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	<title>Arquivo de moeda fanão - Duas Linhas</title>
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		<title>FANAR E METER A UNHA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Oct 2026 18:35:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[comércio de Portugal com o Oriente nos séculos XV e XVI]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os vice-reis da Índia portuguesa recebiam fanões em pagamento de direitos tributários</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/10/fanar-e-meter-a-unha/">FANAR E METER A UNHA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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<p>Vai-se ao Dicionário da Academia e, aí, sem aparentemente qualquer sombra de dúvida, se aponta, entre outros significados mais correntes, o de «fazer perder ou perder a energia, a frescura, o viço», indicando-se como sinónimo «murchar». Essa conotação prende-se com o verbo francês ‘faner’, que detém, originalmente, o significado de ‘desfalecer’, donde deriva, por exemplo, a expressão «deu-lhe um fanico», desmaiou, ainda que haja dicionários onde se aponta, logo em primeiro lugar, a ideia de «remexer a erva (para a deixar secar)».</p>



<p>Quanto a meter a unha é a expressão coloquial, quase de calão, para eufemisticamente expressar a ideia de ‘roubar’, explorar, vender caro. Aliás, em calão, fanar é exactamente o sinónimo de ‘roubar’.</p>



<p>Estávamos, portanto, muito longe de imaginar que verbo e expressão tivessem uma origem bem concreta, a remontar ao período em que Portugueses andavam, pelos séculos XV e XVI, em negociatas orientais. Negócio implica compra e venda, implica pagamento de impostos, implica moedas. E é aí que entra o fanão, pequenina moeda de ouro, com o peso aproximado de meia grama (0,37/0,54 g), uma ninharia!</p>



<p>Conta Rainer Daehnhart que os nossos vice-reis da Índia recebiam fanões em pagamento de direitos tributários. «Embora batidos no Indostão e no Ceilão, os fanões», acrescenta Rainer, «correram durante perto de um milénio em todos os portos, desde a ilha de Moçambique até Malaca».</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="492" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/fanar-capa-do-livrinho-1024x492.jpg" alt="" class="wp-image-51864" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/fanar-capa-do-livrinho-1024x492.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/fanar-capa-do-livrinho-300x144.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/fanar-capa-do-livrinho-768x369.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/fanar-capa-do-livrinho-696x334.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/fanar-capa-do-livrinho-1068x513.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/fanar-capa-do-livrinho.jpg 1099w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">capa do livro Fanar Fanões</figcaption></figure>
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</div>



<p>E, afinal, qual é essa história do meter a unha e do fanar?</p>



<p>Muito simples: pagavam-se impostos com uma boa porção dessas moedinhas minúsculas. Por conseguinte, foi necessário engendrar uma forma expedida de as contar. Inventou-se, por isso, uma tábua com um certo número de concavidades (50, 100 ou 200). Despejava-se a bolsinha por cima da tábua e, com gesto firme, rasoirava-se a superfície, a fim de que todos os buraquinhos ficassem ocupados. &nbsp;E é aqui que entra a unha, porque o funcionário encarregado da tarefa (dizem as más-línguas…) deixava, de propósito, crescer a unha do dedo mindinho, preciosa ajuda para que alguns fanhões deslizassem sorrateiramente para outro sítio, que não o buraquinho apropriado!… Excelente, pois, eficaz o papel da unha grandinha!</p>


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<p>Assim se fanava, assim se metia a unha! Assim se ajuntavam sub-repticiamente bem apetitosos fanões de ouro. Eu tenho um, mas foi oferta!&#8230;</p>



<p>Bem andou, pois, Rainer Daehnhart em dedicar algum do seu precioso tempo (não é lugar-comum, é precioso mesmo!) a explicar minuciosamente como tudo se passou.</p>



<p>O livrinho tem a data de 26 de Julho de 2004 e chama-se <em>Fanar Fanões</em>. Cláudio Alves aí ilustrou o ato de despejar os fanões e o outro, malicioso, de meter unha com as unhas mais crescidas.</p>



<p>E conta, no final, Rainer Daehnhart como uma dessas moedinhas lhes salvou a vida, a ele e à avó, quando se dispunham a atravessar a fronteira (estava-se em plena Segunda Grande Guerra!), vindos da Alemanha de Leste. Os soldados americanos não os deixavam passar e, aí, a avó não esteve com meias medidas: descoseu a borda da saia de chita onde escondera – junto aos habituais pequenos pesos do chumbo destinados a manter a saia esticada – um punhado de fanões de ouro, com que alegremente subornou a vigilância. Os militares trincaram; viram que era mesmo ouro de lei e… cá temos, ainda hoje, Rainer Daehnhart, são e salvo, para nos contar a história!</p>
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