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	<title>Arquivo de arqueólogos - Duas Linhas</title>
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	<title>Arquivo de arqueólogos - Duas Linhas</title>
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		<title>QUEM FOI ALDONÇA ANES</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Isabel Luna]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 Oct 2025 09:00:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Diz-se que foi concubina do rei Afonso III</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A pergunta ficou no ar, a propósito da legenda da arca ossuária que se mostra no Museu Municipal Leonel Trindade, em Torres Vedras, sobre que <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/10/ossos-a-ressuscitar/">tivemos ocasião de escrever</a></strong>. Pois não é que a identificação da defunta deu azo a contundente polémica antiga – ou não fôssemos, todos nós, atreitos a alimentar uma boa discussão por dá cá aquela palha!?&#8230;</p>



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<figure class="aligncenter size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="825" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/A-arca-no-museu-1024x825.jpg" alt="" class="wp-image-44817" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/A-arca-no-museu-1024x825.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/A-arca-no-museu-300x242.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/A-arca-no-museu-768x619.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/A-arca-no-museu-696x561.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/A-arca-no-museu-1068x861.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/A-arca-no-museu.jpg 1313w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div></div>
</div>



<p>Quem foi Aldonça Anes? A questão é óbvia, depois de termos satisfeito a nossa curiosidade acerca da arca que, um dia, suas ossadas albergou: sabe-se em Torres Vedras, algo mais desta senhora? Sabe-se.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>NO JORNAL BADALADAS</strong></h4>



<p>A 1 de Novembro de 1952, Rogério de Figueiroa Rego (eminente paleógrafo, investigador e historiador, então presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, que o foi entre 1946 e 1959), escreveu um artigo no jornal <em>Badaladas </em>(onde as elites locais publicavam, em catadupa, artigos de história e cultura local), precisamente quando Aurélio Ricardo Belo (também ele um insigne arqueólogo, numismata e epigrafista, director jubilado do museu, a cujos destinos presidira entre 1932 e 1950) ia já perto da sua vigésima <em>&#8220;nótula&#8221;</em> <em>&#8220;sobre arqueologia de Torres Vedras e seu termo&#8221;</em>, que publicava regularmente naquele jornal.</p>



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<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="390" height="585" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/badaladas-3.png" alt="" class="wp-image-44913" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/badaladas-3.png 390w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/badaladas-3-200x300.png 200w" sizes="auto, (max-width: 390px) 100vw, 390px" /></figure>
</div>
</div>



<p>O artigo de Figueiroa Rego intitulava-se <em>&#8220;Uma arca funerária da Igreja de Santiago&#8221;</em> e dava conta da &#8220;redescoberta&#8221; que fizera da arca ossuária, numa dependência daquela igreja, por volta de 1949, e da sua &#8220;remessa&#8221; para o museu municipal. A preocupação do autor era, precisamente, desvendar quem seria a Aldonça Anes. Estava quase a desistir da busca, diz ele, quando leu o pequeno artigo de José da Cunha Saraiva, <em>&#8220;<strong><a href="file:///C:/Users/12/Downloads/A%20Quinta%20da%20Picanceira.pdf">A Quinta da Picanceira</a></strong>&#8220;</em>, que falava da sua proprietária, Aldonça Anes, permitindo, assim, a sua identificação.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="453" height="705" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/quinta-da-picanceira.png" alt="" class="wp-image-44916" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/quinta-da-picanceira.png 453w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/quinta-da-picanceira-193x300.png 193w" sizes="auto, (max-width: 453px) 100vw, 453px" /></figure></div>


<p>Ricardo Belo, quem sabe se por ver um &#8220;concorrente&#8221; a procurar desvendar inscrições latinas no palco jornalístico que ele próprio dominava com as suas <em>&#8220;nótulas&#8221;</em> de epigrafia romana, vai de fazer uma <em>nótula</em> de recensão ao artigo do concorrente, à laia de quem lhe dá uma grande lição. A lição foi, de facto, tão extensa, que ocupou várias <em>&#8220;nótulas&#8221;</em>, que intitulou de <em>&#8220;<strong><a href="file:///C:/Users/12/Downloads/N%C3%B3tulas%20sobre%20Arqueologia%20de%20Torres%20Vedras%20e%20seu%20termo%20LR.pdf">História e Genealogia</a></strong>&#8220;</em>, publicadas durante oito meses! (o jornal era quinzenário). Partindo de um erro grosseiro que cometeu logo no início, com a conversão para a Era Cristã de uma data já previamente convertida pelo autor, alegava Ricardo Belo que a Aldonça teria sido uma famosa concubina de D. Afonso III, porque &#8220;afinal havia outra&#8221; Aldonça, e invocar uma amante do rei seria sempre mais apelativo para os leitores, para além da aura de realeza que carregava.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="602" height="718" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/concubina-do-rei.png" alt="" class="wp-image-44919" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/concubina-do-rei.png 602w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/concubina-do-rei-252x300.png 252w" sizes="auto, (max-width: 602px) 100vw, 602px" /></figure></div>


<p>Figueiroa Rego, numa edição seguinte, expôs-lhe muito educadamente, mas com grande picardia, o erro em que caíra. Ricardo Belo replicou: sem querer &#8220;dar o braço a torcer&#8221;, construiu uma hipótese rebuscadíssima para justificar que as duas Aldonças poderiam, afinal, ter sido a mesma, num exercício particularmente caricato, que lhe deve ter dado muito trabalho a maquinar (ele era dado a estas criações inventivas&#8230;). Enfim, um &#8220;duelo&#8221; jornalístico deveras interessante.</p>



<p>Fiquemo-nos, pois, pela Aldonça nossa ‘conhecida’ – que da «outra», naturalmente, el-rei saberia mais que nós!&#8230;</p>



<p>Daquela cujas ossadas na arca repousaram – esperamos que ainda durante bastantes anos – sabemos que foi casada com Giral Picanço, de quem não houve descendência e que, no seu testamento, aberto a 10 de Janeiro de 1330, mandou instituir na igreja de Santiago uma capela, com obrigação de missa quotidiana, legando, para o efeito, bens da sua Quinta da Picanceira, no valor de mil libras. Assim, melhor descansaria Aldonça Anes em paz – alheia, como deve estar, a jornalísticas picardias locais…</p>



<p>(co-autoria: <strong><a href="https://duaslinhas.pt/author/jose-de-encarnacao/">José d’Encarnação</a></strong>)</p>
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		<title>Quem foi Quintela</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Isabel Luna]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Oct 2025 11:00:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>"O Quintela, seu escravo, esta cruz mandou aqui pôr. Já está em pó. Roga por mim, pecador. Pai Nosso. 1696"</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/10/quem-foi-quintela/">Quem foi Quintela</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Defronte da porta principal da Capela de Santa Luzia, na localidade de Paul, freguesia da Freiria de Torres Vedras, ergue-se um cruzeiro que tem, na parte inferior, uma inscrição, que tem dado que falar.</p>



<p>Redigida em português, encimada por uma pequena cruz latina, a inscrição reza o seguinte:</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-3 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
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</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="839" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Fig.-4-A-inscricao-839x1024.jpg" alt="" class="wp-image-44882" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Fig.-4-A-inscricao-839x1024.jpg 839w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Fig.-4-A-inscricao-246x300.jpg 246w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Fig.-4-A-inscricao-768x937.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Fig.-4-A-inscricao-696x849.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Fig.-4-A-inscricao.jpg 975w" sizes="auto, (max-width: 839px) 100vw, 839px" /></figure>
</div>
</div>



<p>Em frase corrida e grafia actual, a inscrição diz: «De Jesus Homem Salvador, Rei Salvador. O Quintela, seu escravo, esta cruz mandou aqui pôr. Já está feito em pó. Roga por mim, pecador. Pai Nosso. 1696».</p>



<p>A erecção do cruzeiro constituiu, pois, na intenção do doador uma forma de suplicar uma prece, muito ao jeito do que habitualmente vinha expresso nas chamadas «alminhas», em que se convidava o passante a rezar um pai-nosso e uma ave-maria pelas almas do Purgatório.</p>



<p>IHS, da linha 1, são as siglas adoptadas pela Companhia de Jesus: I<em>(esus</em>) H(<em>omo</em>) S(<em>alvator</em>). Na linha 2, o artigo definido é bem elucidativo: a erecção do cruzeiro resulta duma determinação testamentária, que incluiria o pedido da reza de um pai-nosso em sufrágio da sua alma. Para poupar espaço e – se nos é lícito tal pensar – também para ‘dar um ar da sua graça’, o canteiro optou por substituir letras por desenhos: para completar a palavra ‘escravo’, gravou um cravo; em vez de ‘cruz’ pôs o desenho. Na linha 4, interpretar IA por JÁ não padece contestação. O actual doirado das letras levamo-lo à conta de obras recentes e à eventual vontade da Comissão Fabriqueira de dar realce a letras, ainda que, mui provavelmente, se não haja captado, em pleno, o significado do que ali estava escrito. É, à primeira vista, um letreiro arrevesado e vale a pena mostrá-lo como o gravaram há mais de 300 anos! Quintela merecia-o, de facto.</p>



<p>A capela, seguramente de grande devoção popular, vem mencionada nas <em>Memórias Paroquiais</em> de 1758 como Ermida de Vera Cruz; e a cartografia militar de Filipe Folque, de 1856, menciona o local como Santa Cruz.</p>



<p>Foi, seguramente, a identificação do Quintela ali mencionado que mais suscitou a atenção: quem poderia ter sido este senhor que assim tão publicamente se proclamara pecador e pedia a reza dum pai-nosso?</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Encetaram-se, pois, as indagações, até porque havia informação de que um Quintela desenhara e assinara uma planta do Chafariz dos Canos, guardada no Arquivo Municipal. Pensando que, afinal, o indivíduo poderia mesmo ter sido um artista, lá se vasculhou o Arquivo, juntamente com a sua responsável, Paula Silva, a quem agradecemos toda a atenção.</p>



<p>Conclusão: a planta do Chafariz não estava assinada e fora feita cerca de 200 anos depois da época em que viveu o dito Quintela. Por outro lado, a ser de um Quintela, tratar-se-ia de Inácio Pedro Quintela Emaús, Corregedor da Comarca de Torres Vedras que, quase dois séculos mais tarde, em 1831, mandou fazer no chafariz um novo tanque, para bebedouro dos animais de carga e tracção.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/zbTdpuB.jpeg" alt="" class="wp-image-44886"/></figure></div>


<p>Havia, porém, uma outra notícia: em 1862, os anotadores (José António da Gama Leal e José Eduardo César de Faro e Vasconcelos) da <em>&#8220;Descripção historica e economica da villa e termo de Torres-Vedras: parte historica&#8221;</em> do Padre&nbsp;Madeira Torres (2.ª ed. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1862, p. 65), referem, a propósito do Aqueduto de Torres&nbsp;Vedras:</p>
</div></div>



<p>&#8220;<em>Existe no Cartorio da Provedoria um processo curioso relativo a este objecto, n’elle se acham duas plantas do Aqueducto, e a segunda é illuminada, e tem em baixo a seguinte legenda «Luiz Rodrigues Quintella fecit anno Domini 1656»&#8221;.&nbsp;</em></p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>Quintela, o benemérito</strong></h4>



<p>Será o mesmo? Dessa planta se desconhece, por enquanto, o paradeiro. Todavia, não se fica por aqui! É que poderá não ser ousadia identificar este Quintela com o que&nbsp;é mencionado numa outra inscrição, pintada num painel de azulejos actualmente colocado no baptistério&nbsp;da igreja de S. Lucas, matriz de Freiria, depois de ter sido registado na sacristia da mesma igreja.</p>



<p>O painel de azulejos é contornado por uma barra de azulejos, com uma pequena cartela no topo, com a data &#8220;1656&#8221; e outra, em baixo, com a inscrição QVINT/ELA * FEC[I]T, «Quintela fez».</p>



<p>Sob esse painel – que apresenta duas figuras afrontadas, uma de cada lado, em jeito de oração, tendo como fundo paisagem de montanha – há uma pequena cartela azulejar, de que apenas resta a metade esquerda com a inscrição:</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-4 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:33.33%">
<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/75EC3Xr.png" alt="" class="wp-image-44890"/></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/3QJ8GAE.jpeg" alt="" class="wp-image-44891"/></figure>
</div>
</div>



<p>Um benemérito! Contribuiu para a procissão das Endoenças e para as obras da igreja.</p>



<p>E dele lográmos também encontrar o registo do seu casamento: «Aos cinco dias de agosto de [1]639, por provisão do Reverendo Cabido recebi na ermida de Santo António da Cadreseira [Cadriceira] a Luis Rodrigues Quintela, da freguesia de S. Lucas, com Maria Bernardes, filha de Maria Bernardes da Cadreseira&nbsp;(&#8230;)».</p>



<p>Outro documento nos revela que, em 1649, morava com a mulher na Quinta do Paul, junto à ermida.</p>



<p>Se a tudo o que se disse acrescentarmos agora que a Quinta de Santo António da Cadriceira onde o casamento ocorreu era, à época, propriedade de Henrique Henriques de Miranda, favorito de D. Afonso VI e homem do Conde de Castelo Melhor, temos mais um dado de não pouca monta para exaltar a personalidade deste importante benemérito local, cuja memória cumpre realçar.</p>



<p><sup>(co-autoria: <strong><a href="https://duaslinhas.pt/author/jose-de-encarnacao/">José d’Encarnação</a></strong>)</sup></p>
</div></div>
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		<title>QUEBRA-CABEÇAS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Oct 2025 20:50:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Coluna deitada em muro de pedra</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Assim pensa o arqueólogo ao descobri-la. Terá letras do outro lado? Será miliário romano que indicou, um dia, a distância em milhas entre dois lugares importantes ou simplesmente a usaram para assinalar a presença de uma via sem letras algumas?</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Leomil-1-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-44861" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Leomil-1-1024x683.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Leomil-1-300x200.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Leomil-1-768x512.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Leomil-1-1536x1024.jpg 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Leomil-1-696x464.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Leomil-1-1392x928.jpg 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Leomil-1-1068x712.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Leomil-1-1320x880.jpg 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Leomil-1.jpg 1620w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Ali repousa, entalada quase na base da parede. Difícil será retirá-la, mormente porque apenas sobre ela impende uma suspeita e nada de concreto – e interessará agregar esforços para a retirar, se mera coluna for sem préstimo histórico de jeito?</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Leomil-3-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-44862" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Leomil-3-1024x683.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Leomil-3-300x200.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Leomil-3-768x512.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Leomil-3-696x464.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Leomil-3-1392x928.jpg 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Leomil-3-1068x712.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Leomil-3-1320x880.jpg 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Leomil-3.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Certo é que nos causa engulhos esta coluna de 1,72 m de comprido por 35 cm de diâmetro num dos topos, dada a conhecer por José Carlos Santos, no livro <em>Carta Arqueológica de Moimenta da Beira</em> (2025, p. 142). Está num edifício contíguo ao Solar dos Mergulhões, em Leomil, perto da igreja de São Tiago Maior, no concelho de Moimenta da Beira. Teria pertencido à via romana que passava perto em direcção a Carapito, onde se encontrou outro marco, igualmente sem qualquer letreiro, que publicámos em 2019?</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="620" height="826" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/A-coluna-de-Carapito-possivel-miliario-romano.jpg" alt="" class="wp-image-44865" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/A-coluna-de-Carapito-possivel-miliario-romano.jpg 620w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/A-coluna-de-Carapito-possivel-miliario-romano-225x300.jpg 225w" sizes="auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px" /><figcaption class="wp-element-caption">A coluna de Carapito, possível miliário romano</figcaption></figure></div>


<p>De todos os tempos o hábito de se aproveitar para as construções material – sobretudo pétreo – à mão de semear. Se tem letras ou alguma moldura vistosa, ainda o pedreiro dá um jeito, acredita que valerá a pena deixar esse lado à mostra. Por gosto estético ou porque, no íntimo, considera que é capaz de poder vir alguém que lhe descubra significado e valor histórico. Quem sabe?</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Leomil-2-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-44863" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Leomil-2-1024x683.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Leomil-2-300x200.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Leomil-2-768x512.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Leomil-2-1536x1024.jpg 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Leomil-2-696x464.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Leomil-2-1392x928.jpg 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Leomil-2-1068x712.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Leomil-2-1320x880.jpg 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Leomil-2.jpg 1560w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Quando, um dia, nas escavações de Freiria, em Cascais, o Aveiro e o Cláudio, dois dos moços nossos colaboradores, perguntaram se as pedras tinham olhos, porque haviam encontrado uma que estava a olhar para eles, longe estávamos todos de pensar que se tratava de uma singular carranca datável, mui possivelmente, mesmo do tempo anterior ao dos Romanos!&#8230; Guilherme Cardoso conta a história no capítulo 8 das suas <em><strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/09/um-rol-de-muitas-historias/">Crónicas de Cascais</a></strong>, </em>recém-publicadas pelo Município.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="728" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Carranca-de-Freiria-1024x728.jpg" alt="" class="wp-image-44858" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Carranca-de-Freiria-1024x728.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Carranca-de-Freiria-300x213.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Carranca-de-Freiria-768x546.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Carranca-de-Freiria-696x495.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Carranca-de-Freiria-1068x759.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/10/Carranca-de-Freiria.jpg 1246w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Carranca de Freiria</figcaption></figure></div>


<p>É assim: pormenores intrigantes, formas estranhas, uma laje de mármore lisa metida na parede entre pedregulhos de granito… são gritos de alerta que não podemos deixar de ouvir.</p>



<p>Por isso, vamos esperar que se consiga desvendar eventual segredo que esta mui singela coluna de Leomil esconda para nos contar.</p>
</div></div>



<p>(co-autoria: <strong><a href="https://duaslinhas.pt/author/jose-carlos-santos/">José Carlos Santos</a></strong>)</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/10/quebra-cabecas/">QUEBRA-CABEÇAS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>O SANTO MALTRATADO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José Carlos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Oct 2025 15:09:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[PEDRAS ANTIGAS]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[arqueologia]]></category>
		<category><![CDATA[arqueologia em Moimenta da Beira]]></category>
		<category><![CDATA[arqueólogos]]></category>
		<category><![CDATA[Ordem Terceira de S. Francisco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>fracturada em três partes, falta-lhe metade da cabeça e o resto do corpo, até aos pés, a partir dos quadris</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/10/o-santo-maltratado/">O SANTO MALTRATADO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>No âmbito dos trabalhos de restauro efectuados recentemente no interior da Capela do Divino Espírito Santo, em Vide, na freguesia de Vila da Rua (concelho de Moimenta da Beira), foi encontrada, atrás do retábulo-mor – bem maltratada, a pobrezinha!&#8230; – a imagem de um santinho.</p>



<p>Com cerca de 46 cm de altura, fracturada em três partes, falta-lhe metade da cabeça e o resto do corpo, até aos pés, a partir dos quadris – como pode ver-se pelas fotografias que houve oportunidade de fazer. </p>



<p>Pressupomos que se trata de uma imagem de São Francisco de Assis, pois lhe descortinamos numa das mãos a Bíblia (representando o seu profundo amor pela palavra de Deus) e o que poderá ser a representação de uma pomba (pelo conhecido amor aos animais) ou de um cordeiro (simbolizando Jesus e remetendo para o sacrifício de Cristo, o &#8220;Cordeiro de Deus&#8221;, que São Francisco se esforçou para imitar através da pobreza e humildade), que são os elementos distintivos do santo, assim como o cíngulo com que apertava o hábito na cintura.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/EHlwog2.jpeg" alt="" class="wp-image-44604"/></figure>



<p>Será obra datável de inícios do século XV, quando os Franciscanos se estabeleceram em Vide, vindos de Lisboa, e acabaram por influenciar aquele que viria a ser o fundador do Convento de São Francisco de Caria, Gil Vasques, conforme nos relata Frei Vicente Salgado no manuscrito 220 (série vermelha) que está na Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa, <em>Memórias dos Conventos da Congregação da Terceira Ordem,</em> onde dá conta, a fls. 19v.-20, do Convento de S. Francisco, de Caria. Aí se declara expressamente (actualizamos a grafia):</p>



<p>«Feita a deixação do convento de Santa Sita, da Diocese Lisbonense, pelo Provincial Fr. João da Ribeira, se recolheram alguns de nossos primitivos em uma ermida, junto ao pequeno lugar de Vide, da freguesia da Rua, distante pouco menos de um quarto de légua do sítio onde se acha fundado o convento. A modéstia, pobreza, humildade e austera vida daqueles virtuosos e penitentes Terceiros fizeram sensível estimulo no coração de Gil Vasques, que, desenganado do mundo, abraçou o Instituto da Terceira Regra de S. Francisco, fazendo doação da sua Quinta do Paço a estes religiosos, por escritura celebrada em Caria, nas Casas do Tabelião Rodrigo Afonso, aos 28 dias do mês de Junho de 1443».</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/AWJwQeQ.png" alt="" class="wp-image-44608"/><figcaption class="wp-element-caption"><em>Fachada da Ruína da Igreja do Convento de S. Francisco</em>, freguesia de Rua, Moimenta da Beira</figcaption></figure>



<p>Quanto à estátua agora descoberta, tratos de polé ou descuidos acabaram por reduzir a imagem ao que hoje dela resta, não sendo fácil a sua reconstituição nem mesmo em desenho; constitui, no entanto, um testemunho, passível de ser preservado, dessa era, de importância maior para Vide. </p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/I9jr9K7.png" alt="" class="wp-image-44605"/></figure>



<p>Importa também referir que, na fachada principal desta capela, está embutida uma inscrição romana e na fachada lateral esquerda também se observa um silhar almofadado, sintomas claros da prístina ocupação humana do sítio.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/FwsB4nt.jpeg" alt="" class="wp-image-44603"/></figure></div>


<p>Quanto aos fragmentos da escultura, caso não se consigam ‘estruturar’, poderão guardar-se mesmo assim, singela memória de uma das primeiras imagens a receber a devoção por parte dos habitantes.</p>



<p>(artigo em co-autoria com  Gustavo Monteiro de Almeida e José d’Encarnação)</p>
</div></div>
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		<title>O ENCANTAMENTO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Sep 2025 17:37:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[arqueólogos]]></category>
		<category><![CDATA[Lara Bacelar Alves]]></category>
		<category><![CDATA[vida e morte]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No Nordeste do Brasil, quando alguém morre, diz-se que se encanta. Passa a ser pessoa encantada, como as nossas princesas encantadas.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/09/o-encantamento/">O ENCANTAMENTO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>«A Lara Bacelar encantou-se na noite passada, depois de uma longa espera, sem que saibamos qual a sua ligação ao mundo». Assim me escreveu a Maria, explicando-me que poderá ter sido a doença das vacas loucas a destruir-lhe as ligações nevrálgicas/neurológicas que a faziam corpo activo e presente. Faleceu, depois de muitos meses sem dar sinal de conexão com a vida. Encantou-se.<br>– “Encantou-se”, Maria? Que queres tu dizer com isso?<br>– No Nordeste do Brasil, quando alguém morre, diz-se que se encanta. Passa a ser pessoa encantada, como as nossas princesas encantadas. Adoro essa ideia. Pensar que minha mãe está encantada e que me vê quando estou na casa dela é maravilhoso!</p>



<p>Guarda o léxico brasileiro, como é sabido, muitas palavras quotidianas herdadas de tempos idos, verdadeiros fósseis envoltos de eternidade. Ao chegarmos a um aeroporto, buscamos aí as bagagens depositadas numa esteira rolante e não no tapete; ‘esteira’ é muito mais nosso, próximas das nossas raízes, da palavra latina storea… E, sabe-se, é nos ambientes concretos, rurais que de ‘esteira’ se fala.</p>



<p>Tanta vez que há referência às vetustas histórias das mouras e das princesas encantadas. Dormem um sono eterno, que só por milagre junto delas chegará o príncipe capaz de as desencantar. O beijo que há milénios está a tardar!</p>



<p>E porque será que descobrimos, um dia, quantas histórias estão ligadas entre si, qual invisível cordão umbilical transmissor de Sabedoria?<br>«Quando se ama uma flor plantada numa estrela, sabes, é um encanto, à noite, olhar para o céu: todas as estrelas estão floridas!» – explicava o Principezinho à Raposa.<br>Um encanto.<br>Encantamento. Uma outra dimensão, de que, afinal, tão poucas vezes nos apercebemos. </p>



<p>Agora, foi o encantamento da Lara Bacelar. Um murro no estômago, porque diariamente se esperava um milagre. Os que de perto com ela conviveram poderão aperceber-se, agora, que o milagre foi outro: acutilante, eloquentemente loquaz na branca suavidade do silencioso encantamento.</p>
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		<title>RECADO ESCONDIDO NO INTERIOR DE UMA PAREDE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Célia Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Sep 2025 08:00:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[arqueologia]]></category>
		<category><![CDATA[arqueologia em Abrantes]]></category>
		<category><![CDATA[arqueólogos]]></category>
		<category><![CDATA[defesa do património]]></category>
		<category><![CDATA[património arquitetónico]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Assim, numa cidade com vetustas tradições como Abrantes, ali mesmo à beirinha do rio Tejo, o Município zela por que alterações na estrutura urbana sejam devidamente acompanhadas por equipas de arqueólogos. Assim aconteceu, quando se previu a realização de obras nas antigas instalações da PSP, propriedade do Município, imóvel localizado entre a Rua Grande (antiga [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/09/recado-escondido-no-interior-de-uma-parede/">RECADO ESCONDIDO NO INTERIOR DE UMA PAREDE</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Assim, numa cidade com vetustas tradições como Abrantes, ali mesmo à beirinha do rio Tejo, o Município zela por que alterações na estrutura urbana sejam devidamente acompanhadas por equipas de arqueólogos.</p>



<p>Assim aconteceu, quando se previu a realização de obras nas antigas instalações da PSP, propriedade do Município, imóvel localizado entre a Rua Grande (antiga Rua Santos e Silva) n<sup>ºs</sup> 6, 8, 10, 12 e 14, e a Rua Maria de Lourdes Pintasilgo (antiga Rua do Brasil), n.º<sup>s</sup> 38, 40, 42, 44 e 46, estando assim dotado de duas frentes de rua. Haveria, por conseguinte, a possibilidade de, em seu lugar, mantendo os três pisos acima do solo. aí serem construídos 10 fogos, de tipologias T1, T2 e T3.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="680" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/fachada-abrantes-1024x680.png" alt="" class="wp-image-44128" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/fachada-abrantes-1024x680.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/fachada-abrantes-300x199.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/fachada-abrantes-768x510.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/fachada-abrantes-696x462.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/fachada-abrantes-1068x710.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/fachada-abrantes.png 1144w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">A fachada do imóvel</figcaption></figure></div>


<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>O imóvel, conjuntamente com mais de quarenta outros do centro histórico de Abrantes, a maioria deles testemunhos singulares da arquitetura civil de há mais de um século, foi, em 1977, classificado como de valor concelhio, tendo posteriormente esta classificação sido convertida em «de interesse municipal». nos termos nº 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro.</p>



<p>Propôs-se, por isso, a adopção de numa filosofia de intervenção mínima, considerando que deveriam ser conservados os elementos que se apresentem em bom estado, com respeito pelas marcas do tempo e estereotomia, designadamente as fachadas e escadas em pedra. As paredes exteriores, guarda-corpos e serralharias seriam recuperadas, bem como as paredes-mestras interiores</p>



<p>A intervenção proposta correspondeu, por conseguinte, à demolição interna quase total, com a manutenção geral das volumetrias e das fachadas sobre a Rua Grande (principal e lateral) e a remodelação interna integral, incluindo alterações às escadas preexistentes. As fachadas sobre a Rua Maria de Lourdes Pintasilgo são objeto de recomposição, preservando-se dois vãos.</p>
</div></div>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>As descobertas</strong></h4>



<p>Nos trabalhos prévios, foram realizadas cinco sondagens arqueológicas, identificando-se estruturas negativas do tipo silo em todas elas, com cronologia maioritariamente medieval.</p>



<p>Identificaram-se três cisternas e, dada a magnitude da afetação no interior do edifício, efetuaram-se 22 sondagens parietais, tentando efetuar um registo exaustivo do tipo construtivo do aparelho construtivo.</p>



<p>Na sequência dos trabalhos de demolição, descobriram-se, de facto, elementos deveras interessantes do ponto de vista da história quotidiana, tais como inscrições dos carpinteiros nos forros em madeiras, antigos documentos dos alunos da escola industrial ali implantada em tempos.</p>



<p>No entanto, a surpresa maior ocorreu quando, no passado dia 28 de Agosto, ao demolir-se a parede de acesso à sala do teto em estuque do piso 1, se encontrou um papel manuscrito intacto. Estava no interior de um espaço vazio entre a argamassa e a pedra, dando a sensação de ter sido ali depositado para cair no esquecimento ou, porventura (agrada-nos agora pensar assim), para que, tantos anos volvidos, alguém ficasse estupefacto ao achá-lo!</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>De imediato se pediu a um paleógrafo de renome, Saul Gomes, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, que nos ajudasse na decifração do que ali se encontrava escrito e tão ciosamente – ao que parecia – ali fora escondido, qual mui relevante tesouro. Mui gratos lhe estamos pela prontidão com que cedeu ao nosso pedido</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="741" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/Fig.-4-741x1024.jpg" alt="" class="wp-image-44120" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/Fig.-4-741x1024.jpg 741w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/Fig.-4-217x300.jpg 217w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/Fig.-4-768x1061.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/Fig.-4-1112x1536.jpg 1112w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/Fig.-4-696x961.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/Fig.-4-1068x1475.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/Fig.-4.jpg 1231w" sizes="auto, (max-width: 741px) 100vw, 741px" /></figure>
</div>



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<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="538" height="764" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/recado-manuscrito.png" alt="" class="wp-image-44116" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/recado-manuscrito.png 538w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/recado-manuscrito-211x300.png 211w" sizes="auto, (max-width: 538px) 100vw, 538px" /></figure>
</div>
</div>



<p>Outro papel resguardava o manuscrito e nele se podia ler, em letra mui cuidada e escrita a tinta com caneta de aparo «<em>AO Sr. Meu Pay».</em> Que teria uma filha ou um filho a dizer a seu pai, para assim ali estar escondido? E quem o terá escondido – o remetente ou o destinatário?A leitura do Doutor Saul Gomes é a seguinte:</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="857" height="502" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/manuscrito-2.png" alt="" class="wp-image-44220" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/manuscrito-2.png 857w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/manuscrito-2-300x176.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/manuscrito-2-768x450.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/manuscrito-2-696x408.png 696w" sizes="auto, (max-width: 857px) 100vw, 857px" /></figure></div>


<p>Questões familiares, portanto. Rendas em atraso, encomenda de coelhos, questões da dízima…</p>



<p>Escritor imaginativo deste manuscrito faria um romance. Aliás, como acontece amiúde. Ou melhor, dizem os autores que acontece, para darem maior credibilidade ao que escrevem. Só que, neste caso, não é manuscrito inventado: é manuscrito bem real, simplesinho, mas a ocultar, porventura, um drama qualquer. Caso assim não fosse, que razão haveria para o esconder assim num buraco de parede?</p>



<p>(artigo em co-autoria com <strong><a href="https://duaslinhas.pt/author/jose-de-encarnacao/">José d&#8217;Encarnação</a></strong>)</p>
</div></div>
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		<title>TESOUROS EM PARTE INCERTA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Feb 2024 00:05:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[PEDRAS ANTIGAS]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[arqueologia]]></category>
		<category><![CDATA[arqueólogos]]></category>
		<category><![CDATA[José Mendonça Furtado Lindo Januário]]></category>
		<category><![CDATA[património arqueológico]]></category>
		<category><![CDATA[Tavira]]></category>
		<category><![CDATA[Zezinho de Beja]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em Beja. Numa bela tarde de Verão, em casa do Dr. Fernando Nunes Ribeiro, que foi Governador Civil de Beja, que escavou a villa romana de Pisões e reuniu relevante colecção de antiguidades, designadamente arqueológicas, estudava eu as pedras romanas com letras que ele guardara. &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; – E mais, dr.? Sabe de mais inscrições romanas [&#8230;]</p>
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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p><em>Em Beja</em>.</p>



<p>Numa bela tarde de Verão, em casa do Dr. Fernando Nunes Ribeiro, que foi Governador Civil de Beja, que escavou a <em>villa</em> romana de Pisões e reuniu relevante colecção de antiguidades, designadamente arqueológicas, estudava eu as pedras romanas com letras que ele guardara.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; – E mais, dr.? Sabe de mais inscrições romanas por i? Fora das do Museu, claro! Tem ideia de um tal José Mendonça Furtado Lindo Januário, de que Abel Viana falou?</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; – Sim, era um antiquário daqui.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; – Era?</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; – Sim, já não está cá. Abalou para as bandas de Tavira, dizem!</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Tavira? Vamos lá! Um contacto com a Câmara, porque Abel Viana tivera o cuidado de dar o nome completo do senhor e poderia ser fácil, através dos cadernos eleitorais, por exemplo, saber dele. E soube-se logo, porque da Câmara rapidamente responderam. Abençoados! Conhecia-se bem o «Zèzinho da Beja». Morava no Monte da Guerreira, em Estiramanténs, freguesia de Santo Estêvão. Lá fomos. Recebidos com a maior atenção, mostrou-nos tudo o que fora ajuntando, mesmo aquelas moedinhas preciosas, que bem escondidas tinha.</p>



<p>Aí estudei, pois, duas inscrições da área de Beja, de que uma já mostrei na edição do dia 9 do <em>Diário do Alentejo,</em> com bem sugestiva ilustração de enquadramento da autoria do Dr. José Luís Madeira<em>.</em></p>



<p>Trata-se de mui singelo epitáfio latino que diz assim (traduzo para português):</p>



<p>«A Monia, liberta de Leucínico, de 19 anos. Aqui jaz. Que a terra te seja leve».</p>



<p>Há, desde logo, um pormenor a prender a atenção: ninguém se identifica como promotor da homenagem; apenas se diz que a jovem foi liberta de Leucínico. Sua serva durante algum tempo, acabou Leucínico por lhe dar a liberdade, certamente devido aos seus bons serviços e, quiçá, imaginamos nós com a nossa mentalidade, por dela se haver enamorado. Tudo, porém, se nos mostra envolto em diáfano manto de discrição.</p>



<p><em>Mas… cadê a pedra?</em></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="523" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/02/PEDRA-MONIA-1024x523.jpg" alt="" class="wp-image-32097" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/02/PEDRA-MONIA-1024x523.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/02/PEDRA-MONIA-300x153.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/02/PEDRA-MONIA-768x392.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/02/PEDRA-MONIA-1536x784.jpg 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/02/PEDRA-MONIA-696x355.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/02/PEDRA-MONIA-1392x710.jpg 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/02/PEDRA-MONIA-1068x545.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/02/PEDRA-MONIA.jpg 1779w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>A outra epígrafe deu entrada no Museu Municipal de Tavira. E esta para onde é que foi? A fotografia então feita é, pois, a única prova da sua existência. Acreditam em mim, que fiz a foto e a estudei; mas onde é que ora estará? Documenta, como vimos, o testemunho do uso único de dois nomes antigos; daí o seu interesse histórico. Vamos à cata dela?</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>«Depois de mim, que será do meu Museu?» – interrogava-se Zezinho da Beja em entrevista concedida ao conceituado jornalista Ferreira Fernandes de que se mostra praticamente só o cabeçalho e fotografia na página do <em>Facebook </em>do grupo «Penso, logo existe Tavira»<em>,</em> com comentário exarado a 16 de Julho de 2018. Aí se preconizava uma acção camarária para salvaguarda do que ainda restasse. «O que ainda restasse»… Que o único comentário ao texto é de Rosário Afonso: «E tudo o vento levou&#8230;. <em>Bye, bye, </em>tesouro!».</p>



<p>Também eu fui obsequiado «com um figuinho e um copinho de aguardente», como se assinala nessa página; também eu tive ocasião de ver as &nbsp;«onze salas completamente cheias das mais variadas peças» – a Sala dos Candeeiros, a Sala Religiosa…; os quadros, os oratórios, os cristais, os marfins, os móveis…</p>



<p>Parte desse precioso espólio, uma parte pequena, deu entrada no Museu Municipal de Tavira onde está a ser devidamente inventariado.</p>



<p>Quem sabe se, um dia, os herdeiros põem a mão na consciência e se decidem a negociar? A memória do seu benemérito antepassado bem no merece!</p>
</div></div>
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		<title>PRESERVAR A SÉ CATEDRAL E SALVAR A MESQUITA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Nov 2022 10:17:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[LIFESTYLE]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[arqueólogos]]></category>
		<category><![CDATA[mesquita antiga de Lisboa]]></category>
		<category><![CDATA[Sé Catedral]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vai longa a querela entre arqueólogos e a Direção Geral do Património Cultural (DGPC). Em questão, as obras em curso na Sé Catedral de Lisboa, classificada como Monumento Nacional desde 1910. A DGPC tem em marcha obras de consolidação do claustro que implicam a construção de estruturas subterrâneas em betão. Acontece que no decorrer desses [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Vai longa a querela entre arqueólogos e a Direção Geral do Património Cultural (DGPC).</p>



<p>Em questão, as obras em curso na Sé Catedral de Lisboa, classificada como Monumento Nacional desde 1910.</p>



<p>A DGPC tem em marcha obras de consolidação do claustro que implicam a construção de estruturas subterrâneas em betão. Acontece que no decorrer desses trabalhos ficou destapada a velha mesquita de Lisboa, e outros vestígios ainda mais antigos. Os arqueólogos querem preservar tudo, mas para isso precisam de impedir a obra em betão.</p>



<p>Numa carta aberta, um grupo de 25 arqueólogos reforça a sua oposição aos trabalhos em curso.</p>



<p>“Queremos deixar claro, e por escrito, à semelhança do que afirmámos em Setembro de 2020 e em Dezembro de 2021, que nos distanciamos inteiramente dessas opções”, dizem os arqueólogos, que têm desenvolvido várias ações de sensibilização para esta causa, como foi o caso de um cordão humano à volta da Sé, em junho deste ano.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1306" height="705" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2022/06/se-catedral-cordao-humano.jpg" alt="" class="wp-image-20230"/></figure>



<p>Há já mais de 20 anos que os primeiros vestígios da mesquita foram destapados, em obras de manutenção nos claustros da Sé Catedral. De então para cá, a dimensão e a importância da mesquita que a igreja esconde não deixou de espantar os que se interessam pelo assunto.</p>



<p>Os arqueólogos já tiveram algumas vitórias neste processo, quando em outubro de 2021 a ministra da Cultura, Graça Fonseca, determinou que os vestígios da antiga mesquita, referenciada como “almorávida”, deviam ser mantidos no local. A decisão da ministra inviabilizou o projeto da DGPC que era de retirar do local uma parte dos vestígios e soterrar o restante.</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large is-style-default"><img loading="lazy" decoding="async" width="2560" height="1707" data-id="4046" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2020/09/mesquita-Escavações_no_Claustro_da_Sé_de_Lisboa-scaled.jpg" alt="" class="wp-image-4046"/></figure>
</figure>



<p>“Ao longo deste processo inverteram-se as prioridades, colocando-se à frente da salvaguarda do património o primado do exercício da arquitetura. Constata-se que não foi reconhecida a necessidade de adaptação do projeto aos vestígios arqueológicos que entretanto foram sendo identificados, e cujo real <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2020/09/querem-destruir-a-mesquita-que-esta-debaixo-da-se-catedral/">valor patrimonial</a></strong> é indiscutível,” voltam a afirmar os arqueólogos na carta aberta.</p>



<p>E se assim é, não se percebe porque se insiste no erro.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1584" height="911" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2022/06/salvar-a-mesquita-capa.jpg" alt="" class="wp-image-20222"/></figure>



<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2022/11/preservar-a-se-catedral-e-salvar-a-mesquita/">PRESERVAR A SÉ CATEDRAL E SALVAR A MESQUITA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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