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	<title>Arquivo de eleições legislativas 2025 - Duas Linhas</title>
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	<title>Arquivo de eleições legislativas 2025 - Duas Linhas</title>
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		<title>O PAÍS ENGANADO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 May 2025 23:00:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[eleições legislativas 2025]]></category>
		<category><![CDATA[partido Chega]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Para quem acredita na democracia, na justiça social e na convivência entre diferentes, este resultado não pode ser encarado com normalidade.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nestas eleições, o Chega reforçou o seu poder político. Para quem ainda acredita na democracia, na justiça social e na convivência entre diferentes, este resultado não pode ser encarado com normalidade. O mais alarmante não é apenas o crescimento eleitoral da extrema-direita, mas o facto de o fazermos olhos nos olhos com a mentira, como se ela fosse só mais uma opinião.</p>



<p>Assistimos ao naufrágio da esquerda no seu todo, mesmo se o Livre conseguiu um resultado satisfatório. A esquerda não soube navegar no mar de mentiras e meias-verdades com que a direita inundou o debate político. Não soube encontrar o tom certo para o confronto político cada vez mais radicalizado. </p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>As mentiras</strong></h3>



<p>É mentira que os imigrantes sejam responsáveis por um aumento da criminalidade. A própria Polícia Judiciária o desmentiu, apontando que não há evidência estatística de que as comunidades imigrantes estejam associadas a maiores índices de criminalidade. Ainda assim, o Chega repetiu a acusação vezes sem conta — e colheu votos com isso.</p>



<p>É mentira que os imigrantes sobrecarreguem a Segurança Social. Pelo contrário: um relatório do Observatório das Migrações revela que os cidadãos estrangeiros residentes em Portugal contribuem anualmente com mais de 1,5 mil milhões de euros líquidos para a Segurança Social. São mais contribuintes do que beneficiários. Mas o Chega preferiu gritar “invasão”.</p>



<p>O mais perturbador neste cenário é que os problemas reais que afligem a população portuguesa não foram causados pelos imigrantes, mas por décadas de políticas neoliberais e pela submissão do Estado aos interesses do mercado &#8211; políticas promovidas essencialmente pela direita e toleradas, demasiadas vezes, pelo centro.</p>



<p>O aumento brutal das rendas e o colapso do acesso à habitação não foram obra de refugiados ou de minorias, mas da liberalização do arrendamento, do incentivo ao alojamento local e da especulação imobiliária.</p>



<p>A degradação do SNS não foi provocada por um excesso de utentes estrangeiros, mas pela ausência de investimento, pela precarização das carreiras e pela concorrência do setor privado que atrai médicos com salários mais altos, criando um vazio no serviço público.</p>



<p>A lentidão da justiça é um problema estrutural que ninguém teve coragem de pôr no centro da campanha eleitoral, talvez porque muitos beneficiam desse mesmo silêncio.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A fábrica da mentira</strong></h3>



<p>Ainda assim, o Chega conseguiu apresentar-se como “o partido dos descontentes”. Como? Com a ajuda de manipulação digital, incluindo o uso sistemático de contas falsas nas redes sociais, prática denunciada nos jornais. Em vez de ser punido, o Chega foi premiado nas urnas. E em vez de os media denunciarem esta estratégia como fraude política, muitos trataram-na como prova de “eficácia comunicacional”.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A identidade de quem?</strong></h3>



<p>Outro trunfo da extrema-direita é a ideia de “recuperar a identidade nacional”. Mas que identidade? Um país mestiço e plural como Portugal, com raízes culturais em África, Brasil, Índia, Timor e tantas outras partes, não tem uma identidade pura para recuperar. Nunca teve. A obsessão com “portugueses de verdade” revela mais sobre o medo de perder privilégios do que sobre amor ao país.</p>



<p>Agora, resta-nos ter coragem. O combate à extrema-direita não se faz apenas com moralismo. Será preciso ter uma comunicação firme que desmonte, uma a uma, as mentiras que alimentam o ódio. Os novos &#8220;grunhos&#8221; eleitos pelo Chega vão trazer muita matéria-prima, será preciso aproveitar as oportunidades. Sem dó nem piedade.</p>



<p></p>
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		<title>NESTAS ELEIÇÕES TODOS GANHAMOS!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Ilharco]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 May 2025 11:37:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[BAZUKA]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[campanha eleitoral legislativas 2025]]></category>
		<category><![CDATA[eleições legislativas 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>De um deles, pelo menos, ficaremos livres. É um êxito de 50%, mas… é uma vitória.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Começando pelos portugueses mais crédulos, estou seguro de que ficarão radiantes não lhes faltando motivos para tal.<br>Analisemos, ponto por ponto. Independentemente de quem ganhe, ao que afirmam os candidatos a governar o País, os bebés passarão a nascer felicíssimos porque vão acabar os partos nas ambulâncias, os pais vão receber um subsídio só pelo nascimento e vão ter creches gratuitas.</p>



<p>As  crianças vão ter escolas novas, ou remodeladas, a funcionar em pleno, com professores em todas as disciplinas e refeições melhoradas.<br>Os adolescentes terão acesso facilitado às universidades, com residências para todos, propinas mais baixas e bolsas de estudo.</p>



<p>No fim dos cursos, não precisarão de emigrar porque as nossas empresas estão desejosas de gente com talento e os ordenados vão subir numa proporção idêntica à que foi atribuída às forças de segurança, por exemplo.</p>



<p>Em todo o território nacional haverá apoio médico garantido com a abertura de novos postos médicos e hospitais.<br>Finalmente, haverá médicos e enfermeiros de família para todos os portugueses e para os estrangeiros que estejam legais no país.<br>Isto porque, como está garantido, a imigração descontrolada está prestes a terminar.</p>



<p><br>Dentro de dias não haverá um estrangeiro, no nosso país, que não possa provar que tem emprego, desconta para a segurança social, não tem cadastro e vai à missa todos os domingos. A título muito excepcional até poderá ir às mesquitas às sextas-feiras…</p>



<p>A construção de novas habitações vai subir em flecha e, por isso, dentro de poucas semanas, não faltarão casas com rendas acessíveis. Uma prenda exagerada porque, como todos os ordenados vão aumentar substancialmente (incluindo o mínimo, que até poderá vir a ter de mudar esse qualificativo), as rendas actuais seriam facilmente suportadas.</p>



<p>As pensões de reforma, e o rendimento mínimo, vão duplicar o seu valor actual com promessas de melhoria a curto prazo.<br>O cabaz de compras vai ser mais acessível porque o IVA para os produtos essenciais vai ser eliminado.</p>



<p>Os combustíveis vão ter preços idênticos aos do século XX. O gás vai ter preço igual ao que se vende em Espanha.</p>



<p>A semana de quatro dias de trabalho está para breve. Haverá um forte incentivo às artes, à investigação e à ciência.</p>



<p>Finalmente, os investimentos e as exportações irão aumentar, os impostos vão baixar, alguns desaparecer, e haverá uma redução significativa da dívida pública.</p>



<p>Quanto aos incrédulos, pelo seu mau feitio habitual, o contentamento não será, obviamente, idêntico ao dos crédulos, mas ainda assim terão razões para festejar. Todos sabemos que estas eleições serão ganhas ou pela AD, de Luís Montenegro, ou pelo PS, de Pedro Nuno Santos. E é garantido que, o que perder, tem os seus dias contados à frente do seu Partido. Logo, de um deles, pelo menos, ficaremos livres. É um êxito de 50%, mas… é uma vitória.</p>



<p>Se o Partido vencedor ganhar por “poucochinho”, e os seus militantes seguirem o exemplo de António Costa com António José Seguro, até<br>podemos ficar livres dos dois. Mas isso também já é sonhar alto!</p>
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		<title>AI, COITADINHO!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 May 2025 22:11:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[André Ventura]]></category>
		<category><![CDATA[eleições legislativas 2025]]></category>
		<category><![CDATA[estratégia de vitimização]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando figuras políticas são vítimas de episódios de alto impacto emocional, isso pode alterar significativamente o curso de uma campanha.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando figuras políticas são vítimas de ataques, situações de saúde públicas ou outros episódios de alto impacto emocional, isso pode alterar significativamente o curso de uma campanha. E agora estou a lembrar-me de <strong><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Incidente_da_Marinha_Grande">Mário Soares na Marinha Grande</a></strong> e de <strong><a href="https://x.com/portugalantigo/status/1729564396450402702">Ramalho Eanes de peito às balas</a></strong>, outras campanhas, outros tempos, mas o mesmo fenómeno.</p>



<p>Com Jair Bolsonaro em 2018, o ataque com faca mudou o tom da campanha. A facada interrompeu os debates e intensificou a imagem de vítima do sistema, o que consolidou apoio entre seus seguidores. Deu para vencer as eleições. Com Donald Trump o sniper zarolho só serviu para o ajudar a ser eleito para um novo mandato.</p>



<p>Com André Ventura, um espasmo em direto na televisão, a exibição do acamado em fotos e vídeos nas redes sociais, mesmo sem qualquer indício de encenação, o episódio humaniza o candidato e pode gerar empatia. A cobertura mediática amplifica essa impressão.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/A-VENTURA-STROKE-1024x683.webp" alt="" class="wp-image-41725" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/A-VENTURA-STROKE-1024x683.webp 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/A-VENTURA-STROKE-300x200.webp 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/A-VENTURA-STROKE-768x512.webp 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/A-VENTURA-STROKE-1536x1024.webp 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/A-VENTURA-STROKE-696x464.webp 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/A-VENTURA-STROKE-1392x928.webp 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/A-VENTURA-STROKE-1068x712.webp 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/A-VENTURA-STROKE-1320x880.webp 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/05/A-VENTURA-STROKE.webp 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Ainda que não saibamos se esses eventos foram encenados, é legítimo questionar como são usados politicamente. Em campanhas cada vez mais emocionais e teatrais, mesmo o que é espontâneo é estrategicamente aproveitado para ganho político. Isso não deve alimentar teorias da conspiração, mas levar à reflexão crítica sobre como o espetáculo político se sobrepõe, muitas vezes, ao debate racional.</p>



<p>Estratégias de vitimização sempre existiram, mas o que mudou drasticamente nos últimos anos foi o alcance e a velocidade com que  produzem efeito, graças às redes sociais e à comunicação emocional em massa.</p>



<p>Quando um político é visto como vítima (de um sistema, da imprensa, de adversários ou de um ataque literal), o público tende a simpatizar com ele. E depois, o choque neutraliza críticas, porque qualquer crítica pode ser enquadrada como mais uma &#8220;injustiça&#8221;. André Ventura já explorou antes a estratégia de vitimização ao dizer que era perseguido pela esquerda, elite, sistema judicial, etc.</p>



<p>Hoje, uma narrativa de vitimização bem construída pode se espalhar em minutos e gerar um efeito de manada, alimentado por bolhas informativas. A capacidade de editar vídeos, manipular contextos e mobilizar influenciadores torna essas estratégias ainda mais eficazes e perigosas.</p>



<p>O que acho mais interessante é verificar como até os alvos do André Ventura (ciganos, afrodescendentes, imigrantes) vão para as redes sociais dizer que lhe desejam &#8220;as melhoras&#8221; e &#8220;tudo de bom na vida&#8221; porque afinal ele é um ser humano, blá blá blá. É mesmo um fenómeno fascinante e revelador.</p>



<p>A não ser que seja uma jogada, o que seria extraordinário. Ou seja, quando um membro da etnia cigana deseja as melhoras ao líder racista da extrema-direita que jamais seria capaz de desejar as melhoras ao cigano, isso poderá ser entendido como um exercício que pretende revelar superioridade moral sobre o fascista.</p>



<p>Expressar humanidade e empatia a quem o costuma desumanizar pode ser uma forma de afirmação moral pública. No fundo, é como dizer: &#8220;Apesar de tudo, nós somos melhores do que aquilo que ele diz que somos.&#8221;</p>



<p>Seja como for, é uma atitude que mina, subtilmente, a retórica do fascista. Mostra que os &#8220;inimigos&#8221; dele são, na verdade, mais civilizados do que ele os pinta. E são mesmo.</p>
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		<title>AS LINHAS VERMELHAS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 10 May 2025 23:10:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[compromissos eleitorais]]></category>
		<category><![CDATA[eleições legislativas 2025]]></category>
		<category><![CDATA[escolher em quem votar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A declaração de Rui Tavares é de facto incomum no panorama político português. Por norma, os partidos evitam compromissos antes das eleições.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em plena campanha eleitoral, é muito raro ouvir um líder partidário expressar de viva voz condições para aceitar coligar-se ou apoiar um outro partido após o ato eleitoral.</p>



<p>A declaração do líder do partido Livre é de facto incomum no panorama político português. Por norma, os partidos tendem a evitar compromissos ou exigências demasiado concretas antes das eleições. Isto porque o peso negocial de cada força depende do resultado eleitoral e antecipar condições pode ser visto como um risco estratégico, pode afastar eleitores, limitar a margem de manobra negocial e até comprometer potenciais alianças.</p>



<p>Ao condicionar de forma explícita o apoio a um governo do PS à criação de um círculo de compensação, o Livre está a tentar pressionar publicamente o PS a comprometer-se com uma medida de reforma do sistema eleitoral que favoreceria maior proporcionalidade, que iria beneficiar partidos pequenos como o próprio Livre. E está a mostrar coerência com a sua agenda de democratização e reforma institucional.</p>



<p>O círculo de compensação que o Livre quer é um mecanismo para tornar o sistema eleitoral mais proporcional, ou seja, para que o número de deputados eleitos por cada partido esteja mais alinhado com a percentagem de votos que efetivamente recebem a nível nacional. Seria a maneira de matar o chamado voto útil, uma vez que todos os votos passariam a ter alguma utilidade na eleição de deputados.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>AS LINHAS VERMELHAS DE CADA UM DOS ELEITORES</strong></h4>



<p>Seria muito interessante se os eleitores fizessem o mesmo. Isto é, se listassem as suas próprias condições para irem votar num qualquer partido. Ou seja, em vez de irem votar pela “cor da camisola”, escolheriam em quem votar pela coincidência entre os seus próprios desejos e as promessas expressas pelos políticos em campanha.</p>



<p>Por exemplo, eu irei escolher em quem votar, mediante as seguintes condições:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Solução para a paralisia em que se encontra o SNS, nomeadamente com a falta de médicos de família, mais do que com as urgências a meio gás.</li>



<li>Solução para os dramas crónicos com a colocação de professores nas escolas públicas.</li>



<li>Solução para a falta de habitação social, em todo o país.</li>



<li>Reconhecimento do Estado da Palestina.</li>



<li>Apoio a sanções contra Israel e à execução dos mandatos de captura do TPI.</li>



<li>Apoio a uma reforma da ONU que acabe com os privilégios dos membros permanentes no Conselho de Segurança.</li>



<li>Apoio à via negocial para a paz na Ucrânia.</li>



<li>Levantamento das sanções contra a Rússia, reaproximação entre a Europa e a Rússia.</li>
</ol>



<p>Os vários partidos e candidatos têm uma semana para me convencer.</p>
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		<title>DA MOÇÃO DE DESCONFIANÇA À MÃO ESTENDIDA</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2025/04/da-mocao-de-desconfianca-a-mao-estendida/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Apr 2025 23:15:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[campanha eleitoral legislativas 2025]]></category>
		<category><![CDATA[Chega e PSD]]></category>
		<category><![CDATA[eleições legislativas 2025]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A política portuguesa vive tempos em que a coerência parece, cada vez mais, uma qualidade facultativa</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/04/da-mocao-de-desconfianca-a-mao-estendida/">DA MOÇÃO DE DESCONFIANÇA À MÃO ESTENDIDA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A política portuguesa vive tempos em que a coerência parece, cada vez mais, uma qualidade facultativa. A recente posição do Chega é o mais recente exemplo. Depois de ter apresentado uma moção de desconfiança ao governo de Luís Montenegro, agora admite não excluir alianças com o PSD caso as explicações sobre o caso da empresa familiar agradem a André Ventura.</p>



<p>Não se trata apenas de um volte-face tático. Trata-se de uma demonstração clara da facilidade com que certos protagonistas políticos dizem uma coisa e, pouco tempo depois, o seu exato contrário, sem sombra de embaraço, sem sinal de arrependimento, como se a memória coletiva fosse descartável.</p>



<p>Na verdade, o Chega já mostrou ao que veio quando, nos Açores, o apoio ao PSD foi retirado e depois parcialmente reavaliado consoante as conveniências. Nada garante a Montenegro que o mesmo não lhe venha a acontecer.</p>



<p>É o triunfo do pragmatismo absoluto. A coerência ideológica cede ao cálculo eleitoral, e a firmeza moral é substituída por um jogo de forças que visa maximizar influência a qualquer custo.</p>



<p>Para quem ainda espera da política um mínimo de seriedade, este tipo de reviravolta causa pasmo. Não se trata de flexibilidade ou abertura ao diálogo. Trata-se de maleabilidade oportunista, que trata a opinião pública como amnésica ou indiferente. E isso, mais do que qualquer escândalo em concreto, é o que verdadeiramente corrói a democracia.</p>



<p></p>
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