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	<title>Arquivo de Lisboa à noite - Duas Linhas</title>
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	<title>Arquivo de Lisboa à noite - Duas Linhas</title>
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		<title>Variações, ficções, decisões</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sónia Andrade]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Jul 2022 23:03:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[LIFESTYLE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Fechei o dossier, fiz uma bela jardineira para o jantar sem stress de tempo. Uma sesta ligeira, apenas 20 minutos. A noite anterior foi uma maratona de trabalho, havia ainda a revisão no dia seguinte. Afundei-me no fresco dos lençóis. Às tantas, a tampa do tacho saltou, a jardineira gritou que estava mais do que [&#8230;]</p>
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<p>Fechei o dossier, fiz uma bela jardineira para o jantar sem stress de tempo. Uma sesta ligeira, apenas 20 minutos. A noite anterior foi uma maratona de trabalho, havia ainda a revisão no dia seguinte. Afundei-me no fresco dos lençóis.</p>



<p>Às tantas, a tampa do tacho saltou, a jardineira gritou que estava mais do que apurada! Dei de caras com as estrelas, olhei para o relógio, saltei da cama já vestida, senti-me uma erva daninha, corri porta fora. O meu anjo da guarda adormeceu&#8230;</p>



<p>Uber ou táxi? Não, vou a pé, vou a pé, com a cabeça a correr mais do que as pernas. Numa esplanada, um empregado de mesa old <em>fashion</em>, calças pretas, camisa branca, sossegou-me, era ao virar da esquina.</p>



<p>Estava tão desnorteada que, desta vez, foi o segurança a sossegar-me. Encontrou o bilhete digital e, não, não tinha perdido o holograma, era na música final. Entrei, serenei. Ao longe a banda, a meu lado gente descontraída a bebericar uma cerveja. Há tempos que não ia a um concerto.</p>



<p>Esgueirei-me por entre as pessoas, fintei visões e ficções, cheguei ao pé do palco. Dancei e cantei instantaneamente. Não é preciso nenhum comprimido para me entregar ao Sérgio Praia que me leva de encontro ao meu António. Ao fundo, a marcar o ritmo, vi o sorriso rasgado dele.</p>



<p>Mesmo assim continuei na lama, como é que cheguei tarde e a más horas a um concerto para o qual tive o privilégio de ser convidada? Mas rapidamente larguei a culpa, a lama, não estou ausente, estou aqui, estou além, na festa, um concerto é isso mesmo, uma festa.</p>



<p>Chegou o tal holograma do António. Mas só depois é que veio a magia. Não a digital, essa não me convenceu, mas antes a voz dele, a verdadeira, ele a cantar aquele hino ao amor. Rendi-me, comovi-me. Ninguém canta assim!</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Canção de engate" width="696" height="522" src="https://www.youtube.com/embed/35oeHD6AS-g?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Encontrei os amigos lá fora, pouco depois o anfitrião apareceu radiante, assolapado de paixão. Tive a tentação de ir sair com eles mas percebi que estar ali eu ou a Maria Albertina era mais ou menos a mesma coisa. Estou a delirar! No que é que estou a pensar? E a revisão? A cabeça tem de ter juízo. Perdi-os de vista, saí sem dizer adeus, flanei pela liberdade da avenida.</p>



<p>Adormeci na realidade dos sonhos, acordei de volta à revisão. Tempo de pausa, nem tudo é nem deve ser como um castigo que tenho de viver.</p>



<p>A campainha tocou, o abraço dele encontrou-me. Voltei a ser eu com ele. Para trás ficaram apenas fantasias que o cinema projectou no meu olhar. Adormeci entrelaçada à realidade dos seus braços.</p>



<p>Acordei às sete da manhã, duas canecas de café depois, escrevi, de novo, ao dj preferido que é só meu! Ouvi e vi-o ao vivo apenas duas ou três vezes depois da prisão do confinamento, já lá vai tempo. Por outro lado, passou a ser aquele amigo que entra para tomar um café e vai ficando, ficando. Agora era a minha vez.&nbsp; Fui a pé, é bonito poder ir a pé ao encontro da Luz.</p>



<p>Ele não estava na discoteca&#8230; Subi ao piso do bar, a segurança gira, de rabo de cavalo preto e comprido, explicou tudo. Abriu a pista, mas a do bar, não se sabia se a ia fechar. Shuifff&#8230;</p>



<p>Apanhei o clássico vodka tónico, cirandei, fui à varanda, encontrei e larguei amigos, regressei ao bar. Dei de caras com ele ao virar da esquina, literalmente. O meu dj de eleição, do qual sou groupie auto-intitulada. Ficámos frente a frente, não havia como não nos cumprimentarmos. Protocolo resolvido falei logo dos posts com aberturas infantis, da lamechice da escrita. Respondeu que era bom manter a capacidade de ser criança. Fiquei atrapalhada, ele devolveu-me um sorriso embrulhado numa resposta tão bonita que a guardo só para mim.</p>



<p>Perguntei se ia fechar o set, ainda não sabia. Desolada, supliquei. &#8220;Por favor, vim para te ver e tenho muitas decisões para tomar na pista&#8221;.</p>



<p>Fui apreciar o Tejo, a Estação de Santa Apolónia a decorar a paisagem, desci com as estrelas. Ali estava ele, em dueto com outro dj. Música para dançar, alegre. Soft, sem décibeis&nbsp; agressivos. Pouca gente, uma pista intimista, perfeita. O Sol espreguiçou-se, esticou os raios e nasceu. É assim que começa o milagre da vida.</p>



<p>À saída passei pela pista, não resisti a piscar-lhe o olho. Mandou abraços e fez um largo sorriso. Saí a acreditar que, no sumido momento em que me viu, esteve a tocar só para mim. Coisas de groupie&#8230;</p>



<p>Lá em baixo, a dj com ritmo e atitude na batida, pôs-me logo a dançar. Saí para ir retocar a maquilhagem. À saída avistei-os, o Diogo não me reconheceu de imediato. A Sónia, pelo contrário, puxou-me pelo braço para ficar com eles. &#8220;Obrigada, tenho de ir ter com o pessoal&#8221;. Deixei-os à conversa com a Maria Albertina.</p>



<p>O Francisco acompanhou-me na dança, no meio de tantos outros, lá à frente, de frente para a dj, em pura harmonia.&nbsp; Dancei até se abrirem as portas da realidade. Abençoados óculos escuros.</p>



<p>Na realidade do dia seguinte, os amigos do coração alertaram-me para o que me faz falta para ser feliz. É que sou muito ambiciosa, quero é ser feliz!&nbsp; A quimera do EuroMilhões ajudaria, sim, mas&nbsp; são os outros que te entregam a felicidade de mão estendida.</p>



<p>Cheguei casa, descalcei-me e, como é tradição, a abertura do set está a cargo do Senor Coconut. &#8220;I don´t love you, you don&#8217;t love me. Dá, dá, dá&#8221;.</p>



<p>O dj giraço, (pois agora é de carne e osso), apareceu para um café rápido e foi ficando, ficando. Sempre a dançar tomei diversas decisões, entre elas a de mudar de vida pois há vida em mim a latejar. Não larguei mais a pista da sala de estar. É que ele, num registo ecléctico, continuou a passar música só para mim.</p>



<p>Coisas de groupie&#8230;</p>
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		<title>À noite</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sónia Andrade]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Feb 2022 10:12:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A passo de caminhada ocorre-me fazer o corta-mato que acabo sempre por evitar porque&#160;é&#160;íngreme&#160;e sou preguiçosa. Hoje não. Cruzo o xadrez inicial da baixa, subo as escadas do ascensor metálico com uma&#160;iluminação&#160;tão simples, perfeita. Subo o resto da rua harmoniosa, aqui as lojas não me chocam. Cumprimento o meu poeta&#160;preferido, presto vassalagem ao outro monstro [&#8230;]</p>
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<p>A passo de caminhada ocorre-me fazer o corta-mato que acabo sempre por evitar porque&nbsp;é&nbsp;íngreme&nbsp;e sou preguiçosa. Hoje não. Cruzo o xadrez inicial da baixa, subo as escadas do ascensor metálico com uma&nbsp;iluminação&nbsp;tão simples, perfeita. Subo o resto da rua harmoniosa, aqui as lojas não me chocam. Cumprimento o meu poeta&nbsp;preferido, presto vassalagem ao outro monstro da poesia, grandioso, ali de pé, maior do que a sua praça, tão pequena, tão charmosa. Avisto uma das várias ruas que desaguam na do elevador. Têm escadinhas, bancos para sentar,&nbsp;árvores &nbsp;pequenas e, apesar da violação do Airbnb, ainda vejo tapetes&nbsp;às riscas e colchas antigas nas janelas. Olho para cima, o&nbsp;ascensor adormecido, abaixo a rua engole a sua casa de partida e espreita-se o largo do santinho. Está&nbsp;meio escondido,&nbsp;é&nbsp;uma delícia, a cereja em cima do bairro. Sempre quis viver aqui, terei sempre vontade de aqui viver.</p>



<p>O sítio do costume está&nbsp;tranquilo, como sempre cá&nbsp;fora, encontro o João. Simpático, sempre bem disposto. Com a confiança que ganhámos&nbsp;põe-se&nbsp;a pregar pequenas partidas, trocadilhos de linguagem e ri-se&nbsp;sozinho&nbsp;quando percebe que fui atrás. Quero ficar amuada mas rendo-me sempre&nbsp;às gargalhadas. Rir precisa-se mais do que nunca.&nbsp;</p>



<p>Num&nbsp;ápice vou lá&nbsp;dentro, o Paulo, com um sorriso que ocupa a sala, faz questão que beba um shot com ele. Sinto-me em casa, agradeço o mimo, nunca me vou embora sem lhe mandar um beijo pelo ar.</p>



<p>Volto à rua, hoje não está&nbsp;um frio de rachar e gosto&nbsp;é&nbsp;de estar cá&nbsp;fora. O João está&nbsp;nos &#8216;lives&#8217; e&nbsp;não liga nenhuma a ninguém mas lá&nbsp;o vou interrompendo. Ora bolas, estou ali para falar com ele,&nbsp;é&nbsp;favor dar-me conversa!&nbsp; Mas eis que começa o filme de terror. Duas carrinhas despejam um sem número de turistas&nbsp;com o certificado de vacinação em riste.&nbsp;</p>



<p>Salto logo dali para fora, ponho-me a caminho. Contorno as multidões de putos que&nbsp;à&nbsp;meia noite já&nbsp;estão completamente embriagados. Tenho a&nbsp;sensação&nbsp;que procuram, não tanto o divertimento, antes a alienação. Não sou defensora da atitude &#8220;no meu tempo&nbsp;é&nbsp;que era bom&#8221; mas na altura havia tertúlia na rua e só&nbsp;ficávamos um&nbsp;pouquinho&nbsp;embriagados por volta das quatro,&nbsp;quando&nbsp;os bares fechavam, e apanhávamos um táxi para o Lux ou outro&nbsp;clube&nbsp;de dança. Meia-noite? Pfff&#8230; a essa hora estava a chegar.</p>



<p>Continuo, não está&nbsp;ninguém&nbsp;na rua, aprecio a nobreza do silêncio. Assim que chego&nbsp;à&nbsp;calçada dos Paços do Concelho, com um com design que só&nbsp;encontro na Rua da Mouraria,&nbsp;paro, olho&nbsp;à&nbsp;volta.&nbsp;Parece um salão de dança. Imagino-me a dançar ali com um vestido da Ginger Roger, ele bem pode estar de ganga.</p>



<p>Tac, tac, tac, o som das botas ecoa pelo xadrez da baixa. Há&nbsp;muito que os&nbsp;néons clássicos desapareceram, aqueles que pareciam ter sido escritos com a mão direita e iluminados com a&nbsp;esquerda. Muitas das montras têm aquelas luzes eléctricas e compridas como as das cozinhas. Tenebrosas.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="2560" height="1440" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2022/02/lisboa-a-noite-4.jpg" alt="" class="wp-image-17110"/></figure></div>



<p>Não sigo sempre o mesmo caminho, vou&nbsp;enviesada&nbsp;a apreciar os candeeiros&nbsp;enfeitiçantes, o ferro forjado das janelas, a simetria dos edifícios, a calçada, sempre a calçada. De vez em quando lá&nbsp;passa um carro, de resto passo todos os vermelhos, sabe bem a transgressão.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="711" height="480" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2022/02/lc-lisboa-rua-noite-3.png" alt="" class="wp-image-17112"/></figure></div>



<p>A&nbsp;única companhia que por ali encontro são os valentes que lavam as ruas. A calçada fica molhada, a&nbsp;água que sai das mangueiras faz lembrar o som da chuva mas não chove.</p>



<p>Não costumo ir dar ao Rossio, mas despistei-me nas ruas interiores e&nbsp;sem&nbsp;querer cheguei&nbsp;à&nbsp;Betesga. Claro que a praça&nbsp;é&nbsp;bonita, o D. Maria ainda mais, as artérias que vão dar&nbsp;à&nbsp;praça também&nbsp;são interessantes mas, desde que a pastelaria&nbsp;Suíça desapareceu com o resto do quarteirão, nada me toca ali e a&nbsp;única coisa que me chama&nbsp;à&nbsp;atenção são os ciclistas da UberEats&nbsp;à&nbsp;porta do McDonald &#8216;s. Passo pelo Rossio sem que ele passe por mim.</p>



<p>Chego&nbsp;à&nbsp;realidade do Martim Moniz.&nbsp;É&nbsp;a&nbsp;única altura que gosto dele. Amplo, simétrico, pequenos&nbsp;holofotes&nbsp;amarelos, as laranjeiras bebés que&nbsp;alguém&nbsp;teve a ideia de colocar para tapar o sol. Hão-de tapar sim, quando for uma velhota a falar de doenças. Mas,&nbsp;à&nbsp;noite, quase que conseguem tapar o betão que estrangula a praça. Chego&nbsp;à&nbsp;tranquilidade da minha rua que vai dar&nbsp;à&nbsp;Lua.</p>



<p>Tenho orgulho, vaidade até, em partilhar a minha cidade, quer seja com portugueses, ou com turistas educados que sabem dizer bom dia, boa tarde, por favor indique-me o caminho&#8230; em português. Não é preciso mais. Às vezes faço com eles os caminhos por onde costumo andar, dou-lhes o meu olhar, chamo&nbsp;à&nbsp;atenção para o deslumbre que&nbsp;é&nbsp;caminhar numa rua e, de repente, aparecer uma perpendicular, a descer como se fosse uma ribeira que se junta ao&nbsp;Tejo, se funde com o céu, com o Sol quando o há.&nbsp;</p>



<p>Tal como costumo fazer noutras cidades, sugiro que desliguem os GPS, fechem as apps turísticas e passem a flanar pela cidade.&nbsp;É&nbsp;provável que se percam mas&nbsp;é&nbsp;assim que se descobrem sítios. Flanando.</p>



<p>Sim, gosto muito de partilhar a minha cidade, a vida não faz sentido sem partilha. Mas, à noite, Lisboa é só minha e não a empresto a ninguém.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1200" height="799" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2022/02/lisboa-a-noite.jpg" alt="" class="wp-image-17111"/></figure></div>
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		<title>Lisboa, noite sem ajuntamentos nem violência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Sep 2021 09:59:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[LIFESTYLE]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[Polícias & Ladrões]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19 em Lisboa]]></category>
		<category><![CDATA[Lisboa à noite]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A noite passada, largas centenas de jovens que se encontravam na zona de Santos, em Lisboa, começaram a dispersar pelas 23:00, hora em que os restaurantes e bares encerraram para evitar os habituais ajuntamentos de milhares de pessoas. Numa medida piloto que envolveu a junta de freguesia da Estrela e 13 empresários da área da [&#8230;]</p>
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<p>A noite passada, largas centenas de jovens que se encontravam na zona de Santos, em Lisboa, começaram a dispersar pelas 23:00, hora em que os restaurantes e bares encerraram para evitar os habituais ajuntamentos de milhares de pessoas.</p>



<p>Numa medida piloto que envolveu a junta de freguesia da Estrela e 13 empresários da área da restauração e bares de Santos foi decidido antecipar três horas o encerramento dos locais até domingo de modo a controlar os ajuntamentos noturnos que têm sido habituais naquela zona ribeirinha.</p>



<p>Além do encerramento dos estabelecimentos, a PSP destacou para a zona vários agentes que circularam em grupo e fiscalizaram o cumprimento das regras e impediram os ajuntamentos.</p>



<p>Os jovens cumpriram as ordem dos donos dos estabelecimentos e saíram ordeiramente quando estes encerraram, constatou a Lusa no local.</p>



<p>Além da PSP estava no local uma equipa de fiscais para controlar o encerramento dos espaços na zona.</p>



<p>Nas últimas semanas, Lisboa tem registado situações de criminalidade violenta em contexto de diversão noturna, nomeadamente no Bairro Alto, Cais do Sodré e Santos, com ocorrências de esfaqueamentos.</p>



<p>O levantamento gradual das restrições em função da vacinação contra a covid-19 arrancou em 1 de agosto, com regras aplicáveis em todo o território continental, inclusive o limite de horário de encerramento até às 02:00 para a restauração.</p>



<p>LUSA</p>
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		<title>O sexo e Lisboa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sónia Andrade]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Sep 2021 11:00:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[LIFESTYLE]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Lisboa à noite]]></category>
		<category><![CDATA[sexo em pandemia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Samantha é uma Relações Públicas bem sucedida, anda por volta dos 50, o seu desporto favorito é sexo. Seja moreno, loiro, novo ou velho, Samantha vê em cada homem um potencial orgasmo. Mudou-se para Lisboa com as amigas, a reboque de Madonna, a diva do grupo. &#8220;Where&#8217;s the party&#8221; é a música que melhor a [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Samantha é uma Relações Públicas bem sucedida, anda por volta dos 50, o seu desporto favorito é sexo. Seja moreno, loiro, novo ou velho, Samantha vê em cada homem um potencial orgasmo. Mudou-se para Lisboa com as amigas, a reboque de Madonna, a diva do grupo. &#8220;Where&#8217;s the party&#8221; é a música que melhor a define.</p>



<p>Carrey é escritora, as suas crónicas sobre &#8220;a cidade encantada&#8221; são um sucesso cá e lá. Anda por volta dos quarenta, gosta muito de sexo mas, de uma forma escondida, ainda acredita no príncipe encantado. &#8220;Open your heart to me&#8221; é a música de almofada.</p>



<p>Charlotte é uma das curadoras mais amadas de Nova Iorque e rapidamente conquistou o mesmo estatuto em Portugal. Dirigiu o Museu Berardo, demitiu-se entretanto. É a mais inocente do grupo, acredita piamente no &#8220;felizes para sempre&#8221;. É incapaz de fazer sexo sem se apaixonar mas apaixona-se muitas vezes. No duche canta em repeat &#8220;Like a virgem&#8221;.</p>



<p>Miranda é a mais pragmática de todas, uma advogada tubarão admirada e temida no meio. Não tem sonhos de Cinderela, o sexo é para usar e descartar. &#8220;Beautiful stranger&#8221;, a música do duche.</p>



<p>Maravilharam-se com Lisboa, os bares, as lojas para turista, sem pé rapado, a surgirem em catadupa. No entanto detestam os tuck tuck, coisa medieval, e não percebem como é que as portuguesas conseguem andar de saltos altos na típica calçada. Ai os sapatos da Carrie parados no guarda-fatos&#8230;</p>



<p>Samantha, claro, já conhece toda a gente em toda a parte. A vida da nova iorquina é uma aventura permanente numa cidade que, não obstante, considera ter parado no tempo.</p>



<p>Um dia o tempo parou. O maldito vírus chegou a Portugal e ao mundo, o confinamento foi obrigatório, os voos cancelados. Madonna foi embora, elas acabaram por ficar. Por um lado sentiam-se tranquilas em Lisboa, por outro, inquietas pelas notícias vindas de Nova Iorque e dos EUA onde &#8220;aquele cujo nome não pode ser invocado&#8221; ignorava a pandemia. Ignorava todos, aliás.</p>



<p>Ficaram sitiadas na casa de Samantha por ser a maior e ter o melhor bar. Bateram o record de Cosmopolitans por dia e começaram a ressacar de&#8230; sexo. Foi assim durante dois meses.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/xUVNHds.jpg" alt="" class="wp-image-12096"/></figure>



<p>Chegado o Estado de Calamidade saíram finalmente à rua mas os horários impostos eram uma frustração. Como iam conhecer homens em bares abertos durante o dia?&nbsp; Voltar para casa às oito da noite? Nem os adolescentes.</p>



<p>Com o uso obrigatório de máscara, enfiaram-se nas lojas de luxo. Máscaras Dior, Dolce Gabbana, Vivienne Westwood, a fazer pandã com roupa, sapatos malas, até brincos. A imaginação era o limite mas a vida nocturna continuava diurna.</p>



<p>Chegou então o dia. A ideia partiu de Charlote. Porque não inscreverem-se? O vírus estava controlado, a taxa Rt baixava de dia para dia, em último caso, podiam usar máscara o tempo todo! Fez-se silêncio, uma gargalhada colectiva. De novo o silêncio. Samantha&nbsp; recusou-se a tal humilhação. Inscrever-se num site de encontros? Jamais.</p>



<p>Carrie, Charlotte e Miranda acharam piada e alinharam na coisa. Divertiram a tirar fotos de perfil originais, sem rosto exposto, claro, completamente <em>fashion</em>. Foi um gozo a invenção dos dados de perfil, lá chegaram às fotos finais e aos nomes falsos, claro. Entraram no Tinder.</p>



<p>Ri-me compulsivamente, disse que estava a inventar, mas o João teimou que sabia de fonte segura que era tudo verdade. Continuei-me a rir. Bebemos um shot, perguntei timidamente se ele andava por lá. Disse um sim, sumido.</p>



<p>O João é um querido, um cavalheiro, deve haver mais como ele. Vai daí decidi: Vou inscrever-me no Tinder, aposto que vou encontrar gente interessante&#8221;. Devolveu-me um sorriso ternurento que espelhava a minha inocência. &#8220;Miúda, 99,9% dos homens que estão lá só procuram uma coisa: dar uma queca. Nada mais&#8221;. Fiquei chocada. &#8220;Uma, apenas uma, isso é uma regra?&nbsp;</p>



<p>Olhei-o nos olhos, fiz um sorriso irónico. &#8221; Queres beber outro shot?&#8221;</p>
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		<title>Quando as luzes se acendem em Lisboa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Oct 2020 07:35:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[LIFESTYLE]]></category>
		<category><![CDATA[desertificação de Lisboa]]></category>
		<category><![CDATA[envelhecimento da população]]></category>
		<category><![CDATA[Lisboa à noite]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A população de Lisboa continua a decrescer e é por causa do (des)amor. As estatísticas da Pordata apontam para 508 368 habitantes em 2019. Lisboa perdeu 54 944 lisboetas em 18 anos. As cidades são a história do Mundo. As cidades, e as batalhas. As civilizações e o bem-estar constroem cidades. Os habitantes interagem com [&#8230;]</p>
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<p>A população de Lisboa continua a decrescer e é por causa do (des)amor. As estatísticas da Pordata apontam para 508 368 habitantes em 2019. Lisboa perdeu 54 944 lisboetas em 18 anos.</p>



<p>As cidades são a história do Mundo. As cidades, e as batalhas. As civilizações e o bem-estar constroem cidades. Os habitantes interagem com amor, ódio e todos os sentimentos que Ovídeo deu conta em “A Arte do Amor”, escrito há dois mil anos. Para Ovídeo o amor e as&nbsp; conveniências já eram, naquele tempo, o cimento do futuro sustentável.</p>



<p>Pedro Santana Lopes também pensou o mesmo, quando foi provedor da Santa Casa. Preocupou-se com os habitantes de Lisboa que &#8220;vivem e morrem sozinhos&#8221;. &#8220;São muitos, muitos&#8221;, disse-me. A solidão em Lisboa é fácil de descobrir. Quando começa a anoitecer, as luzes acendem-se timidamente, porque a luz está cara. Andamos a pagar &#8220;rendas&#8221; a chineses e a gente podre-de-rica. Uma hora depois as luzes apagam-se. E ali está a gente que vive sozinha, que já nem vê televisão. Estamos a falar dos bairros antigos da cidade. Não de Telheiras ou da Alta de Lisboa, onde a música é outra.</p>



<p>Uma cidade é uma rede de interesses e objectivos, onde os afectos são essenciais. Aos 50 anos de idade, começamos a perceber a importância de ter amigos, para além dos senhores do 112. É importante procurar o que nos une na cidade. E seria aqui que Medina encaixava bem. Mas Medina está desatento, tal como todos nós estivemos enquanto fomos novos. Nos últimos 46 anos andámos a mijar no mundo, como se fossemos super-homens eternos. Mas isso mudou com a pandemia, de forma brutal. Caímos na realidade. Estamos confinados, reduzidos ao nosso espaço e às nossas dificuldades.</p>



<p>Não temos famílias sólidas. Amigos fixes. Tertúlias do coração. Partidos políticos onde nos podemos rever. Os lisboetas acima dos 65 anos representam mais de 28 por cento da população. Nos próximos dez anos, serão 40 por cento. Estarão envelhecidos e alquebrados.</p>



<p>Os lisboetas vivem cada vez mais sozinhos, mesmo os mais novos. E não precisam de ciclovias, porque a cidade é uma montanha russa disfarçada. &nbsp;Precisam é de quem lhes telefone. &#8220;Alô! Daqui é o Fernando, o Medina! Venha tomar um cafezinho comigo&#8221;. Ops! Eu estava muito ocupado mas aceito já, muito obrigado senhor presidente!</p>
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		<title>Disco Moon</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sónia Andrade]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Aug 2020 06:36:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[LIFESTYLE]]></category>
		<category><![CDATA[festas de verão]]></category>
		<category><![CDATA[Lisboa à noite]]></category>
		<category><![CDATA[sonhar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A roupa tem de ficar estendida na cama antes do jantar. Senão depois surgem mil coisas, acabo por desistir da ideia, afinal estou muito ocupada. Mas se entro no quarto, visto-me num ápice, calço os ténis, coloco os phones velhinhos e saio sem destino. Percorro esta Lisboa tão boa ao som da canção Sweet Jane, [&#8230;]</p>
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<p>A roupa tem de ficar estendida na cama antes do jantar. Senão depois surgem mil coisas, acabo por desistir da ideia, afinal estou muito ocupada. Mas se entro no quarto, visto-me num ápice, calço os ténis, coloco os phones velhinhos e saio sem destino.</p>



<p>Percorro esta Lisboa tão boa ao som da canção Sweet Jane, dos Cowboy Junkies, na versão do filme Natural Born Killers. Oiço-a uma e outra vez em repeat. É um mimo que ajuda o passo apressado, isto não é um passeio, é uma caminhada. Mudo de rua e dou de caras com o vento mas já tenho o casaco à coca, preso à cintura. Fresca esta noite de verão.</p>



<p>Atravesso o passeio e sigo atrás de dois PSP. Não vejo na policia uma postura negativa, por isso, nesta fase, agrada-me o reforço policial na rua. Nas costas dos agentes reparo, pela primeira vez, que a palavra “policia” brilha no escuro. Uau! Só mesmo a Lua para a polícia fazer um brilharete. Continuo em frente. Atravesso a rua com o sinal verde e&#8230; ponho o pé na discoteca!</p>



<p>Poderosa, enorme, espaço infinito numa pista marcada aqui e ali por traços cinzentos que lhe dão perspectiva. Espaço e mais espaço, prédios bonitinhos cor de laranja a contornar a disco, esplanadas com luzes, mas lá ao longe. Excepção para a estátua triste plantada no meio da pista de dança. Poderia ser o bar, sempre ganhava alguma dinâmica e luz.</p>



<p>Olhei para o Tejo e foi aí que a vi focada em mim. Se estava cheia ou quase cheia, não faço ideia. A Lua encheu-me toda, entrou pelos olhos adentro, espalhou-se pelo corpo, saiu pela pele em pós cintilantes. Sou uma minúscula partícula do luar. Mantive-me focada nela, tão elegante, com um raio de luz que mais parecia a fita de um chapéu de verão.</p>



<p>O You Tube fartou-se da Sweet Jane e, sem pedir licença, passou para a Temptation dos New Order. É a minha música top of the pops para dançar, dançar e continuar a dançar! Fechei o casaco e fiz o que me era pedido. Dancei! Mal reparei nas pessoas que por ali passavam, levavam os olhos pregados no chão e nas suas vidas. Continuei a dançar, a céu aberto neste mar de espaço, com o projector da Lua e o Tejo a provar que estava em Lisboa.</p>



<p>Dancei muito, mas com movimentos discretos, não dei pulos, como pede a música. Mas, mesmo assim, depois de tanto tempo a dançar no espaço finito de casa, foi avassalador dançar no espaço infinito!</p>



<p>Na Disco Moon os vírus, as máscaras, os beijos proibidos, as mortes, as estatísticas, a economia e presidentes energúmenos são barrados à porta. Fazem parte da interminável lista do lado negro da Humanidade. Não entram.</p>



<p>Ao som dos phones velhinhos entrego-me à Lua como se fosse ao homem que amo. Fico grata pela magia, ponho o capuz e regresso a casa devagarinho, leve, tão leve, como se pisasse algodão doce, como se eu fosse algodão doce.</p>



<p>Deixo as roupas e as preocupações caírem no chão, meto-me num duche fresco. Era boa ideia ir trabalhar, era mesmo. Mas sento-me cá fora a ver a rota do fumo do cigarro ir de encontro ao astro cintilante. Vou atrás dele, mergulho na Lua, nos milhões de voltas que deu à volta da Terra e chego ao meu carro parado em frente a um pinhal com o namorado alemão.</p>



<p>E agora? Como chegamos à festa? Atravessamos o pinhal a pé, diz-me. Estás louco, entrar naquela escuridão? Nem pensar! Sónia, it’s full moon, we have light all the way. Encolhi os ombros e contrariada lá entrei no pinhal supostamente negro. Não era, tinha aquele holofote gigante que tornava as árvores prateadas e nos indicava o caminho. Foi a primeira vez que senti a intensidade da Lua. O poder.</p>



<p>Quando chegámos ao prado gigante onde a festa de transe já mexia com toda a gente, abracei-me a ele e beijei-o. Thank you for the moon.</p>



<p>Entregámo-nos ao ritmo da festa. E, se já tínhamos decidido que nos casávamos naquela aldeia da roupa branca em Santa Clara-a-Velha, depois da família se retirar, ficou assente que era ali que íamos dançar com os amigos. Uma festa à séria com a Lua cheia do nosso amor. Depois esgueirávamo-nos para o farol que nos colocava mais perto da Lua, mais próximos um do outro.</p>



<p>Volto à poltrona à porta de casa. Apago o cigarro. Foco-me nela pela última vez. Assim que adormeço danço na Praça do Comércio, no prado alentejano, no Lux, no festival Boom, nas festas de miúdas onde replicávamos as coreografias das Doce. Danço onde, quando e como quiser. Estou com a Lua.</p>
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