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	<title>Arquivo de História de Alcabideche - Duas Linhas</title>
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		<title>ALCABIDECHE – A FREGUESIA FESTEJOU 182 ANOS!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Jan 2023 21:30:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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<p>Uma sessão variada, que se iniciou com a apresentação de um vídeo a mostrar o que é Alcabideche e o que nele se tem feito em prol da população, nos mais diversos domínios: educação, cultura, acessibilidade, higiene e limpeza, desporto, preservação do ambiente… Cantou Beatriz da Silva, a vencedora da 1ª edição do concurso «Estrelas da Freguesia»; apreciou-se a actuação do Grupo de Dança da Sociedade de Instrução e Recreio de Janes e Malveira (chamado, à boa maneira inglesa – tinha que ser! –«Expression Move»); soubemos que o Clube Desportivo Cascais Crusaders, sediado em Alcabideche, é campeão nacional de futebol americano…</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1274" height="741" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/01/alcabideche.jpg" alt="" class="wp-image-24156"/><figcaption class="wp-element-caption">atuação dos Expression Move</figcaption></figure>



<p>Enfim, o rol de galardões que a Junta de Freguesia entregou – recorde-se que a pandemia impedira celebrações nos dois anos anteriores… – constituiu eloquente amostra do muito em que os fregueses alcabidechenses se têm notabilizado. E isso foi devidamente assinalado nos discursos protocolares dos presidentes da Assembleia de Freguesia, da Junta e da Câmara Municipal.</p>



<p>Apresentou-se, na ocasião, um livrinho de cordel, que foi distribuído aos participantes à saída da sessão. «De cordel», à moda dos livrinhos que outrora os vendedores de rua penduravam, <em>Alcabideche, Uma História de Séculos</em> mais não pretendeu ser, nas suas 16 páginas, do que mui ligeiro sobrevoar do muito que a vetusta freguesia tem para contar, como, por exemplo, no minucioso volume, de perto de 500 páginas, <em>Registo Fotográfico de Alcabideche e Alguns Apontamentos Histórico-Administrativos</em> também ele edição da Junta, em 2009,os seus autores<em>, </em>Guilherme Cardoso, Jorge Miranda e Carlos A. Teixeira souberam demonstrar.</p>



<p>Como houve oportunidade de referir, não poderia agora resumir-se em tão poucas páginas a riquíssima história de uma Freguesia que, se tem 182 anos como Freguesia, como povoação tem muitos mais. O certo é que essa idade – acrescentou-se, preza a sua importância e a sua identidade. Sempre se distinguiu da vila de Cascais, sempre se manteve autónoma. Criou cedo a sua corporação de bombeiros. Teve núcleos revolucionários e tem tradição que não enjeita a modernidade. As suas gentes de Biscaia, Figueira do Guincho e Almoinhas Velhas partilham-se entre a agricultura e a pesca (os seus nomes daí derivam), mas Alcabideche não hesitou em ter um autódromo, o primeiro grande <em>shopping</em> do País, o hospital (os hospitais, aliás). Gente esforçada, que dos terrenos pedregosos sabia colher o pão. Por isso, Ibne Mucana, no longínquo séc. XI, farto do luxo ilusório das cortes da Andaluzia, quis regressar à sua terra natal, onde havia vento, sim – que os moinhos bem aproveitaram. Hoje, que tanto se fala em energia eólica, Alcabideche foi pioneiro e um dos seus filhos, José Roquete, inventou moinhos que se divulgaram pelo mundo!</p>



<p>E tem água, que Alcabideche quer dizer isso mesmo, o manancial aqui jorra; Atrozela, o seu nome deriva de ser aí a mãe de água.</p>



<p>Lá virá o tempo em que se recuperará a sua azenha. La virá o tempo em que se recuperarão alguns dos seus bonitos e bem estruturados casais saloios. Lá vira o tempo em que mais se falará dos seus vestígios romanos. Por agora, é também o tempo em que Alcabideche se distingue pela excelência dos seus restaurantes. E S. Vicente, o seu padroeiro (como também o é de Lisboa) e a sua ligação à Senhora do Cabo, à Festa do Divino Espírito Santo são penhor duma terra que brilhantemente se preza das suas tradições e as sabe viver. Este singelo livrinho aí está para algumas recordar!</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/01/Image1-1.jpg" alt="" class="wp-image-24158"/><figcaption class="wp-element-caption">joão Aníbal Henriques e José d&#8217;Encarnação</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><em>Al-Qabdaq</em></h2>



<p>Poderá ter sido este o nome árabe de Alcabideche, <em>Al-Qabdaq</em>. Retomámo-lo em 1990 para ser o título do Boletim Cultural da Junta. Publicou-se no ano seguinte contendo o livro de uma poetisa ligada à freguesia; Isolina Alves Santos, e, em 1992, o nº 3 conteve a obra completa de Ibne Mucana, traduzida pela saudosa professora de Árabe da Universidade de Alicante, María Jesús Rubiera Mata.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img decoding="async" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/01/al-qabdaq.jpg" alt="" class="wp-image-24157" width="533" height="743"/></figure></div>


<p>O boletim não teve, por enquanto, seguimento e o nome foi agora ‘recuperado’ no livro de João Aníbal Henriques, <em>Al-Qabdaq – Memorial Histórico de Alcabideche,</em> apresentado, na noite de sexta-feira, 27, na igreja matriz da freguesia, que esteve repleta de gente. Apresentou o volume Pedro Mota Soares, presidente da Assembleia Municipal e os presidentes da Junta e do Município, José Filipe Ribeiro e Carlos Carreiras (respectivamente) – este último autor do prefácio, enquanto a José Ribeiro coubera a «Abertura» – tiverem palavras de muito apreço pelo empenho posto pelo autor na elaboração deste trabalho, que se apresenta denso de texto e sem ilustrações. O próprio João Aníbal contou do percurso feito para chegar a este objectivo.</p>



<p>Vale a pena dar conta dos títulos dos capítulo desta ‘viagem’ pela historia e pelo território da freguesia, uma viagem sedutora, a que não faltam toques de encantadora poesia, que já desses títulos se desprende:´</p>



<p>– «Um Alcabideche perdido nas brumas do tempo»;</p>



<p>– «Na penha verdejante da tradição»;</p>



<p>– «Al-Qabdaq no dealbar da História»;</p>



<p>– «Na rota saloia que define Portugal»;</p>



<p>– «Origens e tradições dos saloios de Alcabideche»;</p>



<p>– «Arquitectura de cenário ou o cenário de Alcabideche»;</p>



<p>– «Aspectos decorativos nas casas saloias de Alcabideche»;</p>



<p>– «Saloios orgulhosos!».</p>



<p>Três páginas de bibliografia completam o volume, com cuja publicação muito nos congratulamos.</p>
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