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	<title>Arquivo de arte contemporânea - Duas Linhas</title>
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	<title>Arquivo de arte contemporânea - Duas Linhas</title>
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		<title>Escultura feita poesia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Morais-Alexandre]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Jul 2025 13:48:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há só duas artes verdadeiras: a Poesia e a Escultura</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/07/escultura-feita-poesia/">Escultura feita poesia</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="557" height="175" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/fernando-pessoa.png" alt="" class="wp-image-42983" style="width:714px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/fernando-pessoa.png 557w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/fernando-pessoa-300x94.png 300w" sizes="(max-width: 557px) 100vw, 557px" /></figure></div>


<p>Importa falar um pouco da sua obra, sem dúvida um exercício gratificante, mas não unívoco, já que serão várias as abordagens possíveis. Há uns anos, num texto que alinhavei sobre a sua vida e obra, procurei uma possível via de análise e foi relativamente fácil elencar uma lista de elementos que podem permitir identificar e levar à melhor compreensão do trabalho deste escultor. Apurou-se que estes eram tantos e de tal forma variados que permitiam o curioso exercício de os trabalhar em forma de dicionário/léxico, obviamente limitado pelo espaço disponível, mas também pelo facto de se ter optado apenas por uma palavra por letra, o que resultou no texto que se designou como <em>Dicionário de Laranjeira Santos</em>.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="506" height="762" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira.png" alt="" class="wp-image-42971" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira.png 506w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-199x300.png 199w" sizes="(max-width: 506px) 100vw, 506px" /></figure></div>


<p>A triagem feita aquando da elaboração desse mesmo dicionário trazia, no entanto, riscos. Por exemplo, logo na primeira das vogais, a escolha do termo “Amigos” invalidava, desde logo, a palavra “Amor”, uma constante na vida e obra de Laranjeira Santos.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="778" height="752" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-2.png" alt="" class="wp-image-42972" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-2.png 778w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-2-300x290.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-2-768x742.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-2-696x673.png 696w" sizes="(max-width: 778px) 100vw, 778px" /></figure></div>


<p>Na letra D a opção, que se sentia claramente obrigatória pela suma importância da palavra “Desenho”, invalidou outras, certamente não tão importantes, mas, ainda assim, muito significativas como “Diálogo”, um dos temas que o autor sempre privilegiou, a dialética entre dois seres, sejam estes humanos ou animais, jamais inanimados, que interagem, como na série realizada da década de 90 do século XX que apelidou de “Blá – blá – blá &#8211; blá”.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="724" height="643" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-3-1.png" alt="" class="wp-image-42974" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-3-1.png 724w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-3-1-300x266.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-3-1-696x618.png 696w" sizes="auto, (max-width: 724px) 100vw, 724px" /></figure></div>


<p>Mas, se este diálogo começa entre a peça e o autor, passa depois para a relação entre a peça e o seu público fruidor, mas pode também remeter para a relação com o espaço em que a mesma se insere: galeria, casa de colecionador/decoração, espaço público, jardim, etc. Uma palavra também ausente da letra D foi “Dualidade”, já que as suas peças jamais têm significados unívocos, mas remetem para conflitos que chegam a ser quase dramáticos, num trabalho em que o artista constrói verdadeiras dramaturgias escultóricas.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="567" height="653" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-4.png" alt="" class="wp-image-42975" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-4.png 567w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-4-260x300.png 260w" sizes="auto, (max-width: 567px) 100vw, 567px" /></figure></div>


<p>Outra lacuna que se tentou também sanar foi a inexistência do termo “Prémio” na sua devida localização, havendo a referir, de entre os inúmeros que recebeu, o Prémio Nacional de Escultura em 1955, o prémio do Secretariado Nacional de Informação no “Salão dos Novíssimos” em 1963, o 1.º Prémio do Simpósio Internacional de Escultura em Ferro organizado pela Câmara Municipal de Abrantes em 1996, ou o prémio de aquisição da Academia Nacional de Belas Artes em 2002, que viria a integrar, entre vários outros galardões que lhe foram outorgados.</p>



<p>Mas comece-se pelo princípio:</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>O percurso italiano</strong></h4>



<p>Para a compreensão do espírito de Laranjeira Santos não será despicienda uma análise do seu percurso, nomeadamente a frequência da Escola de Artes Decorativas António Arroio, onde, entre muitos outros, teve por companheiros alguns dos que viriam a ser os artistas plásticos mais marcantes da segunda metade do século XX e princípio do século XXI, porque felizmente muitos ainda estão entre nós, personalidades como o notável ceramista Querubim Lapa, o pintor José Escada, o pintor e designer José Cândido, o arquiteto Augusto Silva ou o cenógrafo António Casimiro.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="464" height="742" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-5-1.png" alt="" class="wp-image-42978" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-5-1.png 464w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-5-1-188x300.png 188w" sizes="auto, (max-width: 464px) 100vw, 464px" /></figure></div>


<p>Depois veio o percurso italiano que lhe moldou, indubitavelmente, quer a Arte, quer o pensamento, quer o próprio carácter, pelo que não se resiste à comparação deste com os príncipes do saber da Renascença. Aqui, além da escultura, cultivou também e de forma muito marcante o desenho, nomeadamente o desenho erótico.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="638" height="751" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-6.png" alt="" class="wp-image-42979" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-6.png 638w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-6-255x300.png 255w" sizes="auto, (max-width: 638px) 100vw, 638px" /></figure></div>


<p>É possível encontrar nas suas obras, quer deste período, quer posteriores, várias atmosferas como a veneziana, que passa sobretudo nas complexas eleições cromáticas, criadoras de ambiências muito próprias; a escala florentina, sem dúvida derivada da ordenação volumétrica da cidade perfeita; mas também a ironia, os contrastes e até o sarcasmo da cidade dos Papas.</p>
</div></div>



<p>Uma nota fundamental em termos de significância é o finíssimo sentido de humor que é evidenciado nas suas esculturas. Encontros e desencontros dão-se mesmo em formas particularmente abstracionadas, que ora se atraem, ora se repelem e que remetem para o eterno discurso da paixão, onde as relações passam por um absurdo, mas necessário, percurso de amor/ódio, que se pode sentir, mas que jamais se pode explicar.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>Desenhando</strong></h4>



<p>Antes que tudo, há um exercício perpétuo da linguagem do desenho. Como diria Le Corbusier, desenhar é antes de mais observar. Sobre a importância seminal do desenho na obra de Laranjeira Santos cite-se a definição de Juan José Gomez Molina, na importante obra <em>Las Lecciones del Dibujo</em>, quando afirma que «<em>O desenho estabelece-se sempre como a fixação de um gesto que torna concreta uma estrutura, pelo que se alia a todas as atividades primordiais da expressão e construção ligadas ao conhecimento, à descrição das ideias, às coisas e aos fenómenos de interpretação baseados na explicação do seu sentido por meio das suas concretizações.</em>», o que é inteiramente aplicável aos desideratos do escultor em apreço. É através do desenho que começa por se exprimir e é este que funciona como o ponto de partida para todas as suas obras.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="688" height="490" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-8.png" alt="" class="wp-image-42980" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-8.png 688w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-8-300x214.png 300w" sizes="auto, (max-width: 688px) 100vw, 688px" /></figure></div>


<p>Não obstante, o desenho na obra de Laranjeira Santos funciona também de forma autónoma e como um fim em si mesmo.  Efetivamente, muitos dos seus desenhos não são meros estudos para putativas esculturas, mas uma forma de comunicar, de se comunicar, o que permite explicar os seus inúmeros desenhos onde o artista se confronta com os seus modelos, como o havia já feito o génio de Málaga, Pablo Picasso, sendo, no entanto, o seu traço claramente diferenciado.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="971" height="685" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-9.png" alt="" class="wp-image-42981" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-9.png 971w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-9-300x212.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-9-768x542.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-9-696x491.png 696w" sizes="auto, (max-width: 971px) 100vw, 971px" /></figure></div>


<p>Os desenhos tornam-se, assim, uma forma de comunicação alternativa, também cultivada por Laranjeira Santos, que os expõe com particular prazer. Aqui, uma vez mais, a mulher tem um papel preponderante. Veja-se, como magníficos exemplos, as séries de composições realizadas a tinta-da-china nas décadas de 60 e 70 ou os desenhos, ainda mais remotos, que realizou durante a sua já referida passagem por Itália.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="571" height="758" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-10.png" alt="" class="wp-image-42986" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-10.png 571w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-10-226x300.png 226w" sizes="auto, (max-width: 571px) 100vw, 571px" /></figure></div>


<p>Importa igualmente analisar o modelado do traço. Verifique-se a forma como  este vai evoluindo: começa por ser forte, curvo, mas grácil, com claras afinidades com as suas esculturas bojudas e, posteriormente, torna-se muito mais fino, evolui para a linha, mais geométrica, mais rigorosa e, sobretudo, muito mais contida.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="775" height="760" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-11.png" alt="" class="wp-image-42987" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-11.png 775w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-11-300x294.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-11-768x753.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-11-696x683.png 696w" sizes="auto, (max-width: 775px) 100vw, 775px" /></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>Modelação / Forma</strong></h4>



<p>A noção de contenção, de simplicidade, é seminal a todas as esculturas. Há um permanente desejo de simplificação, um ater-se às formas básicas e puras, uma fuga a gongorismos inconsequentes, um abandono do supérfluo e uma esconjura do desnecessário. Desta forma, a expressão não se perde, fica mais forte.</p>



<p>Um dos aspetos mais relevantes que a Escultura deve ter é a capacidade de inter-relação com os seus fruidores, sobretudo quando se trabalha no vulto-perfeito.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="521" height="695" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-12.png" alt="" class="wp-image-42988" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-12.png 521w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-12-225x300.png 225w" sizes="auto, (max-width: 521px) 100vw, 521px" /></figure></div>


<p>As massas são modeladas de modo a criar volumetrias que irão atuar ao nível do subconsciente. As formas obtidas, mesmo sendo abstratas, mimam comportamentos humanos, nomeadamente estados de espírito, atitudes conspícuas, relações pessoais, etc., sendo a função do observador carregar a peça com toda a sua experiência vivencial e, a partir daí, ele irá identificar, ou sentir apenas, as situações que o Artista meramente sugeriu.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="966" height="710" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-13.png" alt="" class="wp-image-42989" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-13.png 966w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-13-300x220.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-13-768x564.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-13-696x512.png 696w" sizes="auto, (max-width: 966px) 100vw, 966px" /></figure></div>


<p>Há, pois, que verificar a feição como todos, desde os púberes jovens aos mais idosos, se relacionam com as modelações de volumes que se interpõem no seu caminho. Se haverá uma rejeição ou se, pelo contrário, haverá uma apropriação. Relação essa que não passa apenas pelos seres humanos, mas até pelos próprios animais, que nelas podem descansar, ou dar-lhes a escala. Quem passa pelas esculturas de Laranjeira sente muitas vezes a necessidade de as experimentar, de circular à sua volta, de lhes tocar, ou mesmo mais prosaicamente de sentir que são palpáveis.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="600" height="762" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-14.png" alt="" class="wp-image-42990" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-14.png 600w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-14-236x300.png 236w" sizes="auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px" /></figure></div>


<p>Não se resiste a passar para um registo muito pessoal e até intimista e lembrar uma visita ao ateliê do Escultor na companhia de uma amiga comum, que, enquanto este nos mostrava as suas mais recentes produções, se entretinha, tão discretamente quanto possível, a sentir as esculturas expostas, passando as suas mãos, de forma particularmente lúbrica pelas superfícies ora frias da pedra e sobretudo do bronze, ora aquecidas das fibras de poliuretano, ficando muito particularmente embaraçada, qual criança de escola apanhada em flagrante, quando se apercebeu que estava a ser observada nas suas secretas manifestações. E acredita-se até que teria mesmo corado, se ainda existisse alguém que corasse.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="988" height="716" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-15.png" alt="" class="wp-image-42991" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-15.png 988w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-15-300x217.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-15-768x557.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-15-696x504.png 696w" sizes="auto, (max-width: 988px) 100vw, 988px" /></figure></div>


<p>Esta minha amiga é, de alguma forma, bem representativa de todos nós, os que vivem a obra de Laranjeira Santos e que tanto fruímos com as tão diversas experiências sensoriais que este Mestre nos proporciona.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>Explorando novos materiais</strong> </h4>



<p>Registe-se que, embora jamais a especulação teórica tenha estado arredada da mente de Laranjeira Santos, este foi, sobretudo, um homem de ofício, um operativo, alguém que partiu do trabalho oficinal baseado na tradição dos antigos mestres escultores, mas que não parou no tempo, antes pelo contrário, sempre foi experimentando novos materiais, dos quais soube extrair novas formas, jamais ousadas.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="520" height="756" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-16.png" alt="" class="wp-image-42992" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-16.png 520w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-16-206x300.png 206w" sizes="auto, (max-width: 520px) 100vw, 520px" /></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A forma como interagiu com os materiais é exemplar e apetece voltar a citar Luigi Pareyson, que parece falar do processo escultórico de Laranjeira Santos, quando este afirmou que « [&#8230;] se a matéria é nova, [o artista] não se deixará impressionar pela audácia de certas sugestões que parecem dela sair espontaneamente e não recusará a coragem de certas experiências, nem se furtará ao dever de a penetrar para melhor se evidenciar as possibilidades [&#8230;]»</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="395" height="727" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-17.png" alt="" class="wp-image-42993" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-17.png 395w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-17-163x300.png 163w" sizes="auto, (max-width: 395px) 100vw, 395px" /></figure></div>


<p>A opção do escultor pelos novos materiais plásticos é facilmente compreensível, já que estes são dotados de grande resistência e durabilidade, mas são escolhidos devido à sua ductibilidade tão própria à escala das esculturas, e porque se adequam na perfeição a uma modelação ágil que apela, como se viu, à sensorialidade.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Ao ligar os seus objetos tridimensionais, obtidos com uma enorme sensibilidade, com cores particularmente ativas, o autor chegou mesmo a correr o risco de conflitos de perceção, com resultados inesperados, mas impactantes, caso da escultura <em>Anunciação</em>, onde, tendo pegado na tradicional iconografia da Virgem Maria, a soube transformar de forma extraordinária, tão inesperada, quanto inovadora.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="528" height="758" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-18.png" alt="" class="wp-image-42994" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-18.png 528w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-18-209x300.png 209w" sizes="auto, (max-width: 528px) 100vw, 528px" /></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>A cor</strong></h4>



<p>Por fim, refiram-se as sensações cromáticas que as suas obras transmitem.</p>



<p>Sem os barroquismos, ou procura de naturalismos, mas com uma força imensa, ao qual não são alheios os cambiantes da paleta que usa e que utiliza sem filtro na composição e que dá ao emprego da cor um papel altamente primordial. É esta que reflete os estados de espírito, complementando o trabalho da forma na transmissão de emoções.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A cor pode causar sensações visuais que muitas vezes remetem para memórias passadas, para familiaridades com o objeto, sensações que derivam não só da forma, mas até das sonoridades que são transmitidas através de esquemas cromáticos / musicais e que o subconsciente poderá identificar. Efetivamente, uma das originalidades da obra de Laranjeira Santos é a forma como sempre soube usar a cor para dar dinamismo às suas esculturas. É através da cor que muitas vezes as peças transmitem emoções ou estados de espírito. Efetivamente através de uma paleta cromática rica de cambiantes, de opções entre cores quentes ou frias, de cores ácidas ou doces, de cores ousadas, saturadas, as massas são complementadas com policromia e as suas esculturas saem profundamente valorizadas e com novas possibilidades de leitura. Há, finalmente, um inegável sentido lúdico no uso da cor.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="527" height="660" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-19.png" alt="" class="wp-image-42996" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-19.png 527w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-19-240x300.png 240w" sizes="auto, (max-width: 527px) 100vw, 527px" /></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>O repto</strong></h4>



<p>A obra de Laranjeira Santos está exposta em vários locais, nomeadamente em Lisboa e, também, na Figueira da Foz, cidade onde existe mesmo um espaço museológico a este escultor dedicado, o Núcleo de Arte Contemporânea Laranjeira Santos / Castelo Engenheiro Silva, que urge visitar. Está, no presente, a ser preparada uma exposição dos seus desenhos eróticos e não só, na Academia Nacional de Belas Artes, de que era académico de número.</p>



<p>Mas falta, ainda, a Laranjeira Santos a pública homenagem que lhe é devida. Não se pense que o que aqui é pedido é uma condecoração póstuma, ou algo do género. Falta, antes de mais, devolver a escultura relativa à 1.ª travessia aérea do Atlântico Sul ao seu local de origem, ou ainda melhor ainda, que se viabilize a execução do projeto original previsto, no local e na escala pensada originalmente, que seria, sem dúvida, uma enorme mais valia artística para a cidade. Faltará, por fim, cumprir um dos sonhos do Escultor: a passagem a uma escala significativa e a instalação pública de uma das suas mais belas e comoventes obras: a Pietá.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="449" height="752" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-20.png" alt="" class="wp-image-42997" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-20.png 449w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/laranjeira-20-179x300.png 179w" sizes="auto, (max-width: 449px) 100vw, 449px" /></figure></div>


<p>Fica aqui lançado o repto.</p>
</div></div>
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		<title>MULHERES DE ABRIL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jan 2025 00:00:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[25 de abril de 1974]]></category>
		<category><![CDATA[arte contemporânea]]></category>
		<category><![CDATA[arte de Mélanie Alves]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Marias de Abril” é uma exposição de obras artísticas de Mélanie Alves, que pode ser visitada na Casa de Portugal na Cidade Universitária Internacional de Paris. A artista é filha da diáspora, nasceu nos EUA, estudou Belas Artes no Porto, viveu em Bordeaux, Paris, Londres e São Francisco, uma mulher do mundo que, hoje, reside [&#8230;]</p>
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<p>“Marias de Abril” é uma exposição de obras artísticas de Mélanie Alves, que pode ser visitada na Casa de Portugal na Cidade Universitária Internacional de Paris.</p>



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<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="399" height="481" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/Melanie-Alves-Marias-de-Abril-01i-by-Carlos-Pereira-770x481-1.jpg" alt="" class="wp-image-38840" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/Melanie-Alves-Marias-de-Abril-01i-by-Carlos-Pereira-770x481-1.jpg 399w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/Melanie-Alves-Marias-de-Abril-01i-by-Carlos-Pereira-770x481-1-249x300.jpg 249w" sizes="auto, (max-width: 399px) 100vw, 399px" /><figcaption class="wp-element-caption">Mélanie Alves</figcaption></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="616" height="559" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/Melanie-Alves-Marias-de-Abril-03-by-Carlos-Pereira-770x559-1.jpg" alt="" class="wp-image-38841" style="width:469px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/Melanie-Alves-Marias-de-Abril-03-by-Carlos-Pereira-770x559-1.jpg 616w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/Melanie-Alves-Marias-de-Abril-03-by-Carlos-Pereira-770x559-1-300x272.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 616px) 100vw, 616px" /><figcaption class="wp-element-caption">os cravos de Celeste Caeiro</figcaption></figure></div></div>
</div>



<p>A artista é filha da diáspora, nasceu nos EUA, estudou Belas Artes no Porto, viveu em Bordeaux, Paris, Londres e São Francisco, uma mulher do mundo que, hoje, reside em Lisboa.</p>



<p>Nesta exposição presta homenagem às mulheres que também fizeram o 25 de abril, como contraponto à narrativa masculina que apenas fala dos homens que protagonizaram a revolução. Por isso escolheu 10 mulheres que, de uma forma ou de outra, estiveram também relacionadas com a Revolução dos Cravos: As três Marias das Novas Cartas Portuguesas, Catarina Eufémia, Natália Correia, entre outras.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="735" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/melanie-2-1024x735.png" alt="" class="wp-image-38843" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/melanie-2-1024x735.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/melanie-2-300x215.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/melanie-2-768x551.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/melanie-2-696x500.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/melanie-2.png 1049w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Todas as peças expostas têm um significado e uma história relacionada com a luta contra o regime de Salazar. Por exemplo, o quadro intitulado “Eufémia Antígona”, homenagem a Catarina Eufémia, retrata o momento em que Catarina com a filha ao colo é baleada pela GNR e cai morta no chão. A criança sobreviveu, foi recolhida num convento de freiras onde viveu até aos 18 anos. Depois emigrou para França, casou, voltou para Baleizão e vive a poucos metros do busto em memória da sua mãe. Uma história de filme.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="770" height="482" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/Melanie-Alves-Marias-de-Abril-02-by-Carlos-Pereira-770x482-1.jpg" alt="" class="wp-image-38844" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/Melanie-Alves-Marias-de-Abril-02-by-Carlos-Pereira-770x482-1.jpg 770w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/Melanie-Alves-Marias-de-Abril-02-by-Carlos-Pereira-770x482-1-300x188.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/Melanie-Alves-Marias-de-Abril-02-by-Carlos-Pereira-770x482-1-768x481.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/Melanie-Alves-Marias-de-Abril-02-by-Carlos-Pereira-770x482-1-696x436.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 770px) 100vw, 770px" /></figure></div>


<p>Vale muito a pena ir à Casa de Portugal em Paris ver esta exposição (até 9 de fevereiro). Como não é fácil nem barato, esperamos todos que a exposição possa vir para uma digressão por várias cidades portuguesas.</p>



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<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="890" height="767" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/melanie-cabecas-1.png" alt="" class="wp-image-38845" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/melanie-cabecas-1.png 890w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/melanie-cabecas-1-300x259.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/melanie-cabecas-1-768x662.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/melanie-cabecas-1-696x600.png 696w" sizes="auto, (max-width: 890px) 100vw, 890px" /></figure>
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<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="887" height="748" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/melanie-cabecas-2.png" alt="" class="wp-image-38846" style="width:541px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/melanie-cabecas-2.png 887w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/melanie-cabecas-2-300x253.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/melanie-cabecas-2-768x648.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/melanie-cabecas-2-696x587.png 696w" sizes="auto, (max-width: 887px) 100vw, 887px" /></figure></div></div>
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<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="770" height="562" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/Melanie-Alves-Marias-de-Abril-04-by-Carlos-Pereira-770x562-1.jpg" alt="" class="wp-image-38848" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/Melanie-Alves-Marias-de-Abril-04-by-Carlos-Pereira-770x562-1.jpg 770w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/Melanie-Alves-Marias-de-Abril-04-by-Carlos-Pereira-770x562-1-300x219.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/Melanie-Alves-Marias-de-Abril-04-by-Carlos-Pereira-770x562-1-768x561.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/Melanie-Alves-Marias-de-Abril-04-by-Carlos-Pereira-770x562-1-696x508.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 770px) 100vw, 770px" /></figure>
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<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="726" height="729" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/melanie-expo.png" alt="" class="wp-image-38849" style="width:384px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/melanie-expo.png 726w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/melanie-expo-300x300.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/melanie-expo-150x150.png 150w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/melanie-expo-696x699.png 696w" sizes="auto, (max-width: 726px) 100vw, 726px" /></figure></div></div>
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		<title>Ora, abóbora!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Dec 2020 10:05:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Polícias & Ladrões]]></category>
		<category><![CDATA[Ângela Gulbenkian]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[arte contemporânea]]></category>
		<category><![CDATA[burla]]></category>
		<category><![CDATA[Mathieu Ticolat]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Portugal acaba de extraditar para o Reino Unido uma cidadã alemã acusada de burla no valor de 1 milhão e 200 mil euros. A extradição está envolta em polémica, uma vez que um pedido de habeas corpus (libertação imediata) ia ser apreciado hoje no Supremo Tribunal de Justiça mas, ontem, às 3 da manhã, a [&#8230;]</p>
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<p>Portugal acaba de extraditar para o Reino Unido uma cidadã alemã acusada de burla no valor de 1 milhão e 200 mil euros. A extradição está envolta em polémica, uma vez que um pedido de habeas corpus (libertação imediata) ia ser apreciado hoje no Supremo Tribunal de Justiça mas, ontem, às 3 da manhã, a polícia foi tirar a detida da cadeia de Tires para a embarcar num voo para Londres, acompanhada por polícias britânicos.</p>



<p>A pessoa em questão chama-se Ângela Gulbenkian, um apelido que por si só chama a atenção. A senhora é casada com Duarte Gulbenkian, sobrinho-bisneto do empresário Calouste Gulbenkian, um arménio muito rico que se refugiou em Portugal para fugir aos nazis e que, depois, em agradecimento, instituiu a Fundação Gulbenkian que todos conhecemos.</p>



<p>A burla que a senhora terá cometido (falta provar em tribunal que o fez) envolve a compra de uma abóbora de 90kg, pintada de amarelo, esculpida (em bronze?) pela artista japonesa Yayoi Kusama. Porque razão esta abóbora vale uma fortuna é um mistério para os que ignoram os processos de avaliação da arte. Mas enfim, o senhor Mathieu Ticolat deu 1 milhão e 200 mil euros à senhora Ângela Gulbenkian para ela ir comprar a abóbora, coisa que ela nunca fez nem devolveu o dinheiro.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/UZxh4vd.jpg" alt="" class="wp-image-6038"/></figure>



<p>E foi assim que Ticolat (homem rico tem sempre bons advogados) meteu uma queixa num tribunal londrino, que acabou por emitir um mandado europeu de detenção da senhora Gulbenkian, que a polícia portuguesa cumpriu.</p>



<p>A dona Ângela não deve estar muito habituada a ir à mercearia comprar abóboras, ela é <em>marchand</em> de arte, uma espécie de intermediária na compra e venda de obras artísticas, pelo qual cobra as comissões da praxe. Alguma coisa lhe correu mal neste negócio e, agora, já não se safa de passar uns tempos numa cadeia inglesa enquanto espera pelo julgamento.</p>



<p>O marido de Ângela, Duarte Gulbenkian, na iminência de ficar sem mulher nos próximos anos, em vez de agradecido está a ameaçar o Estado português com processos. A verdade é que ficou sozinho em casa desde junho, quando Ângela ficou detida preventivamente em Tires, à espera de ser extraditada. Indo de avião, Lisboa fica a uma hora e pouco de distância de Lisboa, mas as instâncias judiciárias caminham mais devagar e só agora ela lá chegou. E Duarte deve estar com saudades.</p>



<p>No meio disto tudo, a Fundação Gulbenkian. Não tem nada a ver com o negócio, Ângela nunca lá trabalhou mas, a utilização do apelido gera confusão e, dizem os burlados, a senhora utilizava o nome da Fundação, que é o seu também, para facilitar os seus negócios. Na verdade, na sua conta privada de Instagram, onde tem quase dois mil seguidores, Angela Gulbenkian não só se apresenta como colecionadora e responsável por uma tal Gulbenkian Private Art Collection como usa o pseudónimo Pantaraxia, que é nada mais nada menos do que o título da autobiografia de Nubar Gulbenkian, filho de Calouste Gulbenkian. &nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/wl3ynWX.jpg" alt="" class="wp-image-6039"/></figure>



<p>O mandado de detenção europeu é um procedimento judicial transfronteiriço simplificado de detenção e entrega de suspeitos e que é válido em todo o território da União. Um dos azares de Ângela foi o “brexit” se ter atrasado…</p>
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