<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivo de Angola no século XVII - Duas Linhas</title>
	<atom:link href="https://duaslinhas.pt/tag/angola-no-seculo-xvii/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://duaslinhas.pt/tag/angola-no-seculo-xvii/</link>
	<description>Informação online</description>
	<lastBuildDate>Mon, 01 Dec 2025 20:10:10 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-PT</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.7.5</generator>

<image>
	<url>https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2022/08/cropped-KESQ1955-png-32x32.png</url>
	<title>Arquivo de Angola no século XVII - Duas Linhas</title>
	<link>https://duaslinhas.pt/tag/angola-no-seculo-xvii/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">214551867</site>	<item>
		<title>DOIS HOMENS ENTRE MUNDOS</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2025/12/dois-homens-entre-mundos/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2025/12/dois-homens-entre-mundos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vanda Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Dec 2025 00:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[LER LIVROS]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Angola no século XVII]]></category>
		<category><![CDATA[colonialismo português]]></category>
		<category><![CDATA[História das religiões]]></category>
		<category><![CDATA[História de Angola]]></category>
		<category><![CDATA[História de Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[Lourenço da Silva Mendonça]]></category>
		<category><![CDATA[Nsako N'Vunda]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=45739</guid>

					<description><![CDATA[<p>Nsaku N’Vunda e Lourenço Mendonça inscrevem-se na tradição diplomática africana independente, iniciada pelo Reino do Congo no final do século XV </p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/dois-homens-entre-mundos/">DOIS HOMENS ENTRE MUNDOS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ao ler o livro <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/11/a-historia-de-um-africano/">“Um Oceano, Dois Mares, Três Continentes”</a></strong> veio-me à memória a história de um outro extraordinário angolano do século XVII, o príncipe Lourenço da Silva Mendonça.</p>



<p>Alguns de vós talvez se lembrem, ou talvez não, de uma <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2023/12/o-principe-lourenco/">crónica</a></strong> que escrevi na Guiné em 2023 sobre<strong><a href="https://duaslinhas.pt/2023/12/o-principe-lourenco/"> Lourenço da Silva Mendonça</a></strong>. Resumidamente, era sobre um outro homem nascido em Angola, que também cruzou mares, oceanos e continentes, tal como N’Vunda uns anos antes. Lourenço saiu jovem de Angola, foi para o Brasil, chegou a estar no Quilombo de Palmares e depois seguiu para Portugal, estudou em Braga e em Lisboa, um percurso tão semelhante ao de <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/11/a-historia-de-um-africano/">Nsako N&#8217;Vunda</a></strong> que cheguei a pensar que poderiam ser a mesma pessoa.</p>



<p>A história do príncipe Lourenço é digna de uma poema épico Depois de ter concluído os estudos em Portugal, apresentou um caso contra a escravatura ao Tribunal do Vaticano, em 1684. O caso foi um marco histórico e levou à condenação da escravatura pelo Papa dois anos depois, em 1686. O Papa Inocente XI, nomeou-o Procurador-Geral das “Irmandades dos Homens Pretos”, em Lisboa.</p>



<p>Importa sublinhar que Mendonça fez isto um século antes da Revolução Francesa, que dizem inspirar o abolicionismo, e quase 150 anos antes do Parlamento britânico ter abolido a escravatura (1833).</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Nsako N’Vunda e Lourenço da Silva Mendonça, percursos paralelos</strong></h4>



<p>António Manuel Nsaku N’Vunda e Lourenço da Silva Mendonça foram visionários antes do tempo. Predestinados a grandes feitos. Não se conheceram, nunca se cruzaram, mas percorreram os mesmos oceanos e as mesmas calçadas das ruas de Lisboa e Roma. N’Vunda morreu no Vaticano em 1608 e Lourenço esteve em Roma entre 1670–1680.</p>



<p>Embora não exista prova documental de um vínculo familiar direto, ambos pertenceram à nobreza cristianizada de Angola, foram educados em instituições católicas, ambos eram fluentes em línguas europeias, ambos se envolveram nas redes políticas entre M&#8217;Banza Kongo, Luanda, Lisboa e Roma.</p>



<p>A trajetória de Mendonça — tal como a de Nsaku N’Vunda — só é possível graças à posição social elevada dessas famílias africanas que, desde o século XVI, ocupavam cargos administrativos, eclesiásticos e diplomáticos.</p>



<p>Ambos, Nsaku N’Vunda e Lourenço da Silva Mendonça, inscrevem-se na tradição diplomática africana independente, iniciada pelo Reino do Congo no final do século XV para dialogar diretamente com o papado e com a monarquia portuguesa.</p>



<p>Nsaku N&#8217;Vunda inaugurou a presença diplomática africana permanente na Santa Sé, como embaixador oficial do rei Manicongo D. Álvaro II. Lourenço da Silva Mendonça, 60 anos depois retomou essa rota diplomática para denunciar à Santa Sé e ao rei de Portugal os abusos da escravatura praticada pelos europeus, nomeadamente os portugueses. O caso levado perante o Tribunal do Vaticano coloca-o como um dos primeiros ativistas abolicionistas conhecidos da história.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Lourenço, herdeiro diplomático e político de Nsaku N’Vunda</strong></h4>



<p>Em suma, ao comparar os dois, percebe-se que ambos viveram tensões semelhantes: eram africanos formados na tradição cristã, navegando entre culturas, línguas e poderes que muito raramente davam palco a vozes do continente africano. Cada um, no seu tempo e em seu modo, usou as estruturas da igreja para defender a dignidade do povo.</p>



<p>N’Vunda procurou reconhecimento diplomático e proteção ao reino do Kongo. Mendonça confrontou diretamente o sistema esclavagista que naquele tempo dominava o mundo atlântico. O primeiro personifica o ideal de embaixador africano e é citado, frequentemente, como modelo da diplomacia angolana. O segundo, personifica o papel de intelectual e religioso, um africano a defender os direitos humanos em Roma.</p>



<p>Ambos, reivindicaram direitos e reconhecimento para os africanos. Resumindo, quem quiser aprender, tem agora dois livros para ler.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="676" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/nafafe-676x1024.jpg" alt="" class="wp-image-45741" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/nafafe-676x1024.jpg 676w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/nafafe-198x300.jpg 198w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/nafafe-768x1164.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/nafafe-696x1054.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/nafafe.jpg 1000w" sizes="(max-width: 676px) 100vw, 676px" /><figcaption class="wp-element-caption">“Lourenço da Silva Mendonça and the Black Atlantic Abolitionist Movement in the 17th Century”, de José Lingna Nafafé.</figcaption></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="655" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/1-oceano-655x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-45742" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/1-oceano-655x1024.jpeg 655w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/1-oceano-192x300.jpeg 192w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/1-oceano-696x1088.jpeg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/1-oceano.jpeg 720w" sizes="(max-width: 655px) 100vw, 655px" /><figcaption class="wp-element-caption">Um Oceano, Dois Mares, Três Continentes&#8221;, de Wilfried N&#8217;Sondé </figcaption></figure></div></div>
</div>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/dois-homens-entre-mundos/">DOIS HOMENS ENTRE MUNDOS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2025/12/dois-homens-entre-mundos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">45739</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
