<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivo de bolos regionais - Duas Linhas</title>
	<atom:link href="https://duaslinhas.pt/tag/bolos-regionais/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://duaslinhas.pt/tag/bolos-regionais/</link>
	<description>Informação online</description>
	<lastBuildDate>Fri, 09 Jun 2023 07:52:16 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-PT</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.7.5</generator>

<image>
	<url>https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2022/08/cropped-KESQ1955-png-32x32.png</url>
	<title>Arquivo de bolos regionais - Duas Linhas</title>
	<link>https://duaslinhas.pt/tag/bolos-regionais/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">214551867</site>	<item>
		<title>Olhos Verdes</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2023/06/olhos-verdes/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2023/06/olhos-verdes/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Helena Ventura Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Jun 2023 07:50:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O QUE DIZ HELENA]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[a família]]></category>
		<category><![CDATA[bolos regionais]]></category>
		<category><![CDATA[memórias de infância]]></category>
		<category><![CDATA[vianas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=26777</guid>

					<description><![CDATA[<p>Devia falar da turba de patos bravos que se digladiam pelo melhor lugar ao sol&#8230; Talvez do Ensino que põe crianças a brincarem com tecnologias digitais, antes de serem devidamente alfabetizadas. Colocar em causa a Política Internacional, que sempre colou no topo das prioridades a disputa de território pela posição geoestratégica, pelos recursos energéticos não [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2023/06/olhos-verdes/">Olhos Verdes</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Devia falar da turba de patos bravos que se digladiam pelo melhor lugar ao sol&#8230;</p>



<p>Talvez do Ensino que põe crianças a brincarem com tecnologias digitais, antes de serem devidamente alfabetizadas.</p>



<p>Colocar em causa a Política Internacional, que sempre colou no topo das prioridades a disputa de território pela posição geoestratégica, pelos recursos energéticos não renováveis.</p>



<p>Desancar a podridão dos líderes que decidem a morte de jovens seres humanos nos teatros de guerra, para alcançarem os torpes objectivos.</p>



<p>No fundo aleijados mentais agachados nos tapetes dos salões palacianos de Estado, a julgarem&nbsp; que brincam com soldadinhos de chumbo.</p>



<p>Tanta ambição, incompetência e desprezo pelos outros seres humanos, revolve as entranhas do mais passivo, já causticado pelas injustiças internas, pela elevação dos medíocres ao estatuto de génios.</p>



<p>Só um “mandamento”, ou um preceito de vida, chegaria para evitar o descalabro em que a humanidade se afunda: não faças aos outros o que não desejas para ti. Mas não alcançam&#8230;</p>



<p>Quem o aprendeu muito cedo entre gente de bem, é inevitável ir ao encontro das raízes que fortalecem a sanidade mental.</p>



<p>Os valores, conduzidos pela sensibilidade e empatia, ajudam a estruturar a coluna vertebral de um&nbsp; ser humano. E não é preciso nascer em berço de oiro – como se todas as mães não parissem da mesma forma – para saber que o outro deseja para si, o mesmo que desejamos para nós.</p>
</div></div>



<p>No emaranhado de sentimentos contraditórios, prefiro deixar uma memória de infância.</p>



<p>Cresci em Santa Clara, perto do convento “novo”&#8230;</p>



<p>Infância calma, vizinhança pacata, gente de trabalho e missa domingueira. Aventura era descer a ladeira três vezes por semana, visitar a casa da avó Carolina, só para lhe dar um beijo e passar umas horas a ouvir a prima Laura contar-me histórias de fadas.</p>



<p>As fadas dela estavam todas transformadas em rãs muito grandes, como a de louça pousada no chão da sala. Quando a tentação me conduzia o indicador para lhe tocar, a prima Laura era persuasiva sem levantar a voz: “ nunca lhe toques, que ela pode morder-te o dedinho”. E assim me mantinha afastada da preciosiade que não queria ver partida.</p>



<p>Era&nbsp; de um verde tão bonito quanto o da cor dos seus olhos. Viera da fábrica de cerâmica onde o primo Machado vigiava a secção de embalagens, para que chegassem perfeitas ao destino. Longe&#8230;</p>



<p>Gostava tanto de ambos! Ele só falava com o sorriso tímido, olhando-a com veneração&#8230;Ela era uma explosão de alegria a disfarçar a meiguice. Tinha os olhos a transbordarem estrelas e o sorriso como um regato que, engrossando, havia de cantar pelo caminho. Era o sorriso da felicidade.</p>



<p>Ficava com ela três dias por semana, enquanto a minha mãe tentava aprender a profissão de enfermeira, que o regime proibira a quem quisesse casar. Mas a Rosa, prima do meu avô como a Laura, era enfermeira do médico mais conhecido de Coimbra e conversara com ele. Sim&#8230;durante três dias pode vir. E com uma bata de imaculada brancura, a minha mãe recebia os pacientes, apendia a dar injeccções e a fazer pensos, seguindo os conselhos do médico e da Rosa.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Nunca me lembro do almoço em casa da prima Laura, só do sorriso, das estrelas nos olhos verdes e do lanche&#8230;</p>



<p>Fazia-me um leite com café de “carapuço”, dizia eu, e aquecia vianas trazidas da Nacional por um homem ainda novo. Comidas com manteiga a peso e compota de ameixa do quintal, eram a melhor refeição do mundo. Depois íamos de mão dada até ao Portugal dos Pequenitos pelo passeio da direita, para eu brincar o resto da tarde.</p>



<p>“Sempre caminhar pela direita&#8230;sempre dar esmola com a mão direita&#8221;.</p>



<p>Nessa coisa de direita e esquerda a prima Laura e a minha avó Carolina não se entendiam.&nbsp; A última perguntava-lhe sempre se a esquerda era aleijada, se a esmola com essa mão valia menos.</p>



<p>Nada tirava o sorriso à prima Laura, que dizia o que sentia sem segundas intenções, só levada pelo Catecismo. Ninguém abalava a convicção da minha avó Carolina, que no dar a mão a toda a gente, da esquerda ou da direita, na fortuna e na desgraça, se encontrava a solução de bem viver.</p>



<p>E foi com ajuda de ambas que “o rapaz” que trazia as vianas conseguiu emprego&#8230;</p>



<p>Um dia assaltava a casa da prima Laura pela janela do quintal. Denunciado por uma vizinha do lado oposto, acabava por ser preso. Quando saía ninguém lhe queria dar trabalho&#8230;era perigoso.</p>



<p>A prima Laura e o Machado perdoavam. Se ele tinha crianças pequenas e necessidades&#8230;A minha avó conhecia pessoas na padaria mais famosa da cidade. E foi assim que o estabelecimento ganhou um funcionário cumpridor e eu comia as melhores vianas do mundo que ele trazia quando deixava o trabalho.</p>



<p>Ainda hoje lhes sinto o sabor do afecto.</p>
</div></div>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1388" height="1019" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/06/20230608_193221.jpg" alt="" class="wp-image-26780"/></figure>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2023/06/olhos-verdes/">Olhos Verdes</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2023/06/olhos-verdes/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>3</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">26777</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
