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	<title>Arquivo de a vida tal como ela é - Duas Linhas</title>
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	<title>Arquivo de a vida tal como ela é - Duas Linhas</title>
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		<title>ESTAR MORTO ANTES DE MORRER!&#8230;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 09:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Comentava, há dias, com uma colega o facto de amigo comum não responder às mensagens, mesmo àquelas a que, em princípio, ele teria, por obrigação de ofício, uma palavra a dizer. – Está morto! – retorquiu-me ela. – Morto, como? – Não sabes? É a nova moda: faz-se de conta que se não existe, não [&#8230;]</p>
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<p>Comentava, há dias, com uma colega o facto de amigo comum não responder às mensagens, mesmo àquelas a que, em princípio, ele teria, por obrigação de ofício, uma palavra a dizer.</p>



<p>– Está morto! – retorquiu-me ela.</p>



<p>– Morto, como?</p>



<p>– Não sabes? É a nova moda: faz-se de conta que se não existe, não se atende o telefone, não se fala para ninguém…</p>



<p>Fiquei abismado.</p>



<p>E raciocinei: de facto, três ou quatro dos meus antigos alunos, agora já colegas, com quem eu tivera maior relacionamento, inclusive de trabalho, morreram desta maneira!&#8230;</p>



<p>Metem-me dó! Ficam velhos antes do tempo. Carregam, sozinhos, pesada cruz, quando havia cireneus capazes de os ajudar, &nbsp;«Olá, bom dia! Como estás?»… Não há bons-dias nem boas-noites, nem festas felizes!&#8230;</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Tenho o privilégio de o construtor da minha casa ter usado tijolos furados, na parede exterior da minha casa-de-banho. Encanta-me o final da tarde, quando o sol começa a pôr-se, lá para as bandas do Guincho, porque, nessa altura, começa o rodopiar de umas duas dezenas de pardais. Pousam na buganvília, na romãzeira, nos fios do telefone e da eletricidade. Conversam animadamente uns com os outros. E, pouco a pouco, entra cada um num dos buracos. Saem. Dão uma espreitadela aos demais e acabam por se aninhar cada um no seu buraco.</p>



<p>Encanta-me vê-los, aconchegados, mesmo junto ao vidro interior. Uma comunidade!</p>



<p>Durante a jornada – que começa para eles assim que alvorece e vão à vida – não sei se andam juntos ou não. Sei que passam a noite connosco.</p>



<p>Vou para a cama, amiúde, a pensar nesses meus colegas e amigos que não são como os “meus” pardais: não convivem, estão mortos antes de morrer!</p>
</div></div>
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		<title>MEMÓRIAS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 14 Mar 2026 12:30:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Polícias & Ladrões]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[a vida tal como ela é]]></category>
		<category><![CDATA[programa Casos de Polícia]]></category>
		<category><![CDATA[SIC]]></category>
		<category><![CDATA[sistema prisional]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ele possui uma memória fotográfica fantástica e reconheceu-me de quando, já há mais de 20 anos, trabalhei num canal de televisão.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>“O inferno ou o paraíso estão na nossa cabeça”, diz um homem cinquentenário que já passou metade da sua vida na cadeia, entre entradas e saídas, idas e regressos.</p>



<p>Foi uma conversa ocasional, de uma mesa de café para outra. Ele possui uma memória fotográfica fantástica e reconheceu-me de quando, já há mais de 20 anos, trabalhei num canal de televisão.</p>



<p>A conversa fluiu nessas memórias e foi direitinha ao “Casos de Polícia”, um programa de Informação na SIC que marcou o panorama mediático dos anos 90. Pela primeira vez, discutia-se sistematicamente a aplicação de justiça na televisão portuguesa. Mais do que o assalto, queriamos saber das razões do assaltante, questionavamos insistentemente os actos de violações dos direitos humanos, a violência policial, as iniquidades do sistema. Ele lembrava-se disso tudo.</p>



<p>Depois falou-me um pouco da sua história.</p>



<p>“Imagine viver numa cela com mais cinco ou seis, com a pia a 60 centímetros do beliche onde passa a maior parte do dia.” Viver numa cadeia é um horror e o discurso deste tipo não permite ter dúvidas quanto a isso.</p>



<p>“O ruído dos avisos sonoros pelo altifalante, que se ouvem até na rua”, afirmação fácil de constatar para quem passe na porta do EPL, por exemplo. “O barulho na cantina”, “a pressão dos reclusos agressivos”, “a brutalidade dos guardas”, tudo coisas que provocam um grande stress emocional e “é preciso aprender a viver com isso, encontrar mecanismos mentais que nos ajudem a passar o tempo com a serenidade possível”, confessa este ex-recluso.</p>



<p>Como não é possível ir dar uma volta de carro até à praia para espairecer, a única via de fuga é deixar o pensamento viajar. Alguns refugiam-se nas drogas, como via de escape. Em alguns aspetos a vida na prisão não é muito diferente da vida fora dela. Ter bom comportamento é uma coisa, encontrar paz é outra coisa.</p>



<p>“A paz é sempre difícil de encontrar, mesmo fora da cadeia”diz ele, com o conhecimento de causa de quem já passou metade da vida dentro e outra metade fora. “Ter uma religião ajuda”, confessa. “A oração pode ser um bom método de alienação, de acreditar que milagres acontecem”, diz. Mas acrescenta que seria melhor se o sistema prisional criasse melhores condições de vida, proporcionasse melhores condições para estudar ou aprender alguma profissão, que o sistema se preocupasse genuinamente com a reinserção social de quem praticou crimes.</p>



<p>No caso específico deste homem, os vinte e tal anos que já soma de penas cumpridas foram tempo perdido. Não estudou, aprendeu a dissimular. Não se regenerou, especializou-se em novos tipos de crime. “Mais tarde ou mais cedo, volto a ser apanhado e regresso aquela casa”, referindo-se às prisões portuguesas.</p>



<p>Um destino sem escapatória, que não é apenas um caso de polícia.</p>
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		<title>FLAGRANTES DA VIDA REAL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Mar 2026 21:00:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
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		<category><![CDATA[ser professor]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Alberto Ramos foi um daqueles amigos do peito que todos gostamos de ter</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Alberto Ramos foi um daqueles amigos do peito que todos gostamos de ter. Antigo aluno salesiano, seguiu a carreira musical, foi professor de História no Ensino Preparatório e aposentou-se como docente na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Amiúde meu companheiro de viagem entre Coimbra e a Gare do Oriente, partilhávamos, naturalmente, muitas das peripécias do quotidiano. E ele tinha-as a rodos!</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><em><strong>Revoluções</strong></em></h4>



<p>Uma delas contou-ma um dos seus antigos alunos dos primeiros tempos.</p>



<p>O professor entrou na aula, na manhã do 25 de Abril. Nós estávamos excitados. E, creio, até que um pouco medrosos, ao que ele nos tranquilizou:</p>



<p>– É uma revolução! Não estudámos nós já, na História, uma série delas? Há alguma agitação; mas, afinal, tudo se acalma e renova. Vamos, pois, aguardar que tudo se passará bem.</p>



<p>– E nós sossegámos – garantiu-me esse antigo aluno.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><em><strong>Morte</strong></em></h4>



<p>Outra me contou ele, de algum tempo depois do 25 de abril, quando começaram as reivindicações.</p>



<p>Entrou na sala de aula. Era dia de ponto escrito. Apercebeu-se que havia uma frase a giz no quadro. Foi até à secretária, como era seu hábito. Tirou os enunciados. Deu as indicações para o preenchimento dos cabeçalhos. Certificou-se de que todos tinham folhas de ponto. Deu a distribuir os enunciados que policopiara. Não havia dúvidas? Podiam começar!</p>



<p>Como era seu costume em dia de ponto – e sempre, aliás – saiu da secretária e dispôs-se a ir passear pela sala. Silêncio sepulcral. Agora é que ele vai ver! Escrito no quadro estava MORTE AO DR ALBERTO. &nbsp;Calmamente, Alberto foi até ao quadro. Pegou no giz. Ainda mais sepulcral se fez o silêncio. Todas as esferográficas quietinhas. Entre a palavra MORTE e a palavra AO abriu ele uma chaveta e escreveu: IMEDIATA. Gargalhada geral. De novo, o silêncio. As esferográficas voltaram a escrever.</p>
</div></div>



<h4 class="wp-block-heading"><em><strong>Olhos de ver cão</strong></em></h4>



<p>Nesse âmbito – e dizia-me que o aprendera na escola salesiana – um outro episódio, este já da Universidade.</p>



<p>Um dos alunos olhava para ele com ar estranho, um tudo-nada provocante. O Alberto não hesitou:</p>



<p>– Não olhes para mim com esses olhos com que olhas prós cães!</p>



<p>E o estudante também não hesitou em replicar:</p>



<p>– Ó doutor, eu para os cães olho com ternura!</p>



<p>– Boa resposta, amigo, boa resposta! Parabéns! – sublinhou assim o Alberto a gargalhada geral.</p>



<p>E a explicação da matéria continuou.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><em><strong>Inês</strong></em></h4>



<p>Ainda nesse contexto de uma atitude especial do docente poder influenciar toda uma vida, positiva ou negativamente, o caso que mais o impressionara, confidenciou-me, foi o de uma senhora sua ex-aluna, já formada, de que ele até já nem se lembrava bem.</p>



<p>Ao encontrá-lo na Baixa de Coimbra, veio saudá-lo com um beijo, identificou-se &nbsp;e convidou-o para um café. Confidenciou-lhe:</p>



<p>– De certeza que não se lembra de mim. No meu primeiro ano, eu ousei entrar na sua aula a meio. Sentei-me e o professor andava pela sala a explicar a matéria, como costumava fazer. Deve ter reparado em qualquer coisa de estranho, quando eu entrei e depois. O certo é que, ao passar por mim pela segunda vez, me acariciou o cabelo e me segredou: «Não penses nisso! Vai correr tudo bem, acredita!». Tem alguma ideia porque é que eu me atrasara? De facto, apesar do atraso, nesse dia eu não queria mesmo faltar à sua aula. Se calhar, para receber aquela carícia, sabe-se lá!&#8230; Eu vinha do tribunal, doutor, onde acabara de ser decretado o meu divórcio!&#8230; Ainda não tinha 21 anos e um filho nos braços. Nunca mais me esqueci das suas palavras! Estou-lhe muito grata. Já passaram mais de 10 anos! Obrigado!</p>
</div></div>
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		<title>MANUEL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Helena Ventura Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Feb 2026 10:00:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O QUE DIZ HELENA]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[a vida tal como ela é]]></category>
		<category><![CDATA[amor entre pai e filha]]></category>
		<category><![CDATA[amor incondicional]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os aromas do amor incondicional</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Aos sábados ele acordava às sete horas, eu às onze. As minhas viagens nocturnas pelas azinhagas de um livro, varavam a madrugada. Precisava de compensar o sono.</p>



<p>Ele despertava-me mais cedo, com uma maçã minúscula esmagada contra a persiana com a precisão de um raio. E eu lá tinha de apear-me à pressa do cavalo do sonho, quando atingia a orla das praias e desertos que queria atravessar.</p>



<p>Irritada abria a janela, mas o sol de Setembro entrava-me pelo quarto com o perfume das videiras recém-amputadas dos cachos. Alguns já secavam em pratos rasos de vime ao lado das passas de figo, sobre a cobertura do tanque, a nossa piscina de 20 m2.</p>



<p>Depois eram os talhões de flores divididos por aromáticas, jardins de plantas diferentes, cada qual com sua árvore dominante bem no centro. Tudo como nos livros que comprava, para saciar a vontade de terra e plantas que a cidade onde nascera lhe negava.</p>



<p>Talvez nunca mais tenha comido grelhados tão saborosos como aqueles, antes do sino fazer soar as doze badaladas sob o telheiro de apoio a essas actividades do quintal ajardinado.</p>



<p>Ainda não gosto de passas, nem de compota de marmelo. Gosto dos cheiros de Setembro com o sol lá dentro, a festa simples do dia 23 com o Verão a derramar almudes de luz adocicada ao cair da tarde. E ainda gosto mais da projecção dessa luz na pantalha da memória.</p>



<p>Era quando as nossas conversas, em voz baixa, congregavam o silêncio receptivo dos pássaros, já aninhados nos cotovelos dos ramos. Falávamos de tudo, mais ainda de Geografia, quando se lhe ampliava na memória o desejo de correr mundo.</p>



<p>Faltava lá o senhor Francisco Lobo para anotar o momento num poema ao seu jeito. Mas tinha acabado de partir&#8230; E desajeitados, alinhávamos nós versos com rima e muita desconexão desatada em gargalhadas.</p>



<p>Que importava que não fizessem sentido, se tudo o resto fazia?</p>



<p>Lisboa havia de afastar-nos pelo que ele dizia um capricho e eu baptizava de liberdade de escolha. Não queria o curso que me propunha. Ele queria ver-me no caminho da autonomia para poder realizar o sonho de partir&#8230;</p>



<p>O sonho foi-lhe interdito. Outro tinha ocupado o seu lugar. O mais longe que ousaria era Lisboa, pela necessidade imperiosa de encontrar o ”amigo” que lhe ficara, pela segunda vez, com o capital para abrirem uma empresa em conjunto.</p>



<p>Ninguém mais sabia desse fracasso. Fora educado para vencer. Podia um homem de 1.85, cheio de vivacidade, ser enganado por alguém, ou traído pelos sonhos?</p>



<p>Muitos invernos caudalosos ainda haviam de correr, mas Setembro ficaria salvo na memória pelo manto da saudade daquelas manhãs e tardes em Coimbra.</p>



<p>Os aromas do amor incondicional ainda repetem as estações que os anos vão baralhando: Setembro e os cheiros bons, Janeiro e a minha festa, um Verão em que nem estava presente para corresponder ao meu adeus.</p>



<p>Talvez lhe desse hoje um beijo pelo dia do Pai, pelo seu ou pelo meu aniversário, menos destemperada pela suavidade dos anos. Talvez lhe dissesse que nenhum afastamento tem de ser uma ruptura.</p>



<p>O amor não morre, só se deixa esmaecer sob as vestes das desilusões que os anos vão sobrepondo, Manuel.</p>
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		<title>A mão de Annan</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Helena Ventura Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Dec 2025 11:13:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O QUE DIZ HELENA]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[a vida tal como ela é]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
		<category><![CDATA[Cairo]]></category>
		<category><![CDATA[Grande Museu do Egipto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Conheceram-se no Cairo eram ainda mais jovens</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Não a conheço pessoalmente a ela, é uma jovem senhora egípcia de sorriso encantador. Ele é português de sorriso cativante e anda pela mesma idade.</p>



<p>Conheceram-se no Cairo eram ainda mais jovens, num projecto multidisciplinar da UE, fez há duas semanas 22 anos. Muito tempo, mas sempre mantiveram, pelas redes sociais, por telefone, uma ligação forte como fio de seda a que chamo <strong>Amizade.</strong></p>



<p>Ele contava-lhe que constituíra família, ia dando novidades da evolução do trabalho, das actividades paralelas que praticava, sem nunca lhe perguntar uma palavra da vida pessoal. Sabia dela o que ela queria contar.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Recentemente ele foi mergulhar no Mar Vermelho integrado num grupo de mais cinco amigos. Numa mensagem informou-a de que passaria pelo Cairo, novamente.</p>



<p>Quando pousaram de novo na cidade, terminada a actividade do grupo, e saído ele de um acidente descompressivo e infecção bacteriana num ouvido, estava ela à espera para lhe fazer uma surpresa e rever o Amigo que não via há tanto tempo. O cabelo de ambos embranquecera, o sorriso mantinha-se inalterado.</p>



<p>Os colegas do grupo dele acharam-na encantadora. Agilizou a compra dos bilhetes para entrarem no Grande Museu do Egipto (GEM) o maior museu antropológico do mundo dedicado a uma só civilização. Chegou-se à bilheteira donde partia uma fila interminável de pessoas e comprou os ingressos para todos.</p>



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<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="886" height="533" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-6.png" alt="" class="wp-image-46011" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-6.png 886w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-6-300x180.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-6-768x462.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-6-696x419.png 696w" sizes="(max-width: 886px) 100vw, 886px" /></figure></div></div>



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</div>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Fez com eles parte da visita. Ainda ensinou a um dos funcionários, que impedia certos visitantes de tocarem uma placa com gravuras em relevo e escrita em Braille, que era mesmo para ser tocada por pessoas com deficiência visual, para que entendessem a figura que representava o que liam.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
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</div>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-3 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1005" height="602" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-5.png" alt="" class="wp-image-46016" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-5.png 1005w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-5-300x180.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-5-768x460.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-5-696x417.png 696w" sizes="auto, (max-width: 1005px) 100vw, 1005px" /></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="997" height="702" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-3.png" alt="" class="wp-image-46017" style="width:445px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-3.png 997w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-3-300x211.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-3-768x541.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-3-696x490.png 696w" sizes="auto, (max-width: 997px) 100vw, 997px" /></figure></div></div>
</div>



<p>À hora de almoço indicou-lhes o melhor restaurante do espaço, mas recusou o convite para almoçar com eles. Afinal ainda tinha de vencer três horas de viagem para chegar a sua casa em Alexandria.</p>



<p>Resistiu em aceitar o valor da compra dos bilhetes. E com o sorriso mais simpático do mundo, despediu-se de todos e do Amigo, com a ternura de uma <strong>Cumplicidade</strong> sempre baseada no respeito e nos mesmos interesses culturais.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Quando eles saíam do restaurante confortados com a comida e com a camaradagem, avistaram-na a correr para eles carregada de presentes que fora comprar naquele intervalo: uma lembrança para cada um.</p>



<p>A <strong>Dignidade</strong> não lhe permitia aceitar a devolução do que quisera oferecer espontaneamente: o valor dos bilhetes. Só depois se despedia de vez sem olhar para trás e corria para apanhar o transporte.</p>



<p>Já tinha aprendido há muitos anos, mas voltei a escrever umas notas para me situar neste tempo entretecido de equívocos. Vivemos entre os que julgam <strong>ter</strong> tudo, mas a quem falta o respeito pelos que, parecendo menos afortunados materialmente, têm o privilégio da riqueza cultural e humana.</p>



<p>Assistimos ao patético julgamento de pessoas ou povos com base em preconceitos injustificados. Pensam muitos que alguém com nível de vida inferior, não pode ter superior capacidade cognitiva e um código de valores mais consistente.</p>



<p>E tendo viajado, interagido com empatia, nunca menosprezar uma <strong>Amizade</strong> que está longe. Ela pode resistir ao passar dos anos mantendo-se na sua forma mais pura.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Poderá esta ser uma história de <strong>Natal?</strong></p>



<p>Vamos desembrulhar mais este conceito, porque é urgente fazê-lo nestes dias, para saborear o aroma do primeiro “doce” de um pacote que esperamos como prenda duradoura.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="485" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/texto-intercalar-1024x485.png" alt="" class="wp-image-46019" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/texto-intercalar-1024x485.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/texto-intercalar-300x142.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/texto-intercalar-768x364.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/texto-intercalar-1536x727.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/texto-intercalar-696x330.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/texto-intercalar-1392x659.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/texto-intercalar-1068x506.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/texto-intercalar-1320x625.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/texto-intercalar.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Um nome e uma mão tocando os simbolos de acessibilidade em Braille, neste Museu onde Tutankamon é a estrela principal.</p>
</div></div>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/a-mao-de-annan/">A mão de Annan</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>À SOMBRA FRESCA DOS CASTANHEIROS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Sep 2025 08:00:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[UM CRONISTA DE PROVÍNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[a vida na aldeia]]></category>
		<category><![CDATA[a vida tal como ela é]]></category>
		<category><![CDATA[memórias de infância]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Não sei quantas vezes me acoitei no tronco esburacado desses castanheiros velhinhos, inventando mágicas cavernas de contos antigos</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>De um tempo de infância me ficaram as suaves memórias de um colo de mãe, de um terno aconchego de colo de madrinha, do chale de felpo, como ela chamava o chale de lã que, tantas vezes, me serviu de agasalho.</p>



<p>De um tempo de infância eu guardo o desenho da minha aldeia, essa pequena cidade para mim perfeita, rumorejante enquanto o arco de sol a batia, silenciosa e dormente depois da hora em que o sino da torre tocava Ave-Marias.</p>



<p>De um tempo de infância me ficou essa viva memória da sombra dos castanheiros da pequena Quinta de meu pai, uma espécie de paraíso como aquele que Javé deu a Adão. Só mais pequenino.</p>



<p>E havia lá todas as árvores de fruto. Macieiras, pereiras, cerejeiras, ameixieiras, pessegueiros, figueiras. Havia as nozes das nogueiras, avelãs das aveleiras. E havia os castanheiros com troncos tão largos que parecia terem vindo dos tempos de Adão. E havia os morangos silvestres, as amoras. E as tílias das quais minha mãe colhia a flor com a mesma graça com que colhia as flores de uma roseira. E, ao contrário de Adão, eu podia comer de todos os frutos da Quinta de meu pai, ao Valbom, que assim lhe chamava a gente. Na distância havia os pinheirais.</p>



<p>Talvez meu berço ali tivesse descansado alguma vez, à sombra dos castanheiros e o rumorejar da folhagem e o cantar das rolas, no estio, e o rítmico picar do pica-pau abrindo o ninho seriam canto de embalo para os meus sonos de infante.</p>



<p>Não dei conta, mas eu cresci à sombra destes gigantes bons, os castanheiros da Quinta do Valbom, que assim lhe chamaram meus avós.</p>



<p>Meus braços nunca puderam abraçar os velhos troncos desses castanheiros, que iam a caminho de mil anos, mas os gestos das minhas mãos eram mansos, passeando sobre a aspereza da pele desses gigantes, que o tempo marcara de sinais.</p>



<p>Não sei quantas vezes me acoitei no tronco esburacado desses castanheiros velhinhos, inventando mágicas cavernas de contos antigos ou tão só armando com ramos casinhas de brincar de uma cidade fingida.</p>



<p>Mais tarde, longínquos dias de verão de que recordo cantares de ceifeiros, sentava-me, às vezes, naqueles alongados braços desses gigantes pacientes e bons que balouçavam comigo sem que eu desse alguma vez conta de um ai.</p>



<p>Lembro-me das abelhas voltejando, lembro-me do mel dos cortiços de meu pai, tinha a cor do ouro e o sabor, dizia ele, do pendão dos castanheiros. E das castanhas caindo com os ventinhos de outono, de minha mãe, da cesta cheia, dessa inesquecível cor de rubi das castanhas martainhas, e dos magustos nas eiras, dos cachos maduros, da vindima, da festa no lagar, do vinho novo, do púcaro de castanhas na lareira, desse manto de ouro da folhagem macia com que os vestia o Criador antes que adormecessem de cansados, antes que a neve descesse para os agasalhar, antes que o vento soprasse e eles, de tão velhinhos, ofereciam os braços e deixavam-se embalar.</p>
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		<title>CASCAIS, O MERCADO DA VILA ANTIGO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Aug 2025 18:12:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[a vida tal como ela é]]></category>
		<category><![CDATA[antigo mercado municipal de Cascais]]></category>
		<category><![CDATA[Cascais]]></category>
		<category><![CDATA[memórias de infância]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Minha mãe sabia quem tinha os melhores queijos, a boa batata, o feijão verde tenrinho, sabia o que ia comprar</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Admirava as quintas-feiras da minha mãe. Arranjava-se logo cedo, pegava na alcofa, via quanto lhe restava no porta-moedas, ia até à paragem e apanhava a carreira. Nessa altura, a Palhinha, ciente do interesse dos utentes, tinha paragem mesmo às portas da praça e aí minha mãe descia, não sem ter dado já dois dedos de conversa com as vizinhas, também elas de carreira para as compras semanais.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/cascais-transportes-2-1024x576.png" alt="" class="wp-image-43552" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/cascais-transportes-2-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/cascais-transportes-2-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/cascais-transportes-2-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/cascais-transportes-2-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/cascais-transportes-2-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/cascais-transportes-2-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/cascais-transportes-2-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/cascais-transportes-2-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/cascais-transportes-2.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>Minha mãe já sabia o que ia comprar e onde é que, por ser freguesa habitual, lhe poderiam fazer um preço mais em conta ou fechar os olhos ao prato da balança a pender para o lado ‘errado’, ou seja, o que beneficiava minha mãe. Sabia quem tinha os melhores queijos, a boa batata, o feijão verde tenrinho e, claro, não era toma-lá-dá-cá, que havia sempre «E a sua menina vai melhor?», «Hoje, o seu marido não pôde vir?», «Aconselha-me este melão? Não parece de mau aspecto, já sabe como é o meu marido com respeito aos melões…».</p>



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<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-antigo-11-1024x576.png" alt="" class="wp-image-43555" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-antigo-11-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-antigo-11-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-antigo-11-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-antigo-11-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-antigo-11-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-antigo-11-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-antigo-11-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-antigo-11-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-antigo-11.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-antigo-12-1024x576.png" alt="" class="wp-image-43556" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-antigo-12-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-antigo-12-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-antigo-12-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-antigo-12-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-antigo-12-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-antigo-12-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-antigo-12-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-antigo-12-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-antigo-12.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div></div>



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<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-antigo-13-1024x576.png" alt="" class="wp-image-43557" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-antigo-13-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-antigo-13-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-antigo-13-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-antigo-13-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-antigo-13-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-antigo-13-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-antigo-13-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-antigo-13-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-antigo-13.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div></div>
</div>



<p>O melhor da festa era na praça do peixe. Minha mãe tinha as suas peixeiras favoritas, conhecia-as há anos, até porque, nos outros dias da semana, elas ‘viravam’ varinas e até, se fosse preciso, passavam lá por casa à hora de almoço: «Ti Anrique, hoje vai esta tecazinha para acabar?». O meu pai retorquia: «Tens aí meio cento de carapaus!». «Qual o quê? Três quarteirões!». Brincavam. Meu pai fora arrieiro em jovem, conhecia o peixe como as suas próprias mãos… E, afinal, pouco passava de meio cento. A teca ficava arrematada e a menina Sara lá dava por terminada a volta do dia.</p>



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<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-peixe-2-1024x576.png" alt="" class="wp-image-43559" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-peixe-2-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-peixe-2-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-peixe-2-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-peixe-2-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-peixe-2-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-peixe-2-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-peixe-2-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-peixe-2-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/mercado-peixe-2.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div></div>



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</div>
</div>



<p>Voltando à minha mãe. De regresso da praça, lá se encontravam de novo as vizinhas, de alcofas carregadas, porventura um ramo de flores na mão. O chofer sabia que não havia pressas, para que tudo se pudesse acomodar a preceito.</p>



<p>Cenas que vivi, bem diferentes das que ora vivo na grande superfície anónima, de 3 ou 4 empregados a andar pelos corredores, na sua maioria, brasileiros e a quem só <em>in extremis</em> perguntamos pelas tostas integrais ou «onde é que encontrarei eu anchovas?», porque até há receio de os incomodar. Na caixa já não se pergunta pelo marido nem pela filha, porque esta senhora da caixa já não é das antigas e até parece que autómato ali está a fazer um frete, «quando é que serão horas de eu acabar o turno?&#8230;». Constrangemo-nos. Não se pode perder tempo, porque o cliente seguinte já está à espera. No entanto, fomos nós a escolher a fruta, a embalá-la, a pesá-la, para que, na caixa, nada disso haja a fazer Se for Senhora «do antigamente», ainda é capaz de dar os ‘dois dedos de conversa’, porque a vida são dois dias e uma pessoa precisa de respirar um bocadinho que não é nenhuma sangria desatada, lê código de barras, mais código de barras «e este está hoje avesso a leituras»…</p>



<p>No elevador, a ‘menina’ até nem tem voz apressada, agrada ouvi-la; mas, já se sabe, a porta abriu e há que sair já já, senão ela volta a fechar-se!&#8230;</p>
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		<title>ALGARVE, FÉRIAS, EMOÇÕES FORTES EM DIA DE COMPRAS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Aug 2025 17:46:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[a vida tal como ela é]]></category>
		<category><![CDATA[férias no Algarve]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>De férias na Arrifana. Pode parecer uma cena pacata, mas há dias e dias. Quando calha ir às compras, tudo pode acontecer...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Bom… no meio de tantas pessoas… aí estava eu de cesto com rodas pela mão… rumo às prateleiras munido do respectivo memorando caseiro, o tal auxiliar de memória, onde se anotam (<em>escreve, és um esquecido…</em>) os “artigos” necessários&nbsp; para casa. É que somos 14 pessoas, divididos por dois “AL”. Responsabilidade quase exclusiva dos “Entardecidos”… Ah, entardecidos somos, eu e a mulher. Não é meu hábito referir-me sobre os dois, como “cotas”, gíria africana, prefiro: <em>“entardecido”</em>. Muito mais “chic”… ah, e humorístico.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/inflacao-2-1024x576.png" alt="" class="wp-image-43521" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/inflacao-2-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/inflacao-2-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/inflacao-2-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/inflacao-2-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/inflacao-2-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/inflacao-2-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/inflacao-2-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/inflacao-2-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/inflacao-2.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div></div></div>



<p>Na azáfama das compras, descobri um funcionário, com alguns “preçários luminosos”, na mão. Retirava um ou outro fixados nas prateleiras, junto aos produtos. Tirava e colocava, tirava e voltava a colocar novos. Pelo que eu via e percebia, alguns preços de produtos estavam a ser mudados. Se calhar já não se viam bem e alguém reclamou… Mas, pensei, ligando os meus habituais “desconfiómetros”: <em>“Isto só se faz depois da hora do fecho. Será que estavam produtos novos a serem descarregados, de camiões, nesta hora e tinha que ser tudo mudado? Se der sorte, tudo estava a ficar mais barato? Se assim era, abençoada gerência. </em>A verdade é que só tive uma conversa de um casal como “base” da minha habitual desconfiança. Dizia o marido, penso que era:</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p><em>&#8211; Manuela, juro-te que isto estava com um preço diferente. Eu tirei da prateleira e estava marcado por 4€99 e não 5€25. – Resposta da Manuela:</em></p>



<p><em>&#8211; É sempre o mesmo, nunca estás atento aos preços… como é que podia ser se eu li, agora mesmo, contigo ao lado, 5€25? Mas não faz mal, viste mal, paciência, anda que não temos tempo…</em></p>



<p>Fui ter com a minha mulher e contei-lhe o caso. Olhou para mim e disse:</p>



<p><em>&#8211; Se calhar recolocaram algum preço que não estava no local certo. Alguém reclamou…</em></p>



<p><em>&#8211; Não foi, eu vi o funcionário com montes de “tíquetes luminosos” com preços…</em></p>



<p><em>&#8211; Deixa isso, olha, todos lá em casa, estão à nossa espera… temos que nos despachar.</em></p>



<p>Pensei para “com os meus botões” (botões, até que não, nesta época nem um tenho): <em>“É a vida…”</em></p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Pelo caminho, depois de “levar” com uns cestos e uns carrinhos nas pernas, claro, tudo com pedidos de desculpas, acumulámos os géneros alimentares no cesto. Afinal estava a mostrar-se pequeno. Quase sempre escolho um só cesto… para ver se levo menos coisas, mas o que me adianta se a lista não é a minha? Nem a minha idade me serve de lição. A mulher diz que sou teimoso, penso que não, sou simplesmente um ser de “convicções”. E agora a propósito, se ela lesse esta conversa/desabafo… tinha, eu, um diálogo de “pé d’orelha”. Tudo a ver com a minha desconfiada teimosia…</p>



<p>Repare-se, é possível estas “coisas” acontecerem? Mudar preços para valores superiores sem justificação é aumentar a inflação? Estou a referir-me a uma presumível troca de tíquetes… com preçários novos… que sei eu… Devo ter visto e pensado incorrectamente.</p>



<p>Penso que nada do que especulo seja verdade… tanta gente, mas tanta gente no supermercado como cliente que não torna possível mudarem-se preços à noite… horas extraordinárias a pagar aos funcionários, mais despesa…não deve ser isso… vi mal, eu e o outro cidadão “casado” com a Manuela. E já agora, esta é para ti ó “Zecas” (nome do marido da Manuela, baptizado por mim): <em>“Estamos a ir muito bem, não há dúvida, quem nos dá crédito, meu?”</em></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="526" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/supermercado-3-1-1024x526.png" alt="" class="wp-image-43523" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/supermercado-3-1-1024x526.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/supermercado-3-1-300x154.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/supermercado-3-1-768x395.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/supermercado-3-1-1536x790.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/supermercado-3-1-696x358.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/supermercado-3-1-1392x715.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/supermercado-3-1-1068x549.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/supermercado-3-1-1320x678.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/supermercado-3-1.png 1642w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>&nbsp;“Estacionei” numa caixa onde me pareceu estarem menos compras, a julgar pelos conteúdos dos cestos que se apresentavam nas filas (antigamente eram bichas). Leitura rápida que todos fazem. Como a “coisa” estava demorada, um cidadão muito prestimoso veio informarmo-nos que nas caixas automáticas era mais rápido. A minha pedagogia de sempre, a actuar. Seja, meter o nariz onde não sou chamado:</p>



<p><em>&#8211; Veja se não colabora tão afincadamente, quantas mais caixas automáticas, mais colaboradores são dispensados… defenda-se. – Resposta:</em></p>



<p><em>&#8211; Estou só a cumprir as ordens que me deram…</em></p>



<p>Toma!</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A minha mulher fez questão de ir para lá porque estávamos atrasados, conceito sem o meu contraditório. Lá seguimos. Mais rápido, pese embora dois percalços porque dois produtos não queriam passar “confiança” ao leitor de barras e teve que vir o funcionário prestável. Tudo pago, toca a sair, factura simples na mão, passar pelo leitor de barras para abrir a “cancela” e… nada, não abria, não lia e não abria mesmo. Chamou-se o “prestável” que passou três vezes o nosso tíquete, de várias formas, da esquerda para a direita do leitor, da direita para a esquerda, de baixo para cima, de cima para baixo… nada, o leitor do código de barras entrou de embirração, ou meteu férias. Ah, já tínhamos “fila” atrás de nós. Foram experimentados outros talões e… nada… nós, dentro das “muralhas”, sem sair. Lá se escoava o tempo que queriamos que fosse curto no âmbito das compras e pagamento. Até que o que “cumpria ordens”, convidou todos os clientes das caixas automáticas, que já tinham pago, a saírem pêlo lado das caixas, normais, e que deviam ser continuadas e nuncas substituídas pêlo anti-social sistema.</p>



<p>Já com as compras arrumadas na mala do “boguinhas”, entramos e… Não é justo, tchi… li no sector de informação de bordo: 42,5 graus. Uma violência. A vida de quem cuida dos seus… em férias, é assim.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Agora chega o regresso, rumo a Arrifana, depois de toda a Odisseia. Curva para a esquerda, curva para a direita, conversa com a mulher a meu lado, como sempre fazemos. Vejo um descapotável a vir do outro lado da estrada, carrinho, aí dos anos sessenta. Três meninos de “Kappe’s”, a conduzi-lo, vinham atrás de uma carrinha de distribuição que seguia, claro, em sentido contrário ao meu. Pensei: “Assim que passarem por mim vou ver a marca e a boa reconstrução do “bólide”, de certeza que está bem feita, a observar pêlo vermelho brilhante do “brinquedo”. Eu, a pensar nisto e o bólide a querer “enfrentar-me”, bem na minha frente, saído de um “salto” da traseira da carrinha. Aquele brilhante condutor, deve ter pensado e apostado, que cabíamos os três, carrinha, ele e eu, lado a lado. Esta estrada é um tipo de estrada florestal mais ou menos bem conservada. Guinei para a berma, travei a fundo e entrei ligeiramente numa pequena vala de, presumo, escoante de águas pluviais. Atrás de mim, uma travagem bem sonora. Acto contínuo pensei: “Vou ficar sem traseira, no mínimo”. Não aconteceu.</p>



<p>Não é que o rapaz do volante, com képi, teve razão? Passámos mesmo ao lado uns dos outros, a roçar os espelhos retrovisores.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/malucos-ao-vomante-3-1024x576.png" alt="" class="wp-image-43524" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/malucos-ao-vomante-3-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/malucos-ao-vomante-3-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/malucos-ao-vomante-3-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/malucos-ao-vomante-3-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/malucos-ao-vomante-3-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/malucos-ao-vomante-3-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/malucos-ao-vomante-3-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/malucos-ao-vomante-3-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/malucos-ao-vomante-3.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>&nbsp;Pensei umas “palavras novas”. O condutor da carrinha verificou se o “cláxon” dele funcionava, se funcionava bem e até que funcionou a sério durante algum tempo. Eu ouvi. Mas… não consegui, sequer, ver a marca do carro, muito menos apitar. Se ele pensou que tive medo, está muito enganado!&#8230; Nem tive tempo para o ter!</p>



<p>Saí para perguntar ao cidadão que teve a destreza e a amabilidade de não me meter a traseira do carro “dentro”, se estava tudo bem com ele. O coitado tinha o carro mais dentro da pequena vala, do que tinha o meu. &nbsp;Respondeu-me: <em>“Viu este filho…”</em> Respondi-lhe que estamos sujeitos a este tipo de pilotagem nesta época. Continuou a olhar para o carro dele e com um abanar de ombros diz-me que saía de lá perfeitamente.</p>



<p>Que chatice estas coisas no verão, não conseguir ver a marca de um carro… mas que coisa!</p>
</div></div>



<p>A parceira de uma vida, “pedagoga de condução”, minha e dos outros, não disse nada durante 2 quilómetros. Devia estar entretida a observar a “gutação” nas estêvas que ladeiam o trajecto. O aspecto brilhante das folhas é interessante. A água em excesso é libertada pela planta, através de estruturas especiais, nas pontas das folhas, Foram baptizadas de hidatódios. O aspecto brilhante das folhas, tem a ver com açucares libertados que, com as minúsculas gotas, misturam-se e tornam a superfície das folhas pegajosas. O que eu sei… Deve ter sido nesta observação, que a dona Dé conseguiu um silêncio, mais ou menos, durante os dois quilómetros seguintes.</p>
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		<title>A RAINHA SANTA APARECEU</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Helena Ventura Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Jul 2025 18:46:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O QUE DIZ HELENA]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[a vida tal como ela é]]></category>
		<category><![CDATA[Convento de Santa Clara-a-Velha]]></category>
		<category><![CDATA[memórias de família]]></category>
		<category><![CDATA[memórias de infância]]></category>
		<category><![CDATA[Rainha Santa Isabel]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O avôzinho (dela) sabia onde está ainda escondido um tesouro no convento de Santa Clara</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/07/a-rainha-santa-apareceu/">A RAINHA SANTA APARECEU</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Já aqui falei da prima Laura, dos seus <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2023/06/olhos-verdes/">olhos verdes</a></strong> sorridentes, do primo Machado que dizia a tudo que sim com um aceno de cabeça. Jamais a contrariava. E assim viviam felizes para sempre&#8230;</p>



<p>Foram parte da <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2023/11/helena/">minha infância</a></strong>. E como os nomes se repetiam na família por respeito aos mais velhos, o meu avô, primo dela, era José Maria como o avô dele, meu trisavô e a prima Laura tinha sobrinhas, afilhadas e parentes todas com o mesmo nome.</p>



<p>Uma delas, sobrinha e afilhada, era prima-irmã da minha mãe.</p>



<p>Devo-lhe o conhecimento de toda a família desse meu avô materno, muito cedo separado da minha avó. Segredou-me as ligações, as preferências, as razões dos desaguisados e até histórias que valeriam fortunas&#8230;</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>O meu bisavô materno tinha um irmão que era uma “celebridade” em Coimbra: inteligente, ambicioso, simpático. Era projectista, mas chamavam-lhe erradamente arquitecto. Depois de vir para o Porto para frequentar Arquitectura, sim, voltou para casa a mando da sua Maria José, uma mulher pequenina tão persuasiva como um batalhão. Perdoava-lhe as conquistas de varão, quase sorria quando ele a chamava ao galinheiro para demonstrar</p>



<p><em>Maria José, quantas galinhas temos agora?</em></p>



<p><em>Sei lá, talvez umas 20&#8230;</em></p>



<p><em>Pois é&#8230; e galos?</em></p>



<p><em>Galos temos um, não vês?</em></p>



<p><em>Vejo&#8230;um galo para 20 galinhas&#8230;por que razão me atormentas?</em></p>



<p>E fazia-lhe um afago que logo a derretia. Afinal era dela o capital para sustentar a empresa que deixava nas mãos do irmão, meu humilde e fidelíssimo bisavô, enquanto tentava o curso lá no Porto.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>O tio Benjamim projectava primeiro a casa dele, de fachada muito estreita, numa ladeira hoje chamada António de Vasconcelos, naquele tempo Oriental de Mont&#8217;Arroio. Nela sobressaía a janela com uma esfera armilar e os suportes de cada lado da porta para sustentarem dois santos em calcário de Ançã, com cerca de meio metro de altura e doados ao Museu Machado de Castro.</p>



<p>A casa Benjamin Ventura parecia ter só rés-do-chão vista da rua principal, mas era&nbsp; constituída por três andares que das casas do outro lado, situadas na Avenida Sá da Bandeira, bem se viam.</p>



<p>Desenhou depois muitas outras moradias na&nbsp; cidade e arredores, os Paços do Concelho de Mira, os de Miranda do Corvo. E por convite do compadre, Mestre António Augusto Gonçalves, dava pareceres na intervenção de monumentos nacionais e até levava a sua equipa de construtores para arranjos de envergadura, já então chefe de obras na Universidade e condecorado pelo ministro.</p>



<p>Embora o nome não apareça, interveio na igreja de Santiago, à Praça Velha, hoje Praça da República, no Santuário do Senhor da Serra, no hotel do Bussaco e no Convento de Santa Clara-a-Nova. Ainda havia por lá uma monja antiga que era uma caixa de segredos e surpresas&#8230;</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A essa altura já os irmãos pertenciam aos órgãos directivos da Escola Livre das Artes do Desenho, onde artesãos juntavam os saberes específicos à escolarização, para serem requisitados pelas obras mais destacadas da região.</p>



<p>O tio Benjamin escrevia em todos os jornais de então. De O Conimbricense ainda guardo alguma coisa na caixa de madeira rara que acolhe as cartas do filho do tempo em que, na Iª Grande Guerra, integrava o Corpo Expedicionário Português (CEP). Quando me perguntavam se era dele, tio-bisavô, que eu herdara o gosto pela escrita, a Maria Laura mais nova dizia toda eriçada</p>



<p><em>Não senhora, foi do meu avô, bisavô dela. Era ele quem fazia a escrita ao tio Benjamin e&#8230; até lhe compunha alguns artigos para os jornais, quando ele não tinha tempo&#8230;</em></p>
</div></div>



<p>Um dia, passados anos, insistia para ir dar um passeio comigo ao Parque de Monsanto. Bem lhe via os tiques nervosos que faziam adivinhar novidade. E assim que chegávamos, a abanar-se com um leque num dia de temperatura amena, desabafava:</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p><em>O avôzinho (dela) sabia onde está ainda escondido um tesouro no convento de Santa Clara. Uma monja das mais antigas que ficou por lá, contou-lhe, mas pediu segredo</em></p>



<p><em>Então contou-lhe para quê?</em></p>



<p><em>Não sei&#8230;mas ele revelou-mo a mim, era eu ainda criança</em></p>



<p><em>E afinal em que local se encontra esse tesouro?</em></p>



<p><em>Espera&#8230;procurei imensa gente importante com capacidade para intervir, mas mal contava, zás, as pessoas morriam daí a dias..</em>..</p>



<p><em>Safa&#8230;Então não quero saber</em></p>



<p>E assim fomos gerindo a ânsia das revelações, embora a um lanche ou jantar ela quase&nbsp; rebentasse para soltar um pormenor qualquer</p>



<p><em>Posso dizer-te que&#8230;</em></p>



<p><em>Podes, mas eu já disse que não quero saber. E se és minha amiga não contas</em></p>



<p>Mas é claro que também eu andava roída de curiosidade. Um segredo tão valioso sobre um tesouro do tempo dos reis D. Dinis e Isabel, devia ter tido um desfecho qualquer muitos anos antes. Por que não acontecera?</p>



<p>Ao fim de meses e de uma noite em branco, fazia-me impressão que detendo a monja uma tal informação, nem tivesse morrido, nem fosse ela em busca do tesouro&#8230;E as perguntas saíam em borbotão ao pequeno-almoço, perante os olhos também verdes e grandes da Maria Laura</p>



<p><em>Diz-me&#8230;e a monja tentou, ou não conseguiu alcançar o tesouro?</em></p>



<p><em>Não conseguiu&#8230;apareceu-lhe a Rainha Santa a uns metros de distância, esticou o braço a formar uma barreira e obrigou-a a retirar-se&#8230;</em></p>



<p>Ficava eu de boca aberta e olhos redondos de espanto.</p>



<p>Já não tinha bisavô, nem tio Benjamin, nem a prima Laura para me certificarem. Decerto a última havia de rir à gargalhada franzindo os olhos verdes mais pequenos e dir-me-ia:</p>



<p><em>Nem sabes as histórias loucas que as mulheres desta família inventam!</em></p>



<p>Ficava na ignorância estes anos todos.</p>



<p>Ficarei&#8230;sem tesouro, mas com vida. Nem por isso grande coisa, mas sempre dá para contar esta versão.</p>
</div></div>
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		<title>Ninguém pediu, mas todos esperam</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leonor Freitas]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Jun 2025 23:08:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[a vida tal como ela é]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ser inteiro, hoje, é uma forma de desobediência suave. É recusar a pressa como norma.</p>
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<p>Hoje, a presença tornou-se uma forma de vigilância mútua. Basta adiar uma resposta, e o silêncio já carrega sentido. Espera-se que demonstremos, mesmo sem vontade, que ainda estamos aqui: atentas, disponíveis, funcionais. Mas esta presença é parcial, quase desincorporada. Uma simulação de vínculo. Uma presença que consome mais do que sustém.</p>



<p>Não basta estar. É preciso estar visível, acessível, actualizável. Como se o tempo, para contar, tivesse de ser convertido em retorno. Como se o valor da relação dependesse da frequência com que se prova. E esta exigência é subtil. Disfarça-se de gentileza. Vem num “quando puderes” que traz uma urgência silenciosa. E vai-se impondo como norma a ideia de que só se pode parar quando já não se aguenta mais. Mas isso não é descanso. As pausas perderam o direito à neutralidade. Um minuto sem reacção já é um intervalo a ser interpretado. O tempo inteiro é mediado por notificações e expectativas. E o que se acumula não é só ruído — é uma sensação crónica de dívida.</p>



<p>A tecnologia prometeu liberdade, mas uma liberdade sem forma é terreno fértil para um outro tipo de controlo — mais subtil, mais eficaz. Podemos falar com qualquer pessoa, a qualquer hora, de qualquer lugar. Mas o que se perdeu, quase sem se notar, foi a escuta. O mais inquietante é que este cansaço quase não se nomeia. Porque ele não grita. Corrói. É um desgaste limpo, contínuo, sem drama visível mas com consequências profundas. O corpo percebe antes da linguagem. A cabeça continua — “é rápido, é prático” — mas o fundo já se deslocou. E sobra pouco espaço para o que não se mede: o tempo partilhado sem objectivo. O silêncio sem justificação. O afecto sem retorno. A presença sem performance.</p>



<p>Neste contexto, ser inteiro é quase clandestino. Não como ideal elevado, mas como escolha miúda: não responder agora. Não fingir presença. Estar só onde se está. Parar antes do colapso. Respirar com o tempo e não contra ele. Ser inteiro, hoje, é uma forma de desobediência suave. É recusar a pressa como norma. É lembrar que a vulnerabilidade não é falha, mas condição. Que nenhuma existência se sustenta por si só. A interdependência — por mais negada — é a verdade estrutural da vida. E ela exige cuidado sem dívida. Cuidar não é um gesto ocasional. É a fundação. É reconhecer que o “eu” só subsiste porque há um “nós”. Sem esse “nós”, nem linguagem há para nomear o futuro.</p>



<p>Mas até o cuidado nos é vendido de volta como produto. O próprio sistema que nos acelera oferece agora o “slow living” como resposta, transformando calma em estilo de vida, em mercadoria acessível apenas a quem pode pagar tempo. Como se o ritmo imposto fosse destino, e não escolha. Como se parar fosse um privilégio — e não um direito elementar. Há aspectos da vida que não se resolvem. Que não se organizam. Que não cabem em produtividade nem resposta rápida. E talvez seja aí, nesse lugar indomável, que uma ética mais radical se manifesta &#8211; aquela que se mede não pelo que fazemos, mas pela forma como escutamos, sustentamos e habitamos o mundo.</p>



<p>Ser inteiro não é um estado ideal. É um modo de presença: viver de acordo com o que se é, no tempo em que se é. Sem pressa. Sem dívida. Com corpo. Com verdade. Ser inteiro agora dá trabalho mas é o único trabalho que vale o tempo que custa.</p>
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