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	<title>Arquivo de geopolítica europeia - Duas Linhas</title>
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		<title>BRUXELAS EMPENHADA EM REDUZIR A CULTURA EUROPEIA A INSTRUMENTO DE GUERRA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[António da Cunha Justo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jul 2026 23:00:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Europa deve olhar para os seus povos, não para os seus generais. </p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/bruxelas-empenhada-em-reduzir-a-cultura-europeia-a-instrumento-de-guerra/">BRUXELAS EMPENHADA EM REDUZIR A CULTURA EUROPEIA A INSTRUMENTO DE GUERRA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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<p>Dois milhões de euros, ninharia para os cofres opulentos de Bruxelas, mas cifra vital para a alma de uma Bienal que sempre se quis universal, ficaram suspensos por um capricho geopolítico. A senhora comissária, Henna Virknen, brande o seu telemóvel como outrora se brandia uma espada, anunciando na efémera praça digital que a cultura deve pagar o preço da desobediência. Eis o primeiro sintoma da bílis de que fala o povo: a razão turva-se quando o poder resolve vestir a farda do moralismo.</p>


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<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="785" height="295" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal.jpg" alt="" class="wp-image-50501" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal.jpg 785w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-300x113.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-768x289.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-696x262.jpg 696w" sizes="(max-width: 785px) 100vw, 785px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://www.dn.pt/cultura/ue-anuncia-fim-de-subsdio-de-dois-milhes-de-euros-bienal-de-veneza-devido-participao-da-rssia#goog_rewarded">UE cancela subsídio de dois milhões de euros à Bienal de Veneza devido à participação da Rússia</a></figcaption></figure></div>


<p>Ora, independentemente do xadrez económico e político que se joga na Ucrânia, essa pobre terra transformada em cavalo de Troia dos grandes estrategas globais, uma coisa se nos afigura cristalina. A Europa, velha de séculos mas surpreendentemente imatura na sua gerontocracia, julga rejuvenescer apostando apenas nas suas qualidades guerreiras. É um equívoco trágico e profundamente irónico: um continente que inventou a universidade, a sinfonia e a declaração dos direitos do homem reduz-se agora à retórica do bombardeiro e ao gesto do diplomata que só conhece a provocação como forma de diálogo. O poder, nessa Bruxelas asfixiante, parece ter esquecido todas as línguas, excepto a do dinheiro e a da sanção. Impõem-se “valores subversivos” contra “valores sagrados”, mas ninguém se dá ao trabalho de definir quais são uns e outros, porque, neste conflito surdo contra o povo europeu e contra o povo russo, parece reger o argumento cínico do tudo vale.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="506" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-1024x506.jpg" alt="" class="wp-image-50507" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-1024x506.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-300x148.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-768x380.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-696x344.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-1068x528.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-324x160.jpg 324w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-648x320.jpg 648w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte.jpg 1183w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Escutemos, com atenção, os hinos do fanatismo contemporâneo. Lá longe, do outro lado do Atlântico, ouvimos o eco gutural de “América acima de tudo”. Aqui, no velho continente, respondemos com o timbre melífluo, mas igualmente vazio de “Valores democráticos da Europa acima de tudo”. É a mesma moeda, cunhada em lados diferentes, servindo o mesmo espírito do globalismo que sopra das torres de marfim financeiras para as planícies do sofrimento real. Cada vez se tem mais a impressão, e o senso comum, esse bem raro, teima em confirmá-lo, de que a grandeza das potências tem como condição necessária a humilhação metódica do cidadão comum. A dissidência, nessa Europa embriagada de si mesma, é simplesmente pensar de forma diferente; a heresia, hoje, é querer a paz sem submeter a alma ao dogma.</p>



<p>É preciso, pois, que o povo desperte. Não o povo abstracto dos discursos oficiais, mas a carne e o osso que pagam impostos e criam os filhos. Bruxelas estende-se como um polvo de braços tecnocráticos, avassalando até os sagrados espaços da cultura, transformando a arte num campo de batalha rasteiro. A Bienal de Veneza, que devia ser um oásis de contemplação, arrisca-se a tornar-se um museu da censura. E esta é a maior tragédia: quando os burocratas se arrogam o direito de definir o que é ou não “democrático” na paleta de um pintor ou na música de um compositor, estamos a trocar a utopia pela polícia.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="556" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-danca-1024x556.jpg" alt="" class="wp-image-50506" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-danca-1024x556.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-danca-300x163.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-danca-768x417.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-danca-696x378.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-danca-1068x580.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-danca.jpg 1158w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>O humanismo, esse velho amigo esquecido, dita que a cultura não é instrumento de guerra, mas trégua. A cultura não é arma de arremesso, mas ponte. Se a Europa quer verdadeiramente rejuvenescer, que olhe para os seus filhos, não para os seus generais; que se inspire nos seus filósofos e teólogos, não nos seus comissários. Que guarde o cinismo para a política, que é, afinal, a sua matéria-prima e a generosidade para a arte. Caso contrário, a Bienal de Veneza não será a única a afogar-se nas suas águas turvas; afogar-se-á a própria ideia de Europa, vítima da sua própria bílis, sufocada pelo polvo que criou para a defender.</p>



<p>E quando isso acontecer, não digam que o povo não avisou.</p>



<p><sup>(crónica publicada também em <strong><a href="https://antonio-justo.eu/?p=11163" type="link" id="https://antonio-justo.eu/?p=11163">Pegadas do Tempo</a></strong>)</sup></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/bruxelas-empenhada-em-reduzir-a-cultura-europeia-a-instrumento-de-guerra/">BRUXELAS EMPENHADA EM REDUZIR A CULTURA EUROPEIA A INSTRUMENTO DE GUERRA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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