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	<title>Arquivo de livro As Lutas de Classes em Portugal nos Fins da Idade Média - Duas Linhas</title>
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		<title>Álvaro Cunhal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luís Grego]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Dec 2024 13:36:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Durante o meu tempo de estudante em Lisboa tive a oportunidade de conversar e debater sobre o livro As Lutas de Classes em Portugal nos Fins da Idade Média, da Editorial Caminho, com o seu autor, Álvaro Cunhal. Escreveu-o no segundo semestre de 1950. Este encontro surgiu pela mão do querido amigo Dr. Paulo Sucena [&#8230;]</p>
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<p>Durante o meu tempo de estudante em Lisboa tive a oportunidade de conversar e debater sobre o livro <em>As Lutas de Classes em Portugal nos Fins da Idade Média</em>, da Editorial Caminho, com o seu autor, Álvaro Cunhal. Escreveu-o no segundo semestre de 1950.</p>



<p>Este encontro surgiu pela mão do querido amigo Dr. Paulo Sucena na sequência de um pedido de sugestão de análise para a cadeira Sociologia e Economia Históricas. Propôs-me estudar o livro e, no final, entregar o trabalho ao autor e “reflectirmos em comum”.</p>



<p>A idade avançada do Dr. Álvaro Cunhal e as suas dificuldades visuais obrigaram a que cada uma das folhas A4 fosse ampliada para A3 para lhe facilitar a leitura.</p>



<p>Nessa tarde de final de Março de 1999 fui recebido no nº 3 da Rua Soeiro Pereira Gomes. Aguardei alguns minutos e fui encaminhado para uma das salas existentes no rés do chão.</p>



<p>Há toda uma preparação para aquele momento mas o confronto com a realidade surpreende inevitavelmente. A presença de História viva, de um escritor, de um pintor, de um político controverso, convocou o meu melhor para estar à altura dos acontecimentos.</p>



<p>Um homem calmo, sagaz, numa conversa longa com várias horas, com lanche pelo meio que me permitiu responder a algumas dúvidas suscitadas. Pela minha parte não resisti a perguntar sobre alguns momentos da sua vida, as suas opções e como, à data, olhava para Portugal.</p>



<p>Transmitiu-me uma ideia de confiança quase incondicional na juventude e nas suas capacidades, de lutar por um mundo melhor, de criar, de ser útil. A juventude renova a esperança.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/nCigvLS.png" alt="" class="wp-image-38533"/></figure></div>


<p>O livro aborda a crise, a revolução de 1383-1385, uma revolução burguesa.</p>



<p>Aquilo que fascina no livro, que surpreende verdadeiramente, e que confirmei com o autor é o reconhecimento das forças do progresso, na burguesia.</p>



<p>Segundo o autor, é, naquele contexto histórico, a primeira revolução verdadeiramente progressista. Ainda hoje esta frase me acompanha.</p>



<p><em>Com a revolução, os burgueses partilharam momentaneamente do Poder. Mas, nem ganharam a hegemonia política, nem ascenderam a classe dominante.</em></p>



<p><em>As lutas e vitórias burguesas foram então lutas e vitórias progressistas. As vitórias aristocráticas, vitórias da reacção.</em></p>



<p><em>A nobreza representa as forças do passado, a burguesia o futuro. </em>(pp. 168).</p>



<p>Este livro é também revolucionário pela forma como descontrói a ideia de que foi em 1917 que a luta de classes se apresentou ao mundo. O autor diz-nos que foi em Portugal no final do séc. XIV.</p>



<p><em>Na própria vida intelectual, é o pensamento da burguesia historicamente ascendente que predomina e inspira, dando origem às mais notáveis obras de arte. Fernão Lopes na literatura, Afonso Domingues na arquitectura, Nuno Gonçalves e Vasco Fernandes na pintura, são expoentes da ideologia burguesa numa época histórica em que a burguesia desempenhou papel progressista e revolucionário.</em> (pp. 168).</p>



<p><em>Nos campos, a burguesia começava lutando contra as limitações impostas pelas relações feudais ao progresso da agricultura. Começava lutando contra a existência de grandes extensões incultas, de terras ricas votadas a pastagens ou a montanhas. Começava lutando para a substituição da pequena produção pela exploração à base de trabalho assalariado.</em> (pp. 168).</p>



<p><em>À burguesia se deve toda essa luta gigantesca, persistente e metódica, que culminou com a descoberta do caminho marítimo para a Índia. E talvez também a ela se deva não ter a bandeira portuguesa flutuado nos navios de Colombo e de Fernão de Magalhães.</em> (pp. 170).</p>



<p></p>
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