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	<title>Arquivo de Museu da Misericórdia de Cascais - Duas Linhas</title>
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	<description>Informação online</description>
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	<title>Arquivo de Museu da Misericórdia de Cascais - Duas Linhas</title>
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		<title>Está aberto o Museu da Misericórdia de Cascais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Jun 2025 21:54:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Inaugurado em 10 de Abril de 2022, foram precisos 3 anos para abrir as portas ao público.  </p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/06/esta-aberto-o-museu-da-misericordia-de-cascais/">Está aberto o Museu da Misericórdia de Cascais</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Inaugurara-se a 10 de Abril de 2022, a concretização duma aspiração antiga: um museu para a Misericórdia de Cascais. A aspiração vinha de longa data, porque o espólio artístico e documental reunido na casa do que é uma instituição secular (a Santa Casa da Misericórdia de Cascais foi fundada em 1551) carecia de ser mostrado.</p>



<p>A necessidade de melhor proteger as imagens em exposição e a falta de condições logísticas, nomeadamente de pessoal (o que ora se conseguiu mediante acordo com a autarquia), acabaram por determinar atraso na efectiva abertura ao público, desiderato que acaba de se tornar realidade, uma vez que a reabertura do Museu ocorreu no passado dia 11, com idêntica pompa e circunstância como a que, em 2022, tivemos ocasião de <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2022/04/o-museu-da-misericordia-de-cascais-concretizacao-duma-aspiracao-antiga/">assinalar aqui</a></strong>.</p>



<p>Uma diferença substancial: o Museu passa a estar aberto de terça a domingo, das 10 às 18 h, encerrando apenas das 13 às 14 h. para almoço.</p>



<p>Desta sorte, alfaias litúrgicas, esculturas e pinturas antigas, objectos de uso nas cerimónias, nomeadamente nas procissões, integram esse percurso museológico de grande riqueza e significado, que fará seguramente as delícias de todos os visitantes.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>Três peças a realçar</strong></h4>



<p>Cada qual terá oportunidade de, segundo as suas predilecções, admirar com mais detença esta ou aquela obra de Arte ou testemunho do passado, não se esquecendo, por exemplo, de, ao entrar na sacristia, olhar para o singular tecto de madeira pintada, também ele uma obra de arte.</p>
</div></div>



<p>Da minha parte, escolhi, desta vez, três peças para que chamo a atenção.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A primeira relaciona-se com a tradicional Procissão das Endoenças, cotejo penitencial da noite de Quinta-feira Santa, no qual se poderia bater no peito em sinal de arrependimento e penitência, enquanto, por exemplo, na procissão dos Passos, em Sexta-Feira Santa, a Verónica, mostrando o rosto ensanguentado de Jesus gravado no sudário, cantava uma melodia dolente.</p>



<p>E o objecto é a tábua, que estaria afixada em lugar bem visível, com os seguintes dizeres:</p>



<p>«O provedor e mais irmãos não emprestarão cousa tocante ao enterro dos Irmãos e <em>pursisão</em> (procissão) dos Passos e Endoenças com pena de excomunhão nem para fora da vila».</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/yJmGKSp.jpeg" alt="" class="wp-image-42383" style="width:721px;height:auto"/></figure></div>


<p>Tal era o carinho e quase carácter sagrado de que estavam envolvidos todos os objectos relacionados com esse cerimonial, inclusive o do funeral de um Irmão.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>O outro objecto que ora selecionei é a imagem de um anjo. Não tanto por se tratar de uma das «composições de grande efeito cenográfico e de fortes contrastes cromáticos», característicos das «produções pictóricas maneiristas do século XVII», como reza a legenda oficial, mas por, numa fita branca ondulante, estar a frase latina SVPRA DORSVM EIVS ARAVERVNT PECCATORES, que se traduz assim: «Por cima das suas costas lavraram os pecadores».</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/gXfyXJv.jpeg" alt="" class="wp-image-42384" style="width:646px;height:auto"/></figure></div>


<p>Trata-se de uma adaptação – aplicando a frase aos padecimentos de Cristo – do que vem consignado no salmo bíblico 128, dito o «cântico das peregrinações». Toda a fala é aí atribuída ao povo de Deus, que se lamenta, como se fora uma pessoa, do mal que lhe têm feito desde a juventude, garantindo, no entanto, que jamais o lograram vencer: «Sobre o meu dorso lavraram os lavradores, abriram longos sulcos; o Senhor, porém, é justo: cortou as cordas com que me afligiram os ímpios» (versículos 3 e 4).</p>



<p>A coluna com o cordame poderá simbolizar a coluna a que, segundo os Evangelhos, Jesus foi atado para ser açoitado, tendo o anjo na mão o chicote da flagelação.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Uma terceira peça me cativou: a colecção de ex-votos de latão dourado ou prateado com a representação de olhos.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/SJ0Hctg.jpeg" alt="" class="wp-image-42386"/></figure></div>


<p>Nada se explicita, a esse propósito, na respectiva ficha de inventário. Trata-se, no entanto, da oferenda habitualmente feita a Santa Luzia, que é a santa protectora das doenças de olhos.</p>



<p>Neste âmbito, há uma correlação que valerá a pena fazer: é que, no sítio arqueológico de Garvão, localizado no Baixo Alentejo, no concelho de Ourique, foi descoberto, em 1983, um depósito votivo da Idade do Ferro, constituído por dezenas de placas oculadas, algumas delas de prata. Ora, na sequência dos tempos, aí veio a ser edificada uma igreja cujo orago é precisamente Santa Luzia. É notória a semelhança entre as peças de Garvão e as da Misericórdia de Cascais – a cerca de cinco milénios de distância e duzentos quilómetros de distância! A devoção dos tempos pré-romanos persistiu na época romana, percorreu os séculos seguintes e chegou aos nossos dias!</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/x5AN632.png" alt="" class="wp-image-42387"/><figcaption class="wp-element-caption">Placas oculadas de Garvão</figcaption></figure></div>


<p>Pelos séculos dos séculos, poderia afirmar-se, as crenças conseguiram perdurar.</p>
</div></div>
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		<title>O SENHOR MORTO no MUSEU DA MISERICÓRDIA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Apr 2022 10:18:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[eventos religiosos]]></category>
		<category><![CDATA[Museu da Misericórdia de Cascais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma procissão emocionante Sei quanta polémica envolve os rituais, pelo perigo que acarretam de paulatinamente virem a ser despojados do significado inicial que lhes foi dado. Quando, em 1970, houve por bem acabar com as procissões em Cascais, sob pretexto de se haverem tornado meras manifestações ‘folclóricas’, ‘sociais’, desprovidas do seu conteúdo religioso, o Povo [&#8230;]</p>
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<h2 class="wp-block-heading"><em><strong>Uma procissão emocionante</strong></em></h2>



<p>Sei quanta polémica envolve os rituais, pelo perigo que acarretam de paulatinamente virem a ser despojados do significado inicial que lhes foi dado. Quando, em 1970, houve por bem acabar com as procissões em Cascais, sob pretexto de se haverem tornado meras manifestações ‘folclóricas’, ‘sociais’, desprovidas do seu conteúdo religioso, o Povo teve pena e reclamou.</p>



<p>Figurava entre elas a do Senhor dos Passos, que é de tradição também em muitas zonas do País, mormente em Braga. Intervinha a paróquia e a Misericórdia e é justamente nesse altar da igreja que está o ‘caixão’ do Senhor Morto, que, na altura, seguia em andor, acompanhado, miniaturalmente pelas imagens de Nossa Senhora das Dores e de Maria Madalena.</p>



<p>O arranjo ora dado a esse altar realça o seu esplendor e sentido significado.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="592" height="928" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2022/04/senhor-morto-3.jpg" alt="" class="wp-image-18751"/></figure></div>



<p>Relacionadas com essa procissão estão as varas que os mesários da Misericórdia levavam como símbolo das suas funções e, de modo especial, como já aqui se referiu, o pano com o rosto ensanguentado de Cristo, que, segundo a tradição, assim ficara gravado quando uma das mulheres do Povo, que acompanhavam Cristo a caminho do Calvário, d’Ele se aproximou e lhe limpou o rosto, recebendo, em recompensa, a Sua imagem nele gravada.</p>



<p>Escolhia-se para representar Verónica uma das jovens da vila, de voz bem timbrada, que, nos momentos em que a procissão parava, entoava plangitivo cântico emocionante. O pano e um instantâneo fotográfico dessa cena&nbsp; em1952 constam também do recheio do museu.</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="618" height="866" data-id="18737" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2022/04/A-Veronica-em.jpg" alt="" class="wp-image-18737"/></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1466" height="974" data-id="18738" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2022/04/A-procissao-do-enterro-em-1951-em-Cascais.jpg" alt="" class="wp-image-18738"/><figcaption>procissão em 1951</figcaption></figure>
</figure>



<h2 class="wp-block-heading"><em><strong>A frieza duma ficha técnica</strong></em></h2>



<p>Tem o museu a sua ficha técnica, como é de lei:</p>



<p><strong>Propriedade</strong>: Santa Casa da Misericórdia de Cascais; <strong>Coordenação</strong> <strong>geral</strong>: Câmara Municipal de Cascais e Santa Casa da Misericórdia de Cascais; <strong>Projeto de arquitetura</strong>: Saraiva + Associados, Arquitetura e Urbanismo; <strong>Empreiteiro</strong>: Cofral; <strong>Fiscalização de obra e segurança</strong>: Cascais Próxima, SA; <strong>Acompanhamento arqueológico</strong>: Neoépica – Arqueologia e Património; <strong>Conservação e restauro</strong>: WOA – Way of Arts; <strong>Projeto museológico</strong> <strong>e design: </strong>Câmara Municipal de Cascais Saraiva + Associados, Concept Design; <strong>Produção e</strong> <strong>montagem</strong>:Multilem; <strong>Iluminação</strong>: Carlos Silva Lighting &amp; 3D Designer; <strong>Tradução</strong>: Mark Harding; <strong>Fotografia:</strong>Carlos Sá.</p>



<p>Só um nome de pessoa, no final. Quanto ao resto, a frieza das designações oficiais. Se, no entanto, formos ao fundo da questão, verificar-se-á que o resultado só foi possível graças à extrema dedicação de uma equipa que soube trabalhar em conjunto. E se aqui se faz, agora, questão de o referir não é porque alguém o tenha sugerido, é porque uma obra assim (e, permita-se-me que o diga, com pleno conhecimento de causa), executada nos tempos previstos, merece todo o encómio, a endereçar todinho ao entusiasmo dos intervenientes.</p>



<p>Aliás, ainda que mui discretamente, vejam-se depoimentos publicados:</p>



<p><strong>«Hoje foi um dia especial. Daqueles que não se reduzem a uma imagem. Dia de emoções, dia de realizações. Um projecto com alguns anos (talvez mesmo alguns séculos) de devolver a Cascais um espaço e um património que é da nossa comunidade. Pela minha parte o pequeno orgulho de pertencer a uma grande equipa e a um projeto fantástico»</strong> – escreveu Pedro Mota Soares, o mesário sobre cujos ombros incumbiu directamente a supervisão dos trabalhos.</p>



<p><strong>«O Museu da Misericórdia de Cascais foi hoje inaugurado! É tempo de agradecer a todos os colegas que deram o seu melhor para que este pudesse ser um dia tão feliz. Segue, assim, o nosso muito obrigado à Santa Casa da Misericórdia pela confiança que depositou em nós e um abraço especialíssimo para a Célia Mateus, para a Sónia Sousa e para o José António Proença, com quem tive o privilégio de partilhar diariamente este desafio, sempre com o apoio de S. Gonçalo Leandro! Que equipa de luxo!»</strong> – escreveu o Doutor João Miguel Henriques, director do Departamento de Arquivos, Bibliotecas e Património Histórico da Câmara Municipal de Cascais.</p>



<p>Esclareça-se:</p>



<p>Célia Mateus, assessora da presidência da Câmara, foi o constante elo de ligação entre as entidades intervenientes; Sónia Sousa e José António Proença (que é agora o director do Museu da Presidência da República, na Cidadela) actuaram, como membros da Divisão de Arquivos e Património Histórico; o Gonçalo, que já tivemos o privilégio de aqui entrevistar a propósito do restauro das imagens e das pinturas, é aqui «santificado» pelo dinamismo sempre presente, como responsável pela Way of Arts.</p>



<p>Registe-se, por fim, que o espólio exposto e a documentação alusiva podem ser consultados aqui: . Por seu turno, o Arquivo Histórico Digital de Cascais contém, disponíveis para consulta, 7537 registos do arquivo da Santa Casa.</p>



<p>Não há, pois, motivos para não nos orgulharmos!</p>



<h2 class="wp-block-heading">&nbsp;</h2>
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		<title>O MUSEU DA MISERICÓRDIA DE CASCAIS, concretização duma aspiração antiga</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Apr 2022 00:33:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[LIFESTYLE]]></category>
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		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Museu da Misericórdia de Cascais]]></category>
		<category><![CDATA[património histórico]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Inaugurou-se, na tarde de domingo, 10 de Abril, no Largo da Misericórdia, em Cascais, o Museu da Misericórdia. Estiveram presentes as entidades habituais, da instituição e do Município, na medida em que a concretização da iniciativa se ficou também a dever ao incondicional apoio municipal. Notada a presença de José Luís Judas, ex-presidente da Câmara, [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2022/04/o-museu-da-misericordia-de-cascais-concretizacao-duma-aspiracao-antiga/">O MUSEU DA MISERICÓRDIA DE CASCAIS, concretização duma aspiração antiga</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Inaugurou-se, na tarde de domingo, 10 de Abril, no Largo da Misericórdia, em Cascais, o Museu da Misericórdia.</p>



<p>Estiveram presentes as entidades habituais, da instituição e do Município, na medida em que a concretização da iniciativa se ficou também a dever ao incondicional apoio municipal. Notada a presença de José Luís Judas, ex-presidente da Câmara, que assim quis mostrar o apreço que sempre teve pela Santa Casa durante o seu mandato. Dir-se-á que as instalações foram pequenas para conter tanta gente.</p>



<p>Após o descerramento da placa alusiva ao acto, houve demorada visita às salas das exposições, começando pela capela de S. André, actual sacristia da igreja, sede inicial da Santa Casa, sentindo-se em todos os presentes a admiração e o regozijo pelas evidentes melhorias realizadas e por todo o espólio que lhes era dado observar.</p>



<p>Os visitantes foram depois convidados a reunirem-se no pátio interior, também ele mui remodelado e dotado de uma espécie de claustro à moda antiga. Foram recebidos pelos cânticos do grupo coral Arte Nova. Coube ao Reverendo Padre Nuno, prior de Cascais, a função de cumprir o ritual católico da bênção das instalações, no convite a todos para nele participarem através da oração.</p>



<p>A Provedora, Dra. Isabel Miguens, historiou as vicissitudes por que passara o projecto, congratulou-se com a forma como se lograra chegar a bom termo e agradeceu a todos os intervenientes no processo. O Dr. Carlos Carreiras, presidente do Município, manifestou também o seu agrado por, no prazo previsto, se terem concluído as obras, cujo resultado (confirmou) muito lhe agradava, de todos os pontos de vista.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><em><strong>Um espólio notável</strong></em></h2>



<p>A exposição «Um Olhar sobre Cascais através do Seu Património», levada a cabo no último trimestre de 1989 pela Associação Cultural de Cascais em colaboração com a Câmara Municipal, já ateara o primeiro rastilho, ao escolher para um dos seus núcleos  – o das Fontes Documentais e Arte Sacra – a Sala do Despacho da Misericórdia, e dele se fez eco na publicação do II volume do catálogo, onde, além de circunstanciado roteiro, se inseriu notável artigo do Prof. Vítor Serrão sobre a pintura quinhentista no concelho e um outro, da autoria do conceituado José Meco sobre a azulejaria com temática ou utilização religiosa patente no concelho. Mostrou-se então, pela primeira vez, de forma organizada, o que a Misericórdia albergava; e recorde-se, por exemplo, que os trabalhos preparatórios possibilitaram a recuperação de uma singular carranca de proa de navio que foi mostrada e que hoje integra o recheio do Museu do Mar.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2022/04/sta-casa-misericordia-cascais-1.jpg" alt="" class="wp-image-18642" width="802" height="459"/></figure></div>



<p>Concomitantemente se pensava na necessidade de levar a cabo obras de conservação e restauro na igreja (a porta principal foi restaurada por benemerência dum dos Irmãos da Santa Casa), sendo sonho de alguns a construção da segunda torre que fazia parte do projecto inicial e nunca fora concluída. As imagens divulgadas nas redes sociais pela Câmara – que fez questão de chamar a si os louros da renovação – mostraram desde cedo que se dera a cada uma um toque contemporâneo, porventura para que se não esquecesse ter sido obra de agora e não de antanho.</p>



<p>Não menos importante, porém, é o espólio artístico e documental, atendendo, inclusive, ao facto de ter sido a Misericórdia – queira-se ou não – a herdeira de boa parte do que se salvou da Igreja Paroquial da Ressurreição, localizada não muito longe, onde hoje está o largo da estação, templo que o terramoto de 1755 destruiu quase por completo e não chegou a ser reconstituído. Já aqui houve ocasião de recordar, por exemplo, na edição de 27 de Fevereiro de 2021, sob o título «Os santos rejuvenesceram!», a mui louvável obra de restauro levada a efeito na estatuária. E a partir de agora ela pode ser apreciada.</p>



<p>Nas páginas que tanto a Câmara como a Misericórdia detêm nas redes sociais se poderão ver imagens tanto da cerimónia como do recheio museológico em exposição. Logo se dará conta da equipa que levou a bom termo o empreendimento; por agora, alguns dos aspectos que se nos afiguram dignos de realce, sem se esquecer e louvar a bem adequada apresentação museológica:</p>



<p>– a descoberta de um retábulo pintado, com a vista de uma cidade muralhada (Jerusalém?), que desde finais do século XVIII (pensa-se) estivera oculto (fig.2);</p>



<p>– a conservação, na sacristia, do lavabo, com a torneira primitiva (fig.3);</p>



<p>– a placa onde se anotava o nome do irmão que mensalmente devia encarregar-se expressamente da administração da Santa Casa (fig.4);</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="668" height="919" data-id="18644" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2022/04/sta-casa-misericordia-cascais-3.jpg" alt="" class="wp-image-18644"/><figcaption>figura 2</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="595" height="912" data-id="18645" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2022/04/sta-casa-misericordia-cascais-4.jpg" alt="" class="wp-image-18645"/><figcaption>figura 3</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="589" height="919" data-id="18646" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2022/04/sta-casa-misericordia-cascais-5.jpg" alt="" class="wp-image-18646"/><figcaption>figura 4</figcaption></figure>
</figure>



<p>– o sudário, pano com a representação da face de Cristo, que, na altura da procissão dos Passos (de grande tradição em Cascais), a Verónica mostrava, cantando a sua dor (Fig. 5 e 6);</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="776" height="927" data-id="18647" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2022/04/sta-casa-misericordia-cascais-6.jpg" alt="" class="wp-image-18647"/><figcaption>figura 5</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="647" height="927" data-id="18648" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2022/04/sta-casa-misericordia-cascais-7.jpg" alt="" class="wp-image-18648"/><figcaption>figura 6</figcaption></figure>
</figure>



<p>– os preciosos panos de altar que lograram conservar-se da igreja da Ressurreição.</p>



<p>Alfaias litúrgicas, esculturas e pinturas antigas integram, como não podia deixar de ser, um percurso museológico de grande riqueza e significado, que fará seguramente as delícias de todos os visitantes.</p>
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