<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivo de Europa e Rússia - Duas Linhas</title>
	<atom:link href="https://duaslinhas.pt/tag/europa-e-russia/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://duaslinhas.pt/tag/europa-e-russia/</link>
	<description>Informação online</description>
	<lastBuildDate>Sat, 13 Dec 2025 00:44:13 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-PT</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.7.5</generator>

<image>
	<url>https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2022/08/cropped-KESQ1955-png-32x32.png</url>
	<title>Arquivo de Europa e Rússia - Duas Linhas</title>
	<link>https://duaslinhas.pt/tag/europa-e-russia/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">214551867</site>	<item>
		<title>UM PRECEDENTE PERIGOSO</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2025/12/um-precedente-perigoso/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2025/12/um-precedente-perigoso/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[António da Cunha Justo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Dec 2025 00:44:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Europa e Rússia]]></category>
		<category><![CDATA[guerra na Ucrânia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=45962</guid>

					<description><![CDATA[<p>A vigilância cívica é o último garante contra a corrosão da democracia, das liberdades e o abuso de poder.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/um-precedente-perigoso/">UM PRECEDENTE PERIGOSO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A recente decisão da União Europeia de manter imobilizados os ativos do Banco Central da Rússia, baseada numa cláusula de “emergência económica”, consolida um padrão preocupante porque arbitrário. Este mecanismo, justificado como excecional, permite contornar a regra da unanimidade entre Estados-Membros, princípio fundador que garante equilíbrio e soberania dentro do bloco. A prática, já testada durante a pandemia de Covid-19, revela como a classificação de uma situação como “emergência” serve frequentemente de pretexto para decisões políticas rápidas, pouco escrutinadas e potencialmente arbitrárias.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O Equilíbrio Perdido: Segurança contra Soberania</strong></h4>



<p>Este caso vai além do juízo sobre a Rússia e coloca uma questão fundamental: qual é o equilíbrio adequado entre medidas de segurança económica ou estratégica e os princípios de propriedade privada e soberania financeira? E, sobretudo, quem decide esse equilíbrio, e com que mandato? O que hoje se aplica a ativos russos pode, amanhã, justificar o bloqueio de contas de qualquer cidadão ou Estado sob nova “emergência”. A arrogância do poder, a pretexto do Covid e da Guerra, está a corroer as garantias legais e a tornar-se insuportável para cidadãos conscientes.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/mHekrjI.png" alt="" class="wp-image-45976"/><figcaption class="wp-element-caption">A.Costa e Ursula von der Leyen, o apoio à Ucrânia na guerra contra a Rússia</figcaption></figure></div>


<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>Geopolítica na UE: A Lei do Mais Forte</strong></h4>



<p>A guerra na Ucrânia evidenciou, de forma crua, as divisões geopolíticas na Europa. Em vez de uma resposta verdadeiramente coletiva, assistiu-se ao oportunismo de uma Europa dividida, onde os interesses das grandes potências (Alemanha, França e, outrora, o Reino Unido), frequentemente se sobrepõem aos dos demais Estados-membros. Para impor os seus interesses, estas potências recorreram ao estratagema da “emergência”, suspendendo o compromisso da unanimidade e, com ele, o principal mecanismo de proteção das soberanias nacionais mais pequenas.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/9x7QhzG.png" alt="" class="wp-image-45973"/></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>Os Pequenos Estados: Campo de Batalha das Potências</strong></h4>



<p>Esta dinâmica segue a lógica da “lei do mais forte”, que só é contida por um poder equivalente. Na sua ausência, os países menores tornam-se o campo de batalha onde as potências disputam influência, vendo-se obrigados a “pôr-se em bicos de pés” para se alinharem com os grandes. Essa posição é instável e leva à abdicação dos seus próprios interesses nacionais, como se observa no isolamento imposto a países como a Hungria quando ousam divergir. O fraco é instrumentalizado, e a solidariedade europeia revela-se seletiva.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/CCOBka3.jpeg" alt="" class="wp-image-45969"/><figcaption class="wp-element-caption">O Presidente da Hungria contestatário das políticas da UE em relação à Rússia e à guerra na Ucrânia</figcaption></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>Consequências: Erosão da Confiança e Danos Colaterais</strong></h4>



<p>O congelamento prolongado de ativos soberanos, agora normalizado como procedimento automático, fragiliza a confiança no sistema financeiro internacional e levanta sérias dúvidas sobre a proporcionalidade e a transparência das instituições da UE. Além disso, o recurso crescente a sanções económicas como instrumento político raramente atinge apenas as elites; os danos espalham-se maleficamente por sociedades inteiras, afetando cidadãos comuns tanto do lado sancionado como do lado sancionador. A história mostra que os conflitos são muitas vezes alimentados por elites, mas os custos são invariavelmente distribuídos pelos povos.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/xOw1ImU.jpeg" alt="" class="wp-image-45966"/></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>O Imperativo da Vigilância Cívica</strong></h4>



<p>Num momento em que decisões cruciais são tomadas em nome da Europa, é fundamental que os cidadãos mantenham um espírito crítico aguçado e exijam transparência absoluta. É urgente recordar aos representantes que a democracia não pode degenerar num governo tecnocrático, autoritário e opaco, desligado do bem comum. A vigilância cívica é o último garante contra a corrosão da democracia, das liberdades e o abuso de poder. Não podemos permitir que “emergência” se torne sinónimo de arbitrariedade institucionalizada.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/WMcDzSW.jpeg" alt="" class="wp-image-45964"/></figure></div>


<p><sub>(artigo também publicado no blog <strong><a href="https://antonio-justo.eu/?p=10486">Pegadas do Tempo</a></strong>)</sub></p>
</div></div>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/um-precedente-perigoso/">UM PRECEDENTE PERIGOSO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2025/12/um-precedente-perigoso/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">45962</post-id>	</item>
		<item>
		<title>GUERRA NA UCRÂNIA</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2025/11/guerra-na-ucrania/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2025/11/guerra-na-ucrania/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[António da Cunha Justo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Nov 2025 00:00:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Europa e Rússia]]></category>
		<category><![CDATA[geopolítica]]></category>
		<category><![CDATA[guerra na Ucrânia]]></category>
		<category><![CDATA[mundo multipolar]]></category>
		<category><![CDATA[NATO na fronteira com a Rússia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=45251</guid>

					<description><![CDATA[<p>A guerra na Ucrânia expôs as contradições do Ocidente</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/11/guerra-na-ucrania/">GUERRA NA UCRÂNIA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A guerra na Ucrânia expôs as contradições do Ocidente e revelou que o mundo já não se organiza em torno de uma única hegemonia. Entre velhas potências e novos polos, o futuro exigirá reconciliação, complementaridade e coragem política.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>A narrativa que se desmorona</strong></h4>



<p>Quando o conflito na Ucrânia acabar, a classe política e o jornalismo europeus enfrentarão um sério embaraço. Terão de reconhecer que a narrativa que ajudaram a construir foi parcial, simplista e, em muitos casos, manipuladora e enganosa. Portugal, infelizmente, não escapa a esse enredo de formatação da opinião pública que foi conduzida a uma visão distorcida dos factos.</p>



<p>Durante anos, o discurso político-mediático formatou o pensamento coletivo, condicionando a perceção popular dos factos. Mas a realidade factual, uma Europa em declínio, subordinada a uma NATO e a uma burocracia de Bruxelas cada vez mais distantes dos valores humanistas, acabará por impor-se.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>Portugal e o peso da submissão diplomática</strong></h4>



<p>O Palácio das Necessidades, símbolo da diplomacia portuguesa, tornou-se quase numa “casa de necessidades”, administrando interesses externos em vez de defender a identidade nacional. Portugal, com a sua experiência multicultural e o seu histórico de convivência entre povos, poderia exercer um papel exemplar na diplomacia internacional, defendendo, para isso, uma política externa baseada na irmandade e complementaridade dos povos, e não na submissão a blocos.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/x07CXDO.png" alt="" class="wp-image-45257"/><figcaption class="wp-element-caption">colagem fotográfica</figcaption></figure></div></div></div>



<p>Washington e Bruxelas perdem credibilidade à medida que o mundo se reorganiza em torno de novos polos, como os BRICS, que representam uma alternativa concreta à hegemonia anglo-americana. A Europa, porém, insiste num modelo de dependência militar e ideológica que a prende ao passado.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>A guerra como instrumento geopolítico</strong></h4>



<p>O que se apresenta como uma “guerra entre a Ucrânia e a Rússia” é, na verdade,&nbsp;um conflito instrumentalizado, um tabuleiro geopolítico em que a Ucrânia é usada como “cavalo de Troia” de um mundo velho, por potências que pretendem prolongar a sua influência global. O povo ucraniano, composto por diversas etnias que antes viviam em paz, tornou-se vítima de uma guerra que serve mais os mercados e as indústrias militares do que a justiça ou a democracia.</p>



<p>Países como Estónia, Letónia e Lituânia enfrentam idêntico destino: são peças menores num jogo de hegemonias. Historicamente, o Ocidente tem sido o mais agressivo nas suas políticas expansionistas, fomentando desestabilizações internas para justificar a sua intervenção. Trata-se de um&nbsp;expansionismo refinado e hipócrita, que utiliza as fragilidades dos pequenos para ampliar o poder dos grandes.</p>
</div></div>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/WIP0mDQ.png" alt="" class="wp-image-45261"/><figcaption class="wp-element-caption">colagem fotográfica &#8211; Zelensky, Órban, Putin e Trump</figcaption></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>O vazio moral da Europa tecnocrática</strong></h4>



<p>Enquanto líderes como Viktor Orbán, em Budapeste, afirmam uma visão alternativa de soberania europeia, a União Europeia mostra-se incapaz de responder à mudança histórica em curso. Enredada em contradições, aposta na indústria militar e compromete o seu próprio futuro económico.</p>



<p>A prosperidade europeia floresceu quando predominavam governos social-democratas e conservadores moderados que eram os herdeiros do&nbsp;humanismo cristão&nbsp;e do&nbsp;capitalismo social&nbsp;que nasceram do Iluminismo e da doutrina social da Igreja Católica. Essa herança ética e filosófica foi sendo substituída por um tecnocratismo sem alma, afastado da experiência humana real.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>A nova ordem multipolar</strong></h4>



<p>A nova geopolítica já não se organiza em torno de um único poder. O futuro do mundo será moldado por&nbsp;hegemonias partilhadas, em que Estados Unidos e China se reconhecerão mutuamente como parceiros e rivais necessários. A paz não virá da imposição de blocos, mas da interligação das economias e da complementaridade entre regiões.</p>



<p>Nesse cenário, a&nbsp;Europa e a Rússia&nbsp;só terão futuro se compreenderem que a reconciliação entre elas é condição de sobrevivência. Ou se reconciliam e colaboram, ou se tornam irrelevantes na nova ordem bipartida que se desenha. O mundo está a tornar-se bipolar, mas ainda há espaço para uma terceira via, a via da lucidez, da dignidade e da paz.</p>



<p>Há momentos em que se torna imprescindível interrogar a legitimidade das decisões proferidas em contextos de profunda incerteza, sob o prisma cultural e político-social, de modo a enriquecer o debate e integrar visões até então marginalizadas.</p>
</div></div>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/11/guerra-na-ucrania/">GUERRA NA UCRÂNIA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2025/11/guerra-na-ucrania/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">45251</post-id>	</item>
		<item>
		<title>A IDENTIDADE EUROPEIA</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2025/10/a-identidade-europeia/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2025/10/a-identidade-europeia/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Oct 2025 09:00:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[NA OUTRA MARGEM]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[alargamento da União Europeia]]></category>
		<category><![CDATA[Europa e EUA]]></category>
		<category><![CDATA[Europa e Rússia]]></category>
		<category><![CDATA[geopolítica]]></category>
		<category><![CDATA[guerra na Palestina]]></category>
		<category><![CDATA[guerra na Ucrânia]]></category>
		<category><![CDATA[identidade europeia]]></category>
		<category><![CDATA[imigração]]></category>
		<category><![CDATA[mundo multipolar]]></category>
		<category><![CDATA[União Europeia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=45042</guid>

					<description><![CDATA[<p>Alguma vez existiu uma “identidade europeia”?</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/10/a-identidade-europeia/">A IDENTIDADE EUROPEIA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Pouco após ter sido declarado o fim das hostilidades na Guerra do Iraque, o filósofo alemão Jurgen Habermas, com o apoio do seu colega francês Jacques Derrida, publicou um manifesto, num dos principais diários alemães, invocando a noção de uma “Europa nuclear”, distinta da Inglaterra e dos novos Estados-Membros do Centro e Leste europeus e definiu-a, sobretudo, pelas suas tradições secular, iluminista e social-democrata – procurando constituir uma identidade europeia com base nessas tradições. </p>



<p>Uma componente chave do manifesto, era a sua insistência na necessidade de um contrapeso para a percepcionada influência dos Estados Unidos, um tema que tem tido grande ressonância em discussões ainda recentes sobre o estabelecimento de uma força militar europeia fora das estruturas de comando da NATO. Este manifesto e os artigos que, em reacção, se lhe seguiram, por parte de outros proeminentes intelectuais europeus, entre os quais Umberto Eco ou Gianni Vattimo, para nomear apenas dois, publicados nos principais jornais da Europa, acenderam um debate sobre a natureza da Europa e das relações transatlânticas, que ainda hoje está longe do seu termo, e que, com a Guerra na Ucrânia, e a alteração do poder nos Estados Unidos, se tornou a chave-mestra para o futuro da Europa, ou melhor da União Europeia, enquanto potência relevante num espaço multipolar, onde pontuam China, Estados Unidos e Rússia.</p>



<p>O que é a identidade europeia? Em que é que deve consistir? Como é que pode acomodar as diferenças entre nações? Estas e muitas outras questões, relacionadas sobre a possibilidade de criar um modo supranacional de identificação, estão no centro de um processo de construção europeia que reconhece já, claramente, as limitações de um “focus” utilitário na cooperação económica. Não é apenas o desdém pelos eurocratas, mas também o facto de que as relações económicas, num contexto de expansão da União, se tornaram objecto de tensos conflitos intraeuropeus, que provocam um sentimento de urgência sobre a necessidade de estabelecer atributos culturais comuns. Aqui, a Europa encontra-se numa tensão contínua entre o desejo de replicar a experiência nacional que olha para os passados partilhados, sejam eles baseados na geografia, nos valores, na religião ou na história, e o reconhecimento de que, aglutinar tais passados num todo referencial comum, complica seriamente a questão. </p>



<p>Alguém sugeriu a razão chave pela qual a “Europa” não foi bem-sucedida em capturar o envolvimento emocional dos seus cidadãos-membros: à União Europeia faltaria o elemento crucial da “libertação” – fosse a libertação de uma forma ilegítima de governo ou a libertação de um domínio externo – aquela “libertação” que, tipicamente, ao longo de séculos, deu origem ao nascimento de novos estados. A incapacidade de visualizar a conclusão do processo de construção europeia como uma “libertação”, através de uma ruptura, dando origem a um momento seminal, repositório de novas esperanças e novos desígnios, restringe, profundamente, o entusiasmo dos cidadãos da Europa.</p>



<p>Ao nível oficial a tendência é olhar para o futuro, <em>vide</em> o desígnio do Euro, com os seus símbolos neutros de pontes e outras ligações, é disso um exemplo. Se examinarmos as representações contidas em manuais, cedo nos apercebemos que a “Europeidade”, se assim lhe podemos chamar, não se funda em termos de origens ou narrativas religiosas e éticas, mas em princípios universais mais abstractos. O equilíbrio entre o universalismo e o particularismo são parte desta discussão. Assim, por exemplo, a sugestão de Habermas, de que 15 de Fevereiro de 2003 &#8211; data em que ocorreram as maiores manifestações desde a Segunda Guerra Mundial, em Londres, Roma, Madrid, Barcelona, Berlim e Paris, em protesto contra a Guerra do Iraque e contra o apoio dado por alguns dos Estados-Membros da União a George W. Bush &#8211; constitui a data de nascimento de uma esfera pública europeia foi, por alguns, criticada, ao ignorar o facto de que as manifestações contra a guerra do Iraque não foram apenas europeias, foram sim, de facto, mundiais. </p>



<p>Ideais e princípios universalistas, não podem, pois, ser confinados à Europa e aos seus Estados-Membros. Isto é o que torna impossível definir uma identidade europeia ligada pelo território e pela cultura. Mas, paradoxalmente, isto é o que também torna a identidade europeia possível, uma identidade que transcende a Europa e que é legitimada por reivindicações de universalidade em vez de particularismos, ou seja, esta Europa não existe contra os seus “outros”.</p>



<p>Em contraponto, a Europa do manifesto Habermas-Derrida – a mesma que está envolvida num aceso debate sobre as suas políticas multiculturais e transformações demográficas (um eufemismo para a cada vez maior presença de não-cristãos e, mais especificamente, muçulmanos) &#8211; parece mais concentrada nas funções coesivas da manutenção de fronteiras, tanto literalmente, como culturalmente. </p>



<p>A ideia de uma “Europa Fortaleza” há muito entrou na corrente geral das políticas de emigração. Figurativamente, a globalização tornou-se uma fonte de refúgio nostálgico para muitos. Terá a ruptura transatlântica sido ou será ainda a percepção antiamericana dos europeus também o reflexo de um hábito que requer um “outro” constitutivo? Na verdade, convém não esquecer, a Cortina de Ferro &#8211; e a oposição diametral que lhe deu origem &#8211; serviram uma função política e cultural importante. Agora, a ameaça é mais amorfa, perigosa, porque híbrida, e apresenta-se sob a forma de globalização e outras forças desconhecidas. Culturalmente falando, os Estados Unidos parecem funcionar como um substituto para os efeitos negativos de um mundo que se globaliza. Globalização é, aliás, frequentemente percepcionada como americanização. </p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>TRUMP NUNCA GOSTOU DA EUROPA</strong></h4>



<p>As referências aos Estados Unidos parecem muitas vezes servir o papel do novo “outro constitutivo” da Europa. A um nível mais profundo, as tensões transatlânticas são também uma função de concepções de universalismo distintas e em competição. A insistência da União Europeia em ser um projecto baseado numa memória colectiva de valores universalistas, colide com a missão universal dos Estados Unidos e com uma resistência global crescente a um universalismo percebido como uma imposição do ocidente. Esta concepção acentuou-se e ganhou relevo com o novo mandato de Trump, que nunca gostou da Europa e que usa a “guerra comercial” para impor um forte domínio dos Estados Unidos sobre a Europa, numa tentativa de desagregação do bloco europeu, com o claro intuito de acentuar a vertente bipolar do Mundo, reduzido a duas esferas de influência, a China e os Estados Unidos.</p>



<p>Neste confronto e na essência do “outro constitutivo”, verifica-se que o mesmo não se encontra apenas no exterior da Europa. Está já no interior das suas fronteiras: a crescente população islâmica e os novos Estados-Membros da Europa Central e de Leste. Relativamente a estes últimos: tendo tido de preencher uma longa lista de condições políticas e económicas para aderir à União Europeia, bem como tomar parte em negociações mais recentes sobre a liberdade de circulação de pessoas e trabalhadores, os novos Estados-Membros têm-se vindo a sentir como uma espécie de cidadãos de segunda classe no projecto europeu. </p>



<p>Se a isto juntarmos a incapacidade da “velha Europa” em concordar com uma Constituição, e face à ausência de um momento constitucional, esta percepção levantou um rol de preocupações entre os novos membros. Em última análise, a idealização da Europa (que para muitos deles ainda é a Europa Ocidental) está agora exposta a momentos transnacionais que requerem ajustamentos e são solo fértil para a desilusão decorrente de expectativas que ficaram por cumprir.</p>



<p>Podemos afirmar que é inescapável o reconhecimento de que as divergências e o fosso escavado entre a Europa e os Estados Unidos, durante a Guerra do Iraque, tiveram um significado durável patente na modelação do projecto europeu, não obstante, a inflexão produzida pela entrada em funções da administração de Barack Obama. </p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>TRUMP, UCRÂNIA E GAZA DIVIDIRAM A EUROPA </strong></h4>



<p>Os últimos alargamentos da União para acolher os países da Europa Central e de Leste, e a consequente tensão entre visões antagónicas ou pelo menos dificilmente conciliáveis sobre a relação transatlântica, apontam claramente para a urgência de clarificar as percepções, os entendimentos do “outro”, de cada um dos lados do Atlântico. Apesar das ocasionais críticas acrimoniosas, a acesa e vibrante discussão produzida nos últimos tempos entre alguns dos mais dignos e destacados representantes das elites intelectuais e culturais da Europa e dos Estados Unidos, é por si só testemunho da importância de uma esfera pública não apenas europeia, mas também transatlântica.</p>



<p>Porém, muitas destas considerações foram alteradas por três acontecimentos, a invasão da Ucrânia, a Guerra em Gaza e a reeleição de Trump. Qualquer delas perigosa para a Europa, que se viu confrontada, por graves divergências internas, e com uma total incapacidade política para dar uma resposta clara e unívoca quanto a qualquer um deles. </p>



<p>Assistimos a uma desorientação, total, na resposta à invasão da Ucrânia, em que se acentuou, a conflitualidade interna quanto à integração dos países do centro da Europa, na União Europeia. Estes países, que partiram para a integração com uma expectativa elevada, sentem a desilusão provocada pela crise económica e social que a Europa atravessa, têm uma forte rejeição pelo fluxo emigratório que assola o espaço europeu e elegeram governos conservadores, próximos da Federação Russa, ou seja, alguns países que são parte integrante da União Europeia, com direito de veto que pode condicionar as acções e as políticas europeias, estão mais alinhados com a Federação Russa do que com a União Europeia, o espaço económico e politico em que, num determinado momento do seu percurso, após o fim da União Soviética, escolheram integrar. Esta clivagem impõe uma análise às causas deste divórcio, bem como à necessidade de se encontrar uma solução para o problema, que coloca em causa a União Europeia, enquanto bloco económico e político.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="517" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/multipolar-2-1024x517.png" alt="" class="wp-image-45051" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/multipolar-2-1024x517.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/multipolar-2-300x151.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/multipolar-2-768x388.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/multipolar-2-1536x775.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/multipolar-2-696x351.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/multipolar-2-1392x703.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/multipolar-2-1068x539.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/multipolar-2-1320x666.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/multipolar-2.png 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>E, chegados aqui, a pergunta clara é esta, os europeus querem uma Europa forte, num Mundo multipolar, um espaço de liberdade e de democracia e um dos vectores e ponto de equilibro desse multipolarismo, ou querem uma Europa autocrática, dividida e refém dos Estados Unidos, num Mundo bipolar, com dois centros de poder, um em Pequim e outro em Washington? A escolha não é fácil, porquanto a Europa atravessa uma forte crise, social, económica, moral e cultural, está dilacerada por pulsões radicais, o que impede um debate com racionalidade e objectividade.</p>



<p>Neste clima conturbado, em que a Europa se encontra, sem que haja uma liderança forte para responder a uma administração norte-americana errática, com ambição de liderar o Mundo, a ameaça de um crescimento de governos autocráticos é real, sendo tal crescimento, potenciador da desagregação da União Europeia, colocando fim ao “outro construtivo”, abrindo caminho a um conflito interno entre as democracias liberais, que subsistam e as autocracias emergentes.</p>



<p>Este é o dilema com que a Europa se confronta, podendo-se, hoje, questionar, se alguma vez existiu uma “identidade europeia” ou a vontade de uma evolução para um Estado Federado, agregador dos interesses comuns dos Países do espaço europeu.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/10/a-identidade-europeia/">A IDENTIDADE EUROPEIA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2025/10/a-identidade-europeia/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">45042</post-id>	</item>
		<item>
		<title>ELEIÇÕES E DEFESA DA DEMOCRACIA</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2025/05/eleicoes-e-defesa-da-democracia/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2025/05/eleicoes-e-defesa-da-democracia/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 May 2025 16:00:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[direita na Roménia]]></category>
		<category><![CDATA[eleições presidenciais na Roménia]]></category>
		<category><![CDATA[Europa e Rússia]]></category>
		<category><![CDATA[guerra na Ucrânia]]></category>
		<category><![CDATA[União Europeia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=41487</guid>

					<description><![CDATA[<p>Na Roménia realizou-se a repetição da 1ª volta das eleições presidenciais e voltou a ganhar o candidato da direita.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/05/eleicoes-e-defesa-da-democracia/">ELEIÇÕES E DEFESA DA DEMOCRACIA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Agora, realizou-se de novo a 1ª volta e voltou a ganhar o candidato da direita, euro céptico, que diz que se vencer a corrida (falta a 2ª volta) vai buscar o político irradiado, Călin Georgescu, para o colocar num lugar de destaque (não disse qual).</p>
</div></div>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="670" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/simion-e-georgescu-votaram-juntos-1024x670.png" alt="" class="wp-image-41495" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/simion-e-georgescu-votaram-juntos-1024x670.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/simion-e-georgescu-votaram-juntos-300x196.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/simion-e-georgescu-votaram-juntos-768x503.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/simion-e-georgescu-votaram-juntos-696x456.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/simion-e-georgescu-votaram-juntos-1068x699.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/simion-e-georgescu-votaram-juntos-741x486.png 741w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/simion-e-georgescu-votaram-juntos.png 1230w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Călin Georgescu foi votar juntamente com George Simion</figcaption></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="550" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/resultados-1-volta-romenia-1024x550.jpg" alt="" class="wp-image-41496" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/resultados-1-volta-romenia-1024x550.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/resultados-1-volta-romenia-300x161.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/resultados-1-volta-romenia-768x413.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/resultados-1-volta-romenia-696x374.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/resultados-1-volta-romenia-1068x574.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/resultados-1-volta-romenia.jpg 1280w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Resultados finais da 1ª volta eleitoral, com Simion a obter 41% dos votos</figcaption></figure>
</div>
</div>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Tudo isto merece reflexão.</p>



<p>Primeiro, a direita parece ter saído desta trapalhada ainda mais reforçada. &nbsp;George Simion conseguiu mais de 40% dos votos, um resultado melhor que o alcançado por Călin Georgescu na votação anulada.</p>



<p>Segundo, os argumentos para a anulação do primeiro ato eleitoral parecem ter sido inventados, uma vez que os resultados não se inverteram. O apoio a Simion e à sua linha política é genuinamente forte entre o eleitorado romeno, independentemente de qualquer influência externa.</p>



<p>Terceiro, a União Europeia liderada pela atual Comissão está a sofrer um grande desgaste político, com um número crescente de Estados membros a contestar as suas políticas, nomeadamente as que dizem respeito ao apoio à Ucrânia na guerra contra a Rússia.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>AS INTERFERÊNCIAS</strong></h4>



<p>O que esteve na base da anulação das eleições foram meras alegações que dificilmente poderão ser comprovadas. Houve um relatório dos serviços secretos romenos que apontou para as tais interferências da Rússia, com base no seguinte:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Campanha digital manipulada. Foi dito que &nbsp;Georgescu recebeu apoio através de campanhas nas redes sociais, especialmente no TikTok, com conteúdo semelhante ao utilizado pela Rússia antes da invasão da Ucrânia.</li>



<li>Financiamento ilícito. Terão sido realizadas investigações que revelaram financiamento estrangeiro não declarado, incluindo pagamentos a empresas de lobby nos EUA.</li>



<li>Ataques cibernéticos foram detectados, direcionados aos sistemas eleitorais romenos, atribuídos a grupos russos.</li>



<li>Conteúdo pró-russo. A campanha de Georgescu incluía declarações favoráveis a Vladimir Putin e críticas à NATO, levantando preocupações sobre sua independência política.</li>
</ol>



<p>Com base nessas evidências, o Tribunal Constitucional anulou a primeira volta das eleições e desqualificou Georgescu da corrida presidencial.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>AUSÊNCIA DE FACTOS</strong></h4>



<p>Para muito boa gente, serão apenas indícios demasiado imateriais para anular eleições&#8230; Campanha digital manipulada? Financiamento através de lobistas dos EUA (o que tem a Rússia a ver com isto?)&#8230; Opiniões pró russas são proibidas na UE?</p>



<p>Não se percebe o que querem dizer com “campanha digital manipulada”. Campanhas digitais intensas, com memes, bots ou conteúdos provocatórios são hoje comuns em todo o espectro político, em todo o lado. A política contemporânea é indissociável das redes sociais, seja o &nbsp;TikTok, X (antigo Twitter), Facebook ou YouTube. Copiar argumentos utilizados por outros é banal. Em Portugal, por exemplo, várias &#8220;bandeiras políticas&#8221; de Trump estão a ser utilizadas por André Ventura (caso dos imigrantes, por exemplo). </p>



<p>Infelizmente, a direita domina melhor este novo ecossistema político. Mas o simples facto de um candidato de direita estar a ser bem-sucedido online, apenas nos diz da fragilidade institucional e os &#8220;truques&#8221; para o combater fazem mais mal do que bem à democracia.</p>



<p>Também não se percebe a relação entre o financiamento através de lobistas nos EUA e os eventuais interesses russos em jogo nestas eleições.</p>



<p>Uma pessoa ter opinião sobre a política do seu país é normal, principalmente se essa pessoa é um líder político. Que se saiba, declarações pró-russas não são ilegais na União Europeia. A UE continua a ser uma união política de democracias com liberdade de expressão, ou já não? Pode ser lamentável, mas ter uma visão crítica da NATO ou mesmo simpatia pela Rússia não é crime, nem deveria ser motivo para anulação de eleições.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="604" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/simion-a-reuters-1024x604.png" alt="" class="wp-image-41500" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/simion-a-reuters-1024x604.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/simion-a-reuters-300x177.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/simion-a-reuters-768x453.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/simion-a-reuters-696x411.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/simion-a-reuters-1068x630.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/simion-a-reuters.png 1210w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="563" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/simion-a-reuters-2-1024x563.png" alt="" class="wp-image-41501" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/simion-a-reuters-2-1024x563.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/simion-a-reuters-2-300x165.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/simion-a-reuters-2-768x422.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/simion-a-reuters-2-696x383.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/simion-a-reuters-2-1068x588.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/simion-a-reuters-2.png 1307w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Numa entrevista vídeo à Reuters, George Simion diz que a Rússia não representa qualquer ameaça para a Roménia</figcaption></figure></div></div>
</div>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>O que se vê aqui é um exemplo de uma situação em que o poder instalado se sente em perigo e usa critérios de segurança nacional para se defender. Isso levanta sérias preocupações sobre a arbitrariedade na aplicação da lei eleitoral e sobre a fragilidade institucional, mesmo em países da UE.</p>



<p>A vigilância contra ingerências externas reais deve existir, mas não pode ser argumento falacioso para anular votações e irradiar candidatos com apoio popular visível. Tudo isto abriu um precedente perigoso na UE.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Quando forças políticas populares não alinhadas com o consenso europeu são tratadas como ameaças existenciais e não são combatidas com argumentos, mas com proibições, desqualificações e suspeitas de “influência estrangeira”, isso fragiliza a democracia mais do que a fortalece.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="846" height="565" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/observadores-da-osce-na-romenia.png" alt="" class="wp-image-41504" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/observadores-da-osce-na-romenia.png 846w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/observadores-da-osce-na-romenia-300x200.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/observadores-da-osce-na-romenia-768x513.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/observadores-da-osce-na-romenia-696x465.png 696w" sizes="auto, (max-width: 846px) 100vw, 846px" /><figcaption class="wp-element-caption">Observadores da OSCE nas eleições presidenciais na Roménia</figcaption></figure></div></div></div>



<p></p>
</div></div>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/05/eleicoes-e-defesa-da-democracia/">ELEIÇÕES E DEFESA DA DEMOCRACIA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2025/05/eleicoes-e-defesa-da-democracia/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">41487</post-id>	</item>
		<item>
		<title>AS OPÇÕES ERRADAS DA EUROPA</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2025/03/as-opcoes-erradas-da-europa/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2025/03/as-opcoes-erradas-da-europa/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Mar 2025 00:00:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Europa e Rússia]]></category>
		<category><![CDATA[geopolítica]]></category>
		<category><![CDATA[guerra na Ucrânia]]></category>
		<category><![CDATA[Rússia e China]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=40388</guid>

					<description><![CDATA[<p>Rússia e China  juntos atingem uma escala demasiado grande.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/03/as-opcoes-erradas-da-europa/">AS OPÇÕES ERRADAS DA EUROPA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O conflito na Ucrânia não se limita ao país invadido, envolve boa parte do mundo ocidental, com a União Europeia e os EUA e, ainda, outros membros da NATO, que prestam apoio direto à Ucrânia.</p>



<p>Esse envolvimento não se limita a injetar dinheiro na economia ucraniana, vai desde o acolhimento de milhões de refugiados fugidos da guerra, fornecimento de armamento de todo o tipo, informações militares, treino de soldados ucranianos, até à presença de combatentes de várias nacionalidades europeias e norte-americanos, uns como voluntários e outros como instrutores ou conselheiros militares. A Rússia não combate apenas contra a Ucrânia, é um facto comprovado.</p>



<p>O factor militar e as sanções económicas e políticas, levaram a Rússia a procurar apoios noutras paragens. Os líderes da UE devem estar acostumados a olhar para o mapa do mundo com a Europa ao centro e não repararam que a Rússia tem fronteira com a China e que os dois juntos atingem uma escala demasiado grande.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/russia-e-china-1024x682.jpg" alt="" class="wp-image-40421" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/russia-e-china-1024x682.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/russia-e-china-300x200.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/russia-e-china-768x512.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/russia-e-china-696x464.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/russia-e-china-1068x712.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/russia-e-china.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>A estratégia ocidental é um erro, desde o início. É um tiro que saíu pela culatra. Empurraram a Rússia para os braços da China. Antes da guerra na Ucrânia, Moscovo e Pequim tinham uma relação pragmática, mas com certo grau de desconfiança mútua. A Rússia sempre teve receios da influência chinesa na Sibéria e na Ásia Central, enquanto a China via a Rússia mais como um fornecedor de recursos do que um aliado estratégico.</p>



<p>As sanções e o isolamento económico só podiam ser minoradas se a Rússia se aproximasse da China. Foi o que aconteceu. Como num jogo de xadrez, Putin defendeu-se com um roque e continuou a sua guerra.</p>



<p>Agora, a Rússia vende energia barata para a China&nbsp; que, assim, tem condições únicas para financiar o seu próprio desenvolvimento económico. A cooperação militar entre os dois países aumentou, com exercícios conjuntos e trocas tecnológicas. A China ganhou um parceiro muito rico em matérias primas e bastante dependente do mercado chinês para manter a funcionar a sua economia.</p>



<p>Se o objetivo do Ocidente era conter tanto a Rússia quanto a China, o resultado foi o inverso. Uniu dois rivais estratégicos enquanto que os EUA se distanciaram da Europa, em termos de cooperação e entreajuda. Enquanto a aliança a Oriente se fortalece, a aliança a Ocidente enfraquece. O Ocidente pode ter bastantes dificuldades a longo prazo, especialmente porque a China tem ambições muito maiores do que a Rússia em termos de reconfiguração da ordem global.</p>



<p>Aos líderes europeus faltou-lhes visão estratégica. Deixaram-se levar pela velha e desatualizada cartilha anticomunista da guerra fria. Logo no início da guerra na Ucrânia, teria sido mais inteligente tentar um acordo com a Rússia, mantendo-a como um contrapeso à China e salvando a Ucrânia da destruição. O Ocidente escolheu outro caminho que agora parece difícil de reverter. Num futuro próximo, os povos da Europa vão <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/03/eua-e-russia-o-que-eles-andam-a-tramar/">pagar caro pelos erros </a></strong>dos dirigentes que têm hoje.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="860" height="557" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/guerra-ukr.png" alt="" class="wp-image-40395" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/guerra-ukr.png 860w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/guerra-ukr-300x194.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/guerra-ukr-768x497.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/guerra-ukr-696x451.png 696w" sizes="auto, (max-width: 860px) 100vw, 860px" /><figcaption class="wp-element-caption">composição gráfica alusiva à guerra na Ucrânia</figcaption></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/03/as-opcoes-erradas-da-europa/">AS OPÇÕES ERRADAS DA EUROPA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2025/03/as-opcoes-erradas-da-europa/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">40388</post-id>	</item>
		<item>
		<title>EUROPA CÍNICA</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2025/03/europa-cinica/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2025/03/europa-cinica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Mar 2025 16:05:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Europa e Rússia]]></category>
		<category><![CDATA[geopolítica]]></category>
		<category><![CDATA[guerra na Ucrânia]]></category>
		<category><![CDATA[negociar a paz na Ucrânia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=40357</guid>

					<description><![CDATA[<p>Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria, diz que a União Europeia (UE) optou por alimentar a guerra na Ucrânia, em vez de encorajar os esforços para um acordo de paz</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/03/europa-cinica/">EUROPA CÍNICA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria, diz que a União Europeia (UE) optou por alimentar a guerra na Ucrânia, em vez de encorajar os esforços para um acordo de paz. Mais ucraniana que os próprios ucranianos, a Comissão Europeia quer que os cidadãos da comunidade aceitem que as suas economias depositadas nos bancos sejam utilizadas para comprar armas aos americanos para as enviar para a Ucrânia.</p>



<p>Este tipo de políticas são preciosas para o crescimento da extrema-direita na Europa, com um discurso completamente contrário onde se apela a um entendimento entre as partes de modo a evitar uma guerra de proporções dantescas.</p>



<p>Aparentemente, a UE pugna pela defesa dos princípios democráticos e da soberania, ao considerar que a invasão russa viola o direito internacional e, assim, quer evitar que um país consiga expandir território pela força, o que poderia criar precedentes perigosos. Mas o mesmo fio de pensamento não se aplica à ocupação da Palestina e ao extermínio dos palestinianos, genocídio que se desenrola em simultâneo com a guerra na Ucrânia. Ou seja, é possível que a UE tenha outro tipo de interesses que não sejam assim tão nobres.</p>



<p>O senso comum diz que a Rússia não vai atacar mais ninguém. Primeiro, porque o argumento jurídico russo enquadrou a guerra numa “operação militar especial” com objetivos determinados que, uma vez cumpridos, não servem segunda vez, em princípio. Depois, porque a maioria dos países vizinhos já pertencem à NATO e ninguém acredita que a Rússia pense em desafiar uma coligação militar tão poderosa. Terceiro, porque uma escalada deste conflito acarreta o risco de uma guerra nuclear. Todos sabemos que as armas nucleares, à excepção das que foram utilizadas pelos EUA em 1945 em Hiroshima e Nagasaki, não são para serem usadas, servem apenas de dissuasão.</p>



<p>O cinismo europeu é evidente, na comparação dos casos da Ucrânia e da Palestina. A UE impôs sanções severas à Rússia, cortou laços económicos e forneceu armas à Ucrânia. Com Israel, a UE mantém relações comerciais e diplomáticas, limita-se a condenar inconsequentemente a ocupação de territórios palestinianos. A diferença de tratamento reflete hipocrisia e padrões duplos. E deixemos o racismo de fora desta discussão, para não azedar mais a converesa.</p>



<p>A verdade é que Estados europeus, muitos deles antigas potências coloniais ainda com muitos interesses económicos e geopolíticos em África, Ásia e América Latina, deveriam ter algum cuidado para não agravar a imagem que deixam que se implante pelo mundo fora. Mas a verdade é que a UE responde de maneira diferente a diferentes conflitos dependendo dos seus interesses e das relações com os envolvidos. Nem a justiça nem a democracia são para aqui chamadas.</p>



<p>E se pensarmos que quanto mais desgastada a Rússia estiver mais se aproximará da China, concluímos que a estratégia europeia é um bocado estúpida.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/n0fUqi2.jpeg" alt="" class="wp-image-40360"/><figcaption class="wp-element-caption">Emmanuel &#8220;Napoleon&#8221; Macron</figcaption></figure>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/03/europa-cinica/">EUROPA CÍNICA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2025/03/europa-cinica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">40357</post-id>	</item>
		<item>
		<title>EUROPA contra a RÚSSIA</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2025/03/europa-contra-a-russia/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2025/03/europa-contra-a-russia/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Mar 2025 00:00:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Europa e Rússia]]></category>
		<category><![CDATA[Europa em declínio]]></category>
		<category><![CDATA[geopolítica]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=40099</guid>

					<description><![CDATA[<p>Integrando a Rússia no mesmo projeto de desenvolvimento, a Europa iria adquirir escala e acesso a vastos recursos naturais. Basta olhar para o mapa para perceber a dimensão territorial de uma Europa com a Rússia. A Europa é pequena, ao lado de potências como a China, a Índia ou os EUA. A União Europeia é [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/03/europa-contra-a-russia/">EUROPA contra a RÚSSIA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Integrando a Rússia no mesmo projeto de desenvolvimento, a Europa iria adquirir escala e acesso a vastos recursos naturais. Basta olhar para o mapa para perceber a dimensão territorial de uma Europa com a Rússia.</p>



<p>A Europa é pequena, ao lado de potências como a China, a Índia ou os EUA. A União Europeia é ainda mais pequena e politicamente fragmentada. A Europa perdeu os impérios coloniais e está a perder influências nas antigas colónias. Em muitos países africanos, por exemplo, as empresas de mineração europeias estão a ser mandadas embora para serem substituídas por empresas nacionais. Há novas lideranças africanas que querem afastar de vez os interesses estrangeiros.</p>



<p>Sem os necessários recursos naturais, a Europa depende fortemente de importações de matérias-primas críticas. É uma vulnerabilidade só ultrapassável com políticas de verdadeira integração e cooperação. Mas têm preferido manter um status neocolonial em África e uma atitude de confronto com a Rússia, via NATO.</p>



<p>Este é, sem dúvida, um tema complexo e sensível. Mas a ideia de uma parceria estratégica entre a Europa e a Rússia sempre teve potencial, especialmente pela complementaridade entre as duas regiões: a Rússia com a sua imensidão territorial, riqueza em recursos naturais e posição geopolítica, e a Europa com a sua capacidade tecnológica e de inovação.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>SONHAR COM A PAZ</strong></h3>



<p>Neste momento nada disto será possível a curto prazo. A Europa e a Rússia precisam de líderes visionários e corajosos. Mas sonhar ainda não é proibido.</p>



<p>Em vez de guerras, teríamos segurança energética, a Rússia tem vastas reservas de gás, petróleo e minerais estratégicos que poderiam ajudar a Europa a reduzir a dependência de fornecedores mais distantes.</p>



<p>Em vez de guerras, teríamos desenvolvimento tecnológico e industrialização. A Europa poderia contribuir com know-how tecnológico e investimento para modernizar setores industriais na Rússia.</p>



<p>Em vez de guerras, estabilidade geopolítica, com a criação de uma zona de influência mais equilibrada face à ascensão da China e à posição dominante dos EUA.</p>



<p>Em vez de guerras, aproveitar o avanço tecnológico da Rússia na exploração espacial.</p>



<p>A História mostra-nos que alianças, rivalidades e equilíbrios de poder estão sempre a mudar. O que hoje parece impossível pode tornar-se inevitável amanhã, dependendo das circunstâncias.</p>



<p>Se olharmos para trás, já vimos inimigos históricos tornarem-se parceiros estratégicos — a relação entre a Alemanha e a França depois da Segunda Guerra Mundial é um exemplo perfeito disso. Da mesma forma, tensões profundas entre grandes potências muitas vezes acabam por dar lugar a aproximações quando há interesses comuns suficientemente fortes. Talvez seja o que está agora a acontecer com a Rússia e os EUA, ainda é difícil ter certezas.</p>



<p>A certeza que podemos ter é que a opção europeia não pode ser a guerra.</p>



<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/03/europa-contra-a-russia/">EUROPA contra a RÚSSIA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2025/03/europa-contra-a-russia/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">40099</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
