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	<title>Arquivo de França - Duas Linhas</title>
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	<title>Arquivo de França - Duas Linhas</title>
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		<title>O GRANDE HIPÓCRITA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Jul 2025 23:00:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O presidente francês diz-se “chocado” com a atuação israelita</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O anúncio de Emmanuel Macron de que a França irá, finalmente, reconhecer o Estado da Palestina surge numa altura em que a destruição em Gaza atingiu níveis sem precedentes. O presidente francês diz-se “chocado” com a atuação israelita. Mas esse choque, além de tardio, parece ignorar mais de 70 anos de ocupação, colonização, repressão e humilhação quotidiana do povo palestiniano. O que está a acontecer hoje não começou em 2023, nem em 2006, nem sequer com a ocupação de 1967. É o culminar de uma longa cadeia de abusos normalizados e de cumplicidades silenciosas.</p>



<p>Durante décadas, as potências ocidentais — incluindo a França — mantiveram a ficção de que defendiam a paz no Médio Oriente, promovendo a “solução dos dois Estados”. Mas nunca houve verdadeira vontade política para que essa solução saísse do papel. O que houve, isso sim, foi um apoio constante, direto ou indireto, ao avanço territorial de Israel: colonatos ilegais na Cisjordânia, anexações como a dos Montes Golã, ataques constantes em solo sírio ou libanês, e toda a sorte de violações dos direitos humanos contra a população palestiniana, &nbsp;desde detenções sem julgamento até castigos coletivos.</p>



<p>O trágico ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, deve também ser compreendido como uma válvula que rebentou com a pressão contínua exercida sobre Gaza. Gaza vive há quase duas décadas sob bloqueio total, privado de liberdade, de dignidade e de futuro. Nesse contexto, a explosão da violência foi o reflexo brutal de uma situação insustentável. Mais ainda: alguns analistas e meios europeus colocam a hipótese &#8211; inquietante, mas não inédita em contextos de guerra &#8211; de que o governo de Netanyahu terá deixado deliberadamente que o ataque ocorresse, ou mesmo o tenha provocado indiretamente, como pretexto para a brutal ofensiva militar que se seguiu.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>&#8230;e Portugal dos políticos pequeninos</strong></h4>



<p>A reação de Israel tem sido desproporcionada, assassina e devastadora. Mas não menos chocante tem sido o silêncio europeu, ou a sua retórica vazia. Portugal, por exemplo, continua a invocar a necessidade de uma “posição coordenada da União Europeia” para reconhecer o Estado da Palestina. Essa posição comum nunca existiu, e a França, ao agir agora de forma isolada, confirma isso mesmo. O argumento português é de uma indignidade e pequenez política absolutas.  </p>



<p>O que se revela, no fundo, é a inexistência de uma verdadeira política externa europeia para o Médio Oriente. Cada Estado move-se ao sabor dos seus próprios cálculos geoestratégicos, e a suposta neutralidade europeia apenas serve, há décadas, para legitimar a ocupação israelita. Macron pode agora dizer que “a França está do lado da paz”, mas a paz verdadeira exige coragem política &#8211; não apenas para reconhecer um Estado palestiniano, mas para pôr fim à impunidade de Israel. E para isso, nem França, nem Portugal, nem a maioria da Europa estiveram, até hoje, à altura da História e da decência.</p>



<p>Os dias passam e os palestinianos começam a morrer de fome, mais do que das bombas diárias que Israel continua a lançar. Ainda vamos ver os vivos começarem a comer os mortos.</p>
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		<title>MELISSA DA COSTA, Nº1 EM FRANÇA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Jan 2025 19:23:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tem 34 anos e é a escritora que mais vende em França. Chama-se Melissa da Costa, filha de um pedreiro de Barcelos e de uma ama de crianças de Castelo Branco, emigrantes que se conheceram em França e lá constituíram família. Sempre gostou de escrever. Encheu gavetas com papéis escritos, inícios de romances nunca terminados. [&#8230;]</p>
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<p>Tem 34 anos e é a escritora que mais vende em França. Chama-se Melissa da Costa, filha de um pedreiro de Barcelos e de uma ama de crianças de Castelo Branco, emigrantes que se conheceram em França e lá constituíram família.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="276" height="443" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/melissa-ceu-azul.png" alt="" class="wp-image-38609" style="width:306px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/melissa-ceu-azul.png 276w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/melissa-ceu-azul-187x300.png 187w" sizes="(max-width: 276px) 100vw, 276px" /></figure></div>


<p>Sempre gostou de escrever. Encheu gavetas com papéis escritos, inícios de romances nunca terminados. Só depois de ter concluído os estudos, desempregada aos 25 anos de idade, Melissa escreve o seu primeiro romance: &#8220;Tout le bleu du Ciel” (Todo o Azul do Céu).</p>



<p>Deu o manuscrito a ler a amigos, publicou partes da história nas redes sociais. A reação foi positiva e um gestor de um site indicou-a à editora Carnets Nord. Foi o bastante para ter o livro publicado. Apesar das enormes vendas do livro, a editora faliu no mesmo ano. Mas os dados estavam lançados e já nada podia impedir Melissa de continuar a escrever.</p>



<p>O livro foi bem recebido pela crítica e ganhou vários prémios, incluindo o Alain-Fournier Prize, o Cezam Novel Prize, o Pocket Book Reader&#8217;s Prize e o Prêmio Literário do Livro Romântico em 2021.</p>



<p>Desde então, outros 7 romances foram publicados pelas edições de Albin Michel: &#8220;Les Lendemains&#8221; em 2020, &#8220;Je revenais des autres&#8221; em 2021, &#8220;Les Douleurs fantômes&#8221; em 2022, &#8220;La doublure&#8221;, &#8220;Les femmes du bout du Monde&#8221;, &#8220;La Faiseuse d&#8217;étoiles&#8221;, os últimos três em 2023 e &#8220;Tenir Débout&#8221; em 2024. Todos os livros também foram republicados na coleção Livre de Poche, exceto o último.</p>



<p>Em 2021, Mélissa da Costa é uma das 10 escritoras mais lidas em França. De acordo com o jornal Le Figaro, em 2022 ela foi a 3ª autora mais vendida na França. Em 2023, destronou Guillaume Musso do primeiro lugar.</p>



<p>O primeiro romance teve uma versão em banda desenhada e foi adaptado para um telefilme na TF1, do realizador Maurice Barthélémy. O livro &#8220;Mulheres no Fim do Mundo&#8221; está a ser adaptado para o cinema e será rodado por Emmanuel Bercault e Stéphane Gaillard na Nova Zelândia. Hoje, todos os seus livros têm uma versão audio que está disponibilizada na internet para invisuais.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="929" height="478" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/livros-de-melissa-da-costa.png" alt="" class="wp-image-38607" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/livros-de-melissa-da-costa.png 929w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/livros-de-melissa-da-costa-300x154.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/livros-de-melissa-da-costa-768x395.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/livros-de-melissa-da-costa-696x358.png 696w" sizes="(max-width: 929px) 100vw, 929px" /><figcaption class="wp-element-caption">algumas das versões audio dos livros de Melissa da Costa</figcaption></figure></div>


<p>Todos os livros somados, já ultrapassaram os 3 milhões de livros vendidos em França. Mas, de todos os leitores, há um por quem Melissa tem um carinho especial: o pai leu um livro pela primeira vez, o seu primeiro romance, e desde então tem sido um dos seus leitores mais fiéis.</p>



<p>Segundo o <strong><a href="https://lusojornal.com/phenomene-dedition-melissa-da-costa-lecrivaine-la-plus-lue-en-france/">LusoJornal</a></strong>, onde lemos esta história pela primeira vez, Melissa da Costa acaba de doar 400.000 euros à UNICEF.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="749" height="637" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/melissa-da-costa.png" alt="" class="wp-image-38605" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/melissa-da-costa.png 749w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/melissa-da-costa-300x255.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/melissa-da-costa-696x592.png 696w" sizes="(max-width: 749px) 100vw, 749px" /><figcaption class="wp-element-caption">Melissa da Costa, LusoJornal, edição de 28 de dezembro de 2024</figcaption></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/01/melissa-da-costa-no1-em-franca/">MELISSA DA COSTA, Nº1 EM FRANÇA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>FRANÇA, AGRICULTORES VOLTAM AOS PROTESTOS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Nov 2024 10:40:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O projeto de acordo de livre comércio UE-Mercosul destina-se a incrementar as trocas comerciais entre a Europa e a América Latina, os agricultores franceses percebem que vão ser prejudicados. O Brasil é um dos membros do Mercosul que mais poderá beneficiar, uma vez que é um dos maiores produtores mundiais de produtos agrícolas. A perspetiva [&#8230;]</p>
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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>O projeto de acordo de livre comércio UE-Mercosul destina-se a incrementar as trocas comerciais entre a Europa e a América Latina, os agricultores franceses percebem que vão ser prejudicados. O Brasil é um dos membros do Mercosul que mais poderá beneficiar, uma vez que é um dos maiores produtores mundiais de produtos agrícolas. A perspetiva alarma o setor agrícola francês. Bruxelas diz que as importações de produtos agrícolas para a Europa serão em pequenas quantidades.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/UA3OBoS.png" alt="" class="wp-image-38191"/><figcaption class="wp-element-caption">agricultores franceses em protesto</figcaption></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>RETALHISTAS TAMBÉM PROTESTAM</strong></h4>



<p>&#8220;Para defender a soberania alimentar francesa&#8221;, o presidente do comité estratégico das lojas Leclerc estende a mão aos agricultores. &#8220;Uma aliança entre nós permite negociar melhor, a unidade é a força&#8221;, disse Michel-Edouard Leclerc na televisão BFMTV na manhã desta segunda-feira. Lamenta que as negociações do Mercosul decorram sem qualquer representante dos grandes retalhistas: &#8220;Não pediram a minha opinião sobre a capacidade ou não de travar as importações da América Latina.&#8221; </p>



<p>&#8220;Os nossos compradores nunca estiveram envolvidos no estabelecimento dos tratados europeus&#8221;, lamenta o representante das lojas Leclerc. Michel-Edouard Leclerc é um gestor empresarial, mas fala como um político: “peço aos políticos para que parem de nos dividir&#8221;. E diz que deverá ser obrigatório que os produtos importados exibem claramente o país de origem.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>ESTRADAS BLOQUEADAS</strong></h4>



<p>O presidente da FNSEA, o principal sindicato dos agricultores, Arnaud Rousseau, assegurou que a mobilização tem como objetivo &#8220;enviar a mensagem de que a situação que a agricultura vive é uma situação de emergência, dramática&#8221;.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/uGTLQ0F.png" alt="" class="wp-image-38193"/><figcaption class="wp-element-caption">agricultores franceses cortam a circulação em autoestradas</figcaption></figure></div>


<p>Até terça-feira, estão previstas 82 ações em toda a França, em particular em frente às câmaras municipais e em rotundas mais movimentadas. Os agricultores lembram que na sequência dos protestos de 2023 o governo fez promessas, mas que não as cumpriu.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>O ministro do Interior, Bruno Retailleau, alertou os agricultores que haverá &#8220;tolerância zero&#8221; no caso de &#8220;bloqueio prolongado&#8221; das estradas. Ou seja, o governo francês admite cortes de circulação simbólicos, nada mais.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Protestos de agricultores em França" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/OB295fc1aJk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>vídeo</sub></em></figcaption></figure>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>A SITUAÇÃO EM EM PORTUGAL</strong></h4>



<p>Em Portugal não há notícia de adesão de agricultores a este protesto. No site da <strong><a href="https://www.plataforma-troca.org/depoimentos-de-sete-osc-contra-o-acordo-o-acordo-ue-mercosul/">TROCA &#8211; Plataforma por um Comércio Internacional Justo</a></strong> há um apelo ao protesto contra o acordo UE-Mercosul. Várias organizações da sociedade civil expressam a opinião sobre as &#8220;consequências nefastas deste acordo para a saúde, a justiça social, a agricultura familiar, as pequenas e médias empresas e, em geral, para&nbsp; os povos de ambos os lados do Atlântico e o Planeta.&#8221;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/cBD5RxF.png" alt="" class="wp-image-38186"/></figure></div></div></div>



<p></p>
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		<title>MACRON NÃO RESPEITA RESULTADOS ELEITORAIS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Aug 2024 23:00:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em França, a esquerda venceu eleições mas, dois meses depois, o Presidente Macron não pretende nomear um novo primeiro-ministro indicado pela esquerda. A França continua a ser governada por um governo sem legitimidade, os resultados eleitorais não são respeitados. Se fosse na Venezuela, caía o “Carmo e a Trindade” e os EUA ameaçariam invadir para [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em França, a esquerda venceu eleições mas, dois meses depois, o Presidente Macron não pretende nomear um novo primeiro-ministro indicado pela esquerda. A França continua a ser governada por um governo sem legitimidade, os resultados eleitorais não são respeitados. Se fosse na Venezuela, caía o “Carmo e a Trindade” e os EUA ameaçariam invadir para defender a democracia. Mas em França, parece que não faz mal a democracia ser violada.</p>



<p>A Nova Frente Popular, a coligação que venceu as eleições, recusa qualquer tipo de entendimento com os partidos de centro-direita, cenário que terá sido proposto por Macron para resolver a crise que ele próprio desencadeou quando marcou eleições legislativas antecipadas, no pressuposto de que o seu partido iria vencer. A ideia do Presidente seria sair reforçado em termos de legitimidade eleitoral, mas as contas sairam furadas. Perdeu e, agora, não quer honrar os resultados eleitorais.</p>



<p>A Constituição não obriga o Presidente a nomear um primeiro-ministro da força política mais votada, diz apenas que é poder do Presidente nomear um primeiro-ministro. Mas o mínimo bom-senso político diz que se o nomeado não tiver apoio da maioria dos partidos no parlamento, será um governo morto à nascença. Se Macron nomear alguém que não tenha aceitação da esquerda, o partido La France Insoumise (França Insubmissa) já disse que faz três coisas: 1-apresentar uma moção de censura ao novo governo; 2-manifestações; 3-propor a destituição do Presidente.</p>



<p>&#8220;O Presidente da República não é um monarca com direito de veto suspensivo sobre o resultado de uma votação democrática&#8221;, dizem os dirigentes da La France Insoumise, o maior partido que integra a coligação Nova Frente Popular.</p>



<p>Macron deveria ter nomeado um primeiro-ministro indicado pela Nova Frente Popular, a coligação vencedora. Mas, Macron argumentou que não era conveniente mudar de governo antes dos Jogos Olímpicos e defendeu uma &#8220;trégua olímpica&#8221;. O que é um pouco bizarro porque foi ele quem decidiu realizar as eleições antes dos Jogos Olímpicos.</p>



<p>A “trégua” foi aceite, mas seria suposto que Macron não tivesse passado o mês todo a ver atletas a correr e a saltar. Deveria ter planeado o futuro, prevenindo problemas. Agora, percebemos que Macron apenas quis ganhar tempo, mas não tem um plano B que garanta estabilidade.</p>



<p></p>
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		<title>O SARCÓFAGO ROMANO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Nov 2023 23:52:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Um cemitério debaixo do asfalto, numa rua de uma cidade francesa. Foi em setembro, em Reims, que se descobriu uma necrópole romana na rue Soussillon. O mais fantástico é que, nessa necrópole, foi encontrada um sarcófago fechado, ainda com os grampos de ferro. Trata-se de uma caixa enorme, em pedra calcária, com 1 metro de [&#8230;]</p>
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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Um cemitério debaixo do asfalto, numa rua de uma cidade francesa. Foi em setembro, em Reims, que se descobriu uma necrópole romana na rue Soussillon. O mais fantástico é que, nessa necrópole, foi encontrada um sarcófago fechado, ainda com os grampos de ferro.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1418" height="818" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/11/rue-soussillon-9.jpg" alt="" class="wp-image-29798"/><figcaption class="wp-element-caption">o sarcófago de pedra calcária</figcaption></figure>



<p>Trata-se de uma caixa enorme, em pedra calcária, com 1 metro de altura e 1,65 de comprimento, 80 cm de largura. Uma coisa pesada que precisou da força de uma grua para ser levantada do sítio e levada para lugar onde possa ser minuciosamente estudada.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>É muito raro encontrar um sarcófago romano inviolado, depois de 2 mil anos de vicissitudes. Em Reims, por exemplo, além da urbanização inerente a uma cidade de 200 mil habitantes, estamos a falar de uma região desde sempre afetada por invasões destruidoras, incluindo várias batalhas nas duas guerras mundiais que devastaram a Europa. Muito espólio histórico, arquitetónico e arqueológico, se perdeu ao longo do tempo.</p>



<p>Por isso foi uma festa quando a picareta de um operário começou por destapar indícios de que alguma coisa interessante poderia estar ali enterrada. Foi a vez dos arqueólogos começarem a cavar.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/11/rue-soussillon-2x.jpg" alt="" class="wp-image-29799"/></figure>



<p>Os romanos chamavam Durocortorum a Reims. Já nesse tempo, a cidade tinha relevância política. A antiga Durocortorum era a capital da província da Gália e era uma das maiores cidades do Império Romano. A cidade estendia-se por mais de 600 hectares e era delimitada por uma muralha. Reims exibe muitos sinais desse tempo, mas a recente descoberta é uma espécie de “joia” arqueológica.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Após o corte dos grampos de ferro, espreitaram para dentro do sarcófago. Lá dentro, o esqueleto de uma mulher rodeada por quatro lâmpadas de óleo, dois recipientes de vidro que possivelmente continham óleos perfumados, um pequeno espelho (perto da cabeça), um anel de âmbar e um pente.</p>



<p>Segundo os arqueólogos, os utensílios indicam que o enterro ocorreu no século II d.C.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/11/rue-soussillon-2x-2.jpg" alt="" class="wp-image-29802"/></figure>
</div></div>
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		<title>ÁFRICA, REVOLUÇÕES EM MARCHA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Aug 2023 23:00:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Veremos o que fazem estes militares, se conseguem reorganizar as sociedades, se conseguem governar, se conseguem resistir às seduções ou às ameaças dos que ficam prejudicados com as alterações em curso. Alguns dos novos líderes já tiveram oportunidade de transmitir carisma e força. Proferiram palavras que desagradaram às antigas potências coloniais que, mesmo depois de [&#8230;]</p>
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<p>Veremos o que fazem estes militares, se conseguem reorganizar as sociedades, se conseguem governar, se conseguem resistir às seduções ou às ameaças dos que ficam prejudicados com as alterações em curso.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/08/africa-golpes-de-estado.jpg" alt="" class="wp-image-28429"/></figure>



<p>Alguns dos novos líderes já tiveram oportunidade de transmitir carisma e força. Proferiram palavras que desagradaram às antigas potências coloniais que, mesmo depois de terem sido obrigadas a conceder independências às antigas colónias, permanecem lá explorando minérios, hidrocarbonetos e rotas comerciais.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Os novos discursos falam de uma nova independência. O papel da França, dos países ocidentais em geral, tem sido questionado, assim como a permanência de bases militares francesas nesses territórios.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="946" height="789" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/08/traore.jpg" alt="" class="wp-image-28425"/><figcaption class="wp-element-caption">capitão Ibrahim Traoré, líder da Junta Militar, promete eleições presidenciais dentro de 1 ano no Burkina Faso</figcaption></figure>



<p>No Burkina Faso, o capitão Traoré faz a revolução também com palavras: “o escravo que é incapaz de se revoltar contra o seu destino não merece que tenhamos pena dele.”</p>



<p>O novo líder do Burkina Faso parece saber o tamanho do desafio que decidiu assumir, quando diz que “os jovens da minha geração, devido à pobreza são obrigados a atravessar o mar para tentar chegar à Europa. Morrem no mar. Mas em breve deixarão de o fazer.”</p>



<p>Ele sabe bem que as empresas mineiras, as petrolíferas, têm uma influência considerável sobre as decisões de muitos governos do hemisfério norte, na Europa e na América. Portanto, sabe que não se pode distrair sob pena de não ver de que lado chega a porrada para o derrubar.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>É por isso que estes novos governos, ideologicamente pan-africanistas, estão já a firmar acordos de defesa mútuos. Quem atacar um, ataca todos. Um aviso para Macron, que ameaça atacar se os interesses da França forem questionados. No Níger, as ameaças só serviram para enfurecer o povo.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Niamey, instabilidade política" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/--vdYcibGtQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>vídeo</sub></em></figcaption></figure>
</div></div>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A SEMENTE QUE PODE GERMINAR</strong></h3>



<p>África vive novos momentos de redenção. E não são apenas os neocolonialistas que receiam perder o pé. Também os regimes de outros países africanos minados pela corrupção, nepotismo e repressão, que ao longo de décadas apenas têm engordado senhores feudais. Ou seja, em África, quase todos.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Não será por acaso que, por exemplo, João Lourenço pediu atenção redobrada ao Serviço de Inteligência Externa (SIE).</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1094" height="655" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/08/joao-lourenco.jpg" alt="" class="wp-image-28424"/><figcaption class="wp-element-caption">João Lourenço, Presidente de Angola</figcaption></figure>



<p>“Acabámos de ser surpreendidos com alguma instabilidade, que, em princípio, reina aqui no país irmão muito próximo de nós, estou-me a referir à República do Gabão, portanto, por tudo isso, os serviços de inteligência externa têm que estar de olhos bem abertos a tudo o que se passa no mundo, sobretudo em termos de segurança, em termos de estabilidade dos países”, referiu o Presidente de Angola na tomada de posse da diretora-geral adjunta do SIE, em 30 de agosto.</p>



<p>Quem tem cu, tem medo.</p>
</div></div>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/08/neocolonialismo.jpg" alt="" class="wp-image-28428"/></figure>
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		<title>MANUAL PARA USO DE ALOJAMENTO LOCAL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rui Naldinho]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Aug 2023 23:05:18 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Alojamento Local]]></category>
		<category><![CDATA[França]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Escolhi as duas grandes regiões vitivinícolas de França. A Gasconha, tendo por capital Bordéus, e a Bourgogne, tendo como capital, Dijon.&#160; Apesar de ter visitado mais localidades durante a estadia, foi aí, nessas duas cidades, que assentei arraiais, por vários dias, fazendo depois incursões com algumas dezenas de quilómetros a outras tantas urbes vizinhas, umas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Escolhi as duas grandes regiões vitivinícolas de França. A Gasconha, tendo por capital Bordéus, e a Bourgogne, tendo como capital, Dijon.&nbsp; Apesar de ter visitado mais localidades durante a estadia, foi aí, nessas duas cidades, que assentei arraiais, por vários dias, fazendo depois incursões com algumas dezenas de quilómetros a outras tantas urbes vizinhas, umas com mais carga histórica e arquitetónica, outras com mais beleza paisagística. Não dei a minha viagem por mal empregue.</p>



<p>Escolhi a opção <strong>AL</strong>, sigla para <strong>Alojamento Local</strong>, para pernoitar, negócio que parece estar a disseminar-se pelo planeta fora, sendo que na Europa está a atingir o seu ponto de saturação.</p>



<p>Mas este tipo de alojamento, alternativo ao tradicional Hotel/Pousada, por norma mais económico e mais livre de horários, já teve melhores dias. A proliferação dos espaços de <strong>AL</strong> por todo o lado, acaba por tornar as cidades numa autentica selva de moradores ocasionais, onde muitos proprietários vendem o que não existe, sem se aperceberem que mais cedo ou mais tarde, serão eles mesmos a suas próximas vitimas.</p>



<p>Por norma não reservo nada sem ver as avaliações dadas pelos clientes anteriores. O problema é que a maioria de nós utiliza estes espaços e não pontua nem os comenta, no final da sua estadia. Na sua escolha limitam-se a olhar para a pontuação no cimo da publicação e não leem os comentários produzidos por outros. Mas devíamos fazê-lo, pois compra-se muito gato por lebre. Eu sou bastante exigente nos locais que escolho. Mas tive surpresas agradáveis onde a pontuação era apenas 7,9 em 10, e desagradáveis onde essa mesma pontuação era 8,7 em 10.  Só que na pontuação mais baixa, essa média correspondia à avaliação de 1500 clientes. Na pontuação mais alta, a média correspondia apenas a 67 utilizadores.</p>



<p>Devemos procurar sempre ir para sítios com mais de uma centena de avaliações, no mínimo. Ler os comentários, ainda que não todos, é uma maçada, acredito, mas fundamental para os alojamentos que tiverem pontuações mais baixas e os mais recentes. Nomeadamente com reclamações e recomendações. Algumas delas são especificas e esclarecedoras, com respostas e desculpas dadas pelo proprietário. Só assim poderemos escolher conscientemente, evitando incómodos, sendo servidos com mínimo de qualidade e dignidade. A avaliação do critério <em>limpeza da habitação</em> e <em>proximidade de transportes públicos</em> deve ser importante. Até porque na maioria das vezes, entramos e saímos do imóvel sem nos cruzarmos com ninguém, pois recebemos um código com um conjunto de números que nos abre uma porta desse imóvel, onde no seu interior, fixo na parede, está uma caixa tipo cofre, que se abre com outro código, e no qual está a chave do apartamento reservado.</p>



<p>Entras e sais do local onde estás a residir por uns dias, sem saberes se o dono daquilo é um proprietário individual ou uma imobiliária.</p>



<p>Enfim, sinais dos tempos …</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/08/airbnb-2.jpg" alt="" class="wp-image-28021"/></figure>
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		<title>DA LUTA DE CLASSES</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Aug 2023 23:43:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Chamam-lhe romance gráfico, é uma história muito autobiográfica. Mas, enfim, quem na Europa viveu essa época e as décadas seguintes, reconhece-se em muitas situações que são retratadas nesta narrativa, seja em que lado se coloque da barricada: o da direita ou o da esquerda. “Elise e os Novos partisans” é a narrativa da luta de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Chamam-lhe romance gráfico, é uma história muito autobiográfica. Mas, enfim, quem na Europa viveu essa época e as décadas seguintes, reconhece-se em muitas situações que são retratadas nesta narrativa, seja em que lado se coloque da barricada: o da direita ou o da esquerda.</p>



<p>“Elise e os Novos partisans” é a narrativa da luta de classes, da repressão policial, das guerras coloniais, da imigração dos <em>bidonville</em> e da pobreza dos imigrantes, fossem eles argelinos ou portugueses.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/08/elise-luta-de-classes.jpg" alt="" class="wp-image-27957"/></figure>



<p>A história foi escrita por Dominique Grange e desenhada por Jacques Tardi (um mestre da BD) e foi já publicada em muitos países, incluindo Portugal, e proscrita em alguns, incluindo a Alemanha. Há convicções que desagradam a alguns democratas e a tendência para a proibição está cada vez mais evidente nas decisões políticas.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/08/elise-2.jpg" alt="" class="wp-image-27959"/></figure>



<p>Na narrativa há várias referências a Portugal e a emigrantes portugueses que viveram os violentos combates de rua com a polícia de choque francesa, as greves selvagens, a clandestinidade. E a boa surpresa que foi a revolução do 25 de abril de 1974 na esquerda francesa, nomeadamente nos grupos maoistas que tinham o lema “ousar lutar, ousar vencer” que o MRPP adotou em Portugal.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/08/elise-25-avril.jpg" alt="" class="wp-image-27960"/></figure>



<p>No fim, muitas desilusões e uma única certeza: a luta continua. É um livro imperdível, uma banda desenhada que, com emoção, nos transporta no tempo.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="856" height="1079" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/08/elise-livro.jpg" alt="" class="wp-image-27962"/></figure>
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		<title>GUERRA NA UCRÂNIA ESTENDE-SE PARA ÁFRICA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Aug 2023 11:31:50 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[golpe de Estado no Níger]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O golpe de Estado da semana passada derrubou um regime amigo da França e do mundo ocidental, os novos detentores do poder parecem estar próximos da Rússia. Nas ruas da capital nigeriana, Niamey, são frequentes os sinais da influência russa e do grupo Wagner. Nas manifestações há sempre bandeiras e cartazes sobre a amizade com [&#8230;]</p>
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<p>O golpe de Estado da semana passada derrubou um regime amigo da França e do mundo ocidental, os novos detentores do poder parecem estar próximos da Rússia.</p>



<p>Nas ruas da capital nigeriana, Niamey, são frequentes os sinais da influência russa e do grupo Wagner. Nas manifestações há sempre bandeiras e cartazes sobre a amizade com a Rússia.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Niamey, instabilidade política" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/--vdYcibGtQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>vídeo</sub></em></figcaption></figure>



<p>O Níger tem sido um dos principais fornecedores de matéria prima para a indústria europeia, nomeadamente urânio, o metal radioativo amplamente utilizado para a energia nuclear e em armas nucleares, bem como na medicina para o tratamento do cancro.</p>



<p>O Presidente da França fez uma declaração infeliz, ao dizer eu iria retaliar militarmente se os interesses da França fossem prejudicados. Macron trata o Níger como uma colónia e, na verdade, é o que o país tem sido mesmo depois da independência. No país há bases militares da França, Estados Unidos e Alemanha, alegadamente para combater o avanço de extremistas islâmicos.</p>



<p>Depois de recentes golpes de Estado no Burkina Faso e Mali, países vizinhos do Níger, onde a França também tinha milhares de soldados estacionados e foi obrigada a retirá-los, este será mais um revés para as políticas neocolonialista dos países europeus e dos EUA.</p>



<p>Apesar das ameaças de Macron, a embaixada da França foi atacada e parcialmente incendiada. Curiosamente, a reação imediata surgiu no âmbito da CEDEAO, Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, que ameaçou com sanções e invasão militar para repor a ordem institucional.&nbsp; A Junta Militar que assumiu o poder no Níger respondeu dizendo que a posição da CEDEAO era uma manipulação dos países ocidentais e que qualquer intervenção militar estrangeira seria combatida com determinação pelo povo do Níger.</p>
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		<title>COM AMIGOS DESTES, QUEM PRECISA DE INIMIGOS?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Jul 2023 23:00:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aparentemente, a política tem razões que a razão desconhece. Tão depressa tratam as pessoas com deferência como a mandam matar. Não, não estamos a falar de regimes ditatoriais horríveis de África, Ásia ou da América Latina. Estamos a falar das nossas democracias europeias, civilizadas, éticas, defensoras do primado da lei, etc. Vem isto a propósito [&#8230;]</p>
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<p>Aparentemente, a política tem razões que a razão desconhece. Tão depressa tratam as pessoas com deferência como a mandam matar. Não, não estamos a falar de regimes ditatoriais horríveis de África, Ásia ou da América Latina. Estamos a falar das nossas democracias europeias, civilizadas, éticas, defensoras do primado da lei, etc.</p>



<p>Vem isto a propósito de um livro agora publicado por Jean-François Lhuillier, membro dos serviços secretos franceses, chefe operacional destacado em Tripoli, na Líbia. O livro que ele escreveu, agora que se reformou, &#8220;O Homem de Trípoli: Memórias de um Agente Secreto&#8221;, revela como o Presidente da França atraiçoou o Presidente da Líbia, Muammar Kadhafi.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="183" height="276" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/07/Jean-Francois-Lhuillier2.jpg" alt="" class="wp-image-27526"/></figure></div>


<p>Neste relato, Jean-François Lhuillier afirma que a operação foi ordenado por Nicolas Sarkozy sem prevenir o que viria depois. E o que veio depois foi a destruição de um país, uma guerra civil, milhares de mortos, instabilidade para toda a região do Mediterrâneo, incluindo a Europa.</p>



<p>Lhuillier escreve que &#8220;Eliminámos Kadhafi e destruímos o seu país sem nos preocuparmos com o facto de se tratar de uma muralha contra o terrorismo islâmico”. E desvenda uma hipótese para Sarkozy querer Khaddafi fora de cena: Sarkozy era suspeito de ter recebido dinheiro do ditador líbio para fazer campanha política em 2007, milhões de dólares segundo relatos da imprensa na época.</p>



<p>No livro, Lhuillier diz que membros dos governos francês e líbio tinham ligações estreitas entre si antes desta questão ter surgido. Foi depois disso que elementos da Direção-Geral de Segurança Externa (DGSE) – serviços secretos franceses – passaram a colaborar com grupos rebeldes líbios.</p>



<p>Ainda segundo as confissões agora publicadas, os serviços secretos britânicos colaboraram com a França para derrubar Khaddafi.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Khaddafi em Portugal</strong></h3>



<p>Provocar a queda do líder líbio não terá sido apenas uma velhacaria, mas foi também um erro tremendo. A Líbia estava a estender a mão à Europa, depois de décadas de antagonismo político. Khaddafi procurava prestígio internacional, depois de ter iniciado um processo de desenvolvimento económico sustentado na venda de hidrocarbonetos à Europa. Havia muitos projetos que iriam beneficiar empresas europeias, na construção civil, na indústria, no desenvolvimento agrícola.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1499" height="963" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/07/khaddafi-em-lisboa.jpg" alt="" class="wp-image-27522"/></figure>



<p>Em 2007, Khaddafi esteve em Lisboa para participar na Cimeira União Europeia – África. O primeiro-ministro português exercia na altura a Presidência da EU. Sócrates dedicava especial atenção à Líbia, onde se deslocou várias vezes para assinar acordos bilaterais.</p>



<p>Quem tiver memória, deve estar recordado da sumptuosa tenda que Khaddafi mandou erguer no Forte de São Julião da Barra. Aí recebeu Sócrates, ministros vários e outros chefes de Estado. E foi recebido em São Bento com todas as honras.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/07/khaddafi-com-socrates-2.jpg" alt="" class="wp-image-27523"/></figure>



<p>Enfim, a traição de Sarkozy foi, também, uma punhalada nas costas dos interesses portugueses.</p>



<p>O livro está à venda na Amazon. Custa 30 euros. Em França, a publicação deste livro está a ser um sucesso, com imensas repercussões mediáticas. Mas isto é gente sem vergonha na cara.</p>



<p></p>
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