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	<title>Arquivo de encadernação artesanal - Duas Linhas</title>
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		<title>A Oficina da Cristina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Catarina Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Apr 2021 00:03:06 +0000</pubDate>
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<h4 class="wp-block-heading"><strong>Entre números e encadernação artesanal</strong></h4>



<p>O que têm em comum Gestão de Empresas e a busca pelo papel reciclado perfeito para construir “aquele” álbum/caderno de viagens perfeito? Tudo, garante-nos Cristina Grosso, artesã de encadernação, e criadora de A Oficina da Cristina. A sala de sua casa, às portas do Jamor, é o local de onde saem peças que ela garante serem únicas. “O que me motivou? Por um lado, sempre gostei de fazer trabalhos diferentes, ser eu a fazer os meus trabalhos; comecei por ter <em>workshops</em> de várias áreas. A uma determinada altura, quando andava na Universidade, vi cadernos que tinham mapas na capa e aquilo atraía-me imenso; eu comprava tudo o que era esses cadernos, para usar e escrever”, afirma, enquanto lembra: “um dia pensei: eu tenho de fazer os meus cadernos. No meio desta minha grande vontade, descobri um curso que tirei sobre encadernação. Já lá vão uns bons anos”.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/e0qBE5y.jpg" alt="" class="wp-image-9410" /></figure>



<p>Cristina também conta com documentos antigos e únicos, papéis artesanais que encontra fruto de muita pesquisa, e até com os seus carimbos de infância que têm quase meio século. A primeira encomenda foi há cerca de vinte anos, quando ainda fazia sobretudo álbuns de fotografias, passando mais tarde para diários de viagens, álbuns para bebés, agendas anuais e cadernos escolares. Mesmo a tirar o curso de Gestão de Empresas, sempre gostou da parte criativa e de trabalhos manuais, e de criar sempre coisas originais e criativas, paixão que conjuga com o gosto pelos números e finanças. “Hoje dá-me jeito para organizar porque todo este trabalho criativo tem de ter sempre um trabalho administrativo e fiscal”, frisa.</p>



<p>A criatividade, essa, não pára. “Estou sempre a pensar… eu estou a fazer um trabalho e já estou a pensar no trabalho que vou a fazer a seguir”, confessa esta artesã, que revela que os mais jovens, por norma fãs do universo digital, também estão a interessar-se pelos cadernos artesanais e pela escrita.</p>



<p>O seu trabalho de investigação poderia comparar-se ao de quem trabalha em História, mas ela esclarece. “Não sou historiadora nem quero comparar-me a um, mas dou por mim às vezes a ter de ir pesquisar para que o trabalho esteja correcto no tema que estou a trabalhar, e porque gosto de aplicar essa precisão…Engraçado, porque muitas vezes me perguntam onde é que arranjas estes pormenores, onde foste buscar esta ideia. E como costumo dizer, é muita pesquisa, é andar à procura onde encontrar esses materiais”, acrescenta, garantindo que não só faz essa procura pela Internet mas sempre que possível em pessoa.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/yurGgui.jpg" alt="" class="wp-image-9411" /></figure>



<p>Ainda antes da pandemia, em 2019, fez o Mercado de Alvalade, que descreve como uma boa experiência com aceitação do público. Mas com a pandemia, e consequente confinamento, diz que ficou com algum tempo livre que aproveitou para colocar em prática um projecto adiado: a loja virtual. “Comecei a ver como se construía um site e fiz o meu próprio site”. Cristina alerta para o facto de este ser um projecto que exige dedicação e trabalho constantes para obter sucesso no aspecto comercial. “Ter uma loja online não basta, é como eu ter uma loja física num sítio estratégico muito bom, com material impecável para vender lá dentro, mas ainda não tirei os jornais dos vidros da montra, e quem passa não olha, não vê – não sabe que existe. Tive de arranjar uma alternativa que foi aprender a explorar”. Assim, a empresária tem contas no <a href="https://www.facebook.com/oficinadacristina">Facebook</a> e no Instagram e está a aprender a trabalhar ambas de forma mais profissional; o propósito é ter mais visibilidade nessas redes sociais, divulgar a marca.</p>



<p>“Esta é uma área muito abrangente. Trabalha-se desde o <em>marketing</em> aos preços, passando pelas divulgações, contas, facturação, enfim…uma imensidão de áreas dentro desta área. Isso às vezes é difícil, porque sou eu que faço tudo (não tenho ajudante nem teria como pagar) mas é muito desafiante ir sempre buscar estas coisas, e ir criando isto”. No capítulo de vendas, admite: “Vai dando. Não vamos dizer que em cenário de pandemia se vende como se vendia antes. Este é um trabalho que as pessoas precisam de ver em mão, porque cada peça é única, e por vezes é difícil passar a imagem de cada um dos meus trabalhos. É uma coisa que tenho estado a aprender a fazer”. A artesã não deixa de admitir que os tempos não permitem grandes projectos, por exemplo, nas vendas ao público. “Os mercados estão muito incertos, mesmo que venha a acontecer como antigamente, só daqui a dois ou três anos. A prova é que alguns marcaram mas desmarcaram, como já aconteceu em Novembro e Dezembro (e são alturas muito boas para vender este tipo de trabalhos)”.Ainda acerca das feiras, esclarece que os artistas e artesãos têm de pagar taxas de ocupação do espaço mesmo que sejam em sítios das autarquias.“Paga-se e muitas vezes até se paga bastante”. Porém, está disponível para participar em feiras que possam vir a ocorrer. “Eu estou interessada em divulgar o meu produto, logo, estou interessada em participar”.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/uIqIVn0.jpg" alt="" class="wp-image-9412" /></figure>



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