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	<title>Arquivo de exploração de recursos minerais - Duas Linhas</title>
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		<title>Lítio, sim ou não?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Dec 2021 00:02:00 +0000</pubDate>
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<p>Independentemente das questões técnicas, a decisão terá sempre um critério político. E este Governo e este ministro do Ambiente, parecem rendidos à inevitabilidade de se autorizar a mineração do lítio. O ministro diz que “o lítio é essencial para a descarbonização” e que “o lítio é essencial para a digitalização”, dois desígnios maiores que a preservação do ambiente nos locais onde as minas vão escavar as montanhas e destruir paisagens e modos de vida.</p>



<p>A vida nas aldeias localizadas nas áreas onde se vão instalar as minas de lítio vai ser profundamente afetada. Estamos a falar de pequenos agricultores, pequenos criadores de gado, alguma produção de madeira, algum turismo local. Mas até essas pessoas não prescindem dos seus telemóveis e, se puderem, é possível que também elas queiram, um dia, comprar um automóvel elétrico. São os chamados danos colaterais. É o preço a pagar pelo chamado progresso.</p>



<p>Ainda assim, o ministro do Ambiente jura que não haverá nenhuma mina de lítio em áreas naturais protegidas, nomeadamente em territórios que façam parte da Rede Natura 2000.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Município da Guarda não quer minas de lítio</strong></h3>



<p>Em causa estão oito áreas do Norte e Centro do país: Arga (Viana do Castelo), Seixoso-Vieiros (Braga, Porto e Vila Real), Massueime (Guarda), Guarda – Mangualde (quatro zonas espalhadas por Guarda, Viseu, Castelo Branco e Coimbra) e Segura (Castelo Branco). O município da Guarda já <strong><a href="https://www.mun-guarda.pt/noticias/1515-camara-da-guarda-contra-a-pros">emitiu um parecer desfavorável</a></strong> à exploração de lítio no concelho.</p>



<p>No site da Câmara Municipal, explica-se que o “chumbo” se deve ao projeto prever a prospeção em “dois terços do concelho e em 31 das 43 freguesias”. Ou seja, o município iria ser transformado num imenso buraco a céu aberto…</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2021/12/cidade-da-guarda-2.jpg" alt="" class="wp-image-15437" width="623" height="350"/><figcaption>cidade da Guarda</figcaption></figure></div>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Multinacionais prometem fábrica para tratamento do lítio</strong></h3>



<p>Mas estas reticências não impressionam as multinacionais. A Galp e a <strong><a href="https://northvolt.com/">Northvolt</a></strong> anunciaram um investimento conjunto na ordem dos 700 milhões € e 1500 postos de trabalho numa fábrica de conversão de lítio a instalar em Portugal. Não se trata de fabrico de baterias, apenas da preparação do lítio para poder ser usado nas baterias. Mas sempre é uma mais-valia para o minério que se extrair em Portugal e que, assim, não será exportado em bruto.</p>



<p>Mais uma vez, o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, veio concordar com aquilo a que chamou de “projeto inovador”.</p>



<p>Existem muitas dúvidas e muitos argumentos contra a exploração de lítio. Para muitas pessoas, descarbonizar não é apenas trocar os motores de combustão dos automóveis por motores elétricos, quando isso implica continuar a explorar recursos minerais, destruir habitats, arruinar reservas aquíferas. </p>



<p>Mas, enfim. Com a bênção do ministro do Ambiente, o projeto Galp/Northvolt, batizado <strong><a href="https://northvolt.com/articles/galp-and-northvolt-aurora/">Aurora</a></strong>, parece destinado a alicerçar-se algures em Portugal. &nbsp;Ainda não se sabe onde, a ‘joint venture’ está atualmente a realizar estudos técnicos e económicos e a analisar várias localizações possíveis para a unidade em Portugal.</p>



<p>Está também “a explorar as opções adequadas de financiamento no âmbito da transição energética, de modo a reforçar o desenvolvimento do projeto”, segundo foi dito. Quererá isto dizer que é mais um projeto para ser financiado pela “bazuca”? Será o mesmo que dizer que são os contribuintes europeus a financiar o negócio destes privados. </p>



<p></p>
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