria, lhe deu o 1º filho. Ergueu o Convento de Mafra, como tinha prometido e foi também a Santiago de Compostela para agradecer. É perfeitamente possível que tenha levado meia dúzia de cavaleiros de guarda pessoal vestidos em armaduras&nbsp;ligeiras,&nbsp;feitas para esta ocasião. Estas bastavam ter a vieira em cada joelho e cotovelo para os indicar como guardas desta peregrinação. Nunca vi outra em parte nenhuma. A minha apareceu em Mafra e considero-a de grande interesse histórico.</p>
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