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	<title>Arquivo de José Pacheco Pereira - Duas Linhas</title>
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	<title>Arquivo de José Pacheco Pereira - Duas Linhas</title>
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		<title>PREMIAR OS MELHORES</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Oct 2024 11:00:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Já muito se terá dito e escrito a propósito da sessão que viu consagrados pela Estoril Sol Lídia Jorge, Francisco Mota Saraiva e José Pacheco Pereira, galardoados, respetivamente, com os prémios literários Fernando Namora e Agustina Bessa-Luís, e o Prémio Vasco Graça Moura – Cidadania Cultural. Do romance Misericórdia, da algarvia Lídia Jorge, se realçou [&#8230;]</p>
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<p>Já muito se terá dito e escrito a propósito da sessão que viu consagrados pela Estoril Sol Lídia Jorge, Francisco Mota Saraiva e José Pacheco Pereira, galardoados, respetivamente, com os prémios literários Fernando Namora e Agustina Bessa-Luís, e o Prémio Vasco Graça Moura – Cidadania Cultural.</p>



<p>Do romance <em>Misericórdia,</em> da algarvia Lídia Jorge, se realçou que, «numa escrita marcada por singular criatividade, transfigura ficcionalmente a matéria do real que o suscita e, na construção da personagem nuclear como de outras, nos múltiplos momentos da efabulação, nos planos em torno dos seus universos sociais, emocionais, afectivos, e nas notações de um processo de perda sem excessos descritivos, exprime uma voz com atributos incomuns de generosidade e humanismo». Explicação digna de júri letrado, claro está.</p>



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</div>
</div>



<p>Do romance <em>Aqui onde Canto e Ardo, </em>de Francisco Mota Saraiva, a apreciação foi a seguinte:</p>



<p>&nbsp;«É a saga de uma família que a história portuguesa do século XX fez existir entre três continentes, Ásia – Índia, África – Moçambique, Europa – Portugal. A diversidade imaginária desses três mundos é dada através de narrativas da memória de algumas das principais figuras da família. Nelas se recordam diferenças promotoras de violências diversas, das dores e angústias do poder sobre todas as suas formas».</p>



<p>Quanto a Pacheco Pereira, realçou-se o seu «empenhamento em prol da defesa do interesse público, em especial quanto ao conhecimento histórico e à preservação do património cultural, graças à criação da Biblioteca e Arquivo <em>Ephemera</em>».</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/fVHXOkZ.jpeg" alt="" class="wp-image-37563"/><figcaption class="wp-element-caption"><a href="https://ephemerajpp.com/">EPHEMERA – Biblioteca e arquivo de José Pacheco Pereira – &#8220;The two offices of memory are collection and distribution.&#8221; (Samuel Johnson)</a></figcaption></figure></div>


<p>Por conseguinte, o que ali se passou em nada está relacionado com o jogo, principal fonte de receita da empresa, mas sim com uma iniciativa a que há anos, denodadamente, meteu ombros, com pleno êxito e muito gáudio de todos nós.</p>



<p>Na verdade, também se aproveitou o ensejo para se envolverem em frases bonitas críticas certeiras e aplausos de muito louvar. Assim, <em>Misericórdia </em>deu azo a que se lançasse um olhar para os lares, os velhos, o abandono das pessoas; <em>Aqui onde Canto e Ardo</em> proporciona visão sobre uma sociedade dificilmente repartida e partida entre usos e tradições tão diversas; por seu turno, <em>Ephemera,</em> a iniciativa de Pacheco Pereira, mostrou como tanta documentação, da mais diversa índole, que corria mui sério risco de inevitavelmente se perder numa montureira, pode vir a ser motivo de teses de doutoramento e trazer, inclusive, como já aconteceu, insuspeitada luz sobre um passado que se quisera esconder.</p>



<p>De um modo geral, porém, oradores e premiados não se privaram de tecer rasgados elogios ao poder da literatura e do livro, numa altura em que o apressado digital ameaça subverter o privilégio de, pausadamente, se sentir a textura e o cheiro do papel impresso.</p>



<p>E não se deixou de aplaudir o facto de, apesar de todas as dificuldades, a Estoril Sol se haver mantido fiel ao programa de continuar a fomentar Cultura: apoio à Literatura, às Artes (com a sua galeria) e às actividades musicais.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="755" height="372" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/10/2024.10.17_entrega_premios_literarios_estoril_sol_lb_8.jpg" alt="" class="wp-image-37565" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/10/2024.10.17_entrega_premios_literarios_estoril_sol_lb_8.jpg 755w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/10/2024.10.17_entrega_premios_literarios_estoril_sol_lb_8-300x148.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/10/2024.10.17_entrega_premios_literarios_estoril_sol_lb_8-696x343.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/10/2024.10.17_entrega_premios_literarios_estoril_sol_lb_8-324x160.jpg 324w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/10/2024.10.17_entrega_premios_literarios_estoril_sol_lb_8-648x320.jpg 648w" sizes="(max-width: 755px) 100vw, 755px" /><figcaption class="wp-element-caption">entrega dos prémios Estoril Sol 2024</figcaption></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2024/10/premiar-os-melhores/">PREMIAR OS MELHORES</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>A memória Ephemera</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jan 2024 13:58:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
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		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[arquivo Ephemera]]></category>
		<category><![CDATA[arquivos históricos]]></category>
		<category><![CDATA[José Pacheco Pereira]]></category>
		<category><![CDATA[revista 30 Dias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Outro dia, decidi guardar um pequeno parafuso no boião dos parafusos. E diz-me a Lucinda: «Pois, vai guardar; mas, quando precisar, é capaz de não saber onde guardou e corre à drogaria comprar, porque é mais fácil do que tentar saber onde é que está». Assim acontece, mas não resistimos a ir guardando, até ao [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Outro dia, decidi guardar um pequeno parafuso no boião dos parafusos. E diz-me a Lucinda: «Pois, vai guardar; mas, quando precisar, é capaz de não saber onde guardou e corre à drogaria comprar, porque é mais fácil do que tentar saber onde é que está».</p>



<p>Assim acontece, mas não resistimos a ir guardando, até ao dia em que nós – ou os nossos herdeiros (quando os há) – decidimos dar volta ao sótão ou à arrecadação e a maior dos ‘guardados’ vai para o lixo.</p>



<p>Lembro-me do <em>Mariguta</em> da minha infância. Nunca lhe soube o nome. Adorava ouvi-lo apregoar ‘Ferreveeelhe!’. Meus pais davam-lhe ou vendiam-lhe trastes que não usavam já. Hoje, a profissão de ferro-velho não é comum, nada comum, a não ser para o ramo automóvel. Prefere-se arranjar uma banca, montá-la na Feira da Ladra ou numa dessas que vão surgindo como cogumelos por toda a parte. Em Cascais, por exemplo, no Jardim Visconde da Luz aos sábados (creio), no Jardim da Parada, no próprio recinto da feira (em redor do mercado municipal)… O pessoal lá vai sabendo quando e onde há esses mercados (ai, o <em>Marché aux Puces</em> de Paris!&#8230;) e tenta desenvencilhar-se.</p>



<p>O busílis está nos livros e revistas e outros papéis. Não há espaço em casa nem debaixo da cama ou por cima dos móveis. Depois, os livros são pesados e a gente ou já os leu ou já não tem tempo para os ler, que o <em>Facebook</em> e as «redes sociais» preenchem satisfatoriamente os momentos livres do dia. Não há pachorra para ler uma ou duas páginas no metro ou no autocarro; o telemóvel supre bem.</p>



<p>Portanto, tudo o que é livro ou jornal ou revista ou papel antigo arquivado em dossiês tudo corre sério risco de ir para junto de um contentor e quem quiser que aí se avie.</p>



<p>E é aqui que surge o milagre da <em>Ephemera,</em> a luminosa ideia de José Pacheco Pereira! Tudo o que é ‘efémero’, ou seja, quase momentâneo, serve hoje e amanhã já não, no domínio sobretudo da papelada, tem acoito nesse ‘arquivo de tudo’ que Pacheco Pereira em boa hora inventou.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="526" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/pacheco-pereira4-1024x526.jpg" alt="" class="wp-image-31456" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/pacheco-pereira4-1024x526.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/pacheco-pereira4-300x154.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/pacheco-pereira4-768x395.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/pacheco-pereira4-1536x789.jpg 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/pacheco-pereira4-696x358.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/pacheco-pereira4-1392x715.jpg 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/pacheco-pereira4-1068x549.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/pacheco-pereira4.jpg 1656w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>Recordo-me que andei meses à procura de alguém que quisesse ficar com uma colecção de revistas de bom nível que uma entidade bancária adregara editar. Mensagens nas redes sociais, conversas com amigos… nada! Ninguém estava interessado! Até que alguém me perguntou: «Já tentaste a <em>Ephemera?». </em>Não tentara. Tentei. Fiquei com o problema resolvido.</p>



<p>Aliás, já aqui houve oportunidade de falar nesse assunto de <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2023/11/guardar-a-memoria/">guardar a memória</a></strong> e se disse como se salvara o espólio de Giacometti. </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="767" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/guardar-memoria-1024x767.jpg" alt="" class="wp-image-31453" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/guardar-memoria-1024x767.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/guardar-memoria-300x225.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/guardar-memoria-768x575.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/guardar-memoria-696x521.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/guardar-memoria-1068x800.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/guardar-memoria-265x198.jpg 265w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/guardar-memoria-530x396.jpg 530w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/guardar-memoria.jpg 1299w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>Em entrevista concedida à utilíssima <em>30 Dias, </em>a agenda cultural (também em papel) do município de Oeiras, deste mês de Janeiro de 2024, conta José Pacheco Pereira como é que tudo apareceu, o que será bom fazer de futuro e ilustra com algumas histórias deveras elucidativas:</p>



<p>«Encontrámos uma correspondência entre dois namorados, que é, aliás, o nosso maior sucesso editorial, que se chama ‘Amorzinho’. É uma correspondência amorosa e é muito interessante sobre a condição feminina, porque ela é uma rapariga que começa a namorar com 15 anos, não sabe nada da vida, ele sabe de mais e ela vai aprendendo, vai ganhando manha». «É um conjunto de quase 600 cartas e nós temos as dele e as dela, o que também não é comum, e estavam metidas na gaveta de um móvel que ia para o lixo».</p>



<p>«Recuperámos todo o arquivo da sede do CDS em Coimbra, quando ele foi deitado ao lixo. Uma senhora aqui de Oeiras, por acaso, acordou de manhã, abriu a porta e viu um monte de dossiês que a vizinha tinha deitado fora, Chamou-nos, a gente foi lá buscar, era todo o arquivo da história da agricultura de Angola dos anos 50, 60».</p>



<p>Duas sugestões, portanto:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Tente ler a entrevista em que José Pacheco Pereira fala dessa «obra de loucura mansa». Aceda, se não tiver a edição impressa, a: <a href="https://www.oeiras.pt/-/agenda-roteiro-cultural-30-dias-edicao-247-janeiro-24">https://www.oeiras.pt/-/agenda-roteiro-cultural-30-dias-edicao-247-janeiro-24</a></li>



<li>Consciencialize tudo quanto ali se diz e faça-nos um favor: quando não tiver já lugar para pôr os livros e/ou revistas e jornais, panfletos e quejandos, e a biblioteca ou o arquivo municipal da sua residência não os quiserem, entre em contacto com a Ephemera (935551816; <a href="mailto:ephemerasecretariado@gmail.com">ephemerasecretariado@gmail.com</a>). Estou certo que o seu problema deixará de existir.</li>
</ol>



<p></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="227" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/pacheco-pereira-2-1024x227.jpg" alt="" class="wp-image-31454" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/pacheco-pereira-2-1024x227.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/pacheco-pereira-2-300x67.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/pacheco-pereira-2-768x170.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/pacheco-pereira-2-1536x341.jpg 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/pacheco-pereira-2-696x154.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/pacheco-pereira-2-1392x309.jpg 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/pacheco-pereira-2-1068x237.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/pacheco-pereira-2.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>

<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="104" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/ephemera-citacoes-1024x104.jpg" alt="" class="wp-image-31459" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/ephemera-citacoes-1024x104.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/ephemera-citacoes-300x30.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/ephemera-citacoes-768x78.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/ephemera-citacoes-696x70.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/ephemera-citacoes.jpg 1038w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2024/01/a-memoria-ephemera/">A memória Ephemera</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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