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	<title>Arquivo de Campeonato do Mundo de Futebol - Duas Linhas</title>
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	<title>Arquivo de Campeonato do Mundo de Futebol - Duas Linhas</title>
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		<title>FUTEBOL SOBRE VALAS COMUNS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Aug 2022 12:37:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Há dias, cerca de 200 trabalhadores migrantes manifestaram-se nas ruas de Doha, em protesto contra sete meses de salários em atraso. Todos eles são operários contratados para a construção de estádios de futebol e outras infraestruturas ligadas ao evento. Segundo informações do Governo do Qatar, 60 manifestantes foram detidos e expulsos. As autoridades do país [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2022/08/futebol-sobre-valas-comuns/">FUTEBOL SOBRE VALAS COMUNS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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<p>Há dias, cerca de 200 trabalhadores migrantes manifestaram-se nas ruas de Doha, em protesto contra sete meses de salários em atraso. Todos eles são operários contratados para a construção de estádios de futebol e outras infraestruturas ligadas ao evento.</p>



<p>Segundo informações do Governo do Qatar, 60 manifestantes foram detidos e expulsos. As autoridades do país dizem que os salários foram pagos, antes da expulsão.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="ar" dir="rtl">مجموعة من العمال ينظمون احتجاج واضراب عن العمل في منطقة السد في <a href="https://twitter.com/hashtag/%D9%82%D8%B7%D8%B1?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#قطر</a> بسبب حرمانهم  من اجورهم وبسبب الاعمال  الشاقه  مع ارتفاع درجة حرارة الصيف.<a href="https://twitter.com/hrw_ar?ref_src=twsrc%5Etfw">@hrw_ar</a> <a href="https://twitter.com/AmnestyAR?ref_src=twsrc%5Etfw">@AmnestyAR</a> <a href="https://twitter.com/bbcarabicalerts?ref_src=twsrc%5Etfw">@bbcarabicalerts</a> <a href="https://t.co/JTnvJrH2mi">pic.twitter.com/JTnvJrH2mi</a></p>&mdash; راشد بن سالم بن قطفة الفهاد المري (@ra21112) <a href="https://twitter.com/ra21112/status/1558788728650436608?ref_src=twsrc%5Etfw">August 14, 2022</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
</div></figure>



<p>Quando alguma estrela do futebol mundial cair no relvado de um desses estádios, talvez a relva lhe cheira aos 6.500 operários que morreram na última década na construção dessas infraestruturas. Ou talvez consiga sentir o cheiro do suor mal pago, traficado, explorado a troco de uma malga de sopa, dos trabalhadores que sobreviveram a tantos sacrifícios.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2022/08/mundial-de-futebol-bola.png" alt="" class="wp-image-21425"/></figure>



<p>Segundo o jornal <strong><a href="https://www.theguardian.com/global-development/2021/feb/23/revealed-migrant-worker-deaths-qatar-fifa-world-cup-2022">Guardian</a></strong>, “mais de 6.500 trabalhadores migrantes da Índia, Paquistão, Nepal, Bangladesh e Sri Lanka morreram no Qatar” na construção dos estádios de futebol. O jornal admite que os números poderão ser mais altos ainda. A soma resulta das informações provenientes das embaixadas desses países em Doha, a capital do Qatar.</p>



<p>Dados da Índia, Bangladesh, Nepal e Sri Lanka revelaram que houve 5.927 mortes de trabalhadores migrantes no período 2011-2020. Separadamente, dados da embaixada do Paquistão no Qatar reportaram mais 824 mortes de trabalhadores paquistaneses, entre 2010 e 2020. Uma média de 12 trabalhadores migrantes mortos por semana, desde 2010.</p>



<p>Isto não deveria deixar ninguém indiferente. Um jogo de futebol, um espetáculo de futebol, como lhe queiram chamar, não pode resultar num negócio de tamanha exploração.</p>



<p>E a coisa não se resume à construção civil. Organizações de direitos humanos afirmam que em vários setores ligados à organização do campeonato, há trabalho sem direito a folga e com uma carga de 60 horas semanais de trabalho. Violações significativas de direitos humanos e laborais foram denunciadas, por exemplo, em julho, em 13 grupos hoteleiros parceiros da FIFA.</p>



<p>A ONG Equidem, com sede em Londres, publicou um <strong><a href="https://www.equidem.org/reports/we-work-like-robots">relatório</a></strong> sobre o que se passa no Qatar. ”Trabalhamos como robots” é o título dessa denúncia.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="1548" height="476" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2022/08/equidem.jpg" alt="" class="wp-image-21420"/></figure>



<p><strong><a href="https://duaslinhas.pt/2021/11/escravos-construiram-estadios-para-o-mundial-de-2022-no-qatar/">Denuncias repetidas</a></strong> ao longo do tempo, perante a indiferença das organizações do futebol e da política. Já em 2015, o escândalo que levou à deposição de Blatter da liderança da FIFA esteve ligado à corrupção que minava o futebol e à promiscuidade com os políticos. Vejam a reportagem dessa época, exibida num canal de televisão de Angola: </p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Qatar, a escravatura" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/X689U7PckHc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption>vídeo</figcaption></figure>
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		<title>Escravos construiram estádios para o Mundial de 2022 no Qatar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Nov 2021 00:05:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desporto]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
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		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Campeonato do Mundo de Futebol]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mais de 6500 trabalhadores migrantes morreram nas obras do&#160;Qatar&#160;para o Mundial 2022. A Amnistia Internacional diz que se trata de uma “forma moderna de&#160;escravatura”, mas o Governo qatari diz que número de mortes é normal e a FIFA também considera 6500 mortes um número baixo&#8230; O Qatar tem sido palco de grandes eventos desportivos. O [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2021/11/escravos-construiram-estadios-para-o-mundial-de-2022-no-qatar/">Escravos construiram estádios para o Mundial de 2022 no Qatar</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Mais de 6500 trabalhadores migrantes morreram nas obras do&nbsp;Qatar&nbsp;para o Mundial 2022. A Amnistia Internacional diz que se trata de uma “forma moderna de&nbsp;escravatura”, mas o Governo qatari diz que número de mortes é normal e a FIFA também considera 6500 mortes um número baixo&#8230;</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2021/11/qatar.jpg" alt="" class="wp-image-14491" width="588" height="119"/><figcaption><sub>título do jornal Público</sub></figcaption></figure></div>



<p>O Qatar tem sido palco de grandes eventos desportivos. O Governo do país, uma monarquia absolutista, uma ditadura, decidiu investir na sua própria promoção e imagem através do desporto internacional, eventos que são sempre transmitidos pelas televisões de todo o Mundo e que chamam bastante a atenção da população.</p>



<p>A organização deste tipo de eventos obriga à adaptação ou construção de raiz de muitas infraestruturas. O Qatar tem feito investimentos megamilionários nessas construções. Não só os materiais têm de ser todos importados, também a mão-de-obra sai de todo o Mundo para convergir ali.</p>



<p>O Qatar passa por ser um país muito rico, mas não é por isso que trata melhor os trabalhadores migrantes que constroem os estádios e os arranha-céus com que o resto do Mundo se tem embasbacado.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="725" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2021/11/doha-skyline-qatar_l.jpeg" alt="" class="wp-image-14492"/><figcaption>Doha, capital do Qatar, onde nem tudo o que luz é oiro</figcaption></figure></div>



<p>As acusações de graves violações dos direitos humanos desses trabalhadores existem há anos. Quando a FIFA em 2015 decidiu entregar ao Qatar a realização do Mundial de Futebol de 2022, as condições de escravatura a que os imigrantes estão sujeitos foram motivo para muitos protestos, como eu próprio reportei, na altura, ao serviço de um canal de televisão de Angola.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Qatar, a escravatura" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/X689U7PckHc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Não é a primeira vez que a FIFA aceita sedear um grande evento neste país. É a força dos petrodólares a mandar, não tenhamos dúvidas. Foi no Qatar que se realizou o Campeonato do Mundo de Clubes de 2020, quando venceu o Bayern Munique. </p>



<p>Além da FIFA, outros organismos do desporto internacional têm aceite realizar eventos no Qatar. Foi lá que se realizou o Campeonato do Mundo de Atletismo, em 2019. O Grande Prémio de Moto GP do Qatar faz parte do calendário internacional. Enfim, há muitos exemplos, desde competições internacionais de voleibol ao ténis que se realizam num país onde raramente as temperaturas baixam dos 35 graus centígrados à sombra. Ou seja, onde as condições para a prática desportiva não são as ideais e as provas têm de se disputar de manhã bem cedo ou até mesmo durante a noite.</p>



<p>Se pensarmos que as maiores audiências televisivas de eventos desportivos estão na Europa e na América, e que devido aos fusos horários essas transmissões em direto chegam de madrugada a casa das pessoas, escasseiam as razões para que o Qatar seja escolhido com tanta frequência para a realização desses eventos. Isto é, se excluirmos o peso do dinheiro, é claro. </p>



<p>E da <strong><a href="https://www.amnistia.pt/qatar-investigacoes-mortes-trabalhadores-migrantes/">escravatura</a></strong> não se fala.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1858" height="709" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2021/11/qatar-escravatura-2.jpg" alt="" class="wp-image-14496"/><figcaption>fonte <a href="https://www.amnistia.pt/">Amnistia Internacional Portugal &#8211; Pelos Direitos Humanos</a></figcaption></figure></div>



<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2021/11/escravos-construiram-estadios-para-o-mundial-de-2022-no-qatar/">Escravos construiram estádios para o Mundial de 2022 no Qatar</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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