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	<title>Arquivo de golpe de Estado na Guiné-Bissau - Duas Linhas</title>
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	<description>Informação online</description>
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	<title>Arquivo de golpe de Estado na Guiné-Bissau - Duas Linhas</title>
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		<title>SOBRE O GOLPE DE 26 DE NOVEMBRO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João de Deus]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Feb 2026 11:28:20 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[instabilidade política na Guiné-Bissau]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nenhum patriota deseja que intervenções militares se tornem norma política</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A análise da crise na Guiné-Bissau não pode ser feita de forma seletiva. O <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/guine-bissau-golpe-consumado/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2025/12/guine-bissau-golpe-consumado/">26 de Novembro de 2025</a></strong> não surgiu no vazio. Foi precedido por um clima político altamente inflamado, por discursos de crescente radicalização identitária e por uma polarização que ameaçava transbordar para além do plano institucional.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>Um país à beira da fratura</strong></h4>



<p>A Guiné-Bissau não vive apenas crises políticas; vive crises acumuladas de legitimidade institucional. No período pré-eleitoral observavam-se sinais claros de instrumentalização de fatores étnicos e religiosos, com tentativas evidentes de mobilização segmentada no seio das Forças de Defesa e Segurança.</p>



<p>Num país onde a classe castrense sempre teve peso estrutural, qualquer sinal de alinhamento político identitário dentro dos quartéis constitui fator de risco sistémico. Ignorar este contexto é produzir uma leitura incompleta da realidade.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>A estratégia de polarização</strong></h4>



<p>Não se pode escamotear que setores ligados a Domingos Simões Pereira e a Fernando Dias foram acusados de recorrer a uma narrativa identitária como instrumento de mobilização política.</p>



<p>A tentativa de transformar maiorias sociológicas em maiorias militares teria consequências imprevisíveis. A história recente da Guiné-Bissau demonstra que fraturas dentro das Forças Armadas raramente terminam de forma pacífica. O risco de confrontação era real.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>Suspeitas que agravaram o ambiente</strong></h4>



<p>Circularam amplamente imagens e relatos associando figuras da campanha da oposição a indivíduos referenciados em investigações sobre narcotráfico. Não cabe aqui substituir tribunais. Contudo, num Estado frágil, a perceção pública de infiltração criminosa no processo político agrava exponencialmente a instabilidade.</p>



<p>O silêncio sobre estes elementos distorce o debate.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>O 26 de Novembro como contenção</strong></h4>



<p>É legítimo defender que a democracia se constrói com eleições. Contudo, eleições realizadas num ambiente de fratura institucional profunda podem funcionar como detonador, e não como solução. Para muitos setores da sociedade, o 26 de Novembro representou uma contenção de emergência destinada a evitar um confronto aberto entre fações políticas e segmentos armados. A alternativa poderia ter sido um cenário de violência generalizada, com consequências catastróficas.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>O processo interrompido</strong></h4>



<p>Sob a liderança de Umaro Sissoco Embaló, o país registava sinais de reorganização institucional e de afirmação diplomática externa. Havia desafios estruturais, sem dúvida. Mas também existia um processo de estabilização em curso. A disputa eleitoral radicalizada ameaçava comprometer esse percurso.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>O verdadeiro desafio</strong></h4>



<p>A questão central não é glorificar soluções de exceção. Nenhum patriota deseja que intervenções militares se tornem norma política.</p>



<p>O desafio consiste em transformar o episódio de 26 de Novembro numa oportunidade de <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/02/crise-na-guine-bissau-mercenarios-digitais-degradacao-do-debate-democratico/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/02/crise-na-guine-bissau-mercenarios-digitais-degradacao-do-debate-democratico/">auditoria transparente</a></strong> ao processo eleitoral, esclarecimento das alegações de instrumentalização identitária, garantias públicas de neutralidade das Forças Armadas, compromisso formal de todas as forças políticas com a paz civil e construção de um pacto republicano duradouro.</p>



<p>Sem resolver as causas estruturais da instabilidade, novas eleições poderão apenas reproduzir as mesmas tensões. A Guiné-Bissau esteve perigosamente próxima de uma fratura interna profunda. Reduzir o 26 de Novembro a uma leitura simplista ignora os fatores que precipitaram a crise.</p>



<p>A democracia exige mais do que eleições; exige instituições sólidas, cultura republicana e responsabilidade coletiva. O momento atual não deve ser explorado para polarizações adicionais, mas para uma reconstrução séria do consenso nacional.</p>



<p>O país precisa menos de narrativas parciais e mais de compromisso histórico. A alternativa é regressar ao ciclo vicioso que todos afirmam querer evitar.</p>
</div></div>



<p></p>
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		<title>CRISE NA GUINÉ-BISSAU, MERCENÁRIOS DIGITAIS, DEGRADAÇÃO DO DEBATE DEMOCRÁTICO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João de Deus]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Feb 2026 00:00:10 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Domingos Simões Pereira]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de Estado na Guiné-Bissau]]></category>
		<category><![CDATA[Umaro Sissoco Embaló]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pode um ex-Presidente da República ser privado do direito elementar de regressar à sua pátria?</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Numa democracia autêntica, a pluralidade de opiniões e de posicionamentos políticos não é apenas tolerada: é condição essencial da liberdade. Todavia, essa pluralidade só subsiste quando assente no respeito mútuo, na dignidade da pessoa humana e na aceitação do contraditório. Fora desses limites, a liberdade de expressão degenera em insulto, intimidação e violência simbólica.</p>



<p>Infelizmente, a vida política guineense conheceu, nos últimos anos, uma degradação profunda do debate público. Essa degradação não surgiu de forma espontânea nem acidental. Ela acompanha a ascensão de uma lógica política marcada pelo personalismo extremo, pela intolerância interna e pelo uso sistemático da agressão verbal como método de ação política.</p>



<p>Com a centralidade assumida por Domingos Simões Pereira na arena política nacional, instaurou-se uma cultura de confronto permanente que banalizou o insulto, legitimou a provocação e normalizou campanhas de ódio, sobretudo através das redes sociais. A política deixou de ser espaço de ideias para se transformar, demasiadas vezes, em arena de linchamento moral.</p>



<p>Desse ambiente emergiram os chamados mercenários digitais: grupos organizados, disciplinados e frequentemente telecomandados, cuja missão não é debater propostas ou projetos para o país, mas vigiar, intimidar, insultar e silenciar cidadãos guineenses que ousam pensar diferente. O que começou como agressividade verbal evoluiu para práticas ainda mais graves: perseguições pessoais, tentativas de agressão física e a construção de uma perigosa lógica de classificação dos cidadãos segundo a sua fidelidade política.</p>



<p>Muitos desses agentes operam a partir de capitais europeias, vivendo uma relação ambígua com a Guiné-Bissau: afastados fisicamente do país, mas profundamente envolvidos numa militância tóxica. Incapazes — ou indispostos — a regressar, optam por transformar a frustração pessoal em hostilidade política, colocando-se ao serviço de campanhas de intimidação contra compatriotas que, por razões profissionais, institucionais ou pessoais, circulam entre a Guiné-Bissau e a Europa.</p>



<p>Os factos são públicos e preocupantes. Personalidades guineenses com percurso conhecido e contributo efetivo para o país tornaram-se alvos de insultos, ameaças e tentativas de agressão. O seu único “pecado” foi nunca terem abdicado de pensar com autonomia nem de servir a pátria fora das lógicas de submissão política.</p>



<p>Este comportamento não é um fenómeno isolado. Ele reflete uma cultura política mais profunda, cuja origem está na crise interna do PAIGC e na forma como este foi progressivamente capturado por uma liderança que passou a confundir partido histórico com projeto pessoal.</p>



<p>Pela lógica estratégica adotada pelos correligionários de Domingos Simões Pereira, a Guiné-Bissau deveria aceitar a existência de cidadãos de primeira, de segunda e até de terceira categoria. Na sua ótica, tudo começa e termina nele: depois dele, é o dilúvio. Esta visão excludente traduziu-se na apropriação do PAIGC, na expulsão sistemática de opositores internos e na eliminação de qualquer espaço real de debate democrático dentro do partido.</p>



<p>Mais grave ainda, Domingos Simões Pereira nunca prestou contas de forma clara, regular e transparente aos órgãos estatutários do partido. A ausência de prestação de contas — princípio elementar de qualquer organização política séria — tornou-se regra. A isso somam-se denúncias recorrentes, nunca devidamente esclarecidas, sobre a alienação de bens do partido, incluindo viaturas alegadamente vendidas por familiares próximos. Independentemente da conclusão factual, o silêncio e a opacidade constituem, por si só, uma falha ética e política grave.</p>



<p>É essa mesma lógica — autoritária no interior do partido e agressiva no espaço público — que explica a intolerância face a qualquer iniciativa cívica que escape ao controlo do seu círculo político. Recentemente, um grupo de cidadãos guineenses solicitou audiência ao Presidente da República de Transição com o objetivo de discutir um plano que viabilize o regresso ao país do ex-Presidente Umaro Sissoco Embaló. O simples exercício desse direito constitucional desencadeou uma avalanche de insultos e ataques pessoais promovidos pelos mesmos circuitos digitais organizados.</p>



<p>Colocam-se, por isso, questões fundamentais para qualquer Estado de Direito: é ilegítimo que cidadãos defendam publicamente a libertação de Domingos Simões Pereira? Pode um ex-Presidente da República ser privado do direito elementar de regressar à sua pátria? É crime lutar politicamente pelo regresso ao país de um cidadão que exerceu legitimamente o cargo de Presidente da República?</p>



<p>Numa democracia, a resposta só pode ser negativa. O que é ilegítimo não é defender posições políticas, mesmo divergentes ou controversas, mas sim recorrer ao insulto, à intimidação e à perseguição como método de ação política.</p>



<p>A Guiné-Bissau enfrenta hoje um desafio central: restaurar a ética do debate público. Sem respeito pelo pluralismo, sem aceitação do contraditório e sem rejeição clara da violência verbal e simbólica, não haverá reconciliação nacional nem futuro institucional estável. Partidos históricos não podem ser transformados em propriedades privadas, e a política não pode continuar refém de projetos pessoais travestidos de causas nacionais.</p>



<p>Sem ruptura com estas práticas, não haverá democracia plena, apenas conflito permanente e degradação institucional.</p>
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		<title>MILITARES PROCLAMAM NOVA CONSTITUIÇÃO DA GUINÉ-BISSAU</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Jan 2026 13:02:16 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Constituição da Guiné-Bissau]]></category>
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		<category><![CDATA[nova Constituição na Guiné-Bissau]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O regime passa a presidencialista, o centro efetivo do poder político se encontra numa única figura institucional.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ao longo dos 54 anos de existência enquanto Estado independente, a Guiné-Bissau foi palco de sucessivas crises políticas, institucionais e governativas. Uma análise honesta da história constitucional do país revela que uma das causas estruturais das crises tem sido o conflito recorrente de competências e legitimidades entre o Presidente da República e o Primeiro-Ministro, típico de um semipresidencialismo mal estabilizado, marcado por ambiguidades constitucionais, fragilidade partidária e ausência de cultura de compromisso institucional.</p>



<p>Este dado histórico é essencial para compreender o contexto em que surge a nova Constituição aprovada pelo Conselho Nacional de Transição. É legítimo reconhecer que a repetição de bloqueios entre Presidência e Governo — frequentemente acompanhados de dissoluções parlamentares, quedas de executivos e intervenções militares — criou, ao longo do tempo, a perceção de que o modelo vigente era incapaz de garantir estabilidade governativa duradoura. Foi precisamente essa leitura que serviu de base política e conceptual à atual revisão constitucional, orientada para eliminar os focos de conflito no vértice do Executivo.</p>



<p>Todavia, a forma escolhida para responder a esse problema histórico levanta sérias reservas. A nova Constituição opta por uma presidencialização extrema do sistema, concentrando no Presidente da República as funções de Chefe de Estado e de Chefe do Governo. O Presidente passa a dirigir diretamente o Executivo, a presidir ao Conselho de Ministros, a coordenar e orientar os ministros e a nomear e exonerar todo o Governo. Embora o texto continue a qualificar o regime como semipresidencialista, na prática institui-se um modelo hiperpresidencialista, no qual o centro efetivo do poder político se encontra numa única figura institucional, de resto, semelhante em muitos aspetos a outras constituições de países vizinhos, como, por exemplo, a do Senegal.</p>



<p>Como consequência direta dessa opção, verifica-se a subordinação política e funcional do Primeiro-Ministro. Tradicionalmente concebido como Chefe do Governo e responsável pela condução da política geral do país, o Primeiro-Ministro perde autonomia política e transforma-se num agente executor das orientações presidenciais. Esta reconfiguração altera profundamente a lógica do Executivo, enfraquece a colegialidade governativa e reduz o papel do Parlamento enquanto instância efetiva de controlo político do Governo.</p>



<p>A terceira dimensão crítica reside na legitimidade jurídico-constitucional do processo de revisão. A nova Constituição foi aprovada por um órgão de transição, não eleito, num contexto de rutura institucional subsequente aos acontecimentos de 26 de novembro de 2025.</p>



<p>Ainda que a instabilidade crónica do passado sirva de pano de fundo explicativo, ela não elimina as interrogações legítimas sobre o respeito pelo princípio da soberania popular e sobre a durabilidade de um pacto constitucional produzido fora dos mecanismos ordinários de revisão previstos na ordem constitucional anterior.</p>



<p>É inegável que o novo texto procura responder a um problema real da história política guineense: os conflitos permanentes entre Presidente e Primeiro-Ministro. Contudo, eliminar o conflito institucional através da supressão do equilíbrio de poderes pode resolver um problema imediato, mas criar outros mais profundos no médio e longo prazo.</p>



<p>A experiência comparada em África demonstra que a concentração excessiva de poder no Executivo presidencial tende a fragilizar os mecanismos de responsabilização, a reduzir o pluralismo político e a aumentar o risco de novas crises, ainda que sob formas diferentes.</p>



<p>A Guiné-Bissau encontra-se, assim, perante um dilema central: corrigir as disfunções do passado sem comprometer os princípios fundamentais do Estado de Direito. Uma Constituição deve ser simultaneamente um instrumento de estabilidade e um garante de equilíbrio institucional. Responder às crises históricas exige reformas ponderadas, não soluções que substituam conflitos de poder por hegemonias de poder.</p>
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		<title>GUINÉ-BISSAU: DA ESPERANÇA À DESILUSÃO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Dec 2025 00:00:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<category><![CDATA[Guiné-Bissau corta com CPLP]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>2026 na Guiné-Bissau é página em branco</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>À entrada de 2026, a Guiné-Bissau enfrenta um momento de profunda incerteza política e institucional. A esperança gerada pelo processo eleitoral de 23 de novembro de 2025 transformou-se rapidamente numa crise que expõe fragilidades estruturais do Estado, erosão da confiança nas instituições e um padrão histórico de instabilidade que o país não consegue romper.</p>



<p>O calendário eleitoral de 2025 tinha origem num contexto de forte tensão política. A dissolução repetida do Parlamento, disputas sobre a legitimidade dos mandatos e exclusão de partidos significativos como o PAIGC do processo eleitoral criaram desde logo um ambiente de desconfiança.</p>



<p>As eleições presidenciais e legislativas realizadas em 23 de novembro foram alvo de críticas diversas por parte de observadores nacionais e internacionais, sobretudo devido à exclusão de forças políticas relevantes e à polarização crescente.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O Golpe de Estado</strong> </h4>



<p>A poucas horas da divulgação dos resultados provisórios — prevista para 27 de novembro — um grupo de oficiais militares tomou o poder, suspendendo o processo eleitoral. A sede da Comissão Nacional Eleitoral foi atacada, os materiais e computadores com os resultados foram apreendidos ou destruídos, vários líderes políticos, incluindo o presidente Úmaro Sissoco Embaló, foram detidos ou forçados a deixar o país.</p>



<p>O chamado Alto Comando Militar para a Restauração da Segurança Nacional e Ordem Pública proclamou um período transitório de um ano, com o general Horta Inta-á como chefe do executivo militar. Todos os poderes constitucionais foram suspensos, as fronteiras fechadas e um toque de recolher imposto.</p>



<p>O golpe — definido como tal pela maioria das organizações internacionais — tem sido objeto de interpretações divergentes em Bissau: para os militares que o lideraram, a intervenção foi justificada como necessária para evitar uma alegada manipulação dos resultados e a escalada de conflitos políticos internos; para sectores da oposição e da sociedade civil guineense, trata-se de um “golpe falso”, um estratagema político encenado para impedir a conclusão de um processo eleitoral desfavorável e perpetuar a influência de elites pré-existentes.</p>



<p>Há ainda uma resignação generalizada entre grande parte da população, refletindo cansaço face a um padrão repetido de instabilidade aos mais altos níveis do Estado.</p>



<p>Organizações regionais como a CEDEAO e a União Africana têm manifestado preocupação, convocando sessões de emergência para discutir a situação e apelando à restauração da ordem constitucional e à conclusão do processo eleitoral. A CPLP suspendeu a Guiné-Bissau que era quem exercia a Presidência rotativa da organização.</p>



<p>Apesar disso, observadores internacionais dizem que as sanções mais duras, que poderiam criar verdadeiros incentivos para a restauração democrática, ainda não foram aplicadas pelos principais parceiros.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Repressão sobre líderes políticos</strong></h4>



<p>Um mês após o golpe, o ambiente político e social mantém-se tenso. Relatórios de repressão, detenção de opositores e violência contra activistas evidenciam um cenário em que o espaço cívico está cada vez mais constrangido, com limitações importantes à liberdade de expressão e mobilização.</p>



<p>À entrada de 2026, as questões fundamentais permanecem sem resposta: como reestabelecer um processo eleitoral legítimo? Como garantir a separação efectiva de poderes? Como reconstruir a confiança dos cidadãos no Estado de direito?</p>



<p>Se houve um elemento que marcou 2025 na Guiné-Bissau, foi a confirmação de que a simples realização de eleições — ainda que desejada e convocada — não é, por si só, garantia de estabilidade ou de legitimidade democrática. Sem instituições fortes, transparentes e com amplo apoio popular, o risco de ciclos repetidos de conflito continua elevado.</p>



<p>Para os guineenses, o Ano Novo é, portanto, mais uma página em branco — mas também um chamado urgente à reflexão profunda sobre a necessidade de reformas políticas e constitucionais que possam, finalmente, romper com um passado pouco democrático, marcado por revoltas.</p>



<p></p>
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		<title>CPLP EM CONTRAMÃO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Óscar Barbosa "Cancan"]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Dec 2025 11:44:50 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[golpe de Estado na Guiné-Bissau]]></category>
		<category><![CDATA[Guiné-Bissau corta com CPLP]]></category>
		<category><![CDATA[instabilidade política na Guiné-Bissau]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>"O Estado guineense não rompe com a CPLP por capricho, mas por princípio"</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/cplp-em-contramao/">CPLP EM CONTRAMÃO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>As recentes declarações do Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, sobre a situação política na Guiné-Bissau constituem um episódio politicamente infeliz e diplomaticamente irresponsável. Num momento em que a região exige prudência, escuta ativa e mediação serena, optar por declarações públicas inflamadas equivale a lançar gasolina sobre o fogo, quando o dever de um estadista deveria ser o de contribuir para a contenção da crise e a promoção do diálogo.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="644" height="293" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/gb-2.png" alt="" class="wp-image-46065" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/gb-2.png 644w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/gb-2-300x136.png 300w" sizes="(max-width: 644px) 100vw, 644px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/estranhas-noticias-sobre-a-guine-bissau/">ESTRANHAS NOTÍCIAS SOBRE A GUINÉ-BISSAU</a></figcaption></figure></div>


<p>A gravidade destas declarações não reside apenas no seu conteúdo, mas sobretudo no contexto em que foram produzidas. Moçambique enfrenta, ele próprio, desafios profundos de natureza política, social e securitária. Esperava-se, por isso, maior sensibilidade, moderação e respeito pela complexidade da realidade guineense. O que se seguiu — uma vaga de condenações apressadas — expôs um problema ainda mais sério: a precipitação política da CPLP.</p>



<p>A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa posicionou-se sem cumprir um princípio elementar da diplomacia multilateral: avaliar antes de julgar. Não foi enviada qualquer missão independente de averiguação ao terreno, não houve escuta institucional do Estado guineense, nem esforço visível de compreensão das causas profundas que conduziram ao atual quadro político. Em vez de diálogo, optou-se pela sentença sumária.</p>



<p>Este comportamento é tanto mais grave quanto a Guiné-Bissau não é um país recém-chegado à cena internacional, nem um Estado sem história. São 53 anos de independência, marcados por luta, resistência, erros, aprendizagens e sacrifícios. Ignorar este percurso é não compreender o país. Mais ainda: fazê-lo quando a Guiné-Bissau exerce a Presidência em Exercício da CPLP representa uma quebra clara das regras do jogo institucional.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="941" height="139" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/cplp-gb.png" alt="" class="wp-image-46079" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/cplp-gb.png 941w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/cplp-gb-300x44.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/cplp-gb-768x113.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/cplp-gb-696x103.png 696w" sizes="(max-width: 941px) 100vw, 941px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte https://secretariadoexecutivo.cplp.org/informacoes/noticias/noticias-detalhe/?id=23244</figcaption></figure></div>


<p>A Presidência em Exercício não é um detalhe protocolar; é um pilar do funcionamento da Organização. Ao excluir a Guiné-Bissau de reuniões e decisões, a CPLP violou os seus próprios Estatutos, que consagram a igualdade soberana dos Estados membros, a participação plena e a concertação político-diplomática. Este desrespeito não atinge apenas Bissau — atinge a credibilidade da CPLP enquanto organização internacional.</p>



<p>Curiosamente, a CEDEAO, frequentemente acusada de rigidez, demonstrou na sua última Cimeira uma postura mais equilibrada. Embora tenha formulado reparos e preocupações legítimas, evitou condenações automáticas e manteve aberta a via do acompanhamento político e do diálogo. A comparação é inevitável e desfavorável à CPLP.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img decoding="async" width="638" height="147" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/gb-1.png" alt="" class="wp-image-46068" style="width:638px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/gb-1.png 638w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/gb-1-300x69.png 300w" sizes="(max-width: 638px) 100vw, 638px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/dizer-que-umaro-sissoco-embalo-organizou-o-golpe-de-estado-e-mentir/">«DIZER QUE UMARO SISSOCO EMBALÓ ORGANIZOU O GOLPE DE ESTADO É MENTIR»</a></figcaption></figure></div>


<p>É neste contexto que deve ser lida a decisão do Governo da Guiné-Bissau de auto-suspender a sua participação nas atividades da CPLP, anunciada a 15 de dezembro de 2025 pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e das Comunidades. Trata-se de uma decisão soberana, politicamente firme e juridicamente fundamentada.</p>



<p>Ao invocar as reiteradas violações dos Estatutos, a ausência de transparência processual e o não reconhecimento da Guiné-Bissau na sua qualidade de Presidente em Exercício, o Estado guineense não rompe com a CPLP por capricho, mas por princípio. A suspensão é um gesto de dignidade institucional e um sinal claro de que a soberania não é negociável.</p>



<p>Este episódio revela uma contradição profunda da CPLP: proclama valores elevados — solidariedade, diálogo, respeito mútuo — mas falha na sua aplicação quando confrontada com crises políticas reais. Uma organização que não respeita os seus próprios mecanismos internos dificilmente pode exigir legitimidade aos seus membros.</p>



<p>A Guiné-Bissau não pede privilégios. Exige apenas o cumprimento rigoroso dos Estatutos e o respeito pela sua condição soberana. Até que isso aconteça, a suspensão da participação guineense é não apenas legítima, mas politicamente necessária.</p>



<p>A CPLP está, assim, perante uma escolha clara: corrigir o rumo, restaurar a legalidade interna e reafirmar a sua utilidade, ou continuar a perder relevância, credibilidade e autoridade moral no espaço&nbsp;lusófono.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="678" height="894" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/comunicado-gb.jpg" alt="" class="wp-image-46073" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/comunicado-gb.jpg 678w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/comunicado-gb-228x300.jpg 228w" sizes="auto, (max-width: 678px) 100vw, 678px" /><figcaption class="wp-element-caption">comunicado do Governo da Guiné-Bissau onde se auto-suspende da CPLP</figcaption></figure></div>


<p></p>
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		<title>«DIZER QUE UMARO SISSOCO EMBALÓ ORGANIZOU O GOLPE DE ESTADO É MENTIR»</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Dec 2025 00:00:31 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[crise política na Guiné-Bissau]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de Estado na Guiné-Bissau]]></category>
		<category><![CDATA[João Bernardo Vieira]]></category>
		<category><![CDATA[revista Jeune Afrique]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>João Bernardo Vieira fala sobre o golpe, as negociações com a CEDEAO e o destino dos opositores detidos.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros a 29 de novembro, após o estranho golpe que derrubou Umaro Sissoco Embaló, João Bernardo Vieira fala sobre o golpe, as negociações com a CEDEAO e o destino dos opositores detidos.</p>



<p>Ele é um dos rostos civis do novo poder em Bissau. João Bernardo Vieira, de 48 anos, foi nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros três dias após a queda de Umaro Sissoco Embaló por uma junta militar, a 26 de novembro, na véspera do anúncio dos resultados das presidenciais e das legislativas.</p>



<p>Ele próprio foi candidato à magistratura suprema, João Bernardo Vieira é o depositário de uma história familiar que resume a instabilidade que corrói o país. Deve o seu nome ao tio, «Nino» Vieira, herói da guerra de independência e autor, em 1980, do primeiro golpe de Estado que o país conheceu. Primeiro presidente eleito em 1994, teve um fim violento, assassinado por militares em 2009, após ter passado mais de vinte anos à frente do país. «É uma fonte de inspiração para mim e é preciso respeitar a sua história», diz hoje João Bernardo Vieira.</p>



<p>O novo ministro também conhece bem os opositores detidos na sequência do golpe. Entre 2014 e 2020, foi porta-voz do poderoso Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e de Cabo Verde (PAIGC) e durante muito tempo assegurou a comunicação do líder do partido, Domingos Simões Pereira (DSP), em detenção desde o golpe de força. Hoje, as suas relações são más. «Estamos a trabalhar com a CEDEAO para que sejam libertados o mais rapidamente possível», promete ele, apesar de tudo. Quanto às suspeitas insistentes sobre um golpe de Estado que alguns supõem ter sido orquestrado por Umaro Sissoco Embaló em maus lençóis nas urnas, ele garante que «isso é mentira».</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>A ENTREVISTA</strong><img loading="lazy" decoding="async" width="150" height="41" class="wp-image-45917" style="width: 150px;" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/jeune-afrique-logo.png" alt="A ENTREVISTA"></h4>



<p>Jeune Afrique: A CEDEAO pediu « que se permita ao processo eleitoral chegar à sua conclusão lógica ». O que lhes respondeu?</p>



<p>João Bernardo Vieira: <strong>Que isso não depende de nós, mas da Comissão Nacional de Eleições [CNE]. E a CNE estabeleceu que, tecnicamente, já não é capaz de restabelecer o processo eleitoral, pois as actas das eleições foram levadas, tornando impossível a publicação dos resultados.</strong></p>



<p>&#8211; No entanto, o chefe dos observadores da União Africana durante a dupla votação, o antigo presidente de Moçambique Filipe Nyusi, afirmava que « há resultados e [que] esses resultados devem ser publicados ».</p>



<p>&#8211; <strong>É a opinião dele. Nós temos uma instituição competente para se pronunciar e publicar os resultados: a CNE. Filipe Nyusi deve respeitar essa instituição. Se ela diz não estar em condições para o fazer, quem é ele para garantir o contrário?</strong></p>



<p>&#8211; A missão da CEDEAO poderia participar numa nova compilação dos resultados?</p>



<p>&#8211; <strong>A Guiné-Bissau é um país soberano e esse não é papel da CEDEAO. Não penso que tenham todos os elementos para o fazer, e seria uma falta de confiança para connosco. Em qualquer caso, isso não faria sentido.</strong></p>



<p>&#8211; Devem realizar-se novas negociações antes da cimeira da CEDEAO de 14 de dezembro?</p>



<p>&#8211; <strong>Estamos disponíveis para trabalhar num plano que garanta uma transição de no máximo um ano, com o objetivo de devolver o poder aos civis através de novas eleições livres.</strong></p>



<p>&#8211; No entanto, circulam atas da presidência, sugerindo resultados favoráveis a Fernando Dias, em detrimento de Umaro Sissoco Embaló. Será que este golpe foi organizado pelo presidente cessante para colocar militares no poder em vez de o transmitir aos seus opositores?</p>



<p>&#8211; <strong>É uma mentira. Umaro Sissoco Embaló não cedeu o poder aos militares, isso não faz sentido nenhum. Se ele pudesse manter-se no poder, teria permanecido. A menos que nos mostrem provas de que se trata de um golpe de Estado falso, não acreditamos nisso. Candidatei-me à presidência e, como qualquer candidato, tenho as minhas próprias actas das eleições. Mas as únicas que são oficiais são as compiladas pela CNE. Essas actas que mencionam e que dariam Fernando Dias na liderança, não são a interpretação correcta da situação.</strong></p>



<p>&#8211; Vários observadores afirmam também que se trata de um golpe de Estado fictício. Até o antigo presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, mencionou uma encenação e afirmou que o que aconteceu «não foi um golpe de Estado»…</p>



<p>&#8211; <strong>Goodluck Jonathan faz afirmações sem fundamento e isso coloca em causa a sua credibilidade. Lamento as suas declarações.</strong></p>



<p>&#8211; Segundo as nossas informações, esteve em contacto com Umaro Sissoco Embaló desde a sua saída do país. É verdade?</p>



<p>&#8211; <strong>Não.</strong></p>



<p>&#8211;&nbsp; Que pensar dos rumores que circulam sobre o seu possível regresso a Bissau?</p>



<p>&#8211; <strong>Não tenho informações sobre isso. Acho que, se ele regressar, será quando novas eleições forem organizadas</strong>.</p>



<p>&#8211; É crucial para a Guiné-Bissau manter boas relações com os seus parceiros externos. Que garantias pretende lhes dar para os tranquilizar?</p>



<p>&#8211; <strong>É preciso dizer-lhes a verdade. Desde o advento do multipartidarismo, os partidos políticos não nos têm permitido viver verdadeiramente em democracia. Só conhecemos problemas. Este ano de transição deve permitir-nos levar a cabo as reformas necessárias: da Constituição, da lei eleitoral, da lei-quadro dos partidos políticos, da administração… Precisamos delas para assegurar a estabilidade.</strong></p>



<p>&#8211; Segundo as nossas informações, contactou o Primeiro-ministro do Níger, Ali Lamine Zeine, e o seu homólogo do Mali, Abdoulaye Diop. Seria este o início de uma aproximação à Aliança dos Estados do Sahel (AES), ou até uma mensagem dirigida à CEDEAO?</p>



<p>&#8211; <strong>Não se trata de enviar uma mensagem à CEDEAO ou a qualquer outra pessoa. Queremos trabalhar com a CEDEAO. Mas temos relações com o Níger e o Mali há anos, e é perfeitamente normal que continuemos. Pretendemos reforçar as nossas relações com todos.</strong></p>



<p>&#8211; O que aconteceu aos opositores desde o golpe de Estado? Incluindo com a Nigéria, que ofereceu a sua proteção a Fernando Dias?&nbsp;</p>



<p>&#8211; <strong>Sim, isso não prejudicará a nossa relação. Falei com o meu homólogo nigeriano, Youssouf Touga. Nada poderá estragar a relação entre a Nigéria e a Guiné-Bissau.&nbsp;</strong></p>



<p>&#8211; O destino dos opositores detidos suscita grandes preocupações. Por que manter Domingos Simões Pereira, Octávio Lopes ou mesmo Roberto M’Besba em detenção?</p>



<p>&#8211; <strong>O Alto Comando Militar negoceia para que sejam libertados o mais rapidamente possível, inclusive com a CEDEAO.&nbsp;</strong></p>



<p>&#8211; Os advogados salientam que foram detidos fora de qualquer enquadramento legal e que não puderam visitá-los. Do que são acusados?</p>



<p>&#8211; <strong>Não tenho elementos para responder a essa pergunta.</strong>&nbsp;</p>



<p>&#8211; São homens que conhece bem, uma vez que foi porta-voz do PAIGC durante muitos anos… As suas famílias denunciaram maus tratos na detenção. O que lhes responde?</p>



<p>&#8211; <strong>Eles não sofrem maus-tratos e comem corretamente. Posso assegurar-lhes que estão de boa saúde.</strong></p>



<p>&#8211; Diz que lamenta a fragilidade em que este novo golpe de Estado mergulha o país. Porque é que aceitou entrar no governo?</p>



<p>&#8211; <strong>Eu tinha duas opções: ou ficava em casa a lamentar-me, ou aceitava ajudar a Guiné-Bissau a regressar ao caminho da paz e da estabilidade. Ao aceitar este cargo, posso trabalhar pela reconciliação. É por isso que aceitei, por patriotismo e apesar de se tratar de um regime militar, um facto sobre o qual não posso fazer nada.</strong></p>



<p>&#8211; A sua campanha presidencial não conseguiu mobilizar. O que faltou?&nbsp;</p>



<p>&#8211; <strong>Estou orgulhoso da minha campanha, foi uma grande experiência. O que faltou, claramente, foi o apoio do meu partido, o PAIGC, do qual continuo, apesar de tudo, a ser membro do comité político.&nbsp;</strong></p>



<p>&#8211; Vai ser candidato numa próxima eleição presidencial?&nbsp;</p>



<p>&#8211; <strong>Não. É incompatível, não posso participar na organização das próximas eleições se for candidato.</strong></p>
</div></div>
</div></div>
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		<title>ESTRANHAS NOTÍCIAS SOBRE A GUINÉ-BISSAU</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Dec 2025 18:36:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
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		<category><![CDATA[eleições na Guiné-Bissau]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de Estado na Guiné-Bissau]]></category>
		<category><![CDATA[instabilidade política na Guiné-Bissau]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A imprensa portuguesa parece combinada em classificar o golpe de estado na Guiné-Bissau como uma fabricação do Presidente deposto.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Foi noticiado que a CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) avançou com uma proposta, apoiada por vários países europeus, que se for aceite pelos militares guineenses, permitirá o regresso provisório de Umaro Sissoco Embaló à Presidência do país.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="718" height="292" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/gb-cedeao.png" alt="" class="wp-image-45822" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/gb-cedeao.png 718w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/gb-cedeao-300x122.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/gb-cedeao-696x283.png 696w" sizes="auto, (max-width: 718px) 100vw, 718px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://www.publico.pt/2025/12/05/mundo/noticia/cedeao-quer-embalo-volta-guinebissau-eleicoes-anuladas-2157104">CEDEAO quer Embaló de volta ao poder na Guiné-Bissau e aceita eleições anuladas | Guiné-Bissau | PÚBLICO</a></figcaption></figure></div>


<p>O artigo do jornal Público é reservado a assinantes, mas em traços largos diz que o compromisso acentará na realização de novas eleições, dentro de 1 ano. Este plano terá sido elaborado pela CEDEAO, sem o contributo dos protagonistas políticos da Guiné-Bissau, pelo que falta saber se tem alguma viabilidade. O artigo do jornal Público cria a percepção de que a CEDEAO está a “colaborar” no regresso do Presidente deposto, mas até agora não há nenhum comunicado daquela organização africana a oficializar o propalado plano.</p>



<p>A imprensa portuguesa parece combinada em classificar o golpe de estado na Guiné-Bissau como uma fabricação do Presidente deposto. A teoria é a de que Umaro Sissoco Embaló congeminou a sua própria deposição com os militares para interromper o processo eleitoral e impedir a alegada vitória do candidato apoiado pelo PAIGC, Fernando Dias.</p>



<p>Ao facto do golpe ter sido executado por militares que tinham a confiança do Presidente deposto, somam a nomeação de alguns ministros do anterior para o novo Governo de nomeação do Presidente Horta Inta-a, o chefe da rebelião.</p>



<p>A isso juntam, ainda, declarações de diversas personalidades, algumas que estavam em Bissau como observadores eleitorais, como, por exemplo, o antigo Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="742" height="437" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/gb-nyusi.png" alt="" class="wp-image-45823" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/gb-nyusi.png 742w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/gb-nyusi-300x177.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/gb-nyusi-696x410.png 696w" sizes="auto, (max-width: 742px) 100vw, 742px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://www.rtp.pt/noticias/mundo/eleicoes-guine-bissau-chefe-da-missao-da-uniao-africana-diz-que-ha-vencedor-e-resultados-para-divulgar_n1702502">Eleições Guiné-Bissau. Chefe da missão da União Africana diz que há &#8220;vencedor&#8221; e resultados para divulgar</a></figcaption></figure></div>


<p>Depois de sair de Bissau, Nyusi disse que a Comissão Nacional de Eleições poderia publicar os resultados eleitorais. Uma afirmação que se estranha, no contexto que se conhece: as atas eleitorais não estavam todas reunidas, não chegou a haver somatório das diversas contagens regionais, as atas que estavam em Bissau foram apreendidas pelos militares, os computadores da CNE ou foram igualmente apreendidos ou foram danificados pelos militares quando invadiram as instalações da CNE. Vários elementos da Comissão estiveram detidos durante 2 ou 3 dias. Ainda assim, as declarações de Nyusi foram amplamente difundidas pela imprensa, como se a credibilidade de Nyusi seja à prova de bala, um democrata de longa data e nunca tivesse proclamado vitórias eleitorais rodeadas de fortes suspeitas de fraude.</p>



<p>As várias personalidades estrangeiras que observaram in loco o processo e que alegam haver condições para publicar os resultados eleitorais, nenhuma o faz. Se sabem, poderiam dizê-lo.  </p>



<p>Quem o fez foi o jornal Correio da Manhã, quando ontem publicou “resultados” a partir da consulta de “atas oficiais”. Lê-se no jornal que “Fernando Dias dos Santos teve um total de 278 846 votos, enquanto Sissoco Embaló obteve 268 516, uma diferença de cerca de dez mil votos a favor do candidato opositor.”</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="860" height="189" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/gb-correio-da-manha.png" alt="" class="wp-image-45825" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/gb-correio-da-manha.png 860w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/gb-correio-da-manha-300x66.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/gb-correio-da-manha-768x169.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/gb-correio-da-manha-696x153.png 696w" sizes="auto, (max-width: 860px) 100vw, 860px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://www.cmjornal.pt/mundo/detalhe/atas-confirmam-vitoria-de-fernando-dias-da-costa-nas-presidenciais-da-guine-bissau">Atas confirmam vitória de Fernando Dias da Costa nas presidenciais da Guiné-Bissau &#8211; Mundo &#8211; Correio da Manhã</a></figcaption></figure></div>


<p>&nbsp;O Correio da Manhã diz que teve acesso privilegiado a “atas oficiais” &#8211; justamente aquelas que a <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/guine-bissau-golpe-consumado/">Comissão Eleitoral guineense diz não ter</a></strong>. E num país onde as instituições foram cercadas por militares, é este jornal lisboeta que aparece com a revelação definitiva sobre quem ganhou as eleições guineenses. A ligeireza com que isto é noticiado não é apenas provinciana &#8211; é irresponsável.</p>



<p>O site Observatório da Língua Portuguesa replica declarações de um guineense famoso (por ter sido funcionário da ONU no tempo do Presidente Nino Vieira), Carlos Lopes, quando ele diz que “a presença de figuras próximas do ex-Presidente nas movimentações atuais levanta “razões de grande desconfiança”. </p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="804" height="92" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/gb-observatorio.png" alt="" class="wp-image-45826" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/gb-observatorio.png 804w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/gb-observatorio-300x34.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/gb-observatorio-768x88.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/gb-observatorio-696x80.png 696w" sizes="auto, (max-width: 804px) 100vw, 804px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://observalinguaportuguesa.org/carlos-lopes-interromper-eleicoes-e-um-golpe-mas-ha-golpes-e-golpes/">Carlos Lopes: &#8220;Interromper eleições é um golpe, mas há golpes e golpes&#8221; &#8211; Observatório da Língua Portuguesa</a></figcaption></figure></div>


<p>Se observarmos melhor, acabaremos por verificar que em qualquer governo guineense há sempre elementos de diferentes partidos e sensibilidades políticas. Faz parte das tradições da política guineense. Por exemplo, mesmo em conflito aberto com o PAIGC, os vários governos de Sissoco integraram dirigentes de topo desse partido. E o mesmo fizeram os antecessores do Presidente deposto, desde que a Guiné-Bissau abriu o regime ao multipartidarismo, processo que teve início em 1994 e foi acelerado após o conflito de 1998/99.</p>



<p>Ou seja, a imprensa alinha no discurso único acusatório dos adversários do Presidente deposto, cujo candidato presidencial reclama vitória nas eleições. Uma reclamação que surgiu logo no dia seguinte à votação, mas que não pode ser comprovada. Alinha na ideia, estranha, de que o golpe militar foi uma <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/11/guine-bissau-golpe-e-intrigalhada/">intriga</a></strong> entre um presidente e o setor castrense, mesmo se Sissoco Embaló está exilado e procura um país onde se instalar. Insinuar que tudo valeu para não deixar o adversário vencer, é uma ideia desajustada, até prova em contrário. De que valeu isso ao Presidente deposto? É uma teoria rocambolesca, ao arrepio da prática de quem pretende perpetuar-se no poder. Quando a intenção é essa, o costume é fazer batota eleitoral. Ora, segundo foi dito por todos, não foi isso que aconteceu. O que se viu foi um golpe militar, baseado numa propalada convicção dos militares de que estavam a prevenir um plano que iria lançar violência e caos nas ruas e campos do país.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/estranhas-noticias-sobre-a-guine-bissau/">ESTRANHAS NOTÍCIAS SOBRE A GUINÉ-BISSAU</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>GUINÉ-BISSAU: GOLPE CONSUMADO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Dec 2025 20:03:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[crise política na Guiné-Bissau]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de Estado na Guiné-Bissau]]></category>
		<category><![CDATA[João Bernardo Vieira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O general que assumiu o poder nomeou um novo primeiro-ministro, há um governo.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/guine-bissau-golpe-consumado/">GUINÉ-BISSAU: GOLPE CONSUMADO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O golpe de Estado na Guiné-Bissau está consumado. Os principais atores políticos estão detidos, em fuga ou no exílio. O general que assumiu o poder nomeou um novo primeiro-ministro, há um governo.</p>



<p>O golpe militar aconteceu na véspera do dia em que se esperava que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) anunciasse os resultados. Não era apenas a Presidência que estava em disputa, também os 102 lugares de deputados no parlamento.</p>



<p>Hoje, depois dos militares terem libertado os elementos da CNE que tinham sido detidos, houve uma conferência de imprensa. Foi dito que, no momento em que os militares tomaram de assalto a CNE, o organismo apenas tinha as atas eleitorais da região de Bissau. Faltavam ainda todas as outras. Ou seja, não é possível dizer quem venceu as eleições, o que há são resultados parciais de algumas regiões que nunca foram ratificados pela CNE.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Bissau: CNE não sabe os resultados eleitorais" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/DW0twa8xZLE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption">vídeo: declarações do porta-voz da CNE, em Bissau</figcaption></figure>



<p>Naquele momento, havia já um movimento afeto ao candidato Fernando Dias que reclamava a vitória eleitoral, alegando que já tinha tido acesso à globalidade do escrutínio. Os adversários de Fernando Dias (e do PAIGC, o partido que apoiou este candidato), diziam que se tratava de atas falsas e que não era possível garantir quem tinha sido o vencedor da eleição presidencial nem das eleições legislativas.</p>



<p>Do novo Governo, tivemos declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros, João Bernardo Vieira, no final de um encontro com a delegação da CEDEAO que esteve em Bissau a acompanhar o processo eleitoral. Curiosamente, o novo MNE foi um dos 11 candidatos que concorreram à eleição presidencial. </p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Bissau: depois do golpe, declarações do novo MNE Guiné Bissau" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/o3yPfilPU0Q?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption">vídeo: declarações do MNE, João Bernardo Vieira</figcaption></figure>



<p>Segundo o MNE, confirma-se que ainda há políticos detidos, nomeadamente Domingo Simões Pereira, que era considerado o principal adversário de Umaro Sissoco Embaló. O candidato Fernando Dias está refugiado numa embaixada, em Bissau. &nbsp;&nbsp;</p>



<p>João Bernardo Vieira é um dos casos que fragiliza a tese de que o golpe foi <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/estranhas-noticias-sobre-a-guine-bissau/">orquestrado</a></strong> pelo Presidente deposto, agora exilado no Congo Brazaville. O MNE guineense é militante do PAIGC, pertence à cúpula diretiva desse partido, no cumprimento de uma espécie de legado que lhe deixou o tio, o falecido Presidente Nino Vieira.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/guine-bissau-golpe-consumado/">GUINÉ-BISSAU: GOLPE CONSUMADO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>GUINÉ-BISSAU: GOLPE E INTRIGALHADA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Nov 2025 20:34:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de Estado na Guiné-Bissau]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os militares que tomaram o poder nomearam um general para o cargo de Presidente da República interino. O general Horta N’Tam já tomou posse.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/11/guine-bissau-golpe-e-intrigalhada/">GUINÉ-BISSAU: GOLPE E INTRIGALHADA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Os militares que tomaram o poder nomearam um general para o cargo de Presidente da República interino. O general Horta Inta-A já tomou posse.</p>



<p>Nos meios políticos afetos ao PAIGC dizem, agora, que Horta Inta-A tem uma relação familiar com o Presidente deposto e, com essa alegação, pretendem reforçar a narrativa de que o golpe de Estado é uma encenação, uma forma de Umaro Sissoco Embaló continuar a governar o país “na sombra”. Trata-se de uma intriga mal feita. A Guiné-Bissau é uma sociedade muito estratificada em termos tribais e há etnias que não se cruzam com outras. O general Inta-A é Balanta, Umaro Sissoco Embaló é de origem Mandinga/Fula. Não há nenhuma relação de parentesco entre os dois.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="662" height="592" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/horta-ntam-1.png" alt="" class="wp-image-45647" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/horta-ntam-1.png 662w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/horta-ntam-1-300x268.png 300w" sizes="auto, (max-width: 662px) 100vw, 662px" /><figcaption class="wp-element-caption">General Horta Inta-A, Presidente da República de Transição da Guiné-Bissau</figcaption></figure></div>


<p>Noutros quadrantes, anunciam-se alegados envolvimentos do líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, no golpe. Segundo o site Eurecanews, em língua francesa, Aristides Gomes, antigo primeiro-ministro atualmente a residir em França e Domingos Simões Pereira terão unido esforços e financiamentos para orquestrar o <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/11/golpe-de-estado-em-bissau/">golpe</a></strong>.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="542" height="479" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/aristides-gomes-e-dsp.png" alt="" class="wp-image-45648" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/aristides-gomes-e-dsp.png 542w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/aristides-gomes-e-dsp-300x265.png 300w" sizes="auto, (max-width: 542px) 100vw, 542px" /><figcaption class="wp-element-caption">Aristides Gomes (à esquerda) e Domingos Simões Pereira (à direita)</figcaption></figure></div>


<p>A mesma fonte alega que Domingo Simões Pereira está em Bissau, na Base Aérea, mas não detido, antes “refugiado” sob proteção de militares que lhe são afetos.</p>



<p>Entretanto, o <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/estranhas-noticias-sobre-a-guine-bissau/">Presidente deposto</a></strong> está já no exílio na capital da Costa do Marfim, para onde foi transportado esta manhã. Abidjan tem sido um “porto de abrigo” recorrente para governantes africanos caídos através de golpes de Estado.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="617" height="484" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/sissoco.png" alt="" class="wp-image-45650" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/sissoco.png 617w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/sissoco-300x235.png 300w" sizes="auto, (max-width: 617px) 100vw, 617px" /><figcaption class="wp-element-caption">O Presidente deposto, Umaro Sissoco Embaló</figcaption></figure></div>


<p>ACTUALIZAÇÃO: segundo o site <a href="https://senegal7.com/"><strong>Senegal7</strong></a>, Umaro Sissoco Embaló está em Dakar, onde foi acolhido pelo Presidente Diakhar Faye.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="903" height="99" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/senegal7.png" alt="" class="wp-image-45659" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/senegal7.png 903w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/senegal7-300x33.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/senegal7-768x84.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/senegal7-696x76.png 696w" sizes="auto, (max-width: 903px) 100vw, 903px" /><figcaption class="wp-element-caption">recorte do título do site Senegal7: Presidente deposto Umaro Sissoco Embaló chegou a Dakar são e salvo</figcaption></figure></div>


<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/11/guine-bissau-golpe-e-intrigalhada/">GUINÉ-BISSAU: GOLPE E INTRIGALHADA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>GOLPE DE ESTADO EM BISSAU</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Nov 2025 19:01:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[eleições na Guiné-Bissau]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de Estado na Guiné-Bissau]]></category>
		<category><![CDATA[instabilidade na Guiné-Bissau]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A cara da revolta é precisamente o homem que era o Chefe da Casa Militar da Presidência, o jovem general Dinis N´Tchama</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/11/golpe-de-estado-em-bissau/">GOLPE DE ESTADO EM BISSAU</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Presidente da República Umaro Sissoco Embaló foi detido e deposto, há notícias não confirmadas de outras detenções como, por exemplo, a de Fernando Dias, candidato à Presidência nas eleições em curso e que reclamava vitória e também de Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC.</p>



<p>O Presidente Umaro Sissoco Embaló foi detido no Palácio Presidencial. Segundo fontes em Bissau, a maioria dos militares afetos à rebelião pertence à chamada Guarda Presidencial, uma Divisão do Exército que o Presidente deposto tinha reforçado especialmente para garanir a sua própria segurança.</p>



<p>Para já, a cara da revolta é precisamente o homem que era o Chefe da Casa Militar da Presidência, o jovem general Dinis N´Tchama.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Golpe de Estado na Guiné-Bissau" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/Em_FO2Ghyuo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Dinis N’Tchama é da etnia Balanta, sobrinho de um outro militar histórico, um dos homens que fez a revolta contra Nino Vieira em 1998, o general Buota Na Batcha, já falecido.</p>



<p>Dinis fez a formação militar na Rússia e China. É um militar conhecedor da “profissão”. Poderá tentar ser um novo Ibrahim Traoré, se for esse o seu desejo.</p>



<p>O desenvolvimento mais previsível desta situação será a formação de um governo provisório de gestão, com um espaço temporal de um ou dois anos para atingirem os objectivos que se propõem e anunciar novas eleições. O golpe de Estado acontece na véspera da Comissão Nacional de Eleições anunciar os resultados da 1ª volta eleitoral, onde 11 candidatos disputavam a corrida eleitoral. No mesmo acto eleitoral, os guineenses votaram para a eleição de deputados para o parlamento. Com a anulação das eleições, o país vai continuar sem parlamento, agora sob <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/11/guine-bissau-golpe-e-intrigalhada/">regime militar</a></strong>.</p>



<p></p>



<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/11/golpe-de-estado-em-bissau/">GOLPE DE ESTADO EM BISSAU</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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