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	<title>Arquivo de Loures - Duas Linhas</title>
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	<title>Arquivo de Loures - Duas Linhas</title>
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		<title>O CARACOL É MARROQUINO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cristina Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jul 2026 08:00:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>o (pobre do) caracol passou a saber o que é levar com temperos de toda a ordem</p>
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<p>A imaginação não tem limites e o (pobre do) caracol passou a saber o que é levar com temperos de toda a ordem, aparecer nos pratos dos gulosos escondido em fofos e pataniscas e, até, ser apresentado como um (quase) afilhado do <strong><a href="https://expresso.pt/boa-cama-boa-mesa/restaurantes-gastronomia/aberturas-novidades/2026-05-18-omelete-patanisca-a-bulhao-pato-ou-a-bras--siga--sem-pressas--esta-rota-do-caracol-saloio-0745ecda" type="link" id="https://expresso.pt/boa-cama-boa-mesa/restaurantes-gastronomia/aberturas-novidades/2026-05-18-omelete-patanisca-a-bulhao-pato-ou-a-bras--siga--sem-pressas--esta-rota-do-caracol-saloio-0745ecda">Bulhão Pato</a></strong>. E mais, muito mais. A competição estimula a criatividade dos cozinheiros para além do simples ato de cozer o caracol, bem temperado com orégãos. Que o caracol pode ser fraco, mas o molho é ótimo!</p>



<p>Porém, neste início de século, a aventura do caracol ainda mal tinha começado. Empenharam-se, um dia, as vontades, na concretização de algo inédito que foi conceber e concretizar um tacho gigante, bem como respetiva colher à medida, para mexer os tantos, os muitos, os…, enfim, os imensos quilos de caracóis cozinhados numa única empreitada. Para a história ficaram os números, 1.111 Kg de caracóis, um tacho de 3 metros de diâmetro e 1 metro de altura. A tampa pesava 200 quilos e era necessária a ajuda de uma grua, para a abrir. </p>



<p>Para o interior do caldeirão foi deitada mais de uma tonelada de caracóis, vindos de Marrocos. Para completar a receita, entraram para o tacho gigante 40 quilos de alhos, 30 de cebola e outros tantos de sal, 13,5 quilos de caldos de carne, 20 quilos de chouriço, quatro quilos de orégãos e cinquenta malaguetas. Tudo isto regado por muitos litros de água despejada por uma mangueira dos bombeiros.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="591" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fig-6-copia-2-1024x591.jpg" alt="" class="wp-image-50462" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fig-6-copia-2-1024x591.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fig-6-copia-2-300x173.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fig-6-copia-2-768x443.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fig-6-copia-2-696x401.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fig-6-copia-2-1068x616.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fig-6-copia-2.jpg 1302w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>À boleia do caracol, em 2009, o município de Loures candidatou-se ao recorde mundial do Guinness para o “Maior Tacho de Caracóis do Mundo”. E atingiu o seu propósito. O tacho magnífico está exposto no Parque Adão Barata, na extremidade sul da cidade de Loures, no que se interpreta como um ato de partilha com a comunidade. Uma memória, ao orgulho coletivo local. Exibe detalhes inesperados, a tampa, que, por segurança, está fixada ao recipiente, ou o engenho adaptado para servir o produto cozinhado…</p>



<p>Também, o historial do Festival do Caracol Saloio e o devido destaque para o recorde do Guinness. Os registos fotográficos que fiz em 2023 assumem um valor documental, que não estava à espera.<br>Voltei a fotografá-lo agora e vejam-se as diferenças… </p>



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<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="514" height="329" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fig-10-copia.jpg" alt="" class="wp-image-50464" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fig-10-copia.jpg 514w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fig-10-copia-300x192.jpg 300w" sizes="(max-width: 514px) 100vw, 514px" /></figure>
</div>



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<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img decoding="async" width="546" height="413" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fig-7-copia.jpg" alt="" class="wp-image-50465" style="width:427px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fig-7-copia.jpg 546w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fig-7-copia-300x227.jpg 300w" sizes="(max-width: 546px) 100vw, 546px" /></figure></div></div>
</div>



<p>O tempo já se encarregou de fazer desaparecer boa parte da informação alusiva ao evento e ao recorde alcançado, estando o tacho magnífico em risco de ser apenas, e só, um tacho. O que me dá que pensar. Símbolo de um entusiasmo local, coletivo, marca de uma prática que reúne um número sempre crescente deapreciadores, o tacho dir-se-ia abandonado… O Festival do Caracol Saloio conquistou um espaço no município, tem uma história e adquiriu um valor cultural. A equipa terá deitado fora o emblema?</p>



<p>No ano que corre, a propósito de mais uma edição do Festival que, por sinal, já terminou, as surpresas continuam a acontecer. Em maio passado, na Revista do Expresso, um dos Flashes do Planetário de João Pacheco, “Loures-Paris”, sugeria ao leitor a aventura do Caminho das Estrelas pelo concelho de Loures e pelos restaurantes participantes na Rota do Caracol Saloio. Já em Paris, o caminho levaria o leitor a ver “uma secção de escada de caracol da Torre Eiffel, de 1889”.<br>O caracol, entre Loures e Paris, como traço de união ou como denominador comum. Certamente, uma inspiração.</p>
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		<title>ASSIM ESCREVEU LAURA PULQUÉRIA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cristina Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 00:00:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um caderno de imagens e memórias sobre o território saloio.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Assim se apresenta Laura Pulquéria Militão Santos, a autora. &nbsp;Como saber se foi a seu pedido, ou se por indicação do fotógrafo, que este retrato saltou para a capa…</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="329" height="480" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/istorias.png" alt="" class="wp-image-48090" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/istorias.png 329w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/istorias-206x300.png 206w" sizes="auto, (max-width: 329px) 100vw, 329px" /></figure></div>


<p>A abrir o livro, lida a Ficha Técnica no verso da primeira folha, no fundo da página uma nota cuja pertinência vamos descobrir à distância de um folhear, “Esta obra é uma reprodução do original manuscrito com o acordo da autora”. A partir da terceira folha entende-se o porquê da referência, surge-nos o <em>fac-símile</em> do caderno de Laura Pulquéria.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="563" height="756" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-calceteiros.jpg" alt="" class="wp-image-48096" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-calceteiros.jpg 563w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-calceteiros-223x300.jpg 223w" sizes="auto, (max-width: 563px) 100vw, 563px" /></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="501" height="743" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-cardeal.jpg" alt="" class="wp-image-48095" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-cardeal.jpg 501w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-cardeal-202x300.jpg 202w" sizes="auto, (max-width: 501px) 100vw, 501px" /></figure></div></div>
</div>



<p>A surpresa estimula a leitura entusiasmada das páginas preenchidas pela poesia popular da autora, que é clara ao descrever-se, “Tenho álma de puéta/alguém em mim encarnou,/sêi a quilo que sinto/mas não sei a quilo que çôu.” Embora explique porque escreve, “D[e]us para me destrair/deume esta vucação, (…)”. E como surge a inspiração, “De noite ao deitar/custame adermeçêr,/dai nasçe a pôizia/para de dia escrever.”</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="521" height="741" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-escola.jpg" alt="" class="wp-image-48094" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-escola.jpg 521w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-escola-211x300.jpg 211w" sizes="auto, (max-width: 521px) 100vw, 521px" /></figure></div>


<p>Laura Pulquéria escreve sobre Pintéus, a terra onde nasceu a 23 de março de 1931, cresceu, casou, formou uma família e criou os filhos, viveu e morreu. A sua escrita traduz o empenho e prazer de alguém que frequentou a escola e guardou &nbsp;a elementar aprendizagem como um tesouro. Usou esse tesouro ao jeito de preciosa ferramenta, fixando no papel &nbsp;a tradução do que via e pensava. A leitura da sua escrita exige (quase) o mesmo empenho que se coloca aos paleógrafos, perante alguns desafios de escrita mais impenetrável. Mas, acredito!, do lado da autora a escrita terá sido leve e fluida, em cascata. Escreveu sobre o que conheceu e estimou, sobre as mudanças que viu acontecer na sua terra e que lhe provocaram sentimentos, lembra o que foi e já não é, mas também lembra a vida tão difícil da sua meninice e a de seus pais. Uma escrita que é um legado.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1007" height="745" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-1994.jpg" alt="" class="wp-image-48093" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-1994.jpg 1007w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-1994-300x222.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-1994-768x568.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-1994-696x515.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 1007px) 100vw, 1007px" /></figure></div>


<p>O local e a data, o espaço e o tempo, abrem &nbsp;o caderno de memórias, “Pintéus Lôures 1991”. Ficamos situados. E para que não restem dúvidas, continua, “Istôrias da minha térra / é minha rrecurdação / ficão iscritas purmim”, assinando “Laura Militão”, sobre desenho de linha ondulada. Logo abaixo, obliquamente e numa escrita ascendente, surge o seu nome completo “Laura Púlquéria Militão Santos”, um arrojo gráfico que termina em sublinhado parcial, pleno de atitude. Fico a pensar se esta linha não marcará a conclusão do seu caderno…</p>



<p>Os 31 títulos atribuídos pela autora surgem no topo da folha do caderno, acima da mancha pautada. Quando a escreve, o que é raro, é também nesse espaço que coloca a data. No dia 23.9.1995, escreveu, e esta é a data mais recente que deixa.</p>



<p>Com exceção de um que ocupa 3 linhas, por norma os títulos são curtos. Na grande maioria refletem o respetivo conteúdo, mas também acontece surgirem breves, como é o caso de “1994”, com a particularidade de esta data ter sido usado duas vezes como título. Curiosos e enigmáticos são igualmente os dois títulos alfanuméricos, ou seja, &nbsp;“Antigo Pádeiro 49” e “U soldado da minha terra/70 Faleceu em Moçambique em defêza/da Pátria. | Faleçeu em 23-1-1971”. A leitura não dá pistas para o entendimento quer do “49”, quer do “70”…</p>



<p>Eis a sequência dos títulos: “U mistério da Naturêza”; “Istória do Paláçio de Pintéus”; “Estória da Noça Senhora da Aprezentação.”; “Us grandes Artistas”; “Patriacha 1863”; “as maiores cheias”; “Lavandeiras em Lisbôa”; “o que meu coração sente.”; “A vida antiga”; “Os Carrosêiros”; &nbsp;“A vélha suçiadáde”; “O carnabál á antiga”; “Mais tarde”; “Inaguracão da nó(-va) Capelinha 6.9.1992”; “No meu tempo de Escóla”; “Antigo Pádeiro 49”; “Pinteus 5.9.1993 a nóva imagem do nosso Pôuvo.”; “Obras na Capelinha 1994”; “1994”; “Sábado 9.9.1995 ináguraçao do Altoistráda”; “23.9.1995”; “19. Novembro. 1955”; “U soldádo da minha terra/ 70 Faleceu em Moçambique em defêza/da Pátria. | Faleçeu em 23-1-1971”; “A rozeira Murcha/Um dia enraizôu.”; “A minha maneira de sêr”; “O siclónio”; “A Lua”; “As régas na hórta”; “O carrosêiro a caminho de Lisbôa”; “Os rapazes e os pátos”.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1015" height="758" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-cavaco-silva.jpg" alt="" class="wp-image-48097" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-cavaco-silva.jpg 1015w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-cavaco-silva-300x224.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-cavaco-silva-768x574.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-cavaco-silva-696x520.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-cavaco-silva-265x198.jpg 265w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/laura-cavaco-silva-530x396.jpg 530w" sizes="auto, (max-width: 1015px) 100vw, 1015px" /></figure></div>


<p>O livro foi-me disponibilizado pelo Centro de Documentação Anselmo Braamcamp Freire (CDABF), do Museu Municipal de Loures, em 2024. Procurava, então, informação sobre Pintéus, povoação hoje na esfera da União de Freguesias de Santo Antão e São Julião do Tojal. Laura Pulquéria foi a “parceira de trabalho” que não esperava, uma ajuda na leitura da muito alterada paisagem local. Paisagem no sentido de território com o seu conteúdo, sua ocupação e utilização, e não as suas imagens óticas,&nbsp; como aprendi lendo Ilídio Alves de Araújo. Precioso auxílio, os testemunhos sobre a construção da autoestrada, sobre o desaparecimento das azenhas. Acompanhou-me na localização de troços, até agora não sinalizados, do aqueduto de Santo Antão do Tojal. Na compreensão do caminho percorrido pela estrutura que em tempos conduziu a água das nascentes de Pintéus para a povoação de Santo Antão do Tojal e para o palácio e quinta que D. Tomaz de Almeida, 1º Patriarca de Lisboa, estabeleceu, com magnificência, nas primeiras décadas do séc. XVIII, neste território, então, exclusivamente rural.</p>



<p>Um caderno de imagens e memórias sobre um território que guarda marcas materiais e imateriais, que se procuram. Esteve muito bem a autarquia local de maior proximidade.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="557" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/pinteus-1024x557.jpg" alt="" class="wp-image-48101" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/pinteus-1024x557.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/pinteus-300x163.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/pinteus-768x418.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/pinteus-696x379.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/pinteus-1068x581.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/pinteus.jpg 1176w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Pintéus</figcaption></figure></div>


<p></p>
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		<title>A FEIRA DE LOURES, POR ORDEM DO REI DOM JOSÉ I</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/01/a-feira-de-loures-por-odem-do-rei-dom-jose-i/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Cristina Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Jan 2026 00:00:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p> O asfalto eliminou o chão de feira. Resta-nos a memória.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Pareceu-nos, pois, de interesse dar a conhecer o que tão miudamente aí se lavrou, até porque testemunhos idênticos poderão existir noutras zonas do País e talvez também eles não tenham sido alvo da atenção que merecem. Porque, diga-se de passagem, ter a paciência de gravar na pedra com tanto pormenor uma decisão real só pode ter uma justificação: palavras leva-as o vento, os pergaminhos acabam por desaparecer e, de um momento para o outro, quer-se ter uma prova e… ela desapareceu num ápice! </p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/documento-feira-de-loures-1024x576.png" alt="" class="wp-image-46661" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/documento-feira-de-loures-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/documento-feira-de-loures-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/documento-feira-de-loures-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/documento-feira-de-loures-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/documento-feira-de-loures-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/documento-feira-de-loures-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/documento-feira-de-loures-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/documento-feira-de-loures-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/documento-feira-de-loures.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Para isso, serve, por conseguinte, a pedra lavrada: difícil é apagar o letreiro, parti-lo não é lá muito conveniente, nem fácil, nem discreto…</p>



<p>Vamos, assim, proceder à leitura interpretada da epígrafe, ou seja: desdobrar-se-ão as siglas e as abreviaturas (que o lapicida usava por serem de fácil interpretação); indicar-se-á a pontuação (que serve aqui, como no tempo dos Romanos, mais para separar palavras do que como pontuação como nós estamos habituados a entender); marcar-se-á com uma barra a separação das linhas, o que nos permitirá apresentar um texto corrido, de leitura mais fácil.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="424" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Fig.-2-a-placa-no-museu-1024x424.jpg" alt="" class="wp-image-46656" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Fig.-2-a-placa-no-museu-1024x424.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Fig.-2-a-placa-no-museu-300x124.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Fig.-2-a-placa-no-museu-768x318.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Fig.-2-a-placa-no-museu-696x288.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Fig.-2-a-placa-no-museu-1392x577.jpg 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Fig.-2-a-placa-no-museu-1068x443.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Fig.-2-a-placa-no-museu-1320x547.jpg 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Fig.-2-a-placa-no-museu.jpg 1532w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Leitura:</strong></h4>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="729" height="263" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/leitura-pedra-loures.jpg" alt="" class="wp-image-46646" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/leitura-pedra-loures.jpg 729w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/leitura-pedra-loures-300x108.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/leitura-pedra-loures-696x251.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 729px) 100vw, 729px" /></figure></div>


<p><strong>Interpretação:</strong> 1775. Para perpétua memória. Pelo rei D. José I foi autorizada a feira no rossio de Santa Ana, na véspera e dia da santa, por provisão de 31 de maio de 1758; feira livre de direitos de entradas e saídas, e que pagasse terrado para as obras e culto de Santa Ana, por Alvará de 8 de julho de 1760; ampliação, em mais dois dias, da duração da feira, por provisão de 23 de julho de 1762.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Enquadramento</strong></h4>



<p>A pedra com a inscrição alusiva à feira foi colocada em 1775, na torre da Capela de Santa Ana, situada nas Alvogas, em Loures. Sucede, porém, que essa história da capela e do culto à santinha teve, nos primórdios do século XX, contornos inesperados e deles também importa contar.</p>



<p>Em 1981, no Nº 1, do jornal local <em>Facho Lourense</em>, surge, na primeira página, a notícia “Recuperação Patrimonial”, onde se divulga o achado ocorrido na Quinta da Charruada, propriedade do sr. José Luís Maduro. Assim se ficou a saber que a dita pedra “chegou a fazer parte de um engenho de tirar água e só devido a trabalhos de desaterro na quinta do sr. Maduro foi possível recuperá-la”.</p>



<p>A pedra foi identificada por António José Saraiva Saiote, da Associação de Defesa do Património Cultural do Concelho de Loures (ADPCCL), associação entretanto extinta. Em 1981, na sequência da notícia atrás citada, esta pedra foi levada para a Casa do Adro, em Loures, onde aguardou a inauguração do Museu Municipal de Loures, a cujo acervo pertence desde então.</p>



<p>Para preservar na memória coletiva o ato real e a feira, uma réplica da pedra, com a respetiva inscrição foi colocada, em 1995, na envolvente da localização original da capela de Santa Ana, nas Alvogas. O espaço é hoje enquadrado por arruamentos e estacionamento automóvel.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="503" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/replica-pedra-loures-1024x503.jpg" alt="" class="wp-image-46665" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/replica-pedra-loures-1024x503.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/replica-pedra-loures-300x147.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/replica-pedra-loures-768x377.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/replica-pedra-loures-696x342.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/replica-pedra-loures-1392x684.jpg 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/replica-pedra-loures-1068x525.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/replica-pedra-loures-324x160.jpg 324w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/replica-pedra-loures-1320x648.jpg 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/replica-pedra-loures.jpg 1527w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">réplica da pedra gravada de 1775</figcaption></figure></div>


<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p><strong>As vicissitudes</strong></p>



<p>A provisão de el-rei Dom José – que começa com a frase latina, em siglas e abreviaturas, típica da documentação da época, <em>in perpetuam rei memoriam,</em> que é como quem diz «para que se saiba e para todo o sempre!» – era muito clara em dois aspectos:</p>



<p>1º) Criava-se uma feira franca (livre de direitos de entradas e saídas), onde se mantinha, porém, o terrádigo, ou seja, o imposto a pagar pela ocupação do espaço por parte da cada feirante;</p>



<p>2º) As verbas auferidas pela cobrança desse imposto destinavam-se à manutenção do culto a Santa Ana e, de modo especial, às obras de conservação da capela que, ao longo do tempo, fossem de necessidade.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Muita água, desde então, foi passando sob as pontes; a religiosidade popular nem sempre esteve no seu auge; e, por isso, não admira que o jornal <em>Quatro de Outubro </em>(«Órgão do Concelho de Loures», «Semanário Independente»)<em>,</em> na sua edição de 12 de maio de 1912, logo na primeira página, em feroz artigo de opinião, não assinado, e sob o título «Das duas uma», claramente proclame:</p>



<p>«O que queremos? Muitíssimo pouco! Queremos que no fim de Junho se instalem as escolas na ermida de Santa Ana, com um professor para o sexo masculino e uma para o sexo feminino devidamente habilitados.</p>



<p>Para se queimar a madeira carunchosa que lá existe, abrir algumas janelas e arrasar [?] o telhado nem tanto tempo é preciso; E o dinheiro para as despesas? Vendem-se os sinos e mais valores da mesma ermida que ainda há de sobejar.</p>



<p>Não sabemos a quem nos havemos de dirigir, mas tomamos a liberdade de convidar o senhor Administrador do Concelho a tratar do assunto ou concorrer para que se resolva».</p>



<p>E não se está com meias medidas: «Ou se transformam as coisas do estado vergonhoso em que se encontram ou toca-se a reunir o povo para que faça uso do direito que lhe assiste de correr a pontapés todo aquele que não corresponda às suas aspirações. A paciências esgota-se e nós estamos desconfiados que atingiu os limites».</p>
</div></div>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-3 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:33.33%">
<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="540" height="759" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/jornal-4-de-outubro.jpg" alt="" class="wp-image-46647" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/jornal-4-de-outubro.jpg 540w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/jornal-4-de-outubro-213x300.jpg 213w" sizes="auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px" /></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="800" height="592" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Fig.-4a-recorte.jpg" alt="" class="wp-image-46650" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Fig.-4a-recorte.jpg 800w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Fig.-4a-recorte-300x222.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Fig.-4a-recorte-768x568.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Fig.-4a-recorte-696x515.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /></figure>
</div>
</div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>No mesmo jornal <em>Quatro de Outubro </em>(assim chamado porque a revolução republicana aí começou nesse dia), no nº 56, de 11 de maio de 1913, noticia-se, na página 2, que, na sessão da câmara, se leu o ofício da Junta de Paróquia de Loures, a comunicar «ter enviado à Direção Geral de Estatística dos Próprios Nacionais os documentos respeitantes ao terreno baldio situado no Rossio de Santa Ana em Loures».</p>



<p>Temos notícias de seis anos depois: a 23 de abril de 1919, o Presidente da Comissão Executiva da Câmara Municipal de Loures, Abel Teixeira Pinto, escreve ao Ministro da Justiça e Cultos uma ‘representação’ em que diz:</p>



<p>«Desejando construir na sede do seu concelho e no local em que está situada a ermida de Santa Ana um hospital ou uma escola primária e encontrando-se a referida ermida sob a jurisdição da Comissão Central dos Bens Eclesiásticos vem solicitar a interferência de V. Ex.ª no sentido de que aquela ermida seja cedida à Câmara para o respectivo fim».</p>



<p>Termina o ofício com a saudação habitual na altura «Saúde e Fraternidade».</p>
</div></div>



<p>O processo teve seguimento, porque, no ofício nº 93, de 5 de junho de 1919, o Presidente da Comissão Executiva escreve ao Presidente da Comissão Central da Execução da Lei da Separação, «em relação ao ofício expedido em 29 de abril último, processo Nº 5973», a informar que a Comissão Administrativa resolvera «oferecer a quantia de 100$00 pela cedência da ermida de Santa Ana situada nesta localidade».</p>



<p>Enfim, as peripécias por que, ao longo dos tempos, passou uma capela de particular devo<s>lu</s>ção popular ainda no século XVIII. Seguramente as verbas resultantes do terrádego de uma feira anual não foram bastantes para uma manutenção cuidada. Adveio a República e o seu cortejo de anticlericalismo, por um lado, aliado, por outro, à firme vontade dos republicanos de se fomentar a instrução do Povo determinaram o desfecho.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Em 1909, o nonagenário José Joaquim da Silva Mendes Leal, nas páginas que, em boa hora!, dedicou à <em>Admiravel Egreja Matriz de Loures</em> traça as caraterísticas físicas do território de Loures que descreve como “região de altos montes e grandes baixas” e “o Rocio de Sant’Anna, vasto campo ingreme e escarpado”, concluindo, “É neste vasto campo alcantilado que todos os annos se faz em 3 dias a feira d’agosto, de que é hoje senhoria a Junta de Parochia; feira sempre muito concorrida de tudo”.</p>



<p>Assim a paisagem, entendida como o território e o seu conteúdo, mudaram, e muito, no caminho do séc. XVIII para o futuro onde estamos. No atual panorama urbano não restam vestígios da antiga capela. O asfalto suavizou e, até eliminou, a rudeza do chão que já não é de feira mas piso para passos apressados e veículos motorizados. Resta-nos a memória.</p>



<p><sup>(em colaboração com José d’Encarnação)</sup></p>
</div></div>



<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/01/a-feira-de-loures-por-odem-do-rei-dom-jose-i/">A FEIRA DE LOURES, POR ORDEM DO REI DOM JOSÉ I</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>Metropolitano, nova linha derrapa 140 milhões €</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Feb 2023 23:14:19 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O projeto de construção da linha de metropolitano entre Odivelas e Loures está em risco. Não por falta de dinheiro (porque este projeto está na “mira da bazuca”), mas porque o tempo passa e a burocracia emperra tudo. Talvez não se trate de incompetência. Entre o momento em que o projeto foi orçamentado e hoje, [&#8230;]</p>
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<p>O projeto de construção da linha de metropolitano entre Odivelas e Loures está em risco. Não por falta de dinheiro (porque este projeto está na “mira da bazuca”), mas porque o tempo passa e a burocracia emperra tudo.</p>



<p>Talvez não se trate de incompetência. Entre o momento em que o projeto foi orçamentado e hoje, os custos já derraparam 140 milhões de euros. Ou seja, se a coisa andar, alguém ficará a ganhar mais algum do que inicialmente previsto.</p>



<p>A derrapagem justifica-se, em parte, com alterações introduzidas posteriormente. Estaria previsto que a linha violeta corresse sempre à superfície mas, agora, o desenho contempla estações enterradas. Talvez não houvesse necessidade e sempre se poupavam 100 milhões.</p>



<p>A Comissão Nacional de Acompanhamento (organismo que fiscaliza o andamento dos projetos financiados pelo PRR, vulgo “bazuca”) chamou a atenção do Governo para a situação crítica em que o projeto se encontra. Não só está atrasado, como as alterações introduzidas implicam uma despesa que não estava prevista no PRR e o Governo terá de ajudar as autarquias envolvidas a encontrar financiamento para garantir a obra.</p>



<p>A rapidez nas viagens casa-emprego, a poupança inerente aos milhares de automóveis que poderão ficar estacionados à porta de casa, a diminuição da poluição, a estação à porta do Hospital Beatriz Ângelo, são fatores que fazem deste projeto uma obra estruturante para a mobilidade da população dos concelhos a norte de Lisboa: Odivelas, Loures e Mafra. A previsão é de 10 milhões de passageiros por ano, na nova linha violeta. </p>
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		<title>LISBOA AFOGADA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Dec 2022 11:15:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É o caos na capital e nos concelhos a norte de Lisboa, com estradas cortadas e muitos prejuízos materiais, por causa do temporal dos últimos dias e que teima em ficar. Loures, Odivelas, Oeiras, mas também Sintra e Torres Vedras são as regiões mais afetadas, embora em alguns bairros de Lisboa as marcas do mau [&#8230;]</p>
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<p>É o caos na capital e nos concelhos a norte de Lisboa, com estradas cortadas e muitos prejuízos materiais, por causa do temporal dos últimos dias e que teima em ficar.</p>



<p>Loures, Odivelas, Oeiras, mas também Sintra e Torres Vedras são as regiões mais afetadas, embora em alguns bairros de Lisboa as marcas do mau tempo sejam também evidentes.</p>



<p>De acordo com a Proteção Civil, estão cortadas ao trânsito a Estrada Nacional (EN) 8 entre Odivelas e Loures e a EN 250 em Frielas devido ao galgamento do rio.</p>



<p>Estão igualmente cortadas a EN115 na Rotunda das Oliveiras e A-das-Lebres, Loures, os acessos à A8, em Loures, EN115-2 Maxial-Ermegeira devido a um deslizamento de terras, a EN9 Ponte Rol, Torres Vedras, e a Calçada de Carriche, Odivelas, por causa de uma derrocada de terras.</p>



<p>Em Lisboa estão intransitáveis os túneis do Campo Pequeno, Campo Grande, Avenida João XXI e Avenida de Berlim, o Eixo Norte-Sul, a Radial de Benfica, a Segunda Circular no sentido Lisboa Norte, a Avenida Infante D. Henrique junto ao Túnel Batista Russo, a Avenida de Berna, todos os acessos à Praça de Espanha e Avenida Calouste Gulbenkian.</p>



<p>Estão também intransitáveis, a Avenida de Ceuta, Alfredo Bensaúde, Estrada do Penedo, Alcântara (vários locais), Cruzamento Gago Coutinho com EUA, Praça de Sete Rios, Avenida de santo Contestável, Avenida 24 de Julho até Belém e Avenida de Ceuta junto ao acesso à ponte 25 de abril.</p>



<p>Em Sintra, estão cortados o acesso ao IC19 para Rio de Mouro, a N6 (Auto da Boa Viagem), acesso IC16 para a CRIL, e em Odivelas o acesso ao IC19 para a Buraca.</p>



<p>O IP7 está igualmente cortado no sentido Norte-Sul para a Ponte 25 de Abril.</p>



<p>Ou seja, sem transportes públicos para muitos hoje não é dia de ir trabalhar por impossibilidade de chegar ao destino e, para outros, é dia de deitar contas à vida.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2022/12/alges-inundada.jpg" alt="" class="wp-image-23346"/><figcaption class="wp-element-caption">Algés 13 de dezembro 2022</figcaption></figure>



<p>Por exemplo, a baixa de Algés, em Oeiras, está hoje de manhã de novo debaixo de água devido às fortes chuvas registadas durante a noite, com lojas e habitações inundadas. Uma viatura ficou soterrada e os dois ocupantes tiveram de ser hospitalizados na sequência de um aluimento de terras no Itinerário Complementar 17-CRIL, onde apenas se circula no sentido Algés-Sacavém.</p>



<p>A autarquia de Lisboa aconselhou as famílias a não levar os filhos à escola e pondera, mesmo, encerrar os estabelecimentos de ensino hoje, até porque há um novo alerta do IPMA de chuva para as 13 horas.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2022/12/lisboa-afogada/">LISBOA AFOGADA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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