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	<title>Arquivo de defesa do ambiente - Duas Linhas</title>
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	<title>Arquivo de defesa do ambiente - Duas Linhas</title>
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		<title>INTERROGAR O VÁCUO: “O SILÊNCIO TAMBÉM É UMA FORMA DE PREVENÇÃO”, DIZ O DIRETOR-GERAL DO SILÊNCIO INSTITUCIONAL</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/06/interrogar-o-vacuo-o-silencio-tambem-e-uma-forma-de-prevencao-diz-o-diretor-geral-do-silencio-institucional/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Alfredo Quintas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 23:00:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CRÍTICAS E PROSAS]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O país agradece o vosso esforço coordenado para não fazer absolutamente nada</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/06/interrogar-o-vacuo-o-silencio-tambem-e-uma-forma-de-prevencao-diz-o-diretor-geral-do-silencio-institucional/">INTERROGAR O VÁCUO: “O SILÊNCIO TAMBÉM É UMA FORMA DE PREVENÇÃO”, DIZ O DIRETOR-GERAL DO SILÊNCIO INSTITUCIONAL</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="949" height="169" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/absurdo.jpg" alt="" class="wp-image-49874" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/absurdo.jpg 949w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/absurdo-300x53.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/absurdo-768x137.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/absurdo-696x124.jpg 696w" sizes="(max-width: 949px) 100vw, 949px" /></figure></div>


<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p><em>Por José de Alfinete<br>Lisboa, 16 de Junho de 2026</em></p>



<p>Conseguimos o impossível. Após semanas a enviar e-mails que caíram no esquecimento e telefonemas que morreram no tom de chamada, fomos recebidos pelo Dr. Anacleto Mudez, Diretor-Geral do Silêncio Institucional (DGSI), o organismo transversal que coordena a ausência de respostas na Administração Pública. O Dr. Mudez aceitou falar connosco sob a condição de não respondermos a nada do que ele não dissesse.</p>



<p><strong>Diário do Absurdo (DA): Senhor Diretor-Geral, muito obrigado por nos receber. Gostaria de começar pelo caso do cidadão, que enviou alertas sobre toneladas de madeira seca na encosta da Peninha, em Sintra, e não obteve qualquer resposta da Proteção Civil, dos Parques de Sintra, do Parlamento ou de Belém. O que falhou aqui?</strong></p>



<p><strong>Dr. Anacleto Mudez (AM):&nbsp;</strong><em>(Sorri com bonomia)</em>&nbsp;Olhe, desde já repúdio essa palavra: &#8220;falhou&#8221;. Não falhou nada. O silêncio que o cidadão encontrou foi um silêncio planeado, rigoroso e de elevada competência técnica. Nós recebemos o e-mail dele a 22 de Maio. E aplicámos imediatamente a estratégia da &#8220;Ignorância Preventiva&#8221;.</p>



<p><strong>DA: Ignorância Preventiva? O que é isso?</strong></p>



<p><strong>AM:</strong>&nbsp;É muito simples. Se nós respondermos ao cidadão a dizer qual é a entidade responsável pela limpeza — se é a autarquia, o ICNF ou os Parques de Sintra —, criamos um precedente perigoso. As pessoas começam a saber a quem exigir responsabilidades. Ao nãorespondermos, mantemos o mistério. E o mistério, meu caro jornalista, é a alma da burocracia. Se ninguém sabe de quem é a competência, ninguém pode ser culpado se aquilo arder. É uma salvaguarda jurídica genial.</p>



<p><strong>DA: Mas o referido cidadão enviou o e-mail para todos os partidos do Parlamento e para o Presidente da República. Nem uma palavra de volta? Como se consegue que dez partidos partilhem o mesmo silêncio?</strong></p>



<p><strong>AM</strong>:&nbsp;<em>(Orgulhoso)</em>&nbsp;Ah, aí foi o nosso momento dourado de 2026. Conseguir a concertação estratégica do vácuo. O Parlamento debate muito, polariza muito, mas quando o assunto é caruma seca num e-mail de um cidadão, a união nacional acontece. Do PCP ao Chega, da Iniciativa Liberal ao PAN, todos aplicaram a nossa circular técnica n.º 4: &#8220;Não digas nada, que o Verão passa&#8221;. O cidadão conseguiu o milagre de pacificar a política portuguesa. Devia estar agradecido.</p>



<p><strong>DA: Mas há um risco real de incêndio. A madeira está seca, o Verão começou hoje e os termómetros estão a subir. Ignorar o risco não queima a floresta?</strong></p>



<p><strong>AM</strong>: Essa é uma visão muito literal do fogo. Nós temos uma abordagem mais filosófica. Veja bem: o cidadão citou o Decreto-Lei n.º 135/99 para provar que o e-mail dele tem o mesmo valor que o papel. Sabe o que nós fizemos? Imprimimos o e-mail e o decreto.</p>
</div></div>



<p><strong>DA: E foram limpar a encosta?</strong></p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p><strong>AM:&nbsp;</strong>Não. Arquivámos o papel numa pasta de cartão que guardamos no subsolo do Ministério. Sabe quanto oxigénio há naquela arrecadação? Zero. Sabe qual é o risco de combustão lá dentro? Nenhum. Portanto, tecnicamente, nós mitigámos o risco de incêndio do e-mail do cidadão. O papel está seguro. Se a encosta arder, o processo está intacto.</p>



<p><strong>DA: O cidadão ainda aguarda uma resposta do Chefe de Gabinete do Presidente da República. Há alguma esperança?</strong></p>



<p><strong>AM:&nbsp;</strong>Há sempre esperança de que o cidadão se canse. Belém está a processar o silêncio com a dignidade que o cargo exige. Responder com pressa a um alerta de segurança seria ceder à ditadura do imediatismo. Nós funcionamos ao ritmo do Estado, que é o ritmo do século passado.</p>



<p><strong>DA: Uma última pergunta: se o cidadão voltar a insistir e ligar para o número que deixou nos e-mails?</strong></p>



<p><strong>AM</strong>: Atendemos, claro. E pomos a música de espera. Temos uma versão em flauta de bisel do hino nacional que dura quatro horas. Se ele passar da terceira hora, transferimos para um departamento que foi extinto em 2011. O sistema funciona, só precisa de tempo.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="683" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/banda-desenhada-683x1024.png" alt="" class="wp-image-49871" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/banda-desenhada-683x1024.png 683w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/banda-desenhada-200x300.png 200w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/banda-desenhada-768x1152.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/banda-desenhada-696x1044.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/banda-desenhada.png 1024w" sizes="(max-width: 683px) 100vw, 683px" /><figcaption class="wp-element-caption">banda desenhada com recurso ao Chatgpt</figcaption></figure></div></div></div>



<p>Nota final: parabéns pelo milagre de unirem Belém, o Parlamento e as forças locais de Sintra no mais perfeito e harmonioso silêncio institucional de 2026. O país agradece o vosso esforço coordenado para não fazer absolutamente nada.Subscrevo-me, com o respeito que a vossa ausência de pressa exige,</p>
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		<title>CEM ANOS ?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Helena Ventura Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 May 2026 11:55:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
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		<category><![CDATA[O QUE DIZ HELENA]]></category>
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		<category><![CDATA[100 anos de vida]]></category>
		<category><![CDATA[David Attenborough]]></category>
		<category><![CDATA[defesa do ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>David Attenborough faz hoje 100 anos</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/cem-anos/">CEM ANOS ?</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Estou “apaixonada” por si desde uma altura especial que não vai adivinhar, já a minha admiração estava sedimentada por anos de visionamento de documentários seus. Deitada no chão da sala, de cotovelos fincados no tapete e mãos a segurarem o rosto, acabava sempre por hesitar entre escolher a peculiar voz do radialista, o encanto do jovem que ousava interagir com os gorilas no Ruanda, ou a coragem do naturalista que viajava até aos confins do mapa para contar <strong>a mais bela história do mundo </strong>até então desconhecido.</p>



<p>Ganhou o inteligente produtor da BBC em séries que acumulavam audiências, ou o biólogo que deu a conhecer espécies novas e ensinou que todas precisam de afecto e interacção? Engana-se, muito estimado <strong>Sir David Attenborough</strong>. Ganhou aquele explorador de jeans esfiapados nas bainhas, que pediu uma tesousa à equipa e em segundos, arrimando uma perna de cada vez a uma rocha, cortava duas barras do mesmo tamanho, direitinhas, e ficava com umas calças novas.</p>



<p>Que homem, pensava eu arrebatada nos meus vinte e poucos anos! Inteligente, culto, destemido, prático. E terminado o encantamento da transmissão, percorria o seu trajecto de vida desde o nascimento em Londres até à criaçao em Leicester, depois a formação em Cambridge e de novo em Londres onde tudo recomeçaria. Sem esquecer o menino do meio de três rapazes que colecionava fósseis e pedras, estimulado pela peça de âmbar oferecida por uma das duas irmãs adoptivas, antes órfã da I Grande Guerra.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p><strong>Parabéns pelos 100 anos, </strong>querido <strong>Sir David Attenborough,</strong> ainda não tinha dito.</p>



<p>A julgar pelo pensamento do seu adorado Darwin, tem-se revelado um dos mais aptos para resistir e manter tão saudável e frutuosa longevidade. Talvez pelo seu amor à Natureza, que em algumas latitudes ainda terá a marca das suas pegadas. Talvez pela superior humanidade que tanto vaticinou o declínio do planeta pelas más escolhas dos líderes.</p>



<p>Da minha admiração crescente e dos seus ensinamentos, fazia eco até outros que viriam a conhecer os mares, a explorar o mundo natural em caminhadas e fotografias de animais em liberdade, a promover discussões sobre o destino desta Casa chamada Terra, tão maltratada pela avidez ignorante de uns quantos, muitos&#8230;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="284" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-4x-1024x284.png" alt="" class="wp-image-48998" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-4x-1024x284.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-4x-300x83.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-4x-768x213.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-4x-1536x426.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-4x-696x193.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-4x-1392x386.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-4x-1068x296.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-4x-1320x366.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-4x.png 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Sedentos do lucro fácil e imediato, esquecem o futuro de gerações jovens que podem ser os seus filhos. E aposto que, se os questionassem sobre o assunto, eles haviam de afirmar que preferiam poder respirar em paz, a gastar o dinheiro sujo em unidades de saúde para tentarem sobreviver a doenças causadas pelo envenenamento do planeta. E para quê, se como dizia Sir David a Anderson Cooper numa entrevista da série <em>60 Minutos, </em>o homem dispõe de infinitas fontes de energia que chegam para todos? Tantas advertências certeiras de que caminhávamos para o declínio. E caminhamos&#8230; ou talvez não, porque teremos de confiar: por nós, pelas crianças e jovens que precisam de solidariedade.</p>



<p>Hoje não tenho bolo de chocolate para lhe oferecer, nem o aroma de bacon acabado de fritar, nem bolachas de manteiga ainda quentes para acompanharem um chá. Tenho a certeza de que não haveria vontade para saborear tantas calorias, nem lhe chegaria o tempo para ler mensagens de todo o mundo que acompanhassem guloseimas, ainda que&nbsp; envolvidas as primeiras em papel de <strong>Amor, Admiração e Respeito.</strong></p>
</div></div>



<p>Como prenda sem enfeites lembro-lhe o registo de memórias ao longo de uma vida de aventura na Terra e no Mar, mais de setenta anos, que nos têm sido oferecidas em livro e em imagens&#8230;O som das vagas dos oceanos que admirava, a quebrarem nas praias onde auscultava a pujança dessa força&#8230;Intervalos de silêncio em observação reverente a ínfimos seres que na sua mão pareciam ter alma.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="684" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-praia-1024x684.png" alt="" class="wp-image-49000" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-praia-1024x684.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-praia-300x200.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-praia-768x513.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-praia-1536x1027.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-praia-696x465.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-praia-1392x930.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-praia-1068x714.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-praia-1320x882.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-praia.png 1616w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Retenho o seu sorriso a partilhar empatia com espécies ditas perigosas, ou acariciando seres vivos raros como se acariciasse crianças.&nbsp; Guardo a sua imagem a mergulhar junto aos recifes de coral na Austrália, antes e depois da acção nociva do homem. Admiro e guardo como relíquia a sua forma de sorver a vida em gargalhadas sonoras.&nbsp;</p>



<p>Lembra-se de uma conversa da série <em>A Vida no Nosso Planeta,</em> no seu jardim com Sir Michael Palin? Falavamdas jovens que o reconheceram na base do Monte Kinabalu, em Bornéu e da que, levantando a saia, lhe mostrou a coxa tatuada com o seu rosto, acabando ambos, e os espectadores em minha casa, em gargalhadas irreprimíveis.</p>



<p>O meu, o nosso presente aqui deste canto de Portugal, <strong>Sir David Attenborough,</strong> é a certeza de que a sua mensagem é uma caixa de ressonância que, de vez em quando, soa dentro da nossa consciência de seres ínfimos no grande rio do Universo. Basta folhear um livro seu, rever um vídeo&#8230;</p>



<p><strong>Parabéns. Saúde </strong>e<strong> Alegria</strong> bastantes para ouvir o coro do mundo, quase em uníssono, num cântico de <strong>AGRADECIMENTO.</strong></p>



<p>Helena</p>
</div></div>
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		<title>A DESTRUIÇÃO DO LITORAL ALENTEJANO</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2025/07/a-destruicao-do-litoral-alentejano/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Jul 2025 22:51:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[LIFESTYLE]]></category>
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		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
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		<category><![CDATA[litoral alentejo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em defesa do ambiente e da praia pública</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em defesa do ambiente e da praia pública, um grupo de ativistas manifestou-se em Melides, no litoral alentejano. O protesto foi promovido pelo movimento &#8220;Reabrir a Galé&#8221;, que alerta para o impacto ambiental e social dos novos projetos que irão restringir o acesso às praias e a ameaçar zonas protegidas de dunas.</p>



<p>Os ativistas querem pôr um travão aos projetos de luxo que se têm instalado na costa alentejana ao longo dos anos, limitando cada vez mais o acesso às praias.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="744" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/melides-1024x744.png" alt="" class="wp-image-43235" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/melides-1024x744.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/melides-300x218.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/melides-768x558.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/melides-696x506.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/melides-1392x1011.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/melides-1068x776.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/melides-1320x959.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/melides.png 1487w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">cartazes da manifestação onde se interpelam alguns dos &#8220;vizinhos&#8221; famosos, príncipe Harry e Nicole Kidman, para se juntarem aos manifestantes pela defesa do meio ambiente e do acesso público às praias da região</figcaption></figure></div>


<p>De acordo com os dados da última fiscalização da Agência Portuguesa do Ambiente, há atualmente 10 praias entre Tróia e Melides com acessos condicionados &#8211; em 7 desses casos, devido à presença ou construção de empreendimentos turísticos.</p>



<p>A extensa praia entre Troia e Melides, 45km de areal, um território que até há bem pouco tempo era considerado um dos mais bem preservados da Europa, está em sérios riscos de degradação devido à pressão humana.</p>



<p>No passado dia 3 de julho, foram reprovadas, na Assembleia da República, todas as propostas de uma petição (com mais de dez mil assinaturas) pela preservação do património natural da Península de Troia. Os deputados parecem não entender que está em curso a destruição ambiental de habitats de largas dezenas de espécies que vivem nesta zona.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="394" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/image3-1024x394.jpeg" alt="" class="wp-image-43237" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/image3-1024x394.jpeg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/image3-300x115.jpeg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/image3-768x295.jpeg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/image3-1536x590.jpeg 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/image3-696x268.jpeg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/image3-1392x535.jpeg 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/image3-1068x411.jpeg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/image3-1920x738.jpeg 1920w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/image3-1320x507.jpeg 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/image3.jpeg 2016w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/07/a-destruicao-do-litoral-alentejano/">A DESTRUIÇÃO DO LITORAL ALENTEJANO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>BIJAGÓS: PATRIMÓNIO MUNDIAL EM PERIGO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Óscar Barbosa "Cancan"]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Jul 2025 23:00:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[arquipélago dos Bijagós]]></category>
		<category><![CDATA[defesa do ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Guiné-Bissau]]></category>
		<category><![CDATA[UNESCO]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O arquipélago dos Bijagós está a ser alvo de uma verdadeira invasão de pescadores senegaleses</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/07/bijagos-patrimonio-mundial-em-perigo/">BIJAGÓS: PATRIMÓNIO MUNDIAL EM PERIGO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A recente inscrição das Ilhas João Vieira e Poilão, Orango e Urok, do Arquipélago dos Bijagós, Guiné-Bissau, na lista do Património Mundial da UNESCO deveria ser motivo de celebração e de renovado compromisso de Bissau com a proteção ambiental e cultural. No entanto, o que se impõe hoje é uma profunda preocupação. O arquipélago está a ser alvo de uma verdadeira invasão de pescadores, em particular senegaleses, que, à sombra de um acordo de pesca celebrado entre os Governos da Guiné-Bissau e do Senegal, exploram desenfreadamente os recursos marinhos das <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2023/12/as-tartarugas-da-ilha-poilao/">ilhas sagradas</a></strong> e frágeis do arquipélago.</p>



<p>Esta presença crescente de embarcações estrangeiras, muitas vezes operando com redes de malha apertada e métodos de pesca destrutivos, tem provocado a indignação de pescadores locais e de praticantes da pesca desportiva &#8211; uma das maiores atrações turísticas da região. Estas práticas ameaçam diretamente os ecossistemas marinhos, colocam em risco espécies protegidas e reduzem drasticamente a capacidade de subsistência das comunidades bijagós, que, durante séculos, foram as legítimas guardiãs dessa biodiversidade única.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="960" height="720" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/bijagos.jpg" alt="" class="wp-image-43216" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/bijagos.jpg 960w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/bijagos-300x225.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/bijagos-768x576.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/bijagos-696x522.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/bijagos-265x198.jpg 265w" sizes="auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px" /><figcaption class="wp-element-caption">Bijagós, ilha Caravela</figcaption></figure></div>


<p>Importa lembrar que a Zona Económica Exclusiva (ZEE) da Guiné-Bissau é uma das mais ricas em recursos haliêuticos da costa atlântica africana, logo a seguir à da Mauritânia. Tal riqueza natural é devida, em grande parte, ao papel crucial que o Arquipélago dos Bijagós desempenha como área de desova, refúgio e alimentação de diversas espécies marinhas. O acordo de pesca em questão, solicitado pelo Senegal após este decretar a interdição das suas próprias águas &#8211; já esgotadas &#8211; parece ter sido assinado sem a devida ponderação das consequências ambientais, sociais e culturais para a Guiné-Bissau.</p>



<p>A questão que se impõe é simples, mas grave: como pode o Estado guineense conciliar o compromisso internacional com a UNESCO &#8211; que implica proteger, conservar e valorizar este património &#8211; com a permissividade e ausência de fiscalização que hoje permite a pesca ilegal e predatória em pleno coração das ilhas reconhecidas como património da Humanidade?</p>



<p>Mais do que uma incoerência técnica ou política, estamos perante uma violação do dever de proteger esses recursos naturais e os direitos das comunidades locais. O silêncio institucional e a passividade das autoridades competentes só agravam o problema, colocando em risco não apenas os ecossistemas marinhos e a sobrevivência dos povos bijagós, mas também a reputação internacional da Guiné-Bissau como nação responsável e comprometida com a sustentabilidade.</p>



<p>É urgente e inadiável que o Governo reavalie o conteúdo e os impactos do acordo de pesca com o Senegal. É necessário suspender, ou pelo menos restringir, a presença de embarcações estrangeiras nas áreas sensíveis do arquipélago, reforçar a fiscalização ambiental e marítima, e devolver às comunidades locais o protagonismo na gestão dos seus territórios e recursos.</p>



<p>A inscrição dos <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2023/11/hipopotamos-de-agua-salgada/">Bijagós</a></strong> na lista da UNESCO não deve ser uma medalha para exibir. Deve ser uma responsabilidade para honrar.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/07/bijagos-patrimonio-mundial-em-perigo/">BIJAGÓS: PATRIMÓNIO MUNDIAL EM PERIGO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>ÍNDIA, os ambientalistas Nature Nest</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2024/12/india-os-ambientalistas-nature-nest/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Dec 2024 19:26:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
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		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
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		<category><![CDATA[Índia]]></category>
		<category><![CDATA[proteção ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[viajar pela Índia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dos bairros degradados de Mumbai até às cataratas de Dudhsagar, vai uma distância enorme, em quilómetros e em opções de vida. Reportagem sobre a atividade do núcleo Nature Nest na região da floresta de Bhagwan Mahavi, no extremo leste do Estado de Goa. O turismo financia a proteção da vida selvagem.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2024/12/india-os-ambientalistas-nature-nest/">ÍNDIA, os ambientalistas Nature Nest</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Dos bairros degradados de Mumbai até às cataratas de Dudhsagar, vai uma distância enorme, em quilómetros e em opções de vida.</p>



<p>Reportagem sobre a atividade do núcleo Nature Nest na região da floresta de Bhagwan Mahavi, no extremo leste do Estado de Goa.</p>



<p>O turismo financia a proteção da vida selvagem.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Índia, poluição e ambiente" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/2Luf-nGOvLE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption"><sub>vídeo</sub></figcaption></figure>
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		<title>“AS ÁRVORES MORREM DE PÉ”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Dec 2024 22:33:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[UM CRONISTA DE PROVÍNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[amar as árvores]]></category>
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		<category><![CDATA[natureza]]></category>
		<category><![CDATA[proteger o ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“As árvores morrem de pé” (1949) é título de uma inesquecível peça da poética dramaturgia de Alexandro Rodriguez Alvarez (1903-1965) e evoco-a no presente texto para lembrar a recente morte do centenar carvalho do Parque da Cidade / Parque Aquilino Ribeiro, em Viseu. Quem amasse aquela árvore já velhinha como quem ama um avô já [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2024/12/as-arvores-morrem-de-pe/">“AS ÁRVORES MORREM DE PÉ”</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>“As árvores morrem de pé” (1949) é título de uma inesquecível peça da poética dramaturgia de Alexandro Rodriguez Alvarez (1903-1965) e evoco-a no presente texto para lembrar a recente morte do centenar carvalho do Parque da Cidade / Parque Aquilino Ribeiro, em Viseu.</p>



<p>Quem amasse aquela árvore já velhinha como quem ama um avô já velhinho também saberia que a sua hora de partida estava próxima, haveria apenas de esperar um pouco, esse jeito de despedida feito de um gesto de mão que se aperta e deslassa, de um brando fechar de olhos que ainda quer guardar traços de um rosto, quem amasse aquela árvore já velhinha ao ver que adormecia e sua fronde tombava sobre o manto do virginal chão de onde rompera gostaria de estender sobre aquele corpo ora em repouso a branca e suave mortalha de um lençol de linho.</p>



<p>Ei-lo, ali, sobre a verdura do Parque, o corpo inerme do carvalho como se em sege ainda o velássemos antes que torne à terra de onde se soltou.</p>



<p>Os ramos quebrados talvez se tenham tornado já cinza ou pó. Pouco importa. Se fosse há dois mil anos, um pouco mais, talvez os ramos ganhassem o jeito dos triunfais ramos de Quinta-Feira Santa e o velho tronco ganharia, porventura, o estatuto de árvore sagrada, quem sabe se não seria queimada, quem sabe se não foi assim que nasceram os lumes santos do Cepo ou Madeiro do Natal e os perfumados fogos de bela-luz e rosmaninho que iluminavam os Adros das aldeias na solsticial Noite de São João.</p>



<p>Ei-lo ali, o velhinho carvalho do Parque, “quaercus robur L.” de seu nome científico, “alvarinho” do dizer popular, descansando enfim, como descansou, há muito, o bom do monge que o mandou plantar na antiga Quinta de Massorim feita já Cerca dos Frades de São Francisco desde 1635, sabemos de vera história. Que este carvalho deve ter pertencido a essa mão-cheia das seiscentas árvores (carvalhos e castanheiros) que o bom do Frei Gregório de Jesus mandou plantar seis anos depois daquela data obediente a esse amor pela natureza que o seu patrono, São Francisco, lhe inspirara.</p>



<p>O Parque da Cidade ou de Aquilino Ribeiro, que de árvores era amador, continua povoado de sombras e de arvoredo autóctone, Jorge Paiva celebrando em seus textos a suave biodiversidade deste pulmão benfazejo e verde da cidade.</p>



<p>O velhinho carvalho que a morte levou, como se adormecesse, ainda ali repousa como se a cidade ternamente o velasse. Esperando, talvez, que o tomem nos braços, que o levantem do chão, guardando-lhe a dignidade. Talvez um escultor, ao jeito dos santeiros antigos, possa desenhar em seu corpo as marcas de uma vida cumprida, esse esforçado jeito de viver que alimentou, esse ansiado destino de morrer de pé, esse dom da sombra dia-a-dia generosamente derramada, essa facúndia dos frutos em que também se desdobrou. Talvez as sementes que guardaram possam germinar nos quatro cantos da terra de Viseu onde serão enterradas numa Primavera qualquer. Oxalá.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="872" height="540" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/12/carvalho-de-viseu.png" alt="" class="wp-image-38328"/><figcaption class="wp-element-caption">VISEU. Parque da Cidade/Parque Aquilino Ribeiro. Tronco caído do secular carvalho</figcaption></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2024/12/as-arvores-morrem-de-pe/">“AS ÁRVORES MORREM DE PÉ”</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>SIM SENHOR CAPITAL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Helena Ventura Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Jul 2024 08:23:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[O QUE DIZ HELENA]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Cascais]]></category>
		<category><![CDATA[defesa do ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Claro que a filosofia de Aristóteles em relação aos modos de governo, não era Ciência Política como agora a entendemos, mas é curioso comparar com os dias de hoje a classificação deturpada, diremos nós, que ele fazia. Não digamos, comparemos. Dos seis regimes que Aristóteles dividia em ideais e corruptos, juntava no lote dos últimos [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2024/07/sim-senhor-capital/">SIM SENHOR CAPITAL</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Claro que a filosofia de Aristóteles em relação aos modos de governo, não era Ciência Política como agora a entendemos, mas é curioso comparar com os dias de hoje a classificação deturpada, diremos nós, que ele fazia.</p>



<p>Não digamos, comparemos.</p>



<p>Dos seis regimes que Aristóteles dividia em ideais e corruptos, juntava no lote dos últimos tirania, oligarquia, demagogia, este último aparecendo, em alguns autores como democracia. Não parece ser a mesma coisa, mas se há confusões estabelecidas pela designação semântica, a prática revela que têm muito em comum.</p>



<p>Não temos aqui realidades diferentes que se alternam, mas um conglomerado de vícios que hoje se dão as mãos para dominar todos os sectores da vida pública e sobre o qual, conglomerado, se edificam as mais impensáveis arbitrariedades.</p>



<p>O que une essa trindade é o capital, o lucro, os dividendos, que vão beneficiar uns quantos na estrutura dos poderes. As populações reclamam, fazem manifestações, apresentam queixa, mas continuam a sofrer o peso de erros alheios sucessivos.</p>



<p>Perguntamo-nos como aceitam ainda, daqueles que elegeram, os maiores atentados aos seus direitos básicos. Muito longe do princípio que devia presidir ao acto de governar, a moral em benefício das populações no conceito do filósofo, assiste-se a uma ousadia sem precedentes no abuso do exercício do poder em perfeita impunidade.</p>



<p>Não há sanções para crimes ambientais? Uma pergunta inútil, desculpem a ingenuidade.</p>



<p>Vem isto a propósito de mais uma construção inconcebível, desta vez no bairro da Quinta da Bela Vista, concelho de Cascais, que os moradores pensavam ser uma ideia abandonada. Não&#8230;as máquinas já alisam o terreno. As vedações que delimitam a área total de construção, 12 945,79 m2, foram colocadas em cima do passeio mais largo e chegam a impedir, numa extensão de alguns metros, um dos acessos ao jardim público. Podiam ser centímetros: o espaço público não deve sofrer impedimento de interesses privados. Nem os PDMs deviam poder ser alterados à medida do capricho dos autarcas.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/FqGEIKx.jpeg" alt="" class="wp-image-35140"/></figure></div>


<p>Os dados que apresento são da AMQBVC, associação de moradores do bairro que muito se bateu para que o projecto não avançasse e que foi esclarecendo os habitantes locais da evolução do processo.</p>



<p>Os moradores que usaram as economias na expectativa de um ambiente equilibrado, com ar ainda respirável, com uns pedaços de chão para caminhar sem serem abalroados por automóveis fora das horas de ponta, ainda vêem o mosteiro de <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2023/03/santa-maria-do-mar/">Santa Maria do Mar</a>,</strong> também ele violentado, na sua pureza inicial, pelo acrescentamento de um braço lateral discretamente anexado ao lado mais escondido. À socapa.</p>



<p>Em breve os moradores dos lotes mais próximos deste novo empreendimento da Quinta da Bela Vista, não poderão ir à janela sem se sentirem emparedados uns, do lado norte, outros com vista obstruída para nascente, já que o maciço de betão contempla 52 fogos e 1542,76 m2 de áreas de comércio e serviços. Planear o passeio diário, recomendado pela Medicina Familiar, fora das horas de ponta, também será utopia. Todas as horas serão de ponta a partir do momento em que a obra se acabar e a circulação de veículos se tornar caótica.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/SBo9Aby.jpeg" alt="" class="wp-image-35142"/></figure></div>


<p>O concelho de Cascais tinha personalidade e qualidade de vida, Hoje, de há uns anos a esta parte, é uma região atacada pelas mandíbulas da especulação imobiliária, que vem sorvendo sôfregamente todos os espaços verdes, a orla marítima, a beleza natural, num <em>continuum</em> de construções a que chamará progresso, mas que não passa de um abominável movimento de destruição das características naturais, do que já foi um belo pedaço de mapa: vila costeira e terras adjacentes.</p>



<p>Julgar-se-ão os autarcas deste país acima da lei? Perguntando de outro modo, estarão alguns isentos de a respeitar, quando são eleitos para um órgão de poder? É que o movimento alastra por quase todos os concelhos, construindo-se, destruindo-se à medida da vontade das autoridades locais, ou das críticas sucessivas dos munícipes ao mau gosto e à péssima gestão dos dinheiros públicos.</p>



<p>É por razões de lucro enquanto duram os mandatos? Será uma questão de medo ao poder económico traduzido numa triste sbmissão?</p>



<p>Sim, Senhor Capital, às suas ordens. Condene populações a ambientes irrespiráveis, à prisão nas suas casas. Invada, derrube árvores, apague o verde da coloração da vida. Fragmente a amplidão das vistas sobre o mar, para lotear o futuro.</p>



<p>Não tínhamos reparado que vivíamos em tirania, servida pela demagogia de oligarquias que<strong>  </strong>tomaram conta deste país e do mundo.</p>
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		<title>AS TARTARUGAS DA ILHA POILÃO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vanda Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Dec 2023 17:00:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[arquipélado dos Bijagós]]></category>
		<category><![CDATA[crónica de viagem]]></category>
		<category><![CDATA[defesa do ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Guiné-Bissau]]></category>
		<category><![CDATA[ilha Poilão]]></category>
		<category><![CDATA[lixo plástico]]></category>
		<category><![CDATA[Parque Nacional Marinho de João Vieira e Poilão]]></category>
		<category><![CDATA[tartarugas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Poilão é uma ilha tropical, com uma floresta sagrada para o povo Bijagós. É uma ilha desabitada, cheia de lixo urbano. As correntes marítimas trazem para a praia montanhas de lixo. Como não há ninguém para apanhar esse lixo, ele amontoa-se. Durante a época da desova das tartarugas, a ilha tem em permanência uma equipa [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Poilão é uma ilha tropical, com uma floresta sagrada para o povo Bijagós. É uma ilha desabitada, cheia de lixo urbano. As correntes marítimas trazem para a praia montanhas de lixo. Como não há ninguém para apanhar esse lixo, ele amontoa-se.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="277" height="338" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/12/Ilha_PoilaoGuine_Bissau2018.png" alt="" class="wp-image-30708" style="width:234px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/12/Ilha_PoilaoGuine_Bissau2018.png 277w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/12/Ilha_PoilaoGuine_Bissau2018-246x300.png 246w" sizes="auto, (max-width: 277px) 100vw, 277px" /></figure></div>


<p>Durante a época da desova das tartarugas, a ilha tem em permanência uma equipa de guardas do parque. Não só evitam que as tartarugas sejam alvo de caçadores, como ajudam as crias quando nascem a encontrar em segurança o caminho até ao mar e, só nessa altura, há alguém que retira o lixo das praias. Outra tarefa é servir de guia a algum turista que por aqui venha. Disseram-nos que poucos turistas aparecem por aqui, nunca mais de 300 por ano.</p>



<p>O lixo é um problema para as tartarugas, especialmente os pedaços de plástico que flutuam na água. As tartarugas confundem o plástico com medusas (que é o seu alimento preferido) e muitas acabam por morrer asfixiadas. Nas praias, o lixo (além do plástico, há latas, chinelos de borracha, embalagens, etc) cria obstáculos que atrapalham a caminhada das pequenas crias acabadas de nascer. Se as tartarugas pequeninas não chegam ao mar, tornam-se presas fáceis para predadores, especialmente aves marinhas.</p>



<p>Logo na primeira caminhada pela praia, vimos e ajudámos algumas tartaruguinhas bebés a ultrapassar esses obstáculos. O resto do dia foi passado connosco na água quente do mar ou à “sombra da bananeira” a tomar umas surpreendentes caipirinhas.</p>



<p>Na madrugada seguinte, nova caminhada. Por volta da 1 da manhã, com a lanterna de luz vermelha, que perturba menos as tartarugas, partimos à &#8220;caça ao tesouro&#8221;. E o que vimos foi fabuloso: uma tartaruga a desovar! Os ovos caiam a um ritmo certo &#8230; e numa só postura as tartarugas podem pôr mais de 200.&nbsp;É fabuloso!&nbsp;</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>De manhã, antes de sairmos da ilha, demos uma ajuda a alguns elementos da equipa do parque que recolhiam tartarugas bebés. Ajudámos a colocá-las num balde (para as proteger de umas aves que aquela hora procuravam alimento) e só depois tivemos oportunidade de as colocar na água.</p>


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<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="808" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/12/ilha-poilao-3-1024x808.jpg" alt="" class="wp-image-30632" style="width:333px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/12/ilha-poilao-3-1024x808.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/12/ilha-poilao-3-300x237.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/12/ilha-poilao-3-768x606.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/12/ilha-poilao-3-696x549.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/12/ilha-poilao-3-1068x843.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/12/ilha-poilao-3.jpg 1368w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Desejei a todas boa viagem e que voltassem daqui a cerca de 25 anos, altura em que atingem a maturidade, para por os&nbsp;ovos. É que elas voltam ao local onde nasceram para desovar!</p>


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<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="765" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/12/ilha-poilao-2-1024x765.jpg" alt="" class="wp-image-30631" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/12/ilha-poilao-2-1024x765.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/12/ilha-poilao-2-300x224.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/12/ilha-poilao-2-768x574.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/12/ilha-poilao-2-696x520.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/12/ilha-poilao-2-1068x798.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/12/ilha-poilao-2-265x198.jpg 265w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/12/ilha-poilao-2-530x396.jpg 530w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/12/ilha-poilao-2.jpg 1295w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div></div></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="711" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/12/tartaruguinhas-ilha-poilao-1024x711.jpg" alt="" class="wp-image-30703" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/12/tartaruguinhas-ilha-poilao-1024x711.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/12/tartaruguinhas-ilha-poilao-300x208.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/12/tartaruguinhas-ilha-poilao-768x533.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/12/tartaruguinhas-ilha-poilao-218x150.jpg 218w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/12/tartaruguinhas-ilha-poilao-696x483.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/12/tartaruguinhas-ilha-poilao-1068x741.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/12/tartaruguinhas-ilha-poilao.jpg 1317w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
</div></div>
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		<title>O HERBICIDA GLIFOSATO, UMA HISTÓRIA SEM FIM À VISTA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Vicente]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Dec 2023 11:16:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
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<p>Para esta decisão, a Comissão baseou-se num relatório da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos, que não identificou áreas críticas de preocupação, embora tenha apontado riscos elevados, a longo prazo, nomeadamente para os mamíferos, tendo recomendado a adoção de medidas restritivas. A Agência concluiu ainda não existir qualquer prova de que o herbicida mais utilizado no mundo é cancerígeno, para espanto da comunidade científica e contra o apelo de cerca de 291 cientistas, incluindo 104 professores, da Bélgica e dos Países Baixos, dirigido aos seus ministros para levarem em conta a ciência independente e, portanto, não avançarem com a aprovação desta substância, não levando em consideração a Agência Internacional de Investigação sobre o Cancro, uma agência da Organização Mundial de Saúde (OMS) que, em 2015, considerou o Glifosato como um provável agente cancerígeno.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>O Glifosato é um herbicida amplamente utilizado na agricultura, podendo ser encontrado em produtos como o conhecido produto químico de largo espectro Roundup. Na Europa, o Glifosato representa cerca de 33% do volume de herbicidas, segundo dados de 2017, e cerca de um terço da área de culturas anuais e metade da área de culturas permanentes, é sujeita à aplicação anual deste tipo de substância. Segundo os dados da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, pensando no caso português, esta é a substância ativa mais comercializada no grupo dos herbicidas e corresponde a quase 80% do volume de vendas de herbicidas em 2021. Quando comparado a outros herbicidas, o Glifosato apresenta algumas vantagens, como: baixo custo; fácil aplicação; flexibilidade de uso; amplo espectro de ação. No entanto, a controvérsia em torno da sua utilização não é nova nem consensual.</p>



<p>Este herbicida foi introduzido no mercado em 1974, pela empresa química Monsanto (adquirida em 2018 pela Bayer). Nessa altura, não se suspeitava que a sua utilização teria efeitos devastadores na saúde e no ambiente, conforme comprovam os diversos estudos que têm vindo a ser divulgados e que asseguram a nocividade e o elevado potencial de dano para pessoas e ambiente. A própria Bayer de alguma forma o assumiu, em 2020, ao comprometer-se a indemnizar grande parte dos milhares de pessoas que a processaram nos EUA, devido ao herbicida Glifosato, em mais de 10,9 mil milhões de dólares (9,7 mil milhões de euros), estando na base da acusação os efeitos cancerígenos associados ao herbicida. Inclusivamente alguns especialistas associaram a exposição ao Roundup ao aumento da incidência de uma série de problemas de saúde, nomeadamente, vários tipos de cancro, problemas reprodutivos, doenças neurológicas como a esclerose lateral amiotrófica (ELA), perturbações endócrinas, entre outros. Além disso, a utilização do Glifosato também afetaria a biodiversidade, eliminando espécies vegetais que sustentam o ambiente natural de seres vivos cruciais para a agricultura, como os polinizadores.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Ainda assim, e face à evidência científica, a Comissão Europeia decidiu aprovar a sua utilização por mais dez anos, com, reconheça-se, algumas restrições como a&nbsp;exigência de que os Estados-Membros prestem especial atenção a aspetos específicos aquando da realização das avaliações de risco, que&nbsp;devem ser estabelecidas medidas de redução dos riscos e o aumento das&nbsp;obrigações, por parte dos Estados-membros, em termos de fiscalização e de verificação. Além disso a própria Comissão Europeia mencionou que se surgisse, no entretanto, alguma informação de relevo que leve à alteração da decisão, poderia intervir a qualquer momento.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/03/glifosato-artigo.jpg" alt="" class="wp-image-24938"/></figure>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>No entanto o caminho não deveria ser este. Para além de ir contra um dos princípios da estratégia europeia do “do prado ao prato”, em particular, o objetivo de reduzir para metade a utilização de pesticidas e fertilizantes, bem como, a venda de agentes antimicrobianos, é imperioso procurar outros métodos que não sejam químicos. Deveria ser feito um grande investimento para reduzir a quantidade de pesticidas que utilizamos, uma aposta clara no aumento da área de cultivo biológico entre muitas outras alternativas bem mais saudáveis e sustentáveis.</p>



<p>Aqui, uma vez mais, os fortíssimos lóbis da agroquímica venceram e os deputados, uma vez mais, falharam na <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2020/09/populacao-portuguesa-com-glifosato-no-organismo/">defesa da saúde</a></strong> das pessoas e na condenação de medidas que em nada contribuem para a salvaguarda do <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2022/04/rios-portugueses-envenenados/">equilíbrio da nossa Terra</a></strong>. Uma história sem um fim à vista.</p>
</div></div>
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		<title>COMBATE AMBIENTALISTA, um teatro de urgências</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Oct 2023 23:00:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[LIFESTYLE]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[ativismo]]></category>
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		<category><![CDATA[Just Stop Oil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ecologistas ingleses dão o exemplo. Quase todas as semanas promovem ações de grande impacto social. Interrompem o trânsito em ruas de grande movimento nas principais cidades,&#160; pintam as fachadas de grandes empresas notoriamente poluidoras, borram a pintura de conhecidas obras de arte, são uma espécie de diabos à solta que a polícia prende e leva [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ecologistas ingleses dão o exemplo. Quase todas as semanas promovem ações de grande impacto social. Interrompem o trânsito em ruas de grande movimento nas principais cidades,&nbsp; pintam as fachadas de grandes empresas notoriamente poluidoras, borram a pintura de conhecidas obras de arte, são uma espécie de diabos à solta que a polícia prende e leva a tribunal com frequência.</p>



<p>A mais recente ação foi no palco do teatro londrino Sondheim, interromperam o musical Les Miserables, peça teatral baseada no romance de Victor Hugo, publicado em 1862. Lá por ter sido escrita há mais de 160 anos, a história não perdeu atualidade.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="COMBATE AMBIENTALISTA, um teatro de urgências" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/HiQFdAdl_W8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>vídeo</sub></em></figcaption></figure>



<p>Os ativistas Just Stop Oil tornaram-se radicais porque todas as outras tentativas de mudar o rumo dos acontecimentos falharam. É urgente mudar o paradigma do desenvolvimento, acabar com a extração de hidrocarbonetos, deixar de poluir, cuidar do planeta. É o que estas pessoas nos estão a dizer. #juststopoil</p>



<p></p>
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