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	<title>Arquivo de História de Portugal - Duas Linhas</title>
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	<title>Arquivo de História de Portugal - Duas Linhas</title>
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		<title>500 ANOS DO CASAMENTO DA INFANTA D. ISABEL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vera Nobre]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2026 09:00:56 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[recriação histórica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Academia Portuguesa de História recriou o casamento da Infanta isabel com o Imperador Carlos V</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/500-anos-do-casamento-da-infanta-d-isabel/">500 ANOS DO CASAMENTO DA INFANTA D. ISABEL</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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<p>As celebrações focaram-se no Itinerário da Infanta Isabel, refazendo os passos da comitiva real que, no início de 1526, partiu de Lisboa (local de nascimento da princesa) em direção a Espanha, onde se casou com o Imperador Carlos V. Um encontro de linhagens que foi desenhado muito antes de se realizar. </p>



<p>De facto, pressentindo o fim da vida, D. Manuel I acrescentou ao seu testamento (1521) um codicilo com uma tarefa imperativa para o príncipe D. João: <em>“Item muito rogo e encomendo ao dito Príncipe meu filho, que tome grande e especial lembrança e cuidado de se acabar o cazamento da infante D. Izabel sua Irmaã com o Emperador no qual elle sabe quanto tenho athe aqui trabalhado, e quanto o dezejo [&#8230;]”</em> Mais do que uma aliança afetiva, tratava-se de um movimento estratégico para consolidar a hegemonia das coroas ibéricas num mundo em expansão.</p>



<p>Em 1526, a promessa cumpriu-se. Após o casamento por procuração no Paço Real de Almeirim, Isabel iniciou a sua jornada rumo à fronteira. O itinerário &#8211; que passou por Torres Novas, Chamusca, Ponte de Sor, Alter do Chão e Monforte &#8211; culminou em Elvas, o último solo português que a Infanta pisaria antes de se tornar Imperatriz. Foi ali, sob o olhar das muralhas que vigiam a fronteira, que a Infanta se despediu do reino do seu irmão D. João III.</p>



<p>No passado dia 19 de abril, Elvas recuou no tempo para homenagear este legado. As celebrações incluíram recriações históricas com trajes de época, banquetes e danças de corte, evocando a opulência da comitiva original que impressionou as crónicas do século XVI. O som das gaitas de foles, o restolhar dos trajes de seda e o bater dos cascos dos cavalos no empedrado anunciaram a recriação do cortejo da Infanta.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="425" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/cortejo-casamento-infanta-1024x425.png" alt="" class="wp-image-49085" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/cortejo-casamento-infanta-1024x425.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/cortejo-casamento-infanta-300x124.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/cortejo-casamento-infanta-768x318.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/cortejo-casamento-infanta-1536x637.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/cortejo-casamento-infanta-696x289.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/cortejo-casamento-infanta-1392x577.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/cortejo-casamento-infanta-1068x443.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/cortejo-casamento-infanta-1320x547.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/cortejo-casamento-infanta.png 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>O momento simbólico da &#8220;Entrega da Infanta&#8221; &#8211; a transição formal para o séquito espanhol &#8211; foi encenado na ponte sobre o Rio Caia e em Badajoz, evocando o ato diplomático que selou o destino de Isabel.</p>



<p>Ao casar em Sevilha, a 11 de março de 1526, Isabel não foi apenas uma rainha consorte; foi a alma do Império. Inteligente e sensível, governou como Regente de Castela durante as longas ausências do marido, a quem escrevia incansavelmente, provando que a sua educação humanista a preparara para os mais altos voos da governação. O ambiente poliglota em que viviam não era apenas um reflexo da árvore genealógica, mas uma ferramenta essencial de governação. Isabel, educada na corte de D. Manuel I, cresceu num Portugal que era o centro de um império global, dominando o português e o castelhano, além do latim. Já Carlos V, embora fosse o monarca mais poderoso da cristandade, teve de aprender a equilibrar o seu francês nativo com o neerlandês, o alemão e, mais tarde, o castelhano, que se tornaria a língua do coração do casal.</p>



<p>Diz-se, inclusive, que a relação entre ambos foi uma das raras exceções de afeto real genuíno na época, e a língua terá sido a ponte para essa união num império onde, como Carlos dizia, &#8220;o sol nunca se punha&#8221;.</p>



<p>Apesar de ter desempenhado de forma exemplar os papéis de mulher, mãe e soberana, a morte colheu-a precocemente aos 36 anos, mergulhando o seu nome num esquecimento de séculos, guardado apenas pela lenda e pela arte. Hoje, o seu olhar sobrevive na obra-prima de <strong>Ticiano</strong>, a imagem que o Imperador, apaixonado, contemplou até ao fim dos seus dias.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="845" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/La_emperatriz_Isabel_de_Portugal_por_Tiziano-845x1024.jpg" alt="" class="wp-image-49082" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/La_emperatriz_Isabel_de_Portugal_por_Tiziano-845x1024.jpg 845w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/La_emperatriz_Isabel_de_Portugal_por_Tiziano-247x300.jpg 247w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/La_emperatriz_Isabel_de_Portugal_por_Tiziano-768x931.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/La_emperatriz_Isabel_de_Portugal_por_Tiziano-696x844.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/La_emperatriz_Isabel_de_Portugal_por_Tiziano.jpg 960w" sizes="(max-width: 845px) 100vw, 845px" /><figcaption class="wp-element-caption">Retrato da Infanta D.Isabel por Ticiano, 1548 &#8211; Museu do Prado</figcaption></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/500-anos-do-casamento-da-infanta-d-isabel/">500 ANOS DO CASAMENTO DA INFANTA D. ISABEL</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>ANTÓNIA RODRIGUES: ENTRE O SEGREDO E A ESPADA</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/04/antonia-rodrigues-entre-o-segredo-e-a-espada/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Vera Nobre]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 09:00:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
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		<category><![CDATA[Antónia Rodrigues]]></category>
		<category><![CDATA[História de Portugal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Antónia Rodrigues é a Joana d’Arc portuguesa</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/04/antonia-rodrigues-entre-o-segredo-e-a-espada/">ANTÓNIA RODRIGUES: ENTRE O SEGREDO E A ESPADA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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<p>Oriunda de uma família numerosa e pobre de pescadores, mandaram-na ainda criança para casa da irmã mais velha, em Lisboa, onde enfrentou maus-tratos. Com apenas 12 anos, tomou uma decisão ousada: cortou o cabelo, vestiu-se de rapaz e partiu em busca de um destino diferente. No movimentado cais da Ribeira lisboeta, conseguiu convencer o mestre da caravela <em>Nossa Senhora do Socorro</em> a levá-la como grumete, embarcando numa viagem que transportava trigo até Mazagão, atual El-Jadida, na costa de Marrocos.</p>



<p>Mal chegou, Antónia (usando o nome de António Rodrigues)&nbsp; denunciou irregularidades no carregamento dos cereais na caravela, chamando a atenção das autoridades. Impressionado com a sua inteligência, o governador Diogo Lopes de Carvalho decidiu mantê-la na praça e alistá-la como soldado.</p>



<p>Mazagão era uma praça-forte estratégica do império português: uma cidade totalmente fortificada, com muralhas renascentistas preparadas para resistir a ataques constantes. Funcionava como um ponto de apoio às rotas marítimas e como bastião da presença portuguesa em África. No seu interior, vivia uma pequena comunidade de militares, famílias e comerciantes, organizada segundo modelos europeus. &nbsp;</p>



<p>Foi nesse cenário que o cavaleiro António construiu a sua reputação. Durante vários anos, participou na defesa da cidade contra os ataques dos mouros, distinguindo-se pela coragem. Tornou-se conhecido como um dos mais destemidos combatentes de Mazagão, ganhando o apelido de “jovem fronteiro de África”, sem que ninguém suspeitasse da sua verdadeira identidade feminina.</p>



<p>Vivendo entre soldados, António partilhava a rotina militar, mantendo sempre o cuidado de preservar o seu segredo. No entanto, a sua crescente reputação levou-a a frequentar os círculos sociais mais nobres da praça, onde despertou a atenção de várias jovens mulheres. Entre elas, Beatriz, a filha de um cavaleiro local, apaixonou-se perdidamente por António Rodrigues, ao ponto de cair de cama doente.</p>



<p>A insistência num possível casamento colocou Antónia numa situação insustentável. Temendo ser descoberta, decidiu confessar a verdade ao padre de Mazagão. A revelação espalhou-se rapidamente, obrigando-a a assumir-se finalmente como mulher&#8230;</p>



<p>Apesar do choque inicial, a sua coragem e os feitos militares foram reconhecidos e o governador perdoou-lhe a “mentira”. O facto de ser mulher redobrou-lhe a fama; todos queriam conhecer “a Cavaleira”. Acabou por casar-se com um dos seus antigos companheiros de armas e mudou-se para Lisboa.</p>



<p>A sua história tornou-se lendária. Em 1619, o rei Filipe II de Portugal quis conhecê-la pessoalmente, aumentando a sua pensão anual em reconhecimento pelos serviços prestados ao reino e distinguindo também o seu único filho com o cargo de moço da Real Câmara.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="626" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/mapa-mazagao-1-1024x626.png" alt="" class="wp-image-48489" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/mapa-mazagao-1-1024x626.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/mapa-mazagao-1-300x183.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/mapa-mazagao-1-768x470.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/mapa-mazagao-1-696x426.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/mapa-mazagao-1.png 1066w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">mapa de Mazagão, século XVI</figcaption></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/04/antonia-rodrigues-entre-o-segredo-e-a-espada/">ANTÓNIA RODRIGUES: ENTRE O SEGREDO E A ESPADA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>O CASTELO DE PENEDONO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Feb 2026 00:38:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[UM CRONISTA DE PROVÍNCIA]]></category>
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		<category><![CDATA[História de Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[Penedono]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A primeira notícia sólida colhe-se no Testamento da poderosa D. Chamôa  Rodrigues</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/02/o-castelo-de-penedono-2/">O CASTELO DE PENEDONO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Do Castelo de Penedono ancorado nesse promontório rochoso de onde se vigia, como se mar fosse, a interminável paisagem de vale e serra, ninguém sabe dos começos, do desenho, dos panos de muros inicialmente levantados, das pelejas acontecidas nos ermos territórios ao redor.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A primeira notícia sólida colhe-se no Testamento da poderosa D. Chamôa (ou Flâmula) Rodrigues que, recolhendo-se no ano de 960 ao Mosteiro de Guimarães, confia o castelo de Pena de Dono, actual Penedono, com outros vizinhos castelos – Trancoso, Sernancelhe, outros ainda – a sua tia, a Condessa Mumadona, que legará mais tarde todos os seus bens ao Mosteiro que fundara.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex">
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</div>



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</div>
</div>



<p>Situado numa Extremadura de continuadas arremetidas de cristãos e mouros, vem a cair sob domínio muçulmano, por ocasião da passagem de Almançor para Compostela, em 997, voltando novamente à posse de cristãos, aquando da “Campanha da Beira” empreendida por Fernando I de Leão, entre 1055 e 1064.</p>
</div></div>



<p>Arruinado numa antiga feição que desconhecemos, sofrerá reparo, quando D. Sancho I outorga foral ao concelho em 1195, empreendendo, então, o repovoamento de um ermo território.</p>



<p>Mas será a partir de finais do século XIV, quando a nobilitada família dos Coutinhos recebe, por mercê d’ El-Rei D. Fernando, estes domínios, que o castelo ganhará a feição que hoje apresenta, adquirindo, já em fins do século XV, inícios do XVI, a qualidade acrescentada de residência senhorial dos membros desta importante família terratenente, possuidora de numerosas terras, onde se incluía Lamego, com largas casas de morada, Sernancelhe, Penedono, Trancoso e algumas mais.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Não repugna que Álvaro Gonçalves Coutinho, o célebre “Magriço” que a lenda aureolou, tenha nascido no Castelo de Penedono, dado que seu pai, Gonçalo Vasques Coutinho, Marechal e Fronteiro da Beira, bastas vezes teria de estanciar por terras do seu domínio.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/T5MlrdV.png" alt="" class="wp-image-46933"/></figure></div>


<p>Será, todavia, seu irmão, o primogénito Vasco Fernandes, 1.º Conde de Marialva, quem herdará o título de alcaide, que passará a outros membros da família, cuja linhagem estranhamente se extingue antes dos meados do século XVI, após a morte de D. Guiomar Coutinho, que não deixa geração.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
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</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/4Nl9DLK.jpeg" alt="" class="wp-image-46931"/></figure>
</div>
</div>



<p>Pacificadas as fronteiras, alteradas as técnicas de guerra, o altaneiro castelo depressa sofre ruína: estremecem as pedras de seus muros de pedra miúda; o telhado desaba sobre o tabuado do chão de castanho do piso residencial onde só as janelas permanecem escancaradas; vazias de gente as pedras que a gente chama de namoradeiras; fendas abertas despejam a água da cisterna; desaparecem as traves que o gentio terá levado para habitação; e desolador se torna o retrato do castelo feito pelo cura que escreveu as “Memórias Paroquiais” em 1758.</p>



<p>Declarado Monumento Nacional em 1910, restaurado entre os anos 40 e 53 do século XX, pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais – ei-lo, sublime, eterna pátria do mítico Magriço, trágico e sedutor, dourado dos líquenes, dourado de nossas poéticas memórias.</p>
</div></div>
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		<title>O CASTELO DE PENEDONO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Jan 2026 00:00:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A primeira notícia sólida colhe-se no Testamento da poderosa D. Chamôa (ou Flâmula) Rodrigues</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/01/o-castelo-de-penedono/">O CASTELO DE PENEDONO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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<p>Do Castelo de Penedono ancorado nesse promontório rochoso de onde se vigia, como se mar fosse, a interminável paisagem de vale e serra, ninguém sabe dos começos, do desenho, dos panos de muros inicialmente levantados, das pelejas acontecidas nos ermos territórios ao redor.</p>



<p>A primeira notícia sólida colhe-se no Testamento da poderosa D. Chamôa (ou Flâmula) Rodrigues que, recolhendo-se no ano de 960 ao Mosteiro de Guimarães, confia o castelo de Pena de Dono, actual Penedono, com outros vizinhos castelos – Trancoso, Sernancelhe, outros ainda – a sua tia, a Condessa Mumadona, que legará mais tarde todos os seus bens ao Mosteiro que fundara.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Situado numa Extremadura de continuadas arremetidas de cristãos e mouros, vem a cair sob domínio muçulmano, por ocasião da passagem de Almançor para Compostela, em 997, voltando novamente à posse de cristãos, aquando da “Campanha da Beira” empreendida por Fernando I de Leão, entre 1055 e 1064.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-3 wp-block-columns-is-layout-flex">
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</div>
</div>



<p>Arruinado numa antiga feição que desconhecemos, sofrerá reparo, quando D. Sancho I outorga foral ao concelho em 1195, empreendendo, então, o repovoamento de um ermo território.</p>
</div></div>



<p>Mas será a partir de finais do século XIV, quando a nobilitada família dos Coutinhos recebe, por mercê d’ El-Rei D. Fernando, estes domínios, que o castelo ganhará a feição que hoje apresenta, adquirindo, já em fins do século XV, inícios do XVI, a qualidade acrescentada de residência senhorial dos membros desta importante família terratenente, possuidora de numerosas terras, onde se incluía Lamego, com largas casas de morada, Sernancelhe, Penedono, Trancoso e algumas mais.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Não repugna que Álvaro Gonçalves Coutinho, o célebre “Magriço” que a lenda aureolou, tenha nascido no Castelo de Penedono, dado que seu pai, Gonçalo Vasques Coutinho, Marechal e Fronteiro da Beira, bastas vezes teria de estanciar por terras do seu domínio.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/T5MlrdV.png" alt="" class="wp-image-46933"/></figure></div>


<p>Será, todavia, seu irmão, o primogénito Vasco Fernandes, 1.º Conde de Marialva, quem herdará o título de alcaide, que passará a outros membros da família, cuja linhagem estranhamente se extingue antes dos meados do século XVI, após a morte de D. Guiomar Coutinho, que não deixa geração.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-4 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/xASXgAA.jpeg" alt="" class="wp-image-46930"/></figure>
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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/4Nl9DLK.jpeg" alt="" class="wp-image-46931"/></figure>
</div>
</div>



<p>Pacificadas as fronteiras, alteradas as técnicas de guerra, o altaneiro castelo depressa sofre ruína: estremecem as pedras de seus muros de pedra miúda; o telhado desaba sobre o tabuado do chão de castanho do piso residencial onde só as janelas permanecem escancaradas; vazias de gente as pedras que a gente chama de namoradeiras; fendas abertas despejam a água da cisterna; desaparecem as traves que o gentio terá levado para habitação; e desolador se torna o retrato do castelo feito pelo cura que escreveu as “Memórias Paroquiais” em 1758.</p>



<p>Declarado Monumento Nacional em 1910, restaurado entre os anos 40 e 53 do século XX, pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais – ei-lo, sublime, eterna pátria do mítico Magriço, trágico e sedutor, dourado dos líquenes, dourado de nossas poéticas memórias.</p>
</div></div>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/01/o-castelo-de-penedono/">O CASTELO DE PENEDONO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>DOIS HOMENS ENTRE MUNDOS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vanda Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Dec 2025 00:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[LER LIVROS]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[Angola no século XVII]]></category>
		<category><![CDATA[colonialismo português]]></category>
		<category><![CDATA[História das religiões]]></category>
		<category><![CDATA[História de Angola]]></category>
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		<category><![CDATA[Lourenço da Silva Mendonça]]></category>
		<category><![CDATA[Nsako N'Vunda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nsaku N’Vunda e Lourenço Mendonça inscrevem-se na tradição diplomática africana independente, iniciada pelo Reino do Congo no final do século XV </p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/dois-homens-entre-mundos/">DOIS HOMENS ENTRE MUNDOS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ao ler o livro <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/11/a-historia-de-um-africano/">“Um Oceano, Dois Mares, Três Continentes”</a></strong> veio-me à memória a história de um outro extraordinário angolano do século XVII, o príncipe Lourenço da Silva Mendonça.</p>



<p>Alguns de vós talvez se lembrem, ou talvez não, de uma <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2023/12/o-principe-lourenco/">crónica</a></strong> que escrevi na Guiné em 2023 sobre<strong><a href="https://duaslinhas.pt/2023/12/o-principe-lourenco/"> Lourenço da Silva Mendonça</a></strong>. Resumidamente, era sobre um outro homem nascido em Angola, que também cruzou mares, oceanos e continentes, tal como N’Vunda uns anos antes. Lourenço saiu jovem de Angola, foi para o Brasil, chegou a estar no Quilombo de Palmares e depois seguiu para Portugal, estudou em Braga e em Lisboa, um percurso tão semelhante ao de <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/11/a-historia-de-um-africano/">Nsako N&#8217;Vunda</a></strong> que cheguei a pensar que poderiam ser a mesma pessoa.</p>



<p>A história do príncipe Lourenço é digna de uma poema épico Depois de ter concluído os estudos em Portugal, apresentou um caso contra a escravatura ao Tribunal do Vaticano, em 1684. O caso foi um marco histórico e levou à condenação da escravatura pelo Papa dois anos depois, em 1686. O Papa Inocente XI, nomeou-o Procurador-Geral das “Irmandades dos Homens Pretos”, em Lisboa.</p>



<p>Importa sublinhar que Mendonça fez isto um século antes da Revolução Francesa, que dizem inspirar o abolicionismo, e quase 150 anos antes do Parlamento britânico ter abolido a escravatura (1833).</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Nsako N’Vunda e Lourenço da Silva Mendonça, percursos paralelos</strong></h4>



<p>António Manuel Nsaku N’Vunda e Lourenço da Silva Mendonça foram visionários antes do tempo. Predestinados a grandes feitos. Não se conheceram, nunca se cruzaram, mas percorreram os mesmos oceanos e as mesmas calçadas das ruas de Lisboa e Roma. N’Vunda morreu no Vaticano em 1608 e Lourenço esteve em Roma entre 1670–1680.</p>



<p>Embora não exista prova documental de um vínculo familiar direto, ambos pertenceram à nobreza cristianizada de Angola, foram educados em instituições católicas, ambos eram fluentes em línguas europeias, ambos se envolveram nas redes políticas entre M&#8217;Banza Kongo, Luanda, Lisboa e Roma.</p>



<p>A trajetória de Mendonça — tal como a de Nsaku N’Vunda — só é possível graças à posição social elevada dessas famílias africanas que, desde o século XVI, ocupavam cargos administrativos, eclesiásticos e diplomáticos.</p>



<p>Ambos, Nsaku N’Vunda e Lourenço da Silva Mendonça, inscrevem-se na tradição diplomática africana independente, iniciada pelo Reino do Congo no final do século XV para dialogar diretamente com o papado e com a monarquia portuguesa.</p>



<p>Nsaku N&#8217;Vunda inaugurou a presença diplomática africana permanente na Santa Sé, como embaixador oficial do rei Manicongo D. Álvaro II. Lourenço da Silva Mendonça, 60 anos depois retomou essa rota diplomática para denunciar à Santa Sé e ao rei de Portugal os abusos da escravatura praticada pelos europeus, nomeadamente os portugueses. O caso levado perante o Tribunal do Vaticano coloca-o como um dos primeiros ativistas abolicionistas conhecidos da história.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Lourenço, herdeiro diplomático e político de Nsaku N’Vunda</strong></h4>



<p>Em suma, ao comparar os dois, percebe-se que ambos viveram tensões semelhantes: eram africanos formados na tradição cristã, navegando entre culturas, línguas e poderes que muito raramente davam palco a vozes do continente africano. Cada um, no seu tempo e em seu modo, usou as estruturas da igreja para defender a dignidade do povo.</p>



<p>N’Vunda procurou reconhecimento diplomático e proteção ao reino do Kongo. Mendonça confrontou diretamente o sistema esclavagista que naquele tempo dominava o mundo atlântico. O primeiro personifica o ideal de embaixador africano e é citado, frequentemente, como modelo da diplomacia angolana. O segundo, personifica o papel de intelectual e religioso, um africano a defender os direitos humanos em Roma.</p>



<p>Ambos, reivindicaram direitos e reconhecimento para os africanos. Resumindo, quem quiser aprender, tem agora dois livros para ler.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-5 wp-block-columns-is-layout-flex">
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<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="676" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/nafafe-676x1024.jpg" alt="" class="wp-image-45741" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/nafafe-676x1024.jpg 676w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/nafafe-198x300.jpg 198w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/nafafe-768x1164.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/nafafe-696x1054.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/nafafe.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 676px) 100vw, 676px" /><figcaption class="wp-element-caption">“Lourenço da Silva Mendonça and the Black Atlantic Abolitionist Movement in the 17th Century”, de José Lingna Nafafé.</figcaption></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="655" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/1-oceano-655x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-45742" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/1-oceano-655x1024.jpeg 655w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/1-oceano-192x300.jpeg 192w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/1-oceano-696x1088.jpeg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/1-oceano.jpeg 720w" sizes="auto, (max-width: 655px) 100vw, 655px" /><figcaption class="wp-element-caption">Um Oceano, Dois Mares, Três Continentes&#8221;, de Wilfried N&#8217;Sondé </figcaption></figure></div></div>
</div>
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		<title>O Presidente Sem Fronteiras</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vera Nobre]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 29 Nov 2025 13:37:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Bernardino Machado]]></category>
		<category><![CDATA[História de Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[Presidente da República]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Duas vezes subiu à presidência; duas vezes foi derrubado</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Bernardino Machado nasceu no calor do Rio de Janeiro, em 1851, filho e neto de emigrantes portugueses. Aos nove anos, cruzou a primeira fronteira — o oceano— levando na bagagem as recordações de brincadeiras ao sol tropical e um sonho português: as colinas verdes de Joane, a terra natal do pai.</p>



<p>O pai de Bernardino, tendo feito fortuna no Brasil, juntamente com outros brasileiros de “torna-viagem”, investiu na sua terra de origem. Mandou construir o “Palacete dos Machados” em Vila Nova de Famalicão, segundo o estilo arquitetónico que ficou conhecido como “casa de brasileiro”. Foi nesta casa que Bernardino passou a sua juventude. No interior, os tetos trabalhados em estuque, incluíam pinturas que recordavam as paisagens tropicais brasileiras da sua infância.</p>



<p>Ambicioso, aos quinze anos, já estudava em Coimbra. Tornou-se o mais jovem catedrático de Filosofia da Universidade. </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="549" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/bernardino-machado-2x-1024x549.png" alt="" class="wp-image-45705" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/bernardino-machado-2x-1024x549.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/bernardino-machado-2x-300x161.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/bernardino-machado-2x-768x412.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/bernardino-machado-2x-696x373.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/bernardino-machado-2x.png 1052w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Bernardino Machado, à esquerda ainda estudante de Matemática e Filosofia na Universidade de Coimbra, à direita já doutorado em Filosofia pela mesma universidade</figcaption></figure>



<p>Mas Bernardino queria mais do que ideias: queria ação. Aos vinte e um, optou oficialmente pela nacionalidade portuguesa e entrou na política. Foi ministro, embaixador de Portugal no Brasil, o país que o viu nascer, e Presidente. Em cada função política que ocupou, Bernardino procurava romper fronteiras e aproximar mundos diferentes.</p>



<p>No princípio do século passado viajar —&nbsp;principalmente além-fronteiras&nbsp;—&nbsp;não era ainda uma rotina, incluindo para os chefes de Estado. Na jovem Républica Portuguesa, a primeira viagem oficial ao estrangeiro foi organizada pelo Presidente Bernardino Machado, em 1917, no contexto da participação portuguesa na I Guerra Mundial. Ele quis visitar o Corpo Expedicionário Português, e foi recebido também pelos chefes de Estado de Espanha, França, Reino Unido e Bélgica.</p>



<p>Num período em que os submarinos alemães constituíam uma ameaça à navegação, e em que viajar de automóvel era difícil, o comboio foi a escolha óbvia para a primeira viagem presidencial. O comboio presidencial, partiu do Rossio e atravessou a fronteira em Vilar Formoso, onde fez uma breve paragem, com grande pompa.</p>



<p>Mas a política é um terreno movediço. Bernardino duas vezes subiu à presidência; duas vezes foi derrubado. Exilado em França, voltou a atravessar a fronteira de Vilar Formoso e, ao mesmo tempo a linha invisível entre o poder e o esquecimento.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="980" height="705" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/bernardino-machado-no-comboio-para-o-exilio.png" alt="" class="wp-image-45709" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/bernardino-machado-no-comboio-para-o-exilio.png 980w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/bernardino-machado-no-comboio-para-o-exilio-300x216.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/bernardino-machado-no-comboio-para-o-exilio-768x552.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/bernardino-machado-no-comboio-para-o-exilio-696x501.png 696w" sizes="auto, (max-width: 980px) 100vw, 980px" /><figcaption class="wp-element-caption">Bernardino Machado a bordo do comboio que o vai conduzir ao exílio em Paris, na sequência do golpe de Estado de Sidónio Pais, em 1917</figcaption></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/11/o-presidente-sem-fronteiras/">O Presidente Sem Fronteiras</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>QUEM TEM CU&#8230;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 29 Nov 2025 00:00:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[História de Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[independência do Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Invasões francesas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na madrugada de 29 de novembro de 1807 o povo via o seu rei fugir</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Segundo a versão mais cinematográfica, na madrugada de 29 de novembro de 1807, Lisboa acordou envolta numa névoa de pânico. As naus rangiam no Tejo, as pratarias iam às costas de criados ofegantes, padres arrastavam crucifixos, e a corte empacotava o que podia enquanto o povo via o seu rei fugir. </p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="818" height="494" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/Gravure_Bragance_quitte_Lisbonne_1807.jpg" alt="" class="wp-image-45600" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/Gravure_Bragance_quitte_Lisbonne_1807.jpg 818w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/Gravure_Bragance_quitte_Lisbonne_1807-300x181.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/Gravure_Bragance_quitte_Lisbonne_1807-768x464.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/Gravure_Bragance_quitte_Lisbonne_1807-696x420.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 818px) 100vw, 818px" /><figcaption class="wp-element-caption">Gravure_Bragance_quitte_Lisbonne_1807  <a href="https://centrerolandmousnier.cnrs.fr/">Centre Roland Mousnier – Centre de recherche en histoire médiévale, moderne et contemporaine</a></figcaption></figure></div>


<p>As fontes históricas não poupam. Para o <em><strong><a href="https://centrerolandmousnier.cnrs.fr/la-fuite-des-rois-savoies-bourbons-et-bragances-dans-la-crise-de-lancien-regime-1798-1808/">Moniteur Universel</a></strong></em>, D. João era um “covarde”. Para o Marquês de Alorna, um soberano sem honra. Para Alexandre Herculano, um exemplo de “pusilanimidade”. Ficou a imagem de um rei que abandonou o país para salvar a pele.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-6 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="450" height="719" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/Memorias-do-Marques-de-Alorna-2.png" alt="" class="wp-image-44834" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/Memorias-do-Marques-de-Alorna-2.png 450w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/Memorias-do-Marques-de-Alorna-2-188x300.png 188w" sizes="auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px" /></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="436" height="685" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/hist-de-pt-alex-herculano.png" alt="" class="wp-image-44837" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/hist-de-pt-alex-herculano.png 436w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/hist-de-pt-alex-herculano-191x300.png 191w" sizes="auto, (max-width: 436px) 100vw, 436px" /></figure>
</div>
</div>



<p>Mas como acontece com frequência na História de Portugal, a realidade é ambígua. A historiografia oficial construiu outra versão: a de que a transferência da corte para o Brasil foi uma jogada estratégica, quase visionária, que salvou a independência portuguesa num tabuleiro europeu dominado por um Napoleão imparável. Portugal, militarmente incapaz de resistir, teria apenas duas hipóteses: ser ocupado ou deslocar a soberania para onde a marinha britânica pudesse protegê-la.</p>



<p>Entre estas duas narrativas há o território cinzento da política. D. João não partiu apenas por medo; partiu também porque as circunstâncias não lhe davam muitas alternativas. E, no entanto, o povo que ficou, esse, não via geopolítica: via um rei que se evaporava no nevoeiro, deixando para trás um território sem governo, entregue ao saque francês.</p>



<p>Mais interessante ainda é o que veio depois. Portugal sobreviveu, mas a decisão que muitos consideraram cobarde desencadeou o princípio do fim do império português. A corte no Rio abriu os portos, modernizou a administração, elevou o Brasil a Reino, e transformou a colónia tropical na capital do império. E quando D. João, já velho, regressou a Lisboa, deixou no trono do outro lado do Atlântico o seu filho, Pedro. O mesmo Pedro que, poucos anos depois, iria declarar a independência do Brasil, contra as expectativas do pai, mas como consequência direta da transferência da corte.</p>



<p>Ou seja: a fuga que pretendia preservar o império acabou por fragilizá-lo definitivamente. A manobra estratégica que salvou a soberania portuguesa terminou como catalisador da autonomia brasileira.</p>



<p>Herói ou covarde, D. João VI não foi apenas o monarca que abandonou Lisboa naquele amanhecer frio. Foi, involuntariamente, o último grande arquitecto de um império que começou a desfazer-se nas suas mãos. Os destinos de Portugal e do Brasil separaram-se naquela manhã enevoada de 1807.</p>



<p></p>
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		<title>OS IMPERADORES DO BRASIL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rainer Daehnhardt]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Nov 2025 00:00:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ao frequentar alguns restaurantes à volta do Palácio de Queluz e percebendo a presença de cidadãos brasileiros que vieram ganhar a sua vida na restauração, em Portugal, lembrei-me de lhes fazer a seguinte pergunta: “Quantos Imperadores teve o Brasil?” Esperava que me respondessem prontamente “Dois, Dom Pedro I e Dom Pedro II!”. Porém, nunca obtive [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ao frequentar alguns restaurantes à volta do Palácio de Queluz e percebendo a presença de cidadãos brasileiros que vieram ganhar a sua vida na restauração, em Portugal, lembrei-me de lhes fazer a seguinte pergunta: “Quantos Imperadores teve o Brasil?” Esperava que me respondessem prontamente “Dois, Dom Pedro I e Dom Pedro II!”. Porém, nunca obtive esta resposta! Todos me responderam com boa vontade, mas afirmaram que de História não sabiam nada! Indiquei o Palácio de Queluz, à nossa frente, e perguntei se sabiam que palácio era aquele. Uns sabiam, outros não. Nem um único sabia que foi ali que nasceu o Imperador Dom Pedro I do Brasil. Acharam tal facto curioso e quando lhes perguntei se sabiam onde este Imperador faleceu, também não sabiam. Expliquei que tal aconteceu 35 anos mais tarde, no mesmo palácio e na mesma cama. Perguntaram-me se deixou filhos. Sim! Ao todo, teve 35 filhos, dizem que foi muito mulherengo, por isso até podem ter sido mais!</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="681" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/quarto-de-d-pedro-I-1-1024x681.png" alt="" class="wp-image-45346" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/quarto-de-d-pedro-I-1-1024x681.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/quarto-de-d-pedro-I-1-300x199.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/quarto-de-d-pedro-I-1-768x510.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/quarto-de-d-pedro-I-1-1536x1021.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/quarto-de-d-pedro-I-1-696x463.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/quarto-de-d-pedro-I-1-1392x925.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/quarto-de-d-pedro-I-1-1068x710.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/quarto-de-d-pedro-I-1-1320x877.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/quarto-de-d-pedro-I-1.png 1616w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Quarto&nbsp;do Palácio Nacional de Queluz onde D. Pedro nasceu e morreu, com seus objetos originais em exposição</figcaption></figure></div>


<p>Dom Pedro I nasceu em 12 de Outubro de 1798 e faleceu a 24 de Setembro de 1834. Era o 4º filho de Dom João VI de Portugal e da sua Rainha, Dona Carlota Joaquina, Infanta castelhana. Dom Pedro abdicou do trono imperial brasileiro em 1831 a favor do seu filho, Dom Pedro II, assumindo o trono de Portugal, como Rei Dom Pedro IV. Depois também abdicou a favor da sua filha, embora ainda muito criança, Dona Maria II de Portugal. Como entretanto o trono de Portugal fora usurpado por seu irmão, o Infante Dom Miguel, resolveu criar um exército de libertação de Portugal, nos Açores, onde se mantiveram fieis a Dona Maria II. Com este exército desembarcou perto do Porto, no Mindelo, em 1832. Os seus 7.500 homens entraram na história com o nome &#8220;Bravos do Mindelo&#8221;, porque deram luta valente ao exército de Dom Miguel I, de 84.000 homens. Dom Pedro confrontou todos sendo então apenas Duque de Bragança, lutando para recuperar o trono de Portugal para a sua filha, Dona Maria. Por incrível que pareça, Dom Pedro ganhou. A sua estadia de 12.978 dias neste planeta, escreveram a história para imensa gente e sítios tão distantes, desde a Colónia do Sacramento, no Rio da Prata, ao sul do Brasil, até Macau, às portas da China! Um homem valente sobre qualquer ponto de vista que merece ser relembrado.</p>



<p>Mas terá sido ele o primeiro a assumir-se como Imperador do Brasil? Será possível que seu pai Dom João VI também tenha sido Imperador do Brasil?</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O IMPERADOR E REY</strong></h4>



<p>A ideia parece absurda; porém, existe prova de que Dom João VI assinou documentos na qualidade de Imperador do Brasil, como por exemplo, a carta existente no arquivo do Museu Luso-Alemão, em Belas, datada de 13 de Fevereiro de 1826, que começa com os seguintes termos:&nbsp; “Dom João por Graça de Deus Imperador do Brazil e Rey de Portugal e Algarves dá quem e dá lem mar, em África Senhor da Guiné, e da Conquista, Navegação, Comércio, da Etiópia, Arabia, Pérsia e da Índia. Como Grão-Mestre da Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Villa Viçosa. Faço saber, que tomando na Minha Real Consideração a fidelidade e Serviços de Dom Manuel de Portugal e Castro, do Meu Conselho Governador e Capitão-General da Ilha da Madeira, houve por bem fazer-lhe mercê de o nomear Comendador Honorário da referida Ordem…”</p>



<p>Termina assinando por sua própria mão da seguinte forma “O Imp, e Rey“, acompanhando com os 5 pontos que fazem habitualmente parte. Tudo isto vem acompanhado do respectivo selo branco de sua Majestade!</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/d-joao-vi-carta-1024x576.png" alt="" class="wp-image-45342" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/d-joao-vi-carta-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/d-joao-vi-carta-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/d-joao-vi-carta-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/d-joao-vi-carta-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/d-joao-vi-carta-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/d-joao-vi-carta-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/d-joao-vi-carta-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/d-joao-vi-carta-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/d-joao-vi-carta.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">A carta de Dom João VI existente no arquivo do Museu Luso-Alemão</figcaption></figure></div>


<p>Um pouco mais abaixo, vem escrito, pelo secretário, a indicação, em resumo do que se trata neste importante documento:</p>



<p>“Carta porque Vossa Magestade Imperial, e Real, como Grão-Mestre da Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Villa Viçosa, há por bem fazer mercê a Dom Manuel de Portugal e Castro, de o Nomear Comendador Honorário da mesma Ordem….”.</p>



<p>E por baixo, em letra maior: “ Para Vossa Magestade Imperial, e Real Vêr “.</p>



<p>No verso, mostra numerosos registos, pagamento de selo e averbamentos, datados, até ao registo final na Chancelaria da Ordem de Nossa Senhora de Vila Viçosa, datado de 9 de Março de 1825, curiosamente um dia antes do falecimento do Imperador e Rei Dom João VI, em Lisboa, no Palácio da Bemposta. Após a sua morte, a Infanta Isabel Maria ficou como Regente Interina até ao regresso de Dom Pedro IV (Ex-Imperador Dom Pedro I do Brasil). Resumindo e concluindo, podemos verificar que o filho foi Imperador antes do pai.</p>



<p>A personagem referida neste documento régio, Dom Manuel de Portugal e Castro, mais tarde, teve ainda maior relevo na História do Mundo Português, tornando-se o 50º Vice-Rei da Índia portuguesa (1826 – 1835).</p>



<p>Dom Pedro I assumiu o título de Imperador do Brasil em 7 de Setembro de 1822. O definitivo reconhecimento da Independência do Brasil apenas se deu em Lisboa em 29 de Agosto de 1825.</p>



<p>Assim, poderíamos pensar que o Brasil teve 3 Imperadores. Porém, tal pode não ser correcto!</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O IMPERADOR DO SUL DO BRASIL</strong></h4>



<p>Há cerca de 40 anos, fui contactado, em Cascais, pelo Presidente do Conselho Executivo Honorário da Antiga Colónia de Sacramento. Veio de Montevideu, no Uruguai, trazendo consigo um estojo com uma medalha especial, cunhada em prata, que, à primeira vista, parece um cruzado de prata de Dom Pedro, Príncipe Regente, do ano de 1680, mas na realidade foi cunhada em 1980. Era uma mera reprodução, se não quisermos falar de falsificação.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="214" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/colinia-de-sacramento-2-1024x214.png" alt="" class="wp-image-45349" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/colinia-de-sacramento-2-1024x214.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/colinia-de-sacramento-2-300x63.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/colinia-de-sacramento-2-768x161.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/colinia-de-sacramento-2-1536x322.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/colinia-de-sacramento-2-696x146.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/colinia-de-sacramento-2-1392x291.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/colinia-de-sacramento-2-1068x224.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/colinia-de-sacramento-2-1320x276.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/colinia-de-sacramento-2.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>Após demorada e animada conversa entre ambos, decidiu oferecer-me este presente que trazia consigo por entender que em Portugal eu fora a pessoa com quem falou que tinha maiores conhecimentos sobre a Colónia de Sacramento.</p>



<p>Mostrei-lhe diversos mapas raros do Brasil com a indicação do Rio da Prata e da Colónia do Sacramento e mencionei as guerras que ali se deram, destacando o autoproclamado Imperador do Sul do Brasil, José Artigas (1774–1850). O Montevidense ficou perplexo com os meus conhecimentos acerca do que se tinha passado no seu berço natal há já tanto tempo! Isto porém é fácil de explicar. Um antepassado meu, militar luso-alemão, Daniel Pedro Müller, nascido em Oeiras (26-12-1785), falecido em 1841, autor do importante ”Mapa Chorographico da Província de São Paulo”, na qualidade de Brigadeiro, participou na Guerra movida pelo Império do Brasil contra Buenos Aires. Tomou Montevideu em 1817 ao militar rebelde José Artigas, ex-Governador da Província Oriental do Rio da Prata, formando, a Cisplatina, no Sul do Brasil junto ao Uruguai, Província do Reino Unido de Portugal, Brasil e os Algarves!</p>



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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="638" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/800px-Juan_Manuel_Blanes_-_Artigas_en_la_Ciudadela-638x1024.jpg" alt="" class="wp-image-45339" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/800px-Juan_Manuel_Blanes_-_Artigas_en_la_Ciudadela-638x1024.jpg 638w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/800px-Juan_Manuel_Blanes_-_Artigas_en_la_Ciudadela-187x300.jpg 187w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/800px-Juan_Manuel_Blanes_-_Artigas_en_la_Ciudadela-768x1233.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/800px-Juan_Manuel_Blanes_-_Artigas_en_la_Ciudadela-696x1117.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/800px-Juan_Manuel_Blanes_-_Artigas_en_la_Ciudadela.jpg 800w" sizes="auto, (max-width: 638px) 100vw, 638px" /><figcaption class="wp-element-caption">José Artigas</figcaption></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="810" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/Artigas_por_Blanes_02-810x1024.jpg" alt="" class="wp-image-45340" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/Artigas_por_Blanes_02-810x1024.jpg 810w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/Artigas_por_Blanes_02-237x300.jpg 237w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/Artigas_por_Blanes_02-768x971.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/Artigas_por_Blanes_02-696x880.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/Artigas_por_Blanes_02.jpg 1061w" sizes="auto, (max-width: 810px) 100vw, 810px" /><figcaption class="wp-element-caption">Retrato de José Artigas desenho de Juan Manuel Blanes (1830 &#8211; 1901) em exposição no Museo Histórico Nacional de Uruguay.</figcaption></figure></div></div>
</div>



<p>Após a saída de Dom João VI do Brasil e do &#8220;grito do Ipiranga&#8221; de Dom Pedro I, a Cisplatina, em 1825, declarou a sua Independência do Brasil, tornando-se o Estado do Uruguai, onde Artigas ainda hoje é venerado como herói e fundador da pátria. Nunca podendo agradar a todos, teve uma vida de luta incessante. Se a sua denominação como “Imperador do Brasil”, tem ou não razão de ser ou não, apenas daqui a muitos anos se verá.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="913" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/dom-pedro-II-913x1024.png" alt="" class="wp-image-45353" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/dom-pedro-II-913x1024.png 913w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/dom-pedro-II-268x300.png 268w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/dom-pedro-II-768x861.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/dom-pedro-II-696x781.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/dom-pedro-II.png 963w" sizes="auto, (max-width: 913px) 100vw, 913px" /><figcaption class="wp-element-caption">Retrato de Dom Pedro II (1876), último Imperador do Brasil, da autoria de Mathew Brady</figcaption></figure></div>


<p></p>



<p></p>
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		<title>CAJADOS DE SANTOS E RAINHAS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rainer Daehnhardt]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 May 2025 23:00:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[bordões medievais]]></category>
		<category><![CDATA[História de Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[património arqueológico]]></category>
		<category><![CDATA[Santiago de Compostela]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quanto aos bordões medievais ainda existentes, dir-se-á que, originais, há apenas dois, ambos em Portugal. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Tenho dois fragmentos de um bordão medieval. Porventura, do mesmo bordão. Descobri o primeiro fragmento numa viagem, com minha avó, em 1959, num lojista/antiquário/ferro velho/vendedor de postais e louças em Alcobaça, mesmo em frente ao mosteiro. Consegui o outro de um homem de Évora, cerca de meio século depois. Ambos tinham sido adquiridos em feiras e os vendedores não tinham a mínima noção do que tinham em mãos. Acredito que pertencem ao mesmo bordão, só que foram limpos de maneiras diferentes. Vejam-se as imagens.</p>



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<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="852" height="363" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/bordao-cabeca-com-pedra.png" alt="" class="wp-image-41950" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/bordao-cabeca-com-pedra.png 852w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/bordao-cabeca-com-pedra-300x128.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/bordao-cabeca-com-pedra-768x327.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/bordao-cabeca-com-pedra-696x297.png 696w" sizes="auto, (max-width: 852px) 100vw, 852px" /><figcaption class="wp-element-caption">Os dois fragmentos da pega do bordão medieval que pertencem a Rainer Daehnhardt. O da esquerda tem ainda parte da pedra acoplada à cabeça da leoa, o da direita não tem.</figcaption></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="628" height="397" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/bordao-cabeca-sem-pedra.png" alt="" class="wp-image-41951" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/bordao-cabeca-sem-pedra.png 628w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/bordao-cabeca-sem-pedra-300x190.png 300w" sizes="auto, (max-width: 628px) 100vw, 628px" /></figure>
</div>
</div>



<p>A leoa sem pedra tem pátina (figura à direita), devido ao facto de ter estado sujeita a séculos de água doce a correr por ela. Quanto à leoa com um grande bocado da pedra original, o seu aspecto mostra que continuou a ser usada durante longo tempo, mas nunca esteve sujeita a banhos seculares de água doce a correr por ela. Em contrapartida, sofreu, antes da sua inclusão num túmulo, uma tentativa de enriquecimento com “refrescar das bordas das gravuras”. Tal “melhoramento de última hora” era tido como demonstração de respeito para com a personagem que ia ser enterrada.</p>



<p>As duas cabeças de bronze representam ferozes leoas. Uma delas mantém cerca de 60 a 70% da barra de pedra polida original. Falta o resto da pedra e a totalidade da haste, bem como os elementos que juntavam a haste à trave. Em relação a isto e não havendo mais originais conhecidos, resolveu-se examinar minuciosamente, milímetro a milímetro, toda a superfície da pedra original ainda existente (felizmente a maior parte) e chegou-se à conclusão de que as cabeças do bordão e a sua haste estiveram atadas com fitas de linho impregnado em gorduras e, de seguida, com tiras de vime encanastrado. Há muitas marcas disto mesmo. A haste não era de tubo, mas de rija madeira. Podemos acreditar que este bordão românico pode ter pertencido a São Bernardo do Claraval. </p>



<p>Falamos de um utensílio que não foi apenas cajado para ajudar em travessias de riachos ou rios, mas também pau para se defender contra cães, cobras ou javalis. Mais ainda: quando vemos o peso das grandes cabeças de bronze e da enorme pedra entre elas, mais a gorda haste de madeira, só posso concluir que estamos perante uma <strong>arma de guerra</strong>, que tanto servia como defesa como para o ataque. Uma vez manejada com forte mão e braço de forma circular, eram muitos quilos de peso que “voavam” contra o que fosse! Qualquer crânio de animal ou homem seria esmagado. Mesmo batendo contra alguma porta, eram poucas as que aguentariam diversas pancadas com tais martelos!</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>OUTROS BORDÕES SEMELHANTES</strong></h4>



<p>Este exemplar ainda necessita, porém, de ser mais estudado. Não se duvida da sua autenticidade. Seja como for, merece ser estudado. Vêm estas observações a propósito de eu ter recebido o Catálogo do Museu de Santiago de Compostela, cuja capa aqui vos apresento.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="518" height="744" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/capa-catalogo.png" alt="" class="wp-image-41954" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/capa-catalogo.png 518w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/capa-catalogo-209x300.png 209w" sizes="auto, (max-width: 518px) 100vw, 518px" /></figure></div>


<p>Ora, o que vemos é a enorme escultura da estátua de São Tiago, em Compostela, que data do século XIII. A escultura mostra um bordão de peregrino do século XIII. Vejam como as cabeças são semelhantes ao meu bordão, embora este seja anterior ao século XIII, por serem do período românico, do século XI ou XII. </p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="737" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/Santiago_de_Compostela-212-Kathedrale-Portalfigur_Jakob-1996-gje-737x1024.jpg" alt="" class="wp-image-41955" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/Santiago_de_Compostela-212-Kathedrale-Portalfigur_Jakob-1996-gje-737x1024.jpg 737w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/Santiago_de_Compostela-212-Kathedrale-Portalfigur_Jakob-1996-gje-216x300.jpg 216w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/Santiago_de_Compostela-212-Kathedrale-Portalfigur_Jakob-1996-gje-768x1067.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/Santiago_de_Compostela-212-Kathedrale-Portalfigur_Jakob-1996-gje-1105x1536.jpg 1105w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/Santiago_de_Compostela-212-Kathedrale-Portalfigur_Jakob-1996-gje-1473x2048.jpg 1473w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/Santiago_de_Compostela-212-Kathedrale-Portalfigur_Jakob-1996-gje-696x967.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/Santiago_de_Compostela-212-Kathedrale-Portalfigur_Jakob-1996-gje-1392x1935.jpg 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/Santiago_de_Compostela-212-Kathedrale-Portalfigur_Jakob-1996-gje-1068x1484.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/Santiago_de_Compostela-212-Kathedrale-Portalfigur_Jakob-1996-gje-1320x1835.jpg 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/Santiago_de_Compostela-212-Kathedrale-Portalfigur_Jakob-1996-gje.jpg 1803w" sizes="auto, (max-width: 737px) 100vw, 737px" /></figure>
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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="927" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/Capa-do-livro-com-as-cabecas-de-leoa-para-comparar-927x1024.jpg" alt="" class="wp-image-41956" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/Capa-do-livro-com-as-cabecas-de-leoa-para-comparar-927x1024.jpg 927w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/Capa-do-livro-com-as-cabecas-de-leoa-para-comparar-272x300.jpg 272w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/Capa-do-livro-com-as-cabecas-de-leoa-para-comparar-768x848.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/Capa-do-livro-com-as-cabecas-de-leoa-para-comparar-696x769.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/Capa-do-livro-com-as-cabecas-de-leoa-para-comparar-1068x1180.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/Capa-do-livro-com-as-cabecas-de-leoa-para-comparar.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 927px) 100vw, 927px" /><figcaption class="wp-element-caption">À esquerda, a estátua de São Tiago que está num dos pórticos da catedral de Santiago de Compostela e à direita a capa do catálogo com a imagem da estátua fotografada com as duas cabeças de leoa adquiridas por Rainer Daehnhardt.</figcaption></figure>
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<p>A atribuição deste conjunto de dois fragmentos aponta, pois, para a possibilidade de terem pertencido àquele a quem poderíamos chamar o «1º europeu» ou, melhor dizendo, o fundador da Europa propriamente dita: o monge cisterciense São Bernardo de Claraval, que escreveu as regras da Ordem do Templo, ordem religioso-militar à qual a rainha D. Teresa deu castelos em Portugal antes da criação da Nação Portuguesa! Também foi São Bernardo de Claraval que preparou tudo para que se construísse uma barreira de cavaleiros desde o Báltico até ao Mar Negro, criando a Ordem Teutónica, em tudo semelhante à Ordem Templária. Estas Ordens foram os grandes baluartes cristãos em armas que garantiram o recuo do Islão desde o século XII até ao século XV.</p>



<p>Voltando aos bordões medievais ainda existentes, dir-se-á que, originais, há apenas dois, ambos em Portugal. Um, <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2024/01/tesouros-da-historia-de-portugal/">o da Rainha Santa Isabel</a></strong>, que é datável do gótico e foi encontrado no seu sarcófago, em Coimbra, aquando da sua abertura, no início do século XVII. Sabemos que a nossa Rainha não o levou a Santiago. Aliás, foi o Arcebispo de Santiago que lho ofereceu, quando ela lá foi em peregrinação.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/bordao-da-rainha-sta-isabel-capa-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-31322" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/bordao-da-rainha-sta-isabel-capa-1024x576.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/bordao-da-rainha-sta-isabel-capa-300x169.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/bordao-da-rainha-sta-isabel-capa-768x432.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/bordao-da-rainha-sta-isabel-capa-1536x864.jpg 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/bordao-da-rainha-sta-isabel-capa-696x392.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/bordao-da-rainha-sta-isabel-capa-1392x783.jpg 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/bordao-da-rainha-sta-isabel-capa-1068x601.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/bordao-da-rainha-sta-isabel-capa.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">fotomontagem</figcaption></figure>



<p>Está completo. A dimensão é adequada a uma senhora pequena. A haste, um tubo de prata enegrecida, com a gravura da vieira peregrina na parte superior. A travessa tem uma cabeça de leoa à esquerda e outra cabeça de leoa à direita. A parte central da cabeça do bordão é uma barra octogonal, em pedra polida. Haste e travessa do bordão estão juntas por arcos de prata. O estado de conservação é magnífico, por quase não ter tido uso. Uma peça ímpar a nível mundial. Encontra-se em boas mãos num museu, em Coimbra. </p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="426" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/bordao-deitado-1024x426.jpg" alt="" class="wp-image-31323" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/bordao-deitado-1024x426.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/bordao-deitado-300x125.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/bordao-deitado-768x320.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/bordao-deitado-1536x639.jpg 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/bordao-deitado-696x290.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/bordao-deitado-1392x579.jpg 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/bordao-deitado-1068x444.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/bordao-deitado.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="509" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/vieira-do-bordao-1024x509.jpg" alt="" class="wp-image-31324" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/vieira-do-bordao-1024x509.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/vieira-do-bordao-300x149.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/vieira-do-bordao-768x382.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/vieira-do-bordao-696x346.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/vieira-do-bordao-1068x531.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/vieira-do-bordao-324x160.jpg 324w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/01/vieira-do-bordao.jpg 1383w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
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<p>O outro é o que adquiri, nas circunstâncias já aqui descritas.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/05/cajados-de-santos-e-rainhas/">CAJADOS DE SANTOS E RAINHAS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>OS IMPOSTOS QUE SEMPRE PAGÁMOS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Feb 2025 00:05:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[imposto de sisa no século XVI]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Recebi há dias a versão digital dos dois volumes do livro O Reino de Portugal em 1527: os contratos das sisas. Referem-se, ao todo, 232 contratos, de bastantes concelhos do País. E esses contratos, importa dizê-lo, mostram como a Coroa (neste caso, el-rei D. João III) acatou a decisão tomada nas Cortes de Torres Novas [&#8230;]</p>
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<p>Recebi há dias a versão digital dos dois volumes do livro <em>O Reino de Portugal em 1527: os contratos das sisas</em>. Referem-se, ao todo, 232 contratos, de bastantes concelhos do País. E esses contratos, importa dizê-lo, mostram como a Coroa (neste caso, el-rei D. João III) acatou a decisão tomada nas Cortes de Torres Novas de 1525 de que, sob a forma de contratos de venda, se transferiria «para os municípios do reino» a «cobrança das rendas das sisas de cada concelho». Mal acomparado era assim a modos do IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) da actualidade.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-full is-resized"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/tt39l8m.png" alt="" class="wp-image-39359" style="width:326px;height:auto"/></figure></div>


<p>Era assim o processo: reunia-se o povo no paço do concelho; <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/02/a-falta-que-fez-um-acordo-ortografico/">anotava-se</a></strong> o nome e profissão de cada um dos presentes; explicava-se-lhes o que el-rei determinara em relação à percepção das sisas; apresentava-se a proposta e, obtido o assentimento acerca dos nomes propostos, lavrava-se o respectivo assento – para que constasse.</p>



<p>«O que eu acho interessante», comentava-me um amigo, «é ficarmos a saber que já se cobrava IMI nos idos de 1500. Hoje, o IMI é o imposto mais odiado pelos portugueses e, convenhamos, com toda a razão. É um imposto injusto e difícil de justificar.&nbsp;O imposto&nbsp;alimentava a corte e os burocratas das Finanças da época. Tudo muito parecido com os nossos dias, afinal».&nbsp;</p>



<p>E perorava:</p>



<p>«Se houvesse informação sobre o montante do imposto sobre determinada propriedade, talvez fosse interessante para comparar com o IMI de hoje».</p>



<p>Neste livro, contudo, o que se narra é o processo de concessão da recepção das <strong><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Sisa">sisas</a></strong>, o tal imposto fundiário. O Rei encarregava os seus oficiais de irem de concelho em concelho, reunirem o Povo, de modo a acordar-se, em assembleia – que diríamos, hoje, ‘democrática’ – em quem é que o Povo depositava confiança para as cobranças. De facto, no fundo, o procedimento hoje mantém-se: o Estado delegou nos municípios a cobrança do IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis), assim como do IUC (Imposto Único de Circulação).</p>



<p>Quanto a eventual comparação com os valores actuais, ainda que aliciante de saber, exigiria cálculos nem sempre fáceis de concretizar, mormente devido às flutuações (oficiais e reais) da moeda e aos valores (oficiais e reais) dos imóveis.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/02/os-impostos-que-sempre-pagamos/">OS IMPOSTOS QUE SEMPRE PAGÁMOS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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