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	<title>Arquivo de jornalismo - Duas Linhas</title>
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	<title>Arquivo de jornalismo - Duas Linhas</title>
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		<title>A CNN E O JORNALISMO DE REFERÊNCIA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 May 2026 23:00:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
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		<category><![CDATA[canais temáticos de televisão]]></category>
		<category><![CDATA[CNN Internacional]]></category>
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		<category><![CDATA[jornalismo televisivo]]></category>
		<category><![CDATA[Ted Turner]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ted Turner é considerado o “pai” dos canais temáticos de informação</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/a-cnn-e-o-jornalismo-de-referencia/">A CNN E O JORNALISMO DE REFERÊNCIA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A CNN Internacional sempre ficou associada à figura do seu fundador, Ted Turner. Mas, na verdade, Turner vendeu a CNN em 1996. Tudo o que se passou depois com a CNN não foi da sua responsabilidade.</p>



<p>Seja como for, Ted Turner é considerado o “pai” dos canais temáticos de informação. Dar notícias 24 horas por dia foi uma ideia que, talvez, nunca tenha ocorrido antes a alguém, mas Turner foi o que fez.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="486" height="643" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ted-turner.jpg" alt="" class="wp-image-49165" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ted-turner.jpg 486w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ted-turner-227x300.jpg 227w" sizes="(max-width: 486px) 100vw, 486px" /><figcaption class="wp-element-caption">Ted Turner, 1980</figcaption></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A CNN foi copiada e franchisada por todo o mundo. Em Portugal surgiram primeiro as imitações SIC Notícias e TVI24, mas tarde surgiu a CNN Portugal, como em muitos outros países. As empresas de comunicação locais compram os direitos de utilização do nome CNN. Em Portugal, essa licença pertence à Media Capital. É um negócio para a Warner Bros Discovery, a empresa proprietária da marca CNN. Esses canais transmitem informação 24 horas por dia, mas boa parte do tempo de antena é ocupado com a chamada &#8220;televisão barata&#8221; (de baixo custo), programas de estúdio, onde campeiam opinadores, <em>experts</em> de tudo e mais um par de botas. Mas notícias, notícias, nem sempre são muitas e reportagens ainda menos.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Turner morreu em 6 de maio, vítima de uma doença degenerativa de funções cognitivas. Tinha 87 anos. Nas últimas décadas de vida dedicou-se a coisas muito diferentes dos média. Multimilionário, escolheu investir o seu dinheiro no conservacionismo e na defesa dos direitos humanos.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="867" height="579" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ted-turner-3.jpg" alt="" class="wp-image-49166" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ted-turner-3.jpg 867w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ted-turner-3-300x200.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ted-turner-3-768x513.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ted-turner-3-696x465.jpg 696w" sizes="(max-width: 867px) 100vw, 867px" /><figcaption class="wp-element-caption">Ted Turner</figcaption></figure></div>


<p>Na hora da sua morte, as <strong><a href="https://expresso.pt/internacional/2026-05-06-morreu-ted-turner-o-fundador-da-cnn-44b41757" type="link" id="https://expresso.pt/internacional/2026-05-06-morreu-ted-turner-o-fundador-da-cnn-44b41757">notícias</a></strong> que dele fizeram, davam conta de inúmeros elogios fúnebres. O Presidente dos EUA também fez o seu. Nem sempre os elogios fúnebres são sinceros. Não estou a ver o atual presidente dos EUA a apreciar um defensor da natureza e dos direitos humanos&#8230;</p>
</div></div>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Na rede Truth Social, Trump escreveu que Turner foi &#8220;um dos maiores de todos os tempos&#8221; e um grande amigo pessoal. O Presidente dos EUA contornou as óbvias incompatibilidades ideológicas com o defunto. No elogio, disse que a sua antipatia pela CNN só aconteceu depois de Turner ter vendido a empresa, ignorou que o fundador da CNN era historicamente um liberal progressista e que defendia abertamente o sistema de saúde universal, o desarmamento nuclear, o ambientalismo, que nunca foi seu apoiante político, aliás, chegou mesmo a apoiar Hillary Clinton na campanha de 2016.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="588" height="397" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/trump-elogio.jpg" alt="" class="wp-image-49163" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/trump-elogio.jpg 588w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/trump-elogio-300x203.jpg 300w" sizes="(max-width: 588px) 100vw, 588px" /></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>UMA EXPERIÊNCIA PESSOAL</strong></h4>



<p>Cruzei-me com jornalistas da CNN algumas vezes, normalmente em locais de conflito onde os americanos tinham empenhamento militar. Esta história passou-se na Somália.</p>



<p>Cheguei a Mogadíscio em finais de Novembro de 1992. Fiquei lá até ao Natal. Foi um mês completamente louco.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/cn-em-mogadiscio-1024x683.png" alt="" class="wp-image-49173" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/cn-em-mogadiscio-1024x683.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/cn-em-mogadiscio-300x200.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/cn-em-mogadiscio-768x512.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/cn-em-mogadiscio-696x464.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/cn-em-mogadiscio-1392x928.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/cn-em-mogadiscio-1068x712.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/cn-em-mogadiscio-1320x880.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/cn-em-mogadiscio.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Naquele tempo, a Somália devia ser o sítio mais perigoso do Mundo. Sem governo, a população combatia na mais estranha guerra civil que já vi. Vários clãs matavam-se entre si, numa demência de todos contra todos.</p>



<p>A avioneta alugada em Nairobi aterrou no aeródromo central de Mogadíscio, precisamente no momento em que aquela parcela de chão estava a ser disputada entre duas das facções em conflito. Como não havia comunicação via rádio com alguém em terra, o piloto (e nós) só se apercebeu que havia balas a voar, além do avião, quando já não conseguiu abortar a aterragem. O avião bateu no chão e foi rapidamente conduzido para trás de uma parede, onde sempre havia alguma protecção. Assim que o tiroteio teve uma pausa, o piloto levantou voo e nós ficamos. Eu, um fotógrafo americano e dois tipos alemães da televisão ZDF. A SIC tinha-me enviado sozinho para ali. Eu deveria procurar a equipa da Reuters e trabalhar com eles. Não há nada pior que ir para um sítio destes sem um companheiro.</p>



<p>Arranjar alojamento foi o primeiro tormento. Os tipos da ZDF tinham um contrato com a CNN e iam ficar na casa que a televisão americana tinha comprado. Eles são assim, chegam e compram! Decidi ir com eles, quem sabia se não poderia lá ficar também…</p>



<p>Chegámos às instalações da CNN já de noite. O <em>anchor</em> preparava um directo, com cenário montado. Quando digo cenário, não estou a brincar com as palavras. Era mesmo um cenário, onde figuravam duas pick-up Toyota de caixa aberta, equipadas com metralhadoras pesadas, e vários somalis em pose de rambo… e o anchor americano dizia, no seu directo, “estamos na frente de batalha, atrás de mim os guerrilheiros de Aidid…”, blá blá blá blá… <em>bullshit</em> como se diz na China. Armar aos heróis, a grandes repórteres, dentro dos muros protegidos por guardas privados e com figurantes pagos… e eram aqueles tipos a referência mundial do jornalismo televisivo.</p>
</div></div>



<p></p>
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		<title>VIVAM OS FOTOJORNALISTAS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Apr 2026 23:42:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Destacados pelo seu papel histórico no registo dos momentos fundadores da democracia portuguesa</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/04/vivam-os-fotojornalistas/">VIVAM OS FOTOJORNALISTAS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Seis fotojornalistas foram homenageados pelo Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, na sessão solene comemorativa dos 50 anos da Constituição de 1976: Manuel Moura, Inácio Ludgero, Rui Ochoa, Alfredo Cunha, Eduardo Gageiro e João Ribeiro.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Seis fotojornalistas" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/OH7kdKlSq1I?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>As fotografias que hoje vemos nos arquivos de jornais da época, foram feitas por eles. Contam-nos histórias de um tempo em que o país se transformou. Com a Constituição de 1976, os portugueses adquiriram a estrutura legal que lhes garante, até hoje, direitos e liberdades inexistentes durante os 50 anos anteriores, em que Portugal viveu sob uma ditadura.</p>



<p>Estes profissionais foram destacados pelo seu papel histórico no registo dos momentos fundadores da democracia portuguesa e do processo constituinte. A homenagem incluiu referências ao seu trabalho na cobertura da Assembleia Constituinte e a inauguração de exposições fotográficas dedicadas ao cinquentenário da Lei Fundamental.</p>



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</div>
</div>



<p>50 anos depois, reformados, ainda com o dedo no “gatilho”, sempre armados com uma máquina fotográfica, como é o caso de Inácio Ludgero.</p>



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<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="842" height="477" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/inacio-ludgero-foto.jpg" alt="" class="wp-image-48285" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/inacio-ludgero-foto.jpg 842w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/inacio-ludgero-foto-300x170.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/inacio-ludgero-foto-768x435.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/inacio-ludgero-foto-696x394.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 842px) 100vw, 842px" /><figcaption class="wp-element-caption">fotografia de Inácio Ludgero no exterior da Assembleia da República, em 1976</figcaption></figure>
</div>



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<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="778" height="490" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/inacio-ludgero-2.jpg" alt="" class="wp-image-48286" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/inacio-ludgero-2.jpg 778w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/inacio-ludgero-2-300x189.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/inacio-ludgero-2-768x484.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/inacio-ludgero-2-696x438.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 778px) 100vw, 778px" /><figcaption class="wp-element-caption">Inácio Ludgero hoje</figcaption></figure>
</div>
</div>
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		<title>O que os contratos escondem e os media demoram a mostrar</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/03/o-que-os-contratos-escondem-e-os-media-demoram-a-mostrar/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2026/03/o-que-os-contratos-escondem-e-os-media-demoram-a-mostrar/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marta da Silva Gameiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Mar 2026 10:30:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
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		<category><![CDATA[o negócio das vacinas]]></category>
		<category><![CDATA[promiscuidade entre negócios e política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este fim-de-semana o Semanário Sol fez capa com a manchete “Estado escondeu riscos das Vacinas contra a Covid- 19”.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/03/o-que-os-contratos-escondem-e-os-media-demoram-a-mostrar/">O que os contratos escondem e os media demoram a mostrar</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>No artigo é descrito como, contrariando o discurso oficial, os 17 contratos assinados pela então directora-geral da DGS Graças Freitas e as Farmacêuticas responsáveis pela disponibilização das vacinas, na sequência do Acordo de Compra Antecipada celebrado pela Comissão Europeia, encontram-se declarações como “O Estado membro participante reconhece que os efeitos a longo prazo e a eficácia da Vacina não são atualmente conhecidos” ou que em caso de serem provadas lesões pela vacina “(…)terá de ser o Estado português a indemnizar as pessoas”.</p>



<p>Em primeiro lugar fica a questão de quanto tempo as farmacêuticas se referem a “efeitos de longo prazo”. Mais de 2 meses? É porque foi pouco mais do que isso que duraram os ensaios em humanos nos ensaios clínicos. Para além do facto dos grupos de controlo terem sido todos vacinados no início de 2021 perdendo-se toda a possibilidade comparativa.</p>



<p>Em segundo lugar Portugal permanece como um dos países que lavou completamente as mãos em relação às pessoas vítimas de lesões provocadas pelas vacinas. Portanto falha triplamente: por um lado isenta as farmacêuticas de responsabilidade e, por outro depois de fazer forte coação para uma vacinação que não sabe se é segura, abandona à sua sorte os seus cidadãos que ficaram gravemente afetados na sua saúde porque acreditaram no slogan , repetido “ad nauseam” do “segura e eficaz”</p>



<p>Esta publicação no jornal “Sol” peca por tardia e por, na realidade, não vir dar novidade nenhuma para quem, desde cedo, teve dúvidas.</p>



<p></p>



<p>Apesar do eurodeputado <strong>C<a href="https://x.com/CristianTerhes/status/1582276908024111105" type="link" id="https://x.com/CristianTerhes/status/1582276908024111105">ristian Terhes</a></strong> ter, a partir de 2022, mostrado&nbsp; bastante indignação pela falta de transparência de Úrsula Van der Leyen na formulação dos <strong><a href="https://commission.europa.eu/system/files/2021-03/redacted_advance_purchase_agreement_biontech-pfizer_0.pdf" type="link" id="https://commission.europa.eu/system/files/2021-03/redacted_advance_purchase_agreement_biontech-pfizer_0.pdf">contratos</a></strong> e de estes se encontrarem bastantes redigidos, quando publicados pela Comissão Europeia, o facto é que, por exemplo, o contrato da Pfizer-BioNTech foi publicado pela <strong><a href="https://www.rai.it/programmi/report/news/2021/04/Esclusiva-Report-ecco-i-contratti-segreti-di-Pfizer-e-Modena-per-i-vaccini-anti-Covid-b4edb1a2-3e84-48a4-b1eb-d02a1f7e2b4b.html" type="link" id="https://www.rai.it/programmi/report/news/2021/04/Esclusiva-Report-ecco-i-contratti-segreti-di-Pfizer-e-Modena-per-i-vaccini-anti-Covid-b4edb1a2-3e84-48a4-b1eb-d02a1f7e2b4b.html">emissora pública italiana RAI</a></strong> a 17 de Abril de 2021, tendo permanecido no seu servidor deste então. Quatro dias após a publicação do artigo da RAI, no dia 21 de Abril, o diário espanhol La Vanguardia, o terceiro maior jornal espanhol em termos de leitores, também anunciou que tinha obtido o contrato não editado da Pfizer-BioNTech e publicado um artigo intitulado “O contrato com a Comissão Europeia isenta a Pfizer de responsabilidade”. </p>



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<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="584" height="562" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/cristian.jpg" alt="" class="wp-image-48163" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/cristian.jpg 584w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/cristian-300x289.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 584px) 100vw, 584px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://x.com/CristianTerhes/status/1582276908024111105">https://x.com/CristianTerhes/status/1582276908024111105</a></figcaption></figure>
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<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="613" height="570" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/contrato.jpg" alt="" class="wp-image-48166" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/contrato.jpg 613w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/contrato-300x279.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 613px) 100vw, 613px" /><figcaption class="wp-element-caption">pdf em <a href="https://commission.europa.eu/system/files/2021-03/redacted_advance_purchase_agreement_biontech-pfizer_0.pdf">https://commission.europa.eu/system/files/2021-03/redacted_advance_purchase_agreement_biontech-pfizer_0.pdf</a></figcaption></figure>
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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="995" height="683" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/contrato-2.jpg" alt="" class="wp-image-48167" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/contrato-2.jpg 995w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/contrato-2-300x206.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/contrato-2-768x527.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/contrato-2-218x150.jpg 218w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/contrato-2-436x300.jpg 436w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/contrato-2-696x478.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 995px) 100vw, 995px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://www.rai.it/programmi/report/news/2021/04/Esclusiva-Report-ecco-i-contratti-segreti-di-Pfizer-e-Modena-per-i-vaccini-anti-Covid-b4edb1a2-3e84-48a4-b1eb-d02a1f7e2b4b.html">https://www.rai.it/programmi/report/news/2021/04/Esclusiva-Report-ecco-i-contratti-segreti-di-Pfizer-e-Modena-per-i-vaccini-anti-Covid-b4edb1a2-3e84-48a4-b1eb-d02a1f7e2b4b.html</a></figcaption></figure></div></div>
</div>



<p>Porque razão algo que provocou tanta indignação, em alguns círculos, nos últimos dias, passou completamente despercebido em 2021? Vou arriscar algumas razões: desde já o pânico moral que se viveu durante mais de dois anos numa comunicação social completamente imersa numa narrativa de fim-do-mundo, do qual tinha que entretanto sair. A solução, já tinham todos decidido, só podia ser a vacinação massiva por isso quaisquer notícias que levantassem dúvidas ou questões na mente do cidadão comum, eram ignoradas. Também o shadow banning que imperou nas redes sociais poderá ser o responsável. Tanto o Twitter como o Facebbok admitiram publicamente que censuravam todas as publicações que pudessem levar a hesitação vacinal mesmo que tivessem um fundo de verdade.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="743" height="396" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/relatorio.jpg" alt="" class="wp-image-48170" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/relatorio.jpg 743w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/relatorio-300x160.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/relatorio-696x371.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/relatorio-741x396.jpg 741w" sizes="auto, (max-width: 743px) 100vw, 743px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://www.rai.it/programmi/report/news/2021/04/Esclusiva-Report-ecco-i-contratti-segreti-di-Pfizer-e-Modena-per-i-vaccini-anti-Covid-b4edb1a2-3e84-48a4-b1eb-d02a1f7e2b4b.html">Esclusiva Report: ecco i contratti &#8220;segreti&#8221; di Pfizer e Moderna per i vaccini anti-Covid &#8211; Report &#8211; Rai</a></figcaption></figure></div>


<p>Ainda no mesmo dia, a Reuters também publicou um <strong><a href="https://www.reuters.com/article/health-coronavirus-eu-pfizer-idCNL1N2ME0Z5/" type="link" id="https://www.reuters.com/article/health-coronavirus-eu-pfizer-idCNL1N2ME0Z5/">artigo</a></strong> sobre o contrato, citando La Vanguardia. A Reuters, porém, evitou discretamente mencionar a questão da indemnização, concentrando-se apenas no preço das vacinas.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="982" height="458" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/reuters.jpg" alt="" class="wp-image-48173" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/reuters.jpg 982w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/reuters-300x140.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/reuters-768x358.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/reuters-696x325.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 982px) 100vw, 982px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://www.reuters.com/article/health-coronavirus-eu-pfizer-idCNL1N2ME0Z5/">Leaked EU-Pfizer contract shows price for COVID vaccines set at 15.5 euros per dose | Reuters</a></figcaption></figure></div>


<p>O que é certo é que a Direcção Geral de Saúde não só “comprou” o marketing do “seguro e eficaz” como não se inibiu de promovê-lo ativamente, escondendo-se ocasionalmente por trás da Agência Europeia do Medicamento.</p>



<p>Mas qualquer pessoa minimamente preocupada com os seus utentes veria várias bandeiras vermelhas a esvoaçar freneticamente que, no mínimo, indicariam ao Governo que era preciso calma.</p>



<p>A 21 de Outubro de 2020 Peter Doshi, editor associado do The BMJ publica o artigo “As vacinas contra a Covid-19 vão salvar vidas? Os testes atuais não foram projectados para nos dizer?” Começa por apontar que os ensaios de fase III, então em curso, não estavam configurados para comprovar que as vacinas eram eficazes. Nenhum dos ensaios teria sido concebido para detectar uma redução em qualquer resultado grave, como hospitalizações, utilização de cuidados intensivos ou mortes. Também não conseguiam avaliar o efeito na transmissão.</p>



<p>Em Janeiro de 2021 Peter Doshi voltaria a alertar para os suposto 95% de eficácia das vacinas. Com efeito, os 95% reflectiam a redução de risco relativo (a redução de risco absoluto era de apenas 0.84%). Os efeitos adversos graves ocorreram duas vezes mais no grupo dos vacinados vs o grupo placebo(1.2% vs 0.6%). Morreram também mais pessoas no grupo vacinado, incluindo o dobro de eventos cardíacos repentinos.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="693" height="374" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/grafico.jpg" alt="" class="wp-image-48159" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/grafico.jpg 693w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/grafico-300x162.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 693px) 100vw, 693px" /></figure></div>


<p>Já os cientistas, Dr. Gerald Dyker, Professor de Química Orgânica na Ruhr University Bochum, e Dr. Jörg Matysik, Professor de Química Analítica na Universidade de Leipzig, alertaram em 2023, no programa on-line Punkt.Preradovic da jornalista alemã Milena Preradovic  sobre a grande variabilidade que existiria nos lotes. O ponto de partida foi um estudo dinamarquês que mostrava uma enorme variação nos eventos adversos associados a diferentes lotes da vacina Pfizer-BioNTech levando a crer que muitos destes lotes seriam placebo e que nem todos estariam sujeitos aos mesmo critérios de regulação pela empresa alemã.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="878" height="374" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/european-journal-2.jpg" alt="" class="wp-image-48186" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/european-journal-2.jpg 878w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/european-journal-2-300x128.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/european-journal-2-768x327.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/european-journal-2-696x296.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 878px) 100vw, 878px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1111/eci.13998">Batch‐dependent safety of the BNT162b2 mRNA COVID‐19 vaccine</a></figcaption></figure></div>


<p>Já a <strong><a href="https://www.ema.europa.eu/en/documents/assessment-report/comirnaty-epar-public-assessment-report_en.pdf" type="link" id="https://www.ema.europa.eu/en/documents/assessment-report/comirnaty-epar-public-assessment-report_en.pdf">Agência Europeia do Medicamento</a></strong> também observava, em fevereiro de 2021, que não havia sido feito “nenhum estudo farmacológico de segurança”.</p>



<p>Não fosse tudo isto suficiente ainda tínhamos os inevitáveis conflitos de interesses dentro da Comissão Europeia.</p>



<p>A vacina mais amplamente distribuída na Europa foi a da Pfizer-BioNtech mas a verdade é que o consórcio com a Pfizer só serviu para a vacina ser aprovada nos EUA pela FDA, aparentemente menos “picuinhas” que a Agência Europeia do Medicamente. Quem era responsável pela qualidade do produto colocado no mercado e quem lucrou verdadeiramente com as vacinas de mRNA foi a empresa alemã BioNTech.</p>



<p>A BioNTech não é uma empresa alemã qualquer. É uma empresa alemã que, foi fortemente promovida e subsidiada pelo governo alemão ao longo de sua breve história. De facto, o governo alemão patrocinou o fundador da BioNTech como parte de um programa “Go-Bio” especialmente dedicado para fomentar startups de biotecnologia alemãs, que forneceu não apenas financiamento, mas também orientação governamental, bem como assistência na atração de investimentos privados.</p>



<p>A presidente alemã da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi ela mesma membro dos dois governos alemães sucessivos que forneceram financiamento inicial “Go-Bio” para a equipa de pesquisa do CEO da BioNTech, Ugur Sahin. Durante mais de uma década, apesar do apoio contínuo do governo alemão, a BioNTech nunca chegou perto de trazer um produto ao mercado. Até o advento do Covid-19, quando a empresa rapidamente mudou o foco de seu trabalho no desenvolvimento de uma terapia contra o cancro baseada em mRNA para o desenvolvimento de uma vacina covid.</p>



<p>Sem surpresa, o patrocinador estatal da empresa, a Alemanha, também se tornaria o&nbsp; seu principal patrocinador.</p>



<p>Mas não foi apenas o governo alemão que apoiou a vacina da BioNTech, também a própria UE! De fato, em junho de 2020, o próprio Banco Europeu de Investimento a UE – sob a liderança de seu presidente de longa data, o ex-funcionário do Ministério das Relações Exteriores alemão Werner Hoyer – forneceu à empresa 100 milhões de euros em financiamento de dívida para apoiar os seus esforços de vacina C-19.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="421" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/comissao-europeia-1024x421.jpg" alt="" class="wp-image-48178" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/comissao-europeia-1024x421.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/comissao-europeia-300x123.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/comissao-europeia-768x316.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/comissao-europeia-696x286.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/comissao-europeia-1068x440.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/comissao-europeia.jpg 1154w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://ec.europa.eu/commission/presscorner/detail/en/ip_20_1034">Investment Plan for Europe: European Investment Bank</a></figcaption></figure></div>


<p>Este foi o segundo crédito que o BEI concedeu à BioNTech. Em meados de dezembro de 2019 – sim, praticamente simultaneamente com o primeiro surto relatado de Covid-19 em Wuhan, China! – o BEI já tinha fornecido à empresa 50 milhões de euros em financiamento de dívida.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="365" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/comissao-europeia-2-1024x365.jpg" alt="" class="wp-image-48180" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/comissao-europeia-2-1024x365.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/comissao-europeia-2-300x107.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/comissao-europeia-2-768x274.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/comissao-europeia-2-696x248.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/comissao-europeia-2-1068x381.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/comissao-europeia-2.jpg 1158w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte https://ec.europa.eu/commission/presscorner/detail/en/ip_19_6796</figcaption></figure></div>


<p>São precisamente estas relações incestuosas, entre a BioNTech, o governo alemão e a própria UE que cheiram mal! Mas a conivência ou a completa submissão do Governo Português a estes jogos de interesses em Bruxelas só revelam a total perda de credibilidade da Direcção Geral de Saúde ou de quem, por ela, dá a cara.</p>



<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/03/o-que-os-contratos-escondem-e-os-media-demoram-a-mostrar/">O que os contratos escondem e os media demoram a mostrar</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>PORQUE VER NÃO É SABER</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leonor Freitas]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Mar 2026 12:50:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estar exposto a tudo não é o mesmo que estar verdadeiramente atento ao mundo</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/03/porque-ver-nao-e-saber/">PORQUE VER NÃO É SABER</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há qualquer coisa de profundamente enganadora na forma como hoje nos relacionamos com a informação. Nunca vimos tanto e, ainda assim, raramente compreendemos o suficiente.<br>Não é uma questão de falta. É precisamente o contrário.<br>Vivemos numa lógica em que a informação deixou de ser apenas isso e passou a ser consumo. Circula, acumula-se, substitui-se. Como tudo o resto. Não há tempo para fixar, porque tudo foi desenhado para não ficar.<br>O gesto é sempre o mesmo: deslizar.<br>E, nesse movimento contínuo, instala-se uma ideia confortável, a de que estamos atentos ao mundo. Que sabemos. Que acompanhamos. Mas aquilo a que chamamos ver é, muitas vezes, apenas reconhecer fragmentos que nos são servidos de forma rápida, organizada e, acima de tudo, selecionada.<br>Porque esta ilusão de totalidade não é neutra.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Vivemos numa estrutura onde a própria circulação da informação está integrada numa lógica económica, uma lógica que transforma tudo em conteúdo, tudo em fluxo, tudo em algo passível de ser consumido. Até o sofrimento. Até a injustiça. Até a urgência política.</p>



<p>E é precisamente aqui que importa ser claro: nunca tivemos tanta liberdade de acesso à informação, nem tanta possibilidade de participação. Hoje, qualquer pessoa pode falar, publicar, mostrar. Isso é, em si, profundamente transformador e deve ser defendido.<br>Mas essa liberdade não existe fora de um contexto. E é esse contexto que importa olhar.<br>Porque aquilo que parece abertura total é, muitas vezes, uma circulação orientada. O que vemos, quando vemos, como vemos, tudo isso acontece dentro de uma dinâmica que privilegia velocidade, impacto e retenção, não necessariamente compreensão.</p>



<p>E quanto mais participamos nesse fluxo, mais ele se intensifica.<br>Este excesso, que à primeira vista se apresenta como emancipador, funciona também como um mecanismo de alienação. Não porque nos esconda o mundo, mas porque o transforma numa sequência contínua de estímulos que não se deixam aprofundar.</p>
</div></div>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="848" height="480" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/ver-a-guerra-2.png" alt="" class="wp-image-48076" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/ver-a-guerra-2.png 848w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/ver-a-guerra-2-300x170.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/ver-a-guerra-2-768x435.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/ver-a-guerra-2-696x394.png 696w" sizes="auto, (max-width: 848px) 100vw, 848px" /><figcaption class="wp-element-caption">Ver a guerra lá longe</figcaption></figure></div>


<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Sem tempo, não há pensamento. Há reação.<br>Saltamos de tragédia em tragédia, de indignação em indignação, com a sensação de que estamos politicamente despertos, atentos, envolvidos. Vemos guerras, crises, violência, tudo à distância de um gesto. Tudo reduzido à mesma superfície.</p>



<p>E é importante ver. Não se trata de defender ignorância, nem de propor qualquer tipo de proteção face ao real. O problema não está no acesso, está na forma como esse acesso é estruturado.</p>



<p>Porque este modelo não aprofunda a consciência. Muitas vezes, dilui-a.<br>Quando tudo é urgente, nada permanece. Quando tudo nos chega, nada se organiza.<br>Há uma espécie de anestesia que se instala, não por falta de sensibilidade, mas por excesso de exposição. Como se o mundo inteiro passasse por nós sem realmente nos atravessar.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>E, ao mesmo tempo, confundimos cada vez mais informação com entretenimento, como se fossem coisas distintas.<br>Mas talvez nunca tenham sido.<br>Há sempre uma mediação. Uma escolha. Um enquadramento invisível que decide o que aparece, em que ordem, com que intensidade. Mesmo aquilo que nos parece caótico já foi organizado antes de chegar até nós.</p>



<p>E é aqui que a fronteira se dissolve, aquilo que consumimos para nos distrair é, muitas vezes, o mesmo mecanismo que estrutura aquilo que pensamos saber sobre o mundo.<br>Não é novo, é apenas mais sofisticado.</p>



<p>Mudam os formatos, mantém-se a lógica: captar atenção, reter atenção, orientar atenção. Do espetáculo coletivo às formas mais íntimas de consumo individual, há sempre uma dimensão de direção. Uma narrativa implícita.</p>



<p>E isto não significa que não mereçamos leveza, descanso, alegria. Significa apenas que nada disto existe fora de relações de poder.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A televisão não desapareceu, fragmentou-se. As redes sociais não são uma rutura, são uma intensificação. O ecrã mudou de forma, mas a lógica permanece.<br>E, no meio disso, vamos acreditando que escolhemos tudo. Que vemos tudo. Que sabemos.<br>Mas talvez estejamos apenas a percorrer, vezes sem conta, os limites de um mesmo circuito.</p>



<p>E talvez seja por isso que a contradição se torna cada vez mais evidente: acreditamos que estamos mais informados do que nunca, quando, na prática, estamos cada vez mais afastados de qualquer entendimento sólido.</p>



<p>Saber exige outra coisa. Exige tempo, contexto, continuidade. Exige conflito com aquilo que lemos. Exige parar.<br>E parar, hoje, é quase um gesto político.<br>Talvez por isso faça sentido regressar, não por nostalgia, mas por necessidade, a formas mais lentas de informação. Ao que não é imediatamente substituível. Ao que foi pensado para durar mais do que alguns segundos de atenção.</p>
</div></div>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="848" height="480" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/ver-trump-a-rezar.png" alt="" class="wp-image-48074" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/ver-trump-a-rezar.png 848w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/ver-trump-a-rezar-300x170.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/ver-trump-a-rezar-768x435.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/ver-trump-a-rezar-696x394.png 696w" sizes="auto, (max-width: 848px) 100vw, 848px" /><figcaption class="wp-element-caption">Ver a manipulação das perceções</figcaption></figure></div>


<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Porque no momento em que tudo se torna consumível, até a informação, até a dor, até o próprio posicionamento político, também nós entramos nessa lógica. Consumimos o mundo enquanto nos distraímos com ele, convencidos de que estamos a compreendê-lo.<br>Mas não estamos.<br>Estamos, muitas vezes, apenas a assistir à sua versão mais circulável.<br>E essa pode ser a forma mais eficaz de alienação: aquela que se apresenta como consciência.</p>



<p>Porque ver não é saber.<br>E estar exposto a tudo não é o mesmo que estar verdadeiramente atento ao mundo.</p>
</div></div>



<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/03/porque-ver-nao-e-saber/">PORQUE VER NÃO É SABER</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>A NOTÍCIA SOBRE O ATENTADO CONTRA VIKTOR ÓRBAN</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/03/a-noticia-sobre-o-atentado-contra-viktor-orban/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Mar 2026 20:47:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[a guerra nos media]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[manipulação da informação]]></category>
		<category><![CDATA[RTP Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[The Washington Post]]></category>
		<category><![CDATA[Viktor Orbán]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A RTP talvez se tenha precipitado ao publicar isto</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/03/a-noticia-sobre-o-atentado-contra-viktor-orban/">A NOTÍCIA SOBRE O ATENTADO CONTRA VIKTOR ÓRBAN</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A notícia da RTP repete uma outra publicada pelo The Washington Post. Diz que esse jornal dos EUA teve acesso a um relatório dos serviços secretos russos onde se equacionava encenar uma tentativa de assassinato contra Viktor Orbán. Os verbos estão no condicional, as fontes são indiretas, e a distância entre o facto e a sua verificação devia ser suficientemente grande para caber lá dentro a dúvida.</p>



<p>Mas o essencial não está nos detalhes do plano. Está no paradoxo que ele encerra. Se a operação alguma vez existiu, deixou de poder existir no momento em que foi publicada. Um atentado encenado não resiste à luz do dia. Se, pelo contrário, nunca existiu, então cumpriu agora a sua única função plausível: entrar no circuito mediático, instalar-se como hipótese, insinuar-se como possibilidade política. Em ambos os casos, o resultado é o mesmo: a realidade foi alterada, não pelos factos mas pela circulação da sua versão hipotética.</p>



<p>O The Washington Post fez aquilo que se&nbsp; costuma fazer quando se trabalha com informação que não pode ser verificada de forma independente. Não afirma peremptoriamente, protege-se com linguagem cautelosa e fontes qualificadas. Nada de particularmente censurável. O problema é que quando a matéria-prima é opaca, a própria publicação torna-se parte do fenómeno que pretende revelar.</p>



<p>É aqui que entra a RTP. Ao reproduzir a notícia, sem acrescentar mais nada, limitando-se a reproduzir o que foi publicado na origem, mesmo mantendo os verbos no condicional, transforma uma hipótese remota num facto mediático. Não é preciso afirmar que algo aconteceu, basta garantir que foi dito por alguém. Mas é uma fonte suficientemente distante e bastante inacessível. Assim se constrói uma cadeia de credibilização automática: um alegado relatório russo, filtrado por serviços europeus, publicado por um jornal americano, citado por um canal público português. Hollywood não faria melhor. A cada etapa, a incerteza dissolve-se com a perceção criada.</p>



<p>Nota-se que os tempos verbais mudam quando se menciona a “vontade” da Rússia. &nbsp;Por exemplo: “os serviços de informação russos sugeriram” (em vez de terão sugerido); “sugestão de encenação do assassinato do atual primeiro-ministro húngaro revela o grau de importância que Moscovo atribui às eleições na Hungria” (e não alegada sugestão); “a iniciativa russa surge num contexto de aparente queda de popularidade de Orbán”. </p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="848" height="196" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/formas-verbais.png" alt="" class="wp-image-48004" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/formas-verbais.png 848w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/formas-verbais-300x69.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/formas-verbais-768x178.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/formas-verbais-696x161.png 696w" sizes="auto, (max-width: 848px) 100vw, 848px" /><figcaption class="wp-element-caption">recortes da notícia da RTP</figcaption></figure></div>


<p>Acresce que nem mesmo o jornal americano viu o tal relatório, tudo é baseado num relato que terá sido confidenciado por uma fonte europeia, pelo que a RTP talvez se tenha precipitado ao publicar isto. Num contexto internacional marcado por guerra híbrida e operações de influência, esta engrenagem faz parte do jogo. A informação deixou há muito de ser apenas aquilo que descreve o mundo; passou a ser uma ferramenta para o moldar.</p>



<p>Confiar num jornal como o The Washington Post não é, em si, um erro. Mas é preciso saber ler. E não embarcar alegremente em manobras de propaganda política.</p>



<p>No fim, ficamos com uma <strong><a href="https://www.rtp.pt/noticias/mundo/russia-tera-sugerido-encenar-atentado-contra-orban-para-influenciar-eleicoes-na-hungria_n1728428" type="link" id="https://www.rtp.pt/noticias/mundo/russia-tera-sugerido-encenar-atentado-contra-orban-para-influenciar-eleicoes-na-hungria_n1728428">notícia</a></strong> que não pode ser confirmada, um atentado que não aconteceu e uma narrativa que, ainda assim, produziu efeitos. Se o plano era manipular perceções, não é claro que tenha falhado.</p>



<p></p>
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		<title>A CRIMINALIZAÇÃO DO JORNALISMO</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/03/a-criminalizacao-do-jornalismo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Mar 2026 00:00:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
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		<category><![CDATA[Polícias & Ladrões]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[genocídio do povo palestiniano]]></category>
		<category><![CDATA[Israel mata jornalistas]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[jornalistas]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade de Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Mustafa Ayash]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Jornalista alvo de um sistema de justiça enviesado</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Mustafa Ayash conseguiu sair de Gaza, refugiou-se na Áustria. Em 2025, por pressão de Israel, foi acusado de financiar o Hamas, através de recolha de fundos promovida pelo site <strong><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Gaza_Now" type="link" id="https://en.wikipedia.org/wiki/Gaza_Now">Gaza Now</a></strong> que, na realidade, apenas financiavam manutenção e a atividade do site. Perseguido pelo Estado de Israel, Mustafa foi a Haia para apresentar uma queixa no Tribunal Penal Internacional. Não conseguiu lá chegar, no aeroporto foi detido pela polícia holandesa, até hoje.</p>



<p>O caso de Mustafa Ayash não é apenas um processo judicial. É, acima de tudo, um exemplo da politização extrema das leis antiterroristas europeias e do modo como decisões políticas internacionais podem transformar jornalistas em alvos de um sistema de justiça enviesado.</p>



<p>O jornalista Mustafa Ayash não é acusado de um atentado, mas de ser próximo de uma organização classificada como terrorista, uma categoria legal tão vaga que transforma qualquer cobertura jornalística em suspeita criminal.</p>



<p>A lista de “terroristas” da UE não nasce da lei, mas da política: reflete alinhamentos estratégicos com EUA e Israel. E, assim, o direito formal perde o seu sentido. Presunção de inocência? Liberdade de imprensa? Tornam-se conceitos flexíveis, ajustáveis ao interesse geopolítico do dia.</p>



<p>No contexto atual, Ayash corre riscos extremos: detido, aguarda deportação para a Áustria, de onde poderá ser deportado para Israel (onde ficará sujeito a tortura e à pena de morte). Não se trata de justiça: trata-se de poder político mascarado de direito penal. O caso tem sido acompanhado atentamente pelo canal Al Jazeera, que tem dado conta das iniciativas populares e da ação da advogada na tentativa de defender o jornalista das acusações de &#8220;terrorismo&#8221;.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="345" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/ayash-al-jazeera-1024x345.png" alt="" class="wp-image-47666" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/ayash-al-jazeera-1024x345.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/ayash-al-jazeera-300x101.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/ayash-al-jazeera-768x258.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/ayash-al-jazeera-1536x517.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/ayash-al-jazeera-696x234.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/ayash-al-jazeera-1392x468.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/ayash-al-jazeera-1068x359.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/ayash-al-jazeera-1320x444.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/ayash-al-jazeera.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>Esta história é o exemplo de como jornalistas são transformados em alvos e cidadãos críticos passam a potenciais “terroristas”. Se isto é segurança, a Europa perdeu a bússola.</p>



<p>Este caso evidencia o paradoxo de uma Europa que proclama princípios de liberdade de imprensa e presunção de inocência quando, na prática, esses princípios são esquecidos quando se confrontam com interesses estratégicos. A proteção jurídica formal existe, mas é condicionada por pressões diplomáticas e considerações geopolíticas, que, em casos como o de Ayash, tendem a se sobrepor à justiça objetiva.</p>



<p>O que está em jogo não é apenas o destino de um jornalista, mas o próprio significado de lei e justiça. Se a criminalização da proximidade com organizações classificadas como terroristas pode recair sobre jornalistas e ativistas, qualquer cidadão crítico de certas políticas ou regimes pode, teoricamente, ser o próximo da fila. Até mesmo o autor destas linhas que acabou de ler.</p>
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		<title>QUANDO O JORNALISMO ABANDONA A ÉTICA E ASSUME O PAPEL DE JUIZ</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/01/quando-o-jornalismo-abandona-a-etica-e-assume-o-papel-de-juiz/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Óscar Barbosa "Cancan"]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Jan 2026 00:00:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
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		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[expulsão de jornalistas portugueses da Guiné-Bissau]]></category>
		<category><![CDATA[Guiné-Bissau e Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[jornalistas]]></category>
		<category><![CDATA[Lusa]]></category>
		<category><![CDATA[RTP África]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Guiné-Bissau não é um protetorado mediático, nem um laboratório de narrativas pós-coloniais.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/01/quando-o-jornalismo-abandona-a-etica-e-assume-o-papel-de-juiz/">QUANDO O JORNALISMO ABANDONA A ÉTICA E ASSUME O PAPEL DE JUIZ</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Referimo-nos, de forma direta e sem rodeios, a práticas recorrentes observadas em órgãos como a RTP, a RDP África e a Lusa. Não se trata de um episódio isolado, mas de um padrão persistente de atuação que levanta sérias dúvidas quanto à ética, à imparcialidade e ao profissionalismo de alguns dos seus protagonistas.</p>



<p>Convém recordar um facto histórico que muitos parecem querer esquecer: a decisão soberana da Guiné-Bissau de afastar determinados órgãos de comunicação do seu território.</p>



<p>Essa decisão não foi arbitrária nem emocional. Resultou, entre outros fatores, da constatação de que alguns jornalistas passaram a confundir deliberadamente a sua função com a de magistrados, arrogando-se o direito de validar, deslegitimar ou reinterpretar atos institucionais de um Estado soberano.</p>



<p>O jornalismo é, por definição, uma profissão nobre, ao serviço do interesse público. Mas deixa de o ser no momento em que abandona o rigor factual, a isenção e o respeito pelas instituições, para se transformar num exercício de escárnio, insinuação e militância disfarçada.</p>



<p>O exemplo recente da cobertura da inauguração das obras de dragagem dos portos de Bissau é paradigmático. Em vez de informar sobre um evento estruturante para a economia nacional &#8211; presidido legitimamente pelo Primeiro-Ministro -, optou-se por um registo enviesado, carregado de subentendidos e comentários laterais. Quando uma jornalista se refere a Ilídio Vieira Té como alguém “apresentado como Primeiro-Ministro”, a pergunta impõe-se: existe alguma dúvida sobre quem exerce essa função, ou estamos perante a pretensão inadmissível de um órgão de comunicação social se arrogar o poder de conferir legitimidade aos cargos da República?</p>



<p>Mais grave ainda: a peça em causa praticamente ignora o facto noticioso central, desviando-se para frustrações pessoais, como a alegada ausência de entrevistas concedidas. É necessário reafirmar um princípio elementar do Estado de Direito e da liberdade de imprensa: não existe qualquer obrigação legal ou moral de um governante conceder entrevistas a órgãos que considera não credíveis ou não confiáveis. A escolha das entrevistas é um direito, não uma imposição.</p>



<p>A insistência em misturar opinião com informação, julgamento com relato, e frustração pessoal com cobertura noticiosa não é apenas um desvio deontológico. É uma violação grave dos princípios que regem a profissão jornalística e que deveriam ser escrutinados pela ERC, entidade reguladora a quem estes profissionais devem contas.</p>



<p>É legítimo, portanto, que se levantem dúvidas incómodas: trata-se apenas de incompetência e arrogância profissional, ou estaremos perante agendas externas, cumplicidades políticas ou mesmo práticas eticamente reprováveis que explicariam por que são quase sempre os mesmos jornalistas e os mesmos órgãos a protagonizar este tipo de ações?</p>



<p>A <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/08/rtp-rdp-e-lusa-expulsas-de-bissau/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2025/08/rtp-rdp-e-lusa-expulsas-de-bissau/">Guiné-Bissau não é um protetorado mediático</a></strong>, nem um laboratório de narrativas pós-coloniais. É um Estado soberano, com instituições próprias, com responsabilidades internas e com plena capacidade de definir quem informa com seriedade e quem apenas procura interferir.</p>



<p>Aos <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/08/sobre-a-expulsao-da-imprensa-portuguesa-da-guine-bissau/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2025/08/sobre-a-expulsao-da-imprensa-portuguesa-da-guine-bissau/">jornalistas em causa</a></strong> &#8211; expulsos ou não &#8211; fica um apelo simples e direto: deixem a política para os políticos, deixem os tribunais para os juízes e regressem ao essencial da vossa profissão. Exercitem o jornalismo com elevação, rigor e honestidade intelectual. Façam jus à vossa carteira profissional.</p>



<p>Em português, em crioulo ou em qualquer outra língua, na Guiné-Bissau compreendemos perfeitamente não apenas o que é dito, mas também &#8211; e sobretudo &#8211; o que se tenta insinuar nas entrelinhas.</p>



<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/01/quando-o-jornalismo-abandona-a-etica-e-assume-o-papel-de-juiz/">QUANDO O JORNALISMO ABANDONA A ÉTICA E ASSUME O PAPEL DE JUIZ</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>QUANDO O JORNALISTA JÁ MORREU</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2025/12/quando-o-jornalista-ja-morreu/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Dec 2025 00:00:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[LIFESTYLE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[declínio do jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[ética no jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[mau jornalismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Se o jornalista colabora em criar um político, dando-lhe tempo sobre tempo, de comunicação, está a construir mais um personagem que não leva o país para lado nenhum.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/quando-o-jornalista-ja-morreu/">QUANDO O JORNALISTA JÁ MORREU</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Dizem que são os artistas que criam a realidade. Não. Nunca um artista criou a realidade, esse acto é desígnio do jornalista. Nas arquitecturas dos meios audiovisuais, onde campeiam ordens com uma sequência de tarefas previamente definidas, onde a finalidade é pretender muitas audiências e muitos leitores, assim, surge a tarefa de sequenciar lógicas “fictícias” para criar situações, ou personagens, de modo a criar um consenso forjado para o povo, dando ideia que veio do povo, a criação de uma personagem &#8220;absolutamente necessária&#8221;, a criação de uma &#8220;necessidade&#8221;.</p>



<p>Nessa arquitectura utiliza-se também uma nova ferramenta: o algoritmo. O algoritmo dispõe, o algoritmo alcunha, o algoritmo cria uma ficção. A manobra sobre o algoritmo é que determina o que queremos. O algoritmo o que é? É um conjunto de sequências escritas, limitadas, expostas de forma muito clara, criadas para resolver um problema. Nada mais. Quem o criou? Os engenheiros informáticos. Ou seja, somos nós o problema quando organizamos o algoritmo.</p>



<p>Então, o jornalismo pode criar um artista, um político, um mito ou até uma ficção, caminhos para servir “senhores” que sabem usar um “adubo” infalível, o dinheiro, para concretizarem em seu beneficio objectivos bem definidos, para si. A estes, interessa que os média tenham e continuem com problemas financeiros, esses entraves são a primeira “linha” de uma subordinação ao poder financeiro obscuro. </p>



<p>Se o jornalista colabora em criar um político, dando-lhe tempo sobre tempo, de comunicação, está a manipular a verdade, a construir mais um personagem que não leva o país para lado nenhum, um ser que, conjuntamente com o seu criador, entende ter a “posse” de tudo o que imagina, por força de tantas palavras que levarão o povo ao engano. </p>



<p></p>



<p></p>



<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/quando-o-jornalista-ja-morreu/">QUANDO O JORNALISTA JÁ MORREU</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<item>
		<title>A comunicação social como fonte de poder</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2025/12/a-comunicacao-social-como-fonte-de-poder/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Dec 2025 17:21:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A verdade não é a da comunicação social, não é a que se quer vender em troca de audiências, mas a verdade dos factos</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/a-comunicacao-social-como-fonte-de-poder/">A comunicação social como fonte de poder</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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<p>Umberto Eco defendeu que ‘se se quisesse tomar conta do poder político num país, era suficiente controlar o exército e a polícia&#8230; Porém, actualmente, um país pertence a quem controla a Comunicação’.</p>



<p>Vivemos na era da Comunicação e a informação, de instrumento para produzir bens, transformou-se no principal dos bens. Ou seja, a informação passou de forma de transmitir notícias para um modo de condicionamento e formação da opinião. A objectividade na informação não existe e, por isso, não se pode falar em formação ou no papel formativo da opinião pública. Informar significa dar informação, mas, também, esclarecer. Assim, informar é o acto de dar notícias e esclarecê-las.</p>



<p>A informação é fundamental na definição dos grandes princípios do Direito e da Cidadania. Estamos perante aquilo que Cunha Rodrigues chamou de ‘novas fronteiras do direito’ que se vão dilatando à medida que evolui o conhecimento. Aquilo que era dado como princípios do Direito não oferece resposta aos novos desafios, aos novos direitos. Daqui resulta a importância da interacção entre os media e o Direito, como forma de dar a conhecer aos cidadãos a realidade judiciária, os seus direitos e os seus deveres, os elementos estruturantes da Cidadania.</p>



<p>A informação deveria ser, essencialmente, formativa para que se reduza a tensão social provocada por reacções emocionais e pela ampliação destas, diante de poderosos meios de comunicação como são as televisões. Contudo, transformou-se numa arma de arremesso político ou no uso indevido para exercer o poder, mesmo que ilegítimo.</p>



<p>A transformação nas relações entre os media e a Cidadania resultou de diversas causas, como as do enfraquecimento dos direitos, liberdades e garantias, os excessos da comunicação numa sociedade de mercado em que a concorrência obriga a que a informação vá ao encontro do gosto de receptores, em que o défice cultural leva a um <em>voyeurisme</em> exacerbado.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="705" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/justica-imagem-e-texto-1024x705.png" alt="" class="wp-image-45933" style="width:550px" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/justica-imagem-e-texto-1024x705.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/justica-imagem-e-texto-300x206.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/justica-imagem-e-texto-768x528.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/justica-imagem-e-texto-218x150.png 218w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/justica-imagem-e-texto-436x300.png 436w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/justica-imagem-e-texto-696x479.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/justica-imagem-e-texto-1068x735.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/justica-imagem-e-texto-1320x908.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/justica-imagem-e-texto.png 1366w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>As notícias, verdadeiras ou falsas, sobre crimes passaram a ter um elevado valor, num jogo de poderes fácticos que distorceu o papel informativo e formativo.</p>



<p>A irracionalidade que, por vezes, se verifica na transmissão de peças sobre casos de violência sexual ou de morte, com as populações à porta dos Tribunais, ou quando os jornalistas pretendem saber se o cidadão está de acordo com a pena aplicada pode ser, do ponto de vista meramente jornalístico, informação mas não é, de certeza, jornalismo formativo.</p>



<p>As democracias modernas vivem emparedadas entre as televisões e a sociedade de informação-espectáculo pelo que é essencial retomar o conceito formativo no jornalismo, uma vez que elas se prendem com os direitos, liberdades e garantias, com o conceito de cidadania e com a existência de novos direitos e o consequente alargamento do ‘catálogo de direitos’, em que se incluem os direitos de ‘terceira geração’, direitos de que são beneficiários grupos e não indivíduos.</p>



<p>‘Falar pouco é ser natural’, dizia Lao Tsé. Ora, na época das comunicações em massa, falar é uma virtude e nunca tantos falaram e disseram tão pouco. Mas esta realidade traduz o que se pode esperar da relação entre o Direito, Cidadania e Jornalismo: informação concreta, simples, de modo a que os cidadãos compreendam o que se passa à sua volta e as decisões do poder político ou do poder judicial, sendo possível manter ou reforçar o respeito pelas instituições, na certeza de que os direitos são assegurados e os deveres são exigidos.</p>



<p>A crise da justiça é ‘uma crise geral societária, crise de valores, da família, da escola, das religiões’, como defendeu o conselheiro Cardona Ferreira que aponta como uma das causas a ‘ausência de difusão pública de regras essenciais para a compreensão e respeito por essas regras.</p>



<p>Como é evidente, a intervenção dos media é sempre positiva. Porém, estes não podem ter uma ‘verdade própria’. A verdade é só uma e os vários espelhos que a reflectem não podem ser deformados; a verdade não é a da comunicação social, não é a que se quer vender em troca de audiências, mas a verdade dos factos. É por aqui, pelo rigor na informação, que passa o papel formativo da comunicação social quanto às questões do Direito, mas que a voracidade das audiências destruiu sem pudor.</p>
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		<title>A COMISSÃO EUROPEIA E A SOMBRA DA CENSURA SOBRE JORNALISTAS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Nov 2025 22:30:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Jornalista despedido por fazer perguntas.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em 16 de outubro, a porta-voz da Comissão Europeia, a portuguesa Paula Pinho, recusou-se a responder a uma pergunta de um jornalista italiano da Agenzia Nova, sobre se Israel deveria pagar pela reconstrução de Gaza, à semelhança do que se pretende que a Rússia faça quanto à Ucrânia.</p>



<p>Textualmente, a pergunta foi: “a senhora já disse mais de uma vez que a Rússia devia pagar pela reconstrução da Ucrânia, na sua opinião Israel deve pagar pela reconstrução de Gaza?”</p>



<p>Na altura, Paula Pinho respondeu classificando a pergunta como uma &#8220;questão muito interessante&#8221;, para a qual não tinha qualquer comentário a fazer.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Pergunta Incómoda, jornalista despedido" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/bcxjtVCkF_w?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>vídeo: a pergunta fatídica</sub></em></figcaption></figure>



<p>Alguns dias depois, o jornalista Gabriele Nunziati foi despedido da Agenzia Nova.</p>



<p>No dia 9 deste mês, no mesmo anfiteatro em Bruxelas onde as conferências de imprensa costumam ser exercícios coreografados entre perguntas previsíveis e respostas ainda mais previsíveis, aconteceu algo raro: outro jornalista foi ao repique, repetiu a mesma questão que levou ao despedimento de Nunziati.</p>



<p>Vincenzo Genovese, da Euronews, confrontou a Comissão Europeia com a demissão do colega Gabriele Nunziati, despedido depois de ter ousado colocar a questão que muitos evitam: se a União Europeia exige que a Rússia pague pela reconstrução da Ucrânia, porque não deveria exigir a Israel que pague pela reconstrução de Gaza?</p>



<p>Mais uma vez, a Comissão Europeia &#8220;chutou para canto&#8221;, não respondeu.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="youtube-embed" data-video_id=""><iframe loading="lazy" title="Jornalista da Euronews questiona a Comissão Europeia sobre despedimento de outro jornalista" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/-Bk76WdO6U0?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div><figcaption class="wp-element-caption">vídeo: o repique do canal Euronews</figcaption></figure>



<p>A pergunta é simples. Lógica. Democrática. Tão democrática, aliás, que deveria ser respondida sem dramatismos. Mas a Comissão preferiu refugiar-se num mantra de praxe: “Comprometemo-nos com a liberdade de imprensa.” O equivalente europeu ao “não tenho comentários neste momento”.</p>



<p>Não responder já é, em si, uma resposta. Esta resposta revela mais sobre o desconforto político do que sobre a pergunta em si. Revela que há temas onde a Comissão fala com voz de trovão e temas onde sussurra, tropeça nas sílabas e olha para o relógio à espera que o tempo passe depressa.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>AS PERGUNTAS NÃO DEVERIAM SER O PROBLEMA </strong></h4>



<p>Para os políticos, o problema é saber o que responder a determinadas questões. </p>



<p>A demissão de Gabriele Nunziati pela Agenzia Nova — que justificou que a questão “não se justificava” — é o episódio mais recente de uma velha coreografia europeia: quando a pergunta expõe contradições estruturais da política externa, a culpa nunca é da incoerência, é do jornalista que a revelou.</p>



<p>A Comissão Europeia nega, claro, ter contactado a agência para pressionar a demissão. Talvez seja verdade. Talvez não. Mas a beleza (ou a fealdade) do sistema é que, na maior parte das vezes, nem é preciso telefonema. A autocensura instala-se porque todos já sabem o que “fica mal” perguntar. E, neste caso, a pergunta calhava mesmo muito mal. Não para o jornalismo. Para a Comissão.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>GAZA E UCRÂNIA: O DUPLO PADRÃO</strong></h4>



<p>A questão de Nunziati expõe um desconforto que muitos governos europeus preferem evitar: a política externa da UE está construída sobre uma moralidade seletiva. Sobre Kiev, fala-se de responsabilidade, reconstrução e agressão. Sobre Gaza, fala-se de “complexidade”, “contexto” e “evitar escaladas”. Quando a Rússia destrói, deve pagar. Quando Israel destrói, <em>mudemos de assunto</em>.</p>



<p>É isto que torna a pergunta tão perigosa: não a sua agressividade, não o seu tom, apenas o seu conteúdo. Obriga a Comissão Europeia a escolher entre duas opções, ambas politicamente desconfortáveis: defender critérios universais e coerentes; admitir que a coerência termina onde começa a conveniência geopolítica. Nenhuma das duas serve para uma conferência de imprensa tranquila.</p>



<p><strong>O JORNALISMO NÃO É PROPRIEDADE DE GOVERNOS</strong></p>



<p>Este episódio ilustra algo ainda mais grave: o medo estrutural das empresas de comunicação face ao poder político. Não é um medo explícito, declarado ou assumido. É um medo que se manifesta nos corredores, nas reuniões editoriais, na escolha das palavras e na escolha dos silêncios.</p>



<p>As democracias europeias gostam de dizer que têm “liberdade de imprensa”. E é verdade. Têm liberdade para trabalhar, até ao momento em que alguém faz uma pergunta que incomoda. Depois disso, prevalece o velho instinto corporativo: sacrifica-se o jornalista para preservar o “bom ambiente institucional”.</p>



<p>Nunziati não foi despedido por ter dito uma mentira. Não foi despedido por ter insultado alguém. Foi despedido por ter feito o trabalho que, em teoria, todos os jornalistas deveriam fazer.</p>



<p><strong>NO FIM SOBRA HIPOCRISIA</strong></p>



<p>A Comissão Europeia diz que não pressionou ninguém. Pode até ser verdade. Mas o chato daquele jornalista não voltará a incomodar, porque há pressões que não precisam de ser exercidas. Basta existir a perceção de que o poder não gosta de certas perguntas para que muitos diretores concluam, <em>por precaução</em>, que é melhor evitá-las.</p>



<p>E, no entanto, a pergunta permanece. Não desaparece com demissões. Não desaparece com declarações vazias sobre liberdade de imprensa.</p>



<p></p>
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