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	<title>Arquivo de Afeganistão - Duas Linhas</title>
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	<title>Arquivo de Afeganistão - Duas Linhas</title>
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		<title>O respeito pelas mulheres, no Afeganistão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[cartoon de Hélder Dias / texto de Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Aug 2021 13:08:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Afeganistão]]></category>
		<category><![CDATA[direitos das mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[violação dos Direitos Humanos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A&#160;Associação Revolucionária das Mulheres do Afeganistão&#160;(RAWA) fez uma lista de 29 restrições e maus tratos impostos às mulheres durante os anos em que os taliban estiveram anteriormente no poder, no Afeganistão. As 29 restrições aplicadas pelos talibãs às mulheres, segundo a RAWA: Proibidas de trabalhar:&#160;Existia a proibição total do trabalho feminino fora de casa. Apenas [&#8230;]</p>
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<p>A&nbsp;<a href="http://www.rawa.org/rules_sp.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Associação Revolucionária das Mulheres do Afeganistão</strong></a>&nbsp;(RAWA) fez uma lista de 29 restrições e maus tratos impostos às mulheres durante os anos em que os taliban estiveram anteriormente no poder, no Afeganistão.</p>



<p><strong>As 29 restrições aplicadas pelos talibãs às mulheres, segundo a RAWA:</strong></p>



<ol class="wp-block-list" type="1"><li><strong>Proibidas de trabalhar:</strong>&nbsp;Existia a proibição total do trabalho feminino fora de casa. Apenas algumas médicas e enfermeiras tinham permissão para trabalhar em alguns hospitais de Cabul (capital do Afeganistão).</li><li><strong>Completa proibição de qualquer tipo de atividade fora de casa:</strong>&nbsp;As mulheres só podiam sair de casa se fossem acompanhadas pelo marido ou por um familiar masculino como pai, avô, irmão ou filho.</li><li><strong>Proibidas de realizar negócios com comerciantes do sexo masculino.</strong></li><li><strong>Proibidas de ser tratadas por médicos homens.</strong></li><li><strong>Proibidas de estudar:</strong>&nbsp;As mulheres não tinham permissão de andar na escola, universidade ou qualquer outra instituição educativa. As escolas para raparigas foram convertidas pelos talibãs em seminários religiosos.</li><li><strong>Obrigadas ao uso de um longo véu (burca) que as cobre da cabeça aos pés.</strong></li><li><strong>Podiam ser chicoteadas, espancadas e vítimas de abusos verbal:</strong>&nbsp;A mulheres que não se vistam de acordo com as regras dos talibãs ou que não estejam acompanhadas pelo marido ou por um familiar masculino podiam ser vítimas de violência física e verbal.</li><li><strong>Podiam ser chicoteadas em público as mulheres que não escondessem os tornozelos.</strong></li><li><strong>As mulheres acusadas de ter relações sexuais fora do casamento eram condenadas ao apedrejamento público até à morte.</strong></li><li><strong>Proibidas de usar produtos de cosmética:</strong>&nbsp;Não podiam usar por exemplo maquilhagem nem verniz. Houve casos de mulheres que, por usarem verniz nas unhas, tiveram os dedos amputados.</li><li><strong>Proibidas de falar ou apertar a mão a homens:&nbsp;</strong>Só o podem fazer aos maridos ou familiares.</li><li><strong>Proibidas de rir em voz alta:</strong>&nbsp;Os talibãs consideravam que ninguém estranho à mulher poderia ouvir a sua voz.</li><li><strong>Proibidas de usar saltos altos que produzissem som ao caminhar:</strong>&nbsp;Os homens não podiam ouvir os passos de uma mulher.</li><li><strong>Proibidas de apanhar um táxi:&nbsp;</strong>Só o podiam fazer acompanhadas pelo marido ou familiares do sexo masculino.</li><li><strong>Proibição da presença feminina na rádio, televisão ou reuniões públicas de qualquer natureza.</strong></li><li><strong>Proibidas de praticar desportos ou entrar em qualquer clube desportivo.</strong></li><li><strong>Proibidas de andar de bicicleta ou mota:&nbsp;</strong>Só o podiam fazer se fossem acompanhadas pelo marido ou familiar do sexo masculino.</li><li><strong>Proibidas de usar roupas de cores vivas:</strong>&nbsp;Para os talibãs, as cores vivas eram consideradas “cores sexualmente atraentes”.</li><li><strong>Proibidas de reunir para festividades:&nbsp;</strong>Como para os Eids, as celebrações em nome de Alá.</li><li><strong>Proibidas de lavar roupa nos rios ou praças públicas.</strong></li><li><strong>Modificação de todos os nomes de ruas e praças que incluíam a palavra “mulher”:&nbsp;</strong>Por exemplo o nome “Jardim das Mulheres” passou para “Jardim da Primavera”.</li><li><strong>Proibidas de espreitar das varandas do seu apartamento ou casa.</strong></li><li><strong>Todas as janelas das casas tinham de ser opacas:</strong>&nbsp;Esta obrigatoriedade tornava impossível que alguém da rua conseguisse ver as mulheres dentro das suas casas.</li><li><strong>Alfaiates masculinos não podiam medir, nem costurar roupas femininas.</strong></li><li><strong>Proibidas de utilizar casas de banho públicas.</strong></li><li><strong>Não podiam viajar no mesmo autocarro que os homens:</strong>&nbsp;Existia uma distinção entre os autocarros para homens e os para mulheres.</li><li><strong>Proibidas de usar calças largas:&nbsp;</strong>Mesmo que fossem usadas por baixo da burca, as calças largas continuavam a ser proibidas.</li><li><strong>Proibição de fotografar ou filmar mulheres.</strong></li><li><strong>A impressão de imagens de mulheres em revistas, livros, ou penduradas em casas ou lojas eram proibidas.</strong></li></ol>



<p>&#8220;Respeito&#8221; inspirador do cartoon de Hélder Dias.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/G6ykQHB.jpg" alt="" class="wp-image-11612" /></figure>



<p></p>
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		<title>Cai a noite no Afeganistão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[cartoon de Hélder Dias / texto de Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Aug 2021 00:02:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Afeganistão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O passado dos taliban não abona a favor deles. O que se passou no Afeganistão nas últimas décadas, não abona a favor de ninguém. Todos os políticos são cínicos, mas alguns abusam. Fizeram uma guerra para experimentar drones e aperfeiçoar bombas com GPS. Os acionistas do complexo industrial militar dos Estados Unidos enriqueceram até à [&#8230;]</p>
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<p>O passado dos taliban não abona a favor deles. O que se passou no Afeganistão nas últimas décadas, não abona a favor de ninguém. Todos os políticos são cínicos, mas alguns abusam. Fizeram uma guerra para experimentar drones e aperfeiçoar bombas com GPS. Os acionistas do complexo industrial militar dos Estados Unidos enriqueceram até à 5ª geração, inimputáveis assassinos dos que enchem valas comuns.</p>



<p>Cai a noite no Afeganistão. Não há nenhuma razão válida para duvidarmos que vai ser uma noite longa povoada de terror.</p>



<p>O cartoon é de Hélder Dias.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/2IYlpAn.jpg" alt="" class="wp-image-11527"/><figcaption>cartoon de Hélder Dias </figcaption></figure>



<p></p>
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		<title>No reino da burka e da papoula</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Hélder de Sousa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Aug 2021 23:02:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Afeganistão]]></category>
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		<category><![CDATA[taliban]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O assunto não é de hoje mas vai-se agravar nos tempos que se aproximam agora depois do regresso ao poder dos chamados &#8220;insurgentes&#8221;.&#160;&#160;Grande percentagem da população afegã vive da plantação da papoula e todas as medidas ingenuamente tomadas para travar esse negócio esbarraram nas reações das populações que receavam perder&#160;o sustento da família. O Afeganistão [&#8230;]</p>
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<p>O assunto não é de hoje mas vai-se agravar nos tempos que se aproximam agora depois do regresso ao poder dos chamados &#8220;insurgentes&#8221;.&nbsp;&nbsp;Grande percentagem da população afegã vive da plantação da papoula e todas as medidas ingenuamente tomadas para travar esse negócio esbarraram nas reações das populações que receavam perder&nbsp;o sustento da família. </p>



<p>O Afeganistão representa 84 por cento da produção de ópio a nível global. Segundo um relatório&nbsp;do UNODC (o departamento de estudo de drogas e crime da ONU) divulgado em Maio passado, o cultivo de papoula aumentou 37 por cento em plena pandemia da COVID-19.&nbsp;Em 1979, quando os russos entraram no Afeganistão, a produção de ópio não ultrapassava as 200 toneladas. Em 1988, pouco antes da retirada russa, atingia as 1.000 toneladas.&nbsp;Durante a guerra civil entre 1990 e 1994, a produção foi de 3.426 toneladas. Em 1999 chegava às 4.565 toneladas. Depois caiu devido às medidas tomadas pelo poder talibã em 2001. Mas retomou ainda com mais vigor nos anos seguintes. É duvidoso que os novos senhores de Cabul cedam às pressões internacionais e ilegalizem&nbsp;a produção da planta. </p>



<p>Mas nem só de droga vive o país. No ambiente de guerra e miséria, sob o solo do país residem tesouros de riquezas minerais como cobre, lítio,&nbsp;ouro, cobalto, ferro,&nbsp; num potencial incalculável. Há uma certa forma de &#8220;ingenuidade&#8221; do dito Ocidente em relação aos talibãs/mujahidin depois dos 10 anos de ocupação russa e dos sempre presentes Estados Unidos da América que para lá foram em 2001, depois do 11 de Setembro. Os americanos valorizam a ocupação com o facto de terem apanhado o Bin Laden no Paquistão, como uma grande vitória sobre os mujahedins e a Al-Qaeda como justificação suficiente da sua presença no território. </p>



<p>Os talibãs nunca saíram de cena desde o tempo dos russos entre 1979 e 1989 e os americanos andaram a municiar os talibãs a partir do Paquistão contra os russos, dando-lhes misseis entre armamento diverso, Agora, retiram-se com piedosos apelos de &#8220;respeito pelos direitos humanos&#8221; e esperança de que os novos senhores do Afeganistão sejam mais tolerantes e aceitem negociar direitos humanos. </p>



<p>Pergunto-me em que mundo a chamada civilização ocidental pensa que está a viver em relação a fanáticos religiosos. Os russos saíram de lá de cabeça baixa depois de perderem 15.400 soldados mortos e 50.000 feridos, 800 aviões e helicópteros, 1.500 tanques e 30 mil milhões de dólares gastos. Do lado afegão, os números são dramáticos: 90.000 mujahidin mortos, 75.000 feridos e entre 562.000 a dois milhões de mortos civis durante a guerra. O Afeganistão não sabe o que é viver em paz há mais de 40 anos. Nos últimos dez morreram mais de 100.000 civis em conflitos no país, segundo a missão da ONU. </p>



<p>Após 20 anos de ocupação, os americanos retiram-se sem honra nem glória perante cenas dramáticas retratadas pelas televisões em Cabul. Receia-se uma nova vaga de refugiados. À Turquia chegam em média 2.000 refugiados/dia. Fala-se de catástrofe humanitária. Mais uma a adicionar às anteriores. &nbsp;</p>



<p></p>
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