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	<title>Arquivo de falsos refugiados - Duas Linhas</title>
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		<title>Uns e Outros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Margarida Maria]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Apr 2022 23:02:07 +0000</pubDate>
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<p>Na fila do supermercado uma senhora brasileira conta à menina da caixa: ‘Imagina que trabalhava lá há quatro anos. E despedida assim, sem mais, porque contratou uma rapariga ucraniana. Tenho três filhos e sou sozinha’. ‘Mas porquê?’, perguntou a menina da caixa. ‘Que justificação te deu?’. E a senhora brasileira: ‘Dão 280 euros a quem contratar pessoas da Ucrânia’. A conversa seguiu com várias considerações sobre refugiados e emigrantes. Confesso que só prestei atenção quando a senhora, obviamente empregada doméstica, disse: ‘mas agora quem vai decidir sou eu!’. Já a pagar as minhas compras, perguntei à funcionará da caixa, que conheço há mais de um ano, o que é que a senhora despedida vai decidir. Eis a explicação: ‘a patroa despediu-a, ao fim de quatro anos. Mas a nova empregada (pela qual recebe 280 euros de subsídio) não faz trabalhos pesados, como aspirar e lavar chãos’. Diante do meu ar espantado (eu só preciso de empregada exactamente para fazer os trabalhos pesados), acrescentou: ‘E metade do tempo de trabalho fica sentada à mesa a tomar o pequeno-almoço e o almoço. Por isso, a dona da casa decidiu ligar à senhora brasileira para voltar e ajudar a senhora ucraniana a fazer a limpeza toda da casa’. Vim embora do supermercado.</p>



<p>Incrédula, perguntei a uma amiga que trabalha no SEF se isto era verdade. Confirmou-mo. Com espanto, contei a um amigo que vive no Porto. Ele também me relatou a sua história: homem solidário e de posses, disponibilizou a uma associação de refugiados uma casa que tinha vazia. Foi ocupada por uma senhora e dois filhos pequenos. ‘Tudo muito bem-educado, incluindo as crianças’. Mas, um dia, chegou à casa e estava lá um homem que lhe foi apresentado como sendo o pai das crianças, que já não era seu marido. Então, mas os homens não têm de ficar na Ucrânia? Aparentemente este senhor já cá vivia, mas a ex-mulher e os filhos beneficiam do estatuto de refugiados, que também lhe está a servir a ele, pese embora o facto de não o ser. O meu amigo recorda-se bem dos problemas que no final dos anos 90 e no início deste século aconteceram com as máfias do Leste e, naturalmente, está receoso.</p>



<p>Os portugueses foram imigrantes durante muitos anos. Ainda são. Talvez por isso sejamos tão sensíveis aos que vêm de fora. Ai somos? E como tratamos os nossos emigrantes, por exemplo, das ex-colónias? E aqueles que não morrem antes de chegarem à Europa, de barco, em situação miserável? Esses vão para campos de refugiados… Fico parada a pensar que há uns e os outros.</p>



<p>E mesmo em relação aos refugiados, onde estão os sírios, os do Afeganistão e tantos outros? Parece-me que Portugal, a Europa em geral, se arrisca a tornar-se num imenso campo de refugiados e emigrantes, bem como de oportunistas e criminosos responsáveis por tráfico humano.</p>



<p>É bom que as autoridades nacionais e as europeias abram bem os olhos e comecem a fazer a triagem dos que são efectivamente e dos que aparentam ser. Sendo certo que há sempre uns e os outros…</p>
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