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	<title>Arquivo de Hospital do Barreiro - Duas Linhas</title>
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		<title>Mulher morre nas urgências depois de ter alta hospitalar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 May 2021 01:06:26 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Hospital do Barreiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No dia 22 de Abril teve uma queda em casa com perda dos sentidos (desconhecemos a razão da queda). Foi vagamente assistida pelos bombeiros locais (o 112 entendeu que não era caso para enviarem uma VMER) e foi levada para o Hospital do Barreiro onde deu entrada dentro das urgências às 13h45. Apresentava um ferimento [&#8230;]</p>
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<p>No dia 22 de Abril teve uma queda em casa com perda dos sentidos (desconhecemos a razão da queda). Foi vagamente assistida pelos bombeiros locais (o 112 entendeu que não era caso para enviarem uma VMER) e foi levada para o Hospital do Barreiro onde deu entrada dentro das urgências às 13h45. Apresentava um ferimento na nuca com sangue, tinha náuseas e vómitos. </p>



<p>Os bombeiros informaram-me que devido ao facto de entrar na maca teria prioridade, mas eu não a poderia acompanhar. Até cerca das 15h45 como não obtive qualquer informação sobre o seu estado lembrei-me de recorrer à ajuda de uma pessoa conhecida, funcionária naquele hospital, para tentar obter alguma informação. Alguns minutos depois essa pessoa conseguiu chegar junto da minha mãe e gentilmente efectuou uma chamada do seu telemóvel pessoal, colocando-me em contacto com ela. Queixou-se que ainda não lhe tinham feito nada, necessitava de ir à casa-de-banho, tinha fome e sede. </p>



<p>A partir das 16h e durante algum tempo consegui, através de um corredor por outro edifício paralelo, chegar a poucos metros da minha mãe onde em curtas visitas de poucos minutos fui tentando acompanhar o seu estado e fazendo com que ela se sentisse acompanhada. Estava “estacionada” no meio de uma sala improvisada, que na verdade é uma espécie de corredor / ponte que une dois blocos hospitalares. Apesar dos seus pedidos, as auxiliares ou enfermeiras recusaram-se a leva-la à casa de banho, tendo que urinar na própria maca.</p>



<p>Segundo indicaram, não podia beber água porque iria fazer exames. A minha mãe não comia nem bebia qualquer líquido desde o pequeno-almoço. Poderia ter siso colocada a soro para compensar estas carências, mas não foi&#8230;.Não lhe fizeram qualquer curativo no ferimento da cabeça. A fronha da maca esteve do principio ao fim com uma mancha de sangue na zona da cabeça.</p>



<p>Ás 18h continuava a aguardar que lhe fosse feito algum exame… Eu aguardava junto à sala de espera na esperança vã de ser chamado para me transmitirem alguma informação. Tendo perdido a paciência, dirigi-me à recepção e exigi que me fosse dada alguma informação, realçando o facto de que a minha mãe poderia ter um traumatismo, já tinha vomitado tudo o que havia para vomitar, estava fraca e há horas sem comer nem beber. Segundo o sistema informático, estava indicada para ir fazer um TAC. Pedi o livro de reclamações e preenchi relatando o que se tinha passado até essa hora.</p>



<p>Por volta das 18h30 a minha mãe foi finalmente levada a fazer o TAC e recolha de sangue para análise. Numa das minhas curtas e fugazes visitas disse-me que estava a ficar com frio e sugeriu-me que fosse a casa dela buscar um roupão. Aproveitei a ida a casa para trazer também o seu telemóvel por forma a que pudesse comunicar mais facilmente. Voltei ao hospital. </p>



<p>Entretanto a porta do edifício por onde durante a tarde conseguia chegar perto da minha mãe já tinha sido fechada e por isso dirigi-me à entrada principal das Urgências e pedi ao segurança que me deixasse entrar para entregar o roupão e o telemóvel à minha mãe. Entrei e permaneci alguns minutos junto dela. Voltou a queixar-se de fome, sede e que estava urinada sem que alguém fizesse alguma coisa. Tentei que bebesse alguma água de uma garrafa que lhe levei, mas cumpridora como era recusou-se sempre pois foi lhe dito que não podia porque poderia a qualquer momento ter de ir fazer mais exames.</p>



<p>Pouco depois das 20h ligou-me através do telemóvel e disse que foi informada que teria de ir fazer nova colheita de sangue, pois a que efectuaram antes não tinha sido suficiente. Preparei-me para mais uma longa espera e permaneci junto à entrada das Urgências até por volta das 21h. Entretanto a minha mãe insistiu comigo ao telefone para que eu fosse jantar, uma vez que eu também não tinha almoçado e o resultado dos exames certamente ainda demoraria umas 2 horas. Fui a casa comer alguma coisa e entretanto enviei-lhe uma mensagem para saber como ela estava. Com alguma dificuldade e sem os óculos que lhe foram retirados, escreveu-me da melhor forma que pode que estava com fome e que não lhe podiam dar nada sem saber se teria de fazer mais algum exame. Quando estava dentro do carro para voltar ao hospital ligou-me a dizer que as auxiliares tinham pedido para que lhe levasse umas calças de pijama para a vestirem quando tivesse alta. Estacionei, voltei a casa, coloquei a roupa dentro de um saco e regressei ao hospital. Passava das 22h.</p>



<p>Novamente junto à sala de espera das urgências à espera de que a qualquer momento alguém me chamasse com alguma informação, resultados dos exames… alguma coisa. Passava das 23h e decidi de saco da roupa na mão pedir ao segurança para deixar entrar, ao que acedeu. A maca da minha mãe tinha entretanto sido deslocada para o canto da sala improvisada. Um canto escuro, mal iluminado onde durante o dia a luz entrava pelas janelas laterais, mas aquela hora aquele espaço tornou-se sombrio. Continuava a queixar-se de fome e sede. Tal seria a sua carência que aceitou à primeira a minha sugestão de beber da garrafa que eu levava. Muito a medo bebericou apenas um pequeno trago. Ainda tentei que comesse uma peça de fruta que eu levei comigo, mas por receio de contrariar as indicações não o fez. Desabafou comigo que tinha perguntado se não lhe faziam um curativo na ferida da cabeça e que lhe responderam que depois em casa ela podia limpar com água oxigenada (!)…</p>



<p>Perguntei a uma auxiliar que estava por perto se mais de 3 horas passadas não seria já altura para se conhecer o resultado dos exames (o TAC feito às 18h30 e as segundas análises feitas por volta das 20h30). Respondeu que não era com ela, que devia de perguntar a uma enfermeira. Indicou-me um gabinete que não tinha ninguém, procurei por isso noutro gabinete. Durante quase 15 minutos tentei captar a atenção de alguma enfermeira colocando-me à porta de do gabinete. A primeira que me apareceu não me deixou terminar a frase e como se eu não estivesse ali entrou no gabinete virando-me as costas. Quando finalmente consegui encarar um enfermeira de frente e esta parou para indagar o que eu queria, fiz a mesma questão que tinha feito à auxiliar e esta respondeu-me que não era com elas, que teria de perguntar ao médico de serviço. Indicou-me o número do gabinete e sem mais demora dirigi-me a ele. </p>



<div class="wp-block-image"><figure class="alignright size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i.imgur.com/9NOwmCd.jpg" alt="" class="wp-image-9631" width="275" height="388"/></figure></div>



<p>O médico de serviço estava sozinho no gabinete e rapidamente lhe fiz o relato que já repetira anteriormente. Mandou-me sentar e muito tranquilamente foi perguntando o nome da minha mãe enquanto consultava no computador. Respondeu-me que os resultados das análises já estavam no sistema. Estava tudo normal. Fez um print do resultado e entregou-me. Disse-lhe que a minha mãe também tinha feito um TAC e este respondeu que também estava tudo normal com o TAC. Fez um print do resultado e entregou-me. Acrescentou então que até “já ia dar alta” à minha mãe. Por momentos atravessou-me no cérebro uma questão: se eu não tivesse ido aquele gabinete pedir informações quanto mais tempo a minha mãe passaria esquecida naquela maca…Perguntei-lhe se não tentaram saber a razão da minha mãe ter caído, ao que me respondeu que isso (ela) teria de de ir realizar depois exames mais aprofundados. Que é como quem diz, por conta dela, não naquele dia e muito menos no seu turno, pelo que entendi. E quanto a medicação, vai receitar alguma coisa? Perguntei eu. Se tiver tonturas tome Ben-U-Ron e Betaserc. A minha perplexidade acerca da prescrição do Ben-U-Ron impediu-me de decorar o nome do Betaserc e por isso pedi que escrevesse. Digitou então no computador e imprimiu a receita. Ainda meio surpreendido com toda a passividade do médico, atirei mais uma pergunta. A minha mãe vai ter alta já? Não vai ficar algum tempo em observação? Não, vou dar indicação para a prepararem para ter alta, respondeu-me ele.</p>



<p>Este médico nem sequer voltou a ir junto da minha mãe para avaliar como ela se encontrava. Baseou-se apenas na informação do resultado do TAC e análises que chegaram através do computador&#8230;Fui dar a novidade à minha mãe e consegui, finalmente, convence-la a comer a peça de fruta que eu tinha levado. Disseram-me que podia ir buscar o meu carro enquanto preparavam a minha mãe. </p>



<p>Já passava da meia-noite e lá fui buscar o carro que estava estacionado fora do perímetro do hospital. Demorei cerca de 15 minutos até voltar para junto dela. Estava exactamente na mesma, deitada na maca, com a bata do hospital, molhada e com os sacos da roupa que eu trouxe a seus pés. Fui saber o que se passava e responderam que estavam à espera que a casa-de-banho grande ficasse livre para ajudarem a minha mãe a vestir. Já não sai e fiquei a aguardar no corredor. Pouco depois espreitei e vi que tinham decidido colocar um biombo à volta da maca e acabaram por a vestir ali.</p>



<p>Eram 0h35 mais ou menos quando me trazem a minha mãe, pelo seu próprio pé. Fiquei com a sensação que a minha mãe parecia aliviada por ir finalmente sair dali e eu também estava por a poder levar para casa. De tal forma que nem me ocorreu contestar porque razão não colocaram ao menos a minha mãe numa cadeira de rodas. Depois de um breve Boa Noite, a minha mãe deu-me a mão e começamos a andar pelo corredor. Não teremos andado mais do que 3 metros quando a minha mãe levanta o braço para se apoiar na parede e começa a desfalecer. Só tive tempo de a amparar para não cair abruptamente no chão. Pela primeira vez após tantas horas vi e senti preocupação e sinais de urgência no pessoal hospitalar. Vi a minha mãe inanimada com os olhos abertos, sem encontrarem a sua pulsação e a ficar vermelha. Ajudei as enfermeiras a colocar a minha mãe na maca, pediram-me para sair e aguardar. Percebi assustado que era grave. Muito grave.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="alignright size-large is-resized"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/ADBoQcW.jpg" alt="" class="wp-image-9633" width="252" height="336"/></figure></div>



<p>Esperei nervosamente 40 longos minutos. Quando tinha acabado de dizer ao segurança que ia entrar por ali a dentro ele diz-me que querem falar comigo na outra ala do hospital. Esperava-me a chefe do serviço acompanhada de 3 ou 4 enfermeiras em posição de formatura da tropa. Já não havia nada a fazer. A minha mãe não resistiu a uma paragem cardio-respiratória. A segunda enfermeira disse-me para me dirigir no dia seguinte a uma funerária que me explicariam e tratariam de tudo e outra enfermeira entregou-me dois sacos de plástico com os pertences da minha mãe. Fiquei praticamente sem acção. Não consegui trazer a minha mãe de volta a casa…Tinha 70 anos..</p>



<p>Devido aos contornos que envolveram o falecimento da minha mãe foi pedida a realização de uma autópsia. Resolvi fazer este relato porque entendo que esta situação é demasiado grave e tem ser denunciada. Aliás, todas as situações como esta o devem ser, por forma a evitar que se continuem a repetir. É vergonhoso! </p>



<p>Embora com pouca esperança, porque vivemos numa República das Bananas terceiro-mundista, espero e desejo que seja apurada a responsabilidade pela má assistência que foi prestada à minha mãe.. Tenho fracas possibilidades financeiras, pelo que alguém que me possa prestar algum aconselhamento jurídico, por pequeno que seja e livre de honorários ficarei muito agradecido.</p>



<p>Grato pela vossa atenção, Jaime Silva.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/mGRxrWM.jpg" alt="" class="wp-image-9632"/></figure>



<p></p>
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