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	<title>Arquivo de Miss Alto Alentejo - Duas Linhas</title>
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		<title>A propósito do “Concurso Miss Portugal”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cândido Ferreira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Sep 2020 11:41:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[eleições presidenciais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A notícia “correu mundo”. Na semana que passou, integrei o júri do Concurso Miss Alto Alentejo, uma “decisiva” etapa da corrida a Miss Portugal. E logo um amigo, a invejar o “harém do próximo”, me pediu que lhe cedesse um exemplar. Entrados na brincadeira, informei-o então que, bom amigo dos amigos, já lhe deixara uma [&#8230;]</p>
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<p>A notícia “correu mundo”. Na semana que passou, integrei o júri do Concurso Miss Alto Alentejo, uma “decisiva” etapa da corrida a Miss Portugal. E logo um amigo, a invejar o “harém do próximo”, me pediu que lhe cedesse um exemplar.</p>



<p>Entrados na brincadeira, informei-o então que, bom amigo dos amigos, já lhe deixara uma “encomenda” no caixote do lixo. Recebi resposta à altura: a sua “legítima”, por ali “à coca”, de imediato terá disparado porta fora, munida de fósforos e gasolina…</p>



<p>E foi assim, de bem comigo e com a vida, que resolvi analisar uma outra “corrida” que se aproxima, a das eleições presidenciais: uma “prova” que, é tradição, costuma atrair “pilotos sem escuderia” que, contrariando os desejos da “organização”, não raro revelam segredos ocultos e denunciam sérias violações.&nbsp;</p>



<p>Desta vez, porém, é notório o atraso nos “treinos de qualificação” para esse “Grande Prémio”: as crises sanitária e económica podem justificar algum alheamento; mas a questão central parece residir na sensação de que, sem se ter criado uma alternativa consequente, a reeleição do atual Presidente está garantida.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Quando, há cinco anos, entendi “penetrar” na prova anterior, três graves falhas registei numa “pista” que necessitava de urgentes “obras”: reparar o distanciamento da classe política face ao país real, “buraco” que, disfarçado com selfies e declarações erráticas, mas sem critério ou tradução prática, ainda mais se alargou; na correção do despesismo da Administração que, junto com o seu crescente nepotismo e desregulação económica, até já compromete o futuro do estado económico-social; e, por fim, implodir a dependência dos diversos poderes a interesses espúrios, a que se soma uma seleção de “mecânicos” inábeis, “ferrugem” que ameaça “gripar” o próprio Estado de Direito.</p>



<p>É hoje para mim claro que, nestes cinco anos, a “corrida a Belém” ainda se tornou mais desigual: basta atentar no silenciamento a que foram remetidos todos os especialistas que, com melhor preparação técnica e científica, procuraram corrigir a desastrada condução do combate à presente pandemia. Quantas mais denúncias terão de ser feitas, para se provar que o “autódromo” se encontra ciosamente controlado por uma classe política tão incompetente como irresponsável? Quantas mais mortes serão precisas, para se concluir que o atual sistema sabota qualquer “bólide” que ameace os lugares do pódio?&nbsp;</p>



<p>Com Portugal mergulhado na sua pior crise desde 1929, urge dar uma olhada pela “grelha de partida”. Sobretudo porque, com a “pole position” ocupada por um “piloto” que se desvia de traçados difíceis, o melhor mesmo será pensarmos em trocar de “chaço”, no mínimo precaver amortecedores e pneus.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Começo por Ana Gomes, uma “desafiante” que, tendo prestado relevantes serviços, esta semana voltou a exibir uma excelente preparação técnica e até mesmo uma afabilidade que se lhe ignorava. Acabaria, no entanto, por sofrer um grave despiste logo às primeiras voltas, ao designar um antigo PR por “múmia paralítica”: um forte indício de que, tendo mudado de oficina, mantém a “mecânica” MRPP de origem. Uma “falha diplomática” grave a que também associou uma escolha pessoal infeliz que, embora se respeite, compromete a aceleração que alguns temiam e muitos desejavam.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Passo a Marisa Matias que, na última “corrida”, tripulando uma “máquina bem afinada”, soube aproveitar os erros alheios e congregar muitos votos de protesto. A candidata, contudo, nunca demonstrou preparação técnica ou capacidade de liderança. Acreditando que possa ter melhorado, talvez possa dar “boleia” a muita gente que, sem “controlo nas emissões de carbono”, anseia por ar puro.&nbsp;</p>



<p>A merecer algum destaque, foco ainda João Ferreira, uma boa surpresa nas eleições europeias. Mas será este candidato capaz de aplicar as “transformações” num automóvel, servido por “putines e demais czarines”, “mecânicos” que nada acrescentam ao “Grande Prémio de Portugal”? Dito de outra maneira: Quando é que o PCP entende que a dialética da História há muito sepultou a clássica luta de classes, hoje centrada no aprofundamento da igualdade entre os cidadãos e numa atenta distribuição da riqueza?</p>



<p>Reservei André Ventura para o fim, um “fenómeno” de popularidade que acaba de revelar singular mestria, ao vencer em toda a linha o difícil “rally de Évora”. É ainda cedo para saber se este candidato optará pelo extremar de posições ou por uma marcha de estadista: uma incógnita que incomoda sobretudo o candidato que, sem oposição à direita, evidencia terríveis falhas na condução do nosso país.</p>



<p>Restam os candidatos ditos “folclóricos”, sem aparelho organizado ou suporte económico. Talvez um deles, o “sempre-em-pé” Tino de Rãs, que não morre de amores por Marcelo, concentre o “buzinão” popular e encha o depósito de “gasolina normal”.</p>



<p>Termino com uma revelação muito íntima. Confesso que aos setenta anos, e depois de ter passado por tudo o que passei, me é muito mais fácil votar na Miss Portugal do que no Presidente da República.</p>
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