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	<title>Arquivo de escultura - Duas Linhas</title>
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	<title>Arquivo de escultura - Duas Linhas</title>
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		<title>TRANSFORMAR A PEDRA BRUTA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Jan 2026 22:50:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
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		<category><![CDATA[escultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p> «O Homem é um Pensador e um Criador desde tempos imemoriais»</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/01/transformar-a-pedra-bruta/">TRANSFORMAR A PEDRA BRUTA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Imagens de esculturas a que se convencionou dar o nome de «O Pensador» estiveram na base da reflexão que <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/pensador/">partilhámos aqui</a></strong>. Quiçá o tema seja, porém, inesgotável.</p>



<p>Em primeiro lugar, porque «O Desterrado» – escultura em mármore de Carrara, que constituiu, em Roma, no ano de 1872, a prova final do curso de Escultura de Soares dos Reis – também poderia incluir-se nesse tipo de imagens, ainda que, neste caso, porque inspirado no poema «As Tristezas do Desterro», de Alexandre Herculano, possa constituir a saudade o sentimento maior que dessa imagem promana e não uma reflexão geral sobre a vida humana.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="350" height="682" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/O-Desterrado-de-Soares-dos-Reis-1.png" alt="" class="wp-image-46419" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/O-Desterrado-de-Soares-dos-Reis-1.png 350w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/O-Desterrado-de-Soares-dos-Reis-1-154x300.png 154w" sizes="(max-width: 350px) 100vw, 350px" /><figcaption class="wp-element-caption">O Desterrado de Soares dos Reis</figcaption></figure></div>


<p>Depois, se a <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/pensador/">escultura tradicional angolana</a></strong> está envolta, como vimos, em multissecular halo espiritual, a <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/pensador/">peça pré-histórica</a></strong> carece de uma explicação que se não deu, mormente devido à singularidade esquemática do seu perfil. Daí que Helena Ventura haja comentado:</p>



<p>«Não me importava de ter uma peça semelhante que, atendendo a tão remota Era, é perfeita tanto na beleza do material usado (basalto, turmalina?) como no posicionamento de tronco e membros.</p>



<p>E é aqui, nesta semelhança entre mais e menos antigas, próximas e distantes, que o acto de pensar parece unir os homens de todas as gerações».</p>



<p>E quase foi no mesmo sentido o que, por seu turno, Helena Coelho houve por bem escrever:</p>



<p>«A imagem pré-histórica do Pensador é impressionante. Poderia ser uma escultura bem representativa do século XXI. Realmente o Homem é um Pensador e um Criador desde tempos imemoriais».</p>



<p>Importa, pois, dar conta, desde logo, que a fotografia mostra a réplica oferecida, em Abril de 2012, pelo director do Museu Nacional de História da Roménia, de Bucareste, por ocasião da visita aí realizada por elementos do Grupo de Amigos do Museu Nacional de Arqueologia (Lisboa). A peça detém no museu o nº de inventário 15 906.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="901" height="592" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/O-casal-da-epoca-neolitica.jpeg" alt="" class="wp-image-46422" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/O-casal-da-epoca-neolitica.jpeg 901w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/O-casal-da-epoca-neolitica-300x197.jpeg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/O-casal-da-epoca-neolitica-768x505.jpeg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/O-casal-da-epoca-neolitica-696x457.jpeg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/O-casal-da-epoca-neolitica-741x486.jpeg 741w" sizes="(max-width: 901px) 100vw, 901px" /><figcaption class="wp-element-caption">O «casal» da época neolítica</figcaption></figure></div>


<p>Trata-se de uma terracota e o que se apresentou foi apenas o elemento masculino de um casal – em inglês, « The Thinker and the Sitting Woman» – pertencente à chamada «Cultura Hamangia», datada do Neolítico Final, ou seja, aproximadamente de 5000 anos antes de Cristo. Mede 11,5 centímetros de alto e 7,5 de largura.</p>



<p>A descoberta ocorreu em 1956, perto da povoação romena de Cernavodă, região de Constanţa, na bacia hidrográfica do rio Danúbio.</p>



<p>Oportunas, sem dúvida, também pelo que ora acaba de se explanar, as palavras de Helena Coelho: «O Homem é um Pensador e um Criador desde tempos imemoriais».</p>
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		<title>Escultura feita poesia</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2025/07/escultura-feita-poesia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Morais-Alexandre]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Jul 2025 13:48:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[arte contemporânea]]></category>
		<category><![CDATA[desenho]]></category>
		<category><![CDATA[escultor laranjeira Santos]]></category>
		<category><![CDATA[escultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há só duas artes verdadeiras: a Poesia e a Escultura</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img decoding="async" width="557" height="175" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/fernando-pessoa.png" alt="" class="wp-image-42983" style="width:714px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/fernando-pessoa.png 557w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/fernando-pessoa-300x94.png 300w" sizes="(max-width: 557px) 100vw, 557px" /></figure></div>


<p>Importa falar um pouco da sua obra, sem dúvida um exercício gratificante, mas não unívoco, já que serão várias as abordagens possíveis. Há uns anos, num texto que alinhavei sobre a sua vida e obra, procurei uma possível via de análise e foi relativamente fácil elencar uma lista de elementos que podem permitir identificar e levar à melhor compreensão do trabalho deste escultor. Apurou-se que estes eram tantos e de tal forma variados que permitiam o curioso exercício de os trabalhar em forma de dicionário/léxico, obviamente limitado pelo espaço disponível, mas também pelo facto de se ter optado apenas por uma palavra por letra, o que resultou no texto que se designou como <em>Dicionário de Laranjeira Santos</em>.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="506" height="762" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira.png" alt="" class="wp-image-42971" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira.png 506w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-199x300.png 199w" sizes="auto, (max-width: 506px) 100vw, 506px" /></figure></div>


<p>A triagem feita aquando da elaboração desse mesmo dicionário trazia, no entanto, riscos. Por exemplo, logo na primeira das vogais, a escolha do termo “Amigos” invalidava, desde logo, a palavra “Amor”, uma constante na vida e obra de Laranjeira Santos.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="778" height="752" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-2.png" alt="" class="wp-image-42972" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-2.png 778w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-2-300x290.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-2-768x742.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-2-696x673.png 696w" sizes="auto, (max-width: 778px) 100vw, 778px" /></figure></div>


<p>Na letra D a opção, que se sentia claramente obrigatória pela suma importância da palavra “Desenho”, invalidou outras, certamente não tão importantes, mas, ainda assim, muito significativas como “Diálogo”, um dos temas que o autor sempre privilegiou, a dialética entre dois seres, sejam estes humanos ou animais, jamais inanimados, que interagem, como na série realizada da década de 90 do século XX que apelidou de “Blá – blá – blá &#8211; blá”.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="724" height="643" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-3-1.png" alt="" class="wp-image-42974" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-3-1.png 724w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-3-1-300x266.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-3-1-696x618.png 696w" sizes="auto, (max-width: 724px) 100vw, 724px" /></figure></div>


<p>Mas, se este diálogo começa entre a peça e o autor, passa depois para a relação entre a peça e o seu público fruidor, mas pode também remeter para a relação com o espaço em que a mesma se insere: galeria, casa de colecionador/decoração, espaço público, jardim, etc. Uma palavra também ausente da letra D foi “Dualidade”, já que as suas peças jamais têm significados unívocos, mas remetem para conflitos que chegam a ser quase dramáticos, num trabalho em que o artista constrói verdadeiras dramaturgias escultóricas.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="567" height="653" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-4.png" alt="" class="wp-image-42975" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-4.png 567w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-4-260x300.png 260w" sizes="auto, (max-width: 567px) 100vw, 567px" /></figure></div>


<p>Outra lacuna que se tentou também sanar foi a inexistência do termo “Prémio” na sua devida localização, havendo a referir, de entre os inúmeros que recebeu, o Prémio Nacional de Escultura em 1955, o prémio do Secretariado Nacional de Informação no “Salão dos Novíssimos” em 1963, o 1.º Prémio do Simpósio Internacional de Escultura em Ferro organizado pela Câmara Municipal de Abrantes em 1996, ou o prémio de aquisição da Academia Nacional de Belas Artes em 2002, que viria a integrar, entre vários outros galardões que lhe foram outorgados.</p>



<p>Mas comece-se pelo princípio:</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>O percurso italiano</strong></h4>



<p>Para a compreensão do espírito de Laranjeira Santos não será despicienda uma análise do seu percurso, nomeadamente a frequência da Escola de Artes Decorativas António Arroio, onde, entre muitos outros, teve por companheiros alguns dos que viriam a ser os artistas plásticos mais marcantes da segunda metade do século XX e princípio do século XXI, porque felizmente muitos ainda estão entre nós, personalidades como o notável ceramista Querubim Lapa, o pintor José Escada, o pintor e designer José Cândido, o arquiteto Augusto Silva ou o cenógrafo António Casimiro.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="464" height="742" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-5-1.png" alt="" class="wp-image-42978" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-5-1.png 464w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-5-1-188x300.png 188w" sizes="auto, (max-width: 464px) 100vw, 464px" /></figure></div>


<p>Depois veio o percurso italiano que lhe moldou, indubitavelmente, quer a Arte, quer o pensamento, quer o próprio carácter, pelo que não se resiste à comparação deste com os príncipes do saber da Renascença. Aqui, além da escultura, cultivou também e de forma muito marcante o desenho, nomeadamente o desenho erótico.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="638" height="751" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-6.png" alt="" class="wp-image-42979" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-6.png 638w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-6-255x300.png 255w" sizes="auto, (max-width: 638px) 100vw, 638px" /></figure></div>


<p>É possível encontrar nas suas obras, quer deste período, quer posteriores, várias atmosferas como a veneziana, que passa sobretudo nas complexas eleições cromáticas, criadoras de ambiências muito próprias; a escala florentina, sem dúvida derivada da ordenação volumétrica da cidade perfeita; mas também a ironia, os contrastes e até o sarcasmo da cidade dos Papas.</p>
</div></div>



<p>Uma nota fundamental em termos de significância é o finíssimo sentido de humor que é evidenciado nas suas esculturas. Encontros e desencontros dão-se mesmo em formas particularmente abstracionadas, que ora se atraem, ora se repelem e que remetem para o eterno discurso da paixão, onde as relações passam por um absurdo, mas necessário, percurso de amor/ódio, que se pode sentir, mas que jamais se pode explicar.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>Desenhando</strong></h4>



<p>Antes que tudo, há um exercício perpétuo da linguagem do desenho. Como diria Le Corbusier, desenhar é antes de mais observar. Sobre a importância seminal do desenho na obra de Laranjeira Santos cite-se a definição de Juan José Gomez Molina, na importante obra <em>Las Lecciones del Dibujo</em>, quando afirma que «<em>O desenho estabelece-se sempre como a fixação de um gesto que torna concreta uma estrutura, pelo que se alia a todas as atividades primordiais da expressão e construção ligadas ao conhecimento, à descrição das ideias, às coisas e aos fenómenos de interpretação baseados na explicação do seu sentido por meio das suas concretizações.</em>», o que é inteiramente aplicável aos desideratos do escultor em apreço. É através do desenho que começa por se exprimir e é este que funciona como o ponto de partida para todas as suas obras.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="688" height="490" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-8.png" alt="" class="wp-image-42980" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-8.png 688w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-8-300x214.png 300w" sizes="auto, (max-width: 688px) 100vw, 688px" /></figure></div>


<p>Não obstante, o desenho na obra de Laranjeira Santos funciona também de forma autónoma e como um fim em si mesmo.  Efetivamente, muitos dos seus desenhos não são meros estudos para putativas esculturas, mas uma forma de comunicar, de se comunicar, o que permite explicar os seus inúmeros desenhos onde o artista se confronta com os seus modelos, como o havia já feito o génio de Málaga, Pablo Picasso, sendo, no entanto, o seu traço claramente diferenciado.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="971" height="685" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-9.png" alt="" class="wp-image-42981" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-9.png 971w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-9-300x212.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-9-768x542.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-9-696x491.png 696w" sizes="auto, (max-width: 971px) 100vw, 971px" /></figure></div>


<p>Os desenhos tornam-se, assim, uma forma de comunicação alternativa, também cultivada por Laranjeira Santos, que os expõe com particular prazer. Aqui, uma vez mais, a mulher tem um papel preponderante. Veja-se, como magníficos exemplos, as séries de composições realizadas a tinta-da-china nas décadas de 60 e 70 ou os desenhos, ainda mais remotos, que realizou durante a sua já referida passagem por Itália.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="571" height="758" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-10.png" alt="" class="wp-image-42986" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-10.png 571w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-10-226x300.png 226w" sizes="auto, (max-width: 571px) 100vw, 571px" /></figure></div>


<p>Importa igualmente analisar o modelado do traço. Verifique-se a forma como  este vai evoluindo: começa por ser forte, curvo, mas grácil, com claras afinidades com as suas esculturas bojudas e, posteriormente, torna-se muito mais fino, evolui para a linha, mais geométrica, mais rigorosa e, sobretudo, muito mais contida.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="775" height="760" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-11.png" alt="" class="wp-image-42987" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-11.png 775w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-11-300x294.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-11-768x753.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-11-696x683.png 696w" sizes="auto, (max-width: 775px) 100vw, 775px" /></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>Modelação / Forma</strong></h4>



<p>A noção de contenção, de simplicidade, é seminal a todas as esculturas. Há um permanente desejo de simplificação, um ater-se às formas básicas e puras, uma fuga a gongorismos inconsequentes, um abandono do supérfluo e uma esconjura do desnecessário. Desta forma, a expressão não se perde, fica mais forte.</p>



<p>Um dos aspetos mais relevantes que a Escultura deve ter é a capacidade de inter-relação com os seus fruidores, sobretudo quando se trabalha no vulto-perfeito.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="521" height="695" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-12.png" alt="" class="wp-image-42988" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-12.png 521w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-12-225x300.png 225w" sizes="auto, (max-width: 521px) 100vw, 521px" /></figure></div>


<p>As massas são modeladas de modo a criar volumetrias que irão atuar ao nível do subconsciente. As formas obtidas, mesmo sendo abstratas, mimam comportamentos humanos, nomeadamente estados de espírito, atitudes conspícuas, relações pessoais, etc., sendo a função do observador carregar a peça com toda a sua experiência vivencial e, a partir daí, ele irá identificar, ou sentir apenas, as situações que o Artista meramente sugeriu.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="966" height="710" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-13.png" alt="" class="wp-image-42989" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-13.png 966w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-13-300x220.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-13-768x564.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-13-696x512.png 696w" sizes="auto, (max-width: 966px) 100vw, 966px" /></figure></div>


<p>Há, pois, que verificar a feição como todos, desde os púberes jovens aos mais idosos, se relacionam com as modelações de volumes que se interpõem no seu caminho. Se haverá uma rejeição ou se, pelo contrário, haverá uma apropriação. Relação essa que não passa apenas pelos seres humanos, mas até pelos próprios animais, que nelas podem descansar, ou dar-lhes a escala. Quem passa pelas esculturas de Laranjeira sente muitas vezes a necessidade de as experimentar, de circular à sua volta, de lhes tocar, ou mesmo mais prosaicamente de sentir que são palpáveis.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="600" height="762" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-14.png" alt="" class="wp-image-42990" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-14.png 600w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-14-236x300.png 236w" sizes="auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px" /></figure></div>


<p>Não se resiste a passar para um registo muito pessoal e até intimista e lembrar uma visita ao ateliê do Escultor na companhia de uma amiga comum, que, enquanto este nos mostrava as suas mais recentes produções, se entretinha, tão discretamente quanto possível, a sentir as esculturas expostas, passando as suas mãos, de forma particularmente lúbrica pelas superfícies ora frias da pedra e sobretudo do bronze, ora aquecidas das fibras de poliuretano, ficando muito particularmente embaraçada, qual criança de escola apanhada em flagrante, quando se apercebeu que estava a ser observada nas suas secretas manifestações. E acredita-se até que teria mesmo corado, se ainda existisse alguém que corasse.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="988" height="716" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-15.png" alt="" class="wp-image-42991" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-15.png 988w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-15-300x217.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-15-768x557.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-15-696x504.png 696w" sizes="auto, (max-width: 988px) 100vw, 988px" /></figure></div>


<p>Esta minha amiga é, de alguma forma, bem representativa de todos nós, os que vivem a obra de Laranjeira Santos e que tanto fruímos com as tão diversas experiências sensoriais que este Mestre nos proporciona.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>Explorando novos materiais</strong> </h4>



<p>Registe-se que, embora jamais a especulação teórica tenha estado arredada da mente de Laranjeira Santos, este foi, sobretudo, um homem de ofício, um operativo, alguém que partiu do trabalho oficinal baseado na tradição dos antigos mestres escultores, mas que não parou no tempo, antes pelo contrário, sempre foi experimentando novos materiais, dos quais soube extrair novas formas, jamais ousadas.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="520" height="756" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-16.png" alt="" class="wp-image-42992" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-16.png 520w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-16-206x300.png 206w" sizes="auto, (max-width: 520px) 100vw, 520px" /></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A forma como interagiu com os materiais é exemplar e apetece voltar a citar Luigi Pareyson, que parece falar do processo escultórico de Laranjeira Santos, quando este afirmou que « [&#8230;] se a matéria é nova, [o artista] não se deixará impressionar pela audácia de certas sugestões que parecem dela sair espontaneamente e não recusará a coragem de certas experiências, nem se furtará ao dever de a penetrar para melhor se evidenciar as possibilidades [&#8230;]»</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="395" height="727" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-17.png" alt="" class="wp-image-42993" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-17.png 395w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-17-163x300.png 163w" sizes="auto, (max-width: 395px) 100vw, 395px" /></figure></div>


<p>A opção do escultor pelos novos materiais plásticos é facilmente compreensível, já que estes são dotados de grande resistência e durabilidade, mas são escolhidos devido à sua ductibilidade tão própria à escala das esculturas, e porque se adequam na perfeição a uma modelação ágil que apela, como se viu, à sensorialidade.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Ao ligar os seus objetos tridimensionais, obtidos com uma enorme sensibilidade, com cores particularmente ativas, o autor chegou mesmo a correr o risco de conflitos de perceção, com resultados inesperados, mas impactantes, caso da escultura <em>Anunciação</em>, onde, tendo pegado na tradicional iconografia da Virgem Maria, a soube transformar de forma extraordinária, tão inesperada, quanto inovadora.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="528" height="758" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-18.png" alt="" class="wp-image-42994" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-18.png 528w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-18-209x300.png 209w" sizes="auto, (max-width: 528px) 100vw, 528px" /></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>A cor</strong></h4>



<p>Por fim, refiram-se as sensações cromáticas que as suas obras transmitem.</p>



<p>Sem os barroquismos, ou procura de naturalismos, mas com uma força imensa, ao qual não são alheios os cambiantes da paleta que usa e que utiliza sem filtro na composição e que dá ao emprego da cor um papel altamente primordial. É esta que reflete os estados de espírito, complementando o trabalho da forma na transmissão de emoções.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A cor pode causar sensações visuais que muitas vezes remetem para memórias passadas, para familiaridades com o objeto, sensações que derivam não só da forma, mas até das sonoridades que são transmitidas através de esquemas cromáticos / musicais e que o subconsciente poderá identificar. Efetivamente, uma das originalidades da obra de Laranjeira Santos é a forma como sempre soube usar a cor para dar dinamismo às suas esculturas. É através da cor que muitas vezes as peças transmitem emoções ou estados de espírito. Efetivamente através de uma paleta cromática rica de cambiantes, de opções entre cores quentes ou frias, de cores ácidas ou doces, de cores ousadas, saturadas, as massas são complementadas com policromia e as suas esculturas saem profundamente valorizadas e com novas possibilidades de leitura. Há, finalmente, um inegável sentido lúdico no uso da cor.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="527" height="660" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-19.png" alt="" class="wp-image-42996" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-19.png 527w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-19-240x300.png 240w" sizes="auto, (max-width: 527px) 100vw, 527px" /></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>O repto</strong></h4>



<p>A obra de Laranjeira Santos está exposta em vários locais, nomeadamente em Lisboa e, também, na Figueira da Foz, cidade onde existe mesmo um espaço museológico a este escultor dedicado, o Núcleo de Arte Contemporânea Laranjeira Santos / Castelo Engenheiro Silva, que urge visitar. Está, no presente, a ser preparada uma exposição dos seus desenhos eróticos e não só, na Academia Nacional de Belas Artes, de que era académico de número.</p>



<p>Mas falta, ainda, a Laranjeira Santos a pública homenagem que lhe é devida. Não se pense que o que aqui é pedido é uma condecoração póstuma, ou algo do género. Falta, antes de mais, devolver a escultura relativa à 1.ª travessia aérea do Atlântico Sul ao seu local de origem, ou ainda melhor ainda, que se viabilize a execução do projeto original previsto, no local e na escala pensada originalmente, que seria, sem dúvida, uma enorme mais valia artística para a cidade. Faltará, por fim, cumprir um dos sonhos do Escultor: a passagem a uma escala significativa e a instalação pública de uma das suas mais belas e comoventes obras: a Pietá.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="449" height="752" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-20.png" alt="" class="wp-image-42997" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-20.png 449w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-20-179x300.png 179w" sizes="auto, (max-width: 449px) 100vw, 449px" /></figure></div>


<p>Fica aqui lançado o repto.</p>
</div></div>
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		<title>PARECE FEITIÇO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Aug 2024 19:01:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
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		<category><![CDATA[Nigéria]]></category>
		<category><![CDATA[Ozuma Oatrick Chidiebube]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tocar no lixo e transformá-lo em peças artísticas é um dom raro, não há muitos no mundo. No Brasil temos Vik Muniz, famoso por reproduzir obras de pintores famosos usando restos de comida, em Portugal temos Bordallo II que faz arte de rua, esculturas de grandes dimensões a partir de sucata e outros detritos, em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Tocar no lixo e transformá-lo em peças artísticas é um dom raro, não há muitos no mundo. No Brasil temos Vik Muniz, famoso por reproduzir obras de pintores famosos usando restos de comida, em Portugal temos Bordallo II que faz arte de rua, esculturas de grandes dimensões a partir de sucata e outros detritos, em Moçambique temos <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2023/03/mensagens-pela-paz/">Gonçalo Mabunda</a></strong> que faz esculturas com lixo da guerra e na Nigéria temos Ozuma Patrick Chidiebube, que trabalha lixo eletrónico. Há outros, com toda a certeza, mas estes são os que guardo na memória.</p>



<p>Hoje, apresento-vos o trabalho de Ozuma Patrick. É uma coisa espantosa, as esculturas que resultam das cablagens, das placas, dos chips, dos teclados de computadores velhos e avariados.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="586" height="731" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/ozuma-7.png" alt="" class="wp-image-35571" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/ozuma-7.png 586w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/ozuma-7-240x300.png 240w" sizes="auto, (max-width: 586px) 100vw, 586px" /></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="474" height="723" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/ozuma-4.png" alt="" class="wp-image-35572" style="width:286px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/ozuma-4.png 474w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/ozuma-4-197x300.png 197w" sizes="auto, (max-width: 474px) 100vw, 474px" /></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="505" height="728" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/ozuma-6.png" alt="" class="wp-image-35573" style="width:300px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/ozuma-6.png 505w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/ozuma-6-208x300.png 208w" sizes="auto, (max-width: 505px) 100vw, 505px" /></figure>
</div>
</div>



<p>Na rede social X, Ozuma diz que trabalha “o lixo eletrônico para criar arte provocadora” e pede gentilmente “a doação de computadores antigos, teclados e quaisquer outros dispositivos eletrônicos sem préstimo”. Pena a Nigéria ser tão longe.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="498" height="143" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/ozuma-2.png" alt="" class="wp-image-35574" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/ozuma-2.png 498w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/ozuma-2-300x86.png 300w" sizes="auto, (max-width: 498px) 100vw, 498px" /></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:33.33%"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="520" height="715" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/ozuma-3.png" alt="" class="wp-image-35575" style="width:288px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/ozuma-3.png 520w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/ozuma-3-218x300.png 218w" sizes="auto, (max-width: 520px) 100vw, 520px" /></figure></div></div>
</div>



<p>A expressão artística de Ozuma tem tudo a ver com o tempo em que vivemos, rodeados de eletrónica, de novas tecnologias, de engenharias sempre em transformação. No fim, tudo isso acaba por resultar numa imensidão de lixo. Transformá-lo em obras de arte é uma “magia” incrível. Parece feitiço.</p>



<p>Ozuma Patrick Chidiebube, fixem o nome dele. Um dia vai ser mundialmente famoso.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Ozuma Patrick Chidiebube" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/X6cNGyGuDmA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption">vídeo</figcaption></figure>
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		<title>MENSAGENS PELA PAZ</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Mar 2023 23:03:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[guerra em Moçambique]]></category>
		<category><![CDATA[guerra no Cambodja]]></category>
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		<category><![CDATA[o lixo da guerra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Todas as atividades humanas produzem lixo. A acumulação de lixo produz poluição. E de todas as atividades humanas, a guerra é das mais porcas. Por todas as razões que se possam invocar. Há quem tenta dar um aproveitamento ao desperdício das batalhas, 90% ferro-velho resultante do armamento inutilizado, dos invólucros de munição, capacetes e toda [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Todas as atividades humanas produzem lixo. A acumulação de lixo produz poluição. E de todas as atividades humanas, a guerra é das mais porcas. Por todas as razões que se possam invocar.</p>



<p>Há quem tenta dar um aproveitamento ao desperdício das batalhas, 90% ferro-velho resultante do armamento inutilizado, dos invólucros de munição, capacetes e toda a parafernália militar destinada a causar morte e destruição.</p>



<p>Já encontrei quem derretesse esse ferro-velho para o transformar em bonitos candeeiros de sala. Mas era uma transformação radical, apagava a memória do sofrimento que todas as batalhas provocam.</p>



<p>É o que faz, também, o ourives cambodjano Thoeun Chantha, órfão da guerra que dilacerou o país na década de 70 do século XX, quando os EUA intervieram para travar o comunismo naquele país asiático.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/03/ourives-cambodjano.jpg" alt="" class="wp-image-25279"/></figure>



<p>Thoeun Chantha compra invólucros de latão de balas das AK-47 e M-16, derrete-os e faz joias. Depois de derretido, o metal é moldado artesanalmente em pulseiras, colares, anéis e brincos intrincados para serem vendidos à peça em mercados populares e pontos turísticos. A maioria dos compradores são turistas americanos. De certa maneira, o ourives cambodjano está a devolver à América o lixo da guerra que eles alimentaram.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Os tronos e as máscaras</strong></h2>



<p>Em Moçambique, Gonçalo Mabunda faz o mesmo, mas não apaga a história. As inquietantes esculturas totémicas de Gonçalo Mabunda exploram a história política de Moçambique, a longa guerra civil que sangrou a sociedade durante 15 anos.</p>



<p>Conheci Gonçalo Mabunda em Maputo e entrevistei-o no seu atelier. Vejam o vídeo.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Gonçalo Mabunda, Futuros Criativos em Moçambique" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/LajAPat53OU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption"><sub><sup>vídeo de 2019</sup></sub></figcaption></figure>



<p>As peças mais icónicas deste artista são os tronos e as máscaras. Tudo feito com os detritos da guerra que, assim, são espalhados pelo mundo como uma mensagem urgente pela paz.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/03/goncalo-mabunda-tronos-e-mascaras.jpg" alt="" class="wp-image-25280"/></figure>
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		<title>Um salão que é um regalo para os olhos!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Nov 2021 12:19:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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<p>Foi tradição da Junta de Turismo da Costa do Sol, que teve galeria afamada e cobiçada, quando os gestores do turismo local consideravam a Arte bom chafariz para os visitantes. E tanto aí como nos primeiros tempos da galeria do Casino – que retomou a iniciativa, após a Junta ter sido dissolvida a mando de sequioso governo de Lisboa – esses salões funcionavam em jeito de concurso. Candidatavam-se a neles expor os mais diversos artistas, novos e já consagrados; os trabalhos eram submetidos a um júri, que atribuía prémios, amiúde prémios de aquisição com o apoio de entidades locais, não sendo considerado de somenos o facto de o quadro candidato ser admitido à exposição. Era um Acontecimento, com A maiúsculo, e a inauguração sagrava-se como privilegiado ponto de encontro das gentes ligadas às Artes.</p>



<p>Pouco a pouco, porém, e também devido às negativas circunstâncias económicas, Lima de Carvalho (pai) começou a optar por reunir nos salões obras de artistas que já tivessem exposto na galeria ao longo do ano ou que, tendo granjeado notável êxito, era bom que voltassem ali com os seus trabalhos mais recentes.</p>



<p>Uma característica se manteve, todavia: a grande e excelente variedade de estilos, de «escolas» (se se preferir), de formatos, técnicas, modalidades&#8230;</p>



<p>Não lhe perguntei – e decerto também me não responderia – por que razão o Director preferiu, desta feita, imprimir um catálogo sem texto. Na capa, o rol dos nomes dos 26 participantes, sob precioso desenho do nº XXXV, a dar realce ao facto de, sem interrupção, se haverem celebrado 35 salões, o que não deixa de ser uma sequência digna de realce. As seis páginas em formato A4 estão inteiramente ocupadas, num fundo outonal, com 26 imagens, uma obra de cada artista (pintura ou escultura).</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1904" height="1269" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2021/11/casino-arte-2.jpg" alt="" class="wp-image-13935"/></figure></div>



<p>E se nos impressiona o florido garridismo do pintor argentino Luís Cohen Fusé, que escolhera o Estoril para viver e aqui faleceu em Julho de 2019, aos 74 anos, admiramos a graciosidade com que Filipa Oliveira Antunes matiza os ambientes urbanos, ela que tão bem casa a arquitectura com a cor; misteriosamente nos seduzem as manchas fortes e vermelhas de Fernando Gaspar, o pintor de Vagos, Ílhavo, que já em 1989 obtivera uma menção honrosa no IV Salão de Primavera; sentimos um halo quase ascético nos ambientes retratados pelo sérvio Branislav Mihajlovic (Belgrado, 1961); sorrimos perante a vida com os sorridentes rostos femininos do moçambicano (1973) Diogo Navarro… Para não falarmos das incomparáveis aguarelas de suaves tons azuis do lisboeta (1952) Paulo Ossião ou dos traços mágicos do saudoso Nadir Afonso, o arquitecto flaviense que trabalhou com Le Corbusier e Oscar <em>Niemeyer </em><em>e viria a </em>falecer em Cascais em 2013, vila onde nos deixou, por exemplo, os incomparáveis azulejos do túnel para o paredão…</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="2048" height="1365" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2021/11/casino-arte-4.jpg" alt="" class="wp-image-13936"/></figure></div>



<p>Um nunca acabar, pois, de sensações boas, na variada comunhão com a Arte. O XXXV Salão de Outono pode ser admirado na galeria do Casino Estoril, diariamente, a partir das 15 horas,&nbsp; até ao próximo dia 26.</p>
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